{"id":987,"date":"2019-03-06T00:00:55","date_gmt":"2019-03-06T03:00:55","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/?post_type=encyclopedia&amp;p=987"},"modified":"2019-03-06T00:00:55","modified_gmt":"2019-03-06T03:00:55","slug":"extras-episodio-09","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/linhas-do-tempo\/extras-episodio-09\/","title":{"rendered":"EXTRAS EPIS\u00d3DIO 09"},"content":{"rendered":"<p><b>02 DE JULHO DE 1992<\/b><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Pris&otilde;es de Celina e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/beatriz-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Filha do prefeito Aldo Abagge\" class=\"encyclopedia\">Beatriz Abagge<\/a>. As duas chegaram no F&oacute;rum por volta das nove da manh&atilde;. pouco tempo depois tiveram que sair de l&aacute; para n&atilde;o serem linchadas pela popula&ccedil;&atilde;o. o pol&iacute;cia circulou de carro com elas pela cidade e por volta das duas da tarde retornaram ao F&oacute;rum de Guaratuba. nas horas seguintes a popula&ccedil;&atilde;o se reuniu novamente em volta do local, fazendo a pol&iacute;cia retirar definitivamente as duas do local e lev&aacute;-las para um quartel da pol&iacute;cia militar em Matinhos. A travessia foi feita num ferry boat exclusivo para as duas, contanto com a presen&ccedil;a de um m&eacute;dico e do advogado. De acordo com depoimentos prestados em agosto de 1993 por policiais do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> que participaram das pris&otilde;es seria nesse deslocamento que a fita cassete, contendo as confiss&otilde;es foi feita.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A pergunta que fica &eacute;: se a fita foi gravada neste momento, onde apenas as duas dos acusados estavam presentes como &eacute; que <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/osvaldo-marcineiro\/\" target=\"_self\" title='Leitor de b&uacute;zios, conhecido como \"pai-de-santo\" em Guaratuba' class=\"encyclopedia\">Osvaldo Marcineiro<\/a> tamb&eacute;m aparece falando nela? Ainda mais considerando que de acordo com o depoimento do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> naquele momento ele deveria estar em Matinhos.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na noite desse dia, &agrave;s 19:40, Beatriz foi a primeira a prestar seu depoimento. Na ocasi&atilde;o ela negou participa&ccedil;&atilde;o no crime, assim como indicou que havia sido torturada. De acordo com o promotor dalcol ela teria feito isso ap&oacute;s ter conversado com um segundo advogado que chegou de Curitiba para represent&aacute;-la, o Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/roberto-machado-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de Curitiba que auxiliava a prefeitura de Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Roberto Machado Filho<\/a>. O que podemos notar &eacute; que de acordo com a promotoria essa acusa&ccedil;&atilde;o de tortura s&oacute; teria surgido por sugest&atilde;o do advogado de defesa. Mais tarde entraremos em detalhes mas, por enquanto, vale refor&ccedil;ar que essa grava&ccedil;&atilde;o em fita &eacute; &uacute;nico registro que se tem nos autos de uma confiss&atilde;o. Determinar o local e momento de grava&ccedil;&atilde;o &eacute; essencial para determinar se essa&nbsp;<\/span><span style=\"font-weight: 400\">&eacute; realmente uma fonte confi&aacute;vel, por&eacute;m esses detalhes n&atilde;o constam no dossi&ecirc; Opera&ccedil;&atilde;o Magia Negra, feito pelo <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a>. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No dia <\/span><b>3 de julho <\/b><span style=\"font-weight: 400\">os primeiros acusados foram apresentados &agrave; imprensa, na Secretaria de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Paran&aacute;. Nessa ocasi&atilde;o eles confessaram o crime para a imprensa de todo o pa&iacute;s. Beatriz e Celina n&atilde;o participaram da coletiva mas trechos de suas confiss&otilde;es gravadas foram veiculadas em v&aacute;rios canais nos dias seguintes. Duas mat&eacute;rias da &eacute;poca constam trechos dessa grava&ccedil;&atilde;o. Uma delas &eacute; provavelmente do Jornal Nacional, da Globo, e aparentemente &eacute; pr&oacute;xima as datas das pris&otilde;es, entre julho ou agosto de 1992. A segunda mat&eacute;ria &eacute; do programa policial do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/luiz-carlos-alborghetti\/\" target=\"_self\" title=\"Famoso apresentador de programa policial\" class=\"encyclopedia\">Luiz Carlos Alborghetti<\/a> e &eacute; de 1993. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em uma mat&eacute;ria do extinto jornal Di&aacute;rio Popular do Paran&aacute;, datado do dia 10 de julho de 1992 &nbsp;h&aacute; uma transcri&ccedil;&atilde;o completa da fita. Talvez essa foi a primeira vez que a confiss&atilde;o apareceu na &iacute;ntegra por&eacute;m em formato de texto. A mat&eacute;ria relata a reuni&atilde;o que o secret&aacute;rio <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/moacir-favetti\/\" target=\"_self\" title=\"Secret&aacute;rio de seguran&ccedil;a p&uacute;blica do estado do Paran&aacute; em 1992\" class=\"encyclopedia\">Moacir Favetti<\/a> teve com rep&oacute;rteres em seu gabinete, com o objetivo de ouvir a fita gravada com os depoimentos de Celina e Beatriz. Na mesma oportunidade o secret&aacute;rio distribuiu o teor de um interrogat&oacute;rio com a participa&ccedil;&atilde;o alguns dos envolvidos na morte de Evandro. Em determinado momento um rep&oacute;rter pergunta para Beatriz o hor&aacute;rio que o menino foi levado para Osvaldo. Ap&oacute;s esse trecho est&aacute; a transcri&ccedil;&atilde;o completa da fita. Nos canais de televis&atilde;o tamb&eacute;m n&atilde;o foi encontrada transmiss&atilde;o na &iacute;ntegra da fita, o que &eacute; compreens&iacute;vel uma vez que a grava&ccedil;&atilde;o tem dura&ccedil;&atilde;o de cerca de 20 minutos.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_988\" style=\"width: 235px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/1992-10-julho-sacrificio-satanico-capa.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-988\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-988 size-medium\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/1992-10-julho-sacrificio-satanico-capa-e1551811903812-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\"><\/a><p id=\"caption-attachment-988\" class=\"wp-caption-text\">Capa do jornal Di&aacute;rio Popular de 10 de Julho de 1992<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_989\" style=\"width: 235px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/1992-10-julho-sacrificio-satanico-pg-6-transcricao-fita-k7-e1551812344329.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-989\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-989 size-medium\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/1992-10-julho-sacrificio-satanico-pg-6-transcricao-fita-k7-e1551812344329-225x300.jpg\" alt=\"\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/1992-10-julho-sacrificio-satanico-pg-6-transcricao-fita-k7-e1551812344329-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/1992-10-julho-sacrificio-satanico-pg-6-transcricao-fita-k7-e1551812344329-768x1024.jpg 768w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/1992-10-julho-sacrificio-satanico-pg-6-transcricao-fita-k7-e1551812344329-1152x1536.jpg 1152w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/1992-10-julho-sacrificio-satanico-pg-6-transcricao-fita-k7-e1551812344329-1536x2048.jpg 1536w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/1992-10-julho-sacrificio-satanico-pg-6-transcricao-fita-k7-e1551812344329-scaled.jpg 1920w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\"><\/a><p id=\"caption-attachment-989\" class=\"wp-caption-text\">P&aacute;gina 6 do jornal Di&aacute;rio Popular de 10 de Julho de 1992, contendo a transcri&ccedil;&atilde;o completa da fita cassete de confiss&atilde;o das Abagge. &Eacute; prov&aacute;vel que o jornal tenha publicado o texto fornecido pela degrava&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;GUIA<\/a><\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os coment&aacute;rios feitos ser&atilde;o baseados em duas fontes principais: primeiro, a transcri&ccedil;&atilde;o que consta no dossi&ecirc; Opera&ccedil;&atilde;o Magia Negra; e o segundo, o documento intitulado &ldquo;Parecer T&eacute;cnico em Fon&eacute;tica Forense: verifica&ccedil;&atilde;o de autenticidade Caso Guaratuba&rdquo;, assinado pelo engenheiro e perito criminal <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/antonio-cesar-morant-braid\/\" target=\"_self\" title=\"Perito de Fon&eacute;tica Forense\" class=\"encyclopedia\">Antonio C&eacute;sar Morant Braid<\/a>, da cidade de Salvador, datado de 27 de setembro de 1999. Esse parecer foi solicitado pelo pr&oacute;prio Minist&eacute;rio P&uacute;blico, atrav&eacute;s do promotor <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/paulo-sergio-markowicz-de-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Paran&aacute;\" class=\"encyclopedia\">Paulo S&eacute;rgio Markowicz de Lima<\/a>. Conforme consta no parecer, o objetivo do exame era o de verificar a autenticidade de registros de &aacute;udio.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/Transcricao-fita-K7-grupo-Aguia.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD Transcri&ccedil;&atilde;o fita cassete Grupo Aguia<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Pericia_Caso_Guaratuba.zip\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD Laudo de Per&iacute;cia Caso Guaratuba (ZIP 220 MB)<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A FITA CASSETE<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No primeiro trecho da fita temos o di&aacute;logo entre o interrogador n&atilde;o identificado, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/osvaldo-marcineiro\/\" target=\"_self\" title='Leitor de b&uacute;zios, conhecido como \"pai-de-santo\" em Guaratuba' class=\"encyclopedia\">Osvaldo Marcineiro<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/beatriz-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Filha do prefeito Aldo Abagge\" class=\"encyclopedia\">Beatriz Abagge<\/a>. &nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tamb&eacute;m nesse primeiro trecho, de acordo com a transcri&ccedil;&atilde;o do dossi&ecirc; Opera&ccedil;&atilde;o Magia Negra, aparentemente estaria faltando uma fala de Beatriz, na qual ela diria &ldquo;bem, &eacute; o jeito de falar, eles mandam, eles fazem lavagem cerebral, eles&hellip;&rdquo; . Em seguida o interrogador pergunta que horas o menino foi levado para a casa do Osvaldo, s&oacute; o final da pergunta pode ser ouvido no final da grava&ccedil;&atilde;o. Ainda fica o questionamento: como Osvaldo estava no in&iacute;cio da grava&ccedil;&atilde;o se de acordo com as explica&ccedil;&otilde;es dadas pelos policiais do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> ele n&atilde;o estaria presente nesse momento? O policial <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/dirceu-silvestre-matias\/\" target=\"_self\" title=\"Policial militar do Grupo &Aacute;GUIA\" class=\"encyclopedia\">Dirceu Silvestre Matias<\/a> disse que &ldquo;a fita come&ccedil;ou a ser gravada dentro do carro, depois da sa&iacute;da do F&oacute;rum, com destino a Matinhos, e prossegui no ferry boat&rdquo;. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Talvez o in&iacute;cio da fita foi gravado em Matinhos, onde Osvaldo estava esperando as Abagge e que o que ouvimos &eacute; uma edi&ccedil;&atilde;o, na qual as &uacute;ltimas grava&ccedil;&otilde;es foram inseridas no in&iacute;cio da fita. Talvez a fita foi toda gravada em Matinhos, mas n&atilde;o faria sentido uma vez que um dos policiais cita que a grava&ccedil;&atilde;o toda foi feita por ele e que durou cerca de 30 minutos. A grava&ccedil;&atilde;o final possui 20 minutos, indicando que certos trechos foram exclu&iacute;dos. A travessia de ferry boat dura cerca de 40 minutos<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Se Celina e Beatriz sa&iacute;ram de Guaratuba &agrave;s 16:00 elas estariam no quartel de Matinhos por volta das 16:40. Ainda partindo do depoimento de Dalcol, onde ele afirma que n&atilde;o viu nenhuma grava&ccedil;&atilde;o sendo realizada , essa grava&ccedil;&atilde;o deveria ter ocorrido assim que chegaram no quartel porque de acordo com o depoimento dele assim que o advogado Roberto Machado chega de Curitiba <\/span> <span style=\"font-weight: 400\">ele passa cerca de uma hora com elas. Ent&atilde;o com isso, ter&iacute;amos:<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><b>16:40<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Chegada em Matinhos, em <\/span><b>30 minutos<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> as confiss&otilde;es foram gravadas.<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><b><\/b><\/p>\n<p><b>17:10<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Conversa com o advogado por <\/span><b>uma hora.<\/b><\/p>\n<p><b>18:10<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> &nbsp;Folga de cerca de <\/span><b>uma hora e vinte <\/b><span style=\"font-weight: 400\">entre a conversa com o advogado e o depoimento de Beatriz.<\/span><b><br>\n<\/b><b><\/b><\/p>\n<p><b>19:40<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Beatriz d&aacute; o seu depoimento.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Dentro dessa l&oacute;gica a fita at&eacute; poderia ter sido gravada toda em Matinhos. Mas o que teria impedido os policiais de falarem que gravaram a fita inteira dentro do quartel? Se os relatos estiverem corretos e a fita come&ccedil;ou a ser gravada ainda em Guaratuba e terminou a ser gravada em Matinhos e a conversa com o Osvaldo que aparece no in&iacute;cio foi gravada no final porque isso n&atilde;o &eacute; mencionado? E quem teria editado essa fita? No parecer t&eacute;cnico n&atilde;o &eacute; mencionado isso, o relator apenas cita que a fita tem 14 edi&ccedil;&otilde;es que interrompem a continuidade das falas, sem entrar em mais detalhes.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A fita continua, os acusados descrevem que levaram Evandro para o quartinho da f&aacute;brica. Nesse trecho percebemos diferen&ccedil;as entre a transcri&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a>, da mat&eacute;ria do Di&aacute;rio Popular e ta entona&ccedil;&atilde;o da fala de Beatriz. No dossi&ecirc; todas as falas de Beatriz terminam com retic&ecirc;ncias, na material do jornal as falas terminam com um ponto final e, por fim, na fita notamos uma entona&ccedil;&atilde;o de d&uacute;vida, como quem busca aprova&ccedil;&atilde;o do interrogador. O tempo que ela demora para responder tamb&eacute;m pode ser um indicativo n&atilde;o s&oacute; de estresse mas de algu&eacute;m que procura encontrar uma resposta que satisfa&ccedil;a o interrogador. Outro detalhe curioso: podemos perceber uma m&uacute;sica tocando ao fundo da grava&ccedil;&atilde;o, que tamb&eacute;m aparece em outros trechos, e acabou sendo um ponto essencial para as defesas, com o argumento de que a m&uacute;sica serviria para abafar as torturas que aconteceria no momento que a grava&ccedil;&atilde;o &eacute; cortada ou interrompida. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A fita segue, Osvaldo &eacute; questionado se Beatriz estava relatando a verdade. Tanto a transcri&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> quanto na mat&eacute;ria do Di&aacute;rio Popular chamam o homem de &ldquo;Jo&atilde;o&rdquo;, como se a pessoa que tivesse transcrevendo tivesse entendido ali o nome errado, devido a fala abafada de Osvaldo. Tanto na mat&eacute;ria quanto no dossi&ecirc; existe o indicativo de que Jo&atilde;o &eacute; quem responde, levantando a suspeita de que talvez o Di&aacute;rio Popular recebeu uma c&oacute;pia em texto da transcri&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a>, n&atilde;o tendo apenas se limitado a ouvir a fita no encontro que tiveram com o secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Mais uma pergunta &eacute; feita para Beatriz, segundo o parecer t&eacute;cnico entre a pergunta e a resposta de Beatriz existe um corte. A grava&ccedil;&atilde;o prossegue e podemos perceber Beatriz encerrando sua frase com um &ldquo;pronto&rdquo;. Para as defesas esse seria outro indicativo de que ela estaria respondendo o que os policiais queriam ouvir. Beatriz repete esse &ldquo;pronto&rdquo; em diversos momentos da grava&ccedil;&atilde;o, nenhum desses momentos aparecem na transcri&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> ou do Di&aacute;rio Popular. A grava&ccedil;&atilde;o segue, podemos notar mais um corte. Ao todo a per&iacute;cia detectou 14 cortes ao longo da grava&ccedil;&atilde;o de nenhum deles foi mencionado na transcri&ccedil;&atilde;o. &nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nesse momento ocorre a &uacute;ltima apari&ccedil;&atilde;o de Osvaldo na fita cassete. De acordo com a transcri&ccedil;&atilde;o ele teria dito que o De Paula &ldquo;estrangulou e depois cortou&rdquo;. A grava&ccedil;&atilde;o prossegue, o interrogador pergunta para Beatriz o que ela fez. A primeira resposta de Beatriz foi &ldquo;eu n&atilde;o fiz nada, eu fiquei olhando&rdquo;, o interrogador parece induzir a Abagge a dar uma outra resposta: &ldquo;voc&ecirc; segurou a crian&ccedil;a&rdquo;, ele diz, Beatriz ent&atilde;o confirma repetindo &ldquo;t&aacute;, eu segurei a crian&ccedil;a&rdquo;. Em seguida o interrogador diz &ldquo;n&atilde;o&rdquo; e temos mais um corte na grava&ccedil;&atilde;o, Beatriz retorna em outro momento chorando. Para as defesas nesse momento fica claro que ela est&aacute; sendo for&ccedil;ada a responder de acordo com o que os policiais querem ouvir. De acordo com a transcri&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> nesse momento ela tamb&eacute;m teria dito &ldquo;eu n&atilde;o estou aguentando isso&rdquo; seguido do seu choro e mais descri&ccedil;&otilde;es sobre o assassinato. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Beatriz em determinado momento pergunta &ldquo;o senhor quer diga&hellip;&rdquo; e o interrogador responde &ldquo;N&atilde;o, n&atilde;o quero que voc&ecirc; diga. Quer que voc&ecirc; me fale. Como &eacute; que era&hellip;&rdquo;. Essa pergunta de Beatriz n&atilde;o consta na transcri&ccedil;&atilde;o oficial. Tanto no dossi&ecirc; quanto na mat&eacute;ria do jornal a press&atilde;o psicol&oacute;gica &eacute; inexistente.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Beatriz prossegue descrevendo o que ela e a m&atilde;e fizeram no dia que raptaram Evandro. Ela confessa que junto da m&atilde;e raptou o menino no seu carro &agrave;s duas horas da tarde. &Eacute; o mesmo hor&aacute;rio que ela menciona no in&iacute;cio da fita, quando Osvaldo est&aacute; junto. De acordo com a m&atilde;e de Evandro o menino desapareceu de manh&atilde;.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O relato continua com Beatriz explicando as supostas motiva&ccedil;&otilde;es para o crime: trazer poder e dinheiro para a fam&iacute;lia Abagge e para os pais de santo. O interrogador pergunta &ldquo;o que eles receberam nisso?&rdquo;. Beatriz n&atilde;o sabe dizer e responde que quem fez esses acertos foi o Bardelli, que era o gerente da serraria do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/aldo-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Prefeito de Guaratuba em 1992\" class=\"encyclopedia\">Aldo Abagge<\/a>. Nas duas transcri&ccedil;&otilde;es o interrogador pergunta: &ldquo;dinheiro?&rdquo; e Beatriz responde &ldquo;pois &eacute;, foi tudo um acerto com o Bardelli. Ele &eacute; o respons&aacute;vel pelas finan&ccedil;as&rdquo;. O texto n&atilde;o transparece o tom de voz do interrogador, que n&atilde;o &eacute; o de quem pergunta sobre o dinheiro, conforme consta no dossi&ecirc;. Al&eacute;m disso a transcri&ccedil;&atilde;o omite o interrogador dizendo alguma coisa que, de acordo com a defesa, &eacute; um &ldquo;n&atilde;o&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Primeiro Beatriz diz que n&atilde;o sabe quanto foi pago pelo trabalho por&eacute;m, logo depois, responde que foi sete milh&otilde;es de cruzeiros. Como ela sabia a quantia agora se tinha acabado de falar que quem cuidou desse assunto foi o Bardelli? Na transcri&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> o di&aacute;logo &eacute; bem direto, n&atilde;o demonstrando a falta de conhecimento inicial de Beatriz. Na laudo da per&iacute;cia h&aacute; outras informa&ccedil;&otilde;es, apontando para as tr&ecirc;s pessoas presentes nesse trecho: Beatriz e dois homens n&atilde;o identificados, o di&aacute;logo fica assim:<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><b>Homem 1<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: &ldquo;Mas voc&ecirc; sabe quanto que foi&rdquo; <\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><b><\/b><\/p>\n<p><b>Beatriz<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: &ldquo;&Eacute;&hellip;se&hellip; [Beatriz &eacute; interrompida nesse momento pelo segundo homem presente]&rdquo;<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><b><\/b><\/p>\n<p><b>Homem 2<\/b><span style=\"font-weight: 400\">: &ldquo;Sete&rdquo;<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><b><\/b><\/p>\n<p><b>Beatriz: <\/b><span style=\"font-weight: 400\">&ldquo;Sete milh&otilde;es. Pronto&rdquo;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No laudo o perito afirma que &ldquo;n&atilde;o h&aacute; evid&ecirc;ncias de edi&ccedil;&atilde;o quando uma voz masculina ao fundo fala em tom afirmativo a palavra &lsquo;sete&rsquo; no mesmo momento em que a voz feminina fala &lsquo;se&rsquo; e s&oacute; depois conclui com &lsquo;sete milh&otilde;es. pronto&rsquo;&rdquo;. Para as defesas esse &eacute; mais um indicativo de que Beatriz estava sendo treinada a falar o que eles queriam. Ela teria sido ensinada a falar o valor &ldquo;sete milh&otilde;es&rdquo; para refor&ccedil;ar toda a simbologia macabra do n&uacute;mero sete que depois foi amplamente divulgada na imprensa. Beatriz diz que Osvaldo e De Paula teriam ficado com a quantia, que foi dado por Bardelli e pertencia &agrave; f&aacute;brica. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ela prossegue, contando que as restos mortais do menino foram colo, na casinha de madeira que mencionamos em epis&oacute;dios anteriores. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/rosa-leite-flora\/\" target=\"_self\" title=\"Funcion&aacute;ria da serraria Abagge\" class=\"encyclopedia\">Rosa Leite Flora<\/a>, residia nessa casa que ficava dentro da serraria Abbage e tamb&eacute;m era funcion&aacute;ria de l&aacute; desde 1988, conforme consta no seu depoimento feito em 22 de dezembro de 1992 e est&aacute; presente no volume 9 do processo. Beatriz n&atilde;o tinha contato com nenhum funcion&aacute;rio da serraria, o que pode indicar que o <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> chegou a investigar sobre esse acontecimento. Rosa Flora n&atilde;o consta como uma das testemunhas apontadas no dossi&ecirc; Opera&ccedil;&atilde;o Magia Negra e no depoimento dado ela nega que qualquer coisa tenha acontecido na f&aacute;brica. Apesar de ter afirmado que nunca frequentou a casa da fam&iacute;lia Abagge seu depoimento foi descartado gra&ccedil;as a essa proximidade com a empresa. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda sobre o momento que raptaram o menino Beatriz fala que estava no carro e encontrou o menino na rua, o chamou e ofereceu uma bala. Os interrogadores perguntam o que o menino vestia e onde estaria a roupa. Ao responder que a roupa estaria com o <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo TIGRE<\/a>, que foi quem encontrou a camiseta, temos um novo corte. A camiseta n&atilde;o consta nos autos, o que poderia ser interpretado como oculta&ccedil;&atilde;o de provas para benef&iacute;cio da fam&iacute;lia Abagge. O que seria a confirma&ccedil;&atilde;o de que a pol&iacute;cia civil estava a servi&ccedil;o dos Abagge. &Eacute; o que o trecho pode levar a entender. <\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Beatriz &eacute; levada ao encontro de sua m&atilde;e Celina, para confirmar a hist&oacute;ria que contou nessa parte do interrogat&oacute;rio. Ao chegar l&aacute; &nbsp;Beatriz revisa para Celina como mataram Evandro. De acordo com a transcri&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> Beatriz disse: &ldquo;eu dei a balinha para ele, depois n&oacute;s levamos ele l&aacute; para a f&aacute;brica, ele ficou preso l&aacute; na f&aacute;brica, e n&oacute;s seguramos pro De Paula fazer o trabalho&rdquo;. Ainda de acordo com a transcri&ccedil;&atilde;o Celina responde &ldquo;pra qu&ecirc; voc&ecirc; est&aacute; fazendo isto, minha filha? Isto &eacute; mentira, minha filha&rdquo;. Ao ouvir a grava&ccedil;&atilde;o o que ela fala &eacute; ligeiramente diferente: &ldquo;voc&ecirc; n&atilde;o fale isso [<\/span><span style=\"font-weight: 400\">inintelig&iacute;vel], minha filha. Isto &eacute; mentira&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O interrogador come&ccedil;a a questionar Celina qual foi o valor pago e como mataram a crian&ccedil;a, qual instrumento foi usado e por sua vez Celina responde que foi com uma faca. O interrogador pergunta como o corpo do menino foi aberto, Celina responde &ldquo;no est&ocirc;mago&rdquo;. Celina continua respondendo quem estava presente no momento do crime e a motiva&ccedil;&atilde;o do crime de trazer mais fortuna para os envolvidos. Beatriz tenta ajudar sua m&atilde;e com a resposta mas &eacute; interrompida por um dos interrogadores. Na transcri&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> ela teria dito &ldquo;eu j&aacute;&hellip;&rdquo; e &eacute; cortada pelo interrogador que diz &ldquo;psiu&rdquo;. Ao ouvir a grava&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel ouvir Beatriz falando o &ldquo;eu j&aacute;&hellip;&rdquo;. Celina agora diz que abriram o menino com uma serra, tipo um serrote, que estaria na serraria. &nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os interrogadores perguntam se o menino chegou a lutar para escapar. celina responde que n&atilde;o, porque deram com um pau na cabe&ccedil;a dele. O interrogador agora pergunta para Celina com que roupa Evandro estava vestido. Celina responde que o menino vestia uma camisetinha amarela e um cal&ccedil;&atilde;o azul. de acordo com o inqu&eacute;rito policial quando Evandro desapareceu ele vestia uma bermuda estampada, uma regata branca e chinelo Raider. O interrogador amea&ccedil;a, pedindo pra ela falar a verdade, caso contr&aacute;rio ser&aacute; levada para Curitiba. Celina prossegue relatando onde teriam deixado o corpo e seus restos mortais.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo a transcri&ccedil;&atilde;o o interrogador pergunta: &ldquo;mas e o resto do material que voc&ecirc;s tiraram de dentro, o que voc&ecirc;s fizeram?&rdquo; em seguida Celina pergunta &ldquo;eu posso?&rdquo; sendo cortada pelo interrogador que diz &ldquo;n&atilde;o, n&atilde;o pode&rdquo;. Na grava&ccedil;&atilde;o a voz que faz essa pergunta parece ser a de Beatriz, querendo responder no lugar da m&atilde;e. Da&iacute; Celina diz &ldquo;eu fechava muito o olho, eu j&aacute; disse&rdquo;. Essa frase e varia&ccedil;&otilde;es dela s&atilde;o proferidas em muitos dos relat&oacute;rios: &ldquo;eu n&atilde;o vi&rdquo;, &ldquo;eu sa&iacute; da sala porque n&atilde;o estava aguentando&rdquo;, &ldquo;eu fechei o olho&rdquo; etc. Todos os acusados disseram o mesmo e, de acordo com as defesas, isso seria uma forma de se livrar do interrogat&oacute;rio longo o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel, escapando de responder algo que n&atilde;o sabem se &eacute; o que deve ser respondido, como medo de receberem novas torturas. E se consideramos a tese de tortura usada pela defesa, todo esse trecho &eacute; curioso para explicar o corte que acontece quando o interrogador interrompe Beatriz e n&atilde;o deixa ela responder pela m&atilde;e.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O que os interrogadores perguntam onde os acusados colocaram os restos do menino e quer que Celina responda &ldquo;na casinha da serraria&rdquo;. Ela responde que n&atilde;o viu ou que n&atilde;o sabe ou dando qualquer outra resposta menos aquela esperada pelos interrogadores. Com isso a grava&ccedil;&atilde;o &eacute; interrompida e, quando volta, Celina come&ccedil;a a dar outros detalhes. dessa vez Celina fala que cortaram o est&ocirc;mago do menino, retiraram os &oacute;rg&atilde;os dele, que Osvaldo e De Paula levaram os restos como oferenda. Nesse momento h&aacute; um corte na grava&ccedil;&atilde;o, ela volta e Celina cita que aguardou dois dias, fazendo a primeira men&ccedil;&atilde;o de quanto tempo a oferenda teria ficado l&aacute;, sem citar a casinha ou algo do tipo. O interrogador diz &ldquo;eu vou te ajudar, Celina, com certeza, voc&ecirc; est&aacute; falando a verdade&rdquo;. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De acordo com a transcri&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a>, a interrogador teria perguntando &ldquo;al&eacute;m das v&iacute;sceras, o que mais foi cortado?&rdquo;. Celina responde &ldquo;foi cortado os &oacute;rg&atilde;os genitais&rdquo;. No futuro este detalhe ser&aacute; importante. A interroga&ccedil;&atilde;o continua, de acordo com a transcri&ccedil;&atilde;o o interrogador teria perguntado &ldquo;quem seria o chef&atilde;o?&rdquo;, Celina responde &ldquo;&eacute; o Osvaldo&rdquo;. &ldquo;Ent&atilde;o quer dizer que eles alugaram a cabe&ccedil;a de voc&ecirc;s?&rdquo;, pergunta o interrogador, Celina responde &ldquo;pois &eacute;, foi&rdquo;. O interrogador pergunta o que mais tem na serraria, Celina responde que tem madeira, terra e coisas do tipo. O interrogador continua insistindo com a pergunta, querendo que ela responda falando sobre a casinha. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O interrogador prossegue perguntando sobre como o ritual foi realizado, onde os restos foram colocados mas Celina n&atilde;o fala sobre a casinha. A fita termina aqui, deixando claro que quando os interrogadores perguntam &ldquo;o que foi guardado?&rdquo; eles querem que Celina responda &ldquo;as v&iacute;sceras do menino, ficou l&aacute; por tr&ecirc;s dias, na casinha da serraria.&rdquo; e para frustr&aacute;-los ainda mais ela responde &ldquo;n&atilde;o vi, porque eles n&atilde;o gostam de mostrar pra gente, porque a gente debochava deles&rdquo;.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O SUMI&Ccedil;O DA FITA<\/strong><\/p>\n<p>Em 19 de Dezembro de 1995, o advogado de defesa Ant&ocirc;nio Augusto Figueiredo Basto requisitava &agrave; ju&iacute;za de Guaratuba uma c&oacute;pia da fita cassete para que ele pudesse realizar uma an&aacute;lise t&eacute;cnica mais profunda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quase dois anos depois, em 30 de Outubro de 1997, ele declarava que ainda n&atilde;o havia conseguido fazer uma an&aacute;lise t&eacute;cnica da fita &ndash; e que ela misteriosamente havia sumido dos autos. Na ocasi&atilde;o, estavam a poucos dias de come&ccedil;ar o j&uacute;ri de seus clientes: <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/osvaldo-marcineiro\/\" target=\"_self\" title='Leitor de b&uacute;zios, conhecido como \"pai-de-santo\" em Guaratuba' class=\"encyclopedia\">Osvaldo Marcineiro<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/davi-dos-santos-soares\/\" target=\"_self\" title=\"Artes&atilde;o de Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Davi dos Santos Soares<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/vicente-de-paula-ferreira\/\" target=\"_self\" title=\"Ajudante e amigo de Osvaldo, era tamb&eacute;m conhecido como pai-de-santo\" class=\"encyclopedia\">Vicente de Paula Ferreira<\/a>. O j&uacute;ri foi adiado &ndash; assim como tantos outros foram, sendo o primeiro a ser realizado apenas em 1998.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&Eacute; dif&iacute;cil precisar exatamente quando a fita sumiu, mas tudo indica que deve ter sido no tr&acirc;nsito dos autos e objetos do processo ap&oacute;s seu desaforamento (ou seja, sua transfer&ecirc;ncia) da comarca de Guaratuba para S&atilde;o Jos&eacute; dos Pinhais, regi&atilde;o metropolitana de Curitiba.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>LINHA DO TEMPO DO DESAFORAMENTO<\/strong><\/p>\n<p><em>&bull; 27 de Outubro de 1995<\/em><\/p>\n<p>A ju&iacute;za de Guaratuba, a Dra. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/anesia-edith-kowalski\/\" target=\"_self\" title=\"Ju&iacute;za da comarca de Guaratuba durante todo o desenrolar do caso Evandro\" class=\"encyclopedia\">An&eacute;sia Edith Kowalski<\/a>, entra com o pedido de desaforamento, alegando que: 1) n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel confirmar que os jurados ter&atilde;o a imparcialidade necess&aacute;ria; 2) n&atilde;o ser&aacute; poss&iacute;vel garantir a seguran&ccedil;a dos r&eacute;us e da pr&oacute;pria ju&iacute;za.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&bull; 06 de Agosto de 1996<\/em><\/p>\n<p>O pedido &eacute; acolhido pelo Tribunal de Justi&ccedil;a do Paran&aacute;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>&bull; 05 de Junho de 1997<\/em><\/p>\n<p>Os autos e objetos relacionados ao caso foram remetidos &agrave; comarca de S&atilde;o Jos&eacute; dos Pinhais. A ju&iacute;za Marcelise Weber Loritte &eacute; designada como a respons&aacute;vel pelo processo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>J&Uacute;RI DE 1997 ADIADO<\/strong><\/p>\n<p>Perto da data do julgamento, ap&oacute;s constatar o desaparecimento e n&atilde;o se encontrar ela em lugar algum, o advogado de defesa Figueiredo Basto pedia pelo adiamento do j&uacute;ri em 05 de Novembro de 1997. A comarca de Guaratuba afirmava que todos os materiais haviam sido enviados para S&atilde;o Jos&eacute; dos Pinhais. A Pol&iacute;cia Militar dizia que todos os materiais do caso foram enviados &agrave; Guaratuba desde 1992.<\/p>\n<p>Nenhum julgamento ocorreu em 1997.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>MAR&Ccedil;O DE 1998<\/strong><\/p>\n<p>Em Fevereiro de 1998, a poucos dias de come&ccedil;ar o j&uacute;ri de Osvaldo, Vicente e Davi, o jornalista policial <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/ari-soares-dos-santos\/\" target=\"_self\" title=\"Rep&oacute;rter policial\" class=\"encyclopedia\">Ari Soares dos Santos<\/a> informa &agrave; defesa que possui uma c&oacute;pia da fita, e que ela lhe foi entregue por uma fonte an&ocirc;nima, provavelmente ainda em 1992.<\/p>\n<p>Em 27 de Fevereiro de 1998, a ju&iacute;za anuncia oficialmente que fita &eacute; fiel &agrave;s transcri&ccedil;&otilde;es, pelo menos no teor das palavras, e que aceita anex&aacute;-la aos autos. O Minist&eacute;rio P&uacute;blico tamb&eacute;m aceita, mas contesta sua origem e desconfia que algo pode ter ocorrido nela. Por isso, requisita o Laudo de Autenticidade e Fon&eacute;tica Forense, que ser&aacute; conclu&iacute;do apenas em 1999.<\/p>\n<p>Em 10 de Mar&ccedil;o de 1998, come&ccedil;a o j&uacute;ri de Osvaldo, Davi e Vicente. Logo no in&iacute;cio, de acordo com mat&eacute;ria da Folha de Londrina, <a href=\"https:\/\/www.folhadelondrina.com.br\/cidades\/comecam-os-julgamentos-em-sao-jose-65776.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">um radialista entregou uma c&oacute;pia da fita para a defesa<\/a>. A mat&eacute;ria n&atilde;o cita seu nome, mas sabemos pelos autos e outras mat&eacute;rias da imprensa que era o jornalista Ari Soares.<\/p>\n<p>Contudo, o julgamento teve de ser dissolvido porque <a href=\"https:\/\/www.folhadelondrina.com.br\/cidades\/celina-e-beatriz-serao-julgadas-primeiro-65920.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">uma jurada passou mal devido a problemas de sa&uacute;de advindos de uma cirurgia que havia realizado<\/a>.<\/p>\n<p>Por causa disso, o julgamento de Beatriz e Celina veio a ocorrer primeiro. O advogado Figueiredo Basto recebeu um convite de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/osmann-de-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa no j&uacute;ri de 98\" class=\"encyclopedia\">Osmann de Oliveira<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/ronaldo-botelho\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa no j&uacute;ri de 98\" class=\"encyclopedia\">Ronaldo Botelho<\/a>, advogados das Abagge, para compor a defesa delas. Ele aceitou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O J&Uacute;RI MAIS LONGO DO BRASIL<\/strong><\/p>\n<p>O julgamento das Abagge durou 34 dias: de 23 de Mar&ccedil;o de 1998 at&eacute; 26 de Abril do mesmo ano. Figueiredo Basto foi a grande estrela da defesa, enquanto que do lado da promotoria o Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/celso-ribas\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor no j&uacute;ri de 1998\" class=\"encyclopedia\">Celso Ribas<\/a> chamava tamb&eacute;m a aten&ccedil;&atilde;o pelas suas rea&ccedil;&otilde;es explosivas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>CONTESTA&Ccedil;&Atilde;O DA VALIDADE DA FITA PELO MINIST&Eacute;RIO P&Uacute;BLICO<\/strong><\/p>\n<p>O Minist&eacute;rio P&uacute;blico alega que a fita n&atilde;o foi utilizada para forma&ccedil;&atilde;o de convic&ccedil;&atilde;o. Contudo, nas alega&ccedil;&otilde;es finais do promotor <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/antonio-cesar-cioffi-de-moura\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor de Curitiba designado para o caso Evandro ap&oacute;s as pris&otilde;es dos acusados\" class=\"encyclopedia\">Antonio Cesar Cioffi de Moura<\/a>, redigido antes da pron&uacute;ncia da ju&iacute;za de Guaratuba, ele citava a fita como base para a forma&ccedil;&atilde;o da tese. Este documento &eacute; datado de 13 de Agosto de 1993.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_991\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/Beatriz-Abagge-e-fita-cassete.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-991\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-991 size-full\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/Beatriz-Abagge-e-fita-cassete.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"414\" srcset=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/Beatriz-Abagge-e-fita-cassete.jpg 800w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/Beatriz-Abagge-e-fita-cassete-300x155.jpg 300w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/Beatriz-Abagge-e-fita-cassete-768x397.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"><\/a><p id=\"caption-attachment-991\" class=\"wp-caption-text\">Trecho das alega&ccedil;&otilde;es finais do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, de 13 de agosto de 1993, antes da pron&uacute;ncia da ju&iacute;za<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O MP tamb&eacute;m alega que a fita, ap&oacute;s ter sumido, teria sido adulterada com a inser&ccedil;&atilde;o de cortes, para parecer que foi editada pelos policiais. Prova disso seria que as degrava&ccedil;&otilde;es originais n&atilde;o condiziam com o conte&uacute;do da fita. Por isso, foi requisitado o laudo de fon&eacute;tica forense.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O problema dessa justificativa &eacute; que havia duas degrava&ccedil;&otilde;es originais: a do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;GUIA<\/a>, anexada ao dossi&ecirc; Opera&ccedil;&atilde;o Magia Negra, que &eacute; datado de 7 de Julho de 1992; e do Instituto de Criminal&iacute;stica da Pol&iacute;cia Civil do Paran&aacute;, datada de 20 de Julho de 1992. Ou seja, elas possuem apenas alguns dias de diferen&ccedil;a entre si, n&atilde;o havendo chances da fita ter sido adulterada neste meio tempo. E as duas degrava&ccedil;&otilde;es possuem diferen&ccedil;as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, nenhuma dessas degrava&ccedil;&otilde;es visavam an&aacute;lises t&eacute;cnicas mais profundas, como an&aacute;lises de sons de fundo, vozes escondidas e at&eacute; mesmo poss&iacute;veis adultera&ccedil;&otilde;es. Em um of&iacute;cio do Instituto de Criminal&iacute;stica de 4 de Dezembro de 1992, o diretor do instituto afirmava que n&atilde;o seria poss&iacute;vel fazer tais exames, pois eles n&atilde;o dispunham de equipamentos para isso. Por isso que, em 1995, o advogado de defesa Figueiredo Basto requisitava que o exame deveria ser feito na Unicamp, mas n&atilde;o conseguiu em tempo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O promotor Paulo Markowicz argumenta tamb&eacute;m que em uma mat&eacute;ria da TV Exclusiva, exibida em 10 de Junho de 1997 (ou seja, 5 dias ap&oacute;s os autos e objetos do processo terem sido remetidos &agrave; comarca de S&atilde;o Jos&eacute; dos Pinhais), a fita l&aacute; exibida seria a original e ela seria mais fiel do que a que foi anexada aos autos em 1998 gra&ccedil;as ao jornalista <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/ari-soares-dos-santos\/\" target=\"_self\" title=\"Rep&oacute;rter policial\" class=\"encyclopedia\">Ari Soares dos Santos<\/a>. Contudo, n&atilde;o se sabe a origem da fita que foi usada na mat&eacute;ria, tampouco se ela foi tratada para a exibi&ccedil;&atilde;o na TV. Ademais, a mat&eacute;ria da TV Exclusiva n&atilde;o foi periciada. Logo, us&aacute;-la como compara&ccedil;&atilde;o torna-se um exerc&iacute;cio de especula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por isso, o que serve como base para an&aacute;lise mais segura seriam os quatro materiais a seguir (em ordem cronol&oacute;gica):<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/Transcricao-fita-K7-grupo-Aguia.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Degrava&ccedil;&atilde;o do Grupo &Aacute;GUIA [DOWNLOAD]<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/03\/Transcric%CC%A7a%CC%83o-FIta-K7-Policia-Civil.pdf\">Degrava&ccedil;&atilde;o do Instituto de Criminal&iacute;stica da Pol&iacute;cia Civil do Paran&aacute;* [DOWNLOAD]<\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=vpk8-0PP3lw\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fita Cassete anexada em 1998 [YOUTUBE]<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/Pericia_Caso_Guaratuba.zip\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Laudo de Per&iacute;cia Caso Guaratuba (Download &ndash; ZIP 220 MB)<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>*os autos digitalizados que utilizamos aqui possui uma folha faltando, a de n&ordm; 1326. N&atilde;o conseguimos conferir em tempo se essa folha est&aacute; sumida tamb&eacute;m nos autos do processo originais ou se isso foi um deslize das pessoas que digitalizaram os autos<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A fita cassete<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":564,"template":"","encyclopedia-category":[10],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/987"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media\/564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=987"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=987"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=987"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}