{"id":1647,"date":"2020-11-10T00:00:30","date_gmt":"2020-11-10T03:00:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/?post_type=encyclopedia&amp;p=1647"},"modified":"2020-11-10T00:00:30","modified_gmt":"2020-11-10T03:00:30","slug":"extras-episodio-36","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/linhas-do-tempo\/extras-episodio-36\/","title":{"rendered":"EXTRAS EPIS\u00d3DIO 36"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><b>P&Acirc;NICO SAT&Acirc;NICO<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">In&uacute;meras hist&oacute;rias sobre abusos sexuais e outros crimes contra crian&ccedil;as em supostos &ldquo;rituais&rdquo; marcaram os Estados Unidos e o Canad&aacute; durante a d&eacute;cada de 1980. Geralmente, as narrativas eram bem parecidas: havia uma seita sat&acirc;nica em a&ccedil;&atilde;o em uma pequena cidade do interior. Os membros do grupo eram policiais, pol&iacute;ticos, empres&aacute;rios e at&eacute; mesmo frequentadores da igreja local. Essas pessoas seriam respons&aacute;veis pelo abuso sexual sistem&aacute;tico de crian&ccedil;as ou, em outros casos, pelo sacrif&iacute;cio dos menores &ndash; tudo em nome de Sat&atilde;.<\/p>\n<p class=\"p1\">O fato &eacute; que nenhum desses eventos nunca foi comprovado. Na &eacute;poca, o agente especial do FBI, Kenneth V. Lanning, ganhou notoriedade ao questionar a veracidade dessas hist&oacute;rias. Em janeiro de 1992, ele finalizou um relat&oacute;rio sobre as suas investiga&ccedil;&otilde;es, intitulado &ldquo;O Guia do Investigador para Alega&ccedil;&otilde;es de Abuso &lsquo;Ritual&rsquo; em Crian&ccedil;as&rdquo;.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.ncjrs.gov\/pdffiles1\/Digitization\/136592NCJRS.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD Investigator&rsquo;s Guide to Allegations of &ldquo;Ritual&rdquo; Child Abuse<\/a><\/p>\n<p class=\"p1\">A maior parte do trabalho do agente focou nas alega&ccedil;&otilde;es de abuso sexual de menores. Para analisar os epis&oacute;dios, investigadores norte-americanos cunharam o termo &ldquo;<em>Satanic Ritual Abuse<\/em>&rdquo; (&ldquo;Abuso de Ritual Sat&acirc;nico&rdquo;), chamado frequentemente de SRA.<\/p>\n<p class=\"p1\">O caso mais famoso &eacute; provavelmente o relatado no livro &ldquo;<em>Michelle Remembers<\/em>&rdquo; &ndash; &ldquo;Michelle se Lembra&rdquo; em portugu&ecirc;s. Ele conta a hist&oacute;ria de Michelle Smith, uma mulher que, ap&oacute;s sess&otilde;es de hipnose com um terapeuta chamado Lawrence Pazder, passou a relatar que tinha sido v&iacute;tima de abusos aos cinco anos de idade. Ela acusou a pr&oacute;pria m&atilde;e de cometer os crimes e de participar de um culto sat&acirc;nico no Canad&aacute;. Smith e Pazder escreveram o livro juntos em 1980 e a obra foi um sucesso de vendas.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em 1989, os dois apareceram no popular programa de televis&atilde;o da apresentadora Oprah Winfrey, no qual Michelle descreveu os abusos sofridos. O caso teria acontecido durante a d&eacute;cada de 1950 e, s&oacute; 20 anos mais tarde, ap&oacute;s o tratamento com o terapeuta, &eacute; que a v&iacute;tima come&ccedil;ou a se lembrar da viol&ecirc;ncia que supostamente sofreu. Muitos estudiosos do fen&ocirc;meno de SRA acreditam que o livro de Smith e Pazder deu o pontap&eacute; inicial para o P&acirc;nico Sat&acirc;nico da d&eacute;cada de 1980.<\/p>\n<p class=\"p1\">Certa vez, o terapeuta afirmou que j&aacute; havia conseguido reunir mais de mil casos de SRA &ndash; alguns deles inclusive tiveram pessoas acusadas pela pol&iacute;cia e levadas a julgamento. Contudo, nenhum deles jamais foi comprovado.<\/p>\n<p class=\"p1\">Al&eacute;m disso, o livro &eacute; bastante controverso e n&atilde;o &eacute; aceito por grande parte da comunidade cient&iacute;fica. A avalia&ccedil;&atilde;o geral &eacute; que ele consiste em mem&oacute;rias fabricadas por Smith com a interfer&ecirc;ncia de Pazder. A m&atilde;e de Michelle faleceu em 1964, mas o pai dela negava que os abusos teriam ocorrido. O mesmo relato foi repetido por pessoas que conheciam a fam&iacute;lia e pelas duas irm&atilde;s de Michelle, que jamais fizeram acusa&ccedil;&otilde;es semelhantes.<\/p>\n<p class=\"p1\">Mesmo assim, a obra foi um sucesso, especialmente em c&iacute;rculos crist&atilde;os mais fundamentalistas e, at&eacute; hoje, &eacute; referenciada como prova da exist&ecirc;ncia de seitas sat&acirc;nicas. N&atilde;o h&aacute; nada, no entanto, que confirme essa suspeita. Com frequ&ecirc;ncia, na realidade, descobria-se que as investiga&ccedil;&otilde;es haviam sido contaminadas por m&aacute; conduta policial, como abuso de for&ccedil;a ou erros em interrogat&oacute;rios. Somado a isso, os relatos de abusos n&atilde;o condiziam com provas materiais e exames de corpo de delito, e boa parte dos acusados geralmente tinha &aacute;libi.<\/p>\n<p class=\"p1\">Esses tipos de acusa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o eram os &uacute;nicos. Muitas cidades tamb&eacute;m registraram desaparecimento ou assassinato de crian&ccedil;as e, em algumas situa&ccedil;&otilde;es, moradores convenceram os policiais que grupos satanistas eram os respons&aacute;veis. Um bom apanhado desses eventos &eacute; encontrado no livro &ldquo;<em>Satanic Panic &ndash; The Creation of a Contemporary Legend<\/em>&rdquo; (&ldquo;P&acirc;nico Sat&acirc;nico &ndash; A Cria&ccedil;&atilde;o de uma Lenda Contempor&acirc;nea&rdquo;), escrito em 1993 por Jeffrey S. Victor, professor de sociologia da Universidade do Estado de Nova Iorque (SUNY).<\/p>\n<p class=\"p1\">Um dos epis&oacute;dios de P&acirc;nico Sat&acirc;nico relatado por Victor ocorreu em outubro de 1988, nos condados de Whitley, DeKalb e Steuben, no estado da Indiana, nos EUA. Os rumores come&ccedil;aram depois que uma menina loira e de olhos azuis, de oito anos de idade, foi abusada e assassinada em DeKalb, em abril daquele ano. Os boatos ganharam ainda mais intensidade ap&oacute;s o suic&iacute;dio de uma adolescente em Whitley.<\/p>\n<p class=\"p1\">Os jornais passaram a tentar relacionar ambos os casos com hist&oacute;rias de sacrif&iacute;cio humano, supostos encontros ritual&iacute;sticos secretos, uma rede sat&acirc;nica criminosa e o acobertamento de sequestros por policiais. A jun&ccedil;&atilde;o desses elementos causou p&acirc;nico na popula&ccedil;&atilde;o, que realizou um encontro p&uacute;blico para discutir as medidas de seguran&ccedil;a a serem tomadas. Uma for&ccedil;a-tarefa come&ccedil;ou a investigar a atua&ccedil;&atilde;o de satanistas na regi&atilde;o e o chefe da pol&iacute;cia local deu palestras sobre o assunto.<\/p>\n<p class=\"p1\">Os moradores acreditavam que um culto sat&acirc;nico estava planejando o rapto e sacrif&iacute;cio de uma adolescente loira de olhos azuis na noite do Dia das Bruxas. Circulavam rumores de listas de potenciais v&iacute;timas e muitos pais passaram a impedir que os filhos fossem para a escola. Lojas tiveram preju&iacute;zo financeiro por conta de boatos de que estariam recebendo reuni&otilde;es de satanistas nos por&otilde;es &agrave; noite.<\/p>\n<p class=\"p1\">Aqui &eacute; poss&iacute;vel notar alguns elementos que se repetem com frequ&ecirc;ncia em casos de P&acirc;nico Sat&acirc;nico: a suposta exist&ecirc;ncia de um culto secreto, crian&ccedil;as em perigo e a suspeita de que policiais acobertavam os crimes. No compilado criado por Jeffrey S. Victor, tamb&eacute;m se destacam refer&ecirc;ncias a v&iacute;timas &ldquo;loiras de olhos claros&rdquo;, como se elas representassem a &ldquo;pureza&rdquo; que os satanistas imagin&aacute;rios pretendiam destruir. Coincid&ecirc;ncia ou n&atilde;o, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/evandro-ramos-caetano\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba, em 6 de abril de 92\" class=\"encyclopedia\">Evandro Ramos Caetano<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba no dia 15 de Fevereiro de 92\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> tinham exatamente essas caracter&iacute;sticas.<\/p>\n<p class=\"p1\">Apesar das semelhan&ccedil;as, &eacute; importante ressaltar que nunca houve no Brasil um levantamento de casos criminais caracterizados como t&iacute;picos de P&acirc;nico Sat&acirc;nico. Existe, todavia, uma s&eacute;rie de crimes reportados na internet com os termos &ldquo;assassinato ritual sat&acirc;nico&rdquo;, como mostra uma r&aacute;pida busca no Google.<\/p>\n<p class=\"p1\">Segundo o ex-agente do FBI Kenneth Lanning, h&aacute; ao menos dois grandes problemas por tr&aacute;s desse fen&ocirc;meno: o primeiro &eacute; que ele atrapalha as investiga&ccedil;&otilde;es s&eacute;rias, e o segundo &eacute; o fato de que a popula&ccedil;&atilde;o muitas vezes prefere acreditar que crian&ccedil;as s&atilde;o abusadas por satanistas em rituais secretos do que por familiares ou pessoas pr&oacute;ximas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>PEND&Ecirc;NCIAS NO CASO EVANDRO<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Existem algumas pend&ecirc;ncias no caso Evandro que n&atilde;o haviam sido mencionadas at&eacute; agora pelo podcast. A primeira &eacute; sobre um poss&iacute;vel suspeito que nunca ganhou destaque nas investiga&ccedil;&otilde;es. Informa&ccedil;&otilde;es referentes a ele constam em uma mat&eacute;ria escrita pelo jornalista Edson Fonseca, que teria sido publicada no jornal Folha de Londrina no in&iacute;cio de 1995.<\/p>\n<p class=\"p1\">O texto traz uma entrevista com o advogado de defesa Figueiredo Basto, que afirmava na &eacute;poca &ldquo;possuir provas suficientes para inocentar os sete acusados&rdquo;. Na reportagem, ele fala sobre uma nova testemunha, um homem chamado Diorli Jos&eacute; Beza, que havia sido preso em 28 de abril de 1995 em Guaratuba. Enquanto estava detido, Beza teria ouvido um integrante da quadrilha de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/arlete-hilu\/\" target=\"_self\" title=\"Famosa traficante de crian&ccedil;as do PR e SC na d&eacute;cada 1980\" class=\"encyclopedia\">Arlete Hilu<\/a>, que sequestrava crian&ccedil;as, confessar o rapto de Leandro e Evandro. O nome desse rapaz era Leandro Facco.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Diorli-e-Leandro-Facco.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-1649 size-large\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Diorli-e-Leandro-Facco-866x1024.png\" alt=\"\" width=\"866\" height=\"1024\"><\/a><\/p>\n<p class=\"p1\">De acordo com Beza, Facco disse que os garotos seriam levados para Pernambuco para serem vendidos a um fazendeiro por US$ 7 mil. Um dos meninos, no entanto, teria sido morto por chorar demais. O outro estaria vivo e havia sido entregue ao &ldquo;comprador&rdquo; como o combinado.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ivan Mizanzuk tentou entrar em contato com Leandro Facco em 2019, mas ele j&aacute; havia falecido. Outras pessoas da quadrilha de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/arlete-hilu\/\" target=\"_self\" title=\"Famosa traficante de crian&ccedil;as do PR e SC na d&eacute;cada 1980\" class=\"encyclopedia\">Arlete Hilu<\/a> com quem Mizanzuk conversou n&atilde;o confirmaram essa hist&oacute;ria.<\/p>\n<p class=\"p1\">O podcast conseguiu localizar Diorli Jos&eacute; Beza, que reiterou tudo o que relatou ao advogado Basto. Ele sustenta que Facco lhe confessou os crimes em um momento de desabafo, enquanto os dois dividiam uma cela. Os investigadores, todavia, nunca lhe procuraram para saber mais informa&ccedil;&otilde;es. Sobre o assunto, o pr&oacute;prio Basto afirmou ao podcast que n&atilde;o havia nada de substancial na hist&oacute;ria de Beza e, por isso, as acusa&ccedil;&otilde;es n&atilde;o foram para frente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">A segunda pend&ecirc;ncia &eacute; referente ao ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner, que tinha resid&ecirc;ncia em Guaratuba &ndash; a mesma casa usada como base de opera&ccedil;&otilde;es da <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/policia-federal\/\" target=\"_self\" title=\"Auxiliou nas pris&otilde;es de Julho\" class=\"encyclopedia\">Pol&iacute;cia Federal<\/a> na &eacute;poca, e um dos locais nos quais <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/davi-dos-santos-soares\/\" target=\"_self\" title=\"Artes&atilde;o de Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Davi dos Santos Soares<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/osvaldo-marcineiro\/\" target=\"_self\" title='Leitor de b&uacute;zios, conhecido como \"pai-de-santo\" em Guaratuba' class=\"encyclopedia\">Osvaldo Marcineiro<\/a> foram torturados no in&iacute;cio de julho de 1992.<\/p>\n<p class=\"p1\">Muitos ouvintes do podcast perguntam se n&atilde;o seria poss&iacute;vel que Stroessner estivesse por tr&aacute;s dos casos Evandro e Leandro. Afinal, &eacute; comum a cita&ccedil;&atilde;o de que ele seria um ped&oacute;filo not&oacute;rio no Paraguai, envolvido inclusive na morte de crian&ccedil;as no per&iacute;odo em que foi ditador. Ap&oacute;s ser deposto em 1989, ele se exilou no Brasil e passou os &uacute;ltimos anos de vida em Bras&iacute;lia.<\/p>\n<p class=\"p1\">As pesquisas para o podcast indicam que Stroessner passou um tempo em Guaratuba em 1989, logo ap&oacute;s fugir do Paraguai, mas n&atilde;o permaneceu por l&aacute;. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel dizer se ele estava na cidade entre fevereiro e abril de 1992, quando os garotos desapareceram.<\/p>\n<p class=\"p1\">O que se sabe &eacute; que a casa no munic&iacute;pio litor&acirc;neo ainda pertence &agrave; fam&iacute;lia do ex-ditador. O caseiro, que &eacute; o mesmo desde a &eacute;poca dos crimes, n&atilde;o fala sobre o assunto. Outra d&uacute;vida pertinente &eacute; o motivo pelo qual a <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/policia-federal\/\" target=\"_self\" title=\"Auxiliou nas pris&otilde;es de Julho\" class=\"encyclopedia\">Pol&iacute;cia Federal<\/a> usava a resid&ecirc;ncia como base de opera&ccedil;&otilde;es. Havia um acordo formal? O que aconteceu exatamente? Essas perguntas, infelizmente, ainda n&atilde;o t&ecirc;m respostas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>AN&Aacute;LISE DE MIZANZUK<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Em um esfor&ccedil;o para tentar estabelecer o que &eacute; v&aacute;lido no caso, Ivan Mizanzuk listou nove pontos de partida para embasar a sua hip&oacute;tese sobre os crimes. S&atilde;o eles:<\/p>\n<ol class=\"ol1\">\n<li class=\"li1\">Os sete acusados s&atilde;o inocentes. As fitas mostradas no epis&oacute;dio 25 s&atilde;o prova de que as confiss&otilde;es foram feitas sob tortura.<\/li>\n<li class=\"li1\">O corpo encontrado no matagal &eacute; de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/evandro-ramos-caetano\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba, em 6 de abril de 92\" class=\"encyclopedia\">Evandro Ramos Caetano<\/a>. Apesar das poss&iacute;veis falhas no laudo de necropsia, o DNA &eacute; bem convincente.<\/li>\n<li class=\"li1\">Em meio aos conflitos pol&iacute;ticos, as alega&ccedil;&otilde;es de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/diogenes-caetano-dos-santos-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Engenheiro, primo de Evandro e ex-policial Civil\" class=\"encyclopedia\">Di&oacute;genes Caetano dos Santos Filho<\/a> estavam erradas. Tomado pelo sentimento paranoico de que a fam&iacute;lia Abagge fazia parte de uma seita sat&acirc;nica, ele desqualificou testemunhas que poderiam levantar informa&ccedil;&otilde;es importantes.<\/li>\n<li class=\"li1\">Ao contr&aacute;rio do que acreditavam as autoridades, especialmente o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, n&atilde;o existia seita sat&acirc;nica alguma. Isso tudo foi obra de um del&iacute;rio coletivo de P&acirc;nico Sat&acirc;nico.<\/li>\n<li class=\"li1\">H&aacute; diversos ind&iacute;cios de interfer&ecirc;ncia pol&iacute;tica no caso, que ocorreu principalmente ap&oacute;s as pris&otilde;es dos sete acusados. Ela parece ter sido fruto de esfor&ccedil;os (muitas vezes question&aacute;veis) para libertar os inocentes. V&aacute;rias das acusa&ccedil;&otilde;es, por&eacute;m, n&atilde;o passavam de fofocas ou dedu&ccedil;&otilde;es por parte de promotores e outros agentes p&uacute;blicos.<\/li>\n<li class=\"li1\">O <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo Tigre<\/a> pode ter cometido uma s&eacute;rie de erros, mas o trabalho dos investigadores da &eacute;poca ainda &eacute; o melhor material para analisar outras possibilidades de solucionar o caso.<\/li>\n<li class=\"li1\">Muito se especulou que a morte de Evandro estaria ligada ao crime de tr&aacute;fico de &oacute;rg&atilde;os. Especialistas j&aacute; diziam na &eacute;poca, no entanto, que essa possibilidade era muito remota. Transplantes de &oacute;rg&atilde;os costumam ser procedimentos extremamente complicados e bastante vigiados no Brasil, o que era comum mesmo nos anos 1990. A estrutura para um crime dessa natureza demandaria o envolvimento de tantas pessoas que seria dif&iacute;cil elas passarem despercebidas. Logo, dada a falta de ind&iacute;cios, essa hip&oacute;tese foi descartada.<\/li>\n<li class=\"li1\">N&atilde;o havia sinais de viol&ecirc;ncia sexual no corpo de Evandro. O <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo Tigre<\/a> suspeitava de poss&iacute;veis abusadores e, por isso, tentou investigar casos desse tipo na cidade. Durante os tr&ecirc;s meses de trabalho, contudo, os policiais n&atilde;o tiveram acesso ao laudo de necropsia. &Eacute; de se supor que, se tivessem recebido o documento, descartariam essa linha de investiga&ccedil;&atilde;o.<\/li>\n<li class=\"li1\">Tudo o que ocorre depois das pris&otilde;es raramente inspira confian&ccedil;a. A atua&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> da Pol&iacute;cia Militar destruiu qualquer possibilidade de o caso ser solucionado, assim como de se obter informa&ccedil;&otilde;es relevantes.<\/li>\n<\/ol>\n<p class=\"p1\">Diante desses esclarecimentos, Mizanzuk acredita que os casos <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba no dia 15 de Fevereiro de 92\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/evandro-ramos-caetano\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba, em 6 de abril de 92\" class=\"encyclopedia\">Evandro Ramos Caetano<\/a> est&atilde;o de alguma forma conectados. Essa cren&ccedil;a se baseia no fato de que ambas as crian&ccedil;as eram muito parecidas fisicamente, de idades pr&oacute;ximas, e desapareceram em uma pequena cidade em um curto per&iacute;odo de tempo. Para Ivan, h&aacute; mais semelhan&ccedil;as entre os dois crimes e apenas uma not&aacute;vel diferen&ccedil;a: o corpo de Evandro foi encontrado, enquanto Leandro nunca foi localizado.<\/p>\n<p class=\"p1\">Um elemento importante a ser considerado e que sempre foi ignorado durante as investiga&ccedil;&otilde;es &eacute; a ossada de menina achada em Guaratuba com as roupas de Leandro em 27 de fevereiro de 1993.<\/p>\n<p class=\"p1\">Naquele dia, quatro adolescentes entre 12 e 15 anos brincavam de ca&ccedil;ar lagartos no matagal onde o corpo de Evandro havia sido encontrado meses antes. Eles levavam consigo um cachorro para ajudar na tarefa. Em um determinado momento, o c&atilde;o come&ccedil;ou a latir e partiu em disparada para o meio do mato. Um dos jovens, Ismael Amorim Carneiro, de 14 anos, seguiu o animal e se deparou com algo enterrado, que parecia ser uma bola.<\/p>\n<p class=\"p1\">O adolescente pegou o fac&atilde;o que levava consigo, o enfiou na terra e revirou o objeto. Era um cr&acirc;nio humano. Ismael se assustou e saiu gritando para avisar os amigos, que correram para ver o que tinha acontecido. Dois deles resolveram ir embora, enquanto Ismael e Luciano Clarinda, de 13 anos, ficaram no matagal para continuar a busca por lagartos. Depois de 20 minutos, a dupla voltou para casa e, apesar do susto, ningu&eacute;m contou para os adultos logo de cara o que haviam encontrado no mato. Isso s&oacute; ocorreu no dia 3 de mar&ccedil;o, quando Luciano relatou o epis&oacute;dio para Leoc&aacute;dio Miranda e Manoel Correa, que seriam vizinhos ou conhecidos do adolescente.<\/p>\n<p class=\"p1\">Leoc&aacute;dio foi at&eacute; o local para verificar se o cr&acirc;nio ainda estava l&aacute; e, ap&oacute;s a confirma&ccedil;&atilde;o, chamou a pol&iacute;cia. O Instituto de Criminal&iacute;stica foi acionado para procurar e desenterrar outros materiais suspeitos. Junto com o cr&acirc;nio, os peritos encontraram mais ossos pertencentes a uma crian&ccedil;a e pe&ccedil;as de roupas infantis &ndash; entre elas, uma cueca.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em 5 de mar&ccedil;o, Jo&atilde;o e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/paulina-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Paulina Bossi<\/a>, pais de Leandro, foram chamados &agrave; delegacia para prestar depoimento e tentar reconhecer se a cueca era ou n&atilde;o de seu filho. De acordo com uma mat&eacute;ria escrita pela jornalista <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/monica-santanna\/\" target=\"_self\" title=\"Jornalista que trabalhou na Folha de Londrina e Folha de S&atilde;o Paulo.\" class=\"encyclopedia\">Monica Santanna<\/a>, de 6 de mar&ccedil;o de 1993, Paulina confirmou que um par de chinelos encontrado pr&oacute;ximo da ossada pertencia a Leandro.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ainda segundo a reportagem, a m&atilde;e teve d&uacute;vidas em rela&ccedil;&atilde;o a cueca, mas entregou &agrave; pol&iacute;cia uma outra que tinha em casa, que j&aacute; havia sido usada pelo filho. Ao confrontar as duas, os peritos afirmaram que elas eram do mesmo tecido e confec&ccedil;&atilde;o, e possu&iacute;am estampas semelhantes na parte da frente. Justamente por isso, Paulina chegou a admitir que a ossada poderia ser de Leandro.<\/p>\n<p class=\"p1\">As pesquisas mostram que, no meio da disputa de narrativas entre acusa&ccedil;&atilde;o e defesa no caso Evandro, um inqu&eacute;rito nunca foi aberto para investigar a identidade da menina. Sobre isso, os dois lados s&oacute; concordam em um ponto: o corpo teria sido montado, mas o respons&aacute;vel n&atilde;o imaginava que um teste de DNA entraria em a&ccedil;&atilde;o e identificaria o sexo da crian&ccedil;a.<\/p>\n<p class=\"p1\">Mizanzuk, por outro lado, discorda dessa afirma&ccedil;&atilde;o. Para ele, &eacute; dif&iacute;cil crer que a descoberta da ossada tenha sido feita de forma combinada. Segundo ele, acreditar que ela foi plantada no matagal envolve tamb&eacute;m aceitar o fato de que o corpo teria que ser achado propositalmente em um determinado momento para influenciar o caso Evandro. Ivan cr&ecirc; que n&atilde;o h&aacute; qualquer elemento que aponte para uma arma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s roupas de Leandro, h&aacute; uma quest&atilde;o fundamental deixada de lado diante das paranoias e teorias da conspira&ccedil;&atilde;o: a ossada estava vestida com as roupas do garoto ou as pe&ccedil;as estavam ao lado do corpo? O documento que poderia responder essa pergunta &eacute; o Laudo de Exame de Levantamento de Local de Achado de Cad&aacute;ver, realizado pelo Instituto de Criminal&iacute;stica. O problema &eacute; que esse laudo n&atilde;o existe. O delegado de Guaratuba, Agenor Salgado Filho, e o promotor <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/antonio-cesar-cioffi-de-moura\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor de Curitiba designado para o caso Evandro ap&oacute;s as pris&otilde;es dos acusados\" class=\"encyclopedia\">Antonio Cesar Cioffi de Moura<\/a> chegaram a solicitar esse material por meio de of&iacute;cios, mas eles nunca foram respondidos.<\/p>\n<p class=\"p1\">Pouco tempo depois, o teste de DNA da ossada comprovou que o corpo era de uma menina, e o laudo de levantamento de local foi simplesmente esquecido. As reportagens referentes &agrave; descoberta dos ossos no matagal sempre citavam que o cad&aacute;ver estava vestido com as roupas de Leandro, mas n&atilde;o h&aacute; nenhum documento oficial que suporte essa afirma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ivan Mizanzuk passou meses procurando pelo laudo do achado da ossada, inclusive com a ajuda da atual delegada do Servi&ccedil;o de Investiga&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as Desaparecidas (<a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/sicride\/\" target=\"_self\" title=\"Servi&ccedil;o de Investiga&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as Desaparecidas\" class=\"encyclopedia\">Sicride<\/a>), Patr&iacute;cia Concei&ccedil;&atilde;o Nobre Paz, hoje respons&aacute;vel pelo caso <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba no dia 15 de Fevereiro de 92\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>. O podcast tamb&eacute;m tentou descobrir a identidade do perito que analisou o local, mas nenhum desses esfor&ccedil;os trouxe resultado.<\/p>\n<p class=\"p1\">As &uacute;nicas informa&ccedil;&otilde;es registradas sobre a ossada constam no laudo cadav&eacute;rico produzido pelo Instituto M&eacute;dico-Legal de Curitiba. De acordo com o exame, a menina teria entre sete e oito anos de idade pela medi&ccedil;&atilde;o &oacute;ssea, e a esqueletiza&ccedil;&atilde;o indicava que a morte teria ocorrido h&aacute; mais de um ano. Como a ossada estava incompleta e em estado avan&ccedil;ado de decomposi&ccedil;&atilde;o, os legistas n&atilde;o conseguiram determinar a causa da morte.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/1993-6-marco-Ossada-pode-ser-de-Leandro-Bossi.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-1650 size-large\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/1993-6-marco-Ossada-pode-ser-de-Leandro-Bossi-1024x768.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"768\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Investigacao-Ossada-caso-Leandro-Bossi.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD Parte do inqu&eacute;rito de Leandro Bossi sobre a ossada<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/DNA-e-Exame-Cadaverico-Ossada.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD DNA e Exame cadav&eacute;rico da Ossada<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>CRIMES RELACIONADOS: SERIAL KILLER?<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Para Mizanzuk, a morte da menina tamb&eacute;m est&aacute; relacionada com os casos Leandro e Evandro. Afinal, as semelhan&ccedil;as entre eles s&atilde;o significantes: ela tinha idade aproximada dos dois garotos e foi encontrada no mesmo matagal que o corpo de Evandro. Al&eacute;m disso, a ossada estava sem as m&atilde;os e os p&eacute;s &ndash; o que poderia ou n&atilde;o ser resultado da avan&ccedil;ada deteriora&ccedil;&atilde;o do cad&aacute;ver.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1654\" style=\"width: 652px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Rascunho-de-esquema-com-ossos-encontrados.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1654\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1654 size-large\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Rascunho-de-esquema-com-ossos-encontrados-642x1024.png\" alt=\"\" width=\"642\" height=\"1024\"><\/a><p id=\"caption-attachment-1654\" class=\"wp-caption-text\">Em vermelho, as partes encontradas da ossada em Mar&ccedil;o de 1993 (esbo&ccedil;o) de acordo com o laudo cadav&eacute;rico<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">Por fim, h&aacute; as roupas de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba no dia 15 de Fevereiro de 92\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>. Se as pe&ccedil;as estavam apenas pr&oacute;ximas dos ossos, existe a possibilidade de o menino tamb&eacute;m ter sido morto e desovado no mesmo terreno. Seguindo essa linha de racioc&iacute;nio, a tese da a&ccedil;&atilde;o de um <em>serial killer<\/em> n&atilde;o pode ser descartada. Para Ivan, essa &eacute; a hip&oacute;tese mais vi&aacute;vel.<\/p>\n<p class=\"p1\">A menina, ent&atilde;o, teria sido provavelmente a primeira v&iacute;tima &ndash; ou pelo menos a primeira que o assassino ou assassina enterrou em Guaratuba. A garota poderia ser moradora de uma cidade vizinha, por exemplo, e ter sido apenas desovada no matagal por se tratar de um local afastado, com poucas casas.<\/p>\n<p class=\"p1\">Desse modo, &eacute; poss&iacute;vel especular que o corpo de Leandro tenha sido enterrado pr&oacute;ximo das margens de um riacho que existe na &aacute;rea, e acabou sendo carregado por conta de chuvas ou do pr&oacute;prio movimento das &aacute;guas. Mas parte de suas roupas ficaram para tr&aacute;s.<\/p>\n<p class=\"p1\">Nesse contexto, o estado do cad&aacute;ver de Evandro fornece pistas importantes sobre o <em>modus operandi<\/em> desse hipot&eacute;tico <em>serial killer<\/em>. As v&iacute;timas teriam em torno de sete ou oito anos de idade e o matagal seria o local de despejo dos cad&aacute;veres. Com o objetivo de dificultar o trabalho da pol&iacute;cia se os corpos fossem descobertos, ele cortava as m&atilde;os, dedos dos p&eacute;s e o escalpo das crian&ccedil;as. O criminoso tamb&eacute;m retirava os &oacute;rg&atilde;os internos, para acelerar o processo de esqueletiza&ccedil;&atilde;o. Como na &eacute;poca a tecnologia de identifica&ccedil;&atilde;o por DNA ainda era desconhecida, seria quase imposs&iacute;vel que uma ossada fosse identificada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1655\" style=\"width: 1034px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Diretor-IML-diz-que-foi-um-maniaco.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1655\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1655 size-large\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Diretor-IML-diz-que-foi-um-maniaco-1024x676.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"676\"><\/a><p id=\"caption-attachment-1655\" class=\"wp-caption-text\">Mat&eacute;ria da Folha de Londrina, de 15 de Abril de 1992. Na quarta coluna da mat&eacute;ria, l&ecirc;-se: &ldquo;Para o diretor do IML de Curitiba, Jos&eacute; Cassio Albuquerque, o menino foi v&iacute;tima de um psicopata que fez o corte de 14 cent&iacute;metros com o objetivo de acelerar o processo de putrefa&ccedil;&atilde;o do corpo para que nada fosse encontrado. &lsquo;Nada de tr&aacute;fico de &oacute;rg&atilde;os ou ritual'&rdquo;.<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">E se Evandro, Leandro e a menina de fato foram suas v&iacute;timas, h&aacute; uma grande discrep&acirc;ncia entre elas que precisa ser analisada: o corpo do primeiro foi encontrado facilmente &agrave; mostra no meio do mato, diferente dos outros. A a&ccedil;&atilde;o r&aacute;pida do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo Tigre<\/a> poderia explicar o motivo para isso, j&aacute; que, nos casos anteriores, a atua&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia n&atilde;o foi imediata. Al&eacute;m disso, a popula&ccedil;&atilde;o realizou v&aacute;rios mutir&otilde;es para tentar encontrar Evandro, o que teria deixado o assassino desesperado.<\/p>\n<p class=\"p1\">Por isso, o criminoso pode ter guardado o corpo em um lugar fechado, como um freezer desligado ou o porta-malas de um carro, e posteriormente jogado o cad&aacute;ver no mato. Com medo de ser visto, como muita gente circulava pela cidade, ele nem se deu ao trabalho de enterrar o menino.<\/p>\n<p class=\"p1\">Para verificar a possibilidade de outras v&iacute;timas, seria necess&aacute;rio levantar informa&ccedil;&otilde;es sobre todos os corpos de crian&ccedil;as achados em condi&ccedil;&otilde;es similares nas cidades pr&oacute;ximas &ndash; isso se eles de fato foram encontrados. Pode ser que o hipot&eacute;tico <em>serial killer<\/em> n&atilde;o cometeu mais erros desse tipo. De qualquer forma, essa tarefa beira o imposs&iacute;vel, considerando a enorme dificuldade de integra&ccedil;&atilde;o dos bancos de dados entre delegacias no Brasil. Esse &eacute; inclusive um dos motivos pelos quais poucos assassinos em s&eacute;rie s&atilde;o capturados no pa&iacute;s.<\/p>\n<p class=\"p1\">Se a hip&oacute;tese da a&ccedil;&atilde;o de um <em>serial killer<\/em> est&aacute; correta, talvez essa pessoa tenha viajado para outra cidade ou estado ap&oacute;s os crimes em Guaratuba. Talvez tenha feito mais v&iacute;timas ou tenha sido presa por outros delitos. Talvez j&aacute; esteja morta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>CONVERSA COM CELINA E BEATRIZ<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">No fim de 2016, Ivan Mizanzuk conversou pessoalmente com Beatriz e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/celina-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Primeira-dama de Guaratuba em 1992\" class=\"encyclopedia\">Celina Abagge<\/a> em Guaratuba por mais de tr&ecirc;s horas. Um dos assuntos tratados durante a entrevista &eacute; considerado uma &uacute;ltima pend&ecirc;ncia ainda n&atilde;o citada a fundo no podcast: a atua&ccedil;&atilde;o do prefeito <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/aldo-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Prefeito de Guaratuba em 1992\" class=\"encyclopedia\">Aldo Abagge<\/a> no caso. Como mostra o epis&oacute;dio 25, por pouco ele tamb&eacute;m n&atilde;o foi apontado como suspeito. Por mais que os torturadores insistissem sobre a suposta participa&ccedil;&atilde;o de Aldo, nenhum dos acusados o colocou diretamente na cena do crime.<\/p>\n<p class=\"p1\">Logo ap&oacute;s as pris&otilde;es de sua esposa e filha, o prefeito de Guaratuba afirmou em depoimento que n&atilde;o tinha nada a declarar. Em entrevistas para a imprensa, ele sempre defendeu a inoc&ecirc;ncia de Celina e Beatriz e comentou que faria de tudo para lutar pela liberdade delas. Acreditando que Evandro ainda estava vivo, ele se esfor&ccedil;ou para tentar encontr&aacute;-lo por todos os cantos do Brasil at&eacute; o seu &uacute;ltimo dia de vida, 19 de agosto de 1995.<\/p>\n<p class=\"p1\">&ldquo;<em>A ju&iacute;za de Guaratuba nos autorizou a ficar no Hospital Santa Cruz com o pai, porque ele estava muito doente. J&aacute; tinha tido met&aacute;stase e eu fiquei com ele o tempo todo ali<\/em>&rdquo;, conta Beatriz ao podcast. Na &eacute;poca, ela e Celina estavam presas e foram acompanhadas pela pol&iacute;cia at&eacute; o local.<\/p>\n<p class=\"p1\">A filha relatou que, mesmo sofrendo muito, parecia que algo ainda segurava o pai no plano terreno. &ldquo;<em>A gente via que ele estava resistindo, que n&atilde;o ia morrer de jeito nenhum, ia ficar ali. Da&iacute; eu falei para a m&atilde;e &lsquo;vamos ter que dizer para ele que estamos livres, &eacute; o &uacute;nico jeito. Sen&atilde;o ele vai continuar por a&iacute;&rsquo;. Nessa &eacute;poca eu j&aacute; era esp&iacute;rita de volta&rdquo;<\/em>, completa.<\/p>\n<p class=\"p1\">Celina, ent&atilde;o, entrou no quarto e mentiu para o marido. Ela disse que Evandro tinha sido encontrado vivo e que as duas estavam livres, gra&ccedil;as a uma pista que Aldo havia achado. &ldquo;<em>Ele olhou para a m&atilde;e e perguntou &lsquo;e esse monte de policial a&iacute;? Voc&ecirc;s est&atilde;o querendo me enganar?&rsquo;. E ela respondeu que n&atilde;o, que a presen&ccedil;a da pol&iacute;cia era justificada porque a imprensa estava em cima do caso. Que todo mundo sabia que foi um grande erro judici&aacute;rio e que o Evandro estava vivo. No fim, ele acreditou, fechou os olhos e morreu<\/em>&rdquo;, descreve Beatriz.<\/p>\n<p class=\"p1\">Celina tamb&eacute;m se lembra com detalhes daquele momento. &ldquo;<em>Eu falei que ele tinha que se desapegar, que n&oacute;s t&iacute;nhamos aprendido tudo o que ele nos ensinou e que continuar&iacute;amos a fazer o que ele queria. Eu disse &lsquo;n&atilde;o fique com medo, voc&ecirc; sabe que eu vou cuidar da turma. Fique em paz&rsquo;. Nisso, ele apertou a minha m&atilde;o e um passarinho pousou na janela. A ave piou, piou, piou, e ele morreu<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"p1\">Para a vi&uacute;va, n&atilde;o h&aacute; d&uacute;vidas de que o caso contribuiu para o adoecimento do companheiro. &ldquo;<em>A imprensa na &eacute;poca era cega, j&aacute; chegou nos acusando, e meu marido ficou desesperado. Ele morreu de injusti&ccedil;a. Ficou com &uacute;lcera, que causou um c&acirc;ncer. O m&eacute;dico queria at&eacute; botar no laudo &lsquo;causa: morte por injusti&ccedil;a<\/em>&rsquo;&rdquo;, desabafa.<\/p>\n<p class=\"p1\">Quando se pensa no caso Evandro, &eacute; dif&iacute;cil achar sentido em qualquer coisa. Uma crian&ccedil;a morreu. Uma vida foi impedida de continuar. Enquanto isso, outras foram marcadas para sempre com acusa&ccedil;&otilde;es infundadas e as dores das torturas. Que essa triste hist&oacute;ria seja lembrada como merece ser: uma li&ccedil;&atilde;o de como, muitas vezes, os culpados s&atilde;o ignorados, e s&oacute; nos restam as v&iacute;timas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns Finais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":564,"template":"","encyclopedia-category":[10],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/1647"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media\/564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1647"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=1647"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=1647"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}