{"id":1525,"date":"2020-10-27T00:00:13","date_gmt":"2020-10-27T03:00:13","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/?post_type=encyclopedia&amp;p=1525"},"modified":"2020-10-27T00:00:13","modified_gmt":"2020-10-27T03:00:13","slug":"extras-episodio-34","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/linhas-do-tempo\/extras-episodio-34\/","title":{"rendered":"EXTRAS EPIS\u00d3DIO 34"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Euclidio-Grupo-TIGRE.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-1566 size-large\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Euclidio-Grupo-TIGRE-1024x837.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"837\" srcset=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Euclidio-Grupo-TIGRE-1024x837.png 1024w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Euclidio-Grupo-TIGRE-300x245.png 300w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Euclidio-Grupo-TIGRE-768x628.png 768w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Euclidio-Grupo-TIGRE-1536x1255.png 1536w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Euclidio-Grupo-TIGRE-2048x1674.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>EUCL&Iacute;DIO SOARES DOS REIS, O &ldquo;BARBA&rdquo;<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">O lenhador Eucl&iacute;dio Soares dos Reis, frequentemente chamado de &ldquo;Euclides&rdquo; ou &ldquo;Barba&rdquo; nos autos, era um dos poucos moradores da &aacute;rea de matagal onde o corpo da crian&ccedil;a foi encontrado. Na manh&atilde; de 11 de abril de 1992, outros dois lenhadores, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/daniel-miranda\/\" target=\"_self\" title=\"Lenhador\" class=\"encyclopedia\">Daniel Miranda<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/lazaro-marchetti\/\" target=\"_self\" title=\"Lenhador\" class=\"encyclopedia\">L&aacute;zaro Marchetti<\/a>, acharam o cad&aacute;ver no meio do mato e logo em seguida avisaram Barba da descoberta.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em pouco tempo, Eucl&iacute;dio passou a ser uma importante fonte para o <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo TIGRE<\/a>. Ele foi o respons&aacute;vel por fornecer, por exemplo, informa&ccedil;&otilde;es sobre um suposto Opala preto que teria sido visto nas imedia&ccedil;&otilde;es do matagal &ndash; fato que nunca chegou a ser comprovado pela pol&iacute;cia. Al&eacute;m disso, o lenhador tamb&eacute;m falou de ro&ccedil;adores que teriam frequentado a regi&atilde;o na semana em que Evandro desapareceu e antes do cad&aacute;ver ser encontrado.<\/p>\n<p class=\"p1\">Barba repassava muita coisa para os investigadores, de modo formal e informal. Isso fica claro nos relat&oacute;rios da Pol&iacute;cia Civil e na quantidade de depoimentos que ele prestou naqueles primeiros dias.<\/p>\n<p class=\"p1\">Durante o j&uacute;ri de 2004, o delegado do TIGRE na &eacute;poca, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/adauto-abreu\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado do Grupo TIGRE\" class=\"encyclopedia\">Adauto Abreu<\/a>, citava Eucl&iacute;dio como o principal suspeito do crime. Segundo o investigador, as &ldquo;desinforma&ccedil;&otilde;es&rdquo; que o lenhador sempre trazia seriam motivo para que ele fosse o foco das investiga&ccedil;&otilde;es. Para o investigador, os relatos de Barba eram soltos, sem grandes conclus&otilde;es, como se ele tentasse desviar a aten&ccedil;&atilde;o de si mesmo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Depoimentos-Euclidio.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD Depoimentos Eucl&iacute;dio (13, 20 e 24 de Abril de 1992)<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>RELA&Ccedil;&Atilde;O COM DI&Oacute;GENES<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">No livro &ldquo;A<a href=\"https:\/\/www.amazon.com.br\/Verdadeira-Hist%C3%B3ria-Caso-Evandro-ebook\/dp\/B00KVITUVQ\/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=%C3%85M%C3%85%C5%BD%C3%95%C3%91&amp;dchild=1&amp;keywords=verdadeira+hist%C3%B3ria+caso+evandro&amp;qid=1603156164&amp;sr=8-1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Verdadeira Hist&oacute;ria do Caso Evandro<\/a>&rdquo;, o engenheiro <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/diogenes-caetano-dos-santos-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Engenheiro, primo de Evandro e ex-policial Civil\" class=\"encyclopedia\">Di&oacute;genes Caetano dos Santos Filho<\/a> narra que, ap&oacute;s a den&uacute;ncia que fez ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico, policiais militares do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> lhe procuraram e pediram para que ele os levasse at&eacute; Eucl&iacute;dio. Ele conta que at&eacute; ent&atilde;o n&atilde;o conhecia o lenhador, mas sabia que n&atilde;o seria dif&iacute;cil localiz&aacute;-lo. Ele promoveu o encontro com a testemunha e retirou-se.<\/p>\n<p class=\"p1\">Segundo o relato do livro, depois das pris&otilde;es dos sete acusados, Eucl&iacute;dio visitou Di&oacute;genes e lhe contou que algu&eacute;m teria tentado mat&aacute;-lo. Ele disse que s&oacute; conseguiu escapar porque conhecia bem a regi&atilde;o de matagal onde morava.<\/p>\n<p class=\"p1\">Desesperado, ele fugiu com a mulher <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/cecilia-voncoviski-guimaraes\/\" target=\"_self\" title=\"Esposa de Eucl&iacute;dio Soares dos Reis em Abril de 1992\" class=\"encyclopedia\">Cec&iacute;lia Von&ccedil;oviski Guimar&atilde;es<\/a> e seu filho Ronaldo, e pediu que Di&oacute;genes chamasse os policiais do &Aacute;guia, porque n&atilde;o confiava nas outras autoridades. O engenheiro atendeu o pedido, mas os PMs lamentaram e responderam que n&atilde;o poderiam fazer nada. Essa suposta tentativa de homic&iacute;dio contra Eucl&iacute;dio n&atilde;o possui nenhum registro nos autos do processo do caso Evandro.<\/p>\n<p class=\"p1\">Mais tarde, o primo de Evandro ofereceu a casa dos fundos do seu terreno para que Barba pudesse ficar a salvo com a fam&iacute;lia. Na &eacute;poca, o lenhador tamb&eacute;m relatou que passava por dificuldades financeiras. Al&eacute;m disso, de acordo com o livro, ele estaria sendo assediado pelo <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo TIGRE<\/a>, a ponto de ser visitado duas vezes por dia pelos investigadores.<\/p>\n<p class=\"p1\">Nesse meio tempo em que conviveram, Eucl&iacute;dio se separou de Cec&iacute;lia. Ela voltou com o filho para a cidade natal, Arauc&aacute;ria, na regi&atilde;o metropolitana de Curitiba. Poucos dias depois, o lenhador tamb&eacute;m resolveu deixar a casa onde morava de favor. Como mais uma forma de ajuda, Di&oacute;genes deu um pouco de dinheiro e alguns engradados de cerveja para Barba, que conseguiu abrir um pequeno bar.<\/p>\n<p class=\"p1\">O livro de Di&oacute;genes d&aacute; a entender que o objetivo do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo TIGRE<\/a> seria o de incriminar Eucl&iacute;dio, para acobertar as atividades da &ldquo;seita sat&acirc;nica&rdquo;. Ele chegou a afirmar que toda a hist&oacute;ria do garoto Diogo de Manaus, que viajou at&eacute; Guaratuba e assumiu ser <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba no dia 15 de Fevereiro de 92\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>, seria uma grande conspira&ccedil;&atilde;o contra ele e o lenhador.<\/p>\n<p class=\"p1\">Di&oacute;genes acreditava que, em algum momento, o menino acusaria Eucl&iacute;dio de o ter sequestrado e que ele pr&oacute;prio seria apontado como auxiliar no crime. No livro, ele n&atilde;o explica, no entanto, de onde tirou essa informa&ccedil;&atilde;o, e n&atilde;o h&aacute; qualquer ind&iacute;cio nos autos que comprovem essas suspeitas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>INC&Ecirc;NDIO NA SERRARIA ABAGGE<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\"><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/alipio-dos-santos\/\" target=\"_self\" title=\"Vigia da serraria Abagge\" class=\"encyclopedia\">Al&iacute;pio dos Santos<\/a> tinha 47 anos e trabalhava como vigia na serraria Abagge desde maio de 1992, das 20h &agrave;s 6h. No dia 13 de fevereiro de 1993, ele prestou depoimento na Delegacia de Guaratuba sobre um inc&ecirc;ndio no im&oacute;vel que aconteceu naquela madrugada.<\/p>\n<p class=\"p1\">Segundo o vigia, por volta das 4h30, um rapaz chamado <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/joao-maria-dos-santos\/\" target=\"_self\" title=\"Amigo de Al&iacute;pio dos Santos\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Maria dos Santos<\/a>, filho de um amigo dele, apareceu na serraria para pegar uma carona de barco at&eacute; a regi&atilde;o de Cubat&atilde;o, onde morava. Quinze minutos depois, os dois preparavam a embarca&ccedil;&atilde;o para partir, quando um homem mascarado surgiu, apenas com os olhos vis&iacute;veis.<\/p>\n<p class=\"p1\">O rapaz apontou uma arma para o vigia, disse que iria amarr&aacute;-lo e que era para ele ficar quieto. De acordo com o relato de Al&iacute;pio, quando ele perguntou a identidade do estranho, o invasor teria respondido que ele e o parceiro que o acompanhava seriam parentes de Evandro. Nesse momento, o vigia percebeu que o mascarado n&atilde;o estava sozinho. Havia um segundo homem, tamb&eacute;m com o rosto coberto, que se ocupou de amarrar Jo&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ainda de acordo com o depoimento, os invasores prenderam os dois com cordas. Em seguida, um deles pegou um gal&atilde;o com gasolina, acendeu um peda&ccedil;o de madeira e ateou fogo na serraria. Eles mandaram os rendidos n&atilde;o olharem para tr&aacute;s e sa&iacute;ram com uma canoa em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Ba&iacute;a.<\/p>\n<p class=\"p1\">Por sorte, as v&iacute;timas logo conseguiram se soltar e correram at&eacute; a casa de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/irineu-wenceslau-de-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Guardi&atilde;o da serraria Abagge\" class=\"encyclopedia\">Irineu Wenceslau de Oliveira<\/a>, o vigia anterior, que ainda era funcion&aacute;rio da serraria e morava na frente do im&oacute;vel. Eles juntaram baldes de &aacute;gua e conseguiram apagar o inc&ecirc;ndio, que n&atilde;o havia se alastrado.<\/p>\n<p class=\"p1\">Os tr&ecirc;s tamb&eacute;m procuraram o gerente da serraria, cargo ocupado na &eacute;poca por <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/jose-travasso\/\" target=\"_self\" title=\"Vereador de Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Travasso<\/a>, amigo de longa data da fam&iacute;lia Abagge. Perto das 7h da manh&atilde;, ele recebeu em casa o guardi&atilde;o Al&iacute;pio e Jo&atilde;o Maria, que lhe descreveram o ocorrido. Os dois relataram que os encapuzados diziam ser parentes de Evandro e que ali no lugar do im&oacute;vel construiriam uma capela.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em depoimento no dia 17 de fevereiro de 1993, Travasso falou que suspeitava de tr&ecirc;s pessoas: Eucl&iacute;dio, Ademir (pai de Evandro) e de um cunhado de Ademir, que ele n&atilde;o nomeou. O gerente alegou que desconfiava desses homens porque foi cumprimentado por eles em uma lanchonete na noite anterior ao inc&ecirc;ndio.<\/p>\n<p class=\"p1\"><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/joao-carlos-anderson\/\" target=\"_self\" title=\"Sobrinho de Celina Abagge\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Carlos Anderson<\/a>, o sobrinho de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/celina-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Primeira-dama de Guaratuba em 1992\" class=\"encyclopedia\">Celina Abagge<\/a>, foi ouvido pela pol&iacute;cia no mesmo dia em que Travasso. No m&ecirc;s seguinte, em 22 de mar&ccedil;o de 1993, Anderson teria pris&atilde;o tempor&aacute;ria decretada por coagir o marceneiro <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/edesio-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha de acusa&ccedil;&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Ed&eacute;sio da Silva<\/a>, testemunha que afirmava ter visto a filha e a mulher do prefeito sequestrando Evandro na manh&atilde; de 6 de abril de 1992. Na &eacute;poca do inc&ecirc;ndio na serraria, Anderson trabalhava na administra&ccedil;&atilde;o do local.<\/p>\n<p class=\"p1\">Segundo ele, Travasso o procurou por volta das 7h30 para avis&aacute;-lo sobre o inc&ecirc;ndio. O sobrinho de Celina relatou que lhe descreveram os encapuzados como um rapaz &ldquo;alto, magro&rdquo; e o outro &ldquo;baixo e atarracado, meio gordo&rdquo;, sendo que esse &uacute;ltimo &ldquo;usava uma bota sete l&eacute;guas&rdquo;. Os dois vestiam roupas escuras.<\/p>\n<p class=\"p1\">Anderson comentou ainda que, pr&oacute;ximo das 3h30, estava em um bar e que l&aacute; teria visto dois homens de roupas escuras. Eles seriam Eucl&iacute;dio, descrito como &ldquo;o bra&ccedil;o direito de Di&oacute;genes&rdquo;, e um tal de Lauri Ramos, primo de Evandro.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ap&oacute;s os depoimentos, a pol&iacute;cia examinou a serraria e constatou que foram poucos os danos causados pelo fogo. Bastava agora descobrir quem eram os respons&aacute;veis pelo crime. Os primeiros a serem ouvidos na delegacia foram Lauri e Eucl&iacute;dio.<\/p>\n<p class=\"p4\">Barba prestou o primeiro depoimento sobre o inc&ecirc;ndio no dia 9 de mar&ccedil;o de 1993. Ele disse n&atilde;o se lembrar da data exata, mas que em uma noite de fevereiro frequentou o Bar do Toninho, onde chegou por volta das 21h30. Eucl&iacute;dio afirmou que estava sozinho e que em certo momento viu Travasso sentado em uma mesa. Ele comentou que saiu do estabelecimento perto das 23h e foi direto para casa.<\/p>\n<p class=\"p1\">Negou ainda que estava na companhia de Lauri Ramos, do qual disse ser amigo, e refor&ccedil;ou que n&atilde;o teve nenhum envolvimento com as pessoas que atearam fogo na serraria. Ele apontou <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/joao-carlos-anderson\/\" target=\"_self\" title=\"Sobrinho de Celina Abagge\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Carlos Anderson<\/a>, o sobrinho de Celina (o mesmo acusado de ter coagido Ed&eacute;sio na mesma &eacute;poca), como o autor do inc&ecirc;ndio, mas n&atilde;o soube dizer o motivo.<\/p>\n<p class=\"p1\">Sobre Di&oacute;genes, Eucl&iacute;dio declarou que os dois eram amigos, mas que n&atilde;o trabalhava para ele e nem era o seu &ldquo;bra&ccedil;o direito&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"p1\">No dia 10 de mar&ccedil;o, Lauri respondeu as perguntas da pol&iacute;cia e informou que n&atilde;o estava em bar algum naquela madrugada, muito menos na companhia de Barba. Ele alegou que s&oacute; ficou sabendo do inc&ecirc;ndio na serraria por meio de outros moradores de Guaratuba. Lauri negou que tenha cometido o crime e disse n&atilde;o fazer ideia da raz&atilde;o pela qual foi citado como suspeito.<\/p>\n<p class=\"p1\">As investiga&ccedil;&otilde;es n&atilde;o avan&ccedil;aram. Em 19 de agosto de 1994, a promotoria pediu o arquivamento do inqu&eacute;rito, que foi autorizado quatro dias depois. Eucl&iacute;dio, suspeito do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo TIGRE<\/a>, por ora estava livre das suspeitas sobre o inc&ecirc;ndio. Mas n&atilde;o demoraria muito para que ele voltasse a ser alvo da pol&iacute;cia.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Inque%CC%81rito_Ince%CC%82ndio_Processo_Completo.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD Autos de Processo do Inc&ecirc;ndio da Serraria Abagge<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>PRIS&Atilde;O POR TR&Aacute;FICO<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">No dia 2 de mar&ccedil;o de 1995, Eucl&iacute;dio foi preso em flagrante pelo investigador <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/airton-paulo-ribeiro\/\" target=\"_self\" title=\"Investigador da Pol&iacute;cia Civil\" class=\"encyclopedia\">Airton Paulo Ribeiro<\/a> e o escriv&atilde;o da Pol&iacute;cia Civil, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/paulo-cezar-rodrigues\/\" target=\"_self\" title=\"Escriv&atilde;o da Pol&iacute;cia Civil\" class=\"encyclopedia\">Paulo Cezar Rodrigues<\/a>. Segundo os relatos, Airton recebeu uma den&uacute;ncia de que o bar de Eucl&iacute;dio &ndash;im&oacute;vel que tamb&eacute;m era sua resid&ecirc;ncia &ndash; seria um ponto de tr&aacute;fico de drogas.<\/p>\n<p class=\"p1\">Fingindo ser um cliente, o investigador perguntou a Eucl&iacute;dio se ele teria coca&iacute;na para vender. O dono do bar mostrou o produto e falou que tinha dispon&iacute;vel buchas pequenas e grandes. Logo depois, Airton se identificou como policial e deu voz de pris&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p1\">O delegado de Guaratuba na ocasi&atilde;o era <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/douglas-carlos-possebon-e-freitas\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado de Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Douglas Carlos Possebon e Freitas<\/a>, que tomou o depoimento dos policiais e tamb&eacute;m de Barba. &Agrave; pol&iacute;cia, Eucl&iacute;dio disse que a droga n&atilde;o pertencia a ele, mas sim a um jovem chamado Anderson, que tinha em torno de 20 anos.<\/p>\n<p class=\"p1\">Nesta &eacute;poca, o ex-lenhador j&aacute; havia se separado e estava casado h&aacute; seis meses com outra mulher, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/angela-machado-dos-reis\/\" target=\"_self\" title=\"Nome falso de Maria da Luz Machado\" class=\"encyclopedia\">Angela Machado dos Reis<\/a>. A esposa repetiu em depoimento todas as informa&ccedil;&otilde;es dadas pelo marido e, oito dias ap&oacute;s a pris&atilde;o, revelou mais detalhes sobre o suposto traficante que, segundo ela, se chamava Anderson Correia Santiago.<\/p>\n<p class=\"p1\">No relato, ela admitiu que seu nome verdadeiro n&atilde;o era Angela, mas sim <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/maria-da-luz-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Companheira de Eucl&iacute;dio Soares dos Reis em Mar&ccedil;o de 1995\" class=\"encyclopedia\">Maria da Luz Machado<\/a>, e alegou que teria mentido por conta da &ldquo;press&atilde;o da autoridade policial&rdquo; e porque &ldquo;a autoridade n&atilde;o pediu identidade&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"p1\">Esses detalhes, no entanto, servem apenas de pano de fundo para um acontecimento mais importante. Cerca de uma semana depois da pris&atilde;o de Eucl&iacute;dio, Maria foi levar cigarros para o marido na delegacia quando percebeu que ele n&atilde;o estava l&aacute;. E o mais estranho era que nem mesmo o advogado do suspeito, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/pedro-ivo-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de Eucl&iacute;dio em 1995\" class=\"encyclopedia\">Pedro Ivo Machado<\/a>, sabia do paradeiro dele.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em depoimento prestado no dia 3 de maio de 1995, o policial <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/messias-dos-santos-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Policial Civil de Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Messias dos Santos Oliveira<\/a> admitiu que foi um dos respons&aacute;veis por tirar Eucl&iacute;dio de Guaratuba. Junto com um colega chamado Ivan, ele teria levado Barba para Curitiba, para a ent&atilde;o delegacia de Antit&oacute;xicos, que na &eacute;poca estava sob o comando do delegado <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/kiyoshi-hattanda\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado da Antit&oacute;xicos em 1995\" class=\"encyclopedia\">Kiyoshi Hattanda<\/a>. O motivo da transfer&ecirc;ncia seria um reconhecimento que o preso deveria fazer de Anderson, o rapaz que havia mencionado ao ser interrogado.<\/p>\n<p class=\"p1\">O policial Messias comentou que recebeu uma liga&ccedil;&atilde;o da Antit&oacute;xicos no dia 8 de mar&ccedil;o, marcando o procedimento para o dia seguinte. O delegado de Guaratuba, Douglas Possebon, j&aacute; se encontrava na capital.<\/p>\n<p class=\"p1\">Messias declarou que esse tipo de transfer&ecirc;ncia era incomum, que inclusive n&atilde;o havia sido devidamente registrada ou autorizada pela Justi&ccedil;a. Al&eacute;m disso, outro detalhe chama a aten&ccedil;&atilde;o em seu relato: o delegado <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/luiz-carlos-de-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pela investiga&ccedil;&atilde;o de Leandro Bossi ap&oacute;s a pris&atilde;o dos 7 acusados\" class=\"encyclopedia\">Luiz Carlos de Oliveira<\/a> &ndash; respons&aacute;vel pelo caso <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba no dia 15 de Fevereiro de 92\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> na &eacute;poca das pris&otilde;es dos sete acusados &ndash; tamb&eacute;m estava na Antit&oacute;xicos na ocasi&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p1\">Para esclarecer esse e outros pontos, Possebon tamb&eacute;m foi ouvido. Ele contou que atendeu uma chamada da Antit&oacute;xicos no dia 6 de mar&ccedil;o, sobre o reconhecimento que poderia ser feito com Eucl&iacute;dio, assunto que ficou pendente.<\/p>\n<p class=\"p4\">No dia seguinte (7 de mar&ccedil;o), Barba teria chamado o delegado para conversar e pedir regalias, como dormir fora da delegacia, e Possebon argumentou que n&atilde;o podia lhe conceder nada desse tipo. O investigador ent&atilde;o aproveitou a oportunidade para perguntar para Eucl&iacute;dio detalhes sobre o caso do inc&ecirc;ndio na serraria Abagge, j&aacute; que o havia ouvido durante o inqu&eacute;rito ainda em 1994.<\/p>\n<p class=\"p4\">Ele questionou se na &eacute;poca Barba tinha mesmo contado a verdade e o preso respondeu que n&atilde;o. Agora, ele afirmaria que naquela noite havia sa&iacute;do para pescar com Di&oacute;genes, que o convidou para ir at&eacute; a serraria Abagge, mas ele recusou.<\/p>\n<p class=\"p1\">Diante dessa nova informa&ccedil;&atilde;o, Possebon passou a fazer mais perguntas sobre o caso Evandro, pois sempre teve a impress&atilde;o que Eucl&iacute;dio havia mentido. Ap&oacute;s a conversa com o suspeito, o investigador entrou em contato com a Divis&atilde;o de Crimes contra o Patrim&ocirc;nio, onde <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/luiz-carlos-de-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pela investiga&ccedil;&atilde;o de Leandro Bossi ap&oacute;s a pris&atilde;o dos 7 acusados\" class=\"encyclopedia\">Luiz Carlos de Oliveira<\/a> trabalhava, para que o detido pudesse fornecer novas pistas.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ficou combinado que isso seria feito na Antit&oacute;xicos em Curitiba. Possebon ressaltou, contudo, que n&atilde;o presenciou o procedimento em Curitiba e nem o conte&uacute;do das declara&ccedil;&otilde;es que Barba teria dado.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Inquerito-Toxicos-Euclidio.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD Inqu&eacute;rito T&oacute;xicos Eucl&iacute;dio<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>DEPOIMENTO BOMB&Aacute;STICO<\/b><\/p>\n<p class=\"p4\">Sobre esse suposto depoimento, existe nos autos do processo um relato prestado por Eucl&iacute;dio na Delegacia de Antit&oacute;xicos em 9 de mar&ccedil;o de 1995. &Eacute; um longo relato de sete folhas* e seu conte&uacute;do &eacute; surpreendente.<\/p>\n<p>(<em>*o depoimento &eacute; enumerado como sete folhas, mas ele na verdade possui oito p&aacute;ginas. A primeira folha tem escritos frente e verso, e foi contada apenas como uma folha<\/em>)<\/p>\n<p class=\"p4\">Nele, Eucl&iacute;dio afirma que por volta das 19h do dia 9 de abril de 1992, uma quinta-feira, amarrava os bois na entrada de casa quando percebeu a chegada de um ve&iacute;culo Fiat Panorama verde escuro, que fez uma manobra na Rua Engenheiro Beltr&atilde;o e estacionou em seguida. Ele identificou os dois ocupantes do carro como Di&oacute;genes e &ldquo;Paulinho Magueira&rdquo; (provavelmente &ldquo;Paulo Mangueira&rdquo;) ou &ldquo;Paulo Basil&rdquo; (provavelmente &ldquo;<a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/paulo-brasil\/\" target=\"_self\" title=\"Assessor de imprensa da prefeitura de Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Paulo Brasil<\/a>&rdquo;).<\/p>\n<p class=\"p4\">Eles n&atilde;o perceberam a presen&ccedil;a de Barba, que ficou o tempo todo observando a movimenta&ccedil;&atilde;o dos dois. Nesse momento, Di&oacute;genes e Paulinho teriam aberto o porta-malas e tirado de l&aacute; um pacote volumoso, que levaram para o mato, onde ficaram por cerca de uma hora e meia.<\/p>\n<p class=\"p4\">De acordo com Eucl&iacute;dio, j&aacute; estava escuro quando a dupla saiu do matagal e foi embora. Barba decidiu ir at&eacute; o local para saber o que eles haviam deixado l&aacute;. Ele disse que andou por uns 10 minutos e n&atilde;o demorou a encontrar o volume enrolado em jornais. O lenhador teria visto um p&eacute; pequeno e percebido que se tratava de um ser humano. Assustado, ele voltou correndo para casa e a sua mulher, Cec&iacute;lia, notou que o marido estava espantado e perguntou o que tinha acontecido. O companheiro respondeu apenas que teria visto uma &ldquo;visagem&rdquo; e n&atilde;o teceu mais coment&aacute;rios.<\/p>\n<p class=\"p4\">No dia seguinte pela manh&atilde;, depois de pensar muito no que fazer, ele resolveu tirar satisfa&ccedil;&otilde;es com o pr&oacute;prio Di&oacute;genes. Ele foi at&eacute; a casa do primo de Evandro e contou o que tinha visto. Segundo o depoimento, o engenheiro teria dito em resposta: &ldquo;<em>Venha morar aqui que eu te dou tudo o que voc&ecirc; quiser para n&atilde;o abrir o bico<\/em>&rdquo;. O lenhador inicialmente relutou um pouco, mas depois resolveu aceitar a proposta.<\/p>\n<p class=\"p4\">Na noite do dia 10 de abril, sexta-feira, Eucl&iacute;dio foi jogar domin&oacute; na casa de um vizinho. Como estava em uma mesa de frente para a rua, ele disse ter visto o Fiat verde se aproximar novamente, ocupado por Di&oacute;genes e Paulinho, perto da meia-noite. O carro foi at&eacute; o mesmo ponto onde havia estacionado na noite anterior e voltou ap&oacute;s cerca de 30 minutos.<\/p>\n<p class=\"p4\">No s&aacute;bado pela manh&atilde;, dia 11, Barba se levantou por volta das 7h para medir a ro&ccedil;ada que os pe&otilde;es realizaram na &aacute;rea de matagal, e l&aacute; encontrou outros dois lenhadores, Daniel e L&aacute;zaro. Daniel estranhou a presen&ccedil;a de corvos em um ponto espec&iacute;fico do mato e sugeriu que os tr&ecirc;s fossem ver o que tinha l&aacute;. Eucl&iacute;dio concordou e ficou alguns passos atr&aacute;s dos dois durante todo o caminho. Foi a&iacute; que a dupla encontrou o corpo e chamou por Barba.<\/p>\n<p class=\"p4\">O lenhador comentou que na hora notou que o cad&aacute;ver n&atilde;o estava mais enrolado em um jornal, mas sim exposto e completamente desfigurado. Os tr&ecirc;s ficaram muito apavorados e Eucl&iacute;dio resolveu chamar a pol&iacute;cia. Daniel encontrou perto do corpo um chaveiro contendo apenas uma chave, que foi entregue para os policiais.<\/p>\n<p class=\"p4\">Ap&oacute;s o ocorrido, Eucl&iacute;dio passou a morar na casa dos fundos do terreno de Di&oacute;genes, onde ficou por aproximadamente tr&ecirc;s meses. De acordo com ele, o primo de Evandro come&ccedil;ou a pressionar para que ele deixasse o local, o que fez ap&oacute;s receber uma quantia em dinheiro. Barba ainda relatou que, no per&iacute;odo em que conviveram, presenciou v&aacute;rias vezes Di&oacute;genes pagando despesas dos policiais do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> e que um dia at&eacute; a m&atilde;e do engenheiro teria reprovado a alta quantia gasta pelo filho.<\/p>\n<p class=\"p4\">Ao perguntar para Di&oacute;genes por que ele estava fazendo tudo aquilo, o primo de Evandro teria respondido que as suas atitudes eram motivadas por uma vingan&ccedil;a contra <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/celina-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Primeira-dama de Guaratuba em 1992\" class=\"encyclopedia\">Celina Abagge<\/a>, pois ela teria sido piv&ocirc; da separa&ccedil;&atilde;o dos seus pais.<\/p>\n<p class=\"p4\">Em outra ocasi&atilde;o, Barba teria sido convidado por Di&oacute;genes para uma pescaria. Na &eacute;poca, o ex-lenhador j&aacute; havia se divorciado de Cec&iacute;lia e namorava uma mulher chamada Odete Aparecida Messias Ribeiro<i>.<\/i> Ele deixou a companheira no sal&atilde;o do &ldquo;Baile do Toninho&rdquo; e seguiu com o primo de Evandro para a suposta pescaria.<\/p>\n<p class=\"p4\">Eles pegaram um barco a remo e se dirigiram at&eacute; os fundos da serraria Abagge. Eucl&iacute;dio estranhou a movimenta&ccedil;&atilde;o e perguntou o que eles estavam fazendo ali. O engenheiro respondeu que queria colocar fogo no im&oacute;vel e Barba se recusou a participar. O primo de Evandro teria ido sozinho at&eacute; o local e cometido o crime, enquanto Eucl&iacute;dio esperava na canoa. Ele alegou que n&atilde;o sabia das inten&ccedil;&otilde;es de Di&oacute;genes naquela noite.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ap&oacute;s o inc&ecirc;ndio, os dois fugiram e voltaram ao estabelecimento do Toninho para buscar Odete, que mais tarde perguntou por que havia manchas de &oacute;leo na roupa de Di&oacute;genes, que teria feito coment&aacute;rios evasivos.<\/p>\n<p class=\"p1\">Eucl&iacute;dio encerra o bomb&aacute;stico relato com a seguinte afirma&ccedil;&atilde;o: &ldquo;<em>a acusa&ccedil;&atilde;o de sacrif&iacute;cio de Evandro n&atilde;o passa de uma farsa e de uma trama diab&oacute;lica elaborada e executada por <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/diogenes-caetano-dos-santos-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Engenheiro, primo de Evandro e ex-policial Civil\" class=\"encyclopedia\">Di&oacute;genes Caetano dos Santos Filho<\/a><\/em>&ldquo;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em><strong>NOTA<\/strong>: A depender da c&oacute;pia dos autos do caso Evandro que se consulte, este depoimento de Eucl&iacute;dio encontra-se ou faltando a folha enumerada como &ldquo;n&uacute;mero 3&rdquo; ou ainda possui cortes nas margens superiores e inferiores na digitaliza&ccedil;&atilde;o\/fotoc&oacute;pia. Para este trabalho, Ivan Mizanzuk se utilizou de tr&ecirc;s fontes:&nbsp;<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Fonte 1<\/strong>: Autos do processo digitalizados no site do STJ, como parte do recurso de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/airton-bardelli\/\" target=\"_self\" title=\"Gerente da serraria Abagge\" class=\"encyclopedia\">Airton Bardelli<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/francisco-sergio-cristofolini\/\" target=\"_self\" title=\"Vizinho de Osvaldo Marcineiro\" class=\"encyclopedia\">Francisco S&eacute;rgio Cristofolini<\/a> <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Depoimento-Euclidio-v1-9-3-95-fonte-STJ.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[DOWNLOAD Fonte 1]<\/a><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Fonte 2<\/strong>: Arquivo pessoal fornecido por fonte. Este &eacute; o que possui melhor qualidade&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Depoimento-Euclidio-v2-9-3-95-fonte-arquivos-pessoais.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[DOWNLOAD Fonte 2]<\/a><\/em><\/p>\n<p><em><strong>Fonte 3<\/strong>: Autos do processo do caso conhecido como &ldquo;Emasculados de Altamira&rdquo;, que possui c&oacute;pia de boa parte do Caso Evandro&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Depoimento-Euclidio-v3-9-3-95-fonte-Altamira.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[DOWNLOAD Fonte 3]<\/a><\/em><\/p>\n<p><em>Ivan Mizanzuk montou uma vers&atilde;o pr&oacute;pria, misturando p&aacute;ginas da Fonte 1 (p&aacute;ginas 1 e 4 do PDF) e Fonte 2 (p&aacute;ginas 2, 3, 5-8 do PDF). Voc&ecirc; pode fazer o download dessa vers&atilde;o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Depoimento-Euclidio-final-9-3-95-mix-de-varias-versoes.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a>.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_1564\" style=\"width: 802px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Hora-H-22-28-de-julho-de-1996.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1564\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1564 size-large\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Hora-H-22-28-de-julho-de-1996-792x1024.png\" alt=\"\" width=\"792\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Hora-H-22-28-de-julho-de-1996-792x1024.png 792w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Hora-H-22-28-de-julho-de-1996-232x300.png 232w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Hora-H-22-28-de-julho-de-1996-768x993.png 768w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Hora-H-22-28-de-julho-de-1996-1188x1536.png 1188w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Hora-H-22-28-de-julho-de-1996-1584x2048.png 1584w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Hora-H-22-28-de-julho-de-1996.png 2042w\" sizes=\"(max-width: 792px) 100vw, 792px\"><\/a><p id=\"caption-attachment-1564\" class=\"wp-caption-text\">Mat&eacute;ria do Jornal Hora H, edi&ccedil;&atilde;o de 22 a 28 de julho de 1996. Nela, conta-se sobre o depoimento bomb&aacute;stico de Eucl&iacute;dio e a aus&ecirc;ncia de acusa&ccedil;&otilde;es contra o lenhador<\/p><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Cronologia-reportagens-Hora-H-compressed.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD MAT&Eacute;RIAS DE V&Acirc;NIA MARA WELTE PARA O JORNAL HORA H<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>PRESS&Atilde;O E AMEA&Ccedil;AS DA POL&Iacute;CIA?<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">O impressionante depoimento de Eucl&iacute;dio se tornou um marco importante para a defesa dos sete acusados. O conte&uacute;do dele &eacute; do tipo que poderia reverter o caso inteiro &ndash; ou, no m&iacute;nimo, abrir uma nova investiga&ccedil;&atilde;o tendo Di&oacute;genes como suspeito. Por que, ent&atilde;o, isso n&atilde;o aconteceu? Para responder essa pergunta, as circunst&acirc;ncias do relato precisam ser colocadas em perspectiva.<\/p>\n<p class=\"p1\">Enquanto o detido era levado para Curitiba, a esposa de Barba e o advogado dele tentavam entender o que havia acontecido. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/pedro-ivo-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de Eucl&iacute;dio em 1995\" class=\"encyclopedia\">Pedro Ivo Machado<\/a>, que representava o ex-lenhador, buscava naquele mesmo dia entrar com um pedido de habeas corpus, mas n&atilde;o conseguiu encontrar o delegado Possebon, que estava na capital. Eucl&iacute;dio s&oacute; voltou para Guaratuba na madrugada do dia 10 de mar&ccedil;o. Poucas horas depois, o pedido de habeas corpus foi aceito e, em seguida, ele foi liberado.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ao retornar para a cidade litor&acirc;nea, Barba denunciou que teria sido coagido pela Pol&iacute;cia Civil em Curitiba. Em depoimento, ele declarou que de fato foi levado para fazer o reconhecimento, mas que n&atilde;o identificou nenhum dos presos como o verdadeiro Anderson. Em seguida, o delegado <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/luiz-carlos-de-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pela investiga&ccedil;&atilde;o de Leandro Bossi ap&oacute;s a pris&atilde;o dos 7 acusados\" class=\"encyclopedia\">Luiz Carlos de Oliveira<\/a> teria o interrogado sobre o caso Evandro e, a partir da&iacute;, passado a fazer amea&ccedil;as f&iacute;sicas e psicol&oacute;gicas contra ele.<\/p>\n<p class=\"p1\">Segundo Eucl&iacute;dio, Oliveira teria o pressionado a assinar uma declara&ccedil;&atilde;o confessando que a morte de Evandro tinha sido armada por ele e por Di&oacute;genes. Al&eacute;m disso, o investigador teria ainda acusado a dupla de ter colocado fogo na serraria Abagge e que, por todos os delitos, &ldquo;poderia pegar 50 anos de cadeia&rdquo;. O ex-lenhador respondeu que n&atilde;o tinha nada a declarar e que &ldquo;poderiam fazer o que quisessem com ele&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"p1\">De acordo com o depoimento, o interrogat&oacute;rio aconteceu das 15h &agrave;s 21h30 e foi acompanhado por um suposto desembargador, uma pessoa que teria se apresentado como ocupante de &ldquo;um cargo abaixo de desembargador&rdquo;, e pelo delegado <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/kiyoshi-hattanda\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado da Antit&oacute;xicos em 1995\" class=\"encyclopedia\">Kiyoshi Hattanda<\/a>, da Antit&oacute;xicos. Barba relatou que n&atilde;o cedeu &agrave;s press&otilde;es e saiu da delegacia sem prestar depoimento ou assinar qualquer declara&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p1\">A den&uacute;ncia de Eucl&iacute;dio resultou na abertura de um pedido de provid&ecirc;ncias, que tinha como objetivo esclarecer o que exatamente ocorreu em Curitiba.<b> <\/b>Aqui ao menos duas vers&otilde;es se confrontam: a primeira, de que Eucl&iacute;dio quis ser solto e ofereceu informa&ccedil;&otilde;es que julgava serem valiosas sobre o caso Evandro, negando tudo em seguida; e a segunda, de que Eucl&iacute;dio foi coagido e amea&ccedil;ado por policiais civis para livrar as Abagge.<\/p>\n<p class=\"p1\">O curioso &eacute; que no documento onde consta o depoimento bomb&aacute;stico contra Di&oacute;genes, h&aacute; sim a assinatura de Eucl&iacute;dio, igual &agrave;quelas presentes em testemunhos anteriores. Teria ele assinado sem ler? Teria assinado uma folha em branco? Teriam forjado sua assinatura? Ser&aacute; que ele enganou a pol&iacute;cia dando declara&ccedil;&otilde;es falsas s&oacute; para sair da pris&atilde;o e depois se arrependeu? Ou falou a verdade e decidiu voltar atr&aacute;s?<\/p>\n<p class=\"p1\">Do outro lado, todos os policiais envolvidos negaram que tenham coagido ou amea&ccedil;ado Eucl&iacute;dio. Foi o que disseram os delegados Oliveira e Hattanda; o corregedor da Pol&iacute;cia Civil, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/hamilton-soares-canfield\/\" target=\"_self\" title=\"Corregedor da Pol&iacute;cia Civil do PR em 1995\" class=\"encyclopedia\">Hamilton Soares Canfield<\/a>, que tamb&eacute;m presenciou o interrogat&oacute;rio de Barba; e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/nelson-sabbagh\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado chefe da Divis&atilde;o de Crimes contra o Patrim&ocirc;nio em 1995\" class=\"encyclopedia\">Nelson Sabbagh<\/a>, que chefiava a Divis&atilde;o de Crimes contra o Patrim&ocirc;nio, a quem Oliveira era subordinado.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em geral, fica claro em todos os depoimentos que os investigadores sabiam que o procedimento havia sido irregular, sem qualquer registro ou autoriza&ccedil;&atilde;o judicial, e n&atilde;o quiseram se comprometer. Talvez seja por isso que o relato surpreendente de Eucl&iacute;dio nunca surtiu o efeito esperado.<\/p>\n<p>Todos esses depoimentos foram prestados no processo de um Pedido de Provid&ecirc;ncias anexado ao inqu&eacute;rito de T&oacute;xicos de Eucl&iacute;dio.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Euclidio_Toxico_PedidoDeProvidencias.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD Pedido de Provid&ecirc;ncias Eucl&iacute;dio (T&oacute;xicos)<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">De qualquer forma, Barba foi julgado pela posse de drogas e acabou condenado. Ele cumpriu pena em regime fechado, depois em aberto, e foi condicionado a realizar trabalhos volunt&aacute;rios.<\/p>\n<p class=\"p1\">O mandado de pris&atilde;o foi emitido apenas em 15 de julho de 1998. Na &eacute;poca, o ex-lenhador j&aacute; havia sa&iacute;do do litoral e morava em Arauc&aacute;ria.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em 18 de agosto deste mesmo ano, Eucl&iacute;dio foi interrogado novamente. Dessa vez, ele deu outra vers&atilde;o para a apreens&atilde;o de drogas na sua casa\/bar tr&ecirc;s anos antes: negou ser usu&aacute;rio e traficante de drogas e sugeriu que os pr&oacute;prios policiais plantaram o entorpecente no im&oacute;vel. Falou ainda que assumiu a culpa na &eacute;poca porque havia sido coagido pela pol&iacute;cia.<\/p>\n<p class=\"p1\">Anteriormente, tanto Barba quanto a esposa Maria admitiram que a coca&iacute;na apreendida pertencia ao rapaz de nome Anderson, que aparentemente nunca foi ouvido no inqu&eacute;rito.<\/p>\n<p class=\"p1\">Os policiais <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/airton-paulo-ribeiro\/\" target=\"_self\" title=\"Investigador da Pol&iacute;cia Civil\" class=\"encyclopedia\">Airton Paulo Ribeiro<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/paulo-cezar-rodrigues\/\" target=\"_self\" title=\"Escriv&atilde;o da Pol&iacute;cia Civil\" class=\"encyclopedia\">Paulo Cezar Rodrigues<\/a>, que na ocasi&atilde;o prenderam o suspeito, mantiveram os testemunhos prestados e reafirmaram que n&atilde;o houve nenhum tipo de coa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p1\">O &uacute;nico que corroborou com a nova vers&atilde;o do r&eacute;u sobre o epis&oacute;dio foi Di&oacute;genes, em depoimento prestado no dia 30 de mar&ccedil;o de 1999. De acordo com o engenheiro, a droga &ldquo;<em>teria servido como uma maneira de constranger o denunciado a prestar falso testemunho<\/em>&rdquo;. As provas e relatos contra Eucl&iacute;dio, no entanto, eram bastante convincentes e ele acabou condenado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\">Ap&oacute;s anos de procura, Ivan Mizanzuk finalmente localizou Eucl&iacute;dio e chegou a conversar diretamente com ele no final de 2019. Ele se recusou a conceder entrevista, mas disse que nunca deu nenhum depoimento em Curitiba e que a coca&iacute;na havia sido plantada no bar pelo delegado Douglas Possebon.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ao ser questionado sobre a presen&ccedil;a da assinatura dele no documento, Barba se limitou a dizer que era &ldquo;mentira&rdquo; e n&atilde;o quis dar mais explica&ccedil;&otilde;es. Ele tamb&eacute;m refor&ccedil;ou v&aacute;rias vezes que era alvo de arma&ccedil;&atilde;o desde a &eacute;poca do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo TIGRE<\/a> e que foi Di&oacute;genes quem o ajudou.<\/p>\n<p class=\"p1\">Tamb&eacute;m em 2019, Mizanzuk entrou em contato com Possebon. Ele repetiu o que j&aacute; consta no inqu&eacute;rito e no pedido de provid&ecirc;ncias. Afirmou que, ap&oacute;s ser preso em flagrante, Eucl&iacute;dio passou a dizer que tinha informa&ccedil;&otilde;es sobre o caso Evandro e que gostaria de regalias em troca de abrir a boca.<\/p>\n<p class=\"p1\">Afinal, qual &eacute; a verdade? &Eacute; muito dif&iacute;cil saber. Com vers&otilde;es conflitantes, nunca saberemos o que realmente aconteceu. A an&aacute;lise de Mizanzuk &eacute; que Eucl&iacute;dio poderia ter dado de fato o depoimento em Curitiba, inventando uma hist&oacute;ria mirabolante para se safar da pris&atilde;o. Para isso, ele teria juntado dois boatos fortes da &eacute;poca do crime: que o corpo n&atilde;o era de Evandro e que tudo n&atilde;o passava de uma arma&ccedil;&atilde;o de Di&oacute;genes.<\/p>\n<p class=\"p1\">Dentro dessa linha de racioc&iacute;nio, faz sentido que ele tenha mudado de ideia ao chegar em Guaratuba e descobrir que seria liberado com um habeas corpus. Com medo do que poderia acontecer se soubessem que ele tinha envolvido Di&oacute;genes, passou a dizer que foi coagido. Isso s&atilde;o, claro, apenas especula&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p class=\"p1\">No fim, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel dizer se Eucl&iacute;dio &eacute; ou n&atilde;o o verdadeiro assassino de Evandro. Apesar dos depoimentos confusos e o fato de ele morar perto do local onde o corpo foi encontrado, n&atilde;o h&aacute; ind&iacute;cios convincentes de que ele &eacute; culpado.<\/p>\n<p class=\"p1\">Barba era o principal suspeito do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo TIGRE<\/a> em 1992 e, em tr&ecirc;s meses de investiga&ccedil;&atilde;o, os policiais n&atilde;o conseguiram encontrar provas convincentes contra ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>NOVOS DEPOIMENTOS SOBRE O INC&Ecirc;NDIO<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Inicialmente, o inqu&eacute;rito do inc&ecirc;ndio na serraria Abagge deveria ter sido encerrado ap&oacute;s o arquivamento do processo em 19 de agosto de 1994. Mas eis que em 6 de maio de 1998, novas informa&ccedil;&otilde;es sobre o caso foram encontradas no inqu&eacute;rito de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba no dia 15 de Fevereiro de 92\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>. Elas estavam contidas em quatro depoimentos de testemunhas.<\/p>\n<p class=\"p1\">O primeiro relato &eacute; de um homem chamado Nelson Rubens Mazanek, ouvido em 27 de outubro de 1993. Ele contou que cinco dias antes havia sido procurado por <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/odete-ribeiro\/\" target=\"_self\" title=\"Companheira de Eucl&iacute;dio Soares dos Reis em 1993\" class=\"encyclopedia\">Odete Ribeiro<\/a>, ent&atilde;o companheira de Eucl&iacute;dio, que lhe pediu emprego e abrigo pois estava muito apavorada.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ela teria lhe revelado que, na mesma noite do inc&ecirc;ndio, Barba foi convidado para sair com Di&oacute;genes. Segundo Odete, eles a deixaram em um bail&atilde;o e, quando voltaram para busc&aacute;-la mais tarde, ela percebeu que Eucl&iacute;dio estava todo sujo de barro e cheirando a &oacute;leo diesel. Por isso, ela desconfiava que a dupla havia sido respons&aacute;vel por botar fogo na serraria Abagge. Odete comentou que n&atilde;o procuraria a pol&iacute;cia, no entanto, porque tinha medo do que Eucl&iacute;dio poderia fazer com ela e seu filho.<\/p>\n<p class=\"p1\">Um relato muito parecido, tamb&eacute;m presente no inqu&eacute;rito de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba no dia 15 de Fevereiro de 92\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>, &eacute; o de uma mulher chamada Marilda Cunha, conhecida de Odete. Ela disse que ouviu a hist&oacute;ria de Nelson e foi procurar a companheira de Barba para ajud&aacute;-la. Odete, por&eacute;m, n&atilde;o se abriu com a amiga e demonstrava estar bastante assustada, novamente admitindo apenas que estava com medo do parceiro.<\/p>\n<p class=\"p1\">O tempo passava e a hist&oacute;ria parecia n&atilde;o sair do lugar. At&eacute; que, quase um ano depois, em 23 de setembro de 1994, a pr&oacute;pria Odete deu a sua vers&atilde;o da hist&oacute;ria. As suas declara&ccedil;&otilde;es correspondem com o que Nelson Mazanek havia descrito. Ela acrescentou que Eucl&iacute;dio e Di&oacute;genes voltaram da suposta pescaria por volta das 5h daquela noite e ela logo percebeu que o marido estava bastante agitado.<\/p>\n<p class=\"p1\">De acordo com ela, depois de muito perguntar o que havia ocorrido, o companheiro teria confessado que recebeu ordens de incendiar a serraria Abagge. Ele teria come&ccedil;ado a chorar e ela acreditou na hist&oacute;ria. No dia seguinte pela manh&atilde;, ainda conforme o depoimento de Odete, Eucl&iacute;dio botou fogo nas roupas sujas de &oacute;leo e passou a amea&ccedil;ar a esposa de morte, obrigando que ela morasse junto com ele. Agora, contudo, os dois j&aacute; estavam separados.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em 28 de setembro de 1994, Barba finalmente respondeu as alega&ccedil;&otilde;es da ex-companheira. &Agrave; pol&iacute;cia, ele negou todas as acusa&ccedil;&otilde;es e isentou Di&oacute;genes de qualquer participa&ccedil;&atilde;o no inc&ecirc;ndio. Ele disse que em nenhum momento foi convidado para uma pescaria.<\/p>\n<p class=\"p1\">Na verdade, segundo Barba, o primo de Evandro teria o visitado por volta das 19h30 e os dois sa&iacute;ram juntos dar uma volta de carro pela cidade. Eles passaram na casa do engenheiro, onde ficaram por cerca de 30 minutos e, em seguida, por volta das 21h30, foram at&eacute; o baile do Toninho. L&aacute;, Eucl&iacute;dio conversou um pouco com a companheira. Depois, ele voltou para o carro onde Di&oacute;genes o aguardava e os dois ficaram ali escutando m&uacute;sica at&eacute; as 23h, quando chamaram Odete e voltaram para casa.<\/p>\n<p class=\"p1\">Aqui h&aacute; um detalhe interessante: na primeira vez em que foi interrogado sobre o inc&ecirc;ndio, em 1993, Barba disse aos policiais que tinha ido para o bar do Toninho sozinho. Ele n&atilde;o citou Odete ou Di&oacute;genes. Agora, cerca de um ano e meio depois, em resposta &agrave;s acusa&ccedil;&otilde;es feitas pela ex-companheira, ele adicionou esses detalhes &agrave; hist&oacute;ria.<\/p>\n<p class=\"p1\">Com o surgimento dos novos materiais, especialmente o depoimento de Odete, Eucl&iacute;dio Soares dos Reis virou suspeito novamente. E desta vez, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/diogenes-caetano-dos-santos-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Engenheiro, primo de Evandro e ex-policial Civil\" class=\"encyclopedia\">Di&oacute;genes Caetano dos Santos Filho<\/a> tamb&eacute;m entrava em cena.<\/p>\n<p class=\"p1\">Sobre o inc&ecirc;ndio, o engenheiro voltou a ser interrogado no dia 31 de agosto de 1999. A declara&ccedil;&atilde;o foi bem curta: ele disse que n&atilde;o conhecia Odete, apenas Eucl&iacute;dio, mas que n&atilde;o esteve com ele na noite do ocorrido. Alegou que nesse dia estava em uma festa de anivers&aacute;rio na &ldquo;Col&ocirc;nia dos Fiscais&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"p1\">De suspeitos, Di&oacute;genes e Eucl&iacute;dio se tornaram r&eacute;us, mas n&atilde;o foram presos por isso. Barba ficou detido por conta do flagrante por venda de coca&iacute;na desde 15 de julho de 1998, quando foi condenado a tr&ecirc;s anos de pris&atilde;o. Por bom comportamento e aus&ecirc;ncia de antecedentes criminais, ele foi solto em 18 de junho de 1999 para cumprir o resto da pena com trabalhos assistenciais. Ou seja, cerca de dois meses ap&oacute;s sair da cadeia, ele enfrentava nova acusa&ccedil;&atilde;o, arriscando ser preso novamente.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em 14 de Dezembro de 1999, o ex-lenhador deu um novo depoimento, com novas contradi&ccedil;&otilde;es. Apesar de continuar negando envolvimento no crime, agora ele dizia que tinha ido pescar com Di&oacute;genes na noite do inc&ecirc;ndio.<\/p>\n<p class=\"p1\">As testemunhas de acusa&ccedil;&atilde;o no processo foram interrogadas no dia 30 de mar&ccedil;o de 2000. Todas elas reiteraram as informa&ccedil;&otilde;es que haviam fornecido anteriormente.<\/p>\n<p class=\"p1\">J&aacute; a defesa de Di&oacute;genes, representada pelo ent&atilde;o jovem advogado <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/claudio-dalledone-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa\" class=\"encyclopedia\">Cl&aacute;udio Dalledone J&uacute;nior<\/a>, levou duas testemunhas: Wilson Alberto Farkas e Mordecai Magalh&atilde;es de Oliveira. Eles foram chamados para comprovar o &aacute;libi do engenheiro, que alegou que estava em uma festa de anivers&aacute;rio na noite do dia 12 e madrugada do dia 13 de fevereiro de 1993. O evento aconteceu na Associa&ccedil;&atilde;o dos Funcion&aacute;rios Fiscais, em Guaratuba.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em depoimento, Farkas contou que foi inclusive naquela ocasi&atilde;o que conheceu Di&oacute;genes. Comentou ainda que teria visto o primo de Evandro chegar no local por volta da meia-noite, mas que n&atilde;o sabia dizer o hor&aacute;rio que ele foi embora.<\/p>\n<p class=\"p1\">A festa era de uma mulher chamada Diva, esposa de Mordecai, a segunda testemunha convocada. Ele tamb&eacute;m confirmou o &aacute;libi de Di&oacute;genes e forneceu outros detalhes sobre a presen&ccedil;a dele no local. Mordecai relatou que o pr&oacute;prio bolo de anivers&aacute;rio havia sido feito em uma confeitaria da qual o primo de Evandro era dono.<\/p>\n<p class=\"p1\">Apesar de ser engenheiro, Di&oacute;genes j&aacute; explicou em outros momentos que naquele ano de 1993 n&atilde;o conseguiu exercer a profiss&atilde;o, e o motivo teria sido justamente o seu envolvimento no caso Evandro. Por causa disso, por um curto per&iacute;odo de tempo, a sua renda vinha de trabalhos de confeitaria.<\/p>\n<p class=\"p1\">At&eacute; mesmo fotos de bolos e da festa de anivers&aacute;rio foram anexadas ao processo e o &aacute;libi de Di&oacute;genes se tornou s&oacute;lido<b>. <\/b>Por isso, em 2 de maio de 2002, o pr&oacute;prio promotor pediu a absolvi&ccedil;&atilde;o dos r&eacute;us. Em 6 de agosto, a Justi&ccedil;a seguiu a orienta&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico e julgou improcedente a den&uacute;ncia contra Di&oacute;genes e Eucl&iacute;dio.<\/p>\n<p class=\"p1\">Durante a conversa com Mizanzuk, Barba falou que todas as acusa&ccedil;&otilde;es haviam sido uma obra de vingan&ccedil;a de Odete, que teria se magoado ap&oacute;s o t&eacute;rmino do relacionamento dos dois.<\/p>\n<p class=\"p1\">Durante as pesquisas, Mizanzuk tentou falar com pessoas que conheceram Odete. Como ela j&aacute; &eacute; falecida, esse era o &uacute;nico recurso que restava. No geral, ele ouviu relatos de que ela era tranquila, mas que teve problemas com &aacute;lcool nos seus &uacute;ltimos anos, o que lhe causou algum tipo de dist&uacute;rbio mental. No fim da vida, ela passou a viver na rua e acabou falecendo em maio de 2018. Sobre o relacionamento com Barba, nada do que lhe foi dito &eacute; exatamente confi&aacute;vel.<\/p>\n<p class=\"p1\">As pesquisas para o podcast apuraram que Eucl&iacute;dio era e ainda &eacute; um homem pobre. Ele sofreu uma s&eacute;rie de problemas, foi suspeito no caso Evandro, mas sem nenhuma prova convincente que pudesse compromet&ecirc;-lo. Seus relatos s&atilde;o confusos e, se na avalia&ccedil;&atilde;o de alguns ele pode ser visto como suspeito, outros podem consider&aacute;-lo um homem ing&ecirc;nuo e com medo, que apenas tentou sobreviver no meio de uma hist&oacute;ria muito maior que ele.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/frederick-wassef\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado e membro do LUS\" class=\"encyclopedia\">FREDERICK WASSEF<\/a> E O LUS<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Deixando de lado os acontecimentos acerca de Eucl&iacute;dio, a hist&oacute;ria agora toma um novo rumo. Recentemente, um nome ficou bastante famoso em todo o pa&iacute;s e chamou a aten&ccedil;&atilde;o por uma suposta liga&ccedil;&atilde;o com o caso Evandro.<\/p>\n<p class=\"p1\">Na manh&atilde; de 18 de junho de 2020, Fabr&iacute;cio Queiroz foi preso. Pessoa pr&oacute;xima de Jair Bolsonaro e ex-assessor de Fl&aacute;vio, filho do presidente, Queiroz era procurado h&aacute; meses pela pol&iacute;cia. Ele &eacute; suspeito de participar de um esquema de &ldquo;rachadinha&rdquo; na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro no per&iacute;odo em que trabalhou no gabinete de Fl&aacute;vio, at&eacute; 2018. Ele foi encontrado em uma ch&aacute;cara no munic&iacute;pio de Atibaia, em S&atilde;o Paulo, pertencente ao ent&atilde;o advogado do filho do presidente, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/frederick-wassef\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado e membro do LUS\" class=\"encyclopedia\">Frederick Wassef<\/a>.<\/p>\n<p class=\"p1\">Com o nome de Wassef estampado na m&iacute;dia, algu&eacute;m decidiu pesquisar sobre ele em jornais antigos digitalizados e encontrou uma mat&eacute;ria intitulada &ldquo;Delegado pede pris&atilde;o de &lsquo;bruxos&rsquo;&rdquo;, de 25 de julho de 1992. A reportagem, publicada no Jornal do Brasil, fala sobre a suspeita que a pol&iacute;cia tinha no envolvimento de um grupo chamado Lineamento Universal Superior, o LUS, no desaparecimento de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba no dia 15 de Fevereiro de 92\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>.<\/p>\n<div id=\"attachment_1534\" style=\"width: 444px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Wassef-jornal-do-Brasil.jpeg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-1534\" loading=\"lazy\" class=\"wp-image-1534 size-full\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Wassef-jornal-do-Brasil.jpeg\" alt=\"\" width=\"434\" height=\"972\" srcset=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Wassef-jornal-do-Brasil.jpeg 434w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Wassef-jornal-do-Brasil-134x300.jpeg 134w\" sizes=\"(max-width: 434px) 100vw, 434px\"><\/a><p id=\"caption-attachment-1534\" class=\"wp-caption-text\">Trecho de mat&eacute;ria publicada no Jornal do Brasil em 25 de Julho de 1992<\/p><\/div>\n<p class=\"p1\">Integrante do LUS, Wassef teve um pedido de pris&atilde;o tempor&aacute;ria solicitado contra ele &ndash; assim como os l&iacute;deres da chamada &ldquo;seita&rdquo; pelo jornal, o argentino <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/jose-teruggi\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de Valentina de Andrade\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Teruggi<\/a> e a esposa dele, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do LUS\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>.<\/p>\n<p class=\"p1\">Somado a isso, outro detalhe &eacute; ainda mais intrigante: tempos depois do caso de Guaratuba, Valentina foi suspeita de participar de supostos rituais sat&acirc;nicos que envolviam emascula&ccedil;&atilde;o (retirada dos &oacute;rg&atilde;os genitais) e morte de ao menos seis garotos na cidade de Altamira, no estado do Par&aacute;, norte do Brasil. Esses crimes aconteceram entre 1989 e 1993 e, al&eacute;m de Valentina, outras seis pessoas foram acusadas. O caso ficou conhecido como &ldquo;<em>Os Emasculados de Altamira<\/em>&rdquo;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Lenhador<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":564,"template":"","encyclopedia-category":[10],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/1525"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media\/564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1525"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=1525"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=1525"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}