{"id":1516,"date":"2020-10-20T00:00:25","date_gmt":"2020-10-20T03:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/?post_type=encyclopedia&amp;p=1516"},"modified":"2020-10-20T00:00:25","modified_gmt":"2020-10-20T03:00:25","slug":"extras-episodio-33","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/linhas-do-tempo\/extras-episodio-33\/","title":{"rendered":"EXTRAS EPIS\u00d3DIO 33"},"content":{"rendered":"<p class=\"p1\"><b>DOSSI&Ecirc; X<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">No processo do caso Evandro h&aacute; um anexo chamado &ldquo;Dossi&ecirc; X&rdquo;, que n&atilde;o foi notado por um bom tempo ap&oacute;s as pris&otilde;es. Quem o mencionou pela primeira vez foi o advogado de defesa Figueiredo Basto, que na ocasi&atilde;o chegou a dizer que a promotoria estaria escondendo materiais do processo. Essa afirma&ccedil;&atilde;o nunca teve grandes consequ&ecirc;ncias, j&aacute; que a acusa&ccedil;&atilde;o alegava que esses documentos n&atilde;o eram secretos, e que s&oacute; foram anexados depois porque o pr&oacute;prio <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo TIGRE<\/a> teria demorado a entreg&aacute;-los. Por ser parte do Volume 10, &eacute; que vem a letra X no t&iacute;tulo do registro.<\/p>\n<p class=\"p2\">Entre v&aacute;rios relat&oacute;rios, o Dossi&ecirc; X possui fichas criminais de potenciais suspeitos que moravam no litoral do Paran&aacute; na &eacute;poca do crime e que teriam hist&oacute;rico de homic&iacute;dio ou de doen&ccedil;as mentais, por exemplo. A maioria desses nomes nunca gerou grandes linhas de investiga&ccedil;&atilde;o. &Eacute; consenso que a opera&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a> da Pol&iacute;cia Militar contaminou o trabalho dos investigadores do Tigre e impediu que informa&ccedil;&otilde;es importantes sobre o caso fossem levantadas.<\/p>\n<p class=\"p2\">Por isso, a ideia desse epis&oacute;dio &eacute; falar sobre as testemunhas e os suspeitos que mais tiveram a aten&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Civil, antes da confus&atilde;o gerada pela pris&atilde;o das Abagge e dos outros cinco acusados. Essa discuss&atilde;o parte do princ&iacute;pio de que os sete s&atilde;o inocentes e de que o corpo encontrado no matagal &eacute; de fato de Evandro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p2\"><b>O PRIMEIRO SUSPEITO: <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/juarez-jose-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Primeiro suspeito preso pelo TIGRE\" class=\"encyclopedia\">JUAREZ JOS&Eacute; DA SILVA<\/a><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">O primeiro suspeito preso pela morte de Evandro foi um homem chamado <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/juarez-jose-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Primeiro suspeito preso pelo TIGRE\" class=\"encyclopedia\">Juarez Jos&eacute; da Silva<\/a>, tamb&eacute;m conhecido como &ldquo;Cheiro&rdquo;. A pris&atilde;o dele teve como base o depoimento de uma mulher prestado &agrave; Divis&atilde;o de Seguran&ccedil;a e Informa&ccedil;&otilde;es<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp;<\/span>(DSI) de Curitiba em 14 de abril de 1992, tr&ecirc;s dias ap&oacute;s o corpo do menino ser encontrado no matagal.<\/p>\n<p class=\"p2\">Na ocasi&atilde;o, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/maria-aparecida-ferreira-de-franca-albuquerque\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e dos irm&atilde;os Fran&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Maria Aparecida Ferreira de Fran&ccedil;a Albuquerque<\/a> relatou uma situa&ccedil;&atilde;o estranha que ocorreu com os dois filhos, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/fernando-ferreira-franca\/\" target=\"_self\" title=\"Um dos irm&atilde;os Fran&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Fernando Ferreira Fran&ccedil;a<\/a>, de 11 anos, e Cleyton Everson Ferreira Fran&ccedil;a, de 10. Segundo ela, em uma data pr&oacute;xima ao sumi&ccedil;o de Evandro, os garotos foram seguidos por um indiv&iacute;duo desconhecido no caminho para a Escola Municipal Olga da Silveira, onde estudavam. De acordo com a descri&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as, o homem era moreno, magro, e tinha cabelos longos e ondulados, bigode e barba comprida. Ele aparentava ter aproximadamente 1,75 m de altura.<\/p>\n<p class=\"p2\">No depoimento ao delegado <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/joao-ricardo-kepes-noronha\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado da Civil respons&aacute;vel pelo Caso Evandro ap&oacute;s as pris&otilde;es do Grupo &Aacute;GUIA\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Ricardo Kepes Noronha<\/a>, Maria disse que a princ&iacute;pio n&atilde;o se preocupou muito com o epis&oacute;dio, mas posteriormente se lembrou do desaparecimento e assassinato do menino Evandro. Por isso, julgou importante repassar o acontecido &agrave; pol&iacute;cia.<\/p>\n<p class=\"p2\">Ela afirmou que as caracter&iacute;sticas do homem descritas pelos filhos correspondiam com a apar&ecirc;ncia de um traficante chamado &ldquo;Cheiro&rdquo;, que era morador na regi&atilde;o do Carvoeiro, mesma &aacute;rea onde o cad&aacute;ver foi achado. Maria falou que esse rapaz era conhecido por ser &ldquo;<em>bem xarope<\/em>&rdquo; quando estava sob efeito de drogas. Para ela, a persegui&ccedil;&atilde;o aos filhos, os antecedentes de &ldquo;Cheiro&rdquo; e o local onde ele residia eram sinais que indicavam que ele poderia ser o assassino de Evandro.<\/p>\n<p class=\"p2\">Com a ajuda dos irm&atilde;os Fran&ccedil;a, a pol&iacute;cia elaborou um retrato falado do suspeito. Esta ilustra&ccedil;&atilde;o foi realizada provavelmente entre os dias 14 e 16 de Abril de 1992 e serviu para a confec&ccedil;&atilde;o do cartaz abaixo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Cartaz-com-retrato-falado.png\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-large wp-image-1517\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Cartaz-com-retrato-falado-677x1024.png\" alt=\"\" width=\"677\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Cartaz-com-retrato-falado-677x1024.png 677w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Cartaz-com-retrato-falado-198x300.png 198w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Cartaz-com-retrato-falado-768x1161.png 768w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Cartaz-com-retrato-falado-1016x1536.png 1016w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Cartaz-com-retrato-falado-1355x2048.png 1355w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Cartaz-com-retrato-falado.png 1516w\" sizes=\"(max-width: 677px) 100vw, 677px\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p2\">No desenho, v&ecirc;-se um homem cabeludo e barbudo. Essa imagem foi por um bom tempo uma das principais fontes de investiga&ccedil;&atilde;o do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo TIGRE<\/a>. Ela estampava um cartaz que dizia que o indiv&iacute;duo tinha cerca de 30 anos e costumava oferecer doces e dinheiro para crian&ccedil;as.<\/p>\n<p class=\"p2\">Ap&oacute;s as pris&otilde;es dos sete acusados, o retrato foi usado pelo <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;GUIA<\/a> para justificar a pris&atilde;o de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/osvaldo-marcineiro\/\" target=\"_self\" title='Leitor de b&uacute;zios, conhecido como \"pai-de-santo\" em Guaratuba' class=\"encyclopedia\">Osvaldo Marcineiro<\/a>, que tamb&eacute;m parecia se encaixar nas caracter&iacute;sticas descritas. Outras pessoas em Guaratuba, no entanto, apresentavam semelhan&ccedil;as com o desenho, como era o caso de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/juarez-jose-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Primeiro suspeito preso pelo TIGRE\" class=\"encyclopedia\">Juarez Jos&eacute; da Silva<\/a>, vulgo &ldquo;Cheiro&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"p2\">O relat&oacute;rio inicial da Pol&iacute;cia Civil elaborado ap&oacute;s o depoimento de Maria apontava que Juarez n&atilde;o era visto pela cidade h&aacute; cerca de 10 dias. Al&eacute;m disso, o documento afirmava que ele era conhecido na comunidade por ser traficante de coca&iacute;na e que muitas pessoas acreditavam que o rapaz poderia ser o assassino de Evandro.<\/p>\n<p class=\"p2\">Com base nessas informa&ccedil;&otilde;es e na semelhan&ccedil;a com o retrato falado, a pol&iacute;cia pediu a pris&atilde;o tempor&aacute;ria do suspeito, que foi decretada pela Justi&ccedil;a no dia 16 de abril de 1992. No mesmo dia, o ent&atilde;o delegado titular de Guaratuba, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/gilberto-pereira-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado de Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Gilberto Pereira da Silva<\/a>, ouviu os depoimentos dos irm&atilde;os Fran&ccedil;a e do pr&oacute;prio Juarez.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p2\"><b>DEPOIMENTO DOS IRM&Atilde;OS FRAN&Ccedil;A<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Segundo o relato de Cleyton, de 10 anos, o estranho epis&oacute;dio de persegui&ccedil;&atilde;o ocorreu dias antes do desaparecimento de Evandro. Ele contou que caminhava com o irm&atilde;o em dire&ccedil;&atilde;o ao col&eacute;gio quando, no come&ccedil;o da Vila Esperan&ccedil;a, os dois perceberam a presen&ccedil;a de um homem moreno, barbado e de bigode. O rapaz come&ccedil;ou a incomod&aacute;-los com perguntas e lhes ofereceu bala e dinheiro.<\/p>\n<p class=\"p2\">Perto da escola, as crian&ccedil;as rapidamente combinaram de despistar o estranho, correndo por uma rua nos fundos da vila e seguindo para o col&eacute;gio em seguida. Os meninos se esconderam e notaram que, enquanto isso, o homem ficou procurando por eles. Assim que chegaram na escola, eles viram que o rapaz foi embora em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; regi&atilde;o de Pi&ccedil;arras ou do Carvoeiro.<\/p>\n<p class=\"p2\">O depoimento de Fernando, de 11, anos &eacute; parecido, com apenas algumas informa&ccedil;&otilde;es extras. Ele acrescentou que o caso aconteceu por volta das 13h e que os dois n&atilde;o aceitaram nada do que o homem ofereceu. O garoto relatou ainda que, depois da aula, ambos voltaram para casa junto com um vizinho e contaram tudo para a m&atilde;e, Maria. Aquela teria sido a primeira vez que Fernando viu o estranho nas imedia&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p2\"><b>DEPOIMENTO DE JUAREZ<\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">Ap&oacute;s ouvir as crian&ccedil;as, o delegado Gilberto tomou o depoimento de Juarez. O suspeito negou que tenha perseguido as crian&ccedil;as a caminho da escola ou que tenha lhes oferecido bala ou dinheiro. Segundo ele, nada disso aconteceu.<\/p>\n<p class=\"p2\">&ldquo;Cheiro&rdquo; afirmou que trabalhava todos os dias como marceneiro e que era viciado em maconha, mas comprava a droga com o sal&aacute;rio que recebia. Ele tamb&eacute;m falou que fazia mais de oito dias que havia cortado a barba, que estava bastante grossa na ocasi&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p2\">Questionado sobre a morte de Evandro, Juarez respondeu que estava trabalhando na ocasi&atilde;o do crime e que jamais praticou nenhum delito dessa natureza. Ele mencionou que conhecia o pai da v&iacute;tima, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/ademir-caetano\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Evandro\" class=\"encyclopedia\">Ademir Caetano<\/a>, e que chegou a ser vizinho dele na &eacute;poca em que morava com o patr&atilde;o <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/edesio-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha de acusa&ccedil;&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Ed&eacute;sio da Silva<\/a>, em frente ao Estaleiro do Portugu&ecirc;s.<\/p>\n<p class=\"p2\">O relato de Juarez &eacute; curto, mas alguns detalhes chamam a aten&ccedil;&atilde;o. O primeiro &eacute; que o delegado Gilberto dispensou o detido como potencial suspeito. Os motivos pelos quais ele chegou a essa conclus&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o claros no inqu&eacute;rito. Em um breve of&iacute;cio de 20 de abril de 1992, o investigador d&aacute; a entender que os irm&atilde;os Fran&ccedil;a n&atilde;o reconheceram Juarez como o homem que os perseguiu a caminho da escola.<\/p>\n<p class=\"p2\">Ao citar a acarea&ccedil;&atilde;o feita com as crian&ccedil;as, o delegado n&atilde;o deixa claro, por&eacute;m, se o suspeito foi ou n&atilde;o colocado na frente dos meninos para ser identificado. Al&eacute;m disso, durante os cinco dias em que Juarez ficou preso, n&atilde;o h&aacute; qualquer registro de que a pol&iacute;cia tenha interrogado outras pessoas para verificar o &aacute;libi do detido. Se isso aconteceu, n&atilde;o foi mencionado em nenhum documento.<\/p>\n<p class=\"p2\">O segundo elemento intrigante &eacute; o seguinte: esse depoimento &eacute; a primeira vez que Ed&eacute;sio &eacute; citado no inqu&eacute;rito. O ent&atilde;o patr&atilde;o de Juarez foi uma das principais testemunhas da acusa&ccedil;&atilde;o, ao alegar em agosto de 1992 que teria visto Beatriz e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/celina-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Primeira-dama de Guaratuba em 1992\" class=\"encyclopedia\">Celina Abagge<\/a> sequestrando Evandro na manh&atilde; de 6 de abril. E esse &eacute; um ponto onde tudo fica ainda mais estranho. Afinal, se ele afirmava com tanta convic&ccedil;&atilde;o que elas eram culpadas, isso significaria n&atilde;o apenas que ele passou meses sem contar nada &agrave; fam&iacute;lia da v&iacute;tima ou aos policiais, como tamb&eacute;m viu um amigo e funcion&aacute;rio ser preso pelo crime e n&atilde;o abriu a boca. Tudo isso refor&ccedil;a a impress&atilde;o de que o relato de Ed&eacute;sio pode ser um caso de mem&oacute;ria falsa.<\/p>\n<p class=\"p2\">De qualquer forma, de um mero figurante, em poucos meses <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/edesio-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha de acusa&ccedil;&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Ed&eacute;sio da Silva<\/a> passou a ser um dos personagens mais importantes de todo o caso. Enquanto isso, Juarez foi simplesmente ignorado para sempre, sem grandes justificativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p2\"><b><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/eli-goncalves-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha\" class=\"encyclopedia\">ELI GON&Ccedil;ALVES DA SILVA<\/a><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">A partir desse ponto, algumas perguntas s&atilde;o importantes para guiar as pr&oacute;ximas discuss&otilde;es: o que o <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo TIGRE<\/a> sabia sobre a maneira como Evandro sumiu? Os policiais direcionaram o foco para um tipo de suspeito espec&iacute;fico?<\/p>\n<p class=\"p2\">Nos primeiros dias ap&oacute;s o desaparecimento de Evandro e a descoberta do corpo, surgem duas testemunhas que podem ser consideradas as mais importantes de todo o caso. A primeira delas &eacute; um adolescente de 16 anos de idade, chamado <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/eli-goncalves-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha\" class=\"encyclopedia\">Eli Gon&ccedil;alves da Silva<\/a>. Ele prestou depoimento ao delegado Gilberto em 14 de abril de 1992.<\/p>\n<p class=\"p2\">Na ocasi&atilde;o, ele relatou o encontro que teve com uma crian&ccedil;a misteriosa no dia 7 de abril, um dia depois do sumi&ccedil;o de Evandro. O jovem disse que caminhava por volta das 19h perto da Escola Joaquim Mafra, no bairro Canela, quando um menino que aparentava ter sete anos de idade apareceu. O garoto era moreno, tinha cabelo liso e meio longo, e vestia roupas sujas. Ele passou a acompanhar o adolescente pela rua e, durante o trajeto, contou uma hist&oacute;ria no m&iacute;nimo estranha.<\/p>\n<p class=\"p2\">A crian&ccedil;a falou que ela e outros colegas haviam sido abordados por um homem que conduzia uma carro&ccedil;a, convidando o grupo para ir at&eacute; um posto de gasolina para comprar botij&atilde;o de g&aacute;s. Eles ent&atilde;o embarcaram junto com o carroceiro, que os levou para um lugar desconhecido em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; praia. Os meninos teriam ficado presos em uma casa, onde havia uma espingarda e algumas roupas em cima da cama. O garoto relatou que ele e outra v&iacute;tima conseguiram fugir da resid&ecirc;ncia quebrando os vidros das janelas, enquanto um garoto loiro teria permanecido no local. Ele comentou ter ouvido o carroceiro dizer que levaria essa crian&ccedil;a loira para outra localidade no dia seguinte &agrave;s 11h.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Depoimento-Eli-Goncalves-da-Silva-14-04-92.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD Depoimento Eli Gon&ccedil;alves da Silva (14 de Abril de 1992)<\/a><\/p>\n<p class=\"p2\">De acordo com Eli, que ouvia atentamente a hist&oacute;ria, assim que passaram pela frente da casa da fam&iacute;lia de Evandro, a crian&ccedil;a entrou ali pelo port&atilde;o. Em seguida, o adolescente seguiu para o col&eacute;gio onde estudava e, ao retornar da aula, contou aos pais o que havia acontecido. Eli ressaltou que nunca tinha visto aquele garoto antes na regi&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p2\">A primeira d&uacute;vida que passa pela cabe&ccedil;a de quem l&ecirc; esse relato &eacute;: seria Evandro a crian&ccedil;a loira que havia ficado presa na casa? Seria o carroceiro o assassino de Evandro? E quem era o garoto misterioso? Teria ele realmente entrado na casa da fam&iacute;lia Caetano?<\/p>\n<p class=\"p2\">Em relat&oacute;rio, o policial <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/blaqueney-murilo-iglesias\/\" target=\"_self\" title=\"Um dos policiais do grupo TIGRE, comandado pelos delegados Adauto Abreu e Leila Bertolini.\" class=\"encyclopedia\">Blaqueney Murilo Iglesias<\/a>, do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">grupo Tigre<\/a>, cita o depoimento de Eli e informa que os investigadores passaram a sair com o adolescente para v&aacute;rios pontos de Guaratuba com o objetivo de encontrar a crian&ccedil;a com quem ele tinha conversado. Mais tarde, no entanto, o pai do jovem passou a proibir essas sa&iacute;das, alegando que ele poderia ficar doente.<\/p>\n<p class=\"p2\">A atitude do pai de Eli &eacute; frustrante, mas &eacute; importante tamb&eacute;m coloc&aacute;-la em contexto. Pais e m&atilde;es estavam apavorados com o que havia acontecido com Evandro e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba no dia 15 de Fevereiro de 92\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>. Boatos sobre uma seita sat&acirc;nica, em que policiais e pol&iacute;ticos poderiam estar envolvidos, j&aacute; circulavam por Guaratuba. Passear pela cidade para identificar a crian&ccedil;a misteriosa poderia ser uma exposi&ccedil;&atilde;o indesejada. No fim, restou apenas um retrato falado que Eli ajudou a produzir sob hipnose, junto ao Instituto de Criminal&iacute;stica.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Retrato-Falado-Eli-.jpg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-1519 size-large\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Retrato-Falado-Eli--724x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"724\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Retrato-Falado-Eli--724x1024.jpg 724w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Retrato-Falado-Eli--212x300.jpg 212w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Retrato-Falado-Eli--768x1086.jpg 768w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Retrato-Falado-Eli--1086x1536.jpg 1086w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Retrato-Falado-Eli--1448x2048.jpg 1448w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Retrato-Falado-Eli--scaled.jpg 1810w\" sizes=\"(max-width: 724px) 100vw, 724px\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p2\">Apesar dos esfor&ccedil;os da pol&iacute;cia e da popula&ccedil;&atilde;o nas buscas, o menino descrito pelo jovem nunca foi encontrado. Em depoimento no j&uacute;ri de 1998, a delegada <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leila-bertolini\/\" target=\"_self\" title=\"Delegada do Grupo TIGRE\" class=\"encyclopedia\">Leila Bertolini<\/a> sugeriu a possibilidade do adolescente ter fantasiado os fatos, sem dar muitos detalhes ao que exatamente fundamentaria essa impress&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p2\">Pelos documentos policiais, &eacute; poss&iacute;vel notar uma linha de investiga&ccedil;&atilde;o se formando: o suspeito poderia ser um carroceiro ou um andarilho, com as mesmas caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas divulgadas pelo cartaz e retrato falado elaborados com o apoio dos irm&atilde;os Fran&ccedil;a. Nesse contexto, a crian&ccedil;a que conversou com Eli seria uma potencial v&iacute;tima desse homem, que conseguiu fugir a tempo.<\/p>\n<p class=\"p2\">Para resgatar essas informa&ccedil;&otilde;es, Ivan Mizanzuk tentou contato por meses com Eli por meio de uma rede social, enviando inclusive o depoimento e o retrato falado feitos na &eacute;poca. A ent&atilde;o testemunha, no entanto, n&atilde;o respondeu os pedidos para uma conversa e at&eacute; mesmo bloqueou Mizanzuk &ndash; que entende o lado de Eli de n&atilde;o querer reviver esse momento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p2\"><b><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/rachel-machado-duarte\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha\" class=\"encyclopedia\">RACHEL MACHADO DUARTE<\/a><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">A segunda testemunha considerada chave no caso Evandro &eacute; <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/rachel-machado-duarte\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha\" class=\"encyclopedia\">Rachel Machado Duarte<\/a>, de 17 anos. Ela aparece pela primeira vez em um relat&oacute;rio da Pol&iacute;cia Civil do dia 19 de abril de 1992. Enquanto o relato de Eli pode ser question&aacute;vel, o da adolescente aparenta ser mais s&oacute;lido.<\/p>\n<p class=\"p2\">Rachel trabalhava como empregada dom&eacute;stica para uma mulher chamada <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/silmari\/\" target=\"_self\" title=\"Patroa de Rachel Machado Duarte\" class=\"encyclopedia\">Silmari<\/a>, que morava perto da casa da fam&iacute;lia Caetano. Segundo os registros, ela estava na resid&ecirc;ncia da patroa quando viu Evandro passar na rua junto com outras duas crian&ccedil;as na manh&atilde; do dia em que ele desapareceu.<\/p>\n<p class=\"p2\">O primeiro depoimento oficial de Rachel &eacute; de 24 de junho de 1992, mais de dois meses ap&oacute;s o crime. Na ocasi&atilde;o, a m&atilde;e da jovem a acompanhava e conduzia boa parte das suas falas. Anos mais tarde, em 1998, ela prestou testemunho durante o j&uacute;ri das Abagge.<\/p>\n<p class=\"p2\">Em resumo, a adolescente disse que conhecia Evandro h&aacute; cerca de um ano, e que sabia que ele estudava na Escola Olga Silveira, no bairro Cohapar, e costumava brincar pr&oacute;ximo do col&eacute;gio. Evandro inclusive era amigo dos irm&atilde;os de Rachel e j&aacute; havia os visitado na casa dela. Por isso, ela tamb&eacute;m conhecia a fam&iacute;lia Caetano de vista.<\/p>\n<p class=\"p2\">Em depoimento, a jovem conta que, entre as 10h e 11h do dia 6 de abril de 1992, olhava pela janela da resid&ecirc;ncia de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/silmari\/\" target=\"_self\" title=\"Patroa de Rachel Machado Duarte\" class=\"encyclopedia\">Silmari<\/a> quando percebeu que Evandro caminhava na rua com mais dois meninos, que aparentavam ter a mesma idade que ele. O primeiro era moreno claro, de cabelo curto puxado para tr&aacute;s, e trajava cal&ccedil;&atilde;o e camiseta. O segundo ela descreveu apenas como um garoto loiro, que vestia uma bermuda. Evandro tamb&eacute;m usava cal&ccedil;&atilde;o e camiseta, mas Rachel n&atilde;o sabia dizer as cores exatas das roupas. Um deles estava descal&ccedil;o, enquanto os outros dois &ndash; inclusive a v&iacute;tima &ndash; usavam chinelos. Ela se recordava ainda de t&ecirc;-los visto chutando uma bola pelo caminho.<\/p>\n<p class=\"p2\">Ainda de acordo com o depoimento, depois que a jovem chegou em casa, a m&atilde;e dela perguntou se ela se lembrava do menino Evandro e relatou que ele havia sumido naquele dia. Foi a&iacute; que Rachel contou o que tinha visto pela manh&atilde;. Mais tarde, policiais pediram a ajuda da adolescente para procurar o garoto desaparecido e as crian&ccedil;as que o acompanhavam. No entanto, nada foi encontrado e os dois garotos nunca mais foram vistos na regi&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p2\">Se esses depoimentos est&atilde;o corretos, Eli e Rachel seriam as testemunhas mais importantes do caso Evandro. Ambos falam sobre crian&ccedil;as misteriosas em relatos bem pr&oacute;ximos. Por&eacute;m, se a delegada <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leila-bertolini\/\" target=\"_self\" title=\"Delegada do Grupo TIGRE\" class=\"encyclopedia\">Leila Bertolini<\/a> estava certa sobre a possibilidade de Eli ter fantasiado o que contou aos policiais, &eacute; prov&aacute;vel que ele tenha sido influenciado pelas informa&ccedil;&otilde;es de Rachel, que foram divulgadas antes pela m&iacute;dia.<\/p>\n<p class=\"p2\">Se o relato de Eli &eacute; ou n&atilde;o fruto de mem&oacute;ria falsa, uma pergunta &eacute; inevit&aacute;vel: ser&aacute; que um dos dois garotos que Rachel diz ter visto ao lado de Evandro seria parecido com o menino misterioso que Eli descreveu para a confec&ccedil;&atilde;o do retrato falado? O promotor <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/celso-ribas\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor no j&uacute;ri de 1998\" class=\"encyclopedia\">Celso Ribas<\/a> fez esse questionamento a ela no j&uacute;ri das Abagge, em 1998. Na ocasi&atilde;o, a jovem respondeu que as caracter&iacute;sticas do retrato falado n&atilde;o correspondiam com nenhuma das crian&ccedil;as vistas com Evandro.<\/p>\n<p class=\"p2\">Existe a possibilidade de que a mem&oacute;ria de Rachel tenha se alterado com o passar dos anos, ent&atilde;o a negativa para a identifica&ccedil;&atilde;o do retrato n&atilde;o significa necessariamente uma porta fechada para o caso.<\/p>\n<p class=\"p2\">Em um dos relat&oacute;rios sem data do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo TIGRE<\/a>, no qual h&aacute; uma s&eacute;rie de nomes de poss&iacute;veis suspeitos, existe a men&ccedil;&atilde;o a um garoto que Rachel teria identificado. Essa crian&ccedil;a, no entanto, disse que n&atilde;o estava na companhia de Evandro na ocasi&atilde;o do desaparecimento. Como os pais dela tamb&eacute;m foram ouvidos pela pol&iacute;cia, pode ser que eles estivessem tentando proteg&ecirc;-la ao negar os fatos.<\/p>\n<p class=\"p2\">No fim, a principal quest&atilde;o que fica &eacute;: as declara&ccedil;&otilde;es de Rachel, Eli e dos irm&atilde;os Fran&ccedil;a contam a mesma hist&oacute;ria ou s&atilde;o pe&ccedil;as de quebra-cabe&ccedil;as diferentes? Infelizmente, essa pergunta n&atilde;o tem uma resposta concreta. As pris&otilde;es dos sete acusados em julho de 1992 enterraram qualquer possibilidade dessas investiga&ccedil;&otilde;es prosseguirem.<\/p>\n<p class=\"p2\">Independente disso, tudo parecia apontar para um tipo espec&iacute;fico de suspeito: um homem barbudo, provavelmente um carroceiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p2\"><b>JO&Atilde;O PASSOS E <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/roberto-pontes\/\" target=\"_self\" title=\"Carroceiro\" class=\"encyclopedia\">ROBERTO PONTES<\/a><\/b><\/p>\n<p class=\"p2\">No Dossi&ecirc; X, h&aacute; uma p&aacute;gina com fotos de homens considerados suspeitos no caso. Um deles era Jo&atilde;o Passos, mais conhecido pelo apelido de &ldquo;Baio&rdquo;. Ele era carregador de areia, analfabeto, e tinha 49 anos de idade.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Joao-Passos-Baio.png\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter wp-image-1521 size-full\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/Joao-Passos-Baio.png\" alt=\"\" width=\"1002\" height=\"938\" srcset=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Joao-Passos-Baio.png 1002w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Joao-Passos-Baio-300x281.png 300w, https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2020\/10\/Joao-Passos-Baio-768x719.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1002px) 100vw, 1002px\"><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p2\">Os eventos que levam Jo&atilde;o Passos &ldquo;Baio&rdquo; a entrar no radar dos investigadores aconteceram depois da descoberta do corpo. Na &eacute;poca, policiais conversaram com alguns moradores que habitavam a &aacute;rea do matagal onde o cad&aacute;ver foi achado. Os investigadores ficaram sabendo que, em uma data pr&oacute;xima, pessoas foram vistas ali ro&ccedil;ando o mato e levando uma carreta.<\/p>\n<p class=\"p2\">Um desses moradores era Eucl&iacute;dio Soares dos Reis, frequentemente referenciado como Euclides por outros moradores e policiais. Ele tamb&eacute;m tinha um apelido: &ldquo;Barba&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"p2\">Eucl&iacute;dio foi um dos primeiros a avistar o corpo no mato no dia 11 de abril. Dois madeireiros que faziam obras na regi&atilde;o, L&aacute;zarao Machetti e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/daniel-miranda\/\" target=\"_self\" title=\"Lenhador\" class=\"encyclopedia\">Daniel Miranda<\/a>, acharam o cad&aacute;ver e logo depois foram at&eacute; a casa de Barba ali perto para pedir ajuda.<\/p>\n<p class=\"p2\">Em depoimento no dia 20 de abril, Barba citava Baio como um dos ro&ccedil;adores avistados por ele na regi&atilde;o. O outro seria <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/roberto-pontes\/\" target=\"_self\" title=\"Carroceiro\" class=\"encyclopedia\">Roberto Pontes<\/a>, carroceiro, filho de um homem conhecido pelos moradores como &ldquo;Maloca&rdquo;. Por causa disso, Pontes era frequentemente chamado de &ldquo;filho do Maloca&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"p2\">A hist&oacute;ria do suspeito Jo&atilde;o Passos &eacute; a seguinte: ele devia dinheiro a um bar da cidade. O dono do estabelecimento, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/waldir-sales\/\" target=\"_self\" title=\"Dono de bar\" class=\"encyclopedia\">Waldir Sales<\/a>, comprou um terreno no dia 26 de mar&ccedil;o de 1992 e precisava de algu&eacute;m para cerc&aacute;-lo com varas. Para isso, aproveitou que Baio lhe devia dinheiro e pediu ajuda para ele. Em troca, Sales pagaria pelo servi&ccedil;o, deduzindo da conta do devedor.<\/p>\n<p class=\"p2\">Passos teria ido ao terreno em um s&aacute;bado, provavelmente no dia 28 de mar&ccedil;o, de acordo com ele. Essa &aacute;rea com as varas ficava no matagal onde o corpo seria encontrado dias mais tarde. Baio disse que cortou o material, pegando inclusive emprestado o machado de Eucl&iacute;dio, que o conhecia. Ele ent&atilde;o avisou o dono do bar que o servi&ccedil;o estava feito, e que sabia de um homem que tinha uma carreta e poderia carregar as varas. Essa pessoa era <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/roberto-pontes\/\" target=\"_self\" title=\"Carroceiro\" class=\"encyclopedia\">Roberto Pontes<\/a>, o filho do Maloca. Segundo depoimentos prestados por Baio e Pontes, Sales aceitou a oferta e o carregamento aconteceu na semana seguinte &ndash; ao que tudo indica, na ter&ccedil;a-feira.<\/p>\n<p class=\"p2\">&Eacute; nesta sequ&ecirc;ncia de eventos que diverg&ecirc;ncias come&ccedil;am a transformar Baio em um potencial suspeito. Primeiro, v&aacute;rios moradores diziam que ele n&atilde;o foi apenas uma vez l&aacute; no matagal, em um s&aacute;bado, como afirmava em depoimento. Al&eacute;m disso, a delegada Leila e outros investigadores do Tigre tamb&eacute;m notavam atitudes que consideravam esquisitas tanto em Jo&atilde;o Passos quanto em <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/roberto-pontes\/\" target=\"_self\" title=\"Carroceiro\" class=\"encyclopedia\">Roberto Pontes<\/a>.<\/p>\n<p class=\"p2\">No j&uacute;ri de 1998, a delegada afirmou que, 15 dias ap&oacute;s o corpo ser encontrado, a pol&iacute;cia achou as sand&aacute;lias (chinelos) da v&iacute;tima, sendo que uma delas havia ca&iacute;do no riacho e ficado descaracterizada como prova. Ela mostrou o cal&ccedil;ado para Baio, que ficou &ldquo;muito nervoso e apavorado&rdquo; e n&atilde;o olhava para o objeto. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o ao &ldquo;filho do Maloca&rdquo;, a investigadora comentou que ele foi levado at&eacute; o local onde o cad&aacute;ver estava e, bastante agitado, tentou fugir.<\/p>\n<p class=\"p2\">Chamado para depor logo ap&oacute;s o achado do corpo, ainda em abril de 1992, Roberto chegou a ser questionado sobre o motivo da tal tentativa de fuga. Ele se justificou dizendo que teria tentado subir no seu cavalo para voltar para casa, mas caiu, e ficou com muita vergonha. Como havia v&aacute;rias pessoas no local, ele decidiu ir embora mais r&aacute;pido.<\/p>\n<p class=\"p2\">Todos os relatos que levantavam suspeitas sobre Baio e Pontes foram feitos entre 19 e 25 de abril de 1992. Depois disso, n&atilde;o h&aacute; mais informa&ccedil;&otilde;es que pudessem incrimin&aacute;-los ou pelo menos sustentar maiores suspeitas.<\/p>\n<p class=\"p2\">Nesse sentido, &eacute; compreens&iacute;vel a frustra&ccedil;&atilde;o da fam&iacute;lia de Evandro. A sensa&ccedil;&atilde;o que se tem &eacute; de que o Tigre investigou muita coisa nos primeiros 20 dias. A partir do fim de abril, por&eacute;m, h&aacute; cada vez menos materiais a serem adicionados no inqu&eacute;rito.<\/p>\n<p class=\"p2\">No in&iacute;cio de julho, a opera&ccedil;&atilde;o Magia Negra do &Aacute;guia prendia os sete acusados, o que, como sabemos, mudou completamente o rumo das investiga&ccedil;&otilde;es e deixou informa&ccedil;&otilde;es valiosas para tr&aacute;s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Retratos Falados<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":564,"template":"","encyclopedia-category":[10],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/1516"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media\/564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1516"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=1516"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=1516"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}