{"id":1349,"date":"2020-09-15T00:00:59","date_gmt":"2020-09-15T03:00:59","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/?post_type=encyclopedia&amp;p=1349"},"modified":"2020-09-15T00:00:59","modified_gmt":"2020-09-15T03:00:59","slug":"extras-episodio-28","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/linhas-do-tempo\/extras-episodio-28\/","title":{"rendered":"EXTRAS EPIS\u00d3DIO 28"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>DOCUMENTOS SOBRE AN&Aacute;LISE DO CAD&Aacute;VER<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Laudo-de-Exame-de-Levantamento-de-Local-de-Achado-de-Cadaver.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD LAUDO LEVANTAMENTO DE CAD&Aacute;VER<\/a>*<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Laudo-Necropsia.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD LAUDO NECROPSIA*<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/11\/Laudos-DNA.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD LAUDOS DNA EVANDRO<\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/Arlindo-Blume-%E2%80%93-Trabalho-Pericial.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD LAUDO ARLINDO BLUME &ndash; &ldquo;TRABALHO PERICIAL&rdquo;*<\/a><\/p>\n<p><em>*As fotos do cad&aacute;ver foram subtra&iacute;das das vers&otilde;es dos documentos dispon&iacute;veis para download.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>RECAPITULANDO: CONTRADI&Ccedil;&Otilde;ES ENTRE PERITOS<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">A per&iacute;cia do corpo encontrado no matagal em Guaratuba no dia 11 de abril de 1992 &eacute; marcada por contradi&ccedil;&otilde;es entre peritos. A princ&iacute;pio, os principais conflitos aconteceram entre o m&eacute;dico Francisco Moraes e Silva, respons&aacute;vel pelo laudo de necropsia, e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/arthur-conrado-drischel\/\" target=\"_self\" title=\"Perito criminal\" class=\"encyclopedia\">Arthur Conrado Drischel<\/a>, que ajudou a elaborar a an&aacute;lise de levantamento do cad&aacute;ver.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em depoimento nos j&uacute;ris de 1998 e 2004, Silva &eacute; assertivo ao dizer que as les&otilde;es no cad&aacute;ver foram provocadas por a&ccedil;&atilde;o humana. No entanto, como j&aacute; mencionado no epis&oacute;dio 27 do podcast, Drischel relatava que havia discord&acirc;ncias nesse ponto. Segundo o perito, Silva acreditava que os machucados tinham sido feitos por animais, enquanto ele pr&oacute;prio defendia a tese de que os danos foram causados por instrumentos cortantes.<\/p>\n<p class=\"p1\">Do outro lado, o m&eacute;dico negou essa contradi&ccedil;&atilde;o, mas o ent&atilde;o delegado geral da Pol&iacute;cia Civil, Jos&eacute; Maria Correia, confirmou a exist&ecirc;ncia do problema e mencionou at&eacute; mesmo uma reuni&atilde;o sobre o tema realizada entre os envolvidos.<\/p>\n<p class=\"p1\">De qualquer forma, em depoimento, tanto Silva quanto Drischel concordavam que as principais les&otilde;es haviam ocorrido por a&ccedil;&atilde;o humana com o uso de instrumentos cortantes.<\/p>\n<p class=\"p1\">Enquanto isso, quem sempre defendeu a tese dos animais foi o perito <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/arlindo-blume\/\" target=\"_self\" title=\"Perito que redigiu o &ldquo;Trabalho Pericial&rdquo;, de 6 de Setembro de 1993\" class=\"encyclopedia\">Arlindo Blume<\/a>, que produziu um documento chamado &ldquo;Trabalho Pericial&rdquo;, em setembro de 1993, com o objetivo de questionar o processo de identifica&ccedil;&atilde;o e an&aacute;lise do cad&aacute;ver realizado pelo Instituto M&eacute;dico-Legal (IML). Esse relat&oacute;rio foi bastante criticado por Silva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>TRABALHO PERICIAL DE <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/arlindo-blume\/\" target=\"_self\" title=\"Perito que redigiu o &ldquo;Trabalho Pericial&rdquo;, de 6 de Setembro de 1993\" class=\"encyclopedia\">ARLINDO BLUME<\/a><\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Para analisar o documento elaborado por <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/arlindo-blume\/\" target=\"_self\" title=\"Perito que redigiu o &ldquo;Trabalho Pericial&rdquo;, de 6 de Setembro de 1993\" class=\"encyclopedia\">Arlindo Blume<\/a>, o perito criminal <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/gabriel-gaspar\/\" target=\"_self\" title=\"Perito criminal\" class=\"encyclopedia\">Gabriel Gaspar<\/a> foi consultado nesse epis&oacute;dio. Ele &eacute; p&oacute;s-graduado em Per&iacute;cia e Investiga&ccedil;&atilde;o Criminal e trabalha como instrutor dessa &aacute;rea no curso do Ex&eacute;rcito.<\/p>\n<p class=\"p1\">De acordo com Gaspar, h&aacute; pelo menos um ponto bastante importante no trabalho de Blume: a men&ccedil;&atilde;o de larvas no cad&aacute;ver. &ldquo;<em>Isso foi algo que me causou surpresa, porque s&oacute; tem nele. No laudo de necropsia, &eacute; normal n&atilde;o ter, porque o corpo pode chegar no IMIL sem elas. Mas no relat&oacute;rio que &eacute; feito sobre o local de levantamento, tem que ter. Isso &eacute; relevante at&eacute; para determinar o tempo de morte. O relat&oacute;rio de Blume diz que o cad&aacute;ver tinha larvas abundantes em cima<\/em>&rdquo;, comenta.<\/p>\n<p class=\"p1\">Segundo o perito, se havia apenas ovos de larvas, isso significa que o corpo foi colocado no matagal h&aacute; menos de 24 horas. Antes disso, ele teria sido preservado em um local fechado, que impediu a a&ccedil;&atilde;o de moscas.<\/p>\n<p class=\"p1\">Nas fotos do local onde o cad&aacute;ver foi encontrado, &eacute; poss&iacute;vel ver algumas larvas, especialmente na cabe&ccedil;a. N&atilde;o se sabe, no entanto, o motivo pelo qual elas n&atilde;o s&atilde;o mencionadas nos laudos.<\/p>\n<p class=\"p1\">O trabalho de Blume tinha como principal meta desacreditar tudo o que havia sido feito pelos peritos anteriores. Ele defendia que todas as les&otilde;es na v&iacute;tima haviam sido causadas por animais que se alimentam de carne morta. &ldquo;<em>Isso n&atilde;o &eacute; imposs&iacute;vel, mas me parece um exagero, &eacute; for&ccedil;ar muito a barra. As aves terem comido os tecidos moles do rosto, por exemplo, &eacute; plaus&iacute;vel. Mas partir da&iacute; para animais que teriam provocado as les&otilde;es na barriga, eu j&aacute; acho dif&iacute;cil. &Eacute; bem claro, nesse caso, que se trata de um ferimento causado por um instrumento cortante<\/em>&rdquo;, diz Gaspar.<\/p>\n<p class=\"p1\">Para ele, tamb&eacute;m &eacute; bastante vis&iacute;vel que a amputa&ccedil;&atilde;o das m&atilde;os foi causada por a&ccedil;&atilde;o humana, j&aacute; que os membros foram removidos de forma sim&eacute;trica. &ldquo;<em>&Agrave;s vezes o laudo de Blume se apega a alguns detalhes que n&atilde;o necessariamente invalidam o que foi apresentado posteriormente. O que ele tem raz&atilde;o &eacute; que os laudos do local de cad&aacute;ver e necropsia realmente s&atilde;o vagos<\/em>&rdquo;, afirma.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>CORTE NO PESCO&Ccedil;O E ASFIXIA<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Um detalhe das confiss&otilde;es dos acusados n&atilde;o condizia com o estado em que o cad&aacute;ver foi encontrado: o corte no pesco&ccedil;o. Em diferentes ocasi&otilde;es, alguns dos suspeitos admitiram que teriam cortado o pesco&ccedil;o de Evandro durante o suposto ritual. Hoje sabemos que as confiss&otilde;es foram feitas sob tortura e n&atilde;o ajudam a solucionar o caso.<\/p>\n<p class=\"p1\">O fato &eacute; que essa les&atilde;o nunca foi confirmada oficialmente. Ent&atilde;o a principal pergunta &eacute;: nas fotos, no v&iacute;deo de necropsia, nos laudos de levantamento do corpo, &eacute; poss&iacute;vel ver o corte no pesco&ccedil;o?<\/p>\n<p class=\"p1\">No laudo de exame de necropsia, por exemplo, n&atilde;o h&aacute; nada que indique a exist&ecirc;ncia desse corte. Al&eacute;m disso, em v&aacute;rios depoimentos nos j&uacute;ris, o pr&oacute;prio Moraes e Silva afirma que o cad&aacute;ver n&atilde;o apresentava essa les&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p1\">O problema &eacute; que em um relat&oacute;rio do IML de Curitiba assinado por Silva e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/carlos-roberto-ballin\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico Legista\" class=\"encyclopedia\">Carlos Roberto Ballin<\/a>, a informa&ccedil;&atilde;o j&aacute; &eacute; outra. No documento, de 14 de julho de 1992, os dois respons&aacute;veis pelo exame respondem a uma s&eacute;rie de perguntas da Pol&iacute;cia Civil do Paran&aacute;. A finalidade era averiguar se os detalhes dados nas confiss&otilde;es &ndash; inclusive o corte no pesco&ccedil;o &ndash; correspondiam com o estado do corpo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/IML-confirma-laudo-compativel-com-relatos.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">DOWNLOAD Of&iacute;cio do IML confirmando compatibilidade dos relatos com estado do corpo<\/a><\/p>\n<p class=\"p1\">Uma das quest&otilde;es era a seguinte: &ldquo;<em>h&aacute; equival&ecirc;ncia entre as anota&ccedil;&otilde;es feitas no laudo de necropsia em 12 de abril de 1992 e os interrogat&oacute;rios dos suspeitos <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/osvaldo-marcineiro\/\" target=\"_self\" title='Leitor de b&uacute;zios, conhecido como \"pai-de-santo\" em Guaratuba' class=\"encyclopedia\">Osvaldo Marcineiro<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/vicente-de-paula-ferreira\/\" target=\"_self\" title=\"Ajudante e amigo de Osvaldo, era tamb&eacute;m conhecido como pai-de-santo\" class=\"encyclopedia\">Vicente de Paula Ferreira<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/davi-dos-santos-soares\/\" target=\"_self\" title=\"Artes&atilde;o de Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Davi dos Santos Soares<\/a> de 7 de julho&rdquo;<\/em>?<\/p>\n<p class=\"p1\">Ambos os m&eacute;dicos responderam que &ldquo;<em>existe perfeita correspond&ecirc;ncia entre as descri&ccedil;&otilde;es contidas nos depoimentos prestados com as les&otilde;es descritas no laudo<\/em>&rdquo;. As discrep&acirc;ncias entre esse documento, o exame de necropsia e os depoimentos de Moraes e Silva jamais foram explicadas de forma satisfat&oacute;ria.<\/p>\n<p class=\"p1\">Para o perito Gaspar, &eacute; dif&iacute;cil que os m&eacute;dicos tenham ignorado um ferimento como o corte no pesco&ccedil;o. &ldquo;<em>Eu n&atilde;o acho que esse tipo de les&atilde;o passaria batido pelos legistas. E n&atilde;o sei dizer por que existe essa contradi&ccedil;&atilde;o no documento do IML. O laudo de necropsia &eacute; muito incompleto, o que dificulta tudo&rdquo;, completa<\/em>.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em v&aacute;rias das confiss&otilde;es, os acusados afirmavam que tinham primeiro estrangulado Evandro e depois cortado o pesco&ccedil;o da v&iacute;tima. Para um olho treinado, a marca de estrangulamento &eacute; vis&iacute;vel tanto no v&iacute;deo de necropsia quanto nas fotos. Al&eacute;m disso, essa les&atilde;o consta no laudo de necropsia, diferentemente do corte.<\/p>\n<p class=\"p1\">Na fita VHS do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">grupo &Aacute;guia<\/a>, da Pol&iacute;cia Militar, Osvaldo diz que estrangularam o menino. Se essa fosse a &uacute;nica confiss&atilde;o existente, ela estaria de acordo com o que concluiu o laudo de necropsia. Mas esse n&atilde;o era o caso.<\/p>\n<p class=\"p1\">A confus&atilde;o fica ainda maior quando o relat&oacute;rio do IML declara que &ldquo;<em>a exist&ecirc;ncia de putrefa&ccedil;&atilde;o mais acentuada ao n&iacute;vel das regi&otilde;es materiais e posterior do pesco&ccedil;o evidencia a presen&ccedil;a de ferida produzida por instrumento corto-contundente<\/em>&rdquo;.<span class=\"Apple-converted-space\">&nbsp; <\/span>Instrumento corto-contundente &eacute; aquele que gera uma les&atilde;o por a&ccedil;&atilde;o dupla &ndash; tanto pelo gume do objeto quanto pela press&atilde;o que exerce. Os exemplos mais usuais s&atilde;o guilhotinas, machados, enxadas, fac&otilde;es e at&eacute; dentes.<\/p>\n<p class=\"p1\">Al&eacute;m da &aacute;rea mais necrosada em torno do pesco&ccedil;o, outro ind&iacute;cio sinalizava a asfixia como poss&iacute;vel causa da morte da crian&ccedil;a: os dentes rosados. A explica&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica &eacute; a seguinte: quando o sistema circulat&oacute;rio &eacute; exposto a uma tens&atilde;o muito forte, os vasos capilares da polpa dent&aacute;ria se rompem e o sangue que vaza concede uma cor rosada aos dentes de leite.<\/p>\n<p class=\"p1\">No laudo de necropsia l&ecirc;-se que Evandro &ldquo;<em>teve morte violenta com caracter&iacute;sticas de asfixia mec&acirc;nica<\/em>&rdquo;. A complica&ccedil;&atilde;o &eacute; que, segundo especialistas consultados para o podcast, h&aacute; sim sinais de que o garoto morreu asfixiado, mas n&atilde;o necessariamente de forma violenta.<\/p>\n<p class=\"p1\">De acordo com manuais de Medicina Legal, existem v&aacute;rios tipos de asfixia mec&acirc;nica: enforcamento, estrangulamento, esganadura (que seria tipicamente homicida) e at&eacute; afogamento. Para se determinar qual o tipo empregado a um corpo, deve-se analisar outros elementos, como os &oacute;rg&atilde;os internos e o estado do pesco&ccedil;o. No caso Evandro, no entanto, o que sobrou no cad&aacute;ver para essa avalia&ccedil;&atilde;o foram apenas os dentes rosados e a &aacute;rea necrosada ao redor do pesco&ccedil;o.<\/p>\n<p class=\"p1\">Em diversos momentos durante os depoimentos, o m&eacute;dico Francisco Moraes e Silva refor&ccedil;ava que a dificuldade em estabelecer a causa exata da morte se dava por conta do avan&ccedil;ado estado de decomposi&ccedil;&atilde;o do corpo. Algu&eacute;m esganou a crian&ccedil;a? Essa &eacute; a causa mais prov&aacute;vel. Pode ter sido acidente? Sim, apesar de pouqu&iacute;ssimo prov&aacute;vel. Por essa &oacute;tica, &eacute; poss&iacute;vel que a les&atilde;o na coxa esquerda, por exemplo, tenha provocado um grande sangramento e, como consequ&ecirc;ncia, causado o fen&ocirc;meno dos dentes rosados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>RETIRADA DAS V&Iacute;SCERAS<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Sobre a retirada das v&iacute;sceras do corpo, uma pergunta &eacute; sempre frequente: quem realizou os cortes sabia o que estava fazendo? Isso seria verific&aacute;vel nas les&otilde;es do abd&ocirc;men, do t&oacute;rax e das costelas.<\/p>\n<p class=\"p1\">De acordo com a acusa&ccedil;&atilde;o, os machucados teriam sido causados com instrumentos dispon&iacute;veis na serraria. Todos eles foram periciados na &eacute;poca e tra&ccedil;os de sangue n&atilde;o foram encontrados em nenhum deles. Mas como o ritual teria acontecido em abril e as pris&otilde;es apenas em julho, a promotoria dizia que muitas informa&ccedil;&otilde;es teriam se perdido nesse meio tempo.<\/p>\n<p class=\"p1\">De qualquer modo, novamente existem conflitos entre Drischel e Silva quando o assunto &eacute; a habilidade da pessoa que causou as les&otilde;es no corpo encontrado. Para o primeiro perito, os cortes nas costelas em movimento linear e criando degraus, como se fosse uma &ldquo;escada&rdquo;, indicam que o material usado seria uma esp&eacute;cie de tesoura de poda. Al&eacute;m disso, ele considerava o respons&aacute;vel bastante habilidoso, devido &agrave; simetria e a sequ&ecirc;ncia dos cortes na regi&atilde;o do abd&ocirc;men e do t&oacute;rax.<\/p>\n<p class=\"p1\">J&aacute; Marques e Silva defendia que as les&otilde;es foram produzidas por serras. Em depoimento prestado em 2004, ele afirma que se o suspeito fosse algu&eacute;m &ldquo;<em>especializado em abrir crian&ccedil;as<\/em>&rdquo;, certamente teria usado um bisturi para as cartilagens.<\/p>\n<p class=\"p1\">Essa guerra de narrativas jamais foi totalmente resolvida e, at&eacute; hoje, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber como exatamente os cortes foram feitos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>ESTADO DE DECOMPOSI&Ccedil;&Atilde;O<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">O estado avan&ccedil;ado de putrefa&ccedil;&atilde;o do corpo &eacute; outro elemento recorrente no caso. A acusa&ccedil;&atilde;o afirma que Evandro foi morto em 7 de abril e encontrado no dia 11. Diante dessa alega&ccedil;&atilde;o, h&aacute; quem acredite que o cad&aacute;ver achado no matagal estava muito decomposto para um espa&ccedil;o t&atilde;o curto de tempo entre os eventos.<\/p>\n<p class=\"p1\">A explica&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico Moraes e Silva para essa situa&ccedil;&atilde;o &eacute; bastante convincente, de acordo com especialistas. Ao ser questionado sobre o assunto durante o j&uacute;ri de 2004, ele afirma que o estado de decomposi&ccedil;&atilde;o do corpo procede em alguns elementos, mas em outros n&atilde;o. &ldquo;<em>Existem sinais de quatro dias? Existem. Existem sinais que n&atilde;o s&atilde;o de quatro dias? Existem tamb&eacute;m<\/em>&rdquo;, declarou na &eacute;poca.<\/p>\n<p class=\"p1\">Segundo ele, o avan&ccedil;o na putrefa&ccedil;&atilde;o em partes espec&iacute;ficas aponta que o corpo pode ter sido colocado em um lugar fechado por um tempo antes de ser jogado no matagal. Esse local poderia ser um porta-malas, por exemplo. Um espa&ccedil;o confinado tende a acelerar o processo de decomposi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p class=\"p1\">Existe aqui a hip&oacute;tese de que o corpo achado no mato teria sa&iacute;do de um necrot&eacute;rio. Segundo essa teoria, ele teria sido conservado em um freezer e apresentava at&eacute; mesmo marcas de congelamento, sem exalar cheiro.<\/p>\n<p class=\"p1\">Havia gente na &eacute;poca, como Drischel, que relatava que o cad&aacute;ver n&atilde;o tinha odor algum e que esse era um indicativo de que ele era antigo. Por outro lado, existem depoimentos de pessoas que sentiram o cheiro do corpo, como &eacute; o caso da delegada <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leila-bertolini\/\" target=\"_self\" title=\"Delegada do Grupo TIGRE\" class=\"encyclopedia\">Leila Bertolini<\/a>, do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-tigre\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo t&aacute;tico de elite da Pol&iacute;cia Civil do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo Tigre<\/a>. Ambas as vers&otilde;es foram repassadas em depoimentos durante os julgamentos.<\/p>\n<p class=\"p1\">J&aacute; sobre a queimadura de gelo, &eacute; importante frisar que ela s&oacute; ocorre em pessoas vivas, de acordo com especialistas. A marca que fica na carne congelada, por exemplo, n&atilde;o &eacute; exatamente uma queimadura. Essa desconfian&ccedil;a de que o corpo teria sinais de congelamento veio, mais uma vez, de Drischel. No j&uacute;ri de 2004, ele falou sobre a exist&ecirc;ncia de uma &ldquo;<em>subst&acirc;ncia esbranqui&ccedil;ada<\/em>&rdquo; na lateral esquerda do cad&aacute;ver, o que apontaria para a presen&ccedil;a da tal queimadura.<\/p>\n<p class=\"p1\">Contudo, Francisco Moraes e Silva, que era um dos m&eacute;dicos legistas, jamais levantou essa possibilidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>EXUMA&Ccedil;&Atilde;O<\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">Durante depoimento no j&uacute;ri de 2004, o m&eacute;dico Moraes e Silva faz uma pergunta interessante: se de fato ainda existiam d&uacute;vidas sobre a identidade do corpo, por que a defesa nunca pediu um novo exame com os dentes e o f&ecirc;mur do cad&aacute;ver, que estavam guardados no cofre do IML? Por que os advogados dos acusados, que sabiam da exist&ecirc;ncia desses materiais, sempre insistiram na exuma&ccedil;&atilde;o?<\/p>\n<p class=\"p1\">Segundo o promotor Paulo Markowicz, entrevistado para o podcast, a pr&oacute;pria acusa&ccedil;&atilde;o desconfiava que o cad&aacute;ver enterrado na cova de Evandro poderia ter sido retirado de l&aacute; em algum momento e substitu&iacute;do por outro. &ldquo;<em>N&atilde;o ficou um policial guardando o t&uacute;mulo o tempo todo. Havia essa suspeita, de que o corpo enterrado l&aacute; n&atilde;o era de Evandro. Ent&atilde;o n&oacute;s n&atilde;o ir&iacute;amos concordar com isso, porque a&iacute; o caso estaria acabado. Por que a defesa n&atilde;o quis fazer a exuma&ccedil;&atilde;o com os dentes e o osso? Eles n&atilde;o queriam, eles queriam cemit&eacute;rio<\/em>&rdquo;.<\/p>\n<p class=\"p1\">Como suporte dessa teoria, o promotor relembra a ossada de menina encontrada no mesmo matagal em Guaratuba em 1993. O cad&aacute;ver usava as roupas de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba no dia 15 de Fevereiro de 92\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>, que havia desaparecido um ano antes.<\/p>\n<p class=\"p1\">Aqui vale relembrar: a identidade da menina nunca foi descoberta e n&atilde;o h&aacute; nenhuma prova que confirme a suspeita da promotoria sobre a viola&ccedil;&atilde;o do t&uacute;mulo de Evandro. N&atilde;o h&aacute; certeza tamb&eacute;m se os dentes e o f&ecirc;mur ainda est&atilde;o no IML ou se j&aacute; foram destru&iacute;dos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p class=\"p1\"><b>POL&Ecirc;MICAS DO DR. FRANCISCO MORAES E SILVA <\/b><\/p>\n<p class=\"p1\">O m&eacute;dico Francisco Moraes e Silva, conhecido como &ldquo;Chico Louco&rdquo;, &eacute; uma das figuras mais pol&ecirc;micas envolvidas na per&iacute;cia do caso Evandro, por conta das contradi&ccedil;&otilde;es que o cercam. Em todos os depoimentos que prestou, ele dizia que as confiss&otilde;es dos acusados n&atilde;o batiam com o estado do corpo. S&oacute; que em 1992, o of&iacute;cio do IML que ele pr&oacute;prio assinou falava exatamente o contr&aacute;rio. Ele nunca conseguiu explicar essa hist&oacute;ria de maneira clara o suficiente.<\/p>\n<p class=\"p1\">No julgamento de 2005, a reputa&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico passou a ser questionada, artif&iacute;cio que foi utilizado pela defesa. Na ocasi&atilde;o, os advogados citavam que Silva havia sido processado e exonerado do cargo de diretor do IML de Curitiba por suspeita de abuso sexual e de venda de cad&aacute;veres a universidades.<\/p>\n<p class=\"p1\">Esses casos s&atilde;o relatados por jornais da &eacute;poca. O primeiro foi noticiado pela Folha de Londrina no dia 4 de fevereiro de 2000. A mat&eacute;ria afirma que <a href=\"https:\/\/www.folhadelondrina.com.br\/cidades\/diretor-do-iml-e-acusado-de-assedio-252756.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">duas adolescentes acusaram Silva de abuso durante exames.<\/a><\/p>\n<p class=\"p1\">Oito dias depois, nova reportagem na Folha de S&atilde;o Paulo informa que o ent&atilde;o diretor do IML havia sido afastado do cargo por causa de <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/cotidian\/ff1202200028.htm\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">supostas irregularidades na emiss&atilde;o de atestado de &oacute;bito<\/a>. Ele era suspeito de participar de um esquema que fraudava laudos para ficar com o dinheiro do seguro obrigat&oacute;rio, pago em caso de mortes no tr&acirc;nsito.<\/p>\n<p class=\"p1\">Mais uma den&uacute;ncia contra o m&eacute;dico &eacute; divulgada na revista Isto &Eacute; em 5 de julho de 2000. Agora ele era acusado de <a href=\"https:\/\/istoe.com.br\/29361_LICAO+DE+ANATOMIA\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">envolvimento em um sistema de venda de cad&aacute;veres para universidades da regi&atilde;o sul e sudeste do Brasil<\/a>. De acordo com a reportagem, &ldquo;pe&ccedil;as&rdquo; humanas eram vendidas a um valor de R$ 1,8 mil. O corpo era dividido em partes &ndash; cabe&ccedil;a, tronco e membros &ndash; e tinha os &oacute;rg&atilde;os e tecidos retirados e repartidos.<\/p>\n<p class=\"p1\">Mais recentemente, uma das &uacute;ltimas acusa&ccedil;&otilde;es que o ex-diretor do IML sofreu foi no caso de feminic&iacute;dio da fisiculturista Renata Muggiati, em 12 de setembro de 2015. A den&uacute;ncia d&aacute; conta de que <a href=\"https:\/\/globoplay.globo.com\/v\/6841928\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ele auxiliou na elabora&ccedil;&atilde;o de um laudo falso um m&ecirc;s ap&oacute;s a morte da v&iacute;tima<\/a>, sem ter acesso ao corpo ou aos exames complementares. O objetivo seria esconder a verdadeira causa da morte de Renata, que foi apontada como asfixia mec&acirc;nica. Inicialmente, a pol&iacute;cia tratou o caso como suic&iacute;dio, j&aacute; que ela caiu da janela do apartamento onde morava. Mais tarde, as investiga&ccedil;&otilde;es indicaram que ela teria sido morta e depois jogada do 31&ordm; andar pelo ent&atilde;o companheiro, o m&eacute;dico Raphael Suss Marques.<\/p>\n<p class=\"p1\">Ao que tudo indica, Silva virou r&eacute;u no caso, que correu em segredo de Justi&ccedil;a. Em mat&eacute;rias mais recentes, no entanto, apenas o outro m&eacute;dico envolvido, Daniel Colman, era citado como r&eacute;u. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber qual &eacute; o exato desfecho de cada acusa&ccedil;&atilde;o contra Marques e Silva.<\/p>\n<p class=\"p1\">&Eacute; importante refor&ccedil;ar que uma pessoa ter sido acusada de algo, ou mesmo cometido um crime anos depois dos eventos do caso Evandro, n&atilde;o significa necessariamente que houve m&aacute; conduta em 1992. Isso pode ou n&atilde;o ser ind&iacute;cio de algo.<\/p>\n<p class=\"p1\">Quando se olha para promotores, policiais e peritos, &eacute; dif&iacute;cil encontrar algu&eacute;m que n&atilde;o se envolveu em problemas ou pol&ecirc;micas ap&oacute;s 1992 &ndash; e, na maioria dos casos, &eacute; dif&iacute;cil provar qualquer coisa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quanto tempo?<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":564,"template":"","encyclopedia-category":[10],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/1349"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media\/564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=1349"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=1349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}