{"id":1087,"date":"2019-04-24T00:00:15","date_gmt":"2019-04-24T03:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/?post_type=encyclopedia&amp;p=1087"},"modified":"2019-04-24T00:00:15","modified_gmt":"2019-04-24T03:00:15","slug":"extras-episodio-16","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/linhas-do-tempo\/extras-episodio-16\/","title":{"rendered":"EXTRAS EPIS\u00d3DIO 16"},"content":{"rendered":"<p><b>14 DE ABRIL DE 1992 AT&Eacute; JULHO DE 1992<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/alcides-bittencourt-neto\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor do Caso Evandro antes das pris&otilde;es\" class=\"encyclopedia\">Alcides Bittencourt Neto<\/a> foi promotor do caso desde tr&ecirc;s dias ap&oacute;s o corpo ser encontrado no matagal at&eacute; o momento das pris&otilde;es. No momento que as pris&otilde;es ocorreram o promotor substituto <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/samir-barouk\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor substituto que assumiu o caso Evandro\" class=\"encyclopedia\">Samir Barouk<\/a> era o designado para o caso, j&aacute; que o Dr. Alcides estava de f&eacute;rias. Apesar disso ambos acompanharam o depoimento dos presos no dia dois de julho de 199, no quartel de Matinhos. L&aacute; tamb&eacute;m estava <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/carlos-roberto-dalcol\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor e testemunha de acusa&ccedil;&atilde;o nos j&uacute;ris\" class=\"encyclopedia\">Carlos Roberto Dal&rsquo;Col<\/a> por&eacute;m ele n&atilde;o acompanhou os depoimentos. Como o Dr. Alcides estava de f&eacute;rias quem acompanhou parte das dilig&ecirc;ncias policiais ap&oacute;s as pris&otilde;es foi o Dr. Barouk.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Dr. Barouk ficou pouco tempo no caso, no dia 3 de julho de 1992 assumia o promotor <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/antonio-cesar-cioffi-de-moura\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor de Curitiba designado para o caso Evandro ap&oacute;s as pris&otilde;es dos acusados\" class=\"encyclopedia\">Antonio Cesar Cioffi de Moura<\/a>, o mesmo que a Dra. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/isabel-kugler-mendes\/\" target=\"_self\" title=\"Elaborou os dossi&ecirc;s sobre alega&ccedil;&otilde;es de torturas\" class=\"encyclopedia\">Isabel Kugler Mendes<\/a> dizia ser um dos respons&aacute;veis pelas torturas que Osvaldo, Vicente e Davi teriam sofrido. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No <\/span><b>depoimento de 2004,<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Osvaldo chegou a citar o que o Dr. Cioffi teria feito com ele no pres&iacute;dio do Ah&uacute; em Curitiba.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Seguindo Osvaldo, o Dr. Cioffi chegou a dizer para ela que bastava ele confirmar a participa&ccedil;&atilde;o das Abagge no caso que ele estaria livre. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>28 DE JULHO DE 1992<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em uma audi&ecirc;ncia com a Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/anesia-edith-kowalski\/\" target=\"_self\" title=\"Ju&iacute;za da comarca de Guaratuba durante todo o desenrolar do caso Evandro\" class=\"encyclopedia\">An&eacute;sia Edith Kowalski<\/a> todos os acusados negaram participa&ccedil;&atilde;o no crime e alegaram torturas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>3 DE SETEMBRO DE 1992<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Dr. Cioffi envia &agrave; ju&iacute;za An&eacute;sia um pedido para que seja aberto na delegacia de pol&iacute;cia local o inqu&eacute;rito de investiga&ccedil;&otilde;es das alega&ccedil;&otilde;es de tortura. Apesar disso, ele deixa claro que acredita que n&atilde;o existem ind&iacute;cios suficientes para tal.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>9 DE NOVEMBRO DE 1992<\/b><\/p>\n<p><b><\/b><span style=\"font-weight: 400\">Dia da abertura do inqu&eacute;rito sob responsabilidade do delegado <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/valmir-soccio\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado da Pol&iacute;cia Civil de Paranagu&aacute;-PR\" class=\"encyclopedia\">Valmir Soccio<\/a>, de Paranagu&aacute;. Durante todo o inqu&eacute;rito ele fez uma s&eacute;rie de interrogat&oacute;rios com os envolvidos, incluindo os policiais do <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/policias\/grupo-aguia\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo da P-2, ag&ecirc;ncia de intelig&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Militar do PR\" class=\"encyclopedia\">Grupo &Aacute;guia<\/a>, os promotores, advogados, testemunhas, m&eacute;dicos etc.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>11 DE FEVEREIRO DE 1994<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um ano e meio ap&oacute;s as pris&otilde;es, o promotor Cioffi declarou num depoimentos para a ju&iacute;za An&eacute;sia que in&uacute;meras dilig&ecirc;ncias foram feitas mas que nada foi levantado de concreto. Ele tamb&eacute;m menciona o dossi&ecirc; &ldquo;Tortura Nunca Mais&rdquo; e de como havia um esfor&ccedil;o para que ele fosse levado ao Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a e para que isso ocorresse tal requisi&ccedil;&atilde;o deveria ser feita pela Procuradoria da Rep&uacute;blica do Paran&aacute;. Cioffi comentava que o caso n&atilde;o precisava ser passado para a esfera &nbsp;federal, uma vez que o Minist&eacute;rio P&uacute;blico estadual tinha compet&ecirc;ncia para resolver o caso e era o maior interessado na sua resolu&ccedil;&atilde;o. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ao final do documento ele pede uma extens&atilde;o do prazo, porque acreditava que era importante ter os depoimentos de duas testemunhas que at&eacute; aquele momento n&atilde;o haviam sido interrogadas. Essas testemunhas era &nbsp;os m&eacute;dicos legistas do IML: o Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/raul-de-moura-rezende\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico legista respons&aacute;vel pelo exame de les&otilde;es corporais\" class=\"encyclopedia\">Raul de Moura Rezende<\/a> e o Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/manabu-jojima\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico legista respons&aacute;vel pelo exame de les&otilde;es corporais\" class=\"encyclopedia\">Manabu Jojima<\/a>.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>14 E 19 DE ABRIL DE 1994<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/raul-de-moura-rezende\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico legista respons&aacute;vel pelo exame de les&otilde;es corporais\" class=\"encyclopedia\">Raul de Moura Rezende<\/a> e o Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/manabu-jojima\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico legista respons&aacute;vel pelo exame de les&otilde;es corporais\" class=\"encyclopedia\">Manabu Jojima<\/a> prestam os seus depoimentos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Aos olhos do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, representados na figura do Dr. Cioffi, n&atilde;o havia nenhum ind&iacute;cio que apontasse torturas. Com isso a defesa continua a argumentar o quanto &eacute; estranho o promotor designado para montar a acusa&ccedil;&atilde;o dos r&eacute;us ser o mesmo que acompanha o inqu&eacute;rito de alega&ccedil;&otilde;es de tortura contra eles. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O depoimentos dos dois m&eacute;dicos parece ter sido o ponto final para a conclus&atilde;o sobre as acusa&ccedil;&otilde;es de tortura. Uma vez que elas nada disseram e que de qualquer forma eles seguiram com os exames e n&atilde;o detectaram nada.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>25 DE MAIO DE 1994<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um pouco mais de um m&ecirc;s ap&oacute;s os depoimentos dos m&eacute;dicos a Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/elaine-sanches\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora do MPPR\" class=\"encyclopedia\">Elaine Sanches<\/a> &eacute; designada do inqu&eacute;rito sobre alega&ccedil;&otilde;es de tortura. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O pedido de arquivamento da Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/elaine-sanches\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora do MPPR\" class=\"encyclopedia\">Elaine Sanches<\/a> n&atilde;o foi encontrado mas &eacute; poss&iacute;vel ter-se uma ideia do que havia nele com base em dois outros documentos:<\/span><\/p>\n<ol>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Um relat&oacute;rio da Secretaria de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Paran&aacute; intitulado &ldquo;<a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/04\/Relatorio-sobre-Sindicancia-de-Torturas.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Comiss&atilde;o de Sindic&acirc;ncia<\/a>&rdquo;. Ele possui cerca de oito p&aacute;ginas e relata todos os dados, procedimentos e depoimentos obtidos durante a investiga&ccedil;&atilde;o do delegado <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/valmir-soccio\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado da Pol&iacute;cia Civil de Paranagu&aacute;-PR\" class=\"encyclopedia\">Valmir Soccio<\/a>. No geral o documento explicita que foi feito tudo que estava ao alcance &nbsp;e que com base no que foi obtido n&atilde;o havia motivo para acreditar nas alega&ccedil;&otilde;es de tortura.&nbsp;<\/span><\/li>\n<li style=\"font-weight: 400\"><span style=\"font-weight: 400\">Um dos advogados das Abagge, o Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/osmann-de-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa no j&uacute;ri de 98\" class=\"encyclopedia\">Osmann de Oliveira<\/a>, num documento datado de <\/span><b>23 de janeiro de 1998<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> e<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">endere&ccedil;ado a ju&iacute;za <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/marcelise-weber-lorite\/\" target=\"_self\" title=\"Ju&iacute;za no j&uacute;ri de 98\" class=\"encyclopedia\">Marcelise Weber Lorite<\/a>. Em certo momento do documento ele menciona o inqu&eacute;rito sobre torturas, &nbsp;mencionando o depoimento de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/acemar-silva\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico que atendeu as Abagge logo ap&oacute;s suas pris&otilde;es\" class=\"encyclopedia\">Acemar Silva<\/a>, um m&eacute;dico que atendeu as Abagge no dia da pris&atilde;o. Nesse depoimentos dele cita as manchas escuras nos dedos de Beatriz e tamb&eacute;m o estado f&iacute;sico de Celina. Osmann argumenta que n&atilde;o &eacute; suficiente a alega&ccedil;&atilde;o da Dr. Elaine sobre conhecer o Dr. Barouk e saber que ele n&atilde;o permitiria as torturas, uma vez que ele n&atilde;o acompanhou as Abagge durante todo o tempo no dia das pris&otilde;es e que ap&oacute;s as pris&otilde;es o promotor Cioffi teria manipulado o inqu&eacute;rito porque de acordo com relatos obtidos no dossi&ecirc; Tortura Nunca Mais ele tamb&eacute;m foi um &nbsp;dos torturadores, especialmente contra os homens. <\/span><\/li>\n<\/ol>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Porque os depoimentos dos dois m&eacute;dicos do IML e dos policiais parecem ter mais peso do que o depoimento das testemunhas que afirmam que viram marcas de sev&iacute;cias no corpo das Abagge?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No <\/span><b>julgamento de 2004<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> onde Osvaldo, Davi e Vicente foram considerados culpados, Isabel &eacute; questionada quantos casos o Conselho da Condi&ccedil;&atilde;o Feminina investigou, o caso das Abagge foi o &uacute;nico at&eacute; aquela data.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Segundo Osvaldo foi apenas na pris&atilde;o que ele foi amea&ccedil;ado pelo Dr. Cioffi, esse relato se encontra apenas no dossi&ecirc; Tortura Nunca Mais, na segunda vers&atilde;o datada do dia<\/span><b> 13 de julho de 1993<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. O dossi&ecirc; demorou para ser feito e a data que consta no depoimento de Osvaldo &eacute; <\/span><b>19 de fevereiro de 1993<\/b><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Cioffi teria chamado Osvaldo em uma sala do pres&iacute;dio e dito que sabia da inoc&ecirc;ncia dele e que arrumaria advogados e ficaria solto caso afirmasse que apenas as Abagge cometeram o crime. Ao se recusar a seguir as recomenda&ccedil;&otilde;es de Cioffi sofreu amea&ccedil;as. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Estaria Cioffi apenas disposto a provar que n&atilde;o houve tortura e que os acusados realmente eram culpados e por isso ele mesmo pediu a abertura do inqu&eacute;rito e fez o acompanhamento? Ou ele estaria tentando manipular a investiga&ccedil;&atilde;o?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os laudos de les&otilde;es corporais de Sergio Cristofolini e <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/airton-bardelli\/\" target=\"_self\" title=\"Gerente da serraria Abagge\" class=\"encyclopedia\">Airton Bardelli<\/a> n&atilde;o constam nos autos do processo apenas dos outros tr&ecirc;s homens e das Abagge ou ent&atilde;o n&atilde;o foram encontrados.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A estranheza que permanece: como o inqu&eacute;rito de investiga&ccedil;&atilde;o de tortura n&atilde;o levou em considera&ccedil;&atilde;o que Osvaldo n&atilde;o deveria estar no in&iacute;cio da fita cassete supostamente gravada no carro? Essa fita sumiu em algum momento do processo, a primeira men&ccedil;&atilde;o do seu sumi&ccedil;o ocorreu por volta de 1995. &Eacute; prov&aacute;vel que Soccio nunca ouviu a fita e durante a investiga&ccedil;&atilde;o apenas leu a transcri&ccedil;&atilde;o dela ou ouviu apenas os trechos que circulavam na imprensa na &eacute;poca.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>19 DE MAIO DE 1993<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No dossi&ecirc; Tortura Nunca Mais, pela primeira vez, Davi afirma com seguran&ccedil;a que a mulher com meias e sapatos vermelhos que viu no local enquanto era torturado seria a ju&iacute;za An&eacute;sia, ele tamb&eacute;m afirma que Di&oacute;genes estava no local e que posteriormente tamb&eacute;m o reconheceu pelos p&eacute;s. Essa riqueza de detalhes foi o que levou o juiz <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Etzel<\/span><span style=\"font-weight: 400\"> a perguntar para <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/isabel-kugler-mendes\/\" target=\"_self\" title=\"Elaborou os dossi&ecirc;s sobre alega&ccedil;&otilde;es de torturas\" class=\"encyclopedia\">Isabel Kugler Mendes<\/a> se ela achava isso estranho.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para a defesa tem import&acirc;ncia colocar a ju&iacute;za An&eacute;sia no local das torturas uma vez que responderia onde ela estava no dia 2 de julho de 1992, quando as Abagge foram presas. Porque ela n&atilde;o estava no F&oacute;rum onde deveria estar? E se isso realmente aconteceu qual seria o interesse da Dr. An&eacute;sia de prejudicar os homens e consequentemente as Abagge? Sendo que ela era amiga pr&oacute;xima da fam&iacute;lia?<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>J&Uacute;RI DE 2004 &ndash; OSVALDO E DAVI EXPLICAM COMO SE CONHECERAM E O QUE FAZIAM EM GUARATUBA ANTES DO CASO ACONTECER<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No j&uacute;ri de 2004, Osvaldo lembra que quando chegou em Guaratuba com sua companheira, no in&iacute;cio de 1992, ele queria um espa&ccedil;o na feira de artesanato local onde os dois poderiam trabalhar. Segundo ele havia uma esp&eacute;cie de fac&ccedil;&atilde;o que comandava a feira, com grande influ&ecirc;ncia de Di&oacute;genes Caetano, que n&atilde;o deixaram os dois exporem seu trabalho l&aacute;. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Di&oacute;genes na &eacute;poca queria lan&ccedil;ar sua candidatura &agrave; prefeitura e era inimigo de longa data da fam&iacute;lia Abagge, chegando a fazer panfletagem contra a gest&atilde;o de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/aldo-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Prefeito de Guaratuba em 1992\" class=\"encyclopedia\">Aldo Abagge<\/a>. Al&eacute;m disso quando Osvaldo, Andreia e Vicente quiseram transferir o t&iacute;tulo de eleitor para Guaratuba An&eacute;sia teria negado o pedido, justificando que os tr&ecirc;s estavam no partido errado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Davi era vice-presidente da Associa&ccedil;&atilde;o de Artes&atilde;os de Guaratuba e diz que foi assim que conheceu Osvaldo e todos os outros envolvido no caso. Juntos montaram um escrit&oacute;rio para a associa&ccedil;&atilde;o quando foram procurados por Celina, que precisava de assinaturas para homologar o PST na cidade. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Osvaldo nega que tinha um centro esp&iacute;rita e que realizava suas atividades de leitura de b&uacute;zios na sua tenda na sua casa, junto da sua companheira. Celina queria montar um diret&oacute;rio do PST, ent&atilde;o partido de Alvaro Dias que foi governador do Paran&aacute; entre 1987 e 1991 e com isso pretendia lan&ccedil;ar uma candidata &agrave; prefeitura. Esta elei&ccedil;&atilde;o foi disputada por Jos&eacute; Carlos de Miranda do PDC, partido de Di&oacute;genes, e foi vencida por Jos&eacute; Ananias dos Santos, do PDT, mesmo partido do vice de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/aldo-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Prefeito de Guaratuba em 1992\" class=\"encyclopedia\">Aldo Abagge<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Se a ju&iacute;za An&eacute;sia tinha inten&ccedil;&otilde;es de prejudicar as Abagge a motiva&ccedil;&atilde;o seria pol&iacute;tica e um ind&iacute;cio disso seria a dificuldade que Vicente, Osvaldo e sua companheira Andreia tiveram quando tentaram transferir seus t&iacute;tulos de eleitor para Guaratuba e consequentemente ajudando <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/celina-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Primeira-dama de Guaratuba em 1992\" class=\"encyclopedia\">Celina Abagge<\/a> a formar o diret&oacute;rio do PST. Osvaldo estava come&ccedil;ando a ganhar notoriedade na cidade com sua leitura de b&uacute;zios e Davi tinha influ&ecirc;ncia entre os artes&atilde;os, havendo a possibilidade a se lan&ccedil;arem como candidatos a vereador. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O delegado <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/luiz-carlos-de-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pela investiga&ccedil;&atilde;o de Leandro Bossi ap&oacute;s a pris&atilde;o dos 7 acusados\" class=\"encyclopedia\">Luiz Carlos de Oliveira<\/a> relatou no j&uacute;ri de 2004 que apesar da pr&oacute;pria ju&iacute;za <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/anesia-edith-kowalski\/\" target=\"_self\" title=\"Ju&iacute;za da comarca de Guaratuba durante todo o desenrolar do caso Evandro\" class=\"encyclopedia\">An&eacute;sia Edith Kowalski<\/a> ter designado ele para ser o delegado do caso ela come&ccedil;ou a causar dificuldades na sua investiga&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s o in&iacute;cio das investiga&ccedil;&otilde;es. Esse atrito pode ser confirmado no depoimento feito pelo delegado da pol&iacute;cia civil o Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/jose-maria-de-paula-correia\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado Geral da Pol&iacute;cia Civil do PR em 1992\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Maria de Paula Correia<\/a> no j&uacute;ri de 1998 e o motivo para o atrito seria porque o delegado Luiz Carlos estava construindo uma linha de investiga&ccedil;&atilde;o que poderia envolver o caso Evandro com o caso de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em Guaratuba no dia 15 de Fevereiro de 92\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> mas sem a participa&ccedil;&atilde;o das Abagge e dos outros acusados. Para que essa linha de investiga&ccedil;&atilde;o se aprofundasse era necess&aacute;rio que alguns suspeitos fossem mantidos presos, o que n&atilde;o ocorreu por determina&ccedil;&atilde;o da ju&iacute;za. Segundo Jos&eacute; Maria a Dr. An&eacute;sia n&atilde;o admitia nenhuma linha de investiga&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o levasse a incrimina&ccedil;&atilde;o das Abagge e que ela teria afirmado que foi enganada pela pol&iacute;cia civil do Paran&aacute;. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Todas essas afirma&ccedil;&otilde;es colocam em questionamento a idoneidade da ju&iacute;za e, consequentemente, de toda a investiga&ccedil;&atilde;o. Envolver An&eacute;sia nas pris&otilde;es e torturas poderia ser uma maneira de escapar dela e, talvez, fazer o caso cair nas m&atilde;os de algum ju&iacute;z sob a influ&ecirc;ncia de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/anibal-khury\/\" target=\"_self\" title=\"Presidente da Assembleia Legislativa do PR\" class=\"encyclopedia\">An&iacute;bal Khury<\/a>, que por sua vez era pr&oacute;ximo da fam&iacute;lia Abagge. Fosse ou n&atilde;o a inten&ccedil;&atilde;o em 1997 o caso foi desaforado de guaratuba e transferido para s&atilde;o jos&eacute; dos pinhais, caindo nas m&atilde;os da ju&iacute;za <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/marcelise-weber-lorite\/\" target=\"_self\" title=\"Ju&iacute;za no j&uacute;ri de 98\" class=\"encyclopedia\">Marcelise Weber Lorite<\/a>, que presidiu o julgamento de 1998 no qual as Abagge foram absolvidas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>AINDA SOBRE O GRUPO DE &ldquo;COISAS QUE OS R&Eacute;US PARECEM LEMBRAR AT&Eacute; DEMAIS&rdquo;: A CH&Aacute;CARA<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Tanto Osvaldo quanto Davi lembram desse caminho com uma descri&ccedil;&atilde;o muito rica de detalhes e senso de dire&ccedil;&atilde;o, apesar de estarem vendados e sob situa&ccedil;&atilde;o de estresse. Olhando os hist&oacute;ricos dos depoimentos dos sete acusados essa descri&ccedil;&atilde;o do trajeto &eacute; feita pela primeira vez por <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/celina-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Primeira-dama de Guaratuba em 1992\" class=\"encyclopedia\">Celina Abagge<\/a> na audi&ecirc;ncia feita no dia <\/span><b>28 de julho de 1992<\/b><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Anos depois, quando ainda estavam presas, as duas concederam uma entrevista para a jornalista <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/mira-gracano\/\" target=\"_self\" title=\"Jornalista da rede CNT por volta de 1995\" class=\"encyclopedia\">Mira Gra&ccedil;ano<\/a>. Nela, Celina descrevia parte do mesmo conte&uacute;do desse depoimento, dando detalhes do trajeto e as amea&ccedil;as que teria sofrido. Ela narra a estrada de pedra e as curvas feitas pelo carro, mesmo tendo passado o caminho todo vendada com a sua pr&oacute;pria blusa. Em determinados momentos, a blusa teria ca&iacute;do e ela teria conseguido olhar a casa sem obstru&ccedil;&otilde;es. Ela afirmava que, mais tarde, teria sido feita uma sindic&acirc;ncia, e que teriam descoberto que a casa pertencia ao pai de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/diogenes-caetano-dos-santos-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Engenheiro, primo de Evandro e ex-policial Civil\" class=\"encyclopedia\">Di&oacute;genes Caetano dos Santos Filho<\/a>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No <\/span><b>julgamento de 2004<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, quando foram julgados Osvaldo, Davi e Vicente, Beatriz foi uma das testemunhas. Em determinado momento do seu depoimento, ela confirmava a informa&ccedil;&atilde;o. Contudo, ela creditava tal descoberta &agrave; jornalista <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/mira-gracano\/\" target=\"_self\" title=\"Jornalista da rede CNT por volta de 1995\" class=\"encyclopedia\">Mira Gra&ccedil;ano<\/a> &ndash; mas &eacute; poss&iacute;vel conferir no v&iacute;deo da entrevista que a pr&oacute;pria Celina diz &agrave; jornalista que outras pessoas teriam descoberto isso.&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><em>Fita montada pela defesa para o julgamento de 1998. No in&iacute;cio do v&iacute;deo, s&atilde;o mostradas cenas das fitas gravadas no IML de Curitiba, no dia 3 de Julho de 1992, com textos montados pelos advogados de defesa, explicando o que seriam ali os ind&iacute;cios das amea&ccedil;as que os acusados teriam sofrido.<\/em><\/p>\n<p><em>Aos&nbsp;3min28seg,&nbsp;aparece Beatriz e Celina sendo entrevistadas no pres&iacute;dio, provavelmente em 1995, pela jornalista <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/mira-gracano\/\" target=\"_self\" title=\"Jornalista da rede CNT por volta de 1995\" class=\"encyclopedia\">Mira Gra&ccedil;ano<\/a>, na &eacute;poca na rede CNT.<\/em><\/p>\n<p><em>Aos 7min25seg, Celina come&ccedil;a a narrar o caminho para a ch&aacute;cara onde teriam sido torturadas.<\/em><\/p>\n<p><em>Aos 14min44seg,&nbsp;a fita termina com um trecho de uma mat&eacute;ria do Fant&aacute;stico (Rede Globo), no qual Beatriz e Celina relatam torturas.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No mesmo julgamento de 2004, ao responder perguntas da promotora <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/lucia-ines-giacomitti-andrich\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Paran&aacute;\" class=\"encyclopedia\">L&uacute;cia In&ecirc;s Giacomitti Andrich<\/a>, a testemunha de acusa&ccedil;&atilde;o <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/diogenes-caetano-dos-santos-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Engenheiro, primo de Evandro e ex-policial Civil\" class=\"encyclopedia\">Di&oacute;genes Caetano dos Santos Filho<\/a> alegava que todo mundo em Guaratuba sabia que seu pai tinha uma ch&aacute;cara em Cubat&atilde;o, regi&atilde;o onde Celina narra que teria sido levada. Isso seria not&oacute;rio porque, segundo ele, n&atilde;o apenas seu pai era conhecido por ser o ex-prefeito, como tamb&eacute;m aquela era uma regi&atilde;o frequentada apenas por moradores locais, n&atilde;o sendo nenhum turista.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Arquivamento<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":564,"template":"","encyclopedia-category":[10],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/1087"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media\/564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1087"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=1087"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=1087"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}