{"id":1045,"date":"2019-04-03T00:00:21","date_gmt":"2019-04-03T03:00:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/?post_type=encyclopedia&amp;p=1045"},"modified":"2019-04-03T00:00:21","modified_gmt":"2019-04-03T03:00:21","slug":"extras-episodio-13","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/linhas-do-tempo\/extras-episodio-13\/","title":{"rendered":"EXTRAS EPIS\u00d3DIO 13"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">As defesas dos sete r&eacute;us se apoiam em quatro teses principais:<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\">1) As pris&otilde;es foram ilegais;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">2) Tiveram como base uma arma&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica feita por <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/diogenes-caetano-dos-santos-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Engenheiro, primo de Evandro e ex-policial Civil\" class=\"encyclopedia\">Di&oacute;genes Caetano dos Santos Filho<\/a>;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">3) As confiss&otilde;es foram obtidas sob tortura;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">4) N&atilde;o h&aacute; provas de que o corpo encontrado no matagal no dia <\/span><b>11 de abril <\/b><span style=\"font-weight: 400\">era mesmo de Evandro.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Apesar das alega&ccedil;&otilde;es de tortura seram bem convincentes, em <\/span><b>2004<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Osvaldo, Davi e De Paula foram condenados. Beatriz e sua m&atilde;e foram as primeiras a serem julgadas em <\/span><b>1998<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> e foram absolvidas. Vale dizer que este julgamento de <\/span><b>1998<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> durou 34 dias, entrando na hist&oacute;ria do judici&aacute;rio brasileiro como o j&uacute;ri mais longo do pa&iacute;s. Ap&oacute;s o veredito o minist&eacute;rio p&uacute;blico recorreu e conseguiu anular o julgamento anos se passaram e celina completou 70 anos de idade, fazendo com que o tempo de prescri&ccedil;&atilde;o de crimes ca&iacute;sse pela metade para ela. Beatriz n&atilde;o escapou de um novo j&uacute;ri e foi condenada em <\/span><b>2011<\/b><span style=\"font-weight: 400\">.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As quatro teses apresentadas pela defesa apresentam discrep&acirc;ncias, que foram muito bem exploradas pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico nos j&uacute;ris e foi isso que levou a condena&ccedil;&atilde;o dos acusados. As estranhezas s&atilde;o mais claras quando analisamos o caso como um todo, analisando as mais de <\/span><b>20 mil p&aacute;ginas<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> do processo e comparando os relatos dos envolvidos e todas elas possuem diversas explica&ccedil;&otilde;es tanto para a defesa quanto para a acusa&ccedil;&atilde;o. A acusa&ccedil;&atilde;o diz que todos os setes acusados est&atilde;o mentindo enquanto a defesa apresenta o argumento de que eles fizeram relatos de mem&oacute;rias, estavam sob estresse e provavelmente foram drogados no processo. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As estranhezas podem ser divididas em quatro grupos principais, que ser&atilde;o apresentados em epis&oacute;dios futuros. O primeiro deles:<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>DETALHES QUE DIVERGEM<\/b><b><br>\n<\/b><span style=\"font-weight: 400\">As inconsist&ecirc;ncias s&oacute; aparecem quando vemos o processo como um todo, podendo causar estranheza em alguns jurados. A primeira &eacute; referente &agrave;<\/span><b> pris&atilde;o de <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/osvaldo-marcineiro\/\" target=\"_self\" title='Leitor de b&uacute;zios, conhecido como \"pai-de-santo\" em Guaratuba' class=\"encyclopedia\">Osvaldo Marcineiro<\/a><\/b><span style=\"font-weight: 400\">, ocorrida no dia <\/span><b>1&ordm; de julho de 1992.<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Osvaldo relata que foi chamado no port&atilde;o por alguns homens, que queriam fazer uma consulta aos b&uacute;zios. Ao terem o pedido negado chamam Osvaldo mais uma vez, jogam o homem em um carro e fazem o seu rapto. Na narrativa de Osvaldo em nenhum momento os<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">homens se identificaram como policiais. Beatriz narra esses eventos de outra forma. Ela estava na festa do filho de S&eacute;rgio quando Silvia, sua irm&atilde; mais nova, diz que haviam fiscais da prefeitura procurando por Osvaldo. Beatriz estava do lado de fora com seus filhos e entra na casa, quando escuta a esposa de Osvaldo, Andreia, gritar que haviam prendido o Osvaldo. <\/span> <span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Se os homens nunca se identificaram como policiais como Andreia poderia saber quem eles eram? Como ela sabia que ele foi preso e contou isso para Beatriz? Os homens se identificaram como fiscais da prefeitura como relata Beatriz ou apenas queriam uma leitura de b&uacute;zios, de acordo com o depoimento de Osvaldo? S&eacute;rgio tamb&eacute;m relata ter ido at&eacute; Matinhos procurar por Osvaldo. Como ele sabia que ele estava l&aacute;? Quem passou essa informa&ccedil;&atilde;o para ele? A &uacute;nica certeza que podemos ter &eacute; que S&eacute;rgio parece justificar que essa foi a sua primeira ida at&eacute; Matinhos e foi isso que fez os policiais relacionarem ele ao crime. <\/span> <span style=\"font-weight: 400\"> &nbsp;<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><br>\n<\/span><b>O DEPOIMENTO DE ANDREA<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ap&oacute;s as pris&otilde;es Andreia foi a primeira a prestar depoimento &agrave; pol&iacute;cia, no dia<\/span><b> 10 de julho de 1992<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Seu depoimento &eacute; considerado uma das pe&ccedil;as mais interessantes do processo, afinal &eacute; algu&eacute;m que apesar de ter alguma estima por Osvaldo tamb&eacute;m demonstra preocupa&ccedil;&atilde;o com ele.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nesse depoimento ela n&atilde;o aponta Osvaldo como culpado mas d&aacute; ind&iacute;cios que n&atilde;o ajudam Osvaldo, em determinado momento, ela diz que &ldquo;Osvaldo recebe a entidade Z&eacute; Pelintra e essa entidade falou a Andreia que Osvaldo gostava muito dela e que se ela o deixasse Osvaldo ia sofrer a chorar l&aacute;grimas de sangue o resto da sua vida&rdquo;. Nesse depoimento tamb&eacute;m consta que Osvaldo &agrave;s vezes ficava violento com ela e chegou a agredi-la fisicamente por ci&uacute;mes, o que deixou Andreia com medo de terminar o relacionamento. No dia <\/span><b>21 de julho de 1992 <\/b><span style=\"font-weight: 400\">Andreia d&aacute; outro depoimento, repetindo as mesmas informa&ccedil;&otilde;es com mais detalhes. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">E sobre a noite do <\/span><b>dia sete de abril<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, a noite onde supostamente o ritual foi feito, ela diz que l&aacute; pelas <\/span><b>18:00 ou 19:00<\/b><span style=\"font-weight: 400\">, Beatriz e outras pessoas estavam na casa de dela e de Osvaldo. Em algum momento Beatriz saiu com o seu carro e Osvaldo e De Paula sa&iacute;ram pouco depois. Ela n&atilde;o sabe se eles foram para o mesmo lugar mas lembra que os dois homens estavam vestidos de branco e, de acordo com seu depoimento, essas roupas brancas eram o tipo de vestimenta que eles usavam para a realiza&ccedil;&atilde;o de trabalhos de sacrif&iacute;cio de animais. Para piorar a situa&ccedil;&atilde;o de Osvaldo, ela diz que na noite do dia<\/span><b> 7 de abril <\/b><span style=\"font-weight: 400\">n&atilde;o acompanhou os r&eacute;us De Paula, Osvaldo e Davi a um bar pr&oacute;ximo da delegacia, contrariando o que eles falaram em seus &aacute;libis. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Andreia soube da men&ccedil;&atilde;o do bar porque recebeu um telefonema de uma mulher que n&atilde;o se identificou e afirmou ser funcion&aacute;ria do local onde os r&eacute;us estavam presos, o pres&iacute;dio do Ah&uacute; em Curitiba. A mulher pedia roupas para Osvaldo e passou o recado que ele lhe pedia para lembrar que estiveram juntos nesse bar no dia <\/span><b>7 de abril<\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Andreia e Osvaldo realmente foram comer juntos nesse bar por&eacute;m em outra ocasi&atilde;o, uma vez que dia <\/span><b>7 de abril<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> era uma ter&ccedil;a-feira, dia de oferendas, envolvendo compromisso com os clientes.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>BEATRIZ OU SHEILA?<\/b><b><br>\n<\/b><span style=\"font-weight: 400\">Beatriz sempre diz que os policiais entraram na sua casa no dia <\/span><b>2 de julho <\/b><span style=\"font-weight: 400\">procurando pela psic&oacute;loga, que seria a sua irm&atilde; Sheila, de forma a citar indiretamente a den&uacute;ncia de Di&oacute;genes, sugerindo que tudo n&atilde;o passou de uma arma&ccedil;&atilde;o dele. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Duas pessoas tamb&eacute;m presenciaram essa cena na casa dos Abagge: <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/airton-bardelli\/\" target=\"_self\" title=\"Gerente da serraria Abagge\" class=\"encyclopedia\">Airton Bardelli<\/a> e o advogado <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/silvio-bonone\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado da prefeitura de Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Silvio Bonone<\/a>. Em seus depoimentos eles dizem que os policiais entraram na casa dizendo que estavam l&aacute; para prender Celina e Beatriz. No depoimento de Bonone no j&uacute;ri de 1998 ele declara que na casa os policiais entraram procurando por Beatriz e seguravam um papel indicando que Beatriz seria psic&oacute;loga. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>SOBRE CASA DAS TORTURAS<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Osvaldo diz que viu Beatriz sem roupa tomando choques, Beatriz confirma que isso aconteceu pois foi quando percebeu que Osvaldo estava na casa, chegando inclusive a tentar bater nele quando ele pediu para ela assumir sua participa&ccedil;&atilde;o no crime. Por&eacute;m no relato de Beatriz sobre as torturas ela afirma que s&oacute; levou os choques ap&oacute;s se v<a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/estir\/\" target=\"_self\" title=\"Vidente de Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">estir<\/a> novamente, sendo for&ccedil;ada a confessar sobre o crime, e que por estar vendada n&atilde;o sabia o que estava acontecendo ao seu redor mas conseguia ouvir o barulho de algo que parecia um gravador. No depoimento de Osvaldo ele diz viu Beatriz levando choques durante a grava&ccedil;&atilde;o da fita, o que faria sentido uma vez que ele aparece no in&iacute;cio da grava&ccedil;&atilde;o da fita cassete. Por&eacute;m n&atilde;o faz sentido ele dizer que s&oacute; viu Beatriz no momento que ela estava sendo torturada e que ela estaria nua naquele instante. Um deles pode ter feito confus&atilde;o sobre os acontecimentos ou at&eacute; mesmo os dois podem estar confusos. Ou ent&atilde;o eles podem estar mentindo. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>SOBRE AS PRIS&Otilde;ES DE CRISTOFOLINI E BARDELLI<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Cristofolini sempre afirmou que era apenas &ldquo;um n&uacute;mero&rdquo; no caso todo. No dia<\/span><b> 3 de julho,<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> quando foi levado para o quartel, ele ouviu l&aacute; dentro um grupo de promotores, procuradores e advogados dizendo que o caso tinha estourado na m&iacute;dia e que &ldquo;tinha que ser sete mesmo&rdquo; e n&atilde;o dava mais esperar.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ambos foram citados nos depoimentos de Davi, Osvaldo e Vicente em Matinhos, realizados na <\/span><b>madrugada do dia 2 para o dia 3 de julho de 1992.<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> Por isso o depoimentos dos dois dizendo &ldquo;vai esses sete mesmo&rdquo; n&atilde;o parece fazer sentido. A n&atilde;o ser levando em conta que as declara&ccedil;&otilde;es feita pelos tr&ecirc;s homens tenham sido de alguma forma adulteradas. E mesmo que isso tenha acontecido, na coletiva de imprensa realizada no dia 3 de julho, eles j&aacute; citam Cristofolini e Bardelli. Essa coletiva foi realizada de tarde, quando os dois j&aacute; estavam detidos no quartel em Matinhos. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>SEGUNDO GRUPO: COISAS QUE S&Atilde;O DIF&Iacute;CEIS DE ACREDITAR QUE OCORRERAM COMO OS ACUSADOS RELATAM<\/b><\/p>\n<p><b>OS LAUDOS DE LES&Otilde;ES CORPORAIS<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Beatriz e Celina dizem que ap&oacute;s as torturas ambas estavam evacuadas e urinadas por&eacute;m quando vemos os v&iacute;deos feitos ap&oacute;s as pris&otilde;es das duas &eacute; dif&iacute;cil notar qualquer ind&iacute;cio de que isso possa ter ocorrido. No v&iacute;deo onde elas assinam o mandado de pris&atilde;o, Celina est&aacute; com um casaco sob o colo (<em>a partir dos 33 minutos do v&iacute;deo abaixo<\/em>). As defesas alegam que ela colocou o casaco no colo para esconder a sujeira da sua cal&ccedil;a, ainda no mesmo v&iacute;deo quando algu&eacute;m aparece ao lado dela ou por perto n&atilde;o demonstra qualquer desconforto com o cheiro. Grande parte das testemunhas que confirmam o estado delas s&atilde;o testemunhas de defesa, o que pode ter levantados suspeitas nos jurados. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center\">\n<\/p><p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Beatriz afirma que os choques deixaram marcas pretas nos dedos e que ela teria essas marcas at&eacute; hoje. No v&iacute;deo do ferry boat ela leva as m&atilde;os ao rosto e n&atilde;o podemos ver as tais marcas. Nessa fita tamb&eacute;m n&atilde;o podemos ver o machucado no seu rosto &ndash; por&eacute;m, ambos est&atilde;o registrados no laudo de exames de les&otilde;es corporais realizado no dia seguinte no IML de Curitiba. Talvez a qualidade do v&iacute;deo seja apenas baixa e n&atilde;o capturaram as marcas nos seus dedos e rosto. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/04\/Laudos-Lesoes-Corporais.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[DOWNLOAD] Laudos Les&otilde;es Corporais IML (3 de julho 1992)<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-content\/uploads\/sites\/2\/2019\/04\/Laudo-Marcas-Dedos-Beatriz.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[DOWNLOAD] Laudo Marcas Dedos Beatriz (J&uacute;ri 2011)<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Nos exames de les&otilde;es corporais dos sete r&eacute;us n&atilde;o est&atilde;o claros que as les&otilde;es registradas s&atilde;o resultado de tortura. Os r&eacute;us alegam que os exames est&atilde;o desse jeito porque foram proibidos de falar qualquer coisa para os m&eacute;dicos. Essa acusa&ccedil;&atilde;o pode soar plaus&iacute;vel para leigos por&eacute;m para m&eacute;dicos e criminalistas &eacute; dif&iacute;cil de acreditar que isso aconteceria. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Quando foram presas as duas contavam com a presen&ccedil;a de dois advogados que assinaram suas declara&ccedil;&otilde;es sob protesto mas ao serem levadas para Curitiba tiveram que arranjar um novo advogado. Ent&atilde;o que entraram em contato com o advogado Dr. D&aacute;lio Zippin, foi ele quem conseguiu fazer com que elas n&atilde;o participassem da coletiva de imprensa e tamb&eacute;m foi ele quem acompanhou elas at&eacute; o IML e sugeriu que ela n&atilde;o falassem nada para o examinador. Na &eacute;poca exame de les&atilde;o corporal n&atilde;o era comum, ele teve que fazer um requerimento no dia <\/span><b>3 de julho <\/b><span style=\"font-weight: 400\">e foi realizado nesse mesmo dia. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O m&eacute;dico pergunta porque a pessoa est&aacute; fazendo aquele exame e se ela tem alguma les&atilde;o que gostaria de mostrar. Naquela ocasi&atilde;o dois m&eacute;dicos foram respons&aacute;veis por esses exames: os homens foram examinados pelo Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/manabu-jojima\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico legista respons&aacute;vel pelo exame de les&otilde;es corporais\" class=\"encyclopedia\">Manabu Jojima<\/a> e as Abagge foram examinadas pelo Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/raul-de-moura-rezende\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico legista respons&aacute;vel pelo exame de les&otilde;es corporais\" class=\"encyclopedia\">Raul de Moura Rezende<\/a>.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O laudo de Osvaldo &eacute; mais um momento que ele confessa o crime, descrevendo o trabalho de sacrif&iacute;cio que teria feito com Evandro, o laudo aponta algumas escoria&ccedil;&otilde;es mas nada que configurasse tortura. Nos laudos das Abagge, as &uacute;nicas que estavam com um advogado naquele momento, encontramos respostas muito parecidas nas suas declara&ccedil;&otilde;es. Tendo em vista que j&aacute; haviam declarado na noite anterior que haviam sido torturadas esse era o momento que isso poderia ser comprovado. Foi constatado apenas cortes e pequenas escoria&ccedil;&otilde;es na regi&atilde;o do rosto e pesco&ccedil;o das duas. As duas se recusaram a responder porque estavam fazendo o exame de les&otilde;es corporais. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Por conta das alega&ccedil;&otilde;es de tortura foi aberto um inqu&eacute;rito de investiga&ccedil;&atilde;o para constatar se havia algum tipo de sev&iacute;cia. Durante a investiga&ccedil;&atilde;o o Dr. <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/raul-de-moura-rezende\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico legista respons&aacute;vel pelo exame de les&otilde;es corporais\" class=\"encyclopedia\">Raul de Moura Rezende<\/a> que examinou as duas, foi interrogado. Sua declara&ccedil;&atilde;o foi prestada dia <\/span><b>14 de abril de 1994<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> ele dizia que no dia <\/span><b>3 de julho de 1992<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> ele estava de plant&atilde;o no IML quando no per&iacute;odo da tarde &nbsp;foram conduzidas at&eacute; ele as Abagge. Na ocasi&atilde;o ficou na sala junto com &nbsp;<a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/manabu-jojima\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico legista respons&aacute;vel pelo exame de les&otilde;es corporais\" class=\"encyclopedia\">Manabu Jojima<\/a>, uma policial militar e inicialmente <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/personagens\/celina-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Primeira-dama de Guaratuba em 1992\" class=\"encyclopedia\">Celina Abagge<\/a>. Raul teria perguntado para ela o que havia acontecido e ela teria permanecido calada, at&eacute; que indagada pela terceira vez respondeu que seu advogado havia dado ordens para ela n&atilde;o dizer nada. Diante de seu sil&ecirc;ncio Raul decidiu examin&aacute;-la por inteiro e assim que examinou todo o seu corpo minuciosamente ele constatou apenas a presen&ccedil;a de uma pequena escoria&ccedil;&atilde;o, conforme consta no laudo. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em seguida Beatriz tamb&eacute;m foi examinada e permaneceu igualmente calada e ele seguiu com o mesmo procedimento e, ap&oacute;s insist&ecirc;ncia do m&eacute;dico, ela respondeu que o advogado mandou ele olhar seu rosto e seus dedos polegares. Jojima examinou todo seu corpo e gra&ccedil;as ao comportamento de Beatriz foi solicitada a presen&ccedil;a do diretor do IML, o Dr. Marcos Parreira. Fora as les&otilde;es descritas no laudo nenhuma outra les&atilde;o foi detectada no corpo de Beatriz. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Sobre a comiss&atilde;o de <\/span><span style=\"font-weight: 400\">sindic&acirc;ncia q<\/span><span style=\"font-weight: 400\">ue pretendia investigar as torturas h&aacute; um relat&oacute;rio final da Secretaria de Estado de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica datado de <\/span><b>27 de dezembro de 1994<\/b><span style=\"font-weight: 400\"> onde consta a que as den&uacute;ncias feitas pelas Abagge n&atilde;o tem resson&acirc;ncia positiva nos autos uma vez que ambas afirmaram ao serem examinadas no IML que n&atilde;o tinham nada para relatar pois haviam recebido orienta&ccedil;&atilde;o de seu advogado a ficarem caladas.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">D&aacute;lio afirma que no primeiro contato que teve com as Abagge elas n&atilde;o fizeram nenhuma men&ccedil;&atilde;o a terem sido torturadas. Ele tamb&eacute;m lembra que Beatriz afirmou ter colocado um absorvente num canto do local onde os policiais levaram ela e a m&atilde;e para provar que esteve ali. D&aacute;lio acredita que elas n&atilde;o falaram sobre a tortura para ele porque de fato n&atilde;o foram torturadas, uma vez que n&atilde;o apresentavam nenhuma les&atilde;o e t&atilde;o pouco relataram tais fatos para ele quando tiveram oportunidade.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Exames de Les\u00f5es Corporais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":564,"template":"","encyclopedia-category":[10],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/1045"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media\/564"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1045"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=1045"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-evandro\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=1045"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}