{"id":425,"date":"2023-12-19T00:05:00","date_gmt":"2023-12-19T03:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/?post_type=encyclopedia&#038;p=425"},"modified":"2023-12-21T09:37:07","modified_gmt":"2023-12-21T12:37:07","slug":"extras-episodio-08","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/extras-episodio-08\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 08"},"content":{"rendered":"\n<p>No epis&oacute;dio anterior, o Dr. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/denis-lino\/\" target=\"_self\" title=\"Psic&oacute;logo investigativo consultado pelo Projeto Humanos\" class=\"encyclopedia\">Denis Lino<\/a> comentou com Ivan Mizanzuk que &eacute; preciso tomar cuidado com o <em>wishful thinking<\/em>. Traduzido do ingl&ecirc;s, esse termo significa algo como &ldquo;pensamento desejoso&rdquo;, e &eacute; sempre um risco existente em investiga&ccedil;&otilde;es criminais. &Eacute; basicamente quando se quer muito acreditar em alguma coisa para que ela se encaixe na solu&ccedil;&atilde;o que est&aacute; pensando.<\/p>\n\n\n\n<p>Por anos, Ivan tomou o m&aacute;ximo de cuidado para evitar esse risco. E agora, no momento de conclus&atilde;o dessa temporada, e de certa forma da trilogia que envolve Evandro, Altamira e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>, ele precisa retomar a sinceridade que deixou clara no epis&oacute;dio anterior e dizer que, apesar de todos os esfor&ccedil;os, ainda h&aacute; muitas lacunas a serem preenchidas sobre os crimes contra Sandra, Leandro e Evandro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, tendo em vista que os assassinatos j&aacute; est&atilde;o prescritos e n&atilde;o ser&atilde;o mais investigados, Ivan se sente obrigado a fornecer uma hip&oacute;tese mais aprofundada do que acredita que tenha acontecido. E ele se v&ecirc; obrigado a fazer isso porque, a bem da verdade, por d&eacute;cadas esses crimes foram vistos pelo &acirc;ngulo errado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse esfor&ccedil;o, o que ele espera trazer &eacute; uma hip&oacute;tese que tenta colocar esses casos de volta nos trilhos de onde nunca deveriam ter sa&iacute;do. E assim, quem sabe, todos podem ficar mais atentos a informa&ccedil;&otilde;es novas e relevantes que surjam no futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, segundo Ivan, tratam-se de casos em que o assassino primeiramente abordou essas crian&ccedil;as com o interesse de abus&aacute;-las sexualmente e, em seguida, as mutilou com o intuito de dificultar a localiza&ccedil;&atilde;o delas ou por algum ritual pr&oacute;prio.<\/p>\n\n\n\n<p>No caso de Sandra, ele n&atilde;o foi t&atilde;o longe. Mas, no de Leandro e Evandro, ap&oacute;s tr&ecirc;s anos, o modus operandi e a assinatura teriam evolu&iacute;do. E, pelas t&eacute;cnicas de cortes, o respons&aacute;vel pode ter tanto um conhecimento pr&eacute;vio de necrot&eacute;rio ou de ca&ccedil;a e abate de animais.<\/p>\n\n\n\n<p>Por se tratar de abuso contra menores, Ivan precisava entender melhor sobre esse tema. Por sorte, recebeu o contato de uma psic&oacute;loga, a Dra. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/ligia-assis\/\" target=\"_self\" title=\"Psic&oacute;loga consultada pelo Projeto Humanos\" class=\"encyclopedia\">L&iacute;gia Assis<\/a>, de Curitiba, que atende em uma ONG chamada F&ecirc;nix. Entre v&aacute;rias frentes, essa ONG &eacute; especializada justamente em trabalhar com autores de viol&ecirc;ncia que podem ou n&atilde;o possuir o diagn&oacute;stico de pedofilia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>UM TEMPO PARA TAL PALAVRA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Dra. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/ligia-assis\/\" target=\"_self\" title=\"Psic&oacute;loga consultada pelo Projeto Humanos\" class=\"encyclopedia\">L&iacute;gia Assis<\/a> &eacute; psic&oacute;loga formada na Pontif&iacute;cia Universidade Cat&oacute;lica do Paran&aacute; (PUCPR), possui especializa&ccedil;&atilde;o em Terapia Cognitivo Comportamental e faz atualmente P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o em Psicologia Jur&iacute;dica, tamb&eacute;m pela PUCPR.<\/p>\n\n\n\n<p>Conversando com ela, Ivan queria entender melhor o que torna algu&eacute;m um ped&oacute;filo, e qual a diferen&ccedil;a desse tipo de classifica&ccedil;&atilde;o para um abusador sexual. Afinal, pelo pouco que Ivan sabia de pesquisas anteriores, pedofilia &eacute; um diagn&oacute;stico. A pessoa pode ter o desejo por menores de idade, mas nunca cometer nenhum abuso. O crime s&oacute; ocorre quando essa pessoa visa satisfazer a sua vontade. Ent&atilde;o, seguindo essa d&uacute;vida, a Dra. L&iacute;gia respondeu o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: O ped&oacute;filo basicamente &eacute; uma pessoa que precisa ter recebido no diagn&oacute;stico o crit&eacute;rio de pelo menos durante seis meses uma atra&ccedil;&atilde;o por crian&ccedil;as e principalmente crian&ccedil;as pr&eacute;-p&uacute;beres. Ou seja, crian&ccedil;as que n&atilde;o t&ecirc;m corpo desenvolvido, n&atilde;o t&ecirc;m pelos pubianos. Ele precisa tamb&eacute;m apresentar ou um sofrimento muito intenso para ele, ou um sofrimento muito intenso para essas crian&ccedil;as. O ped&oacute;filo tamb&eacute;m pode ser uma pessoa que n&atilde;o necessariamente tem um desejo estritamente por crian&ccedil;as, porque da&iacute; ele entra como ped&oacute;filo situacional, mas ele tamb&eacute;m pode ser o ped&oacute;filo preferencial, que no caso &eacute; atra&iacute;do apenas por crian&ccedil;as. &Eacute; uma condi&ccedil;&atilde;o de um transtorno paraf&iacute;lico que tamb&eacute;m pode ter outras comorbidades. Como a comorbidade do transtorno de personalidade antissocial e o transtorno s&aacute;dico tamb&eacute;m.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o manual MSD para profissionais de sa&uacute;de:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Transtornos paraf&iacute;licos s&atilde;o fantasias, impulsos ou comportamentos<\/em> <em>recorrentes, intensos e excitantes sexualmente que causam sofrimento ou<\/em> <em>incapacita&ccedil;&atilde;o e que envolvem objetos inanimados, crian&ccedil;as ou outros adultos<\/em> <em>n&atilde;o consentidores, sofrimento ou humilha&ccedil;&atilde;o de si mesmo ou do parceiro com<\/em> <em>potencial para causar dano<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.msdmanuals.com\/pt-br\/profissional\/transtornos-psiqui%C3%A1tricos\/transtornos-paraf%C3%ADlicos\/vis%C3%A3o-geral-dos-transtornos-paraf%C3%ADlicos\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Manual MSD para profissionais de sa&uacute;de<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Caso n&atilde;o tenha ficado muito claro na fala da Dra. L&iacute;gia, vale refor&ccedil;ar uma quest&atilde;o acerca do diagn&oacute;stico de pedofilia: de acordo com o Manual Diagn&oacute;stico e Estat&iacute;stico de Transtornos Mentais, o DSM 5, que &eacute; a vers&atilde;o mais atualizada, para que a pessoa seja diagnosticada com pedofilia, ela precisa se encaixar em alguns crit&eacute;rios diagn&oacute;sticos. Entre eles, est&aacute; o seguinte: apresentar, por um per&iacute;odo de no m&iacute;nimo seis meses, fantasias sexualmente excitantes, impulsos sexuais ou comportamentos intensos e recorrentes envolvendo atividade sexual com crian&ccedil;a ou crian&ccedil;as pr&eacute;-p&uacute;beres.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Ent&atilde;o, para a gente poder diagnosticar um ped&oacute;filo, n&atilde;o necessariamente ele vai ter abusado de alguma crian&ccedil;a. Tanto que na F&ecirc;nix a gente j&aacute; atendeu alguns casos de pessoas que chegaram falando que estavam sentindo o desejo por crian&ccedil;as, n&atilde;o tinham cometido abuso, e queriam realmente fazer o tratamento para n&atilde;o abusar de ningu&eacute;m. Eles estavam &ldquo;apenas&rdquo;, bem entre aspas assim, consumindo pornografia infantil. Ent&atilde;o, tamb&eacute;m tem esse consumo das pornografias infantis, que n&atilde;o necessariamente precisa ser uma nudez infantil direta. Pode ser tamb&eacute;m uma estimula&ccedil;&atilde;o apenas da inoc&ecirc;ncia da crian&ccedil;a, digamos assim. O ped&oacute;filo &eacute; muito atra&iacute;do por essa quest&atilde;o da inoc&ecirc;ncia, por essa quest&atilde;o angelical da crian&ccedil;a, e ele n&atilde;o considera muitas vezes, o ped&oacute;filo cl&aacute;ssico, ele n&atilde;o vai considerar que est&aacute; fazendo mal para a crian&ccedil;a. Tem ped&oacute;filos que acreditam que &eacute; uma forma de amor e uma forma de carinho, e que a crian&ccedil;a tem um consentimento e autonomia para dar consentimento. Ent&atilde;o, isso tamb&eacute;m&hellip; S&oacute; que na literatura brasileira a<\/em> <em>gente tem uma dificuldade muito grande, n&atilde;o tem muitas pesquisas nisso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ent&atilde;o o perfil do ped&oacute;filo brasileiro, por exemplo, &eacute; uma coisa que n&atilde;o existe.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Eu estou fazendo a minha pesquisa nisso e, assim, eu estou seguindo alguns autores (Ant&ocirc;nio de P&aacute;dua Serafim, Fabiana Saffi), eu estou seguindo tamb&eacute;m a Luiza Rabick Zang, que &eacute; uma pesquisadora do Rio Grande do Sul. Mas, basicamente, n&atilde;o tem, porque &eacute; um assunto muito, muito, muito estigmatizado aqui no Brasil, e a gente quase n&atilde;o fala em pedofilia. Principalmente em tratamento da pedofilia. A F&ecirc;nix inclusive &eacute; a &uacute;nica ONG aqui em Curitiba que eu sei que trabalha com os autores de viol&ecirc;ncia, sejam eles diagnosticados com pedofilia ou n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E nesse sentido tamb&eacute;m, no cen&aacute;rio cl&aacute;ssico, o ped&oacute;filo demonstra uma atra&ccedil;&atilde;o entre menino ou menina, ou n&atilde;o, essa distin&ccedil;&atilde;o n&atilde;o faz sentido? Como &eacute; que funciona isso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Tem os tr&ecirc;s. Tem o que demonstra apenas por meninos, tem o que demonstra preferencialmente por meninas e tem o misto tamb&eacute;m, que da&iacute; &eacute; justamente n&atilde;o pelo &oacute;rg&atilde;o genital da crian&ccedil;a, mas pela falta de caracter&iacute;sticas diferenciais. Ent&atilde;o, quest&atilde;o de seios que n&atilde;o aparecem, a genital, a falta de pelos pubianos. Ent&atilde;o, isso conta tamb&eacute;m. A gente tem esses tr&ecirc;s tipos de ped&oacute;filos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: O que eu sei tamb&eacute;m &eacute; que geralmente h&aacute; casos de abusos sexuais, a gigantesca maioria ocorre dentro do pr&oacute;prio c&iacute;rculo familiar. Um pai, um enteado, tio, alguma coisa assim, um padrasto, n&eacute;? O que eu queria saber &eacute; nesses casos que n&atilde;o s&atilde;o de c&iacute;rculo familiar, quando &eacute; um externo. Como geralmente esse ofensor se aproxima da v&iacute;tima?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: N&oacute;s temos v&aacute;rios tipos de ofensores. Ent&atilde;o, a gente pode ter o ofensor sedutor, que come&ccedil;a a aliciar a crian&ccedil;a, pode ser tanto pela internet ou presencialmente. O ped&oacute;filo geralmente tem um costume e a conex&atilde;o com as crian&ccedil;as. Ent&atilde;o, ele sabe conversar com a crian&ccedil;a, sabe seduzir, sabe manipular aquela situa&ccedil;&atilde;o. Geralmente ele come&ccedil;a a mostrar pornografia adulta para poder trabalhar com a desinibi&ccedil;&atilde;o da crian&ccedil;a, oferece doces, &agrave;s vezes presentes, ou por vezes ele tamb&eacute;m funciona altamente com amea&ccedil;a, principalmente se &eacute; uma pessoa estranha. Ele vai, pratica a viol&ecirc;ncia, e nesse caso &eacute; uma viol&ecirc;ncia no sentido violento da palavra, e ele inclusive pode amea&ccedil;ar tanto os pais quanto a pr&oacute;pria crian&ccedil;a, porque &eacute; uma coisa muito importante e muito dif&iacute;cil de se dizer. Nem todo abuso sexual vai ser configurado na cabe&ccedil;a da crian&ccedil;a como uma viol&ecirc;ncia. &Agrave;s vezes ela n&atilde;o entende que aquilo &eacute; uma viol&ecirc;ncia, e isso &eacute; uma das coisas que mais se perpetua dentro da fam&iacute;lia tamb&eacute;m.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A maioria dos casos de abuso infantil ocorre dentro do c&iacute;rculo familiar. Mas Sandra, Leandro e Evandro n&atilde;o tinham nenhum parentesco, o que leva a eliminar essa possibilidade &ndash; pelo menos em uma quest&atilde;o estat&iacute;stica. E, por isso, Ivan precisava entender um pouco melhor sobre o perfil de um abusador externo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E da&iacute;, pelo o que voc&ecirc; me falou j&aacute; no in&iacute;cio, como esse assunto n&atilde;o &eacute; muito pesquisado no Brasil, imagino que n&oacute;s n&atilde;o temos estat&iacute;sticas sobre isso. Por exemplo, pegar casos de abusos criminais contra crian&ccedil;as que ocorreram fora do seio familiar, quantos desses casos acontecem? Com que frequ&ecirc;ncia? Qual &eacute; o perfil sedutor? Qual &eacute; o perfil violento? Isso n&oacute;s n&atilde;o temos, essa estimativa, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Essa estimativa &eacute; mais dif&iacute;cil de ter, mas eu acredito que, dentro do F&oacute;rum de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, a gente tem um levantamento sobre ofensores sexuais. Tem um levantamento inclusive sobre ofensores sexuais dentro e fora de casa, eu acredito que esse &eacute; o mais pr&oacute;ximo que a gente vai conseguir. Porque realmente a pesquisa aqui est&aacute; bem escassa, tanto da pr&oacute;pria parafilia, quanto do tratamento, quanto at&eacute; mesmo do entendimento do que &eacute; o ped&oacute;filo real; porque aqui no Brasil a gente confunde que qualquer tipo de abuso sexual infantil &eacute; feito por um ped&oacute;filo, que n&atilde;o &eacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A Dra. L&iacute;gia passou os dados de 2023 do F&oacute;rum de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica, a &uacute;ltima amostragem levantada. De acordo com o levantamento, apenas 4,1% dos casos de estupro de vulner&aacute;vel com registro de autoria s&atilde;o cometidos por pessoas desconhecidas. A maioria &eacute; cometida por pai ou padrasto, correspondendo a 44,4% dos casos, seguido por um conhecido da fam&iacute;lia, 18%. Em terceiro lugar, ficam tios ou av&ocirc;s e av&oacute;s, correspondendo a pouco mais de 7% dos casos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/forumseguranca.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/07\/anuario-2023.pdf\" target=\"_blank\">Dados do F&oacute;rum de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica (2023)<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a Dra. L&iacute;gia tamb&eacute;m pediu para incluir uma informa&ccedil;&atilde;o: a pedofilia &eacute; o transtorno paraf&iacute;lico, e n&atilde;o o crime. O crime de viol&ecirc;ncia sexual contra crian&ccedil;as &eacute; o estupro de vulner&aacute;vel. E isso entra naquela quest&atilde;o que ela mencionou, de que nem todo autor de viol&ecirc;ncia infantil &eacute; ped&oacute;filo e nem todo ped&oacute;filo vai necessariamente cometer o crime.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Inclusive, uma coisa que eu achei muito interessante no &uacute;ltimo epis&oacute;dio &eacute; que voc&ecirc; falou daquele laudo, que eles descartaram a hip&oacute;tese da Sandra e do Evandro estarem relacionados por conta do abuso. S&oacute; que, no meu trabalho, geralmente, quando eu pego um laudo de menino, o laudo do IML d&aacute; inconclusivo, porque &eacute; muito diferente um abuso vaginal de um abuso anal. N&atilde;o necessariamente pode ser detectado, principalmente porque ele estava sem os &oacute;rg&atilde;os. Exatamente isso que voc&ecirc; falou, a gente n&atilde;o pode descartar essa quest&atilde;o do abuso. De forma nenhuma.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Vamos dizer ent&atilde;o, que a gente est&aacute; falando de um ofensor. Existe um perfil m&eacute;dio assim, do tipo: homem, tantos anos, classe, faixa salarial, tipo de trabalho que tem? A gente tem um perfil assim, mais ou menos?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Tem. Um perfil que eu, na verdade, utilizei uma pesquisa do Antonio de P&aacute;dua Serafim, que foi, na verdade, realizada em 2009. N&atilde;o &eacute; t&atilde;o recente, mas ele traz, por exemplo, ped&oacute;filos situacionais. Ent&atilde;o, eles t&ecirc;m mais perfil antissocial, enquanto ped&oacute;filos preferenciais t&ecirc;m perfis mais s&aacute;dicos. Tamb&eacute;m tem o tipo de pornografia que eles costumam acessar. Eu vou, inclusive, te passar essa pesquisa. E, principalmente, o que me chamou a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; que quando ele tem a comorbidade do transtorno antissocial, ele tem o maior prazer em descartar a v&iacute;tima com a maior viol&ecirc;ncia poss&iacute;vel. Isso me chamou muita aten&ccedil;&atilde;o. Ent&atilde;o, a gente tem sim, geralmente, entre 35 anos&hellip; O desejo come&ccedil;a na puberdade. E, principalmente, o ped&oacute;filo que eu escrevi no e-mail, que &eacute; o ped&oacute;filo s&aacute;dico, ele n&atilde;o costuma ser muito&hellip; Ele &eacute; bem solit&aacute;rio, ele costuma ser viajante. Ent&atilde;o, ele se muda bastante de cidade e costuma agir sozinho tamb&eacute;m.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/rpc\/a\/vHCDkd9cw7cKpnLRLDgfLXk\/#\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Artigo &ndash; Perfil psicol&oacute;gico e comportamental de agressores sexuais de crian&ccedil;as<\/strong> <strong>(autores: Antonio de P&aacute;dua Serafim, Fabiana Saffi, S&eacute;rgio Paulo Rigonatti, Ilana Casoy, Daniel Martins de Barros<\/strong>)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; fala 35 anos, por qu&ecirc;?&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: &Eacute; a m&eacute;dia. Uma coisa tamb&eacute;m, porque o ped&oacute;filo, na verdade, quanto mais velho ele fica, ele pode diminuir a intensidade dos abusos. Tanto por uma quest&atilde;o de impulso, quanto por uma quest&atilde;o de diminui&ccedil;&atilde;o da testosterona tamb&eacute;m.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E ele pode simplesmente parar um dia? Tipo, n&atilde;o tem mais interesse em fazer<\/em> <em>isso ou isso vai para a vida inteira?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Depende. Depende se, por exemplo, ele fez um tratamento, depende se ele tomou algum tipo de medica&ccedil;&atilde;o ou depende tamb&eacute;m se ele est&aacute; num contexto&hellip; Por exemplo, a gente est&aacute; falando de um ped&oacute;filo s&aacute;dico. Ele encontrou uma mulher, ele se casou com ela, ela tem dois filhos. Ele bate nela. Ent&atilde;o, ele est&aacute; ali conseguindo utilizar de meios violentos. Ele consegue abusar desses filhos? Talvez ele n&atilde;o precise procurar fora, digamos assim. Ele pode estar naquele seio familiar, utilizando todos os seus desejos, sem que necessariamente precise ir atr&aacute;s de outros. Ou tamb&eacute;m ele pode simplesmente diminuir, mas continuar o sadismo e continuar a maldade com outras esferas, com outros tipos de crime. Isso tamb&eacute;m a gente j&aacute; viu em outros casos. Viol&ecirc;ncia com animais ou at&eacute; mesmo viol&ecirc;ncia com outras caracter&iacute;sticas tamb&eacute;m.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas a pessoa tamb&eacute;m pode, por exemplo, ser casada, ter filhos e ter essa vida dupla?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Sim. Inclusive, tem um perfil de ped&oacute;filos que n&atilde;o abusam dos filhos. Os filhos s&atilde;o assim, como se fossem intoc&aacute;veis, e da&iacute; eles abusam de outras crian&ccedil;as. Geralmente, esses ped&oacute;filos s&atilde;o sedutores, porque, com essa vida dupla, eles s&atilde;o geralmente os pais de fam&iacute;lia, bem-queridos, bem-queridos pela comunidade.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; fala de alguns termos como o ped&oacute;filo s&aacute;dico, o ped&oacute;filo sedutor. Ele pode ser s&aacute;dico, sedutor? Quais s&atilde;o as categorias? S&oacute; para a gente entender. Como &eacute; que elas se misturam entre si?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Essa &eacute; uma outra quest&atilde;o da pr&oacute;pria literatura. Tem a quest&atilde;o do ped&oacute;filo cl&aacute;ssico, o molestador e o abusador de crian&ccedil;as. O molestador s&aacute;dico, o<\/em> <em>molestador sedutor, o molestador introvertido e tamb&eacute;m, hoje em dia, a gente est&aacute; utilizando mais o termo ou &ldquo;ofensor sexual&rdquo; ou &ldquo;autor de viol&ecirc;ncia sexual&rdquo; para n&atilde;o trazer tantos estigmas. S&oacute; que eu estou, inclusive, fazendo a minha pesquisa agora e cada fonte eu estou achando uma denomina&ccedil;&atilde;o diferente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o &eacute; consenso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: No Brasil, n&atilde;o. N&atilde;o &eacute; consenso. Eu acredito que uma psic&oacute;loga tamb&eacute;m que voc&ecirc; vai achar algumas quest&otilde;es sobre isso &eacute; a psic&oacute;loga Anna Salter. Ela &eacute; americana e trabalha, acho que h&aacute; 27 anos, s&oacute; com ofensores sexuais, inclusive ped&oacute;filos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas &eacute; importante fazer a distin&ccedil;&atilde;o. A pessoa que &eacute; ped&oacute;fila n&atilde;o &eacute; necessariamente ofensora sexual. Ela pode nunca ter cometido nenhum crime. Ela tem apenas o desejo, que nunca se consumiu. Eu quero saber, deixa eu colocar uma situa&ccedil;&atilde;o. &Eacute; poss&iacute;vel uma pessoa, por exemplo, ser casada, ter filhos e levar essa vida dupla? Quando est&aacute; fora de casa, ele comete crimes contra crian&ccedil;as e nunca ningu&eacute;m fica sabendo disso. Isso &eacute; poss&iacute;vel? Existem casos registrados assim? Ou n&atilde;o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: &Eacute; poss&iacute;vel. &Eacute; poss&iacute;vel e &eacute; muito poss&iacute;vel. A gente pega muitos casos assim na F&ecirc;nix. [&hellip;] Me parece tamb&eacute;m muito, muito raro, porque um ped&oacute;filo j&aacute; &eacute; raro, um ped&oacute;filo real, assim, que tem realmente o diagn&oacute;stico e a parafilia, ele j&aacute; &eacute; raro. Agora, um ped&oacute;filo que consegue disfar&ccedil;ar esse n&iacute;vel e tamb&eacute;m com esse n&iacute;vel de viol&ecirc;ncia, me parece bem, bem, bem dif&iacute;cil. N&atilde;o me parece imposs&iacute;vel, mas<\/em> <em>me parece dif&iacute;cil.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Pelo menos na literatura, seria raro dentro das suas pesquisas, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: At&eacute; porque essa pessoa daria alguns ind&iacute;cios. Provavelmente ela ficaria muito perto de crian&ccedil;as, ela teria algum trabalho que envolvesse crian&ccedil;as, ela teria uma conex&atilde;o muito grande com essas crian&ccedil;as.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Teria alguns outros elementos em caso, por exemplo&hellip; De novo, estamos falando do padr&atilde;o, do estere&oacute;tipo desse caso que a gente est&aacute; falando. A pessoa que fez isso, como seria, partindo do princ&iacute;pio que ela est&aacute; casada e nunca abusou dos filhos, como &eacute; aquela vida familiar, no padr&atilde;o, assim, como &eacute; a rela&ccedil;&atilde;o com a mulher, com os filhos. Como &eacute; que voc&ecirc;, assim, dentro da sua experi&ecirc;ncia, das suas pesquisas, qual &eacute; o padr&atilde;o de comportamento de um cara que teria um comportamento desse?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Com a mulher e com os filhos, eu acredito que, como est&aacute; dentro do seio familiar, ele vai ser um pouco mais agressivo tamb&eacute;m. N&atilde;o sei se vai chegar a ser violento, porque tamb&eacute;m vai querer disfar&ccedil;ar, mas ele vai ser agressivo, vai ter algumas farpas de agressividade, digamos assim. E o que vai impulsionar ele a sair de casa e procurar essa crian&ccedil;a v&atilde;o ser gatilhos emocionais e estresse. Esse cara vai ser estressado por alguma coisa. Quando a gente fala estresse, n&atilde;o &eacute; o nosso estresse cotidiano, do dia a dia, &eacute; algum estresse muito forte, algum gatilho muito forte para ele, alguma situa&ccedil;&atilde;o, assim, muito intensa, que provavelmente pode ou n&atilde;o vir da fam&iacute;lia, pode ou n&atilde;o vir do trabalho, mas &eacute; mais prov&aacute;vel que venha da fam&iacute;lia e que ele acabe descontando um pouco na fam&iacute;lia, mas que dissolva totalmente em uma<\/em> <em>crian&ccedil;a aleat&oacute;ria, digamos assim, uma crian&ccedil;a sens&iacute;vel.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim. Como &eacute; a vida sexual de um ped&oacute;filo nesse padr&atilde;o tamb&eacute;m? Ele pode ter uma vida sexual completamente normal com a esposa?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Se for um ped&oacute;filo situacional, que &eacute; aquele que vai abusar por conta da situa&ccedil;&atilde;o, ou seja, a crian&ccedil;a que ele consegue pegar com mais facilidade, por ela ser mais vulner&aacute;vel e tudo mais, ele vai ter uma vida sexual com a esposa. Mas se for um preferencial, ele vai s&oacute; usar o casamento como fachada, n&atilde;o vai ter. Ou, se tiver, vai ser algo muito for&ccedil;ado e bem pouco.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Essa pessoa teria algum v&iacute;cio? Existe alguma comorbidade de v&iacute;cios, por exemplo, de drogas, bebida, sei l&aacute;, alguma coisa assim?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Pode ter. Pode ter uma comorbidade tanto de v&iacute;cio em pornografia quanto v&iacute;cio em drogas ou &aacute;lcool tamb&eacute;m.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas &eacute; uma coisa frequente assim, do tipo, de tantos casos, a gente v&ecirc; que tamb&eacute;m existe aqui uma quest&atilde;o de abuso de subst&acirc;ncias ou n&atilde;o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Acho que n&atilde;o, porque tamb&eacute;m entra naquela quest&atilde;o do estresse, que ele vai procurar v&aacute;rias rotas de fuga para aliviar esse estresse.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Existe alguma coisa que a gente v&ecirc; na inf&acirc;ncia desses ofensores que &eacute; comum ou n&atilde;o? O que torna eles desse jeito &eacute; completamente aleat&oacute;rio e n&atilde;o tem nada na inf&acirc;ncia que levou para isso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dra. L&iacute;gia: Na verdade, a pedofilia &eacute; multifatorial, cultural, gen&eacute;tico. Porque nem todo ped&oacute;filo sofreu abuso. Isso tamb&eacute;m &eacute; um mito muito grande. &Agrave;s vezes ele n&atilde;o sofreu, mas ele pode ter sofrido uma viol&ecirc;ncia f&iacute;sica, neglig&ecirc;ncia, geralmente falta de afeto, pais antissociais tamb&eacute;m, isso pode ocorrer. Ent&atilde;o, assim, trauma tamb&eacute;m, n&atilde;o s&oacute; no sentido trauma psicol&oacute;gico, mas no sentido trauma f&iacute;sico, como traumatismo cranioencef&aacute;lico, algum acidente, isso tamb&eacute;m pode ser um perpetuador.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na &eacute;poca em que Ivan teve essa conversa com a Dra. L&iacute;gia, havia acabado de lan&ccedil;ar o <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/leandro-bossi\/4-sandrinha\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">epis&oacute;dio 4<\/a> dessa temporada, sobre o caso da Sandrinha. Nesse primeiro contato, ele n&atilde;o falou nada para ela do suspeito que tinha em mente. Ent&atilde;o, todas as informa&ccedil;&otilde;es repassadas s&atilde;o provenientes de bases te&oacute;ricas, do que ela pesquisa, estuda e trabalha. E tudo o que ela disse ajudou Ivan a olhar melhor para uma pessoa em espec&iacute;fico: o terceiro investigado do caso Sandra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TODOS OS ONTENS ILUMINARAM<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes de entrar nesse tema, Ivan precisa dar alguns avisos. Essa pessoa de quem vai falar j&aacute; est&aacute; morta. Ela n&atilde;o tem possibilidade de se defender e se explicar. Ela tem familiares vivos, e Ivan conversou com alguns deles. Para preservar a mem&oacute;ria dessa pessoa e tamb&eacute;m os familiares, ele vai usar pseud&ocirc;nimos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se Ivan quisesse fama e aten&ccedil;&atilde;o, seria muito f&aacute;cil publicar tudo e dizer que solucionou os casos. Mas a realidade &eacute; que ele s&oacute; poderia dizer isso se encontrasse provas extraordin&aacute;rias, como anota&ccedil;&otilde;es, di&aacute;rios, ou at&eacute; mesmo peda&ccedil;os dos corpos ou roupas das tr&ecirc;s crian&ccedil;as. Ivan n&atilde;o conseguiu nada disso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel estar diante de uma pessoa inocente e que nem poder&aacute; passar o seu lado da hist&oacute;ria. Ent&atilde;o, para n&atilde;o correr o risco de cometer mais uma injusti&ccedil;a nesses casos, Ivan vai proteger ao m&aacute;ximo as identidades de todas as fontes e dessa pessoa em quest&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E Ivan pede essa prud&ecirc;ncia tamb&eacute;m para os ouvintes. Foi muito dif&iacute;cil para ele chegar at&eacute; aqui e expor todas as informa&ccedil;&otilde;es que vai publicar. Isso envolveu negocia&ccedil;&otilde;es muito tensas, delicadas e, mesmo assim, ele chegou at&eacute; um limite.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final do epis&oacute;dio, Ivan vai falar sobre o que ainda &eacute; poss&iacute;vel fazer para tentar obter mais respostas para essas quest&otilde;es. Mas todo cuidado &eacute; pouco. Ent&atilde;o, para n&atilde;o correr nenhum risco, vai seguir o padr&atilde;o do que fez no epis&oacute;dio 4: trocar todos os nomes do caso Sandra por pseud&ocirc;nimos, e avisar quando fizer isso. Os &uacute;nicos que vai manter ser&atilde;o os da fam&iacute;lia de Sandra. Al&eacute;m disso, tamb&eacute;m n&atilde;o vai disponibilizar nenhuma parte do inqu&eacute;rito de Sandra na enciclop&eacute;dia, visto que isso poderia expor essas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito tudo isso, &eacute; preciso voltar para Fazenda Rio Grande, na regi&atilde;o metropolitana de Curitiba, em junho de 1989, logo ap&oacute;s o corpo de Sandra ter sido encontrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Sandra desapareceu em um domingo &agrave; noite, dia 4 de junho, ap&oacute;s ter ido a uma festa junina na Escola Guisa, perto de casa. A &uacute;ltima pessoa que a viu foi uma mulher chamada Cec&iacute;lia (pseud&ocirc;nimo). Ela teria avistado Sandra por volta das 20h nas escadarias do restaurante do Posto 22, na BR-116. Esse posto ficava entre a resid&ecirc;ncia de Sandra e o col&eacute;gio.<\/p>\n\n\n\n<p>Na manh&atilde; do dia 12 de junho, uma segunda-feira, o corpo da menina foi encontrado em um terreno baldio cercado de mato. Esse terreno estava localizado entre a casa dela e o Posto 22. As investiga&ccedil;&otilde;es tiveram in&iacute;cio logo em seguida.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois dias depois, em 14 de junho, um homem, que aqui ser&aacute; chamado de Vitor, prestou depoimento. Ele tinha 53 anos na &eacute;poca e era vizinho da fam&iacute;lia de Sandra, que morava com duas irm&atilde;s e a m&atilde;e em uma casa muito pobre, sem luz e sem &aacute;gua encanada.<\/p>\n\n\n\n<p>O depoimento de Vitor tem uma s&eacute;rie de passagens que julgavam uma suposta conduta sexual inadequada da m&atilde;e de Sandra, a dona Juvelina, assim como tamb&eacute;m das pr&oacute;prias meninas. Em seu relato, ele dava a entender que as garotas gostavam de se mostrar e se exibir para qualquer um na rua. Mas, em certa passagem, o Sr. Vitor dizia o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>O depoente, h&aacute; uns 15 dias passados, avistou as duas meninas pequenas [sendo Sandra e uma das suas irm&atilde;s] em volta de um carro volks de cor azul, sendo que ali estava uma pessoa estranha. As meninas estavam debru&ccedil;adas na janela do carro, e algumas vezes entravam no carro e davam um abra&ccedil;o na pessoa que estava dentro. Era uma pessoa de idade. Ap&oacute;s isso, o depoente encontrou a m&atilde;e das meninas e a avisou sobre o ocorrido. A m&atilde;e respondeu &lsquo;n&atilde;o, seu Vitor, elas est&atilde;o ganhando um dinheirinho&rsquo;<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa men&ccedil;&atilde;o a um carro da marca Volkswagen de cor azul abriu uma nova linha de<em> <\/em>investiga&ccedil;&atilde;o. No dia seguinte, 15 de junho de 1989, a dona Juvelina, m&atilde;e de Sandra, prestou<em> <\/em>depoimento sobre o dia em que a filha desapareceu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o relato, ela cita<em> <\/em>v&aacute;rias pessoas que poderiam ter alguma rela&ccedil;&atilde;o com o caso. E, ent&atilde;o, aparentemente, em algum momento o Dr. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/inacio-raymundo-pensin\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelas investiga&ccedil;&otilde;es iniciais do caso Sandrinha\" class=\"encyclopedia\">In&aacute;cio Raymundo Pensin<\/a>, delegado respons&aacute;vel, perguntou sobre o tal carro azul. E, pela primeira vez, aparece na hist&oacute;ria o homem que<em> <\/em>aqui ser&aacute; chamado de Pedro. Acompanhe um trecho da declara&ccedil;&atilde;o de Juvelina:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Que a declarante ainda conhece um senhor &lsquo;Pedro&rsquo;, o qual falou que mora em Curitiba, e que chegou ali um dia e passou a conversar. Ele disse que tinha um terreno por ali em Fazenda Rio Grande e tamb&eacute;m um terreno na praia. Algumas vezes ele aparecia por ali. Ele tem um Volkswagen cor azul. Um dia, ele estava com as crian&ccedil;as conversando dentro do carro, e a declarante recolheu as crian&ccedil;as. Em outras oportunidades, num domingo antes do desaparecimento de Sandra, o Sr. &lsquo;Pedro&rsquo; esteve ali e estava com as meninas conversando no carro. Nisso, o Sr. Vitor passou, viu a cena e veio avisar a declarante. A declarante n&atilde;o sabe direito seu endere&ccedil;o e o que realmente ele vinha fazer por ali. Na tarde de ontem, o Sr. &lsquo;Pedro&rsquo; vinha vindo com o carro dele pela BR-116 e foi parando. A declarante falou para as filhas n&atilde;o darem bola. Ele parou o carro e veio conversar. A declarante lhe disse que n&atilde;o queria papo porque estava nervosa. Nisso, ele disse: &ldquo;o que &eacute; isso, dona Juvelina, que a senhora est&aacute; nervosa comigo? O que que houve?&rdquo;. O Sr. &lsquo;Pedro&rsquo; estava bastante nervoso e aparentava estar tremendo. A declarante prosseguiu sua caminhada at&eacute; o supermercado e n&atilde;o viu mais ele. Este senhor deve ter uns 30 anos, mais ou menos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quando deu este depoimento, dona Juvelina tinha 46 anos. Na sua leitura, o Sr. Pedro<em> <\/em>teria por volta de 30 anos. Na verdade, ele tinha pouco mais de 40.<em> <\/em>Nesse mesmo dia 15 de junho, ou seja, tr&ecirc;s dias ap&oacute;s o corpo de Sandra ter sido<em> <\/em>encontrado, a menina M&aacute;rcia Cristina, de 14 anos, irm&atilde; de Sandra, tamb&eacute;m prestou um<em> <\/em>depoimento.<\/p>\n\n\n\n<p>E aqui vale lembrar: M&aacute;rcia era o nome da irm&atilde; e tamb&eacute;m da prima de Sandra, que era sua vizinha. Al&eacute;m de M&aacute;rcia e a m&atilde;e Juvelina, Sandra morava com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a>, sua irm&atilde; mais nova.<\/p>\n\n\n\n<p>No relato, M&aacute;rcia Irm&atilde; conta sobre os encontros e desencontros que teve com<em> <\/em>Sandra no dia do desaparecimento, e que Ivan j&aacute; explicou no epis&oacute;dio 4. Ela tamb&eacute;m<em> <\/em>diz que trabalhava como dom&eacute;stica em Curitiba, e que estranhava quando voltava<em> <\/em>para casa do servi&ccedil;o e via que Sandra estava com dinheiro. Quando perguntava para ela<em> <\/em>de onde ela tinha conseguido, Sandra lhe dizia que tinha pedido para motoristas de<em> <\/em>caminh&atilde;o.<em> <\/em>E ent&atilde;o, em certo ponto, M&aacute;rcia Irm&atilde; fala sobre o Sr. Pedro:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A respeito de um senhor de nome &lsquo;Pedro&rsquo; e que tem um Volks azul, ele passou a frequentar ali por motivos que a depoente desconhece, e que faz mais de um m&ecirc;s que ele frequenta a casa da depoente. A depoente nunca saiu com ele de carro, mas conversou com ele na casa quando a m&atilde;e estava l&aacute; tamb&eacute;m. A depoente tem conhecimento que ele marcou um encontro com a prima M&aacute;rcia, de 13 anos, e que ele falou que ela n&atilde;o ia se arrepender. Ia ganhar dinheiro, rel&oacute;gio, r&aacute;dio, m&aacute;quina de calcular, e que ele marcou de encontrar com ela para cima da casa da depoente. Isso foi depois do desaparecimento da irm&atilde; da depoente. A prima falou que ele ficou esperando ela l&aacute;, mas ela n&atilde;o foi encontrar com ele. Ainda a respeito do Sr. Pedro, outro dia, quando ele encontrou-se com a irm&atilde; menor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a>, ele ergueu a toca dela e disse &lsquo;pois a coitada da menina estava com a cabe&ccedil;a igualzinha desta aqui&rsquo;. A irm&atilde; falecida fazia poucos dias que havia cortado o cabelo, e que a depoente acha que o Sr. &lsquo;Pedro&rsquo; n&atilde;o teria visto a irm&atilde; de cabe&ccedil;a raspada, o que lhe causa estranheza.<\/em> <em>Que na manh&atilde; de ontem, dia 14 de junho, quarta-feira, por volta de dez horas mais ou menos, a depoente seguia com a m&atilde;e pela estrada. Em sentido contr&aacute;rio vinha o carro do Sr. &lsquo;Pedro&rsquo;. Ele parou, mas a m&atilde;e da depoente n&atilde;o queria conversa. E ent&atilde;o ele disse: &ldquo;nossa, dona Juvelina, a senhora est&aacute; t&atilde;o nervosa. Eu s&oacute; queria ajudar. Eu at&eacute; levei voc&ecirc;s at&eacute; a pol&iacute;cia para procurar a menina. Eu n&atilde;o queria fazer nada de mal a ela. Eu n&atilde;o fa&ccedil;o mal nem a um cachorro&rdquo;. Ele estava muito nervoso, e estava tremendo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Como Ivan falou no epis&oacute;dio 4, a M&aacute;rcia Irm&atilde; n&atilde;o quis dar entrevista. Por isso, ele n&atilde;o<em> <\/em>teve como fazer perguntas para ela sobre esse depoimento.<em> <\/em>Nesse mesmo dia 15 de junho de 1989, a M&aacute;rcia Prima tamb&eacute;m foi ouvida. Na &eacute;poca, ela<em> <\/em>tinha 13 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>E, por sorte, gra&ccedil;as &agrave; ajuda de Sueli, irm&atilde; mais velha de Sandra que concedeu entrevista a Ivan, a M&aacute;rcia Prima aceitou conversar com ele. A Sueli estava junto, assim como<em> <\/em>outros parentes tamb&eacute;m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Meu nome &eacute; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/marcia-franco\/\" target=\"_self\" title=\"Prima de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">M&aacute;rcia Franco<\/a> Celi, 47 anos. Minha rela&ccedil;&atilde;o com a Sandra? A gente era amiga, al&eacute;m de primas, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eu queria que voc&ecirc; me falasse&hellip; Voc&ecirc; &eacute; filha da Eva, correto?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Sim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eva era casada com&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Juvino.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Juvino. Ele &eacute; irm&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Da Juvelina. Ele era tio da Sandra, no caso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em junho de 1989, todas essas pessoas moravam no km 122 e meio da BR-116, em Fazenda Rio Grande. Em uma casa, viviam Juvelina e tr&ecirc;s filhas: M&aacute;rcia, Sandra e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a>. Na resid&ecirc;ncia ao lado, morava o irm&atilde;o de Juvelina, o Sr. Jovino, que era casado com Eva. O casal tinha a M&aacute;rcia como filha.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Os teus pais j&aacute; faleceram?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Sim, os dois.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Os dois j&aacute; faleceram.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: J&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Quando faleceram?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Meu pai faz&hellip; Hoje, 17 anos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: 17 anos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: E a m&atilde;e faz 15.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Faz 15. Ent&atilde;o j&aacute; faz tempo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Faz tempo j&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Naquela &eacute;poca que&hellip; 1989, no caso, o ano em que a Sandra faleceu, voc&ecirc;s moravam perto da Sandra?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Sim. N&oacute;s mor&aacute;vamos bem perto, bem pr&oacute;ximo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Perto como? Dividia&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: No mesmo terreno.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: No mesmo terreno.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: No mesmo terreno&hellip; A casinha deles, e para tr&aacute;s tinha a nossa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: A Sueli estava me falando que na casa da Sandra morava a Juvelina, a Sandra, a M&aacute;rcia, a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a>, e era uma casinha pequenininha. Moravam as quatro l&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Sim. As quatro. A nossa tamb&eacute;m era bem inferior, era bem pequena. Tipo, eu estava de passagem ali, que eu tinha acabado de vir de um trabalho, que eu era bab&aacute; na &eacute;poca j&aacute;. Fiquei um tempo ali. Achei que ia ficar ali. A m&atilde;e me matriculou numa escola, nem lembro o nome. Foi pouco tempo que eu fiquei ali. E a&iacute; dali a gente voltou para onde a gente j&aacute; morava, n&eacute;? Que &eacute; aqui no 26, um pouco mais&hellip; Mas a tia&hellip; Eu lembro que a tia continuou l&aacute; ainda.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Pelo que d&aacute; para entender aqui pelos depoimentos que eu peguei do inqu&eacute;rito, d&aacute; a impress&atilde;o de que voc&ecirc;s brincavam o tempo inteiro. Voc&ecirc;, a M&aacute;rcia, a Edileide e a Sandra. Voc&ecirc;s quatro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: N&oacute;s quatro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Tinha mais algu&eacute;m que fazia parte do grupinho?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: N&atilde;o. N&atilde;o. Era n&oacute;s quatro s&oacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Tinha meu irm&atilde;o tamb&eacute;m, que era o mais novo tamb&eacute;m. Acho que ele chega a ser mais novo que a Edileide at&eacute;. De vez em quando ele estava com a gente, mas era&hellip; A m&atilde;e nunca deixava. Ficava mais perto dela.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ficava mais perto dela. Aham. E o que voc&ecirc;s faziam, assim, de dia a dia, brincadeiras?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Nossa, a gente brincava al&eacute;m de trabalhar, n&eacute;? Porque a gente tinha que puxar &aacute;gua de longe&hellip; A gente brincava normal, de m&atilde;e-se-esconde, de descer os barrancos escorregando. Acabava com as roupas, a m&atilde;e ficava doida. Nadava quando ia lavar roupa no rio, essas coisas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Em qual rio voc&ecirc;s nadavam?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Ali embaixo no Parque Verde&hellip; &Eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute; quando atravessa a BR?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Aham. Sabe a BR ali? Hoje j&aacute; nem sei se tem mais, mas tinha um corregozinho bem&hellip; Tipo limpo&hellip;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ivan pegou um mapa da regi&atilde;o e come&ccedil;ou a fazer perguntas sobre os lugares ali em torno. Onde elas moravam exatamente, onde brincavam, onde pegavam &aacute;gua, e onde o corpo de Sandra foi encontrado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>M&aacute;rcia diz n&atilde;o se lembrar de ter ido at&eacute; o local do corpo, mas sabia onde era. E, ent&atilde;o, ele come&ccedil;ou a perguntar mais sobre a rotina delas na &eacute;poca. Ele queria saber especialmente se Sandra estudava na escola Guisa.<\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Eu n&atilde;o lembro. N&atilde;o lembro. Sei que eu e a M&aacute;rcia &iacute;amos participar dessa festa junina porque a gente estava matriculada na escola. A gente entrou, j&aacute; logo ia ter a festa junina. Eu sim&hellip; Agora, a M&aacute;rcia&hellip; Acho que j&aacute; estudava l&aacute;. Porque a M&aacute;rcia morava ali com a tia Juvelina, n&atilde;o sei quanto tempo elas permaneceram ali. Como te disse, eu estava de passagem, porque eu trabalhava. Eu vim e j&aacute; logo fui de novo. Quando eu fui para o emprego, fiquei l&aacute; um m&ecirc;s, dois meses, a m&atilde;e j&aacute; n&atilde;o morava mais ali. A m&atilde;e j&aacute; tinha voltado para o patr&atilde;o deles, que eles tinham um patr&atilde;o ali na Fazenda Rio Grande, no 26, no caso&hellip; E a m&atilde;e j&aacute; estava morando para c&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: A&iacute;, nessa &eacute;poca, a minha m&atilde;e tamb&eacute;m sofreu um acidente, quebrou a perna, da&iacute; ficou bem complicada a coisa&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham, sim. A tua m&atilde;e estava com gesso nessa &eacute;poca tamb&eacute;m, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Foi. N&oacute;s est&aacute;vamos lavando roupa nesse rio, e n&atilde;o sei&hellip; Parece que algu&eacute;m chamou ela do outro lado da BR. Eu n&atilde;o lembro direito. A&iacute; ela foi atravessar, veio um carro e atropelou ela.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E ela ficou com gesso na perna?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Ficou. Ficou&hellip; Acho que uns 40 dias, dois meses, mais ou menos, n&atilde;o sei&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Quando&hellip; Nessa &eacute;poca, ent&atilde;o&hellip; Eu sei que, pelo depoimento, a M&aacute;rcia, a tua prima, irm&atilde; da Sandra, diz que trabalhava em Curitiba como empregada. Voc&ecirc; tamb&eacute;m trabalhava?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Tamb&eacute;m trabalhava. Era eu que arrumava os empregos&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ah, voc&ecirc;s duas pegavam os mesmos &ocirc;nibus?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: N&atilde;o. A gente parava l&aacute;. A gente ficava l&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ficava quanto tempo, assim?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Eu vinha a cada 15 dias para a casa da m&atilde;e. Nessa &eacute;poca que aconteceu, eu estava estudando. Eu estava ali. Estava ali. S&oacute; que como eu n&atilde;o estava trabalhando, eu estava ali com a m&atilde;e. A&iacute; j&aacute; logo apareceu uma outra oportunidade de emprego, e eu fui. Da&iacute; eu n&atilde;o lembro quanto tempo&hellip; Eu n&atilde;o lembro nem o nome da escola, para voc&ecirc; ter no&ccedil;&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute; o Guisela. Chamavam de Guisa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: &Eacute;. Eu estudei pouco ali. N&atilde;o sei se chegou a ser&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas voc&ecirc; chegou a estudar? Voc&ecirc; chegou a ir para a aula?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Cheguei a ir para a aula.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. S&oacute; que nem chegou a&hellip; Porque ia para Curitiba e ficava l&aacute;&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: N&atilde;o. Naquela &eacute;poca, eu n&atilde;o lembro nem de matr&iacute;cula. Porque, quando eu entrei na escola, eu entrei na escola com quase nove anos. Eu estava com oito anos e pouco, assim, mais ou menos. Meus irm&atilde;os iam, e acabaram me levando. A gente foi sozinho, a m&atilde;e n&atilde;o foi com n&oacute;s. Hoje em dia voc&ecirc; tem que ir, voc&ecirc; tem que matricular o filho, tudo. N&atilde;o, n&oacute;s fomos por conta. A professora, essa nossa amiga, ela incentivou e a gente foi.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Com<\/em>o<em> era, assim, o dia a dia de voc&ecirc;s? Quando voc&ecirc; estava aqui, n&atilde;o quando voc&ecirc; estava em Curitiba trabalhando. Mas quando voc&ecirc; estava por aqui. Como era?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Nessa &eacute;poca, como eu te falei, eu n&atilde;o lembro muito porque n&atilde;o tinha um dia a dia, n&atilde;o tinha uma rotina. Tinha dia que voc&ecirc; ia dormir seis da tarde porque n&atilde;o tinha energia el&eacute;trica. Tipo, seis da manh&atilde; voc&ecirc; j&aacute; estava acordada, porque crian&ccedil;a&hellip; Sabe, n&eacute;? Tem uma energia&hellip; A gente ficava brincando, ia catar pinh&atilde;o, lavar roupa. A gente n&atilde;o ficava desocupada. Quando n&atilde;o estava fazendo os deveres da casa, catando lenha, era isso&hellip; A gente ia catar lenha, a gente ia catar pinh&atilde;o, era assim. S&oacute; que eu e a minha m&atilde;e&hellip; Da&iacute;, a M&aacute;rcia&hellip; A gente se juntava mais para brincar com a Sandra, assim, sabe? Eu ficava mais com a m&atilde;e.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Como era a Sandra? Ela era divertida? Era brincalhona?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Ela era. Ela era ciumenta. Ela queria&hellip; Tipo, queria que a gente estivesse dispon&iacute;vel para ela, para a M&aacute;rcia, para todo mundo, sabe? Mas, quando estava com ela, era s&oacute; com ela. Acho que &eacute; mal de prima, n&eacute;? Porque a M&aacute;rcia tinha ci&uacute;me de mim&hellip; Um terror&hellip; Que esses dias eu fui para Santa Catarina e falei para ela que eu estava com medo de ir e ela me prender l&aacute;. Ela me prendia. Ela n&atilde;o queria que eu viesse embora mais. Porque eu n&atilde;o gostava de ficar l&aacute;. At&eacute; pelos acontecidos, n&eacute;? A&iacute;, quando eu ia passear, eles vinham me trazer, e ela chorava. Mas a Sandra&hellip; Assim, tipo, ela era muito&hellip; Ela era mais nova que a gente. N&oacute;s j&aacute; est&aacute;vamos mais&hellip; N&oacute;s n&atilde;o gost&aacute;vamos de sair e levar ela, porque ela era menor. Era menor que a gente, na verdade. A &uacute;nica festa que a gente foi junto com a M&aacute;rcia foi essa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Foi essa, n&eacute;? A Sandra&hellip; Como ela era fisicamente? Se eu olhasse ela na rua, assim, o que eu veria? Como ela era?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Loirinha, magrinha. Ela tinha umas pintinhas no rosto, na m&atilde;o&hellip; Bem clarinha. Bem polaquinha.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E ela era grandinha? Pequenininha?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Mi&uacute;da. Bem mi&uacute;da. N&atilde;o parecia que ela tinha a idade que tinha. Parecia que ela tinha bem menos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ela tinha 11 anos&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Parecia que tinha uns nove para 10, ela era bem magrinha.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;. A Sueli estava me falando que ela teve uma doen&ccedil;a que deixou ela bem miudinha&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: &Eacute;. O que foi mesmo que ela teve, Sueli? Eu n&atilde;o lembro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Doen&ccedil;a de m&iacute;ngua.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: &Eacute;, quando crian&ccedil;a&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E, nessa &eacute;poca, ela estava de cabelo raspado, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Estava de cabelinho curto, n&eacute;? Tinha piolho&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Teve piolho, n&eacute;? Estavam todas as meninas de cabelo raspado?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: N&atilde;o, eu n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; n&atilde;o. Parece que a M&aacute;rcia estava, ou a Edileide&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: A Edilei&hellip; A Edilei e a Sandra, as duas mais novas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: A M&aacute;rcia n&atilde;o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: A M&aacute;rcia&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: A M&aacute;rcia irm&atilde;&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Ai meu Deus, a M&aacute;rcia n&atilde;o. Ela n&atilde;o deixou a tia cortar, e acho que n&oacute;s j&aacute; est&aacute;vamos mais grandinhas. N&atilde;o deixava criar tanto, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Considerando como era a vida das meninas na &eacute;poca, Ivan queria saber se M&aacute;rcia lembrava da festa junina do dia 4 de junho de 1989, quando Sandra desapareceu. Ela n&atilde;o se recordava de alguns detalhes, mas disse o seguinte: ela e M&aacute;rcia Irm&atilde;, por serem muito amigas e de idades mais pr&oacute;ximas, n&atilde;o queriam a companhia de Sandra e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a>, que eram menores.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Ent&atilde;o, voc&ecirc;s n&atilde;o queriam que a Sandra fosse para a festa porque voc&ecirc;s queriam curtir sozinhas?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Sim. Acho que at&eacute; pelo fato de ela estar careca, n&atilde;o sei&hellip; Porque ela n&atilde;o estava arrumada, porque ela estava suja, n&atilde;o se ajeitou para ir com n&oacute;s. Eu acho que foi isso. A gente n&atilde;o queria levar ela. Essa &eacute; a verdade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E a Sandra queria&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: E ela queria ir com n&oacute;s. Ela estava no direito de ir com a gente, n&eacute;? S&oacute; que a gente&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eu vou&hellip; Eu entendo que j&aacute; faz 30 e poucos anos, ent&atilde;o &eacute; normal n&atilde;o lembrar de tudo, t&aacute;? Eu vou ler o seu depoimento, ent&atilde;o, para voc&ecirc; ver se alguma coisa&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Volta. Boa&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &ldquo;<a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/marcia-franco\/\" target=\"_self\" title=\"Prima de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">M&aacute;rcia Franco<\/a>. Brasileira, solteira, com 13 anos de idade, natural de Mandirituba, estado do Paran&aacute;. Filha de Juvino. [&hellip;] Que a depoente era prima da v&iacute;tima Sandra. Que no domingo a depoente estava na festa do col&eacute;gio Guisela, e que Sandra estava l&aacute; com a irm&atilde; pequena&rdquo;. Com a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a>. Eu j&aacute; vou explicar melhor isso, t&aacute;? Mas tem mais coisa. Que ela disse que estava com a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a>. &ldquo;E que a pequena estava olhando na M&aacute;rcia e na depoente&rdquo;. Sempre que fala M&aacute;rcia, &eacute; a irm&atilde;, t&aacute;? Porque &eacute; voc&ecirc; que est&aacute; falando aqui. Ent&atilde;o, &eacute; a tua prima, a irm&atilde; da Sandra. &ldquo;E que a pequena estava olhando na M&aacute;rcia e na depoente, e que a M&aacute;rcia foi falar com elas. E a Sandra brigou com a irm&atilde; pequena, que chorou, e a Sandra saiu correndo. Que a M&aacute;rcia e a depoente trouxeram a pequena em casa, e que a depoente<\/em> <em>ficou em casa e n&atilde;o viu mais a Sandra&rdquo;. &Eacute; isso que voc&ecirc; diz. Juntando outros depoimentos, o que eu entendo mais ou menos do que aconteceu foi o seguinte&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Ent&atilde;o foi isso. A gente voltou levar as duas&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o, levou s&oacute; a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: N&oacute;s levamos as duas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o&hellip; A Sandra&hellip; Vou dizer o que&hellip; Juntando outros depoimentos, o que eu tenho mais ou menos&hellip; O que eu entendi foi o seguinte: l&aacute; pelas 14h, mais ou menos, voc&ecirc;&hellip; As M&aacute;rcias est&atilde;o na festa, t&aacute;? Mais ou menos&hellip; Est&atilde;o aqui na festa. Da&iacute;, mais ou menos l&aacute; pelas&hellip; Entre 16h e 17h, chega a Sandra com a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a>. As duas chegam. A Sandra est&aacute; com uma cal&ccedil;a, um moletom, est&aacute; de chinelo de dedo. Est&aacute; bem frio, e ela est&aacute; com uma touca cobrindo a cabe&ccedil;a, uma touca branca, cobrindo a cabe&ccedil;a. E diz que a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a> ficou olhando para a tua prima M&aacute;rcia. Quando ficou olhando para ela, a tua prima M&aacute;rcia foi l&aacute; falar com ela, e diz que a Sandra tinha brigado com a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a>. N&atilde;o sei por qual motivo. Porque acho que a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a> queria voltar para casa e a Sandra queria ficar na festa. Nisso, a Sandra some, sai correndo para dentro da festa. E voc&ecirc; e a M&aacute;rcia trazem a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a> para casa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: &Eacute; verdade. Foi isso mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Foi isso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Foi.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; lembra dessa briga da <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a> com a Sandra? Voc&ecirc; lembra o que elas estavam discutindo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: N&atilde;o. Eu n&atilde;o lembro&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Por que a Sandra queria tanto&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Eu s&oacute; lembro que a Sandra sumiu no meio da festa. Agora, voc&ecirc; falando, eu lembrei. Elas vieram atr&aacute;s da gente. A gente deixou elas ficarem na festa. E, a&iacute;, eu n&atilde;o sei pelo qu&ecirc;&hellip; E a gente sempre juntas, n&eacute;? A&iacute; a gente pegou a Edileide para levar para casa, e a Sandra n&atilde;o quis ir para casa. A Sandra ficou ali. A gente foi, levou a Edileide e voltou para a festa, a gente j&aacute; n&atilde;o viu ela.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. A Sandra&hellip; O que eu queria saber e eu n&atilde;o sei se voc&ecirc; vai saber&hellip; Talvez a tua prima M&aacute;rcia, irm&atilde; da Sueli, saiba&hellip; Mas por que a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a> e a Sandra brigaram, e por que a Sandra brigou com todo mundo? Isso voc&ecirc; n&atilde;o vai lembrar, n&eacute;? Porque, da&iacute;, olha s&oacute;, voc&ecirc;s voltam para casa. Voc&ecirc;s voltam para casa pela BR.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute; voc&ecirc;, a M&aacute;rcia e a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a>. A Sandra est&aacute; na festa. Nesse meio tempo, ocorre um desencontro. A Sandra est&aacute; na festa e pede para um homem conhecido dela trazer ela at&eacute; um certo ponto aqui. Ele traz ela at&eacute; o 22, e ela diz: &ldquo;daqui eu posso ir sozinha&rdquo;. E da&iacute; ela volta para casa. Nisso, voc&ecirc; diz que n&atilde;o vai mais para a festa e fica em casa. E a M&aacute;rcia diz: &ldquo;eu vou buscar a Sandra agora&rdquo;. E ela sai em busca. S&oacute; que a Sandra chega em casa, a M&aacute;rcia acabou de sair. Ent&atilde;o, tudo d&aacute; a entender que a Sandra veio pelo mato&hellip; Porque a M&aacute;rcia diz que saiu pelo acostamento, saiu pela principal. Da&iacute; a Sandra diz: &ldquo;a M&aacute;rcia est&aacute; me procurando? Eu vou atr&aacute;s dela&rdquo;. E da&iacute; ela sai&hellip; E a M&aacute;rcia volta para casa e n&atilde;o encontra&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No epis&oacute;dio 4, Ivan falou sobre Cec&iacute;lia, uma mulher que tamb&eacute;m era vizinha de Sandra. Esse n&atilde;o &eacute; o seu nome real e, na conversa com M&aacute;rcia Prima, Ivan cita o nome verdadeiro. Por isso, ele ser&aacute; ocultado quando aparecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Cec&iacute;lia teria sido a &uacute;ltima pessoa que viu Sandra viva. Em depoimento, prestado em 8 de julho de 1989, ela dizia que, por volta das 20h, avistou a garota sentada nas escadas do restaurante do Posto 22. Ela, ent&atilde;o, chegou a perguntar o que a menina estava fazendo, mas Sandra n&atilde;o teria respondido nada.<\/p>\n\n\n\n<p>Por&eacute;m, existe um relat&oacute;rio da Pol&iacute;cia Civil datado de 4 de mar&ccedil;o de 1991, ou seja, quase dois anos ap&oacute;s a morte de Sandra. Nesse relat&oacute;rio, os investigadores citam em certa parte o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Uma tia da v&iacute;tima informou que, naquela data, encontrou-se com a v&iacute;tima num posto de gasolina e que conversou com a mesma. Ela teria lhe dito que n&atilde;o iria embora pois estava esperando um homem que iria lev&aacute;-la para passear.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No inqu&eacute;rito de Sandra, n&atilde;o h&aacute; depoimento de nenhuma tia nem ningu&eacute;m que tenha dito<em> <\/em>algo parecido. O m&aacute;ximo que existe &eacute; o relato de Cec&iacute;lia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: A &uacute;ltima pessoa que viu a Sandra diz que viu ela sentada nas escadas do restaurante do 22, que &eacute; a [nome ocultado]. N&atilde;o d&aacute; a entender&hellip; Mas d&aacute; a entender que seria a tia dela. Fala assim: &ldquo;a tia&rdquo;. Tem alguma chance da [nome ocultado] ser chamada de tia pela Sandra ou pela M&aacute;rcia?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o. Pode ter sido outra pessoa, ent&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: A n&atilde;o ser que a tia Juvelina tivesse um relacionamento com algum irm&atilde;o delas ali, n&eacute;, no caso. Mas eu acho que n&atilde;o. Ou chamava por costume, eles chamavam todo mundo de tia. Eu era a Ma, prima.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Diz que, isso l&aacute; pelas oito da noite, a Sandra est&aacute; sentada na escada do restaurante 22. A [nome ocultado] diz para ela assim: &ldquo;voc&ecirc; n&atilde;o quer ir para casa?&rdquo;, alguma coisa assim. Que a [nome ocultado] foi comprar cigarro, e da&iacute; ela diz: &ldquo;n&atilde;o, eu estou esperando um homem&rdquo;. &Eacute; esse homem que a gente est&aacute; tentando localizar. Se a [nome ocultado] estiver falando a verdade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Mas a [nome ocultado] n&atilde;o fala o nome dessa pessoa?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o. Diz que a Sandra n&atilde;o falou ou pelo menos ela n&atilde;o colocou para a gente. S&oacute; diz: &ldquo;estou esperando um homem aqui, que diz que vem me buscar&rdquo;. N&atilde;o sei se a Sandra estava falando a verdade. Ela poderia estar mentindo? Falando tipo assim: &ldquo;ah, estou esperando, v&atilde;o vir me buscar, n&atilde;o me encha o saco&rdquo;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Eu acho que sim. Ela n&atilde;o tinha nem corpo de menina, de mo&ccedil;a, n&eacute;, Sueli? Ela era muito&hellip; N&atilde;o tinha condi&ccedil;&atilde;o&hellip; Nem n&oacute;s&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas isso n&atilde;o impedia os homens de ficar mexendo com voc&ecirc;s, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: A gente levava uma buzinada ou outra de caminh&atilde;o na BR, mas n&atilde;o tinha amigos assim&hellip; Meu pai nunca foi de levar homem para dentro de casa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o, isso eu sei.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Tipo para&hellip; Tipo assim, amigo&hellip; Os amigos do meu pai eram l&aacute; do boteco, dali para l&aacute;. N&atilde;o tinha&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Os homens n&atilde;o mexiam com voc&ecirc;s, assim? Fora de buzinada?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: N&atilde;o, n&atilde;o. Nada&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Al&eacute;m de serem pequenas, eram feinhas&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Feia ainda&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; poss&iacute;vel, ent&atilde;o, que Sandra estivesse na escadaria do restaurante do posto esperando algu&eacute;m. Um homem. E tem uma coisa importante: ningu&eacute;m daquele c&iacute;rculo familiar ou social tinha carro. O &uacute;nico carro que aparece &eacute; aquele Volkswagen azul &ndash; que, por sinal, era um Fusca. O Fusca azul do Sr. Pedro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a &uacute;nica passagem do inqu&eacute;rito de Sandra que diz que ela esperava por um homem que a levaria para passear naquela noite &eacute; nesse relat&oacute;rio da Pol&iacute;cia Civil, produzido quase dois anos depois do caso. Esse documento foi escrito por dois investigadores: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/ednam-baptista\/\" target=\"_self\" title=\"Um dos investigadores do caso Sandrinha\" class=\"encyclopedia\">Ednam Baptista<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/rogerio-miranda-de-mello\/\" target=\"_self\" title=\"Um dos investigadores do caso Sandrinha\" class=\"encyclopedia\">Rog&eacute;rio Miranda de Mello<\/a>. E Ivan conseguiu uma entrevista com o Dr. Rog&eacute;rio.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Estou com 62 anos de idade e, na &eacute;poca, em 2012&hellip; De 1982 a 2012, fui investigador da Pol&iacute;cia Civil, me aposentei na primeira classe.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na conversa com o Dr. Rog&eacute;rio, Ivan esclareceu algumas d&uacute;vidas sobre essa quest&atilde;o do relat&oacute;rio:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E tem uma coisa no teu relat&oacute;rio, doutor, que eu acho que essa era a pergunta mais importante que eu queria fazer para o doutor hoje&hellip; Que, assim, tem no seu relat&oacute;rio&hellip; Diz que tem uma tia da Sandra que diz que chegou a encontr&aacute;-la na noite em que ela desapareceu, que ela encontrou&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Na festa, na sa&iacute;da da festa&hellip; Acho que foi isso, n&eacute;? &Eacute; que eu n&atilde;o me lembro do relato dela&hellip; Se voc&ecirc; puder&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eu vou ler exatamente o trecho, t&aacute;? Fala assim: &ldquo;J&aacute; uma tia da v&iacute;tima informou que naquela data encontrou-se com a v&iacute;tima no posto de gasolina e que conversou com a mesma. E ela teria lhe dito que n&atilde;o iria embora pois estava esperando um homem que iria lev&aacute;-la para passear&rdquo;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Isso, exato. &Eacute; o p&aacute;tio do posto que eu te falei&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Isso. Essa quest&atilde;o do posto&hellip; O &uacute;nico depoimento mais pr&oacute;ximo disso que eu tenho &eacute; de uma mulher que &eacute; considerada a &uacute;ltima que viu ela com vida, uma mulher chamada [nome ocultado], que n&atilde;o era tia biol&oacute;gica, mas parecia que morava ali perto&hellip; E crian&ccedil;a chama todo mundo de tio&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Rog&eacute;rio: E todo mundo chamava de tia&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Isso, exato. Essa [nome ocultado], no depoimento original dela, fala que viu a Sandra na escada do restaurante do posto. Chegou a falar com ela, mas ela n&atilde;o respondeu nada. E aqui no seu relat&oacute;rio diz que uma tia disse que viu ela no posto de gasolina, o que me leva a crer que foi a [nome ocultado], mas que disse que dessa vez ela respondeu que: &ldquo;n&atilde;o, eu estou esperando um homem que vai me levar para passear&rdquo;. O doutor lembra dessa tia falando isso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Sim. Eu lembro vagamente do fato. Eu s&oacute; n&atilde;o sei te dizer se era parente consangu&iacute;nea, mas acho que n&atilde;o, acho que &eacute; isso que voc&ecirc; est&aacute; falando mesmo. Porque a gente queria saber&hellip; Quando houve essa suspeita de que ela estaria no posto de gasolina e teria dito que estava esperando, a gente levantou a possibilidade de um caminhoneiro ter feito o crime. Mas o caminhoneiro teria seguido viagem e teria matado ela ali no local, e n&atilde;o teria levado&hellip; Para que o caminhoneiro vai pegar e vai levar a m&atilde;o de algu&eacute;m?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ou ia levar&hellip; Ou ia jogar na estrada, em outro estado&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: &Eacute;, exato&hellip; E n&atilde;o mataria dentro do caminh&atilde;o tamb&eacute;m, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Entendeu? Ele mataria na beira da estrada, num lugar mais escondido e deixaria ali&hellip; Essa mulher falou que a Sandra estava no posto de gasolina e que estava esperando um homem. S&oacute; que ela n&atilde;o falou quem era o homem. Depois, eu acho que a gente tentou fazer uma acarea&ccedil;&atilde;o entre essa mulher&hellip; N&atilde;o sei se est&aacute; no inqu&eacute;rito isso&hellip; Com o vigilante&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ivan citou esse vigilante no epis&oacute;dio 4, sobre ele ter sido o principal suspeito do caso Sandra na &eacute;poca, mas nunca chegou a ser acusado formalmente. No epis&oacute;dio 4, Ivan o chamou pelo pseud&ocirc;nimo de Jo&atilde;o Ant&ocirc;nio.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;, n&atilde;o tem, n&atilde;o tem acarea&ccedil;&atilde;o&hellip; Aham, sim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: N&atilde;o, n&eacute;? Ent&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o. Agora, o que acontece, aparentemente, &eacute; o seguinte: a Sandra, por algum motivo&hellip; Isso me chama a aten&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m, que, a gente conversando com as parentes da Sandra hoje, elas dizem que a Sandra n&atilde;o era muito de brigar. Mas, naquele dia em espec&iacute;fico, ela queria muito ficar na festa. A irm&atilde; mais nova, que tinha oito anos, disse que estava com frio e queria voltar para casa. Da&iacute;..<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: E voltou sozinha.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Da&iacute;&hellip; A&iacute; &eacute; que t&aacute;. Na festa estava a outra irm&atilde; dela, a M&aacute;rcia, e a prima, tamb&eacute;m M&aacute;rcia. E as duas M&aacute;rcias pegam a menor, a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a>, levam para casa, e a Sandra sai correndo, diz que n&atilde;o quer e faz um alvoro&ccedil;o l&aacute;. Da&iacute;, enquanto elas t&atilde;o levando ela para casa, a Sandra chega para o vigilante, o [nome ocultado], e fala: &ldquo;olha, eu briguei com a M&aacute;rcia, a M&aacute;rcia brigou comigo, me leva para casa, por favor&rdquo;, uma coisa assim. Nisso, as tr&ecirc;s meninas voltam para casa. A M&aacute;rcia, prima, decide ficar em casa, a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/maria-edileide\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; mais nova de Sandra Mateus da Luz\" class=\"encyclopedia\">Maria Edileide<\/a> j&aacute; queria ficar em casa mesmo&hellip; Da&iacute; a irm&atilde; M&aacute;rcia fala: &ldquo;ah, eu vou voltar para pegar a Sandra&rdquo;. E elas se desencontram. Porque nisso a Sandra pede para o vigilante, o [nome ocultado], levar ela at&eacute; um certo ponto. Ele diz que leva ela at&eacute; o posto. A Sandra volta para casa, da&iacute; ela se desencontra da irm&atilde; M&aacute;rcia. A Sandra chega em casa, a m&atilde;e fala: &ldquo;a M&aacute;rcia acabou de sair para ir atr&aacute;s de voc&ecirc;&rdquo;. &ldquo;Ah, ent&atilde;o eu vou atr&aacute;s da M&aacute;rcia&rdquo;. E da&iacute; elas se desencontram de novo, e nesse ponto &eacute; que a gente sabe que a Sandra fica no posto de gasolina parada, sentada, esperando alguma coisa, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Por causa dessa situa&ccedil;&atilde;o da Sandra ter ficado na festa, que n&oacute;s comentamos agora, &eacute; que n&oacute;s ach&aacute;vamos o seguinte: que a Sandra j&aacute; tinha marcado o encontro l&aacute; na festa. S&oacute; que a pessoa n&atilde;o quis sair da festa com a Sandra, e marcou de pegar ela no posto de gasolina.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Entendi.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; nesse ponto que a quest&atilde;o do assassino ter um carro se torna uma hip&oacute;tese importante. N&atilde;o apenas porque ele teria que ser r&aacute;pido nos deslocamentos, no momento do sequestro e da desova do corpo, mas principalmente por causa desse peda&ccedil;o de informa&ccedil;&atilde;o de que Sandra estaria esperando algu&eacute;m no posto de gasolina.<\/p>\n\n\n\n<p>E, como falado anteriormente, ningu&eacute;m tinha carro naquele c&iacute;rculo social. Isso era algo que tamb&eacute;m chamava a aten&ccedil;&atilde;o do Dr. Rog&eacute;rio. Por isso, a hist&oacute;ria do Fusca azul passou a ficar mais relevante para ele. E chamava a aten&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m como essas meninas poderiam estar sendo aliciadas. Meninas pobres, morando em condi&ccedil;&otilde;es prec&aacute;rias, com uma m&atilde;e que aparentemente n&atilde;o dava muita aten&ccedil;&atilde;o e precisava de ajuda.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Na verdade, eram mimos que os caras davam, entendeu? Porque ela recebia eles. Qualquer pessoa&hellip; Tinha um posto de gasolina, tinha um p&aacute;tio que a m&atilde;e da Sandra ia l&aacute;, entendeu? Ent&atilde;o, a gente&hellip; N&atilde;o se pode chamar em termos de prostitui&ccedil;&atilde;o&hellip; As pr&oacute;prias meninas, se voc&ecirc; conversasse na &eacute;poca&hellip; Hoje eu n&atilde;o me lembro mais qual delas&hellip; Se foi a prima ou se foi&hellip; Voc&ecirc; falava assim: &ldquo;mas, escute, voc&ecirc; foi na festa junina? Voc&ecirc;, para ir na festa junina, voc&ecirc; foi como?&rdquo;. &ldquo;Ah, n&atilde;o, eu ia porque o fulano de tal pagava os docinhos, as pa&ccedil;oquinhas na festa&rdquo;, sabe? Entendeu? Eles n&atilde;o davam dinheiro para elas. Os caras compravam chope, cerveja, bebida, entende? E, para essas meninas, Ivan, o cara chegar com um Fusca&hellip; Na &eacute;poca, por exemplo, tinha Monza, Chevette, Kadett&hellip; Voc&ecirc; chegar com um Fusca&hellip; Porra, o cara tinha carro, sabe? Era uma coisa deslumbrante para essas meninas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ningu&eacute;m tinha carro ali, n&eacute;? Com exce&ccedil;&atilde;o desse suspeito, ningu&eacute;m tinha carro, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Exato. Tinha moto, sabe, aquelas motinhas velhas, que eu n&atilde;o me lembro&hellip; CG&hellip; Que &eacute; o CG bolinha, sabe? Mas ningu&eacute;m era, assim, de posse, sabe?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Sr. Pedro aparece primeiro na hist&oacute;ria por conta de um<em> <\/em>vizinho, Vitor, que disse que viu certa vez Sandra e outras meninas em torno do<em> <\/em>Fusca azul dele. Vitor afirmou que as garotas entravam no carro e abra&ccedil;avam o homem.<em> <\/em>Quando ele foi avisar a m&atilde;e delas sobre isso, dona Juvelina disse que elas &ldquo;s&oacute;<em> <\/em>estavam ganhando um dinheirinho&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois, em depoimento, Juvelina falou que esse tal de Pedro come&ccedil;ou a<em> <\/em>frequentar a casa dela. Ela tamb&eacute;m dizia que ele morava em Curitiba e tinha um terreno<em> <\/em>na praia, e que n&atilde;o sabia o motivo pelo qual ele come&ccedil;ou a visit&aacute;-la.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por<em> <\/em>fim, disse que, ap&oacute;s o corpo de Sandra ser encontrado, Pedro tentou se aproximar<em> <\/em>dela de carro, mas ela se afastou. Ele come&ccedil;ou a perguntar o motivo de ela estar nervosa com<em> <\/em>ele.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo dia em que Juvelina prestou depoimento, M&aacute;rcia Irm&atilde; foi ouvida. De acordo com ela, o Sr. Pedro frequentava a casa h&aacute; mais de um m&ecirc;s, e ela tamb&eacute;m n&atilde;o sabia o motivo. M&aacute;rcia dizia que estranhava o fato de Pedro saber que Sandra estava com o cabelo raspado, visto que, de acordo com ela, ele provavelmente n&atilde;o a teria visto assim.<\/p>\n\n\n\n<p>M&aacute;rcia Irm&atilde; tamb&eacute;m relatou sobre o fato de o Sr. Pedro ter agido de forma estranha ap&oacute;s o corpo de Sandra ter sido encontrado. E, por fim, disse que, ap&oacute;s Sandra desaparecer, ele teria marcado um encontro com M&aacute;rcia Prima &ndash; encontro esse que ela nunca foi.<\/p>\n\n\n\n<p>As declara&ccedil;&otilde;es de dona Juvelina e M&aacute;rcia Irm&atilde; foram tomadas em 15 de junho de 1989. Nesse mesmo dia, M&aacute;rcia Prima tamb&eacute;m prestou um depoimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Na conversa com ela, Ivan queria saber mais sobre esse depoimento &ndash; especialmente sobre a hist&oacute;ria do encontro que o Sr. Pedro tentou marcar com ela. Durante a entrevista, o nome verdadeiro dele foi citado. Ent&atilde;o, aqui ele ser&aacute; ocultado.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: No dia 12\/06, Dia dos Namorados, que encontram o corpo, &eacute; uma segunda-feira. Ent&atilde;o, deixa eu ver&hellip; Segunda, ter&ccedil;a, quarta&hellip; Segunda, domingo, s&aacute;bado, sexta, quinta. Ent&atilde;o, 12, 11, 10, 9, 8&hellip; Ent&atilde;o, no dia 8 de junho, tem uma situa&ccedil;&atilde;o que &eacute; mais ou menos assim: a sua m&atilde;e recebe a visita de um cara que visitava a dona Juvelina direto, que tinha um Fusca azul. Esse cara se chamava [nome ocultado]. Ele tomava chimarr&atilde;o com a dona Juvelina. Em espec&iacute;fico, no dia 8 de junho, parece que a sua m&atilde;e, dona Eva, pede para ele levar ela para o hospital porque devia ser o &uacute;nico cara que tinha carro. Ningu&eacute;m tinha carro ali, que voc&ecirc;s conheciam, n&eacute;? Pede para levar ela para o hospital para tirar o gesso. Eles v&atilde;o para o hospital, da&iacute; a mulher no hospital diz assim: &ldquo;vai ter que vir na segunda-feira, pode ser?&rdquo;. Da&iacute; ele fala: &ldquo;eu posso ir bem cedinho, se for bem cedinho&rdquo;. Esse cara volta para casa. Leva voc&ecirc;s de volta para casa. Voc&ecirc; lembra de alguma coisa, de andar num Fusca azul ou alguma coisa assim?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Meu Deus&hellip; Tem que fazer aquela retrospectiva l&aacute; da&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Vamos ler aqui o que voc&ecirc; fala dele, o que voc&ecirc; chega a falar dele. &ldquo;A respeito de um senhor de nome [nome ocultado], que a depoente o conhece porque ele vai sempre na casa da tia da depoente. Que na semana passada, uns quatro dias depois que a Sandra desapareceu&hellip;&rdquo;. Esse dia aqui&hellip; Na quinta-feira, quatro dias depois que a Sandra desapareceu&hellip; &ldquo;A depoente veio em Mandirituba com a m&atilde;e, que ia retirar o gesso. E quem trouxe no hospital foi o senhor [nome ocultado]. Que chegando de volta em casa, a m&atilde;e da depoente desceu, tendo a tia tamb&eacute;m descido&rdquo;. A tia&hellip; Da&iacute; imagino que foi a dona Juvelina&hellip; &ldquo;E que o senhor [nome ocultado] mandou a depoente esperar, e que a depoente ficou no carro dele. E que ele disse que, se a depoente sa&iacute;sse com ele, ele dava cinco cruzados novos, um rel&oacute;gio e uma calculadora, e que ele queria encontrar com a depoente perto do po&ccedil;o onde pegam &aacute;gua. E que, por volta de tr&ecirc;s e meia, quatro horas, &lsquo;eu vou te esperar por l&aacute;&rsquo;. E que a depoente disse que n&atilde;o ia e que ele disse que ia ficar esperando. A depoente foi para casa e saiu com o pai para fazer compras. Que voltaram do mercado, e que a depoente avistou o carro dele, que estava na BR-116. Ele ainda estava esperando a depoente. A depoente contou os fatos &agrave; tia, e ela disse que ia falar a ele se ele ia trabalhar ou ia esperar a depoente. Que a depoente n&atilde;o sabe se a tia falou com ele&rdquo;. Ou seja, basicamente, a Juvelina disse que ia l&aacute; tirar satisfa&ccedil;&atilde;o com ele: &ldquo;voc&ecirc; vai trabalhar ou voc&ecirc; vai ficar esperando aqui a M&aacute;rcia? O que voc&ecirc; est&aacute; fazendo aqui?&rdquo;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Eu, falando?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; falando. E voc&ecirc; n&atilde;o sabe se a Juvelina foi falar com ele, tirar satisfa&ccedil;&atilde;o. Mas isso aqui &eacute; voc&ecirc; falando.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Esse Fusca azul&hellip; Tipo assim, est&aacute; come&ccedil;ando a dar uns flashes assim&hellip; Mas eu n&atilde;o lembro de [nome ocultado]&hellip; N&atilde;o lembro, meu Deus do C&eacute;u, 30 e poucos anos&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &ldquo;Que esclarece a depoente que na segunda-feira ainda o viu por ali&hellip;&rdquo;. Foi o dia que foi tirar o gesso&hellip; &ldquo;Mas que n&atilde;o mais falou com ele&rdquo;. O [nome ocultado] tem uma vers&atilde;o diferente do que aconteceu. Eu, honestamente, acredito na senhora, no depoimento de voc&ecirc;, crian&ccedil;a&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Sr. Pedro prestou depoimento no dia 20 de junho de 1989, ou seja, pouco mais de uma semana ap&oacute;s o corpo de Sandra ter sido encontrado. Antes de entrar nesse relato, Ivan precisa retomar a linha do tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Sandra sumiu no domingo &agrave; noite, dia 4 de junho. Na quinta-feira, dia 8, ela estava desaparecida h&aacute; quatro dias. Na ocasi&atilde;o, Pedro passou pela cidade e levou a dona Eva, m&atilde;e de M&aacute;rcia Prima, para o hospital. Ela estava com a perna engessada e naquele dia pretendia tirar o gesso. A filha, a M&aacute;rcia Prima, foi junto.<\/p>\n\n\n\n<p>No hospital, dona Eva foi informada que n&atilde;o poderia retirar o gesso naquele dia, e que teria que voltar na segunda-feira. Ela perguntou para o Sr. Pedro se ele poderia lev&aacute;-la para o hospital novamente na pr&oacute;xima semana, e ele disse que sim, se fosse bem cedo. Eles voltaram para casa naquela quinta-feira.<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Eva entrou em casa, e o Sr. Pedro pediu para a M&aacute;rcia Prima ficar no carro um pouco com ele. Nessa conversa, ele teria tentado marcar um encontro com ela, oferecendo em troca cinco cruzados novos, um rel&oacute;gio e uma calculadora. M&aacute;rcia negou o convite, mas ainda assim o Sr. Pedro falou que ficaria esperando a menina no local sugerido, um po&ccedil;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com o depoimento, M&aacute;rcia n&atilde;o foi. Ao voltar do mercado com o pai, viu que o carro do Sr. Pedro, o Fusca azul, estava l&aacute; perto. Contou, ent&atilde;o, tudo para a dona Juvelina sobre o convite que havia recebido. E ela, a m&atilde;e de Sandra, falou para M&aacute;rcia que tiraria satisfa&ccedil;&atilde;o com ele. Mas ela n&atilde;o sabe se Juvelina foi falar com ele mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na manh&atilde; de segunda-feira bem cedo, o Sr. Pedro passou para buscar a dona Eva e lev&aacute;-la ao hospital. Nesse mesmo dia, tamb&eacute;m de manh&atilde;, o corpo de Sandra apareceu no matagal perto de casa. No depoimento de Pedro, constam dois endere&ccedil;os: um em Fazenda Rio Grande e outro em Curitiba. Isso &eacute; porque ele havia morado em Fazenda nos &uacute;ltimos anos, sua empresa ainda era l&aacute;, mas ele j&aacute; havia se mudado para Curitiba novamente.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent&atilde;o, no dia 20 de junho, Pedro prestou depoimento.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas eu vou ler, e &eacute; um depoimento bem ruim assim, t&aacute;? Mas que fala sobre essa quest&atilde;o toda que eu te falei, de ser&hellip; Parece que, assim, estava sempre&hellip; Tinha um monte de homem olhando para voc&ecirc;s o tempo inteiro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Meu Deus. N&atilde;o sabia dessa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &ldquo;Que, na segunda-feira, o corpo da menina foi encontrado. Mas, antes disso, na quinta-feira, o declarante trouxe uma tia da menina at&eacute; o hospital para retirar um gesso e que, o m&eacute;dico n&atilde;o estando, a mulher pediu para o declarante se ele n&atilde;o poderia traz&ecirc;-la na segunda-feira. Ent&atilde;o, o declarante disse que, se fosse bem cedo, ele poderia trazer. E que, na segunda-feira bem cedo, o declarante trouxe a mulher para retirar o gesso&rdquo;. Voc&ecirc; lembra de ir para o hospital para tirar o gesso da sua m&atilde;e? N&atilde;o&hellip; &ldquo;Quando o declarante&hellip; E que, na volta, quando o declarante estava deixando a mulher em casa, a pol&iacute;cia j&aacute; estava l&aacute; dizendo que haviam encontrado o corpo da v&iacute;tima. Que o declarante esteve no local onde o corpo foi encontrado e viu o estado em que ficou o corpo. Que o declarante, no domingo em que a menina desapareceu, n&atilde;o esteve em Mandirituba, e que n&atilde;o costuma vir aos domingos para c&aacute;&rdquo;. Ou seja, ele est&aacute; negando que foi ele que sequestrou a Sandra. &ldquo;Algumas vezes trabalha aos s&aacute;bados at&eacute; o meio-dia. E que a respeito de ter feito uma proposta para uma menina prima da v&iacute;tima&hellip;&rdquo;. Voc&ecirc;&hellip; &ldquo;Esclarece o declarante que na segunda-feira em que o declarante trouxe a mulher para retirar o gesso, a menina estava junto&rdquo;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No depoimento que prestou, M&aacute;rcia Prima dizia que foi ao hospital com o Sr. Pedro e a m&atilde;e apenas na quinta-feira, dia em que ocorreu aquele convite. Ela n&atilde;o menciona ter ido ao hospital com ele na segunda-feira. Mas, de acordo com o relato do Sr. Pedro, isso teria ocorrido na segunda-feira, ou seja, na segunda ida ao hospital.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &ldquo;E a mesma estava vestindo uma saia bem curta, e que estava sentada no carro&hellip; Quando estava sentada no carro, mostrava a calcinha. Que no instante em que a mulher estava retirando o gesso, a menina permaneceu no carro. E que apanhou uma calculadora e passou a manusear. E que ela pediu a calculadora para o declarante. E este disse que poderia arrumar outra para ela porque usava aquela em seu servi&ccedil;o. Que, a partir da&iacute;, o declarante lhe fez uma proposta. Se ela queria sair com o declarante e se ela transava com algu&eacute;m, tendo ela respondido que era neutra e que era comprometida, que ela nunca tinha sa&iacute;do com ningu&eacute;m. Que o declarante lhe prop&ocirc;s&hellip; Se ela quisesse se encontrar com o declarante, ela que marcasse o lugar, mas que ela n&atilde;o quis, e o declarante n&atilde;o insistiu. Mas que o declarante lhe disse que, se ela quisesse sair com ele, lhe daria dinheiro. E que n&atilde;o passou disso. E que afirma que nunca encostou um dedo nela. Que o declarante &eacute; casado, tem dois filhos, uma menina com cinco anos e um guri com 13. E que o declarante tem uma ind&uacute;stria de artefatos de cimento na Fazenda Rio Grande, onde j&aacute; residiu por seis anos&rdquo;. &Eacute; isso. Voc&ecirc; n&atilde;o se lembra desse homem?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: N&atilde;o mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Se ele queria me dar dinheiro&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Porque, olha, eu vou ser muito sincero aqui. Para mim, esse &eacute; o principal suspeito por v&aacute;rios motivos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Eu lembro que tinha esse Fusca, que a m&atilde;e foi tirar o gesso, mas eu n&atilde;o lembro nem de eu ter ido junto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Porque, se foram duas vezes, talvez eu tenha ido uma&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E na outra n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: E na outra n&atilde;o. Porque eu lembro da m&atilde;e chegando nesse Fusca. A m&atilde;e e a tia Juvelina, e os mais pequenos. O M&aacute;rcio com a Edilei.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Porque eu estou achando que&hellip; Tem coisas que me levam a ele. Primeiro, ele conhecia a Sandra. Ou seja, quando a Sandra diz: &ldquo;eu estou esperando, que um homem vem aqui me buscar&rdquo;, pode ser ele. Ele tinha carro. Tinha combinado com ela qualquer coisa assim. E isso me leva a&hellip; Por que a Sandra queria tanto ficar na festa? Por que ela briga tanto para ficar na festa? Era normal ela brigar daquele jeito?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: [faz que n&atilde;o]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ela queria muito ficar na festa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: A gente brigava, mas era pouquinha coisa ali, n&atilde;o que ela&hellip; Que fosse assim dessa forma.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: De sair correndo, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: Se esconder de n&oacute;s. Ela se escondeu da gente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Parecia que ela queria algum&hellip; Que ela tinha combinado alguma coisa escondida com algu&eacute;m, entendeu? Da&iacute; ela est&aacute; l&aacute; no posto esperando algu&eacute;m vir buscar ela. Da&iacute;, olha s&oacute;, esse cara&hellip; O que mais me pega &eacute; esse dia 12 aqui, segunda-feira, quando encontram o corpo. Porque, at&eacute; ent&atilde;o, a Sandra est&aacute; desaparecida. Da&iacute; ele diz: &ldquo;eu posso te levar&hellip;&rdquo;. Ele fala para sua m&atilde;e, a Eva&hellip; Diz: &ldquo;eu posso te levar para o hospital bem cedo, segunda-feira de manh&atilde;&rdquo;. Ele sai, vem de Curitiba ou&hellip; Se ele morava em Fazenda Rio<\/em> <em>Grande, morava l&aacute; para cima, a gente n&atilde;o sabe direito. Mas ele vem, da&iacute; o que<\/em> <em>eu acho que acontece? Ele vem, deixa o corpo dela aqui, busca a sua tia e vai<\/em> <em>para o hospital. Quando est&aacute; voltando, descobre que encontraram o corpo. E da&iacute;<\/em> <em>ele&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&aacute;rcia: E eu era a pr&oacute;xima v&iacute;tima, ent&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Talvez. Talvez fosse.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Se ele for realmente o assassino de Sandra, pode ser tamb&eacute;m o assassino de Leandro e Evandro. E &eacute; aqui que, de acordo com Ivan, a hip&oacute;tese das duas crian&ccedil;as que apresentou no epis&oacute;dio 3 passa a ser uma possibilidade mais relevante. Seria isso um padr&atilde;o? Uma grande coincid&ecirc;ncia? Ser&aacute; que est&aacute; entrando na fal&aacute;cia da Bola de Neve?<\/p>\n\n\n\n<p>Como mostrou no in&iacute;cio do epis&oacute;dio, na conversa com a Dra. L&iacute;gia, existe um tipo de ped&oacute;filo que &eacute; o sedutor. Ele d&aacute; presentes, se aproxima, tenta ganhar a confian&ccedil;a da crian&ccedil;a para peg&aacute;-la.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse pode ter sido o caso de Sandra. Pode ser o que aconteceria com M&aacute;rcia Prima. E n&atilde;o &eacute; incomum tamb&eacute;m que ele tenha uma soberba grande, um perfil antissocial de se achar melhor do que os outros. De que nunca ser&aacute; capturado. Pode ser que na sua fantasia ele tamb&eacute;m achava necessidade de ter mais de uma crian&ccedil;a com ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, Ivan se recorda de Leandro e Aramis, dos Irm&atilde;os Fran&ccedil;a, de Evandro e dos garotos misteriosos. Talvez, Sandra e M&aacute;rcia Prima se encaixem a&iacute;. E n&atilde;o &eacute; incomum que esse tipo de pessoa se aproxime da fam&iacute;lia como algu&eacute;m que quer ajudar, que se demonstra muito prestativo. Abaixo, est&aacute; um trecho do depoimento da M&aacute;rcia Irm&atilde;, que pode ser relevante sob essa luz:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Que na manh&atilde; de ontem, dia 14 de junho, quarta-feira, por volta de dez horas mais ou menos, a depoente seguia com a m&atilde;e pela estrada. Em sentido contr&aacute;rio vinha o carro do Sr. &lsquo;Pedro&rsquo;. Ele parou, mas a m&atilde;e da depoente n&atilde;o queria conversa. E ent&atilde;o ele disse: &ldquo;nossa, dona Juvelina, a senhora est&aacute; t&atilde;o nervosa. Eu s&oacute; queria ajudar. Eu at&eacute; levei voc&ecirc;s at&eacute; a pol&iacute;cia para procurar a menina. Eu n&atilde;o queria fazer nada de mal a ela. Eu n&atilde;o fa&ccedil;o mal nem a um cachorro&rdquo;. Ele estava muito nervoso, e estava tremendo<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, de acordo com o depoimento de M&aacute;rcia Irm&atilde;, o Sr. Pedro chegou a levar a dona<em> <\/em>Juvelina at&eacute; a pol&iacute;cia quando Sandra desapareceu.<em> <\/em>Em depoimento, a dona Juvelina falava o seguinte sobre essa ocasi&atilde;o: <\/p>\n\n\n\n<p><em>A declarante foi at&eacute; o m&oacute;dulo e pediu ajuda para procurarem a menina. A declarante n&atilde;o procurou a Delegacia de Pol&iacute;cia porque n&atilde;o p&ocirc;de vir.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Como se nota, dona Juvelina n&atilde;o cita que foi at&eacute; o m&oacute;dulo da pol&iacute;cia com o Sr. Pedro.<em> <\/em>Assim, se o depoimento de M&aacute;rcia Irm&atilde; est&aacute; correto, foi provavelmente Pedro quem<em> <\/em>levou Juvelina at&eacute; um posto da Pol&iacute;cia Militar &ndash; que teria um<em> <\/em>m&oacute;dulo naquela regi&atilde;o. Mas ela n&atilde;o foi at&eacute; uma delegacia da Pol&iacute;cia Civil para registrar um<em> <\/em>boletim de ocorr&ecirc;ncia do desaparecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser&aacute; que isso foi intencional? Ser&aacute; que ele sabia que o certo seria lev&aacute;-la at&eacute; uma<em> <\/em>Delegacia da Pol&iacute;cia Civil? Ser&aacute; que falaram isso para ele l&aacute;? Ou ser&aacute; que ele tamb&eacute;m<em> <\/em>n&atilde;o sabia e, assim como Juvelina, achou que bastava ir at&eacute; um m&oacute;dulo que &ldquo;a<em> <\/em>pol&iacute;cia&rdquo; correria atr&aacute;s sozinha?<\/p>\n\n\n\n<p>Essas perguntas, infelizmente, nunca ter&atilde;o respostas. Mas, j&aacute; que Ivan est&aacute; no caminho de ver como o Sr. Pedro parecia querer ajudar a<em> <\/em>fam&iacute;lia, outra suposi&ccedil;&atilde;o surge. E ela tem a ver com o dia em que o corpo foi<em> <\/em>encontrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela segunda-feira de manh&atilde;, dia 12 de junho de 1989, bem cedinho, o Sr. Pedro apareceu na resid&ecirc;ncia da tia Eva para lev&aacute;-la ao hospital para que tirasse o gesso da perna. Ao voltar para casa, Eva foi informada que haviam encontrado um corpo que poderia ser de Sandra.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, Eva n&atilde;o prestou nenhum depoimento no inqu&eacute;rito, ent&atilde;o n&atilde;o h&aacute; maiores detalhes sobre como ela ficou sabendo disso. O que Ivan sabe &eacute; que quem fez o reconhecimento oficial do corpo de Sandra foi a irm&atilde; mais velha, Sueli, que j&aacute; era casada na &eacute;poca e morava em outra casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na entrevista que concedeu a Ivan, Sueli contou sobre esse dia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Como foi nesse dia? Como que&hellip; Voc&ecirc; estava em casa?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Estava. Estava de manh&atilde; em casa. A minha tia chegou e falou que tinham achado a Sandra morta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Qual tia?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: A tia Eva. Foi ela que veio na minha casa. Que era para eu estar indo l&aacute; reconhecer, que n&atilde;o tinham achado a m&atilde;e, que a m&atilde;e n&atilde;o estava em casa, n&eacute;? A&iacute; eu peguei o meu menino no colo e sa&iacute; para ir reconhecer a minha irm&atilde;. Chegando l&aacute;, eu que&hellip; No caso, a tia Eva j&aacute; tinha reconhecido&hellip; Eu que reconheci o corpo dela.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: No local, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Como&hellip; Voc&ecirc; consegue me dizer como foi chegar no local? Como voc&ecirc;s foram para l&aacute;? Voc&ecirc;s foram a p&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Ah, algu&eacute;m trouxe a minha tia, da&iacute; eu fui junto, de carro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Foi de carro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: N&atilde;o me lembro. N&atilde;o tenho lembran&ccedil;a se foi parente, n&atilde;o tenho lembran&ccedil;a de quem foi. Sei que me levaram e me trouxeram para casa&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Que horas voc&ecirc; chegou l&aacute;? Voc&ecirc; lembra?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Cedo. Era por volta&hellip; Acho que de umas nove, nove e pouco, que eu cheguei l&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; lembra da Eva chegando l&aacute; tamb&eacute;m?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Junto&hellip; Ela foi junto comigo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Foi junto com voc&ecirc;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Foi.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: A Eva que te chamou?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: &Eacute;, ela que veio me buscar, aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; sabe onde a Eva estava?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: N&atilde;o. N&atilde;o perguntei&hellip; Acho que estavam em casa e foram atr&aacute;s dela, que era a mais pr&oacute;xima, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Reconstruindo a linha do tempo, Ivan sabe que Eva estava no hospital com o Sr. Pedro, tirando o gesso da perna.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; lembra em que carro voc&ecirc; foi?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: N&atilde;o me lembro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Estava a M&aacute;rcia, a prima, junto no carro?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o estava?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Voc&ecirc; lembra se era um homem dirigindo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Era.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Era um homem dirigindo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Era um homem.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Deixa eu te mostrar uma foto&hellip; Essa foto &eacute; mais recente, t&aacute;? Mas de repente puxa alguma&hellip; Ele devia ser bem mais novo na &eacute;poca. Esse rosto te lembra alguma coisa?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Pior que n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: N&atilde;o lembro quem seja.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Tudo bem, sem problema. Voc&ecirc; lembra de uma hist&oacute;ria que a Eva estava com o bra&ccedil;o engessado?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ivan gravou essa entrevista com Sueli antes de conversar com a M&aacute;rcia Prima. Foi a M&aacute;rcia quem falou que ela estava na verdade com a perna engessada, e n&atilde;o o bra&ccedil;o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E que ela estava tirando o gesso naquele dia? Vindo do hospital?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: N&atilde;o me lembro se estava vindo do hospital.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas voc&ecirc; lembra que ela estava com gesso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: &Eacute;. Eles tinham comentado. Eu n&atilde;o vi, mas eles tinham comentado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; n&atilde;o chegou a ver?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: N&atilde;o. A m&atilde;e tinha comentado que ela estava com o gesso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Ent&atilde;o, o que a gente sabe, t&aacute;? Eu vou te falar isso para ver se te lembra alguma coisa. Tinha um cara, esse que eu acabei de te mostrar a foto, que o nome dele &eacute; [nome ocultado]. Mas a sua m&atilde;e chamava ele de [nome ocultado]. Porque [nome ocultado], um nome estranho&hellip; Ent&atilde;o chamava de [nome ocultado]. Ele tinha costume de tomar chimarr&atilde;o com a sua m&atilde;e. A sua m&atilde;e tomava muito chimarr&atilde;o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Tomava.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ent&atilde;o, ele tinha costume de ir l&aacute; e de&hellip; Ele conhecia as meninas tamb&eacute;m. Conhecia principalmente a Sandra, a M&aacute;rcia, a sua irm&atilde;&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: A prima&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E a prima M&aacute;rcia tamb&eacute;m. As tr&ecirc;s, ele conhecia. E ele passava ali para Mandirituba&hellip; Ele ia comprar cimento no Accioli, o antigo Accioli, que acho que agora &eacute; um condom&iacute;nio no local, alguma coisa assim. E ele chegou a passar l&aacute; numa quinta-feira, parece. Ficou sabendo da&iacute; que, antes da Sandra aparecer, ela j&aacute; tinha desaparecido&hellip; Da&iacute; ficaram falando&hellip; Da&iacute; falaram: &ldquo;ah, a Sandra desapareceu&rdquo;. Da&iacute; ele at&eacute; tentou&hellip; Acho que levar ela, a sua m&atilde;e, para a pol&iacute;cia, alguma coisa assim. E, nisso, a Eva estava com o gesso e pediu: &ldquo;voc&ecirc; pode me levar para o hospital para eu tirar o gesso?&rdquo;. Da&iacute; ele falou: &ldquo;eu posso segunda-feira bem cedinho&rdquo;. Segunda-feira bem cedinho, diz que pega a Eva, leva para o hospital e, quando est&atilde;o voltando, ou quando ela entra no hospital, descobrem que encontraram o corpo. Ent&atilde;o, a Eva estava com esse [nome ocultado], em princ&iacute;pio. E ele tinha um carro, ele tinha um Fusca azul. E esse Fusca azul volta&hellip; V&atilde;o at&eacute; o local. Ent&atilde;o, se veio algu&eacute;m aqui te buscar, pode ter sido ele, n&atilde;o sei se foi. Mas ele diz que viu o corpo no local. A senhora n&atilde;o lembra desse homem? N&atilde;o lembra de&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: N&atilde;o lembro. N&atilde;o lembro. Se eu falar que eu embarquei&hellip; E o carro era azul, tamb&eacute;m n&atilde;o lembro, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o lembra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: N&atilde;o lembro. E na hora, assim, voc&ecirc; perde o ch&atilde;o, ent&atilde;o voc&ecirc; nem olha o que voc&ecirc; est&aacute; fazendo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E a sua prima n&atilde;o estava no carro tamb&eacute;m. S&oacute; estava a Eva, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: N&atilde;o. S&oacute; veio a minha tia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: S&oacute; veio a tia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Que eu me lembre, n&eacute;? Numa dessas, estava junto, tamb&eacute;m n&atilde;o me lembro, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim. Sim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sueli: Mas ele, eu nunca vi, como os outros&hellip; Se eu vi, n&atilde;o me lembro, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ivan, ent&atilde;o, come&ccedil;ou a olhar as tr&ecirc;s fotos do local onde o corpo de Sandra foi encontrado. E na foto que mostra o terreno de forma mais ampla, no qual se v&ecirc; ao fundo o Posto 22 e a BR-116, &eacute; poss&iacute;vel notar alguns carros estacionados &ndash; provavelmente de rep&oacute;rteres e policiais. E l&aacute;, no meio, est&aacute; um Fusca azul. Em outras palavras, &eacute; bem poss&iacute;vel que o Sr. Pedro tenha ido buscar Sueli para ir at&eacute; o local do corpo naquela manh&atilde; de segunda-feira.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o Fusca azul passou a ser uma linha de investiga&ccedil;&atilde;o, o Sr. Pedro foi perguntado sobre o ve&iacute;culo. Em depoimento, ele confirmou que o Fusca era dele. E aqui entra um problema grave no inqu&eacute;rito de Sandra &ndash; apesar de ter sido uma investiga&ccedil;&atilde;o bem-feita para a &eacute;poca. Em algum momento, o Fusca do Sr. Pedro foi apreendido pela pol&iacute;cia para ser periciado. Mas no inqu&eacute;rito n&atilde;o tem o auto de apreens&atilde;o do ve&iacute;culo, o que nos impede de saber qual a data exata do procedimento. Mas h&aacute; o laudo da per&iacute;cia, datado de 24 de julho de 1989. Nele, Ivan descobriu que o intuito da pol&iacute;cia era procurar por amostras de sangue. Em seguida, est&aacute; escrito o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Procedendo-se a um minucioso exame no referido ve&iacute;culo, foram observadas pequenas manchas (respingos), de colora&ccedil;&atilde;o escura, dispersas externamente, na lataria, e uma mancha de colora&ccedil;&atilde;o acastanhada, localizada na parte externa do vidro da porta esquerda, as quais foram coletadas e maceradas separadamente, em soro fisiol&oacute;gico. Com parte destes macerados, efetuou-se as rea&ccedil;&otilde;es habituais na pesquisa de sangue, obtendo-se resultados positivos somente para o macerado correspondente &agrave; mancha do vidro. A seguir, com o restante do macerado, procedeu-se a pesquisa de sangue humano das provas de Inibi&ccedil;&atilde;o de Aglutina&ccedil;&atilde;o e Precipita&ccedil;&atilde;o de Uhlenhuth, obtendo-se resultados positivos, iguais aos apresentados por sangue humano. Conclus&atilde;o: Em face dos exames realizados, anteriormente relatados, os peritos concluem que a mancha coletada do vidro da porta esquerda do ve&iacute;culo em quest&atilde;o &eacute; constitu&iacute;da por sangue de natureza humana.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, ao menos uma das manchas encontradas pela per&iacute;cia no Fusca azul, localizada<em> <\/em>no vidro da porta do motorista, foi confirmada como sangue humano.<em> <\/em>E da&iacute; &eacute; importante lembrar que tudo isso ocorreu em 1989. N&atilde;o havia exame de DNA. No m&aacute;ximo,<em> <\/em>dava para fazer um exame de tipagem sangu&iacute;nea.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em um of&iacute;cio<em> <\/em>datado de 24 de julho de 1995, o Instituto de Criminal&iacute;stica explica que n&atilde;o havia<em> <\/em>quantidade suficiente de sangue para fazer esse exame na &eacute;poca.<em> <\/em>Anos depois, em novembro de 1996, o Sr. Pedro foi chamado para ser ouvido novamente. J&aacute; haviam se passado mais de sete anos desde o assassinato de Sandra.<em> <\/em>Ele foi a &uacute;nica pessoa a prestar mais de um depoimento no inqu&eacute;rito.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse segundo relato, o Sr. Pedro negou totalmente que tivesse feito uma proposta<em> <\/em>para M&aacute;rcia Prima, entrando assim em contradi&ccedil;&atilde;o com o primeiro depoimento. Ele<em> <\/em>continuou negando que tivesse qualquer envolvimento com a morte e desaparecimento de<em> <\/em>Sandra, e tamb&eacute;m afirmou que n&atilde;o sabia dizer de quem seria o sangue encontrado no carro. De acordo com Pedro, poderia ser dele mesmo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, ele disse que, no domingo em que Sandra desapareceu, estava na cidade de Garuva (SC), visitando um tio da esposa. Esse tio j&aacute; havia falecido na &eacute;poca do segundo depoimento. S&oacute; que Garuva &eacute; do lado de Guaratuba.<\/p>\n\n\n\n<p>O inqu&eacute;rito de Sandra para a&iacute;. Depois do segundo depoimento do Sr. Pedro, n&atilde;o h&aacute; nada de novo. Muitos delegados passaram por ele, sem nenhum avan&ccedil;o. A investiga&ccedil;&atilde;o realmente s&oacute; andou em dois momentos: com a primeira equipe, comandada pelo Dr. In&aacute;cio, e pela segunda equipe, comandada pelo delegado Fernando Vidolin. O Dr. Rog&eacute;rio, investigador da &eacute;poca, foi da equipe do Sr. Vidolin.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Quando a gente pegou, que a gente assumiu, que o delegado j&aacute; tinha ouvido ele, n&oacute;s fomos buscar ele de volta, sabe? No endere&ccedil;o da casa dele. Deixa eu ver qual era o endere&ccedil;o, acho que era o endere&ccedil;o de Curitiba&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Provavelmente no [local ocultado] ali, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: No [local ocultado], isso. E a&iacute; ele ficou&hellip; A gente levou para a delegacia e&hellip; Sabe? Dava aquela prensa, mas n&atilde;o&hellip; Porque foram encontradas gotas de sangue no carro. O carro era visto no local, tinha testemunhas que viram ele na casa da Sandra. Tinha testemunha que via ele entrando na casa da velha, entendeu? Com a velha&hellip; Ent&atilde;o, a gente perguntava, sabe? E ele negava, negava, negava. A vontade era dar&hellip; Mas como&hellip; Por que a gente n&atilde;o usa de certos artif&iacute;cios? Eu, pelo menos, sou contra porque, num crime de homic&iacute;dio, se voc&ecirc; der uma&hellip; Vamos supor, a palavra &ldquo;tortura&rdquo;&hellip; A pessoa confessa, entendeu? Ainda mais que voc&ecirc;, num interrogat&oacute;rio, voc&ecirc; vai&hellip; &ldquo;Ah, porque voc&ecirc; cortou a m&atilde;o. Voc&ecirc; cortou, voc&ecirc; cortou&rdquo;. A&iacute; a pessoa&hellip; Sabe? O crime de homic&iacute;dio &eacute; investigado de forma diferente. Ele tem que ser pego com provas, com testemunhas, com todo um processo de provas documentais para que voc&ecirc; tenha a certeza de que n&atilde;o cometeu nenhum ato injusto, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim, claro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Voc&ecirc; fala mais r&iacute;spido, n&eacute;? Mas a gente perguntava, a&iacute; ele falava assim: &ldquo;n&atilde;o, eu passava l&aacute; porque eu tinha muita pena. A dona Juvelina&hellip;&rdquo;. Ele n&atilde;o chamava&hellip; Ele chamava de Juva. Juvi, Juva, alguma coisa assim. &ldquo;Ela era muito pobre, e eu ajudava, eu dava cesta&hellip;&rdquo;. Na &eacute;poca n&atilde;o era cesta b&aacute;sica que ele usava, ele dava uma ajudinha&hellip; &ldquo;Ah, mas qual foi a &uacute;ltima vez que voc&ecirc; viu a Sandra?&rdquo;. &ldquo;Eu vi a Sandra na casa dela quando eu fui l&aacute; na tal data&rdquo;. Era uma data anterior, n&atilde;o me lembro, entendeu? E como ele n&atilde;o&hellip; E a&iacute; ele&hellip; Ah, impress&atilde;o digital, colhe impress&atilde;o digital, chama per&iacute;cia, faz per&iacute;cia. A gente mandou ele fazer um corpo de delito tamb&eacute;m no Instituto M&eacute;dico Legal. S&oacute; n&atilde;o foi descrito porque n&atilde;o apresentou nenhuma&hellip; A gente achava que podia achar algum arranhado no corpo, nas costas, sabe? Infelizmente, quando acharam a Sandra, como ela n&atilde;o tinha as m&atilde;os, voc&ecirc; n&atilde;o conseguia saber se tinha algum vest&iacute;gio&hellip; E tamb&eacute;m a dificuldade do DNA, sabe?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Hoje, por exemplo, se tivessem preservado talvez aquele sangue, segundo os peritos&hellip; Para voc&ecirc; ter uma ideia, o laudo do Instituto de Criminal&iacute;stica ficou sumido um tempo, n&atilde;o estava no inqu&eacute;rito.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim, sim. Ele demora, demora para entrar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: &Eacute;. S&oacute; foi aparecer por causa de uma cobran&ccedil;a de um promotor que fez, uma promotora&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas, assim, nessas conversas que voc&ecirc;&hellip; Voc&ecirc; conversou com ele s&oacute; uma vez ou foram v&aacute;rias vezes?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: N&oacute;s conversamos duas vezes com ele. Eu me lembro de duas vezes. E as duas vezes foram justamente por d&uacute;vidas com rela&ccedil;&atilde;o ao que ele nos falava. Ele dizia que era amigo da Juvelina, que ele s&oacute; ia, passava s&oacute; durante o dia, que ele nunca esteve &agrave; noite&hellip; E que vizinhos viram o carro andando pela regi&atilde;o, as meninas falavam dele, entendeu? Mas ele&hellip; Por exemplo, ele n&atilde;o falava assim: &ldquo;eu sa&iacute; no dia, fiz isso, isso, isso, isso, isso, isso&rdquo;. Ele contava s&oacute; aquilo e parava. Da&iacute; a gente ia l&aacute; na menina, a menina falava assim: &ldquo;n&atilde;o, o tio [nome ocultado] passava aqui&rdquo;. O tio [nome ocultado], sabe? &ldquo;Passou aqui na semana passada&rdquo;. E ele n&atilde;o tinha nos falado. A&iacute; n&oacute;s&hellip; &ldquo;T&aacute; mentindo, cara? Qual &eacute; a tua?&rdquo;. Entende? S&oacute; que, infelizmente, para n&oacute;s, para mim, convic&ccedil;&atilde;o pessoal, eu acho que foi ele.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim. O doutor lembra o que ele fazia de trabalho? Qual era a ocupa&ccedil;&atilde;o dele, alguma coisa assim que levava a crer mais&hellip;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Rapaz do c&eacute;u&hellip; Eu acho&hellip; A&iacute; &eacute; que vem outro problema. Da&iacute; n&oacute;s fomos conversar com o perito&hellip; Eu n&atilde;o sei, eu n&atilde;o me lembro se foi o Chico Louco, que era o m&eacute;dico legista&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O &ldquo;Chico Louco&rdquo; que o Dr. Rog&eacute;rio se refere &eacute; o Dr. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/francisco-moraes-e-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Chefe do IML de Curitiba na d&eacute;cada de 1990\" class=\"encyclopedia\">Francisco Moraes e Silva<\/a>, com quem Ivan conversou no <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/leandro-bossi\/6-o-legista\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">epis&oacute;dio 6<\/a>. &ldquo;Chico Louco&rdquo; &eacute; o apelido dele &ndash; que ele detesta, por sinal.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. O m&eacute;dico que fez o exame na Sandra n&atilde;o foi o Chico, t&aacute;? Foi o&hellip; Mas eu sei que voc&ecirc;s conversaram com ele, n&eacute;, para pegar outra&hellip; Aham&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Por que n&oacute;s fomos? Porque a gente era&hellip; O Vidolin era amigo do Chico, e o Rasera era amigo do Chico.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Rasera &eacute; o investigador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/delcio-augusto-rasera\/\" target=\"_self\" title=\"Um dos investigadores do caso Sandrinha\" class=\"encyclopedia\">Delcio Augusto Rasera<\/a>. Ele fazia parte da equipe de investiga&ccedil;&atilde;o do delegado Fernando Vidolin, junto com o Dr. Rog&eacute;rio.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Eu n&atilde;o tinha muita liga&ccedil;&atilde;o com ele n&atilde;o, mas a gente queria uma explica&ccedil;&atilde;o dos cortes que foram feitos na face e o corte das m&atilde;os. Por qu&ecirc;? Porque a junta&hellip; O cara que corta uma junta&hellip; Ou ele &eacute; muito bom na faca como a&ccedil;ougueiro ou ele &eacute; um m&eacute;dico com conhecimentos t&eacute;cnicos do corpo humano.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Entende? Porque, para voc&ecirc; cortar na junta, como a Sandra teve os cortes das m&atilde;os&hellip; E n&oacute;s n&atilde;o encontramos nenhum vest&iacute;gio no local, de m&atilde;os. Porque &eacute; imposs&iacute;vel que um cachorro&hellip; Se ela tivesse ficado jogada h&aacute; muito tempo no local, voc&ecirc; podia justificar&hellip; Se o perito chegasse e dissesse: &ldquo;n&atilde;o, ela est&aacute; aqui nesse local h&aacute; uns cinco dias&rdquo;. A&iacute; poderia justificar que a m&atilde;o foi cortada, abandonada no local, e um animal pudesse ter levado, entendeu?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim, sim. Tanto que foi a primeira impress&atilde;o da irm&atilde; dela. Ela me falou: &ldquo;ah, eu achei que um cachorro tinha comido a m&atilde;o dela, uma coisa assim&rdquo;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: &Eacute; isso, &eacute; isso. Mas os cortes foram precisos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;. Tanto que tem&hellip; No inqu&eacute;rito, tem o laudo da necropsia que foi feita, s&oacute; que eu achei muito interessante que voc&ecirc;s anexaram tamb&eacute;m o rascunho. Porque no rascunho tem a impress&atilde;o do m&eacute;dico que est&aacute; fazendo a an&aacute;lise, e ele fala aqui uma an&aacute;lise que eu achei&hellip; Ele at&eacute; escreve assim: &ldquo;n&atilde;o bater&rdquo;, para n&atilde;o colocar no documento final.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Isso, isso, exatamente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas que ele fala&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Ele coloca que era para n&atilde;o fazer o laudo oficial com aquilo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Isso. Mas ele fala: &ldquo;a incis&atilde;o&hellip;&rdquo;. Eu estou at&eacute; com ele aberto aqui. &ldquo;A incis&atilde;o bimastoideana do couro cabeludo com rebatimento e ex&eacute;rese da pele, a incis&atilde;o em V na altura do man&uacute;brio esternal, a retirada das gl&acirc;ndulas salivares e o arrancamento das m&atilde;os foram, ao que parece, realizados por pessoa afeita ou pelo menos informada em rela&ccedil;&atilde;o a procedimentos m&eacute;dicos legais, pelas caracter&iacute;sticas das incis&otilde;es&rdquo;, n&eacute;? &Eacute; isso a&iacute;&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Por causa disso que n&oacute;s fomos falar com o Chico.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim, sim. Para pegar uma opini&atilde;o dele.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: E um detalhe&hellip; O globo ocular dela foi tirado tamb&eacute;m, eu acho que foi, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Foi, foi, foi&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Foi destacada a pele e o globo ocular&hellip; Como que &eacute;&hellip;? A car&oacute;tida&hellip; Car&oacute;tida n&atilde;o&hellip; N&atilde;o &eacute; car&oacute;tida&hellip; Essa parte da garganta aqui&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. Sim, sim, sim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Foi destacado&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Ent&atilde;o, a gente foi falar com o Chico por causa disso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Para saber quem teria conhecimento de fazer isso, basicamente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: &Eacute;, exatamente. Ent&atilde;o, como&hellip; A&iacute; a gente analisava&hellip; Por exemplo, os cortes da junta poderiam ser um bom&hellip; Voc&ecirc; pega um bom a&ccedil;ougueiro, que tenha um bom conhecimento de faca, e uma faca muito afiada, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nessa conversa, o Dr. Rog&eacute;rio falou que essa pista do conhecimento dos cortes os levou a uma busca por m&eacute;dicos da regi&atilde;o. Esse esfor&ccedil;o n&atilde;o aparece registrado no inqu&eacute;rito, mas faz todo o sentido que ele tenha ocorrido. N&atilde;o encontraram nada.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ele foi o principal suspeito do doutor?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Foi. Foi para n&oacute;s, para mim, para o Ednam e para o Vidolin. Eu ainda&hellip; A gente&hellip; N&atilde;o teve como o Instituto M&eacute;dico Legal e o Instituto de Criminal&iacute;stica determinarem por conta da falta do DNA, sabe? Mas n&oacute;s encontramos dentro do carro&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Como Ivan disse no epis&oacute;dio 4, o primeiro delegado do caso, o Dr. In&aacute;cio, n&atilde;o quis dar entrevista. Mas Ivan conversou bastante com ele nesses &uacute;ltimos meses. E, em uma dessas conversas, ele falou o mesmo que o Dr. Rog&eacute;rio Mello: Pedro era tamb&eacute;m o seu principal suspeito. Nas palavras dele, esse homem parecia ser uma pessoa muito fria, especialmente quando dizia coisas t&atilde;o pesadas como a tentativa de marcar um encontro sexual com M&aacute;rcia Prima.<\/p>\n\n\n\n<p>Diga-se de passagem, foi o Dr. In&aacute;cio quem tomou aquele depoimento do Sr. Pedro. Claro, isso tudo s&atilde;o impress&otilde;es pessoais, mas &eacute; interessante observar como elas batem em duas equipes diferentes de investiga&ccedil;&atilde;o. E tem mais uma coisa que liga as duas equipes: a frustra&ccedil;&atilde;o. Sentimento esse que o Dr. Rog&eacute;rio teve em duas ocasi&otilde;es: em um caso de estupro e morte de uma mulher no litoral do Paran&aacute; e no assassinato de Sandra.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Foi muito frustrante n&atilde;o chegarem na autoria desse caso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: Bastante.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute; um dos mais [frustrantes] da sua carreira, assim?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Dr. Rog&eacute;rio: &Eacute;. O Vidolin&hellip; A gente sempre conversava, porque uma das coisas que a gente queria era achar o autor, n&eacute;? Por causa da viol&ecirc;ncia, da forma, tudo o que pode se passar na cabe&ccedil;a de um ser humano para tomar esse tipo de atitude, de fazer&hellip; No caso da turista da praia, para mim, ao meu ver, foi um ato de um tarado sexual, que pode ter acontecido de ela ter concordado ter rela&ccedil;&otilde;es na praia&hellip; E o cara, num ato de descontrole, matou e violentou, e largou&hellip; No caso da Sandra, n&atilde;o. &Eacute; como voc&ecirc; diz, &eacute; um cara que gosta de matar, entendeu? Ent&atilde;o, fica complicado. Mas foi muito frustrante sim. Eu gostaria que&hellip; Sabe? Eu gostaria que um policial chegasse hoje e botasse no jornal assim: &ldquo;conseguimos localizar o autor&hellip; Ou descobrir&hellip; O autor morreu de c&acirc;ncer, era o primeiro suspeito&rdquo;, como voc&ecirc;s fizeram com rela&ccedil;&atilde;o ao menino desaparecido. Tinha um menino que estava desaparecido, n&atilde;o tinha dono&hellip; A&iacute; voc&ecirc;s acharam o dono, o dono do corpo, entendeu?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, o Dr. Rog&eacute;rio Mello se refere ao menino que &eacute; o motivo dessa temporada existir &ndash; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles est&atilde;o falando do caso Sandra, ent&atilde;o &eacute; importante explicar o &oacute;bvio: se havia tantos<em> <\/em>ind&iacute;cios assim, e tanta convic&ccedil;&atilde;o por parte de alguns policiais, por que o Sr. Pedro<em> <\/em>nunca foi acusado de nada?<em> <\/em>Apesar de ter sido investigado, ele n&atilde;o era o principal suspeito no in&iacute;cio.<\/p>\n\n\n\n<p>Como Ivan disse no<em> <\/em>epis&oacute;dio 4, o principal suspeito da pol&iacute;cia na &eacute;poca, especialmente da segunda equipe de<em> <\/em>investiga&ccedil;&atilde;o, comandada pelo Dr. Fernando Vidolin, era o vigia Jo&atilde;o Ant&ocirc;nio (pseud&ocirc;nimo). Ele tinha<em> <\/em>um hist&oacute;rico recente de estupro no interior do Paran&aacute; e estava em Fazenda Rio Grande<em> <\/em>h&aacute; pouco tempo. Ele tinha um hist&oacute;rico de problemas mentais. Ele foi visto saindo da festa<em> <\/em>junina com Sandra naquele domingo.<\/p>\n\n\n\n<p>A pol&iacute;cia seguiu essa trilha por muito tempo e tentou montar uma acusa&ccedil;&atilde;o contra ele.<em> <\/em>Mas isso nunca avan&ccedil;ou. O Dr. Delcio Rasera, um dos investigadores da &eacute;poca, chegou a<em> <\/em>contar para Ivan que o vigia era o seu principal suspeito, mas que nunca<em> <\/em>conseguiu levantar nada contra ele de s&oacute;lido.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, a conclus&atilde;o das investiga&ccedil;&otilde;es contra o Sr. Jo&atilde;o Ant&ocirc;nio est&aacute; contida no relat&oacute;rio<em> <\/em>que o Dr. Rog&eacute;rio Mello redigiu em abril de 1991:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Este elemento sofre das faculdades mentais, como &eacute; constatado nos documentos j&aacute; anexados no inqu&eacute;rito. Ao conversarmos com o mesmo, notamos que o pr&oacute;prio n&atilde;o se omite dos atos e crimes cometidos em sua vida no passado, os quais relata sem titubear. Mas quando se toca no caso Sandrinha, o mesmo nos conta que encontrou-se com a v&iacute;tima at&eacute; 100 metros do local onde foi localizado o corpo, isso por volta das 19 horas. Ao conversarmos com duas pessoas, as mesmas afirmaram que, naquele dia, viram o Sr. Jo&atilde;o Ant&ocirc;nio e seu pai completamente embriagados, bem distantes do local, isto por volta das 20 horas. J&aacute; uma tia da v&iacute;tima informou que, naquela data, encontrou-se com a v&iacute;tima num posto de gasolina e que conversou com a mesma. E ela teria lhe dito que n&atilde;o iria embora pois estava esperando um homem que iria lev&aacute;-la para passear. Ent&atilde;o, deduz-se que esta pessoa iria apanh&aacute;-la de carro e que era conhecido da v&iacute;tima. Estes fatos ocorreram em 4 de junho de 1989, e o corpo da v&iacute;tima foi localizado em 12 de junho de 1989, tendo ficado desaparecido por oito dias. Conversando com o m&eacute;dico legista, nos foi informado que da localiza&ccedil;&atilde;o do corpo at&eacute; a hora prov&aacute;vel da morte decorreu de 4 a 5 dias, sendo com isso poss&iacute;vel concluir que a v&iacute;tima foi sequestrada e mantida em cativeiro por aproximadamente tr&ecirc;s dias. Procedemos investiga&ccedil;&otilde;es no sentido de certificarmos que o &lsquo;Sr. Jo&atilde;o Ant&ocirc;nio&rsquo;, nos dias que se sucederam ao desaparecimento da v&iacute;tima continuou a trabalhar com seu pai normalmente, inclusive posando em casa, no s&iacute;tio de seu patr&atilde;o. Quando da localiza&ccedil;&atilde;o do corpo da v&iacute;tima, foi constatado pelos peritos que compareceram no local que o corpo da v&iacute;tima teria sido depositado naquele local naquela madrugada do dia 12 de junho de 1989, n&atilde;o sendo encontrado no exame de local marcas de sangue e nem de ve&iacute;culo (sulcos de pneu), pois a estrada de ch&atilde;o mais pr&oacute;xima se localiza a uns 70 metros do local.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O relat&oacute;rio segue afirmando que o caso &eacute; de dif&iacute;cil solu&ccedil;&atilde;o, que<em> <\/em>seriam necess&aacute;rias mais dilig&ecirc;ncias e tempo para resolv&ecirc;-lo. Ele tamb&eacute;m afirma o &oacute;bvio: que<em> <\/em>o crime s&oacute; poderia ser solucionado se fossem achadas as m&atilde;os amputadas, os<em> <\/em>cabelos e a m&aacute;scara facial. Essa &eacute; a materialidade que faltava para se acusar algu&eacute;m.<em> <\/em>Nada disso nunca foi encontrado.<em> <\/em>E ent&atilde;o, no &uacute;ltimo par&aacute;grafo, h&aacute; mais uma informa&ccedil;&atilde;o importante:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Os peritos consultados foram un&acirc;nimes em afirmar que os atos de barbarismo praticados com a v&iacute;tima foram realizados por pessoa ou pessoas que possuem conhecimento em descarnamento, pois os cortes eram precisos e retil&iacute;neos, e as partes extra&iacute;das foram retiradas com conhecimento, possivelmente, de profissionais.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Com tudo isso em mente, Ivan percebeu que s&oacute; podia fazer uma coisa: tentar levantar o que fosse<em> <\/em>poss&iacute;vel sobre o Sr. Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>UMA SOMBRA ERRANTE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para os mais curiosos, Ivan j&aacute; adianta que n&atilde;o existe nada online que seja relevante sobre o Sr. Pedro. Ele n&atilde;o teve nenhuma passagem pela pol&iacute;cia. Nunca sofreu nenhum processo, tampouco foi acusado de algo. Nunca apareceu em nenhuma mat&eacute;ria de jornal, pelo menos at&eacute; onde conseguiu levantar. N&atilde;o existe nada de importante sobre ele em bancos de dados como Jusbrasil e coisas do tipo. Ele &eacute; uma pessoa absolutamente comum, sem levantar nenhuma suspeita.<\/p>\n\n\n\n<p>Como foi dito no in&iacute;cio do epis&oacute;dio, Pedro j&aacute; &eacute; falecido. E aqui Ivan precisa tomar o dobro de cuidado para n&atilde;o expor nenhuma informa&ccedil;&atilde;o que possa tornar a identidade dele p&uacute;blica. E Ivan s&oacute; vai falar as coisas que levantou porque sabe que, se n&atilde;o for ele, algu&eacute;m far&aacute; isso no futuro. Ent&atilde;o, acha importante deixar registrado o que conseguiu descobrir.<\/p>\n\n\n\n<p>Para obter essas informa&ccedil;&otilde;es, Ivan precisou falar com v&aacute;rios familiares. Nenhum deles quis dar entrevista gravada, em respeito aos filhos do Sr. Pedro. Ivan n&atilde;o vai nomear nem descrever nenhum desses familiares, e vai se referenciar a eles apenas dessa forma gen&eacute;rica: &ldquo;fam&iacute;lia&rdquo; ou &ldquo;familiares&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhum deles tinha documentos, fotos, cartas ou qualquer coisa que pudesse ajudar a montar com exatid&atilde;o essa linha do tempo da hist&oacute;ria da sua vida. Ivan s&oacute; pode contar com as suas mem&oacute;rias &ndash; o que &eacute; sempre um risco por conta de imprecis&otilde;es. Mas, nesse caso, n&atilde;o havia outra alternativa. Suas lembran&ccedil;as s&atilde;o os &uacute;nicos materiais que possui.<\/p>\n\n\n\n<p>A hist&oacute;ria do Sr. Pedro &eacute; a seguinte: ele nasceu no interior de Santa Catarina na d&eacute;cada de 1940. Tinha quatro irm&atilde;os, e ele era o mais velho de todos. Eles moravam em fazendas nas quais o pai trabalhava. Viviam do que plantavam e do que criavam. Nesses lugares, geralmente tinham permiss&atilde;o para criar seus pr&oacute;prios animais, como porcos, galinhas, patos, marrecos, cabritos, etc.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai do Sr. Pedro costumava criar muitos porcos. Quando queriam comer carne, abatiam os animais. Nenhum familiar conseguiu confirmar se o Sr. Pedro ajudava o pai nessa tarefa &ndash; mas isso n&atilde;o seria incomum, visto que o filho mais velho ajudar o pai a descarnar animais &eacute; algo normal no interior.<\/p>\n\n\n\n<p>Na d&eacute;cada de 60, quando tinha por volta de 18 anos, o Sr. Pedro se mudou para Curitiba. Pouco tempo depois, seus pais e irm&atilde;os foram atr&aacute;s. No in&iacute;cio, ele teve alguns empregos de servi&ccedil;os gerais, tais como vendedor de loja, gar&ccedil;om, e por a&iacute; vai. Um familiar relatou que, nessa &eacute;poca, o Sr. Pedro chegou a amea&ccedil;ar um parente de morte por uma gravidez n&atilde;o-planejada. Muitos anos depois, ele teria se arrependido do ato e pedido perd&atilde;o a esse parente.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a d&eacute;cada de 70, a vida do Sr. Pedro deu uma guinada. Ele passou a comprar terrenos e trabalhar com constru&ccedil;&atilde;o, sendo pedreiro e depois mestre de obras. Conheceu uma mulher, casou-se com ela e tiveram um filho &ndash; o primeiro do casal. Nesse per&iacute;odo, ele tamb&eacute;m abriu uma empresa de representa&ccedil;&atilde;o comercial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan e Natalia tentaram v&aacute;rios caminhos para descobrir mais informa&ccedil;&otilde;es sobre a empresa. Foram na Junta Comercial e na Prefeitura de Curitiba. Mas, considerando o qu&atilde;o antiga ela era, n&atilde;o havia nada de relevante. Apesar desse empreendimento, o of&iacute;cio principal de Pedro sempre foi a constru&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos que se seguiram, ele comprou v&aacute;rios terrenos. Constru&iacute;a uma casa, morava l&aacute; um tempo e vendia em seguida. Aparentemente, fez um bom dinheiro com esses neg&oacute;cios.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Oito anos ap&oacute;s o nascimento do primeiro filho, o casal teve uma filha. Os dois s&atilde;o seus &uacute;nicos filhos. Durante esse per&iacute;odo, mudaram de casa v&aacute;rias vezes. Provavelmente, para resid&ecirc;ncias que ele mesmo constru&iacute;a ou reformava. Todas em uma mesma regi&atilde;o de Curitiba, perto da sa&iacute;da para Fazenda Rio Grande. Na &eacute;poca, era uma &aacute;rea barata, ent&atilde;o em princ&iacute;pio n&atilde;o h&aacute; nada de anormal nessa quest&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso incomodava a esposa dele. Ela n&atilde;o entendia o motivo de tantas mudan&ccedil;as. O casamento deles n&atilde;o era dos mais tranquilos, ao que tudo indica. Apesar disso, o n&uacute;cleo familiar do Sr. Pedro com a esposa e os dois filhos parecia ser mais isolado que o resto da fam&iacute;lia dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Conversando com parentes, Ivan ouviu v&aacute;rias vezes frases do tipo: &ldquo;ele se achava melhor do que a gente&rdquo;, &ldquo;ele n&atilde;o convivia muito conosco&rdquo;, &ldquo;n&oacute;s n&atilde;o sabemos muita coisa dele porque ele sempre foi mais isolado&rdquo;. Em algum momento da d&eacute;cada de 80, o Sr. Pedro se mudou com esposa e filhos para um terreno em Fazenda Rio Grande. Era uma &aacute;rea grande, e ali acabaram morando os pais de Pedro e pelo menos um irm&atilde;o com a sua fam&iacute;lia.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse terreno tamb&eacute;m funcionava uma pequena f&aacute;brica de artefatos de cimento. Pelo o que Ivan p&ocirc;de levantar, Pedro trabalhava praticamente sozinho nesse lugar, que era quase artesanal. Ali, produzia itens como palanques de cimento e lajes. Ou seja, materiais que tinham a ver com o seu of&iacute;cio de sempre, que era a constru&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m dessa f&aacute;brica, ele tamb&eacute;m chegou a ter um pequeno mercado. Paralelo a isso, o Sr. Pedro tinha um terreno com uma casa que ele mesmo construiu em Itapo&aacute;, uma praia em Santa Catarina. Era sua praia predileta. Ivan n&atilde;o conseguiu encontrar registro sobre esse im&oacute;vel, mas v&aacute;rios familiares confirmaram que ele possu&iacute;a uma resid&ecirc;ncia naquela cidade durante esse per&iacute;odo.<\/p>\n\n\n\n<p>Itapo&aacute; fica a cerca de 30 minutos do centro de Guaratuba. E, se partir de Fazenda Rio Grande em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Itapo&aacute;, &eacute; preciso passar pelos arredores de Guaratuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s viver em Fazenda Rio Grande por alguns anos, no final da d&eacute;cada 80, o Sr. Pedro adquiriu uma nova casa em Curitiba, na mesma regi&atilde;o onde morou anos antes. Quando prestou depoimento no caso Sandra, em junho de 1989, ele forneceu dois endere&ccedil;os: um em Curitiba e outro em Fazenda Rio Grande. Al&eacute;m disso, informou que, como profiss&atilde;o, tinha uma f&aacute;brica de artefatos de cimento.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com alguns familiares, tamb&eacute;m em junho de 1989, o Sr. Pedro chegou a expulsar os pais do terreno onde ele morava. O irm&atilde;o j&aacute; havia sa&iacute;do ou estava para sair. Pelas informa&ccedil;&otilde;es que Ivan possui, teria sido algo r&aacute;pido: um dia ele chegou, disse que havia vendido o terreno e que eles tinham que sair de l&aacute; logo. Ivan n&atilde;o conseguiu verificar se isso aconteceu antes ou depois do caso Sandra. Mas a informa&ccedil;&atilde;o de que teria ocorrido exatamente no m&ecirc;s de junho de 1989 lhe pareceu bastante confi&aacute;vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois anos depois, em 1991, o Sr. Pedro arranjou um emprego como fiscal de obras em uma empresa de casas pr&eacute;-fabricadas de Curitiba. Ele ficou nesse trabalho at&eacute; 1993. Essa companhia atendia boa parte do Paran&aacute;, especialmente na regi&atilde;o de Curitiba e na divisa com Santa Catarina.<\/p>\n\n\n\n<p>Por trabalhar com pr&eacute;-fabrica&ccedil;&atilde;o, a empresa era conhecida por conseguir montar uma casa em cerca de tr&ecirc;s a cinco dias. E isso era perfeito para munic&iacute;pios menores onde as pessoas tinham o costume de comprar um terreno e ir apenas de vez em quando. Uma dessas cidades era Guaratuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante as apura&ccedil;&otilde;es, Ivan teve a oportunidade de conversar com um homem chamado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/lucio-moura\/\" target=\"_self\" title=\"Secret&aacute;rio de Urbanismo de Guaratuba durante a prefeitura de Aldo Abagge\" class=\"encyclopedia\">L&uacute;cio Moura<\/a>. Em 1992, durante a prefeitura de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/aldo-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Prefeito de Guaratuba em 1992\" class=\"encyclopedia\">Aldo Abagge<\/a>, o Dr. L&uacute;cio era secret&aacute;rio de Urbanismo de Guaratuba. Ivan perguntou a ele se essa empresa onde o Sr. Pedro trabalhava realizava constru&ccedil;&otilde;es na cidade. E ele disse que n&atilde;o apenas ela atuava l&aacute;, como fazia uma propaganda forte no munic&iacute;pio. Era o tipo de empreendimento que atendia perfeitamente as necessidades de veranistas que pretendiam ir para l&aacute; de vez em quando em uma casa pr&oacute;pria, sem pagar muito pela constru&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao saber disso, Ivan e Natalia tentaram contato com pessoas que est&atilde;o na Secretaria de Urbanismo hoje. Eles queriam checar se havia alguma documenta&ccedil;&atilde;o da &eacute;poca que mostrasse quais foram as casas constru&iacute;das pela empresa em 1992. Ningu&eacute;m conseguiu localizar nada. Isso n&atilde;o significa que n&atilde;o exista &ndash; pode s&oacute; ser que informa&ccedil;&otilde;es estejam perdidas em alguma caixa no arquivo morto da prefeitura. Pode ser tamb&eacute;m que tenham sido destru&iacute;das. N&atilde;o h&aacute; como saber.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan chegou a entrar em contato com a empresa em quest&atilde;o e caiu no mesmo problema &ndash; registros antigos demais, nada mais deve existir. Ele e Natalia tentaram descobrir se existia alguma nota fiscal emitida por essa empresa nos arquivos da Prefeitura de Curitiba, tamb&eacute;m sem sucesso. Como sempre, tudo muito antigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas uma pessoa antiga dessa empresa confirmou o mesmo que o antigo secret&aacute;rio de Urbanismo de Guaratuba: no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 90, eles fizeram muitas constru&ccedil;&otilde;es por l&aacute;. O ponto aqui &eacute;: &eacute; prov&aacute;vel que o Sr. Pedro, enquanto trabalhava para essa empresa, tenha ido para Guaratuba no ano de 1992 para fiscalizar alguma obra. Pode ter feito um bate-e-volta, ido e voltado no mesmo dia para Curitiba. Pode ser que tenha ficado l&aacute; por alguns dias, acompanhando toda a constru&ccedil;&atilde;o. N&atilde;o h&aacute; como saber.<\/p>\n\n\n\n<p>E Ivan deixa bem claro que, apesar de existir a chance de ele ter estado l&aacute;, n&atilde;o encontrou nenhuma prova. Nada. Ele n&atilde;o consegue colocar Pedro em Guaratuba em fevereiro e abril de 1992.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas horas, Ivan come&ccedil;a a ficar preocupado com a qualidade do seu trabalho. Investigando esses casos por tantos anos, ele j&aacute; cansou de ver os perigos existentes quando se olha muito para um potencial suspeito. Tudo come&ccedil;a a parecer estranho. Ele corre o risco de ficar enviesado demais. Se ele partir do suspeito para solucionar um caso, passa a achar ind&iacute;cios em todos os lados. &Eacute; por isso que refor&ccedil;a, mais uma vez, que tentou por meses encontrar qualquer prova e n&atilde;o encontrou.<\/p>\n\n\n\n<p>E mesmo que encontrasse, Ivan sabe que isso n&atilde;o seria o suficiente. A bem da verdade &eacute; que esses casos s&oacute; ser&atilde;o solucionados se um dia encontrarem provas irrefut&aacute;veis. As m&atilde;os das crian&ccedil;as, peda&ccedil;os de roupas, anota&ccedil;&otilde;es, um di&aacute;rio secreto, fotografias, v&iacute;deos, qualquer coisa. Nada disso deve existir mais, se &eacute; que algum dia existiu. Criminalmente, n&atilde;o existe nada contra o Sr. Pedro. E, at&eacute; o &uacute;ltimo segundo da produ&ccedil;&atilde;o desse podcast, Ivan tenta se manter afastado, isento, entendendo que ele pode ser s&oacute; mais uma v&iacute;tima de uma suspeita infundada. Mais uma nessa longa lista.<\/p>\n\n\n\n<p>S&oacute; que as coisas que soam esquisitas parecem se acumular. Especialmente quando se olha para o c&iacute;rculo familiar mais pr&oacute;ximo. Assim que o Sr. Pedro apareceu em investiga&ccedil;&otilde;es, Ivan e Natalia localizaram a vi&uacute;va dele &ndash; que, obviamente, n&atilde;o ter&aacute; o nome revelado aqui.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia, Natalia foi at&eacute; a casa dela para tentar um contato. A partir do momento que a jornalista come&ccedil;ou a explicar o motivo da visita, a vi&uacute;va se espantou. Ela nunca tinha ouvido falar sobre o falecido marido ter sido investigado pelo assassinato de uma menina em Fazenda Rio Grande, em 1989. Mas, ao ser informada sobre isso, a vi&uacute;va falou o seguinte: &ldquo;eu n&atilde;o duvido&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Na conversa com a Natalia, a vi&uacute;va passou a relatar que Pedro n&atilde;o era um bom marido para ela. Ficou &oacute;bvio que era um casamento com muitos problemas. A vi&uacute;va dizia que era dependente dele, tanto psicol&oacute;gica como financeiramente. Disse que apanhava do marido. Que ele bebia muito, passava dias fora de casa sem dar explica&ccedil;&atilde;o. Que ele tinha uma vida secreta. Que n&atilde;o tinham rela&ccedil;&otilde;es sexuais. Que, em todas as casas onde moraram, sempre tinha um quarto que ele n&atilde;o deixava ningu&eacute;m entrar, onde havia pastas e documentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela disse que, ap&oacute;s a morte de Pedro, chegou a descobrir que ele teve uma arma. Descobriu isso por conta de uma nota fiscal, segundo ela. Ela tamb&eacute;m falou que eles se mudaram in&uacute;meras vezes. Mas n&atilde;o moravam de aluguel, eram casas pr&oacute;prias. Ela n&atilde;o entendia o motivo de tantas mudan&ccedil;as.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, &eacute; importante dizer que &eacute; bem evidente que Natalia estava ouvindo uma mulher que n&atilde;o tinha uma lembran&ccedil;a boa do falecido marido. Logo, fica dif&iacute;cil ter certeza se ela est&aacute; falando de coisas que realmente se lembra ou se est&aacute; sendo guiada pela emo&ccedil;&atilde;o. Ivan n&atilde;o quer desmerecer o relato dela, por&eacute;m, tratam-se de crimes muito violentos sem provas definitivas. Por isso, todo cuidado &eacute; pouco. O fato de ele ser um marido ruim n&atilde;o significa que era um assassino de crian&ccedil;as.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os abusos, a vi&uacute;va tamb&eacute;m falou que, em uma ocasi&atilde;o, apanhou tanto que o filho interveio e amea&ccedil;ou o pai. Disse que ele nunca mais deveria encostar o dedo nela, pois sen&atilde;o eles teriam problemas. J&aacute; sobre o caso Sandra em si, ela comentou que nunca havia ouvido falar nada, que o marido nunca lhe contou nada. Mas ela narrou que, certa vez, Pedro chegou em casa dizendo que havia ajudado uma jovem que tinha sido estuprada e abandonada na BR-116. De acordo com a vi&uacute;va, ele afirmava isso como se estivesse se vangloriando, do tipo: &ldquo;olha como eu sou um cara legal&rdquo;. No entanto, ela n&atilde;o sabia de mais detalhes.<\/p>\n\n\n\n<p>Se for verdadeira, essa hist&oacute;ria chama a aten&ccedil;&atilde;o. Afinal, Sandra morava na BR-116. Ao falar da inf&acirc;ncia do falecido marido, a vi&uacute;va mencionou que ele veio do interior. E que, quando jovem, tinha o costume de descarnar animais, mas que n&atilde;o fazia isso desde que se mudou para Curitiba &ndash; ou seja, desde a d&eacute;cada de 60. Ela tamb&eacute;m afirmou que Pedro ia com frequ&ecirc;ncia para Guaratuba na &eacute;poca em que trabalhou para aquela empresa de casas pr&eacute;-fabricadas. Mas ela falou para a Natalia que ele fazia algo envolvendo pallets de madeira, o que, conforme foi apurado, n&atilde;o &eacute; verdade. Ele era fiscal de obras.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, a vi&uacute;va tamb&eacute;m disse que lembrava do marido ter tido um Fusca azul. Mas, curiosamente, ela dizia que o ve&iacute;culo seria da &eacute;poca em que o seu primeiro filho ainda era beb&ecirc;. O estranho disso &eacute; que o filho havia nascido na d&eacute;cada de 70, e o caso Sandra ocorreu no final da d&eacute;cada de 80. As datas n&atilde;o estavam batendo. Nesse primeiro contato com Natalia, a vi&uacute;va foi muito atenciosa. Conversaram por quase uma hora no port&atilde;o da casa. Trocaram telefones e combinaram de se falar novamente. Ela disse que precisava conversar com os filhos antes.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir da&iacute;, Ivan tamb&eacute;m entrou em contato com eles, especialmente com a filha. A vi&uacute;va nunca conversou com ele. Ainda assim, Ivan chegou a entregar pessoalmente para eles uma pasta com alguns documentos do inqu&eacute;rito de Sandra, para que entendessem do que se tratava. Ele fez isso porque j&aacute; fazia meses desde o primeiro contato com a Natalia, e ainda n&atilde;o havia conseguido combinar uma data para conversar.<\/p>\n\n\n\n<p>No come&ccedil;o, m&atilde;e e filha respondiam, especialmente &agrave; Natalia. A vi&uacute;va falou que conversaram com o filho, e ele chegou a duvidar da hist&oacute;ria. &ldquo;Mas o pai n&atilde;o tinha Fusca azul nessa &eacute;poca&rdquo;, ele teria dito. Ivan recomendou que elas entrassem em contato com algum advogado, para que tivessem alguma orienta&ccedil;&atilde;o. E se colocou &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para tirar qualquer d&uacute;vida que surgisse.<\/p>\n\n\n\n<p>At&eacute; que um dia, de repente, elas pararam de responder de vez. Foram meses de mensagens n&atilde;o respondidas e telefonemas n&atilde;o atendidos. Ivan afirma que poucas vezes na vida se sentiu t&atilde;o mal, mas era necess&aacute;rio insistir. Era importante que eles falassem.<\/p>\n\n\n\n<p>Certa noite, no desespero, Natalia foi at&eacute; as casas da filha e do filho. O filho n&atilde;o estava, ent&atilde;o ela foi ao endere&ccedil;o da filha. O porteiro disse que ela n&atilde;o estava. No dia seguinte, Ivan e Natalia receberam uma mensagem. Era de uma advogada, representando a vi&uacute;va, a filha e o filho. A advogada pedia para que eles parassem as tentativas de contato.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan agradeceu a mensagem e explicou toda a situa&ccedil;&atilde;o. Pediu para que eles reconsiderassem falar, que concedessem uma entrevista; e que inclusive aceitaria assinar um contrato estipulando alguns termos para suas seguran&ccedil;as. Termos como n&atilde;o revelar nenhuma informa&ccedil;&atilde;o que pudesse levar &agrave; identifica&ccedil;&atilde;o do Sr. Pedro e de seus familiares, e tamb&eacute;m de que suas vozes seriam modificadas quando a conversa fosse ao ar. A advogada disse que ia conversar com eles sobre isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco tempo depois, ela retornou dizendo que a fam&iacute;lia estava disposta a ajudar, a esclarecer qualquer d&uacute;vida, especialmente pensando nas fam&iacute;lias das v&iacute;timas. Mas eles tinham muito medo de serem expostos. Por isso, foi refor&ccedil;ado que seriam dadas todas as garantias que quisessem. Foram semanas de negocia&ccedil;&atilde;o, at&eacute; que chegaram a um acordo.<\/p>\n\n\n\n<p>Combinaram um dia e hor&aacute;rio em que todos pudessem conversar e fizeram uma reuni&atilde;o online. Neste encontro, a vi&uacute;va preferiu n&atilde;o participar. Ela tem problemas s&eacute;rios de sa&uacute;de e n&atilde;o queria se indispor. De qualquer forma, antes da conversa, Ivan enviou uma longa lista de perguntas para que eles pudessem repassar com ela antes da grava&ccedil;&atilde;o. E foi assim que pode conversar com os filhos do Sr. Pedro.<\/p>\n\n\n\n<p>Por motivos que j&aacute; foram explicados, as vozes dos entrevistados estar&atilde;o alteradas. Todos os nomes citados ser&atilde;o ocultados.<\/p>\n\n\n\n<p>As duas advogadas deles estiveram na conversa. Elas n&atilde;o falaram em nenhum momento da reuni&atilde;o, mas estavam l&aacute; para dar maior seguran&ccedil;a para eles e tirar qualquer d&uacute;vida eventual &ndash; o que acabou n&atilde;o sendo necess&aacute;rio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para que n&atilde;o haja nenhuma falsa impress&atilde;o, Ivan quer deixar claro que tanto o filho quanto a filha s&atilde;o pessoas de classe m&eacute;dia, trabalhadoras. N&atilde;o s&atilde;o ricos, nada disso. T&ecirc;m suas pr&oacute;prias fam&iacute;lias, e esse &eacute; mais um motivo para preserv&aacute;-los.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o texto, os nomes dos dois entrevistados foram substitu&iacute;dos por &ldquo;Filho&rdquo; e &ldquo;Filha&rdquo;, assim como o da esposa do Sr. Pedro est&aacute; como &ldquo;Vi&uacute;va&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eu acho que gostaria de pelo menos come&ccedil;ar essa conversa aqui tentando tirar d&uacute;vidas de voc&ecirc;s, antes de entrar nas minhas. Porque eu imagino que voc&ecirc;s t&ecirc;m muitas d&uacute;vidas, devem estar perdidos, sei l&aacute;. Ent&atilde;o, qualquer d&uacute;vida que voc&ecirc;s tiverem, que eu puder responder, eu gostaria de come&ccedil;ar por a&iacute;, j&aacute; para a gente poder ter uma conversa tranquila. Ent&atilde;o, [Filha], [Filho], se quiserem falar qualquer coisa&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: [Filha], tem alguma d&uacute;vida?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Eu acho que&hellip; Na verdade, at&eacute; tenho, mas n&atilde;o sei nem como falar, assim, porque &eacute; uma situa&ccedil;&atilde;o bem complicada, n&eacute;? Como o pr&oacute;prio Ivan falou, realmente nos pegou de muita surpresa. Ent&atilde;o, acho que a gente s&oacute; realmente quer responder aqui o que a gente sabe e, enfim, acabar logo com tudo isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim. Eu tamb&eacute;m quero deixar claro que eu acho que o mais importante dessa conversa &eacute; que eu possa tirar qualquer d&uacute;vida que voc&ecirc;s tiverem, para justamente eliminar qualquer suspeita em cima do pai de voc&ecirc;s, t&aacute;? Porque, Deus me livre&hellip; A gente acabou de passar por uma revis&atilde;o criminal, de pessoas que foram acusadas injustamente, 30 anos em cima disso, fam&iacute;lias que foram destru&iacute;das. Eu n&atilde;o quero fazer isso com ningu&eacute;m, t&aacute;? Ent&atilde;o, obviamente, tudo o que eu quero &eacute; poder cortar o nome dele aqui de qualquer suspeita que a gente tenha, certo? Tem coisas&hellip; Eu preciso ser muito franco com voc&ecirc;s. Tem coisas que me fazem olhar para o pai de voc&ecirc;s como um suspeito muito forte e tem coisas que eu digo: &ldquo;n&atilde;o, espera a&iacute;, n&atilde;o est&aacute; encaixando&rdquo;. E eu vou ter o maior prazer em explicar tudo para voc&ecirc;s nessas quest&otilde;es, t&aacute;? Eu sei que &eacute; dif&iacute;cil, t&aacute;? Voc&ecirc; pode fazer as perguntas que quiser, assim&hellip; Com as palavras que voc&ecirc; achar melhor. Se quiser me xingar tamb&eacute;m, tranquilo, t&aacute;? Fa&ccedil;a do jeito que voc&ecirc; achar melhor, t&aacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu s&oacute; gostaria de saber&hellip; Tem algu&eacute;m&hellip; Tem mais pessoas envolvidas nesse caso da Sandra?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Ent&atilde;o, vamos l&aacute;. O caso da Sandra teve tr&ecirc;s suspeitos, t&aacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse momento, Ivan explicou para eles tudo sobre os outros suspeitos, o Jo&atilde;o Ant&ocirc;nio e o Edson, que mencionou no epis&oacute;dio 4. E tamb&eacute;m citou as coisas que chamam a aten&ccedil;&atilde;o sobre o pai deles, al&eacute;m de relatar como era prec&aacute;rio o cen&aacute;rio todo em torno do caso Sandra, especialmente na quest&atilde;o da sexualiza&ccedil;&atilde;o das meninas.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: O que torna o [nome ocultado] um suspeito forte nesse caso s&atilde;o duas coisas: primeiro&hellip; Isso eu estou falando ao meu ver e conversando com delegados da &eacute;poca, investigadores da &eacute;poca tamb&eacute;m. Primeiro, o fato do&hellip; Quem fez isso provavelmente tinha carro. E n&atilde;o apenas tinha carro, foi encontrado sangue no Fusca do seu [nome ocultado], que foi inclusive&hellip; Ele admitia que era dele, em depoimento e tal. Outra coisa &eacute; que o corpo da Sandra aparece exatamente quando ele est&aacute; na cidade, quando ele est&aacute; ali naquela regi&atilde;o. Ent&atilde;o, tem uma hist&oacute;ria de&hellip; A Sandra desapareceu no dia 4 de junho, num domingo. O corpo dela s&oacute; vai aparecer numa segunda-feira, dia 12 de junho. E &eacute; bem o momento em que ele falou que ia levar a tia da Sandra para o hospital de manh&atilde; cedo. Ent&atilde;o, de manh&atilde; cedo, ele chega l&aacute; na cidade para levar a tia da Sandra para o hospital, e o corpo da Sandra aparece. Da&iacute; tem essa quest&atilde;o tamb&eacute;m do que ele fala em depoimento sobre a prima da Sandra, a M&aacute;rcia, que voc&ecirc;s devem ter lido, que eu passei para voc&ecirc;s, tudo&hellip; Tirar tudo para voc&ecirc;s, de d&uacute;vidas. Mas &eacute; isso de suspeito. Significa que &eacute; uma dessas tr&ecirc;s pessoas? N&atilde;o. Pode ser algu&eacute;m que nunca apareceu. Pode ser algu&eacute;m que a gente n&atilde;o tenha ideia. Isso aqui &eacute; importante, t&aacute;? Esses tr&ecirc;s casos, o Leandro, o Evandro e a Sandra&hellip; A Sandra &eacute; a pe&ccedil;a nova. Porque, aparentemente, foi a mesma pessoa que matou os tr&ecirc;s, pelo modus operandi, pela assinatura. Ent&atilde;o, tem v&aacute;rias quest&otilde;es ali que nos levam a crer que foi a mesma pessoa. Tinha um suspeito em Guaratuba, por exemplo, que era o principal suspeito do caso Evandro antes das pris&otilde;es daquelas pessoas e tal. Esse cara morava em Arauc&aacute;ria em 89, na &eacute;poca da Sandra. Arauc&aacute;ria &eacute; ali do lado de Fazenda Rio Grande. Ent&atilde;o, sabe, tamb&eacute;m n&atilde;o limita&hellip; S&oacute; que tem uma quest&atilde;o: esse cara n&atilde;o tinha carro. Ent&atilde;o, isso tira um pouco tamb&eacute;m da nossa suspeita em cima dele. Mas &eacute; isso. Eu estou falando isso para voc&ecirc;s, assim, para dizer que isso &eacute; o que a gente sabe. E tem coisas que se perderam no tempo e que nunca vamos saber.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Primeira coisa, foi comprovado esse sangue, de quem era?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o. N&atilde;o tinha exame de DNA na &eacute;poca. A mancha de sangue era muito pequena, e o que existia na &eacute;poca era fazer exame de RH para ver se era&hellip; Tipagem de sangue, na verdade. Se a v&iacute;tima, vamos dizer, &eacute; B positivo, deu B positivo e tal&hellip; N&atilde;o deu para fazer isso. Simplesmente &eacute; uma mancha de sangue no carro, &eacute; isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Ent&atilde;o isso n&atilde;o quer dizer nada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o quer dizer nada. Sim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Pode descartar isso fora, ent&atilde;o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Certo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Certo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Ok. Segunda coisa, carro. Por mais que voc&ecirc; n&atilde;o tenha, voc&ecirc; consegue emprestar de algu&eacute;m, voc&ecirc; consegue dar um jeito de arrumar um carro. Ent&atilde;o, quem n&atilde;o tinha carro ou tinha carro tamb&eacute;m n&atilde;o quer dizer nada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Porque carro voc&ecirc; n&atilde;o tem agora e, em dez minutos, empresta de algu&eacute;m, voc&ecirc; tem um carro. Esse &eacute; o meu ponto de vista.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Enfim, s&atilde;o algumas coisas a&iacute; que eu queria colocar. Pode continuar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o, da d&uacute;vida que eu tinha para voc&ecirc;&hellip; Da d&uacute;vida que voc&ecirc; levantou, [Filho], &eacute; isso, t&aacute;? Eu n&atilde;o sei se tem mais alguma outra quest&atilde;o que voc&ecirc; gostaria de falar&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o, &eacute; que eu estou tentando entender algumas coisas porque a gente era muito pequeno na &eacute;poca. Tamb&eacute;m n&atilde;o tem tanta informa&ccedil;&atilde;o assim, a gente n&atilde;o sabe de muita coisa. Mas eu n&atilde;o&hellip; Porque eu sei o pai que eu tinha, entendeu? Por isso que eu digo&hellip; Mas pode continuar, Ivan.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ent&atilde;o vamos l&aacute;, gente. Eu vou come&ccedil;ar com algumas perguntas aqui, ent&atilde;o, assim, do que eu posso&hellip; Do que pode me ajudar a esclarecer outras quest&otilde;es. E da&iacute; qualquer d&uacute;vida que voc&ecirc;s tiverem tamb&eacute;m de porqu&ecirc; a pergunta &eacute; importante e tal, eu tenho o maior prazer em trazer mais detalhes. T&aacute;. Ent&atilde;o, eu queria saber primeiro quando, de que ano a que ano, voc&ecirc;s, mas principalmente o seu [nome ocultado] morou na d&eacute;cada de 80 em Fazenda Rio Grande, que na &eacute;poca era Mandirituba. Voc&ecirc;s sabem me explicar mais ou menos essa linha do tempo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o, eu n&atilde;o&hellip; A gente at&eacute; conversou sobre isso, mas a gente n&atilde;o lembra exatamente esse per&iacute;odo exato do ano, sabe? A gente n&atilde;o se recorda.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. [Filho], voc&ecirc;, que era mais velho, n&atilde;o lembra tamb&eacute;m, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o, porque&hellip; Vamos supor que fosse o qu&ecirc;? Em 86, eu tinha quanto&hellip;? Eu tinha quatro, oito anos, nove anos. Era muito pequeno.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Eu tinha dois anos, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu s&oacute; queria brincar, nessa &eacute;poca, eu n&atilde;o sabia muito&hellip; N&atilde;o queria saber onde meu pai estava, a minha m&atilde;e&hellip; Sempre estavam junto com a gente, ent&atilde;o n&atilde;o&hellip; N&atilde;o lembrava dessas coisas&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; lembra dessa &eacute;poca, de Fazenda Rio Grande? Voc&ecirc;, [Filho], em espec&iacute;fico? Lembra de morar l&aacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu lembro de morar l&aacute;, mas eu lembro de pouca coisa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. T&aacute;. Moravam s&oacute; voc&ecirc;s quatro?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute;. Eu, a m&atilde;e, a [Filha] e o pai, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. Voc&ecirc;s n&atilde;o moravam, por exemplo, com os seus av&oacute;s tamb&eacute;m? Ou tios moravam perto?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute;. O pai tinha&hellip; Teve um mercado l&aacute; numa &eacute;poca, n&eacute;? E o meu v&ocirc; e a minha v&oacute; moravam na casa do fundo, num outro terreno do lado. Moraram durante um pouco per&iacute;odo e depois vieram embora para Curitiba de volta. Isso eu me recordo, assim, vagamente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ent&atilde;o, vamos l&aacute;. Qual a dist&acirc;ncia dos av&oacute;s de voc&ecirc;s, desse terreno de fundo? Era no terreno que voc&ecirc;s moravam, e eles moravam nos fundos? Ou n&atilde;o, eram os irm&atilde;os&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Um terreno do lado do outro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Um terreno do lado do outro. Ent&atilde;o moravam voc&ecirc;s num terreno, no terreno do lado eram os tios e os av&oacute;s. Era isso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute;. Meu tio, minha av&oacute; e o meu av&ocirc;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Qual &eacute; o tio que morava l&aacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: O irm&atilde;o do meu pai.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Voc&ecirc; lembra, mais ou menos, qual foi a &eacute;poca que&hellip; Como foi essa hist&oacute;ria dos seus av&oacute;s voltarem para Curitiba?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o, n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: &Eacute;. At&eacute; conversei com a m&atilde;e tamb&eacute;m, ela n&atilde;o&hellip; Ela comentou que&hellip; Acho que eles talvez voltaram para&hellip; Vieram para Curitiba para cuidar da sa&uacute;de, alguma coisa assim, mas&hellip; &Eacute; isso que ela lembra.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Nunca houve uma hist&oacute;ria de&hellip; Por exemplo, que ele expulsou os av&oacute;s falando que precisava&hellip; Que ele expulsou os pais porque precisava do terreno de volta porque tinha acabado de vender, alguma coisa assim?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o sabemos de nada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Que eu lembre, n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Eu vou falar para voc&ecirc;s uma informa&ccedil;&atilde;o que chegou a mim, e eu n&atilde;o posso divulgar a fonte tamb&eacute;m. Mas o que eu recebi, e eu queria ver se voc&ecirc;s sabem de alguma coisa disso, &eacute; que um dos irm&atilde;os do seu [nome ocultado] se casou exatamente nessa &eacute;poca, maio, junho de 89. E que foi exatamente nessa &eacute;poca que o [nome ocultado] teria expulsado os pr&oacute;prios pais do terreno, falando que eles tinham que sair de l&aacute; logo porque tinha vendido o terreno, alguma hist&oacute;ria assim. E que da&iacute;, assim, os av&oacute;s tiveram que ir embora e conseguiram outro lugar em Curitiba de favor, outro terreno da fam&iacute;lia tamb&eacute;m, para morar. Essa hist&oacute;ria, voc&ecirc;s nunca ouviram?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o lembro de ter ouvido isso n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Essa hist&oacute;ria de que o Sr. Pedro teria expulsado os pais do terreno teria acontecido bem na &eacute;poca do caso Sandrinha. Ivan ouviu isso de um familiar do suspeito, mas os filhos &ndash; e aparentemente a vi&uacute;va &ndash; n&atilde;o sabiam de nenhum detalhe do ocorrido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Falando de hist&oacute;rias da fam&iacute;lia, Ivan recebeu a informa&ccedil;&atilde;o de que, aparentemente, em uma &eacute;poca que n&atilde;o d&aacute; para precisar, o Sr. Pedro passava por Fazenda Rio Grande com a esposa. E, ao transitar pela regi&atilde;o conhecida como Parque Verde, teria dito para ela algo do tipo: &ldquo;eu tenho uma prima que mora por aqui&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>S&oacute; que a fonte dessa hist&oacute;ria garantiu que n&atilde;o havia nenhum familiar por l&aacute;. Ou melhor, que nunca ouviu falar de nenhum parente morando no Parque Verde, em Fazenda Rio Grande. E essa afirma&ccedil;&atilde;o era esquisita vindo especialmente do Sr. Pedro, j&aacute; que, de acordo com o que v&aacute;rias pessoas relataram, ele n&atilde;o era do tipo que tinha aproxima&ccedil;&atilde;o com familiares. Isso chamou a aten&ccedil;&atilde;o de Ivan porque o Parque Verde era a regi&atilde;o onde Sandra morava com a m&atilde;e e as irm&atilde;s.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc;s j&aacute; ouviram alguma hist&oacute;ria, ou principalmente a m&atilde;e de voc&ecirc;s, sobre ele ter uma prima que morava ali na regi&atilde;o do Parque Verde?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o. Assim, nunca conheci ningu&eacute;m&hellip; Eu sei que o pai tinha muito parente perdido por a&iacute;, mas eu n&atilde;o me recordo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Voc&ecirc; chegou a perguntar isso para a sua m&atilde;e tamb&eacute;m, [Filha]? Se de repente&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Ela&hellip; &Eacute;&hellip; A&iacute; n&atilde;o sei se &eacute; Parque Verde ou n&atilde;o. Sei que ele comentava que tinha uma prima ali na regi&atilde;o da&hellip; Acho que &eacute; da BR, alguma coisa assim, mas nunca chegou a conhecer. S&oacute; quando passava por ali, ele falava: &ldquo;ah, eu tenho uma parente aqui&rdquo;. Mas muito vago, assim. Mas nunca deu muito detalhe, e a minha m&atilde;e nunca conheceu tamb&eacute;m, e muito menos a gente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E voc&ecirc; tem ideia de que &eacute;poca ele falava que tinha essa prima l&aacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o, n&atilde;o sei a &eacute;poca. N&atilde;o sei.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Se foi recente, se foi muito tempo atr&aacute;s, n&atilde;o&hellip;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Eu acho que n&atilde;o faz muito tempo atr&aacute;s, pelo o que a minha m&atilde;e falou. N&atilde;o faz muito tempo atr&aacute;s.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute; ok. Por que eu pergunto isso? Porque a fam&iacute;lia da Sandra morava exatamente ali pertinho do Parque Verde, s&oacute; que do outro lado da BR, t&aacute;? Ent&atilde;o, assim, essa hist&oacute;ria de que teria uma prima que mora l&aacute; me chamou a aten&ccedil;&atilde;o, que talvez pudesse ser uma refer&ecirc;ncia &agrave; m&atilde;e da Sandra, a dona Juvelina. Talvez tivessem alguma rela&ccedil;&atilde;o, eu n&atilde;o sei. Ent&atilde;o&hellip; Eu acho que da&iacute; eu j&aacute; queria at&eacute; perguntar isso para voc&ecirc;s, t&aacute;? Porque o [Filho] falou justamente: &ldquo;olha, eu conhe&ccedil;o o pai que eu tinha&rdquo;. Tudo bem. Em algum momento da vida ele falou sobre esse caso para voc&ecirc;s?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o. Nunca.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Como&hellip; Eu preciso saber desse lado de voc&ecirc;s, t&aacute;? Eu queria saber muito do [Filho], principalmente. Como isso caiu para voc&ecirc;, [Filho]? Quando voc&ecirc; leu&hellip; N&atilde;o sei se voc&ecirc; leu os documentos que eu passei, tudo&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu li. Eu li. Tenho certeza de que n&atilde;o tem nada a ver com o meu pai. Eu acho que deve estar acontecendo alguma coisa errada a&iacute;, uma informa&ccedil;&atilde;o&hellip; Porque &eacute; muito f&aacute;cil as pessoas falarem, n&eacute;? Provar que &eacute; dif&iacute;cil. Porque, que nem eu te falei, eu conhe&ccedil;o o pai que eu tenho. Hoje eu ainda estava me lembrando que eu tenho que fazer uma coisa que eu aprendi com ele&hellip; Entendeu? Preciso mexer num neg&oacute;cio aqui na minha casa, que eu aprendi com ele. Ent&atilde;o, o meu pai n&atilde;o&hellip; N&atilde;o tem nada a ver com isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Por que&hellip; Conhecendo o pai de voc&ecirc;s, por que ele n&atilde;o falou nada disso para nenhum de voc&ecirc;s? Eu entendo que voc&ecirc;s eram crian&ccedil;as, mas, por exemplo, para a m&atilde;e de voc&ecirc;s.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Mas por que voc&ecirc; acha que ele tinha que falar para a gente? Se &eacute; uma coisa que talvez n&atilde;o aconteceu?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;, eu n&atilde;o sei. Eu vou falar do meu lado. Se eu sou chamado para dar um depoimento porque querem saber o que eu fiz em rela&ccedil;&atilde;o a um caso, eu contaria para a minha esposa, entende? Eu contaria para o meu filho, se ele fosse mais velho. Eu. Eu gostaria de saber&hellip; Eu n&atilde;o sei. Por isso que eu gostaria de entender se de repente ele era um cara mais reservado, se ele n&atilde;o gostava de falar dos outros. Eu gostaria de entender melhor isso. Sem julgamento. &Eacute; s&oacute; porque realmente eu preciso entender&hellip; Para a gente poder entender como ele era.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: O meu pai era quiet&atilde;o, era na dele. N&atilde;o ficava falando muita coisa mesmo, para a gente. Era sempre quiet&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Ele era mais dur&atilde;o assim, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute;. Mais reservad&atilde;o, entendeu? &Eacute; o pessoal&hellip; O homem de antigamente era assim, n&atilde;o &eacute; que nem hoje que o pessoal conversa, fala e&hellip; Entendeu? Era mais quiet&atilde;o, era o jeit&atilde;o dele. Conversava pouco com a gente, era o jeit&atilde;o dele.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas era comum ele falar coisas para voc&ecirc;&hellip; N&atilde;o falar coisas e depois voc&ecirc;s descobrirem por terceiros, coisas importantes? Ou n&atilde;o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o. Na verdade, foi uma coisa in&eacute;dita que aconteceu, isso a&iacute;, porque&hellip; Uma coisa fora do comum isso a&iacute; que aconteceu. N&oacute;s estamos tentando entender, porque n&atilde;o tem nada&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; quer que eu explique como ele chega a ser um suspeito? N&atilde;o sei se voc&ecirc;s conseguiram entender isso pelo inqu&eacute;rito.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Pelo que a gente leu l&aacute;, parece que ele foi na &eacute;poca l&aacute;&hellip; Sei l&aacute;&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Estava indo na casa dessa senhora, dessa mulher, enfim. &Eacute; isso que a gente n&atilde;o entende ainda, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;, eu vou explicar para voc&ecirc;s, porque at&eacute; eu gostaria tamb&eacute;m que voc&ecirc;&hellip; Foi uma das perguntas que eu fiz ali para voc&ecirc;s no documento, se essa &eacute; uma atitude que era normal do pai de voc&ecirc;s. Ent&atilde;o, tudo come&ccedil;a com o depoimento de um&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>[&hellip;]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, Ivan contou toda a hist&oacute;ria que j&aacute; explicou neste epis&oacute;dio. Do vizinho Vitor, que viu as meninas em um Fusca azul. Que o Sr. Pedro dava presentes para as meninas. Da ida ao hospital. Da proposta que ele teria feito para a M&aacute;rcia Prima, que ele confirmava no primeiro depoimento. De que o Sr. Pedro admitiu para a pol&iacute;cia que o Fusca azul era realmente dele, e que nesse carro foi achada uma mancha de sangue humano. Do &aacute;libi que ele deu sete anos depois, em 1996, falando que naquele domingo estava visitando um tio da esposa em Garuva. E que, nesse segundo depoimento, ele negou ter feito qualquer proposta para a M&aacute;rcia Prima.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ent&atilde;o, assim&hellip; De novo, isso n&atilde;o significa nada. Todas as pessoas s&atilde;o inocentes, obviamente. O princ&iacute;pio da inoc&ecirc;ncia &eacute; o que rege aqui tudo. Mas isso &eacute; uma coisa que chama a aten&ccedil;&atilde;o de qualquer<\/em> <em>investigador. O cara, sete anos depois, estar dando um &aacute;libi pra uma coisa de sete anos antes com tantos detalhes. Por que n&atilde;o deu em 89? Ent&atilde;o, &eacute; assim que ele entra no caso, t&aacute;? &Eacute; desse jeito. Relatos de vizinhos falando de um Fusca azul, o Fusca azul sendo olhado, e ele admitindo que realmente se aproximou da dona Juvelina, da Sandra, e tentou levar a M&aacute;rcia para sair com ele. Isso &eacute; o depoimento dele. E depois esse depoimento de 96&hellip; Ent&atilde;o, tem coisas esquisitas. Ent&atilde;o, assim, primeira coisa que eu vou perguntar para voc&ecirc;s nesse sentido: essa hist&oacute;ria toda que eu falei faz algum sentido, do que voc&ecirc;s conhecem dele?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o, n&atilde;o faz nenhum sentido.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: E, outra, esse Fusca azul era do meu pai na &eacute;poca? Voc&ecirc; investigou isso, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eu investiguei. No depoimento, ele diz que &eacute;, e o carro em si n&atilde;o est&aacute; no nome dele. Estava no nome de um cara que j&aacute; era falecido em 89. Mas, no depoimento, ele fala que &eacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute;? Que estranho, porque eu tamb&eacute;m n&atilde;o me lembro desse carro. E se o carro n&atilde;o estava no nome dele&hellip; Ent&atilde;o, tamb&eacute;m n&atilde;o entendi isso a&iacute;&hellip; N&atilde;o me recordo desse carro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O motivo de chegarem ao Sr. Pedro na investiga&ccedil;&atilde;o foi o Fusca azul. Em depoimento, ele falava que o carro era dele. O Fusca foi periciado, ocasi&atilde;o em que a mancha de sangue humano acabou sendo encontrada. S&oacute; que, ap&oacute;s Ivan saber da discuss&atilde;o na fam&iacute;lia sobre o Sr. Pedro possuir ou n&atilde;o um Fusca azul nessa &eacute;poca, em 1989, ele conseguiu puxar a ficha do ve&iacute;culo &ndash; que j&aacute; n&atilde;o est&aacute; mais em circula&ccedil;&atilde;o. E l&aacute; consta que, anos antes, esse carro havia sido comprado por outra pessoa de Mandirituba.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1989, essa pessoa j&aacute; havia falecido. Em outras palavras: o Sr. Pedro ia para a casa de Sandra com um carro que n&atilde;o estava no seu nome, mas sim no nome de algu&eacute;m j&aacute; morto. Mas, em depoimento, ele admitiu que o ve&iacute;culo era dele. E a fam&iacute;lia nunca soube da exist&ecirc;ncia desse Fusca azul.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: E outra, esse sangue que encontraram, chegaram a perguntar para ele do que era esse sangue?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ent&atilde;o, perguntaram para ele em 96, s&oacute; no segundo depoimento. E, nesse segundo depoimento, ele diz que n&atilde;o sabe de quem era, mas que podia ser at&eacute; dele.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Isso eu acredito que sim. Porque o meu pai, como sempre construiu, sempre estava mexendo com as coisas, o meu pai sempre vivia ralado&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Machucado, &eacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute;. Sempre as m&atilde;os dele&hellip; Era m&atilde;o de pessoa que trabalhava, sabe? Ent&atilde;o, ele sempre tinha um raladinho, sempre tinha um machucado no p&eacute;, nas m&atilde;os. O meu pai quase n&atilde;o usava sapato, sempre chinelo. Ent&atilde;o, assim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Sempre trabalhando&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute;, sempre trabalhando. Essa &eacute; a vis&atilde;o que eu tenho dele, na verdade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. Ent&atilde;o, voc&ecirc;s conheceram o dono desse Fusca, que eu citei o nome para voc&ecirc;s ali?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o fa&ccedil;o ideia de quem &eacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: O tal do [nome ocultado]? Nunca ouviram falar?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o fa&ccedil;o ideia de quem &eacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Pelo o que eu pude levantar, era um cara que era bem conhecido. &Eacute; uma fam&iacute;lia bem conhecida em Fazenda Rio Grande, tem at&eacute; nome de rua com eles, teve vereador&hellip; Morreu ali na d&eacute;cada de 80. Em 89 j&aacute; era falecido. Mas&hellip; E os filhos dele, infelizmente, morreram tamb&eacute;m. N&atilde;o p&ocirc;de me explicar como foi essa hist&oacute;ria. O que eu acredito que aconteceu, para ele falar que o carro era dele, em depoimento, eu imagino que ele deve ter feito neg&oacute;cio, que comprou esse carro e n&atilde;o colocou no nome dele, assim como casa tamb&eacute;m, que ele pode ter comprado em 88, 89, e s&oacute; anos depois colocam no nome dele. Mas, assim, isso era um costume dele? Comprar um carro e demorar para colocar no nome dele? Alguma coisa assim ou n&atilde;o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Mas a&iacute; &eacute; que t&aacute;, eu n&atilde;o me recordo desse carro. O que eu me recordo na &eacute;poca, que o pai tinha em Fazenda Rio Grande, o pai tinha um Fiat 147. E ele chegou a ter uma Kombi branca na &eacute;poca l&aacute;. Mas, Fusca, eu n&atilde;o me lembro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Em 89, voc&ecirc; tinha quantos anos, [Filho]?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu tinha&hellip; Deixa eu ver&hellip; 84&hellip; Sei l&aacute;, devia ter uns 12 anos, por a&iacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Ou seja, talvez lembrasse de um Fusca azul que tivesse&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Sim, exato.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Perguntaram para a sua m&atilde;e se ela lembra de um Fusca azul, alguma coisa assim?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Ela n&atilde;o lembra. Ela n&atilde;o lembra. Ele j&aacute; teve um Fusca, mas esse Fusca at&eacute; era&hellip; Esse Fusca, at&eacute; eu lembro&hellip; Mas eu era um pouquinho j&aacute; maior, j&aacute; estava em Curitiba h&aacute; um bom tempo, ent&atilde;o eu ainda at&eacute; lembro dele, mas n&atilde;o desse a&iacute;, enfim&hellip; O meu pai teve bastante carro, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;, 89&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Foi at&eacute; a primeira coisa que eu achei estranho na &eacute;poca, de falar desse Fusca azul, porque eu n&atilde;o me lembrava dele. Falei: &ldquo;nossa, mas meu pai teve Fusca azul?&rdquo;. N&atilde;o me lembrava desse carro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: [Filho], ent&atilde;o me ajuda a entender. Por que ele falou que o Fusca era dele nesse depoimento? O que voc&ecirc; acha que aconteceu?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Poxa, eu n&atilde;o sei te dizer por qu&ecirc;&hellip; Eu n&atilde;o me recordo desse carro. Esse carro, eu n&atilde;o me lembro de ele ter tido. S&oacute; n&atilde;o consigo te ajudar nisso porque&hellip; N&atilde;o lembro mesmo. &Eacute;&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eu vou jogar aqui uma coisa que eu tenho que falar, e da&iacute; voc&ecirc;s me falam o qu&atilde;o absurdo &eacute; o que eu estou falando ou n&atilde;o. Mas existe alguma chance de ele ter escondido alguma coisa de voc&ecirc;s? Por exemplo, um carro?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Mas n&atilde;o tem&hellip; Onde ele ia esconder um carro da gente? A gente s&oacute; morava l&aacute; na &eacute;poca. N&atilde;o tem como.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas voc&ecirc;s acompanhavam&hellip; Ele ficava, por exemplo, tempo fora de casa? Voc&ecirc;s sabiam tudo o que ele estava fazendo o tempo inteiro? Eu entendo, voc&ecirc;s s&atilde;o filhos, eu sei que &eacute; dif&iacute;cil falar isso. Mas eu preciso fazer as perguntas dif&iacute;ceis, t&aacute;? Para que voc&ecirc;s me digam: &ldquo;olha&hellip;&rdquo;. Eu sei que voc&ecirc;s s&atilde;o filhos, eu sei que tudo fica complicado a partir dali, e eu n&atilde;o quero ser indelicado. Desculpa at&eacute; se eu estou sendo. Mas eu sei que o meu pai tem uma vida que eu n&atilde;o conhe&ccedil;o. Eu amo o meu pai. Acho que seria imposs&iacute;vel ele cometer qualquer crime. Eu ficaria t&atilde;o em choque quanto voc&ecirc;s. Mas, ao mesmo tempo, eu diria assim: t&aacute;, mas eu n&atilde;o acompanho o meu pai o tempo inteiro, ainda mais quando eu era crian&ccedil;a, ent&atilde;o eu n&atilde;o sei o que pode ter acontecido. Pode ser que o meu pai tenha tido uma vida que eu n&atilde;o conhe&ccedil;o. Ent&atilde;o, h&aacute;bitos que a gente est&aacute; olhando&hellip; Por exemplo, fazia viagens de ficar muito tempo fora de casa, sa&iacute;a de casa sem explicar para onde estava indo, isso acontecia na vida de voc&ecirc;s?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu n&atilde;o me recordo dessas coisas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Pelo que a minha m&atilde;e falava&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu sei que ele trabalhava bastante&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: &Eacute;, ele trabalhava bastante. Ele n&atilde;o ficava, assim, tantos dias fora de casa n&atilde;o. E ela geralmente sabia onde ele estava.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E claro, nessa hora, Ivan e Natalia se espantaram. Afinal, a conversa que a jornalista teve com a vi&uacute;va, naquele primeiro encontro, foi muito chocante. Ela havia dito que Pedro passava dias fora de casa sem dar nenhuma explica&ccedil;&atilde;o, e que n&atilde;o se intrometia muito porque tinha medo. Mas a hist&oacute;ria que os filhos contavam era outra.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Voc&ecirc;s devem saber que a Natalia falou com a [vi&uacute;va] um tempo atr&aacute;s, n&eacute;? Foi o primeiro contato que a gente teve. Natalia, voc&ecirc; quer falar um resumo, assim, do que a [vi&uacute;va] falou? &Eacute; que, assim, eu n&atilde;o quero transformar isso aqui num &lsquo;casos de fam&iacute;lia&rsquo;. As coisas que voc&ecirc;s est&atilde;o nos falando n&atilde;o est&atilde;o batendo com algumas coisas que a [vi&uacute;va] falou. Ent&atilde;o, acho que &eacute; importante voc&ecirc;s saberem e poderem passar para a gente&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: At&eacute; seria bom conversar com ela mesmo porque eu entendo que ela tamb&eacute;m j&aacute; tem uma certa idade e talvez possa ter se confundido. Porque eu cheguei na casa dela e eu bati palma&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Quase matou ela do cora&ccedil;&atilde;o, na verdade&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: Desculpa, inclusive&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Podia ter dado at&eacute; um tro&ccedil;o ali naquela hora, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: &Eacute;&hellip; E ela foi supersimp&aacute;tica, at&eacute; agrade&ccedil;o. Depois, se puder passar para ela, porque ela foi bem sol&iacute;cita, assim. Na hora que eu bati palma, eu comecei a falar pelo port&atilde;o mesmo, ela de dentro de casa. Da&iacute; quando eu falei do Fusca, ela falou que&hellip; &ldquo;N&atilde;o, ent&atilde;o espera que eu vou abrir o port&atilde;o&rdquo;. Que da&iacute; ela falou que realmente batia a hist&oacute;ria do Fusca, que ele tinha um Fusca azul. Que ela n&atilde;o tinha a m&iacute;nima ideia da hist&oacute;ria, nem da situa&ccedil;&atilde;o do sangue, nem de nada disso. Da&iacute; eu apresentei a situa&ccedil;&atilde;o para ela. A&iacute; ela acabou falando assim&hellip; At&eacute; pe&ccedil;o desculpa, assim, se ela acabou n&atilde;o falando para voc&ecirc;s dessa forma. Mas para mim ela&hellip; Levou um susto t&atilde;o grande, que para mim ela falou assim: &ldquo;eu n&atilde;o duvido. Porque ele nunca foi um homem de<\/em> <em>car&aacute;ter, porque ele tinha uma vida oculta. Ele tinha v&aacute;rios endere&ccedil;os. Ele passava a maior parte do tempo fora de casa&rdquo;. Ela falou a situa&ccedil;&atilde;o do mercado ali que voc&ecirc;s tinham, e que ela que tocava, na verdade, porque ele mal aparecia. Que ele tinha uma vida prom&iacute;scua, que ele bebia bastante, que ela tem praticamente certeza de que ele tra&iacute;a ela porque eles n&atilde;o tinham mais rela&ccedil;&otilde;es. Ent&atilde;o, assim, nessa primeira conversa, ela falou bastante. E eu sa&iacute; dali assustada porque eu esperava ou &ldquo;n&atilde;o, eu n&atilde;o vou falar nada&rdquo;, ou &ldquo;n&atilde;o, o meu marido &eacute; inocente, imagina, ele jamais faria isso&rdquo;. E eu sa&iacute; dali assim&hellip; &Eacute; estranho, porque a gente tinha a hist&oacute;ria, a vers&atilde;o que est&aacute; no inqu&eacute;rito, e da&iacute; eu fui ouvir a esposa dele e ela me falou isso. Ent&atilde;o, assim, foi isso que, na verdade, fez a gente querer saber mesmo se essa &eacute; a verdade, at&eacute; que ponto voc&ecirc;s sabiam da hist&oacute;ria. Se voc&ecirc;s sabiam de uma parte ou se ele realmente escondia alguma coisa. Outra coisa que ela apontou foi que em cada endere&ccedil;o que eles tiveram&hellip; Ela falou que se mudavam bastante, ficavam pouco em cada casa, por exemplo. E que, nessas casas, geralmente tinha um espa&ccedil;o que s&oacute; ele poderia entrar, que tinha pastas e alguma coisa&hellip; Tanto que depois que ele faleceu, voc&ecirc;, a [Filha] e ela foram dar uma olhada nesses pap&eacute;is, o que ele poderia ter ali, e da&iacute; acabaram encontrando at&eacute; um registro de arma&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Registro de arma?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: &Eacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Nota fiscal de uma arma. Foi o que ela falou.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: E &eacute; isso, assim. O resumo, basicamente, era esse. E da&iacute; tudo o que a gente perguntava, assim, sobre representante comercial, que ela diz que ele foi, ou quando trabalhou na [nome da empresa ocultado]&hellip; At&eacute; a gente gostaria de perguntar depois sobre essas quest&otilde;es de trabalho. Enfim, ela falou que n&atilde;o sabia muito onde ele estava, o que ele fazia. Mas, por exemplo, quando a gente perguntou sobre Garuva, ele ia muito para Garuva. Perguntava sobre Guaratuba&hellip; Ah, ele ia para Guaratuba tamb&eacute;m, assim. Pode ser uma coincid&ecirc;ncia? Com certeza. Pode ser que &agrave;s vezes ele s&oacute; foi um pouco ruim para ela e n&atilde;o para o resto do mundo? Tamb&eacute;m. Ent&atilde;o, por isso que a gente at&eacute; pede desculpa e, quando eu falei com ela, eu tamb&eacute;m falei: &ldquo;desculpa te dar<\/em> <em>esse susto, n&atilde;o era a inten&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Mas a gente jamais imaginou que algu&eacute;m n&atilde;o pudesse contar uma coisa t&atilde;o grave para a pr&oacute;pria fam&iacute;lia. &Eacute; como o Ivan falou, assim, eu acho que cada um tem um jeito de tratar certos assuntos, mas &eacute; algo que geralmente voc&ecirc; expressa para algu&eacute;m que voc&ecirc; ama, que voc&ecirc; tem confian&ccedil;a, n&eacute;? E a gente estava esperando outra resposta dela, mas, enfim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Pois &eacute;. A m&atilde;e, na verdade, n&atilde;o conhece muito carro, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: &Eacute;, mas endere&ccedil;o sim, n&eacute;? Assim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Endere&ccedil;o do qu&ecirc;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: Ela sabe onde morou durante toda a vida.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o, isso sim, mas j&aacute; vamos chegar l&aacute;. Sobre o carro, veja bem, o carro&hellip; Ela n&atilde;o sabe o que &eacute; um Fusca, Bras&iacute;lia, n&atilde;o entende muito de carro. N&atilde;o sei. Que nem eu falei, eu n&atilde;o me recordo desse carro. E olha que eu gosto de carro. Conhe&ccedil;o v&aacute;rios carros que o meu pai teve. Eu n&atilde;o me lembro desse Fusca.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: Que &eacute; bem caracter&iacute;stico, n&eacute;? Sim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: H&atilde;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: Ningu&eacute;m esquece um Fusca azul, assim, n&eacute;? &Eacute; um carro que chama a aten&ccedil;&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Exato. Exatamente. Entendeu? Eu n&atilde;o me lembro desse carro. E eu lembro de todos os carros que o pai teve. Entendeu? E, desse carro, eu n&atilde;o me lembro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: Outra quest&atilde;o que ela apontou at&eacute;, assim, de rela&ccedil;&atilde;o a amizades, que ele n&atilde;o fazia amizade muito porque&hellip; Pelo que voc&ecirc;s falaram, que ele era um cara reservado, que ele tinha a vida dele, era mais quieto. Da&iacute;, o que levantou para n&oacute;s, assim, &eacute; que ele tinha uma amizade com essa fam&iacute;lia<\/em> <em>em quest&atilde;o, tipo, tanto de oferecer uma carona, por exemplo. Da&iacute; a gente queria entender, na verdade, de onde pode ter surgido essa amizade, por que ele se aproximou dessa fam&iacute;lia&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o fazemos ideia. Estamos t&atilde;o surpresos quanto voc&ecirc;s. N&atilde;o fazemos ideia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o tem nem como a gente saber disso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o tem nem como.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: Sim. N&atilde;o, a gente entende.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Talvez, pela minha m&atilde;e ter falado&hellip; Que voc&ecirc; falou a&iacute;, que voc&ecirc; ficou surpresa da forma como ela falou, realmente, eles n&atilde;o tiveram um casamento muito f&aacute;cil. Meu pai, como eu falei, era uma pessoa mais r&iacute;gida, mais dura e tal. Mas, assim como muitos, milhares de casamentos a&iacute; afora, n&atilde;o foi aquele casamento de amor, amor e amor. E, realmente, ela tem um sentimento de dor, assim. Ent&atilde;o, quando voc&ecirc; vai falar dele, dependendo do momento que voc&ecirc; fala, ela est&aacute; ali muito dolorida, ent&atilde;o talvez voc&ecirc; chegou bem naquele momento e ela falou aquelas quest&otilde;es ali. E &eacute; isso. &Eacute; o que eu posso tirar disso que voc&ecirc; est&aacute; me falando.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Inclusive, sobre esse Fusca, ela chegou a falar que&hellip; &ldquo;Ah, eu lembro que o Fusca, a gente teve quando o [Filho] era bem pequeno&rdquo;. Ou seja, teria que ser muito tempo antes. N&atilde;o seria em 89, ent&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Exato.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ent&atilde;o, isso j&aacute; me&hellip; Foi isso j&aacute; que me deu o alerta do tipo: eu estou achando que eles nem sabiam desse Fusca. Porque &eacute; isso, eu tenho a [vi&uacute;va] falando que o Fusca&hellip; Em algum momento teve um Fusca, quando o<\/em> <em>[Filho] era bem pequeno. O [Filho] n&atilde;o lembra desse Fusca. O Fusca n&atilde;o est&aacute; no nome dele, mas no depoimento ele diz que o Fusca &eacute; dele. Eu n&atilde;o sei o que tirar disso. Entende? Voc&ecirc;s acham que ele mentiu em depoimento? O que pode ter acontecido? Alguma explica&ccedil;&atilde;o aqui para a gente&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o tem como explicar&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o tem como a gente dar essa explica&ccedil;&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute; s&oacute; ele que podia explicar isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Pelo amor de Deus&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim, ele n&atilde;o tem como se defender agora. Sim, exato. Eu entendo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Entendeu? N&atilde;o tem explica&ccedil;&atilde;o isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: E de forma alguma a gente quer acusar&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: S&atilde;o informa&ccedil;&otilde;es muito desencontradas que eu estou vendo, na verdade. Mas eu n&atilde;o consigo, sabe? Eu n&atilde;o consigo entender isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Seguindo nessa linha de que os filhos estavam contando uma hist&oacute;ria diferente da m&atilde;e, Ivan decidiu perguntar sobre a empresa onde Pedro trabalhou entre 1991 e 1993, que fazia casas pr&eacute;-fabricadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Natalia, a vi&uacute;va havia dito que ele ia para Guaratuba com frequ&ecirc;ncia, e que fazia algo relacionado a pallets de madeira. Mas, ap&oacute;s o contato com a empresa, Ivan verificou que ele era na verdade fiscal de obras, e que provavelmente essa hist&oacute;ria de pallets n&atilde;o fazia sentido.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: O que ele<\/em> <em>fazia? &ldquo;Ah, ele trabalhou para [nome da empresa ocultado] fazendo pallets de madeira em Guaratuba. Trabalhando com pallets de madeira em Guaratuba&rdquo;. Sabe me explicar como era isso? O que acontecia? Se ele ia para Guaratuba&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Pelo pouco que eu me lembro dessa situa&ccedil;&atilde;o, o pai trabalhou na [nome da empresa ocultado] sim, mas ele mexia com as obras da [nome da empresa ocultado]. Eles vendiam casas&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Aquelas casas, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Pr&eacute;-fabricadas, isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Isso, casas pr&eacute;-fabricadas, n&atilde;o pallets&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o tem nada a ver com pallet&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Acho que talvez na hora que ela falou&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Ele mexia com as obras dessas casas pr&eacute;-fabricadas. Mas tamb&eacute;m n&atilde;o tem nada a ver com Guaratuba. Pelo que eu sei, eram casas aqui em Curitiba e regi&atilde;o metropolitana.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Nunca foi para outros estados, por exemplo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Olha, eu n&atilde;o me lembro disso a&iacute;, de ele ter ido para outros estados. Eu sei que ele fazia&hellip; Eu n&atilde;o sei se ele vistoriava ou ele comandava essas obras, eu sei que ele sempre tinha que estar nessas obras, indo visitar. N&atilde;o sei se levava material, &eacute; algo assim que ele fazia l&aacute;. Mas eram casas pr&eacute;-fabricadas em Curitiba.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. E voc&ecirc;&hellip; S&oacute; em Curitiba? Voc&ecirc;s n&atilde;o t&ecirc;m no&ccedil;&atilde;o de outra localidade que ele tenha&hellip; Ele n&atilde;o viajava a trabalho para isso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o recordo disso. Eu lembro que ele sempre estava por aqui, vendo essas obras de casa, isso eu lembro. E eram casas, n&atilde;o tem nada a ver com pallet.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. T&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: At&eacute; porque [nome da empresa ocultado] n&atilde;o fez pallet, eu sei que eram casas&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;, eu sempre achei esquisito tamb&eacute;m essa parte dos pallets, assim, n&atilde;o encaixava. Mas uma coisa que a gente conseguiu levantar &eacute; que a [nome da empresa ocultado] de fato tinha constru&ccedil;&otilde;es em Guaratuba naquela &eacute;poca. Ent&atilde;o, que faria sentido ele, por ser mestre de obras, estar acompanhando alguma constru&ccedil;&atilde;o por l&aacute;, alguma coisa assim. Mas n&atilde;o sei, n&eacute;? Mais detalhes sobre isso&hellip; Voc&ecirc;s n&atilde;o sabem tamb&eacute;m o que ele fazia e em quais obras ele trabalhou, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o, n&atilde;o, n&atilde;o. Isso era coisa profissional, n&eacute;? Da&iacute; a gente n&atilde;o tinha acesso, n&atilde;o fazia ideia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham, sim. Talvez se tiver alguma sorte, de repente, por algum evento, saberia&hellip; Mas ok. Voc&ecirc; n&atilde;o tinha costume de ir com ele para as obras tamb&eacute;m, [Filho]? Para ver alguma obra? N&atilde;o da [nome da empresa ocultado], necessariamente. Mas alguma outra obra que ele fez? Ajudar ele, alguma coisa assim? L&aacute; em Itai&oacute;polis, nada?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o, n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Itapo&aacute;, perd&atilde;o. Itapo&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o. A &uacute;nica coisa que eu recordo, na &eacute;poca, &eacute; que ele usava uma Fiorino branca, a picape da [nome da empresa ocultado], que era o que ele usava para carregar ferramentas, para ir visitar as obras. Ent&atilde;o, &eacute; isso que eu lembro. Que at&eacute; ele vinha para casa com essa caminhonetinha e ia trabalhar com ela s&oacute;&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham, numa Fiorino, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Uma Fiorino branca, &eacute;. Picape.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Que era da pr&oacute;pria [nome da empresa ocultado]?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Da [nome da empresa ocultado].<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ele usava carro do trabalho, ent&atilde;o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute;. Isso eu lembro porque eu at&eacute; ficava ouvindo r&aacute;dio dentro dela, quando ele guardava aqui na casa, n&eacute;? &Eacute; o que eu me recordo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na conversa com essa empresa, Ivan quis levantar mais informa&ccedil;&otilde;es sobre o tipo de carro utilizado pelos fiscais de obras. Uma fonte que trabalhava l&aacute; nessa &eacute;poca disse que n&atilde;o se lembrava de nenhum fiscal usando Fiorino Picape, mas sim pequenos caminh&otilde;es, especificamente Agrale e Ford F-4000. Esses ve&iacute;culos possu&iacute;am carrocerias de madeira abertas, com aproximadamente 40 cm de altura. Eles eram usados para levar materiais para as obras, e tamb&eacute;m transportar sobras de constru&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>E esse era o motivo pelo qual, no epis&oacute;dio passado, Ivan citou a d&uacute;vida que tinha sobre o relato do menino misterioso para <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/eli-goncalves-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente de 16 anos que teria conversado com uma crian&ccedil;a v&iacute;tima de sequestro\" class=\"encyclopedia\">Eli Gon&ccedil;alves da Silva<\/a>. O garoto teria dito que havia sido preso por um carroceiro. Automaticamente se pensa em carro&ccedil;a com cavalo. Mas e se fosse um ve&iacute;culo como esses da empresa de constru&ccedil;&atilde;o? N&atilde;o h&aacute; como saber.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Algum momento, voc&ecirc;s chegaram a ir, ou ele a falar que passava ali perto da Col&ocirc;nia dos Fiscais de Guaratuba? Se ele fazia alguma obra l&aacute;? Alguma coisa assim?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Col&ocirc;nia de F&eacute;rias dos Fiscais?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o fa&ccedil;o nem ideia de onde fica isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ele chegou a trabalhar em alguma constru&ccedil;&atilde;o ali em Guaratuba ou regi&atilde;o no final da d&eacute;cada de 80, in&iacute;cio de 90? N&atilde;o que voc&ecirc;s saibam&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu&hellip; Eu acho que n&atilde;o. Tenho quase certeza que n&atilde;o porque&hellip; At&eacute;, na verdade, eu&hellip; Voc&ecirc;s vinculam tanto o nome dele para<\/em> <em>Guaratuba e ele quase nunca&hellip; Nunca ouvi falar que ele foi para l&aacute;. Ficar indo para Guaratuba, indo para Guaratuba, entendeu? &Eacute; uma regi&atilde;o que&hellip; Eu lembro que a gente quase n&atilde;o ia, porque ia para Itapo&aacute;, ia e voltava com a gente. Eu, a m&atilde;e, a [Filha], a gente sempre estava na casa de Itapo&aacute;, isso eu lembrava. Agora, para o lado de Guaratuba, foi uma regi&atilde;o que a gente at&eacute;&hellip; Na verdade, ele n&atilde;o gostava de Guaratuba. Adorava Itapo&aacute;, gostava de Itapo&aacute;, mas n&atilde;o&hellip; Um lugar que ele quase n&atilde;o&hellip; A gente sabia que n&atilde;o ia. N&atilde;o tinha&hellip; Essa regi&atilde;o n&atilde;o diz nada para a gente, entendeu?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Entendo. Em algum momento, ele chegou a citar para voc&ecirc;s alguma coisa sobre aqueles crimes de Guaratuba? O caso do Leandro e o caso Evandro, que foi chamado de &ldquo;As Bruxas de Guaratuba&rdquo;? Nunca falou nada, assim? Tipo assim: &ldquo;olha&hellip;&rdquo;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Isso a gente sabe pela televis&atilde;o s&oacute;, mas n&atilde;o&hellip; Dele, nunca.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Nunca.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Nunca.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Nunca falou que conhecia a fam&iacute;lia de algum dos meninos, nada?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Tamb&eacute;m nunca comentou do caso, em geral, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o, n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No segundo depoimento que prestou em 1996, o Sr. Pedro disse que, na noite de domingo em que Sandra desapareceu, ele estava visitando um tio da esposa em Garuva, que fica do lado de Guaratuba, no estado de Santa Catarina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: A m&atilde;e de voc&ecirc;s tinha aquele parente em Garuva em 89? Tinha?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: S&oacute; que acho que n&atilde;o &eacute; Garuva, eu acho que &eacute; mais para a frente l&aacute;. Pelo pouco que eu lembro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: &Eacute;, a m&atilde;e tem bastante parente em Santa Catarina.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute;, tem.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas n&atilde;o em Garuva, em espec&iacute;fico? &Eacute; isso que eu queria&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu acho que ele &eacute; mais para perto de Joinville do que para Garuva.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute; ok. Que &eacute; onde a sua m&atilde;e tem mais parentes, por ali?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Isso, exatamente como a minha irm&atilde; falou&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. E o seu [nome ocultado] veio de Itai&oacute;polis, correto?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Sim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc;s chegaram a visitar l&aacute;, como era tamb&eacute;m, para ver como era a cidade de onde ele veio, tudo? Voc&ecirc;s, como fam&iacute;lia, j&aacute; foram para l&aacute;? Nunca?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Itai&oacute;polis, n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Aquela regi&atilde;o, Itai&oacute;polis, Mafra, Colorado, nunca passaram por ali, assim, como fam&iacute;lia? Para ele mostrar: &ldquo;eu cresci aqui&rdquo;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Em Mafra s&oacute;. S&oacute; em Mafra, que a gente tinha uns amigos ali, s&oacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. Quando voc&ecirc;s eram pequenos, assim, que voc&ecirc;s foram?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Sim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Mas n&atilde;o conheceram ningu&eacute;m, assim, daquela &eacute;poca, nem nada desse jeito, n&eacute;? Que tenha sido&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Durante as investiga&ccedil;&otilde;es, foi muito dif&iacute;cil descobrir quais foram as profiss&otilde;es do Sr. Pedro. E Ivan tinha essa d&uacute;vida por causa das impress&otilde;es repassadas pelo Dr. Sami, de que o assassino poderia ter alguma experi&ecirc;ncia em IML ou necrot&eacute;rio.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eu sei que ele era mestre de obras, representante comercial. O que mais ele fez da vida?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Que eu lembre, foi isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Era isso, n&eacute;? Basicamente&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc;s sabem sobre ele ter sido vendedor na [nome da empresa ocultado], por exemplo? Quando veio para Curitiba?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute;, sim. &Eacute; que&hellip; Entra dentro do representante comercial&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ah, t&aacute;, t&aacute;, t&aacute;. Sim. Mas, vamos l&aacute;, vendedor da [nome da empresa ocultado]&hellip; Se n&atilde;o me engano, ele foi gar&ccedil;om em algum momento tamb&eacute;m. Trabalhou em algum restaurante, alguma coisa assim?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Acho que sim, aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Em algum momento&hellip; Isso aqui &eacute; uma coisa bem importante para a gente. Em algum momento ele trabalhou com alguma coisa ligada a funer&aacute;rias, IML, assistente&hellip; Alguma coisa assim?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o, n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Nunca. Nossa Senhora.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Por que eu estou perguntando isso? Porque isso &eacute; uma coisa que para mim &eacute; o que mais afasta o pai de voc&ecirc;s de qualquer suspeita desses casos, t&aacute;? Que &eacute;: tudo indica que as v&iacute;timas&hellip; O Leandro, a gente n&atilde;o tem como saber porque foi esqueletizado. Mas o Evandro e a Sandra tinham cortes que s&atilde;o caracter&iacute;sticos de IML ou de algu&eacute;m que trabalha com funer&aacute;rias, enfim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Por isso as perguntas ali, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Por isso a pergunta. Isso, t&aacute;? Porque se voc&ecirc;s me falassem: &ldquo;n&atilde;o, ele trabalhou numa funer&aacute;ria por um tempo&rdquo;, eu j&aacute; ia ficar assustado. Mas isso &eacute; uma quest&atilde;o, s&oacute; para deixar voc&ecirc;s tranquilos, que eu n&atilde;o posso ignorar, n&eacute;? Eu n&atilde;o quero construir um culpado aqui do nada, t&aacute;? S&oacute; precisava realmente saber se&hellip; Porque eu tinha ouvido uma hist&oacute;ria tamb&eacute;m, por exemplo&hellip; Que essa hist&oacute;ria que ele teria ido para Garuva no dia 4 de junho de 89 para visitar um tio, o tio nem estaria vivo nessa &eacute;poca, em 89, ou nem morava em Garuva. Ent&atilde;o, da&iacute; eu achava&hellip; Eu queria saber se voc&ecirc;s visitavam ele com frequ&ecirc;ncia, se voc&ecirc; lembra&hellip; Se voc&ecirc;s lembram desse tio&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Sim. A gente visitava os parentes da m&atilde;e pelo menos uma vez ao ano. Isso&hellip; Eu acho que at&eacute; eu lembro mais do que o [Filho], que o [Filho] j&aacute; era um pouco maiorzinho. Chegou uma &eacute;poca que ele nem acompanhava mais a gente. Mas eu acompanhei algumas viagens com os meus pais, eu era bem companheira deles, e a gente visitava bastante esses parentes, assim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. E voc&ecirc;s visitavam quando? Com que frequ&ecirc;ncia, assim? Era nas f&eacute;rias s&oacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: &Eacute;. Uma vez ao ano. Agora, n&atilde;o tinha uma &eacute;poca muito espec&iacute;fica, assim. N&atilde;o tinha uma &eacute;poca muito espec&iacute;fica.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;. Eu pergunto mais por quest&atilde;o de rotina, entender a rotina das fam&iacute;lias &eacute; importante. Por exemplo, se falasse assim: &ldquo;ah, n&atilde;o, todo domingo a gente ia para o litoral para visitar parentes&rdquo;. &Eacute; uma rotina. Ent&atilde;o, a gente saberia que em 89, naquele domingo, n&atilde;o teria como ele estar por l&aacute;, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: O pai gostava muito de viajar, n&eacute;? Ele gostava muito de viajar. E eu lembro at&eacute; que ele ficava bravo porque eu fazia catequese no s&aacute;bado, e &agrave;s vezes n&atilde;o podia faltar a catequese, e da&iacute; eu n&atilde;o podia viajar. Ent&atilde;o, isso eu lembro bem, assim. A&iacute; a gente visitava ali os parentes da m&atilde;e, ia no final de semana, voltava, ou quando tinha feriado, alguma coisa assim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. E ele&hellip; Tinha alguma rotina de domingo, domingo &agrave; noite, principalmente, que voc&ecirc;s seguiam?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Eu lembro que ele sempre estava em casa com a gente no final de semana. Dificilmente ele n&atilde;o estava, assim. Muito dif&iacute;cil.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Dificilmente estava numa obra ou num trabalho?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o. Final de semana, ele n&atilde;o trabalhava, assim. Muito raramente num s&aacute;bado de manh&atilde;, mas era, assim, bem raro mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: At&eacute; porque uma das coisas que ele mais adorava fazer para a gente era assar carne. Ent&atilde;o, todo domingo quase, tinha carne assada aqui em casa. Ent&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: &Eacute;. Maionese da m&atilde;e e carne assada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute;. Quase todo domingo tinha isso. Era o que ele adorava fazer para a gente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E de noite? Como era a rotina de noite de voc&ecirc;s? &Eacute; que, assim, na minha fam&iacute;lia, por exemplo, a gente ficava assistindo Faust&atilde;o e videocassetada, sabe? Ent&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Ah, sim, isso tamb&eacute;m&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: A gente assistia Fant&aacute;stico&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Fant&aacute;stico&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Todo domingo &agrave; noite.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Sai de Baixo, uma &eacute;poca ali&hellip; Sai de Baixo era bem&hellip; Ratinho &agrave; noite, dia de semana, assistia o Ratinho. Muito tempo assisti o Ratinho.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Perfeito. Voc&ecirc;s lembram se&hellip; Voc&ecirc;s n&atilde;o lembram de ele viajar a trabalho e ficar dias fora, ent&atilde;o? Isso a&iacute; voc&ecirc;s n&atilde;o se recordam? &Eacute; que o meu pai era representante comercial. Meu pai foi representante comercial por muito tempo, ent&atilde;o, da&iacute; eu lembro, assim, do meu pai viajar segunda e voltar sexta, porque foi l&aacute; para, sei l&aacute;, interior&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Aham. Ficava a semana toda fora.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;. Nunca teve esse&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Mas o pai&hellip; Ele at&eacute; &agrave;s vezes viajava, mas eram, assim, viagens bem r&aacute;pidas, e retornava&hellip; Pelo menos &eacute; o que eu lembro, assim. N&atilde;o sei se o [Filho] lembra de alguma outra coisa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute;. Eu lembro vagamente disso a&iacute;, que era coisa r&aacute;pida, porque&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Era coisa de bate&hellip; Bate-e-volta, assim, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mesmo dia? Vai e volta no mesmo dia?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Para quais cidades ele fazia trabalhos assim?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Ah, isso da&iacute; eu tamb&eacute;m n&atilde;o lembro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o vai saber.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Para ser bate-e-volta, tem que ser coisa pr&oacute;xima, n&eacute;? Teria que ser&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: &Eacute;, tem que ser mais pr&oacute;ximo, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. Voc&ecirc;s n&atilde;o lembram de, em algum momento, ele ter ido para o norte do Paran&aacute;? Londrina, Maring&aacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Na &eacute;poca da [nome da empresa ocultado]?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Nunca falou nada disso, n&eacute;? Voc&ecirc;s chegaram a perguntar para a m&atilde;e de voc&ecirc;s sobre isso? Sobre ele ter ido para o norte, alguma coisa?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Perguntei. Ela disse que n&atilde;o, que n&atilde;o, que n&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ivan fez essa pergunta pelo seguinte: em datas muito pr&oacute;ximas entre os desaparecimentos de Leandro e Evandro em Guaratuba, tr&ecirc;s crian&ccedil;as sumiram no norte do Paran&aacute;, em Londrina e Maring&aacute;.<\/p>\n\n\n\n<p>S&atilde;o locais distantes, mas os desaparecimentos dessas crian&ccedil;as, especialmente nessas cidades, s&atilde;o muito incomuns. E h&aacute; uma chance de o assassino de Evandro e Leandro tamb&eacute;m estar por tr&aacute;s desses casos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ivan, as fontes da empresa de constru&ccedil;&atilde;o disseram que acham dif&iacute;cil que tivesse qualquer obra deles no norte do Paran&aacute; naquela &eacute;poca. De acordo com eles, o mais prov&aacute;vel &eacute; que n&atilde;o houvesse nada.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Uma das testemunhas do caso Sandra falava em depoimento que o [nome ocultado] dizia para ela que ele tinha um terreno no litoral em 89. Isso era verdade? E, se sim, qual era a cidade que ele tinha um terreno?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Acho que eles tiveram em Itapo&aacute;, n&eacute;, [Filho]?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Tiveram. Tiveram casa em Itapo&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Tiveram em Itapo&aacute;, mas eu n&atilde;o&hellip; At&eacute; perguntei isso para a m&atilde;e tamb&eacute;m, ela n&atilde;o lembra exatamente do ano, assim. A gente lembra vagamente que era Itapo&aacute; porque as minhas tias t&ecirc;m ali casa em Itapo&aacute; tamb&eacute;m, ent&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. Isso em 89, seria?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Da&iacute; eu n&atilde;o sei te dizer o ano. N&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. &Eacute; que, olha, eu n&atilde;o consegui encontrar nenhum registro de im&oacute;veis do [nome ocultado] em Santa Catarina ou no litoral do Paran&aacute; nesse per&iacute;odo, t&aacute;? Encontrei muita coisa em Curitiba, Fazenda Rio Grande, tudo. Agora, Itapo&aacute;&hellip; Porque eu j&aacute; sabia de Itapo&aacute;, que ele gostava de l&aacute;. Sabia que&hellip; Acho que construiu uma casa na d&eacute;cada de 80, salvo engano, que foi uma casa muito bonita. Mas eu nunca vi nenhum documento com esse nome. Ent&atilde;o, assim, voc&ecirc;s iam para essa casa? Voc&ecirc;s frequentavam? Ela era dele mesmo? Porque eu imagino que deve ter sido uma coisa assim de&hellip; Tamb&eacute;m de documenta&ccedil;&atilde;o da &eacute;poca, meio feita na boca&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Pode ser. Pode ser. Mas a&iacute; eu tamb&eacute;m n&atilde;o lembro porque eu era bem pequena tamb&eacute;m&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu lembro que a gente ia, que eu era pequeno e que n&oacute;s t&iacute;nhamos casa l&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Em Itapo&aacute;, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Em Itapo&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No inqu&eacute;rito do caso Evandro, existe um depoimento de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/euclidio-soares-dos-reis\/\" target=\"_self\" title=\"Morador de Guaratuba, foi suspeito no caso Evandro\" class=\"encyclopedia\">Eucl&iacute;dio Soares dos Reis<\/a>, o homem que morava perto do local onde o corpo do menino foi encontrado. Ele dizia que, pouco antes do cad&aacute;ver aparecer no matagal, ele tinha visto um Opala preto passar pela regi&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, Ivan perguntou sobre isso aos filhos de Pedro. E aproveitou tamb&eacute;m para verificar algumas informa&ccedil;&otilde;es sobre suspeitos, como aquelas presentes nos relatos dos Irm&atilde;os Fran&ccedil;a, que diziam terem sido perseguidos por um homem barbudo e cabeludo.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Em algum momento, principalmente nesse per&iacute;odo entre 89 e 92, o pai de voc&ecirc;s teve um Opala preto?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Nunca teve&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o. Opala n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Meu pai nunca gostou de Opala.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: &Eacute;, isso eu lembro que ele falava mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Odiava Opala.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Certo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Preto, ainda piorou. Porque ele odiava carro preto&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ok. Ele usou barba em algum momento nessa &eacute;poca? Ele teve&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: O pai nunca usou barba.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Nunca usou barba?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Que eu lembro, assim&hellip; A barba dele era, assim, bem baixinha. Sempre teve pouca barba, bem baixinha, e sempre estava fazendo&hellip; &Eacute;&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. N&atilde;o gostava de barba, e imagino que cabelo comprido tamb&eacute;m n&atilde;o, n&eacute;? Sempre cortava.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Nunca, n&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Nunca. Ele era muito tradicional assim, n&eacute;? Aqueles homens bem tradicionais, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. Ele n&atilde;o chegou a ir para o ex&eacute;rcito nem nada assim, n&eacute;? De servir, nem nada do tipo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o sei&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu acho que n&atilde;o. Nunca ouvi falar nisso tamb&eacute;m.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Tamb&eacute;m n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ele sabia andar de carro&ccedil;a? Ou ele teve carro&ccedil;a em algum per&iacute;odo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Que a gente&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Que voc&ecirc;s saibam, n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Pelo que gente saiba, n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esse &eacute; outro ponto importante que n&atilde;o se pode descartar: as descri&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas do Sr.<em> <\/em>Pedro n&atilde;o batem com aquelas dadas pelos irm&atilde;os Fran&ccedil;a. Nada indica tamb&eacute;m que ele<em> <\/em>tinha um Opala preto, tampouco que teria uma carro&ccedil;a com cavalos em Guaratuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, como j&aacute; parece estar &oacute;bvio, tudo isso pode ser pista falsa. Pode ser que o<em> <\/em>relato dos Irm&atilde;os Fran&ccedil;a seja um grande equ&iacute;voco. Pode ser que n&atilde;o era uma carro&ccedil;a<em> <\/em>com cavalos no relato do menino misterioso a Eli. S&atilde;o muitas vari&aacute;veis.<\/p>\n\n\n\n<p>E, falando com os filhos, ficava claro para Ivan tamb&eacute;m outra coisa: por serem crian&ccedil;as na<em> <\/em>&eacute;poca, dificilmente eles teriam muitas informa&ccedil;&otilde;es para compartilhar. Por causa disso, por muito tempo<em> <\/em>ele tentou achar algu&eacute;m que fosse amigo do Sr. Pedro nesses anos. Algum adulto que<em> <\/em>fosse seu parceiro de churrasco, de boteco, colega de trabalho, qualquer coisa. Nunca<em> <\/em>encontrou ningu&eacute;m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Uma coisa que eu tenho uma enorme dificuldade e muita curiosidade &eacute; achar amigos do seu [nome ocultado], principalmente amigos desse per&iacute;odo, 89 a 92, 93. Como era a quest&atilde;o das amizades? Ele tinha? N&atilde;o tinha? Colegas de trabalho?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Eu nunca conheci ningu&eacute;m, assim, do trabalho dele. Ele tinha uns amigos, os vizinhos, esses amigos em Mafra, que era uma fam&iacute;lia que a gente sempre visitava. Mas, de trabalho, n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: [Filho], voc&ecirc; lembra de algum colega de trabalho, visita, assim?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: O pai era muito na dele, quiet&atilde;o. Gostava de ajudar muitas pessoas, mas sempre na dele, n&atilde;o tinha muita amizade com o pessoal, assim. N&atilde;o lembro de ningu&eacute;m, assim, que vinha em casa, nada&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute; que&hellip; Acho que seria legal a gente tentar saber um pouco mais de uma perspectiva de adulto daquela &eacute;poca, n&eacute;? &ldquo;N&atilde;o, eu andava com o seu [nome ocultado], a gente fazia tal coisa, sa&iacute;a para pescar&rdquo;, sei l&aacute;, qualquer coisa assim. Mas ningu&eacute;m que voc&ecirc;s conheceram era um amigo de longa data? Ningu&eacute;m?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. At&eacute; quando ele veio a falecer, n&atilde;o foi nenhum amigo para o funeral? Foi s&oacute; a fam&iacute;lia?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: S&oacute; a fam&iacute;lia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: S&oacute; a fam&iacute;lia. &Eacute; que foi bem na pandemia tamb&eacute;m, n&eacute;? A gente fez um&hellip; A gente fez um vel&oacute;rio bem restrito, assim, e r&aacute;pido. Nem ficamos l&aacute; o dia todo. Foi bem r&aacute;pido, por conta da pandemia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>E, ent&atilde;o, Ivan quis saber mais sobre a hist&oacute;ria que a vi&uacute;va contou envolvendo o suposto quarto onde Pedro n&atilde;o deixava ningu&eacute;m entrar e a arma que descobriram dele.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ele de fato tinha uma parte na casa dele que n&atilde;o deixava ningu&eacute;m entrar? Que eram as coisas dele, e que eventualmente o [Filho] entrou l&aacute; e encontrou uma nota fiscal de arma? Essa hist&oacute;ria &eacute; verdadeira?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o &eacute; que n&atilde;o seja verdadeira. Ele tinha um quartinho que ele guardava ferramentas, mas era aberto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: E essa pasta at&eacute;&hellip; Eu lembro de uma pasta que ele tinha e que eu at&eacute; depois brincava com essa pasta. Brincava com essa pasta. Era uma pasta preta, eu brincava com ela. Porque da&iacute; ele n&atilde;o usava mais e enfim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Essa hist&oacute;ria de que descobriram que ele tinha uma arma, ent&atilde;o, depois que ele morreu&hellip; A [vi&uacute;va] se confundiu? Isso n&atilde;o aconteceu nem com voc&ecirc;, [Filho], nem com voc&ecirc;, [Filha]?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: &Eacute; at&eacute; novo esse neg&oacute;cio de ele ter&hellip; Como &eacute;? &Eacute; porte de arma que ele tinha?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o. Pelo que eu me lembre, pelo o que eu me lembre, ela falou que encontrou uma nota fiscal de arma. N&atilde;o digo que foi porte ou posse, acho dif&iacute;cil ser. Acho que foi mais uma nota fiscal de uma arma. Agora, o que exatamente, eu n&atilde;o sei. Isso foi uma&hellip; At&eacute; uma coisa que a gente ia perguntar para voc&ecirc;s o que foi, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o, eu n&atilde;o sei o que &eacute;&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu n&atilde;o vi nada disso aqui.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez, o que a vi&uacute;va havia dito n&atilde;o condizia com o que os filhos estavam falando.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: A [vi&uacute;va] contou para a Natalia uma hist&oacute;ria de que uma vez ele teria encontrado uma menina na BR-116, que teria sido estuprada, que ele teria prestado aux&iacute;lio para ela. Voc&ecirc;s conhecem essa hist&oacute;ria? Voc&ecirc; ouviu essa hist&oacute;ria alguma vez? Nada?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Ela falou que ele contou para ela que auxiliou uma fam&iacute;lia. &Eacute; s&oacute; isso que a gente sabe, assim. Ele contou para ela que auxiliou uma fam&iacute;lia&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Auxiliou como? O que&hellip; N&atilde;o deu detalhes?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o deu detalhes. N&atilde;o. N&atilde;o deu detalhes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Simplesmente: &ldquo;auxiliei uma fam&iacute;lia na BR-116&rdquo;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Pode ter sido a pr&oacute;pria fam&iacute;lia da Sandra, ent&atilde;o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o sei te dizer, Ivan.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;, n&atilde;o. Tudo bem. Mas essa hist&oacute;ria&hellip; A [vi&uacute;va] contou para voc&ecirc;s igual ela contou para a Natalia, ou n&atilde;o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu n&atilde;o lembrava disso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Nunca falou?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Para mim&hellip; Eu n&atilde;o lembrava disso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sobre o caso da Sandra novamente, a [vi&uacute;va] alguma vez ficou sabendo dessa hist&oacute;ria? Ficou sabendo s&oacute; pela gente tamb&eacute;m, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Sim, s&oacute; por voc&ecirc;s, &eacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ele era do tipo de pessoa que se aproximaria da dona Juvelina, uma mulher pobre&hellip; Deixa eu explicar para voc&ecirc;s como era a casa da Juvelina. A casa da Juvelina&hellip; Ela era uma m&atilde;e solo de 40 e poucos anos, que tinha tr&ecirc;s filhas: a mais nova de oito, a mais velha de treze. A Sandra era a do meio, tinha 11. Elas moravam numa meia-&aacute;gua no Parque Verde, numa casa sem luz, sem &aacute;gua, e, assim, as meninas viviam soltas por ali, t&aacute;? Faz sentido ele ter chegado ali perto para se aproximar, fazer amizade com pessoas assim? Por que ele faria isso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Boa pergunta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o sabemos te responder isso, Ivan.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o tinha motivo&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: [Filho], eu quero justamente que voc&ecirc;&hellip; Justamente&hellip; Que falou assim: &ldquo;p&ocirc;, o meu pai ensinou um monte de coisa&hellip;&rdquo;. Se coloca no lugar dele. Por que ele poderia fazer isso? Pensando nesse carinho de filho que voc&ecirc; tem, o que poderia estar passando na cabe&ccedil;a dele para se aproximar<\/em> <em>daquela fam&iacute;lia? Porque voc&ecirc; entende o que eu quero dizer. Voc&ecirc; entende o que eu quero dizer, [Filho]? &Eacute; estranho.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o vejo motivo, entendeu? Sinceramente, n&atilde;o vejo motivo de ele ter se aproximado dessa fam&iacute;lia. Sabe? Ele ficava com os meus filhos em casa. Eu tenho um filho, eu tenho uma filha. Ele ficava com os meus filhos aqui. Ent&atilde;o, eu n&atilde;o vejo motivo de ter se aproximado dessa fam&iacute;lia. Foi uma coisa t&atilde;o diferente que voc&ecirc;s trouxeram para a gente. Eu n&atilde;o vejo motivo de tudo isso a&iacute;, entendeu? De ter se aproximado, ter conhecido essa fam&iacute;lia, essas meninas, essa mulher&hellip; N&atilde;o consigo te ajudar nisso, desculpe, n&atilde;o consigo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. &Eacute; que se voc&ecirc; me fala, por exemplo, assim: &ldquo;n&atilde;o, ele era um cara muito legal, que fazia conversa f&aacute;cil com qualquer pessoa e queria ajudar&hellip;&rdquo;. Mas n&atilde;o me parece ser isso. Eu n&atilde;o estou&hellip; Entende? &Eacute; isso que eu estou achando estranho. Por isso que eu preciso que voc&ecirc;s me deem uma explica&ccedil;&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Veja bem, ele tinha o jeit&atilde;o dele, s&oacute; que ele tinha um cora&ccedil;&atilde;o muito bom. Ele ajudava realmente as pessoas. Se algu&eacute;m precisasse de ajuda&hellip; Eu lembro que, at&eacute; aqui onde eu moro, algu&eacute;m&hellip; Se um vizinho precisasse de uma ferramenta, ele emprestava. Ele ia l&aacute;, ajudava a fazer at&eacute; o neg&oacute;cio se fosse preciso. Nessa parte, ele tinha um cora&ccedil;&atilde;o muito bom, entendeu? Agora, assim, s&oacute; que ele tinha o jeit&atilde;o dele, quiet&atilde;o, fechad&atilde;o, entendeu? &Agrave;s vezes ficava bravo. O jeit&atilde;o dele, era o jeit&atilde;o dele. Pessoa mais antiga, sabe? Ele era bem antigo, sabe? Mas n&atilde;o&hellip; Tipo, assim, &agrave;s vezes estava l&aacute; numa obra&hellip; Mas o que essa fam&iacute;lia ia fazer de obra l&aacute;? N&atilde;o ia fazer nada. N&atilde;o sei&hellip; N&atilde;o vejo no que ele poderia ajudar essa fam&iacute;lia, entende?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: Teve algum conflito dele com a m&atilde;e de voc&ecirc;s, assim, que deixe ela mais revoltada quando vai falar dele? Porque ela at&eacute; citou que a &uacute;nica vez que ele falou que amava ela foi antes de ele falecer, assim, quando ela j&aacute; estava cuidando dele ap&oacute;s o AVC. Teve alguma coisa assim, que deixou ela muito magoada? Alguma coisa que ela descobriu?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu acho que as brigas deles normais&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Briga de casal, como eu j&aacute; comentei com voc&ecirc;s.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute; que, veja, briga de casal normal, eu entendo uma coisa. A [vi&uacute;va] falou que ela apanhava do seu [nome ocultado]. Desculpa falar sobre isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: E que uma vez at&eacute; o [Filho] chegou a mediar, a falar assim: &ldquo;pai, n&atilde;o bate mais na m&atilde;e&rdquo;. Da&iacute;, a partir disso, ele ficou com receio do [Filho], e da&iacute; acabou respeitando um pouco mais a mulher, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o, de bater&hellip; De bater, n&atilde;o. Bater de fato, n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Ele era truculento&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Ele era truculento, ele falava assim mais bravo e tal, mas n&atilde;o chegou a&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Isso que a [vi&uacute;va] ent&atilde;o falou para a Natalia n&atilde;o aconteceu, [Filho]?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: A m&atilde;e &eacute; meio exagerada, sabe? At&eacute; com a gente isso. Normal, do jeit&atilde;o dela. A gente j&aacute; se acostumou com isso. Talvez a Natalia chegou aqui do nada, se apresentou, come&ccedil;ou a fazer perguntas ou come&ccedil;ou a falar algumas coisas, talvez ela tenha falado na hora da raiva dela&hellip; Dele, n&eacute;? Falando dele. Mas, sabe, o meu pai tinha o jeit&atilde;o dele. A gente tinha acostumado j&aacute; com o jeit&atilde;o dele. Mas ela&hellip; Sei l&aacute;, ela tem m&aacute;goa dele. &Eacute; o jeit&atilde;o dela. Ela tem m&aacute;goa dele. S&oacute; que &eacute; uma coisa dos dois.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ela mentiu que apanhou dele, ent&atilde;o?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o posso dizer que ela mentiu, mas tamb&eacute;m n&atilde;o posso dizer que &eacute; verdade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; nunca viu nada?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: O pai falava&hellip; O pai gritava, o pai tinha o jeit&atilde;o dele, truculento, como eu te falei. Era o jeit&atilde;o dele&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; nunca soube de ele amea&ccedil;ar ningu&eacute;m de morte?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o, isso n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Algu&eacute;m da fam&iacute;lia?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o, n&atilde;o, n&atilde;o, n&atilde;o. N&atilde;o, com certeza n&atilde;o. Jamais isso eu vi na minha vida&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; nunca viu. Mas j&aacute; ouviu hist&oacute;rias?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Tamb&eacute;m n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Certo. Gente, de pergunta que eu tenho para voc&ecirc;s, &eacute; isso, t&aacute;. Eu preciso agora falar claramente, assim, uma coisa: de novo, tem muitas coisas que me tiram o [nome ocultado] como suspeito. A quest&atilde;o do IML, a quest&atilde;o de a gente n&atilde;o conseguir focar ele em Guaratuba de verdade. S&oacute; que assim, eu preciso ser sincero com voc&ecirc;s. Eu acho muito esquisita a aproxima&ccedil;&atilde;o dele com a fam&iacute;lia. Eu acho muito esquisito ele ter aquele carro que voc&ecirc;s n&atilde;o sabiam. A [vi&uacute;va] chegou a falar que ele tinha uma vida oculta, que ele n&atilde;o dava muita explica&ccedil;&atilde;o sobre o que fazia por fora, especialmente nessa &eacute;poca. N&atilde;o sei se depois mudou. Mas o que a gente est&aacute; tentando agora ver &eacute; o que a gente consegue achar&hellip; Se a [nome da empresa ocultado]&hellip; O que a [nome da empresa ocultado] fazia em Guaratuba em 92 e se o seu [nome ocultado] passou por ali em algum momento. Talvez n&atilde;o encontre nada. Da&iacute; &eacute; o famoso: &ldquo;n&atilde;o posso dizer&rdquo;. Mas eu preciso<\/em> <em>perguntar para voc&ecirc;s: se a gente achar alguma coisa que ligue ele &agrave; Guaratuba naquela &eacute;poca, isso vai ser uma surpresa para voc&ecirc;s?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: A gente n&atilde;o lembra, n&eacute;, Ivan. A gente n&atilde;o sabe. Entendeu? Que nem voc&ecirc; acabou de falar, a [nome da empresa ocultado] tem constru&ccedil;&atilde;o em Guaratuba? Ela &eacute; uma empresa que vende casa pr&eacute;-fabricada. Eles podem ter constru&ccedil;&atilde;o at&eacute; Ponta Grossa, S&atilde;o Paulo, Rio de Janeiro. N&atilde;o significa que ele tenha ido para l&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. N&atilde;o, eu estou dizendo de achar o nome dele em uma constru&ccedil;&atilde;o, em alguma estadia, alguma coisa assim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: N&atilde;o sabemos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Mas o que isso faria&hellip; &Eacute;. E, assim, isso faria dele&hellip; Ter feito alguma coisa? Por ter trabalhado?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o. O que teria &eacute; s&oacute; ele estar nesses lugares ao mesmo tempo&hellip; Eu n&atilde;o estou dizendo que tem. Isso n&atilde;o significa nada. Criminalmente&hellip; Tem uma advogada criminalista aqui, inclusive, que pode responder isso para voc&ecirc;s, t&aacute;? S&oacute; que, de novo, s&atilde;o ind&iacute;cios, e que a gente s&oacute; pode responder&hellip; A gente s&oacute; vai descobrir quem fez isso mesmo quando a gente encontrar, se um dia encontrar, registro que a pessoa fez. Sabe? Peda&ccedil;os dos corpos, anota&ccedil;&otilde;es, porque as crian&ccedil;as foram mutiladas. Ent&atilde;o, assim, esse perfil de pessoa que faz isso&hellip; De novo, eu n&atilde;o estou dizendo que &eacute; o pai de voc&ecirc;s. Eu estou dizendo que &eacute; uma possibilidade que essas pessoas tenham vidas secretas, que fa&ccedil;am coisas que a fam&iacute;lia nunca vai saber. Isso existe, &eacute; poss&iacute;vel. Eu j&aacute; peguei caso de serial killer que, infelizmente, isso aconteceu. A fam&iacute;lia n&atilde;o tinha a menor ideia, e o cara tinha matado mais de 40 crian&ccedil;as no Norte do pa&iacute;s, no Norte e Nordeste do pa&iacute;s. Eu n&atilde;o acho&hellip; Eu n&atilde;o tenho como confirmar que &eacute; o pai de voc&ecirc;s, t&aacute;? Eu posso dizer&hellip; Preciso ser muito sincero com voc&ecirc;s, que eu nunca achei nenhum suspeito t&atilde;o forte quanto esse pelo simples fato dessa aproxima&ccedil;&atilde;o com a fam&iacute;lia e da semelhan&ccedil;a dos casos. O que me tira de cara o pai de voc&ecirc;s? &Eacute; essa quest&atilde;o do IML. De cortes t&iacute;picos de IML. Ent&atilde;o, assim, eu n&atilde;o condenaria ningu&eacute;m com base nisso. Eu n&atilde;o colocaria: &ldquo;essa pessoa &eacute; culpada&rdquo;, nem nada. Mas &eacute; uma investiga&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o foi feita na &eacute;poca, se perdeu essas quest&otilde;es, e a gente est&aacute; tentando recuperar o que &eacute; poss&iacute;vel. Eu espero que a gente consiga outros elementos por outros lugares, porque eu mal conhe&ccedil;o voc&ecirc;s, mas eu sei que voc&ecirc;s s&atilde;o filhos que amaram o pai, que passaram por uma vida e que&hellip; Eu n&atilde;o quero ser a pessoa que d&aacute; not&iacute;cia ruim para ningu&eacute;m, t&aacute;? Eu espero que seja outro caminho. Mas eu preciso tamb&eacute;m ser sincero com voc&ecirc;s, que assim&hellip; Eu estou h&aacute; quase 10 anos nesse caso, e eu n&atilde;o conhecia esses detalhes. Ent&atilde;o, tem quest&otilde;es ali que&hellip; Assim, ainda &eacute; uma quest&atilde;o aberta. E eu gostaria de me colocar &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de voc&ecirc;s. Sempre que voc&ecirc;s tiverem qualquer d&uacute;vida, qualquer quest&atilde;o, eu estou aqui &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o para tirar a d&uacute;vida de voc&ecirc;s tamb&eacute;m e explicar algumas das coisas que aparecem. Porque&hellip; De novo, s&atilde;o 10 anos quase nesses casos, e a gente insistiu em falar com voc&ecirc;s justamente porque a gente achava que era importante por causa dessa for&ccedil;a que&hellip; Por causa dessas coisas esquisitas que aparecem. A coisa principal &eacute;: se aproximou da fam&iacute;lia e ningu&eacute;m sabe explicar por qu&ecirc;. Diz que tinha um carro, que n&atilde;o sabe o que tinha. Ent&atilde;o, pode n&atilde;o ser nada? Pode. Mas, cara, &eacute; esquisito, &eacute; esquisito. Qualquer pessoa aqui vai achar esquisito. Qualquer pessoa aqui vai achar esquisito. Mas eu vou preservar toda a identidade de voc&ecirc;s. Eu vou deixar muito claro que n&atilde;o tinha nada aqui que voc&ecirc;s falassem que desabonasse o pai de voc&ecirc;s. Que, no m&aacute;ximo, a gente n&atilde;o conseguiu confirmar muita coisa que aparece. Que tem coisas que deixam mais suspeito, mas ao mesmo tempo tira a suspei&ccedil;&atilde;o dele, e &eacute; isso, t&aacute;? Eu s&oacute; posso agradecer voc&ecirc;s ao tempo que me concederam. E, se eu puder fazer alguma coisa, responder alguma pergunta tamb&eacute;m, mostrar alguma coisa que eu tenho, de documenta&ccedil;&atilde;o, eu estou aqui &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de voc&ecirc;s tamb&eacute;m, t&aacute;? N&atilde;o quero que&hellip; De novo, n&atilde;o quero ser a pessoa que acaba com a semana, ano, vida de ningu&eacute;m, t&aacute;? &Eacute; s&oacute; realmente para&hellip; A gente precisa ser transparente o m&aacute;ximo poss&iacute;vel e se colocar &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o de voc&ecirc;s. Tem alguma coisa que eu posso tirar de d&uacute;vida de voc&ecirc;s, de tudo? Porque, assim, eu j&aacute; fiz todas as minhas perguntas. O que voc&ecirc;s podiam me responder, beleza. Eu acho que a &uacute;ltima pergunta que eu tenho &eacute;: por que a m&atilde;e de voc&ecirc;s falou uma coisa para a Natalia, coisas t&atilde;o pesadas&hellip; &Eacute; por que ela tem essa m&aacute;goa com ele mesmo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Eu acredito que sim. Ela &eacute; magoada com ele. E, no fim, n&atilde;o resolveram isso, n&eacute;? O meu pai faleceu, e eles n&atilde;o resolveram isso. Ent&atilde;o, ela ficou com essa m&aacute;goa. E a gente sabe que ela tem essa m&aacute;goa, s&oacute; que ela tem que tratar isso dentro dela.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. [Filha], voc&ecirc; queria fazer perguntas no in&iacute;cio, que n&atilde;o sabia nem como come&ccedil;ar. Voc&ecirc; quer fazer agora que j&aacute; falamos tudo isso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: N&atilde;o, Ivan, acho que j&aacute;&hellip; Acho que uma das perguntas o [Filho] acabou fazendo ali, n&eacute;? Que &eacute; sobre os suspeitos, enfim, mas era isso s&oacute;. Acho que, agora, a gente conversando aqui tamb&eacute;m, j&aacute; ficou claro algumas coisas&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: &Eacute;. Eu queria aproveitar esse espa&ccedil;o para pedir desculpas tamb&eacute;m pela enche&ccedil;&atilde;o de saco, pelas mensagens, pelas vezes que a gente bateu na casa de voc&ecirc;s. N&atilde;o era o objetivo assustar, de forma alguma, e nem acusar o pai de voc&ecirc;s de nada. Era justamente para a gente&hellip; Que a gente queria falar e ouvir de voc&ecirc;s justamente porque conflitavam as informa&ccedil;&otilde;es de documentos com o que a m&atilde;e de voc&ecirc;s tinha falado, assim. Mas obrigada mesmo por essa conversa de hoje.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filha: Obrigada a todos. Boa noite, ent&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Filho: Obrigado. Boa noite para voc&ecirc;s todos a&iacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Boa noite.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s essa conversa, Ivan pediu para que as advogadas dos filhos e da vi&uacute;va enviassem uma declara&ccedil;&atilde;o para ser colocada neste epis&oacute;dio. Ele combinou com elas de n&atilde;o citar nomes e nem o escrit&oacute;rio para evitar tamb&eacute;m qualquer forma de v&iacute;nculo com eles. Abaixo, a declara&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ol&aacute;, Ivan, e a todos os ouvintes do podcast. Agradecemos pela oportunidade de termos acompanhado os entrevistados enquanto nossos clientes, conforme solicitado por eles. Gostar&iacute;amos de esclarecer que a nossa presen&ccedil;a, no momento da entrevista, visou, exclusivamente, &agrave; garantia da seguran&ccedil;a jur&iacute;dica e tranquilidade aos entrevistados, dado o desejo deles de cooperar plenamente com informa&ccedil;&otilde;es que pudessem ser relevantes para a busca do verdadeiro respons&aacute;vel por essas terr&iacute;veis atrocidades. Em nenhum momento a inten&ccedil;&atilde;o foi de vigiar ou censurar as perguntas, muito pelo contr&aacute;rio, com a nossa presen&ccedil;a, os entrevistados se sentiram mais tranquilos para responder o que fosse perguntado. O &uacute;nico objetivo almejado por n&oacute;s foi o de resguardar os dados sens&iacute;veis da fam&iacute;lia, como nome e endere&ccedil;o, e assegurar a presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia ao pai dos entrevistados, que, infelizmente, j&aacute; n&atilde;o se encontra entre n&oacute;s para falar por si mesmo. Aqui, &eacute; importante explicar que a presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia &eacute; um princ&iacute;pio constitucional que garante que uma pessoa, cuja culpa ainda n&atilde;o foi plenamente comprovada, n&atilde;o seja estigmatizada prematuramente, ou pior, irreversivelmente. Em outras palavras, na pr&aacute;tica, a presun&ccedil;&atilde;o de inoc&ecirc;ncia opera, n&atilde;o apenas em face das autoridades do poder judici&aacute;rio, mas tamb&eacute;m com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; imprensa, como um verdadeiro dever de tratamento, quer dizer, de preserva&ccedil;&atilde;o de um estado de inoc&ecirc;ncia que perdura at&eacute; o tr&acirc;nsito em julgado de uma senten&ccedil;a condenat&oacute;ria, ou seja, o momento em que a decis&atilde;o deixa de ser suscet&iacute;vel &agrave; recurso. Foi para tanto que a nossa presen&ccedil;a n&atilde;o apenas se fez necess&aacute;ria, mas tamb&eacute;m foi respeitada por parte do Ivan e de sua equipe. Dessa forma, aproveitamos a oportunidade para agradecer o trato cuidadoso por parte dos organizadores deste podcast, bem como pelo respeito e sensibilidade pelos nossos clientes em todo o processo de produ&ccedil;&atilde;o deste epis&oacute;dio<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SOM E F&Uacute;RIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>N&atilde;o h&aacute; nada que Ivan tenha conseguido provar contra o Sr. Pedro. Ele nunca foi acusado formalmente no caso Sandrinha. E n&atilde;o tem como coloc&aacute;-lo em Guaratuba em 1992, sem sombra de d&uacute;vidas. Mesmo que tivesse, isso n&atilde;o significaria necessariamente que ele &eacute; o culpado. Esse caso s&oacute; se resolveria com provas irrefut&aacute;veis que, muito provavelmente, j&aacute; se perderam h&aacute; muitos anos &ndash; se &eacute; que foram preservadas em algum momento.<\/p>\n\n\n\n<p>H&aacute; coisas sobre a sua vida que parecem condizer com algumas das quest&otilde;es levantadas pela Dra. L&iacute;gia no in&iacute;cio desse epis&oacute;dio. A suposta soberba relatada por alguns parentes, por exemplo, poderia ser um tra&ccedil;o de transtorno antissocial. E a possibilidade de ele aparentemente ter contado mentiras, como ter escondido um carro da pr&oacute;pria fam&iacute;lia, pode refor&ccedil;ar essa hip&oacute;tese. Mas Ivan n&atilde;o &eacute; psic&oacute;logo, o Sr. Pedro j&aacute; &eacute; falecido, e seria irresponsabilidade cravar qualquer opini&atilde;o sobre isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas os pr&oacute;prios familiares n&atilde;o conseguem explicar a exist&ecirc;ncia do Fusca Azul e a aproxima&ccedil;&atilde;o dele com a fam&iacute;lia de Sandra em 1989. E, na &eacute;poca dos casos de Guaratuba, Pedro trabalhava em uma empresa que ia para l&aacute; e que fornecia um ve&iacute;culo, que tamb&eacute;m n&atilde;o seria dele. Dito isso, n&atilde;o &eacute; imposs&iacute;vel tamb&eacute;m que a fam&iacute;lia simplesmente n&atilde;o se lembre do Fusca azul que o Sr. Pedro tinha, em 1989. Tudo &eacute; poss&iacute;vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Na &eacute;poca que Ivan falou com os filhos, havia acabado de entrevistar o Dr. Sami. Por isso, estava com a quest&atilde;o dos cortes de IML muito fortes na cabe&ccedil;a. Ent&atilde;o, n&atilde;o chegou a perguntar para os filhos sobre o descarne de animais na juventude &ndash; informa&ccedil;&atilde;o essa que foi passada &agrave; Natalia pela vi&uacute;va. Os outros parentes confirmaram que o pai do suspeito tinha costume de criar porcos e que fazia abate deles. Mas ningu&eacute;m p&ocirc;de confirmar se Pedro ajudava o pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme dito no epis&oacute;dio anterior, de acordo com algumas pessoas com quem Ivan conversou, que entendem do assunto, a facada que Evandro tinha nas costas se assemelhava com o tipo dado em porcos para abate.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo o que conseguiu levantar com pessoas acostumadas a descarnar animais, a pr&aacute;tica de se enfiar uma faca pelas costas, atingindo o cora&ccedil;&atilde;o, era bem comum entre os mais antigos, j&aacute; que hoje existem t&eacute;cnicas mais avan&ccedil;adas para fazer isso. Al&eacute;m disso, a forma como o corpo de Evandro foi descartado se assemelhava tamb&eacute;m com o modo com que ca&ccedil;adores ou abatedores se desfaziam de carca&ccedil;as. Isso tamb&eacute;m foi confirmado por pessoas que fazem abate de porcos. Segundo elas, antigamente era comum jogar carca&ccedil;as no mato para que a natureza desse conta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tudo isso &eacute; conjectura. Mesmo se Ivan perguntasse para os filhos do Sr. Pedro sobre essas coisas, eles provavelmente n&atilde;o saberiam de nada desse hist&oacute;rico do pai.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, ele havia sa&iacute;do do interior de Santa Catarina ainda muito jovem, e nunca mais teve cria&ccedil;&atilde;o de animais. Quando queria fazer churrasco, comprava a carne no a&ccedil;ougue. E pode ser que o Dr. Sami esteja certo. Pode ser que os cortes sejam t&iacute;picos de necrot&eacute;rio mesmo, e que o verdadeiro culpado tivesse esse conhecimento de algum lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; bem prov&aacute;vel que o verdadeiro assassino nunca tenha passado nem perto de todas essas investiga&ccedil;&otilde;es. Em uma conversa posterior que Ivan teve com a Dra. L&iacute;gia, ele pediu a sua opini&atilde;o sobre o Sr. Pedro. Contou com o seu sigilo profissional e mostrou alguns dos materiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela disse que havia uma coisa que afastava o Sr. Pedro como potencial suspeito. E isso seria o seguinte: partindo da hip&oacute;tese de que ele era o assassino, e de que os tr&ecirc;s casos est&atilde;o conectados, a forma como ele aborda Sandra &eacute; aparentemente bem diferente da maneira como Leandro e Evandro foram sequestrados.<\/p>\n\n\n\n<p>Se ele fosse um ped&oacute;filo do tipo sedutor, como poderia ser com Sandra, se aproximando e dando presentes at&eacute; o momento que decide sequestr&aacute;-la, n&atilde;o parece ter ind&iacute;cios de que algo parecido ocorreu com Leandro e Evandro. N&atilde;o se sabe se as fam&iacute;lias dos garotos conheciam o Sr. Pedro. Nisso, o modus operandi teria se alterado drasticamente. Seria imposs&iacute;vel? N&atilde;o. Mas improv&aacute;vel.<\/p>\n\n\n\n<p>S&oacute; que tem uma coisa que intriga Ivan &ndash; e que ele j&aacute; adianta que n&atilde;o tem resposta. O Sr. Pedro veio do interior de Santa Catarina, da cidade de Itai&oacute;polis, e nasceu na d&eacute;cada de 40. De acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE) de 1950, Itai&oacute;polis contava com cerca de 7.400 pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Paulina e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a>, os pais de Leandro, tamb&eacute;m eram de Itai&oacute;polis. E ambos nasceram na d&eacute;cada de 1950. O Sr. Pedro se mudou para Curitiba na d&eacute;cada de 1960. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> e Paulina ainda eram crian&ccedil;as. A regi&atilde;o onde Pedro morou na capital por muitos anos &eacute; a mesma onde a fam&iacute;lia de Paulina tinha terrenos. Em uma certa &eacute;poca, o Sr. Pedro chegou a viver na mesma rua de um terreno que a fam&iacute;lia de Paulina tinha naquela &aacute;rea.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> era mestre de obras, assim como o Sr. Pedro. Ent&atilde;o, s&atilde;o coincid&ecirc;ncias que chamam a aten&ccedil;&atilde;o. Ivan chegou a perguntar para a dona Paulina se ela conhecia o Sr. Pedro. Mostrou at&eacute; fotos para ela. Ela disse que n&atilde;o conhecia. Ningu&eacute;m da fam&iacute;lia Bossi jamais ouviu falar sobre ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan tamb&eacute;m fez o contr&aacute;rio, com familiares do Sr. Pedro, perguntando se eles conheciam algu&eacute;m da fam&iacute;lia Bossi, de Jo&atilde;o, ou da fam&iacute;lia Rudy, de Paulina. Ela e sua fam&iacute;lia moraram tamb&eacute;m um bom tempo em Colorado, uma cidade pr&oacute;xima de Itai&oacute;polis. Ningu&eacute;m nunca ouviu falar de nenhuma dessas fam&iacute;lias.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, geograficamente, h&aacute; mais essas coincid&ecirc;ncias. N&atilde;o se pode descartar a hip&oacute;tese de que o Sr. Pedro conhecesse a fam&iacute;lia de Leandro. Talvez conhecesse a de Evandro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por&eacute;m, a fam&iacute;lia de Evandro ainda acredita que os inocentes de Guaratuba s&atilde;o os verdadeiros culpados, ent&atilde;o n&atilde;o h&aacute; nem abertura para tentar falar com eles.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais uma vez, essas respostas se perderam, provavelmente para sempre. Ficaram apenas as d&uacute;vidas. E, na d&uacute;vida, sempre se segue pela inoc&ecirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Meu Deus.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esse &eacute; Lucas Bossi, irm&atilde;o de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>. Essa foi a sua rea&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s Ivan contar tudo o que havia levantado sobre o Sr. Pedro. E isso foi antes de ter realizado a conversa com os filhos.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: O que eu sei por cima &eacute; que a filha desse cara tem muito medo, muito medo, de voc&ecirc;s, especialmente. Do tipo assim: &ldquo;n&atilde;o, mas eu n&atilde;o sei do que essa fam&iacute;lia &eacute; capaz. Se foi&hellip;&rdquo;. Entende a situa&ccedil;&atilde;o? Tipo, o meu pai morreu. Da&iacute; vem um jornalista um dia na minha casa e diz assim: &ldquo;eu acho que o teu pai pode&hellip; Ele foi suspeito num caso&hellip;&rdquo;. A fam&iacute;lia n&atilde;o sabia que ele tinha sido suspeito. Tudo o que eu falei para eles &eacute; novidade. Eu cheguei com um calhama&ccedil;o de documento e disse assim: &ldquo;olha, t&aacute; aqui tudo o que eu tenho sobre o pai de voc&ecirc;s&rdquo;. Um monte de informa&ccedil;&atilde;o. Eles ficaram assim: &ldquo;mas como voc&ecirc; sabia de tudo isso?&rdquo;. &ldquo;Porque est&aacute; aqui, est&aacute; aqui nessa documenta&ccedil;&atilde;o&rdquo;. Foi muito chocante. E da&iacute; eu disse assim: &ldquo;eu preciso falar com voc&ecirc;s, eu preciso conversar&hellip;&rdquo;. Eles falaram: &ldquo;N&atilde;o, n&atilde;o quero falar, n&atilde;o quero falar, n&atilde;o quero falar, n&atilde;o quero falar&rdquo;. E eu falei assim: &ldquo;olha&hellip;&rdquo;. Da&iacute; eu disse: &ldquo;n&atilde;o, mas &eacute; que a gente s&oacute; quer esclarecer &agrave; fam&iacute;lia, a gente est&aacute; ajudando a fam&iacute;lia da Sandra e do Leandro&rdquo;. Porque a fam&iacute;lia da Sandra tamb&eacute;m acabou entrando nessa. A gente tamb&eacute;m tem contato hoje com eles. Assim como voc&ecirc;s. E da&iacute; ele falou: &ldquo;t&aacute;, mas &eacute; que eu n&atilde;o sei&hellip;&rdquo;. Em algum momento, a filha do cara falou assim: &ldquo;eu n&atilde;o sei do que eles s&atilde;o capazes&rdquo;, sabe? Eu imagino que&hellip; Assim, de fato&hellip; Sei l&aacute;, pode ser que&hellip; Imagina, algu&eacute;m ficaria louco e ia querer botar fogo na casa, sei l&aacute;. Eu entendo o receio. Eu entendo tamb&eacute;m o medo do tipo: &ldquo;cara, eu n&atilde;o sei se eu estou afim de abrir&hellip;&rdquo;. &Eacute; um desafio que eu tenho feito para algumas pessoas assim, tipo: chega um dia&hellip; O teu pai morreu. Algu&eacute;m bate na tua porta dois anos depois e fala: &ldquo;o teu pai pode ter&hellip; Ele foi suspeito num crime anos atr&aacute;s, e eu acho que ele pode ser suspeito de outros&rdquo;. Voc&ecirc; ajudaria a pessoa ou n&atilde;o? Entende?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Pois &eacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eles n&atilde;o t&ecirc;m culpa de nada&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: &Eacute;, eu sei. Eu sei. Aham. Caramba. E esse &eacute; o nosso cen&aacute;rio hoje, ent&atilde;o, Ivan?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Esse &eacute; o nosso cen&aacute;rio hoje. Que muita coisa bate com&hellip; Como eu te falei, assim, esquece seita, esquece Valentina, esquece&hellip; Olha para isso, tudo come&ccedil;a a fazer sentido. &Eacute; um cara que &eacute; um predador sexual ou um predador de crian&ccedil;as. Ele se aproxima das fam&iacute;lias, ele tenta seduzir, ele tem algum &oacute;dio com crian&ccedil;a que a gente n&atilde;o sabe. Deve ter algum del&iacute;rio, n&atilde;o sei. Tem muita coisa esquisita desse cara. Tem muita coisa esquisita. Informa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o batem, informa&ccedil;&otilde;es que deveriam existir e n&atilde;o existem, sabe? Ent&atilde;o, pode ser s&oacute; um cara muito desorganizado num n&iacute;vel inacredit&aacute;vel ou pode ser algu&eacute;m que estava escondendo alguma coisa, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Que coisa, cara. Que l&aacute;stima isso tudo, meu Deus.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Porque &eacute; muito mais prov&aacute;vel que seja inocente&hellip; Se voc&ecirc; pegar assim, sabe, tipo&hellip; Quem s&atilde;o as pessoas? Se voc&ecirc; pegar uma pessoa aleat&oacute;ria na rua, &eacute; muito mais prov&aacute;vel que ela seja inocente do que culpada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: &Eacute;, claro&hellip; A gente tamb&eacute;m n&atilde;o pode exigir e cobrar muito&hellip; N&atilde;o foram eles, n&eacute;? Mesmo se fosse o cara vivo a&iacute;, com certeza ele n&atilde;o falaria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Exato.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: N&eacute;? Ent&atilde;o&hellip; Quem sabe, &agrave;s vezes, &eacute; at&eacute; melhor que ele morreu, vamos dizer assim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;, &eacute;&hellip; Acho que nesse caso &eacute;&hellip; No que a gente est&aacute; lidando agora &eacute; um problema, mas acho que &eacute; um problema mais contorn&aacute;vel do que se o cara estivesse vivo, n&eacute;? Porque a fam&iacute;lia pode&hellip; Ok, passa o choque, ajuda&hellip; O cara simplesmente pode dizer&hellip; Vamos dizer que o cara &eacute; inocente. Aparece um cara l&aacute; 40 anos, 30 anos depois, dizendo: &ldquo;p&ocirc;, teve esse caso aqui&rdquo;. &ldquo;O que voc&ecirc; t&aacute; me enchendo o saco de coisa de 35 anos, que eu n&atilde;o tenho nada a ver?&rdquo;. Sabe? Ent&atilde;o, para a gente, pareceria suspeito, mas o cara s&oacute; n&atilde;o quer que encha o saco dele. Pode ser que ele nunca tenha falado para a fam&iacute;lia, inclusive, porque n&atilde;o quer que encham o saco dele. Do tipo: &ldquo;n&atilde;o, n&atilde;o quero que me encha o saco com isso. N&atilde;o vou falar que eu fui suspeito num crime. Por que eu vou chegar em casa falando isso?&rdquo;. O cara j&aacute; n&atilde;o era de se abrir muito com a fam&iacute;lia, de repente tinha uma vida secreta. Isso foi uma coisa que eu ouvi muito sobre ele, de v&aacute;rias pessoas. Ele tinha uma vida secreta. Ningu&eacute;m sabe o que ele fazia, ent&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Meu Deus&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Pode ser que o cara gostava&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Isso s&oacute; alimenta ali, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;. Pode ser que esse cara gostava de&hellip; Sei l&aacute;, jogar o jogo do bicho todo dia, ficar bebendo no bar&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Exatamente. Pode ser uma coisa bem improv&aacute;vel&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Que trai a esposa, n&atilde;o sei&hellip; Mas assassino de crian&ccedil;a? Inclusive &eacute; isso que me leva a crer que o cara &agrave;s vezes &eacute; inocente, sabe? Porque &eacute; tanta coisa ruim que eu j&aacute; ouvi sobre esse cara, que eu digo assim: &ldquo;n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel que ele seja t&atilde;o ruim&rdquo;, sabe? Al&eacute;m de ser marido ausente, bater na esposa&hellip; Ainda &eacute; assassino de crian&ccedil;a. Tanta coisa&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Sim, n&atilde;o existe isso&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o, at&eacute; existe, n&atilde;o sei&hellip; Mas &eacute; isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ao final da longa conversa com o Lucas, Ivan j&aacute; havia passado para ele praticamente tudo o que tinha levantado do caso de Leandro. De tudo o que puxou e avaliou sobre Evandro e Sandra, de como eles poderiam estar conectados.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Lucas, tem alguma outra coisa que eu posso te&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Acho que n&atilde;o. A gente conversou bastante coisa. Mas eu acho que j&aacute; foi muito esclarecedor, foi muito bom a gente conversar. Entendi muita coisa. E eu sei que o teu papel &eacute; esse mesmo, &eacute; a gente chegar no mais pr&oacute;ximo da verdade, seja ela qual for. Porque &agrave;s vezes n&atilde;o tem como chegar, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Isso, exato.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: N&atilde;o tem como fazer milagres com coisas que s&atilde;o bem fragilizadas e fragmentadas, no caso a&iacute; do Leandro. &Eacute; bem triste isso. Mas isso comprova que de fato houve um problema na investiga&ccedil;&atilde;o, &eacute; mais uma confirma&ccedil;&atilde;o para n&oacute;s de tudo isso&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eu acho, inclusive&hellip; Como eu te falei, se voc&ecirc; pegar todos esses elementos, que no podcast v&atilde;o estar mais did&aacute;ticos assim&hellip; Que hoje foi muita coisa. Mas, no podcast, acho que vai conseguir absorver melhor&hellip; Vale a pena voc&ecirc; conversar com o Basto sobre entrar com uma a&ccedil;&atilde;o contra o Estado mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Basto a que Ivan se refere &eacute; o advogado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/antonio-figueiredo-basto\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa dos acusados no caso Evandro\" class=\"encyclopedia\">Antonio Figueiredo Basto<\/a>, respons&aacute;vel por conseguir a revis&atilde;o criminal dos acusados de Guaratuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde que a ossada de Leandro foi identificada em junho de 2022, ele passou tamb&eacute;m a representar a fam&iacute;lia Bossi na Justi&ccedil;a do Paran&aacute;, buscando por mais respostas. Especialmente sobre a localiza&ccedil;&atilde;o dos ossos de Leandro. Eles ainda n&atilde;o desistiram de encontr&aacute;-la.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Porque quem tem que saber onde est&aacute; o corpo do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>, n&atilde;o sou eu, n&atilde;o &eacute; voc&ecirc;, s&atilde;o eles.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Isso, isso, isso&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ent&atilde;o, assim, eu sei que o doutor Basto j&aacute; entrou com uma representa&ccedil;&atilde;o l&aacute; falando: &ldquo;eu quero saber onde est&aacute; o corpo do Leandro porque a fam&iacute;lia quer enterrar&rdquo;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Ele falou isso para mim. Aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;. Ent&atilde;o, assim, eles t&ecirc;m que responder. N&atilde;o respondeu? Voc&ecirc;s perderam o corpo do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>? Processo. Cad&ecirc; o laudo de local? Processo. Por que nunca tomaram depoimento? Processo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: &Eacute;. Eu quero&hellip; Exatamente. Eu quero fazer uma reuni&atilde;o com o Basto. Inclusive, depois, se ele achar pertinente, conversar alguma coisa contigo, porque voc&ecirc; tem muito conte&uacute;do, n&eacute;? &Agrave;s vezes o Basto n&atilde;o tem muita informa&ccedil;&atilde;o, at&eacute; n&atilde;o sei se voc&ecirc; pode se disponibilizar a isso&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Claro, claro. S&oacute; chamar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: &Agrave;s vezes at&eacute; para dar uma claridade nele, n&eacute;, nas coisas a&iacute;. Porque &agrave;s vezes muita coisa ele pode conseguir at&eacute; contigo, n&eacute;? Eu estou achando importante isso, est&aacute; chegando cada vez mais a hora. Agora, com o lan&ccedil;amento do podcast, vai ser o momento, eu acho, de ele dar uma pressionada de maneira jur&iacute;dica no Estado, porque &eacute; uma palha&ccedil;ada isso. Eu n&atilde;o aguento. T&aacute; louco.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o, e assim&hellip; Voc&ecirc;s t&ecirc;m que pedir indeniza&ccedil;&atilde;o milion&aacute;ria para isso aqui. Eu sei que isso n&atilde;o paga nada, n&atilde;o volta ningu&eacute;m&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: N&atilde;o, mas &eacute; isso que eu quero, Ivan&hellip; Eu, assim&hellip; Eu sou uma pessoa muito sensata. S&oacute; que eu sou muito met&oacute;dico. E eu aprendi&hellip; A gente aprende em sociedade e no meio jur&iacute;dico que hoje a indeniza&ccedil;&atilde;o, a moeda, &eacute; um peso de medida muito grande. Ent&atilde;o, a gente s&oacute; vai entender o quanto eles erraram de acordo com o valor da indeniza&ccedil;&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: N&atilde;o &eacute; que eu estou querendo&hellip; Eu quero uma quantia X. N&atilde;o interessa o quanto eu quero. &Eacute; que eles me escrevem uma carta de perd&atilde;o, e eles querem que a gente acate aquela cartinha de perd&atilde;o, que &eacute; praticamente a confiss&atilde;o deles.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Exato. Isso que &eacute; importante lembrar&hellip; Bem lembrado. Eu estava at&eacute; revendo aquela entrevista, aquela declara&ccedil;&atilde;o do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/ney-leprevost\/\" target=\"_self\" title=\"Secret&aacute;rio de Justi&ccedil;a do Paran&aacute; em 2021\" class=\"encyclopedia\">Ney Leprevost<\/a>, quando ele fez aquela carta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ivan se refere ao deputado estadual <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/ney-leprevost\/\" target=\"_self\" title=\"Secret&aacute;rio de Justi&ccedil;a do Paran&aacute; em 2021\" class=\"encyclopedia\">Ney Leprevost<\/a> que, em 2021, era o Secret&aacute;rio de Justi&ccedil;a do Estado do Paran&aacute;. Ele foi o respons&aacute;vel pela cria&ccedil;&atilde;o do Grupo de Trabalho do Caso Evandro naquele ano e, ao final, enviou cartas com pedido de desculpas &agrave;s fam&iacute;lias de Evandro e Leandro, e tamb&eacute;m dos acusados.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ele disse: &ldquo;a gente est&aacute; fazendo essa carta que a fam&iacute;lia pode usar no meio jur&iacute;dico, inclusive pedindo indeniza&ccedil;&atilde;o se o Estado assim bem entender&rdquo;. Ou seja, d&aacute; para ver que o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/ney-leprevost\/\" target=\"_self\" title=\"Secret&aacute;rio de Justi&ccedil;a do Paran&aacute; em 2021\" class=\"encyclopedia\">Ney Leprevost<\/a> fez aquilo meio que tipo assim&hellip; &ldquo;Velho, &eacute; para voc&ecirc;s entrarem com a&ccedil;&atilde;o&rdquo;, sabe? Porque ele, como Secret&aacute;rio de Justi&ccedil;a, podia chegar&hellip; Ele n&atilde;o podia&hellip; Tem que ser uma a&ccedil;&atilde;o indenizat&oacute;ria que voc&ecirc;s t&ecirc;m que entrar no judici&aacute;rio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Exatamente. Ent&atilde;o, &eacute; isso que a gente&hellip; Isso &eacute; o meu foco com o Basto ali, sabe? S&oacute; que eu preciso sentar com ele e mostrar para ele que eu tenho&hellip; Como se diz? Um imediatismo que isso aconte&ccedil;a, e o tapa tem que ser forte. Eu quero que o tapa seja forte. D&aacute; licen&ccedil;a quem est&aacute; na minha frente. Porque o qu&atilde;o conheceram o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a>&hellip; Eu tenho todos os tra&ccedil;os dele assim, do inconformismo dessa hist&oacute;ria, puxei muito bem, sabe? E a for&ccedil;a de vontade est&aacute; a&iacute;, a gente tem muita vontade de fazer isso e vai acontecer. A gente sabe que demora, mas vai acontecer.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim. Imagina, a revis&atilde;o criminal do Osvaldo, da Beatriz, do Davi&hellip; Saiu tudo agora s&oacute;. Imagina, dois anos depois&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Sim, isso a&iacute; demora.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;, demora.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Demora, mas vai ocorrer, vai ocorrer. E a gente vai estar l&aacute; para ver isso da&iacute; acontecer&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute; isso a&iacute;. Eu vou estar aqui &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o sempre, contem comigo, t&aacute;? E com certeza&hellip; Certo? E, eu tendo novidades, te aviso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: T&aacute; bom. Muito obrigado por tudo, viu?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ivan entrou em contato com o Dr. Basto e o escrit&oacute;rio dele para ter alguma atualiza&ccedil;&atilde;o sobre como estava o caso da fam&iacute;lia Bossi. No momento em que Ivan gravava este epis&oacute;dio, eles haviam acabado de receber uma resposta oficial da Pol&iacute;cia Cient&iacute;fica do Paran&aacute;, via judicial, afirmando basicamente o mesmo que relataram para Ivan e Natalia. Que os processos de sepultamento de ossadas n&atilde;o-identificadas na d&eacute;cada de 90 eram diferentes dos de hoje, que a institui&ccedil;&atilde;o passou por muitas mudan&ccedil;as nos &uacute;ltimos 30 anos e que n&atilde;o foi poss&iacute;vel obter respostas sobre onde est&atilde;o localizados os restos mortais de Leandro.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m disso, tamb&eacute;m afirmaram que h&aacute; fragmentos &oacute;sseos remanescentes que se encontram custodiados na institui&ccedil;&atilde;o, para eventual realiza&ccedil;&atilde;o de exame de contraprova ou libera&ccedil;&atilde;o do vest&iacute;gio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Agora o processo continua correndo. Essas coisas s&atilde;o lentas, mas, ap&oacute;s todas as etapas principais, o pr&oacute;ximo passo ser&aacute; entrar com uma a&ccedil;&atilde;o indenizat&oacute;ria na esfera c&iacute;vel contra o Estado do Paran&aacute;, em raz&atilde;o de todas as omiss&otilde;es cometidas.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/10\/Respostas-Poli%CC%81cia-Cienti%CC%81fica-caso-Leandro-Bossi-1.pdf\" target=\"_blank\"><strong>Respostas oficiais da Pol&iacute;cia Cient&iacute;fica do Paran&aacute;<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> sempre foi a crian&ccedil;a deixada de lado, sempre &agrave; sombra do caso Evandro. Mesmo nesse podcast, que leva o seu nome, Ivan se viu incomodado tendo que deix&aacute;-lo de lado tantas vezes, visto a falta de informa&ccedil;&otilde;es coletadas na &eacute;poca.<\/p>\n\n\n\n<p>No meio desse processo, infelizmente acabou encontrando outra crian&ccedil;a tamb&eacute;m esquecida: Sandrinha. E, no caso dela, h&aacute; coisas ainda mais tristes. O seu corpo foi encontrado sem a m&aacute;scara facial, e a fam&iacute;lia n&atilde;o tinha nenhuma foto dela. N&atilde;o h&aacute; nenhum registro de como ela era em vida.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8203;&#8203;Ivan n&atilde;o tinha como dar uma resposta definitiva para a fam&iacute;lia sobre o que aconteceu com ela exatamente. Mas pensou que poderia tentar dar alguma coisa: uma imagem dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje em dia, existem t&eacute;cnicas avan&ccedil;adas de reconstru&ccedil;&atilde;o de rostos de pessoas que morreram h&aacute; muito tempo. Elas envolvem exuma&ccedil;&atilde;o do cad&aacute;ver, exames de resson&acirc;ncia magn&eacute;tica para se obter um modelo 3D da pessoa e reconstru&ccedil;&atilde;o do rosto por programas de computador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, essas metodologias estavam muito fora do alcance de Ivan. Mas, mesmo assim, decidiu tentar alguma coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele contratou um pintor, o Gustavot Diaz, que &eacute; especialista em anatomia humana. Enviou para ele fotos do cr&acirc;nio de Sandra que constavam nos laudos, fotos de familiares e uma descri&ccedil;&atilde;o de Sueli, sua irm&atilde; mais velha, sobre como ela lembrava da apar&ecirc;ncia da irm&atilde;. Esse &eacute; um desafio ingrato, &oacute;bvio. A lembran&ccedil;a de Sueli n&atilde;o necessariamente condiz exatamente com quem Sandra era. Ent&atilde;o, eles tentaram ao m&aacute;ximo aproximar a imagem mental que ela tinha de Sandra com esse desenho.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um primeiro desenho, Sueli falou que estava tudo errado. Passou novas informa&ccedil;&otilde;es, que foram repassadas para o Gustavot em seguida. Ele trabalhou nesse desenho por meses e no final produziu uma pintura de 80 por 50 cent&iacute;metros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nela, Sandrinha aparece com o seu cabelo loirinho em corte chanel, com sardas no rosto. Ela tem alguns tra&ccedil;os que puxam mais a m&atilde;e &ndash; dona Juvelina &ndash; diferente de todas as irm&atilde;s, que puxaram mais os pais. Todas essas foram instru&ccedil;&otilde;es dadas pela pr&oacute;pria Sueli.<\/p>\n\n\n\n<p>No quadro, Sandra tamb&eacute;m segura com a m&atilde;o esquerda o desenho de uma flor em tra&ccedil;os infantis. Outros desenhos infantis, como sol, nuvens e p&aacute;ssaros, est&atilde;o espalhados pelos cantos da tela.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan ficou muito emocionado em v&ecirc;-la. E, por outro lado, tamb&eacute;m ficou apreensivo. Ser&aacute; que Sueli iria gostar? Ser&aacute; que o artista conseguiu aproximar melhor essa imagem f&iacute;sica de Sandra daquela que Sueli tinha em mente?<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, em dezembro de 2023, Ivan foi novamente &agrave; casa da dona Sueli. Foi recebido pela Shariane, filha dela. Estavam no local tamb&eacute;m um dos filhos de Sueli, e a pequena Izabelly, filha de Shariane, neta de Sueli, que estava prestes a completar um ano de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse dia, Ivan levou Sueli at&eacute; o carro dele para poder dar o quadro a ela.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/12\/Projeto-Sandra-completo-764x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-440\" width=\"764\" height=\"1024\" srcset=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/12\/Projeto-Sandra-completo-764x1024.jpg 764w, http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/12\/Projeto-Sandra-completo-224x300.jpg 224w, http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/12\/Projeto-Sandra-completo-768x1029.jpg 768w, http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/12\/Projeto-Sandra-completo-1147x1536.jpg 1147w, http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/12\/Projeto-Sandra-completo-1529x2048.jpg 1529w, http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/12\/Projeto-Sandra-completo-scaled.jpg 1911w\" sizes=\"(max-width: 764px) 100vw, 764px\"><figcaption>Arte da Sandrinha, por Gustavot Diaz<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Sueli &eacute; uma pessoa muito forte. Teve que ser assim para aguentar tudo o que viveu. Ivan torce para que esse retrato de Sandra agora seja uma lembran&ccedil;a a ser compartilhada por toda a fam&iacute;lia pelas pr&oacute;ximas gera&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>O Caso <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> tem mais de 30 anos. Junto a ele, existem convic&ccedil;&otilde;es de que os crimes contra Evandro e Sandrinha provavelmente est&atilde;o conectados tamb&eacute;m. E se o assassino que Ivan procura foi mesmo o respons&aacute;vel pelos tr&ecirc;s, ele tamb&eacute;m pode ter feito mais v&iacute;timas. Talvez aquelas crian&ccedil;as que desapareceram no Paran&aacute; entre 1987 e 1992. Talvez outras.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan tem a esperan&ccedil;a de que um dia poder&aacute; olhar para todos esses inqu&eacute;ritos e procurar por mais pistas. Esses inqu&eacute;ritos s&atilde;o mais dif&iacute;ceis de conseguir, visto que ele n&atilde;o &eacute; da pol&iacute;cia. E, como sempre ocorre em casos antigos assim, muita coisa certamente j&aacute; se perdeu. De repente, existe algo que una tudo e que nunca ningu&eacute;m percebeu.<\/p>\n\n\n\n<p>E, nesse sentido, Ivan gostaria muito que fosse feito no Paran&aacute; algo semelhante ao que ocorreu no estado do Maranh&atilde;o em 2003. Como explicou na temporada anterior sobre Altamira, naquela &eacute;poca foi montada uma for&ccedil;a-tarefa da Pol&iacute;cia Civil com parceria da Pol&iacute;cia Federal para investigar todos os casos de crian&ccedil;as mortas de forma violenta na d&eacute;cada anterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa for&ccedil;a-tarefa permitiu que o serial killer <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o em 2003 pela morte e emascula&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> fosse preso com provas robustas. De repente, algo similar poderia ser feito no Paran&aacute; acerca das crian&ccedil;as desaparecidas, especialmente ap&oacute;s todas essas reviravoltas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan n&atilde;o sabe se o Sr. Pedro &eacute; o respons&aacute;vel por esses casos. N&atilde;o sabe se ele &eacute; o verdadeiro assassino de Sandra, Leandro e Evandro. Como afirmou, h&aacute; ind&iacute;cios que lhe deixam curioso, mas nada conclusivo. E ele vive com o medo de estar partindo de um suspeito para encontrar provas contra ele, invertendo assim a forma como uma investiga&ccedil;&atilde;o s&eacute;ria deveria ser.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, Ivan est&aacute; lidando com um espectro muito amplo. Em um extremo, por mais improv&aacute;vel que seja, os tr&ecirc;s casos s&atilde;o completamente isolados, e as tr&ecirc;s crian&ccedil;as foram mortas por pessoas diferentes. No outro extremo, todos os casos est&atilde;o conectados e uma s&oacute; pessoa as matou. Mas quem? &Eacute; a&iacute; que esse espectro fica em tr&ecirc;s dimens&otilde;es, ganhando m&uacute;ltiplas vari&aacute;veis. E um m&iacute;nimo movimento em falso para qualquer dire&ccedil;&atilde;o leva a uma conclus&atilde;o errada.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ele, seria muito f&aacute;cil, c&ocirc;modo e bomb&aacute;stico dizer que resolveu o caso. Mas isso seria mentira. Ele estaria enganando os ouvintes e todas as fam&iacute;lias das v&iacute;timas com quem teve contato.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por consequ&ecirc;ncia, estaria destruindo uma nova fam&iacute;lia, a do Sr. Pedro. &Eacute; aqui que ele percebe como &eacute; f&aacute;cil acusar algu&eacute;m, e como &eacute; perigoso ter esse poder. Na melhor das inten&ccedil;&otilde;es, com todo o desejo por justi&ccedil;a que construiu, pode cometer absurdos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, Ivan afirma ser impressionante ver o qu&atilde;o longe conseguiu ir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Olhando esses casos 10 anos atr&aacute;s, o que havia deles? O que se sabia deles? Que um menino chamado Evandro foi morto em um ritual de &ldquo;magia negra&rdquo; por uma seita sat&acirc;nica composta por, no m&iacute;nimo, sete pessoas, entre elas a filha e a mulher do prefeito de Guaratuba.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Que, antes dessa crian&ccedil;a, o menino <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> havia desaparecido, mas que nunca foi descoberto seu paradeiro. Que na &eacute;poca desses crimes havia a presen&ccedil;a de uma tal de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do grupo Lineamento Universal Superior (LUS)\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> em Guaratuba, que depois foi acusada de ter matado crian&ccedil;as em rituais de magia negra no Par&aacute;. Que os acusados de Guaratuba sempre falaram que foram torturados, mas que nunca havia prova disso.<\/p>\n\n\n\n<p>E hoje toda essa hist&oacute;ria mudou. As torturas foram comprovadas e reconhecidas pelo Tribunal de Justi&ccedil;a do Paran&aacute;. As acusa&ccedil;&otilde;es ca&iacute;ram, todos tiveram as fichas limpas. O pr&oacute;prio Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Paran&aacute; reconheceu que n&atilde;o h&aacute; provas no caso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do grupo Lineamento Universal Superior (LUS)\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> p&ocirc;de contar a sua hist&oacute;ria. O paradeiro de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> foi tragicamente descoberto, assim como o caso de Sandra foi colocado nessa hist&oacute;ria horr&iacute;vel.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram descobertas muitas coisas nesses quase 10 anos de investiga&ccedil;&atilde;o. Ivan conseguiu mudar vidas e trazer algumas respostas. E tudo isso seria imposs&iacute;vel sem os ouvintes, que o acompanharam nessa jornada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, mesmo sabendo do quanto avan&ccedil;ou, ele confessa que ainda fica com um gosto amargo na boca. Nada parece ser suficiente. Nenhuma vit&oacute;ria &eacute; o bastante. N&atilde;o h&aacute; nada a se comemorar. No fim do dia, ap&oacute;s toda a euforia, s&oacute; lhe sobram lamentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ora, Ivan encerra o trabalho de Guaratuba. Mesmo sabendo que essas hist&oacute;rias nunca sair&atilde;o dele. Que os rostos de Sandra, Leandro e Evandro lhe acompanham toda vez que vai dormir. Que suas perguntas provavelmente nunca ser&atilde;o respondidas.<\/p>\n\n\n\n<p>E, da&iacute;, ele olha para o filho dormindo ao seu lado. Ele afirma n&atilde;o conseguir imaginar viver as dores dessas fam&iacute;lias. Nessa luta, Ivan se esfor&ccedil;a em tentar olhar para outras imagens que construiu nesse caminho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De Sandra brincando de boneca com as irm&atilde;s. De Evandro feliz por ter ganhado um minigame. De Leandro jogando bafo no bar da dona Ant&ocirc;nia. Crian&ccedil;as. Pequenos momentos de felicidade que ningu&eacute;m tinha o direito de interromper. E de como &eacute; importante que esses casos sejam estudados e sirvam de exemplo para que n&atilde;o se repitam.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesses anos que Ivan investigou casos criminais, aprendeu muitas coisas. E conta que, se pudesse escolher, preferia n&atilde;o ter aprendido nada. Mergulhar nesse n&iacute;vel de crueldade n&atilde;o lhe trouxe nenhum conforto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesta temporada, o desafio era ainda maior. Ivan queria descobrir o assassino, fazer uma investiga&ccedil;&atilde;o completamente nova. Ele n&atilde;o sabe se conseguiu.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan se sente a todo momento andando em uma corda bamba, tentando se equilibrar para n&atilde;o cometer nenhum erro. E, ao perceber o qu&atilde;o f&aacute;cil &eacute; acusar algu&eacute;m talvez injustamente, a pior li&ccedil;&atilde;o que aprendeu &eacute; a seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p>Em nome de inocentes, em um piscar de olhos, tamb&eacute;m se aumenta o horror do mundo. No fim, todos s&atilde;o atores berrando em um palco mal iluminado. Ivan &eacute; apenas o louco que decidiu contar essa hist&oacute;ria, no meio de todo esse som e f&uacute;ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O sil&ecirc;ncio s&oacute; resta &agrave;s v&iacute;timas. Que elas sejam ouvidas ent&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Som e F\u00faria<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":25,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/425"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=425"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=425"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=425"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}