{"id":268,"date":"2023-11-07T00:05:00","date_gmt":"2023-11-07T03:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/?post_type=encyclopedia&#038;p=268"},"modified":"2023-12-01T07:12:11","modified_gmt":"2023-12-01T10:12:11","slug":"extras-episodio-02","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/extras-episodio-02\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 02"},"content":{"rendered":"\n<p>Em novembro de 2021, motivado pelo sucesso da s&eacute;rie do Globoplay sobre a morte de Evandro, o canal &ldquo;Opera&ccedil;&atilde;o Policial&rdquo;, do YouTube, fez uma s&eacute;rie de entrevistas com pessoas envolvidas no caso, algumas delas com familiares de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Na &eacute;poca, ainda n&atilde;o havia sa&iacute;do o resultado do novo DNA da ossada, e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a>, o pai do menino, j&aacute; havia falecido h&aacute; alguns meses. Um dos entrevistados foi <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/ademir-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde;o mais velho de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Ademir Bossi<\/a>, o irm&atilde;o mais velho de Leandro, que morava com ele e a m&atilde;e em Guaratuba, no litoral do Paran&aacute;, quando o garoto desapareceu. Quem fazia as perguntas era o apresentador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/beto-ribeiro\/\" target=\"_self\" title=\"Apresentador do canal &ldquo;Opera&ccedil;&atilde;o Policial&rdquo;, do YouTube\" class=\"encyclopedia\">Beto Ribeiro<\/a>. Confira um trecho abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p><em><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/beto-ribeiro\/\" target=\"_self\" title=\"Apresentador do canal &ldquo;Opera&ccedil;&atilde;o Policial&rdquo;, do YouTube\" class=\"encyclopedia\">Beto Ribeiro<\/a>: Em 2022, completam 30 anos do desaparecimento de Leandro. Leandro, ent&atilde;o, ano que vem estar&aacute;&hellip; Eu vou usar o verbo no presente porque a fam&iacute;lia acredita que ele esteja vivo, ent&atilde;o ele ainda est&aacute; presente. Leandro far&aacute; 37 anos. Um homem que pode estar andando por qualquer lugar do mundo, sem saber inclusive que ele &eacute; Leandro. Talvez ele esteja possivelmente at&eacute; com outro nome, em outro pa&iacute;s. Mas quem vai me contar os detalhes do desaparecimento de Leandro, que n&oacute;s estamos respeitando o Leandro como &uacute;nica v&iacute;tima e n&atilde;o sempre ligando ao caso Evandro, que &eacute; uma outra hist&oacute;ria, &eacute; uma outra v&iacute;tima. O Leandro merece ter um programa s&oacute; dele e merece falarmos somente dele. &Eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o passar pelo Evandro, mas o Leandro aqui nesse momento &eacute; a figura central da conversa. Ademir, muito obrigado pelo seu tempo. Ademir, voc&ecirc; &eacute; o irm&atilde;o mais velho do Leandro?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ademir: Sim, sou irm&atilde;o do Leandro. O mais velho sim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Beto: Ademir, eu queria voltar com voc&ecirc; l&aacute; atr&aacute;s, para 1992, antes do desaparecimento do seu irm&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A entrevista de Ademir &eacute; muito parecida com a que Ivan Mizanzuk havia feito com ele, inclusive com as mesmas confus&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>Ademir tem muita dificuldade para se lembrar das coisas. Ele mistura assuntos, datas, horas, pol&iacute;cias. Tudo isso parece ser o resultado de tantos anos de d&uacute;vidas e dores.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Beto: Deixa eu te perguntar uma coisa. Voc&ecirc; tinha quantos anos quando o Leandro sumiu?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ademir: Eu estava&hellip; Acho que na fase de 15 ou 16 anos, mais ou menos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Beto: O Leandro&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ademir: Pois n&atilde;o, senhor&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Beto: N&atilde;o, n&atilde;o, pode falar, desculpa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ademir: &Eacute; que eu estou&hellip; Acho que uns 15, 16 anos, mais ou menos. Eu estou com 45 anos agora.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa entrevista do Ademir mostrou uma coisa nova para Ivan, no momento em que o apresentador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/beto-ribeiro\/\" target=\"_self\" title=\"Apresentador do canal &ldquo;Opera&ccedil;&atilde;o Policial&rdquo;, do YouTube\" class=\"encyclopedia\">Beto Ribeiro<\/a> demonstra uma enorme sensibilidade com ele, j&aacute; no final da conversa.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Beto: Quando o Leandro sumiu, o que mudou na vida de voc&ecirc;s? A fam&iacute;lia se destruiu? A fam&iacute;lia se uniu?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ademir: Se destruiu. A vida, infelizmente, destruiu&hellip; Porque se acontece um falecido, a gente vai, faz a condol&ecirc;ncia l&aacute;, faz l&aacute;. Beleza. Agora, se a gente n&atilde;o sabe se est&aacute; comendo, se est&aacute; com fome, se est&aacute; usando droga, que nem essa cracol&acirc;ndia l&aacute; em S&atilde;o Paulo, a cracol&acirc;ndia&hellip; A gente n&atilde;o sabe se de repente&hellip; Vai que ele est&aacute; ali dentro? A gente n&atilde;o sabe. Depois que est&aacute; l&aacute; dentro, n&atilde;o &eacute; f&aacute;cil para retirar. Se a gente souber onde que &eacute;&hellip; N&atilde;o, &eacute; ele. Vamos l&aacute;. Botamos na cl&iacute;nica, vamos cuidar l&aacute; dele. Bebida, droga&hellip; Da&iacute; festa&hellip; Da&iacute; vai indo&hellip; Da&iacute; o cara j&aacute; d&aacute; mais um, da&iacute; o outro j&aacute; vai dar mais outro&hellip; &ldquo;N&atilde;o, mais um, pega, pega a&iacute;&rdquo;. A&iacute; j&aacute; vende a televis&atilde;o ali, j&aacute; vende o sof&aacute;, j&aacute; vende coisa, e vai indo, vai acabando. Foi o que destruiu a nossa fam&iacute;lia. Foi o que destruiu. Foi o que infelizmente destruiu a nossa fam&iacute;lia legal. E agora estamos tentando ver se antes de n&oacute;s falecermos, eu e a minha m&atilde;e, antes de falecermos, Deus ajude que n&oacute;s consigamos ver ele, pelo menos, para dar um oi&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Beto: O que voc&ecirc; falaria&hellip; O que voc&ecirc; vai falar para ele quando encontrar ele?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ademir: Um abra&ccedil;o, um perd&atilde;o&hellip; Desculpe&hellip; Desculpe tudo&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Beto: Desculpar&hellip; Desculpar o qu&ecirc;, Ademir?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ademir: Ah, desculpar tudo o que aconteceu na nossa vida. N&atilde;o queria&hellip; Pelo menos podia estar dentro de casa. &Oacute;, tem o quartinho, podia arrumar aqui dentro, morar aqui dentro. Tem o alimento, tem tudo&hellip; Se quiser ficar na rua a&iacute;&hellip; E pedir perd&atilde;o, que Deus aben&ccedil;oe, e que logo, logo, que Deus ajude a nossa vida a&iacute; que&hellip; Que ele apare&ccedil;a a&iacute;&hellip; Que ele apare&ccedil;a a&iacute; que&hellip; Para n&oacute;s n&atilde;o esquecermos dele&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=HjX9xhDcn-I\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Entrevista de Ademir para o canal &ldquo;Opera&ccedil;&atilde;o Policial&rdquo;<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ademir faleceu tr&ecirc;s meses ap&oacute;s essa entrevista, em fevereiro de 2022. Quatro meses depois, em junho, veio o resultado do novo exame de DNA, confirmando que a ossada encontrada em 1993 era de Leandro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan gostaria de poder perguntar para Ademir o que ele quis dizer com essa fala final. Por que ele queria pedir desculpas a Leandro? O que ele poderia ter feito? Ser&aacute; que ele sentia alguma culpa?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A FAM&Iacute;LIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante a pesquisa, Ivan acredita que tenha encontrado uma resposta para essa d&uacute;vida. Para explicar isso, ele precisa contar um pouco sobre a hist&oacute;ria da fam&iacute;lia Bossi.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1984, Paulina e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> ainda eram casados. Leandro nasceu no dia 23 de fevereiro daquele ano. Era o terceiro filho do casal. A primeira filha morreu no parto. Ademir veio em seguida. Quando Leandro nasceu, Ademir tinha oito anos. Nessa &eacute;poca, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> trabalhava com constru&ccedil;&otilde;es, como mestre de obras.<\/p>\n\n\n\n<p>A fam&iacute;lia morava em S&atilde;o Jos&eacute; dos Pinhais, na regi&atilde;o metropolitana de Curitiba. Mas, em algum momento, Jo&atilde;o e Paulina se separaram. Jo&atilde;o trabalhava na capital, onde havia mais oportunidades de trabalho na &aacute;rea em que atuava. Os filhos, Ademir e Leandro, continuaram morando com a m&atilde;e, Paulina.<\/p>\n\n\n\n<p>E ent&atilde;o, no final de 1987, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> conheceu <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/roseli-steffen\/\" target=\"_self\" title=\"Segunda esposa de Jo&atilde;o Bossi, era madrasta de Leandro\" class=\"encyclopedia\">Roseli Steffen<\/a>, com quem se casou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan entrevistou Roseli na mesma casa em que, anos antes, ele havia entrevistado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> e Ademir. A jornalista Natalia Filippin, que trabalhou com Ivan nesta temporada, tamb&eacute;m estava presente na conversa. <\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Eu conheci o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> l&aacute; em Curitiba, quando eu levava a Cristiane na creche ali no Port&atilde;o, em uma creche ali. E eu tinha conhecimento com uma senhora de idade que era muito minha amiga, que ela j&aacute; &eacute; falecida h&aacute; muitos anos. E a&iacute; ela disse que tinha uma pessoa para me apresentar, que queria me conhecer.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: A Cris j&aacute; era nascida, ent&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: A Cris era pequena, j&aacute; era nascida.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Era de outro casamento.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: De outro casamento. Eu tinha a Cristiane. Ela era pequena. Ela tem, do Leandro, tr&ecirc;s meses de diferen&ccedil;a. A Cris &eacute; de novembro, 25 de novembro, e o Leandro &eacute; de 15 de fevereiro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: 15 de fevereiro &eacute; quando ele desapareceu, n&eacute;? Ele &eacute; de&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: 23 de fevereiro ele completa&hellip; Ele faz anivers&aacute;rio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Em que ano eles nasceram?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Bom, a Cris vai fazer&hellip; Ela fez agora&hellip; Acho que &eacute; 38 ou 39 anos. N&atilde;o sei a data direito&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Em 83 que ela nasceu?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: &Eacute; por a&iacute;, eu acho&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: 84&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: &Eacute;. N&atilde;o tenho de cabe&ccedil;a agora. &Eacute; muita coisa, n&atilde;o consigo lembrar. S&oacute; sei que eu conheci ele, e da&iacute; a gente ficou&hellip; Se conheceu nessa&hellip; Ela fez um jantar para a gente&hellip; Da&iacute; eu conheci o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a>. E ele j&aacute; estava separado da Paulina.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Isso foi em que ano, que voc&ecirc;s se conheceram?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Ah&hellip; A Neli tem&hellip; Bem antes da Neli nascer.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/neli-steffen-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Primeira filha de Jo&atilde;o Bossi e Roseli Steffen\" class=\"encyclopedia\">Neli Steffen Bossi<\/a> foi a primeira filha do casal Roseli e Jo&atilde;o. Ela nasceu em novembro de 1988. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/lucas-steffen-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde;o mais novo de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Lucas Steffen Bossi<\/a>, o segundo filho do casal, nasceu anos depois, em 1993, quando Leandro j&aacute; estava desaparecido.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: [&hellip;] A gente se gostou j&aacute; no primeiro encontro. A&iacute; aconteceu, n&eacute;? Dali uns tr&ecirc;s meses eu engravidei dele, da Neli. Dali um tempo, ele trouxe o Leandro para eu conhecer. E ele era pequeno, era um guri muito lindo. Tinha o olho muito azul, era muito loiro, muito bonito. E nessa &eacute;poca ele vivia com a m&atilde;e dele e com o Ademir l&aacute; em S&atilde;o Jos&eacute; dos Pinhais.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eles moravam em S&atilde;o Jos&eacute; dos Pinhais nessa &eacute;poca?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Em S&atilde;o Jos&eacute; dos Pinhais. E o Jo&atilde;o trabalhava em Curitiba. Da&iacute; a gente se conheceu, foi morar junto. Eu tinha a Cristiane pequena e trabalhava em uma casa de fam&iacute;lia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quando Neli tinha oito meses de idade, em julho de 1989, a nova fam&iacute;lia se mudou para Guaratuba, j&aacute; que havia mais oportunidade de trabalho para Jo&atilde;o no litoral.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Quando voc&ecirc;s vieram, a Paulina j&aacute; estava aqui?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: J&aacute; estava aqui.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Alguma chance, de repente, do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> querer vir pra c&aacute; justamente porque os filhos estavam aqui? O Ademir e o Leandro?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: N&atilde;o sei. N&atilde;o sei a influ&ecirc;ncia de nos trazer para c&aacute;, eu, a Neli e a Cris. Eu n&atilde;o conseguia casa l&aacute; em Curitiba. Eu tinha que sair da casa onde eu morava ali pertinho do Carrefour Champagnat. Eu morava ali e trabalhava no Port&atilde;o, na Vila Izabel, por ali. A Cris ficava na creche no Port&atilde;o, e eu vinha a p&eacute; da creche at&eacute; a Vila Izabel, onde eu trabalhava em uma casa gigantesca que tinha 48 pe&ccedil;as, a casa em que eu trabalhava. Eu trabalhava&hellip; Eu levava ela na creche a p&eacute;, deixava ela l&aacute;, vinha a p&eacute; e ia para o trabalho. Antes das cinco horas eu tinha que sair para ir pegar ela. Da&iacute; vinha a p&eacute; at&eacute; onde eu morava tamb&eacute;m.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas voc&ecirc;s n&atilde;o entenderam por que ele queria vir para Guaratuba? Voc&ecirc; achou estranho?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: N&atilde;o achamos casa. Da&iacute; quis vir para c&aacute;, porque aqui estava bom de trabalho naquela &eacute;poca, e estava construindo aquele sobrado l&aacute;. E a&iacute; colocamos toda a mudan&ccedil;a em um caminh&atilde;o e viemos embora.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc;s estavam morando ainda em Curitiba, e a Paulina com as crian&ccedil;as em S&atilde;o Jos&eacute; dos Pinhais&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Isso. Ela morava l&aacute;. N&atilde;o conhecia ela. Eu vim passar a conhecer a Paulina aqui em Guaratuba.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Como foi essa mudan&ccedil;a de todo mundo de Curitiba para Guaratuba?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Ele trabalhava naquela &eacute;poca l&aacute; no Coroados. Estava construindo um sobrado l&aacute;, e estava parado em uma casa aqui j&aacute; no Eliane, por ali, no bairro Nereidas, sabe? [&hellip;] A gente veio para c&aacute;, ele inventou de vir embora para a praia. Eu n&atilde;o queria. Me desfiz de tudo l&aacute;, sa&iacute; do servi&ccedil;o, tirei a Cris da creche. Ela era pequena. A Cris era pequena na &eacute;poca, tem a mesma idade do Leandro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Se eu bem entendi, morava voc&ecirc;, o seu Jo&atilde;o, a Neli e a Cris. Moravam na mesma casa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E da&iacute; morava em outra casa a Paulina, o Ademir e o Leandro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Isso. L&aacute; para baixo assim, eu nem sabia onde era. Nunca soube, nunca fui para a banda onde eles moravam.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. Mas voc&ecirc;s se viam assim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Ela passou um dia nessa rua aqui. Eu aqui na mesa, e ela passou na rua assim com ele. Ela passou assim na rua&hellip; Ela &eacute; grande, enorme&hellip; Voc&ecirc; conhece ela?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Conhe&ccedil;o, conhe&ccedil;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Uma cara feia que dava para voc&ecirc; notar. E viu eu l&aacute;. E viu que eu estava com ele. Porque eu acho, Ivan, que ele tinha contato com ela, mas ele mentia, sabe?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; nunca chegou a perguntar isso para ele?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Milh&otilde;es de vezes, Ivan. Mas ele era muito&hellip; Sabe aquele ucraniano fechado? Ele dizia que n&atilde;o. Mas eu acho que, antes de me trazer para c&aacute; e ter eu l&aacute; em Curitiba, ele tinha algum contato com ela. Ele dizia que n&atilde;o, que ela n&atilde;o queria porque era muito religiosa e tudo. Aquela &ldquo;santarada&rdquo;, que ela tem santo at&eacute; no teto da casa, por todas as paredes, tudo&hellip; &Eacute; muito religiosa. Ela n&atilde;o gostava de viver no pecado, e casou-se com ele. O &uacute;nico homem foi ele, aquela hist&oacute;ria toda. <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>AS TRAG&Eacute;DIAS DE PAULINA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ivan confirma que Paulina &eacute; realmente muito religiosa, e p&ocirc;de perceber isso quando a visitou. Havia, de fato, v&aacute;rios santos e imagens crist&atilde;s espalhadas pela sala. Depois de Jo&atilde;o, Paulina nunca mais se casou. E, durante a conversa com Ivan, ela se referia a ele n&atilde;o como &ldquo;ex-marido&rdquo;, mas sim &ldquo;marido&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao que tudo indica, Paulina nunca aceitou muito bem a separa&ccedil;&atilde;o. Ela n&atilde;o tinha uma boa rela&ccedil;&atilde;o com Roseli, nem contato com os filhos do novo casal. S&atilde;o dois n&uacute;cleos familiares separados que convergem na dor que foi o desaparecimento de Leandro.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas ela j&aacute; era fechada naquela &eacute;poca, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Sabe por qu&ecirc;? Ela teve dois irm&atilde;os no s&iacute;tio, l&aacute; no munic&iacute;pio de Colorado. Foram l&aacute; em cima na barroca, como se fosse aquele morro ali. Antes disso, mandaram a m&atilde;e fazer um belo de um churrasco, tinha uma comida muito boa, colocaram um belo terno&hellip; Um deles foi l&aacute;, comeu tudo, se vestiu e depois saiu. Se despediu do pai e da m&atilde;e, foi naquele lugar l&aacute; em cima, se jogou l&aacute; embaixo e morreu. Se jogou. Dois irm&atilde;os dela morreram assim. E ela j&aacute; tem aquele trauma&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Os dois se jogaram l&aacute; de cima? Os dois se suicidaram?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: O pai era alco&oacute;latra. Tinha uma f&aacute;brica, uma serraria, l&aacute; nesse munic&iacute;pio. Colocaram tudo a perder. O Jo&atilde;o dizia que eles n&atilde;o tinham dinheiro quando morreram, que uma serraria que eles tinham&hellip; Que eles tinham tanta terra, tanta, tanta, tanta propriedade l&aacute; nesse munic&iacute;pio&hellip; Que eles n&atilde;o tinham dinheiro para fazer um caix&atilde;o na hora da morte. O pai, a m&atilde;e, os irm&atilde;os, todos morreram. Ficou ela e a Vera. Ela s&oacute; tem uma irm&atilde; viva. E tem um parente dela que tomou tudo o que eles tinham l&aacute; nesse s&iacute;tio. Ent&atilde;o, vem muita coisa para a Paulina. Os irm&atilde;os se matarem, o Leandro que sumiu, a separa&ccedil;&atilde;o dela com o Jo&atilde;o&hellip; Ent&atilde;o, ela tem muita coisa na cabe&ccedil;a.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Exatamente. Acho que ela n&atilde;o consegue lidar com situa&ccedil;&otilde;es muito estressantes. Eu acho que &eacute; isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Ficou pior ainda, sabe? Perdeu o olho, teve essa doen&ccedil;a, teve esse problema. Est&aacute; viva, gra&ccedil;as a Deus. Vai viver muitos e muitos anos, que eu desejo muita sa&uacute;de para ela. Em nome de Jesus, desejo tudo de bom para ela&hellip; Eu fui ao vel&oacute;rio do Ademir. Mas ela n&atilde;o nos aceita. O Lucas foi, abra&ccedil;ou ela, tudo. Ela aceitou. A Neli&hellip; Assim, ela nos rejeita, sabe? Logicamente, ela me rejeita&hellip; Mas as meninas ela rejeita&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Como Ivan refor&ccedil;ou no epis&oacute;dio anterior, ele n&atilde;o acredita que Paulina seja uma pessoa m&aacute;, ou que tenha algum segredo escondido, como muitos desconfiaram em todos esses anos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A impress&atilde;o dele &eacute; que Paulina n&atilde;o consegue lidar com situa&ccedil;&otilde;es muito estressantes. E, se analisar todo o hist&oacute;rico de trag&eacute;dias pelas quais passou na vida, parece evidente que ela precisava de ajuda &ndash; que, infelizmente, n&atilde;o teve.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O ABUSO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Essa hist&oacute;ria toda j&aacute; serve talvez para explicar algo injustific&aacute;vel, mas que pode ter uma explica&ccedil;&atilde;o pelo contexto: a pouca aten&ccedil;&atilde;o que o caso de Leandro recebeu em compara&ccedil;&atilde;o com o de Evandro.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser de classe m&eacute;dia baixa, Evandro fazia parte de uma fam&iacute;lia tradicional de Guaratuba. Um de seus membro, inclusive, chegou a ser prefeito da cidade na d&eacute;cada de 70. Os pais do menino trabalhavam para o munic&iacute;pio. Logo, eles eram muito conhecidos, e isso gerou uma grande mobiliza&ccedil;&atilde;o para procur&aacute;-lo assim que ele sumiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse n&atilde;o era o caso dos Bossi. Eles eram pobres e estavam na cidade h&aacute; pouco tempo quando Leandro desapareceu. A pol&iacute;cia deveria ter olhado melhor para o caso dele. S&oacute; que, al&eacute;m de serem pessoas pouco conhecidas, havia outro problema entre os dois n&uacute;cleos da fam&iacute;lia. E esse problema provavelmente come&ccedil;ou em janeiro de 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa &eacute;poca, os dois n&uacute;cleos familiares viviam em Guaratuba h&aacute; pouco mais de um ano.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eu sei que voc&ecirc; conviveu pouco com o Leandro, mas eu vejo foto dele e fico pensando que devia ser um capeta. Ele tem cara de ser menino capeta assim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Ele era. Ele era um guri muito esperto, inteligente. Cantava &ldquo;as andorinhas voltaram&rdquo;. Cantava muito. Falava muito em &lsquo;R&rsquo;, puxava muito o &lsquo;R&rsquo;. No tempo que eu convivi com ele, ele era muito inteligente, muito esperto. E ele ficava muito com outras crian&ccedil;as, eu acho, onde ela [Paulina] morava. Tanto que houve um fato, um dia, l&aacute; onde eu morava com o Jo&atilde;o e com a Cris pequena, e com a Neli&hellip; Ele estava assim&hellip; N&atilde;o sei se o Lucas falou para voc&ecirc; esse caso, que ele estava&hellip; Eu estranhei, da&iacute; eu perguntei para ele: &ldquo;Leandro, o que est&aacute; acontecendo com voc&ecirc;?&rdquo;. Ele disse: &ldquo;ah, aqueles meninos l&aacute; me pegaram&rdquo;. A&iacute; quando o Jo&atilde;o veio de Curitiba, eu peguei e contei para ele.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: Do abuso&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Do abuso que existiu entre o Leandro com esses pi&aacute;s, sabe?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>No in&iacute;cio do inqu&eacute;rito de Leandro, h&aacute; um momento em que os policiais anexam parte de uma investiga&ccedil;&atilde;o anterior. H&aacute; apenas duas folhas: um termo de declara&ccedil;&otilde;es prestado pelo menino e um laudo de exame de atos libidinosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ambos os documentos datam de 31 de janeiro de 1991, pouco mais de um ano antes de ele desaparecer. E, ao que tudo indica, eles s&atilde;o referentes a um abuso sexual que Leandro sofreu.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/11\/1991-01-31-Leandro-Bossi-foi-abusado-por-meninos.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Leandro sobre abuso sexual <\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No depoimento, Leandro, que tinha seis anos e 11 meses, dizia o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Na presen&ccedil;a de seu genitor, Sr. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a>, disse que h&aacute; aproximadamente um<\/em> <em>m&ecirc;s encontrava-se na praia pr&oacute;ximo de sua casa e tr&ecirc;s meninos, seus<\/em> <em>vizinhos, de nomes J&uacute;lio, neto de dona Olinda, Alexandre e outro que n&atilde;o<\/em> <em>lembra o nome, tiraram a sua cal&ccedil;a e praticaram atos libidinosos. Que at&eacute; a presente data n&atilde;o comunicou seus pais. Por&eacute;m, como foi dito para<\/em> <em>dizer o que realmente ocorreu, sendo dito para sua m&atilde;e tudo detalhadamente<\/em> <em>como ocorreram os fatos. Que os meninos que praticaram os atos moram<\/em> <em>ainda nas proximidades da casa do informante. Que, ap&oacute;s ter ocorrido esse<\/em> <em>fato, n&atilde;o foi mais perturbado pelos meninos citados.<\/em> <em>Observa&ccedil;&atilde;o: O informante afirma ser h&aacute; 3 meses o ocorrido<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>As datas n&atilde;o batem muito. Afinal, Roseli afirmou que notou que Leandro estava estranho, e ele lhe revelou o abuso. Em seguida, ela contou tudo para <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a>, que levou a crian&ccedil;a para a delegacia.<\/p>\n\n\n\n<p>Como &eacute; apontado no in&iacute;cio deste depoimento, Leandro estava com o pai. Essa hist&oacute;ria d&aacute; a entender que a viol&ecirc;ncia em si teria ocorrido pouco antes de ele ter dito tudo para Roseli e Jo&atilde;o. Mas, no termo de declara&ccedil;&otilde;es, o menino come&ccedil;a afirmando que isso aconteceu h&aacute; um m&ecirc;s, e depois fala em tr&ecirc;s meses.<\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; importante ter em mente que se trata de uma crian&ccedil;a de seis, quase sete anos. Portanto, n&atilde;o se pode esperar que ele dissesse informa&ccedil;&otilde;es t&atilde;o espec&iacute;ficas em um caso t&atilde;o chocante.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan nunca descobriu quem s&atilde;o esses meninos. No laudo de exame que acompanha esta folha no inqu&eacute;rito, a anota&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico est&aacute; cortada. &Eacute; poss&iacute;vel ler apenas o seguinte: &ldquo;No exame f&iacute;sico atual n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber[&hellip;]&rdquo;, e corta. Ivan sup&otilde;e que o m&eacute;dico concluiu que, pelo exame f&iacute;sico, n&atilde;o conseguiu constatar o abuso.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Quem s&atilde;o esses pi&aacute;s?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: N&atilde;o sei. S&oacute; o Jo&atilde;o sabia porque ele foi na delegacia na &eacute;poca. Eu s&oacute; sei que era no lugar onde ela morava. S&oacute; ela pode falar isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ent&atilde;o tinha alguns vizinhos&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: &Eacute;. Uns pi&aacute;s onde eles moravam l&aacute; nas casas. Agora, eu n&atilde;o sei se &eacute; verdade. Porque ele n&atilde;o ia falar uma mentira, n&eacute;? Ele estava evacuando assim direto, sabe? Estava praticamente uma pessoa aberta, sabe? Que n&atilde;o se segurava mais. A&iacute; eu fui e perguntei para ele, sabe? &ldquo;Por que est&aacute; acontecendo isso com voc&ecirc;?&rdquo;. &ldquo;Ah, aqueles guris l&aacute; me pegaram&rdquo;. S&oacute; isso tamb&eacute;m.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: E ele mudou alguma atitude depois disso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: N&atilde;o, n&atilde;o mudou nada. Da&iacute; depois ele foi com a m&atilde;e, n&eacute;? E o Jo&atilde;o chegou de Curitiba, eu contei para ele. O Jo&atilde;o ficou muito nervoso, pegou e falou com a Paulina, eu acho, n&atilde;o sei o que aconteceu. Foi na delegacia, os pi&aacute;s foram at&eacute; presos na &eacute;poca. E eu n&atilde;o soube de mais nada tamb&eacute;m. Mas eu acho que n&atilde;o tem nada a ver com&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ele tinha no&ccedil;&atilde;o do que tinha acontecido com ele?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: N&atilde;o sei. Porque eu tamb&eacute;m s&oacute;&hellip; Ele me falou isso e depois foi com ela e&hellip; Virou em nada&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas ele ficou como se estivesse triste, chateado, mal, assim? Ou ele falou &ldquo;n&atilde;o, n&atilde;o&hellip;&rdquo;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Bem assim&hellip; Bem assim como se fosse&hellip; Acontecido nada, sabe?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: N&atilde;o reclamava de dor, de nada? Inc&ocirc;modo?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Conforme o que ele falou para mim, eu senti que ele n&atilde;o tinha se sentido bem com isso da&iacute;. E eu perguntei por que estava acontecendo aquilo l&aacute;, o que estava acontecendo, e ele pegou e falou isso. Eu fiquei nervosa tamb&eacute;m, n&eacute;? Fiquei preocupada, logicamente, &eacute; uma crian&ccedil;a. Meu Deus. [&hellip;] Da&iacute; a pol&iacute;cia foi nesses pi&aacute;s l&aacute;. Parece que foram presos de manh&atilde;, mas de tarde j&aacute; foram liberados&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eram menores de idade, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: &Eacute;. N&atilde;o sei como &eacute; que foi&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Tudo crian&ccedil;a, tudo crian&ccedil;a&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Tudo crian&ccedil;a, tudo crian&ccedil;a com crian&ccedil;a&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; ouvindo o Leandro falar isso, parecia que era uma crian&ccedil;a que n&atilde;o tinha nem no&ccedil;&atilde;o do que tinha acontecido com ela?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: N&atilde;o. Acho que tinha no&ccedil;&atilde;o, mas n&atilde;o pode se defender. E eram crian&ccedil;as maiores um pouco, e ele estava sozinho. Ele l&aacute; ficava sozinho. A Paulina sa&iacute;a e deixava ele, era acostumada a deixar, n&eacute;? N&atilde;o se preocupava, pois deixava ele ir l&aacute; no Coroados pegar consulta para ela&hellip; Na fila para ela ir consultar&hellip; E andava, diz que andava pelas ruas no centro&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: A senhora lembra de quando foi a &uacute;ltima vez que o Jo&atilde;o viu o filho antes de ele desaparecer?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Lembro. Ele estava pescando na frente de casa com o cestinho, e o Leandro nas costas. Ele tarrafeando l&aacute; na &aacute;gua, e a Paulina veio por tr&aacute;s assim, por tr&aacute;s de umas lanchonetes que tinha atr&aacute;s da casa da doutora Silmara, em Guaratuba, l&aacute; no Eliane&hellip; Correu l&aacute;, pegou o Leandro, jogou o cesto, pegou ele e foi embora. Essa foi a &uacute;ltima vez que&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Nem deu tchau&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: N&atilde;o. E da&iacute; o Jo&atilde;o correu l&aacute;, e eles esconderam o Leandro l&aacute; dentro dessa lanchonete, e pronto&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: Dias antes?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Foi a &uacute;ltima vez que o Jo&atilde;o viu ele na minha presen&ccedil;a.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Na sua presen&ccedil;a. Ent&atilde;o foi um ano e pouco antes&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Foi. Da&iacute; ela pegou ele de l&aacute; da praia, que estava tarrafeando com o Jo&atilde;o. Ela pegou l&aacute;, ela foi l&aacute;, correu, jogou&hellip; Fez ele jogar o cesto l&aacute; com os peixinhos. E ele estava l&aacute; na &aacute;gua. Quando ele olhou para tr&aacute;s, ela estava correndo com o Leandro. Pegou e nem disse: &ldquo;&oacute;, vou levar o Leandro embora e pronto&rdquo;, nada. Da&iacute; levou para esse bar, ele foi l&aacute;, j&aacute; n&atilde;o viu mais ningu&eacute;m, e se esconderam l&aacute; para dentro, e pronto. Foi a&iacute;, que eu me recordo isso&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os relatos da fam&iacute;lia Bossi, quando Leandro desapareceu, ele j&aacute; n&atilde;o via o pai h&aacute; bastante tempo. Roseli fala em um ano e quatro meses, mas isso n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, pois no depoimento sobre o caso de abuso eles estavam juntos, e isso foi um ano e 15 dias antes.<\/p>\n\n\n\n<p>O mais prov&aacute;vel que tenha acontecido &eacute; o seguinte: ap&oacute;s Jo&atilde;o ir para a delegacia com Leandro, ele e Paulina se desentenderam. Um dia, o menino estava pescando com o pai, a m&atilde;e chegou, levou o filho com ela, e acabou.<\/p>\n\n\n\n<p>Lucas Bossi, irm&atilde;o de Leandro, filho de Jo&atilde;o e Roseli, contou um pouco do que ouvia do pai sobre o caso Leandro.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: &Eacute;. Eu perguntei muito sobre isso para o pai, n&eacute;? [&hellip;] O que ele me contava? Primeiro, que o pai odiava aquele delegado&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: O Gilberto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: A&iacute; eu perguntei &ldquo;mas por qu&ecirc;?&rdquo;. Nem sei quem era o delegado. Diz que o pai odiava. Eu acho que esse delegado tem muita responsabilidade sobre os per&iacute;odos iniciais de tudo, sabe? Quem mais eu vou culpar? A pr&oacute;pria pessoa que deveria estar ali. Eu preciso culpar algu&eacute;m. Ent&atilde;o, eu tamb&eacute;m culpo da mesma forma que o meu pai culpava. Porque&hellip; Acho que foi quatro anos antes, Ivan, que o Leandro foi abusado sexualmente, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Foi um ano antes. Foi um ano antes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Um ano antes, olha a&iacute;. Um ano antes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Foi em janeiro de 91.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Pois ent&atilde;o, aconteceu isso. N&atilde;o sei se a minha m&atilde;e te falou, mas foi ela que indagou o Leandro do porqu&ecirc; ele estava daquela forma.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Porque o menino, coitadinho, se sujava, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: E a&iacute; a m&atilde;e perguntou para ele o que estava acontecendo. Ele todo sem jeito disse: &ldquo;aqueles guris l&aacute; fizeram tal coisa&rdquo;. A&iacute; que a m&atilde;e avisou o pai, que avisou a Paulina. Para voc&ecirc; ver como era assim um&hellip; &Eacute; at&eacute; dif&iacute;cil de eu falar isso, mas parece que o menino&hellip; Parece que eles eram negligentes com a crian&ccedil;a, n&atilde;o cuidavam direito. Tem que dizer bem a verdade. Eu sou irm&atilde;o dele, eu tenho que dizer o que eu sinto, sabe? E a&iacute; o pai&hellip; Parece que foi fazer um boletim, n&atilde;o sei, foi l&aacute; denunciar essa pessoa que fez isso com ele. A&iacute; a minha pergunta para o meu pai foi: &ldquo;t&aacute;, e n&atilde;o pode correr o risco de ser alguma coisa&hellip; Uma vingan&ccedil;a? Isso n&atilde;o pode ter alguma rela&ccedil;&atilde;o com o desaparecimento do Leandro?&rdquo;. Foi isso que veio na minha cabe&ccedil;a. Se foi um ano antes&hellip; O pai n&atilde;o foi l&aacute; mexer com delegacia para&hellip; Eu n&atilde;o sei se era um homem, se era um adolescente, se era uma crian&ccedil;a. Eu n&atilde;o tive acesso a nada disso, sabe? Eu n&atilde;o tenho informa&ccedil;&atilde;o. Mas isso foi uma d&uacute;vida que ficou em mim, se pode existir alguma rela&ccedil;&atilde;o do abuso com o desaparecimento. Porque pode ter sido&hellip; Sei l&aacute;, n&eacute;? A gente v&ecirc; tanta coisa assim em filme, que foi uma&hellip; &ldquo;Ah, ele fez aquilo comigo, agora ele vai ver&rdquo;. Ent&atilde;o foi uma bala trocada? N&atilde;o sei.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;. O que eu sei aqui, &oacute;&hellip; Eu tenho aqui a declara&ccedil;&atilde;o que o Leandro d&aacute;. Ele est&aacute; acompanhado nesse momento do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a>. Ele tem seis anos de idade. E ele fala que h&aacute; aproximadamente um m&ecirc;s&hellip; Ou seja, fazia um m&ecirc;s que tinha acontecido. Isso aqui &eacute; 31 de janeiro. Ent&atilde;o a gente est&aacute; falando de in&iacute;cio de janeiro, final de dezembro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: De 90?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: De 90. Isso. In&iacute;cio de 91, final de 90, in&iacute;cio de 91, t&aacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Isso que me d&oacute;i. Hoje eu tenho vontade de chorar de raiva. O menino tinha sido estuprado provavelmente, n&eacute;? E a&iacute; ningu&eacute;m faz nada. Ele ficou em sil&ecirc;ncio, ningu&eacute;m faz nada, e um ano depois ele some.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham. E nunca correram atr&aacute;s dos meninos. A gente n&atilde;o sabe nem o sobrenome&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Assim, &eacute; normal, ent&atilde;o? &Eacute; isso que eu fico pensando, n&eacute;? Se uma crian&ccedil;a hoje sofre alguma coisa, eu chego na delegacia, eles s&oacute; colhem o depoimento e tchau? Ai, isso me irrita.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E uma das grandes tristezas que a gente v&ecirc; &eacute; justamente de ter uma&hellip; Em outros casos que eu j&aacute; vi de abuso sexual contra menores, principalmente nessa &eacute;poca, esse era meio que o procedimento, sabe?A gente est&aacute; muito longe&hellip; A gente est&aacute; muito atr&aacute;s nessa &eacute;poca, d&eacute;cada de 90, in&iacute;cio da d&eacute;cada de 90, de ter o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente, n&eacute;? Quando se forma o ECA, da&iacute; que come&ccedil;a a se preocupar com isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: &Eacute;. O que me deixa intrigado &eacute; isso, n&eacute;? Tipo, o pai foi l&aacute;, fez a parte dele, fez o Boletim de Ocorr&ecirc;ncia. Eu n&atilde;o sei&hellip; O pai deveria ter procurado um advogado para fazer alguma coisa? Como que &eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o. N&atilde;o devia ter feito nada. A pol&iacute;cia tinha que ter investigado. &Eacute; isso. J&aacute; deveria ter feito isso na &eacute;poca, mas n&atilde;o se tinha nem consci&ecirc;ncia&hellip; Sabe aquele neg&oacute;cio tipo: &ldquo;ah, crian&ccedil;a? &Eacute; moleque fazendo merda&rdquo;, sabe? N&atilde;o tem essa no&ccedil;&atilde;o de que &eacute; um crime que aconteceu e que uma crian&ccedil;a foi abusada&hellip; Essa &eacute; a melhor&hellip; Eu sei que &eacute; horr&iacute;vel essa resposta, mas &eacute; a melhor explica&ccedil;&atilde;o que eu posso te dar. Nem se tinha no&ccedil;&atilde;o da gravidade desse crime na &eacute;poca. Esse &eacute; o ponto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Aham. Isso eu perguntei para o pai, se ele sabia quem eram essas crian&ccedil;as, se ele podia dizer com certeza que n&atilde;o tinha rela&ccedil;&atilde;o&hellip; O que ele achava. Ele dizia: &ldquo;n&atilde;o, n&atilde;o sei para onde foram, sumiram&rdquo;. Alguma coisa assim. Ele fugiu dessa hist&oacute;ria tamb&eacute;m. Nunca falou muito sobre isso, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ele n&atilde;o sabia quem eram os meninos? Ou ele sabia?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Eu acho que n&atilde;o sabia, ou se sabia&hellip; Ele deve saber quem eram os pais, esses que est&atilde;o mencionados a&iacute; os nomes, certeza que deve saber. Eu acho que o pai teria ido atr&aacute;s. Imposs&iacute;vel n&atilde;o, imposs&iacute;vel&hellip; Pelo menos n&atilde;o combina com o estilo que ele era naquela &eacute;poca.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ivan tentou descobrir quem eram esses meninos, e se esse crime poderia ter alguma rela&ccedil;&atilde;o com a morte de Leandro, mas n&atilde;o conseguiu nada de substancial. E, por motivos que ficar&atilde;o mais claros ao final da temporada, Ivan tende a achar que s&atilde;o trag&eacute;dias isoladas. Ainda assim, esses traumas todos se somavam &agrave; fam&iacute;lia Bossi.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Isso me revolta demais, essa quest&atilde;o. Por que da&iacute; o que acontece? O pai fez esse boletim por causa desse neg&oacute;cio, que aconteceu isso com o Leandro, ok. Passou o tempo. O Leandro desaparece. A&iacute; volta meu pai de novo nessa delegacia. Olha, eu n&atilde;o sei se o que o meu pai me conta &eacute; verdade ou se est&aacute; linkado realmente nessa mesma data, ou se ele pode estar se confundindo. O meu pai n&atilde;o tem o costume de&hellip; Nunca mentiu. Mas ele podia estar confundido datas e ocasi&otilde;es. Mas ele me disse que quando chegou para fazer o Boletim de Ocorr&ecirc;ncia do Leandro, ele discutiu tanto com o delegado que quase saiu amea&ccedil;ado de apanhar ali de outros policiais. Porque o delegado dava de dedo nele dizendo que ele era irrespons&aacute;vel. Que um ano antes o menino tinha sido abusado, e agora, naquele ano, o menino sumiu. &ldquo;Agora o que &eacute; que tu quer aqui?&rdquo;. Mais ou menos assim. O meu pai foi praticamente escorra&ccedil;ado no primeiro momento que ele pisou na delegacia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim. E tem tamb&eacute;m uma situa&ccedil;&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Eu n&atilde;o sei se o meu pai j&aacute; te disse isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o, n&atilde;o. Ele n&atilde;o me falou&hellip; Eu n&atilde;o me lembro, t&aacute;? Eu at&eacute; tenho que dar uma olhada. N&atilde;o me &eacute; estranha essa hist&oacute;ria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto Ivan falava com Lucas, ele de fato n&atilde;o se lembrava se isso havia sido mencionado. Mas, ouvindo novamente a entrevista com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a>, feita em 2017, o jornalista confirmou a hist&oacute;ria sobre o conflito com o delegado na &eacute;poca do sumi&ccedil;o do Leandro, o doutor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/gilberto-pereira-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado de Guaratuba na &eacute;poca do desaparecimento de Leandro\" class=\"encyclopedia\">Gilberto Pereira da Silva<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Jo&atilde;o: &Eacute; muito complicado porque na &eacute;poca eu pescava em alto-mar e j&aacute; era separado da m&atilde;e dele. E, quando voltei, eu soube da hist&oacute;ria. Fui reformular a queixa no delegado, o delegado queria me prender, porque eu era um pai irrespons&aacute;vel. Mas eu n&atilde;o posso cuidar s&oacute; dos filhos em casa, sentado. Eu tinha que trazer a comida para eles, o leite para eles. E o delegado, infelizmente, o doutor Gilberto, &eacute; um cr&aacute;pula, um sem-vergonha. N&atilde;o tenho medo de dizer isso. <em>Com os olhos&hellip; Um piment&atilde;o de maconha&hellip;<\/em> Queria me prender porque eu era um pai irrespons&aacute;vel. Meu Deus, eu estava h&aacute; dois dias em alto-mar, pescando, sem saber o que &eacute; uma cama, para poder trazer sustento para a fam&iacute;lia. E era irrespons&aacute;vel. Ent&atilde;o, infelizmente, hoje um vagabundo na rua &eacute; muito mais gente do que um pai de fam&iacute;lia que nem eu sou. Infelizmente. At&eacute; teve v&aacute;rias policiais femininas naquela &eacute;poca&hellip; &ldquo;Seu Jo&atilde;o, n&atilde;o discute com o delegado. Pega e caia fora, vai embora&rdquo;. E n&atilde;o porque n&atilde;o sei o qu&ecirc;&hellip; E ele queria me prender. A&iacute; eu achei que era desaforo um delegado &lsquo;maconhado&rsquo; me prender, chamei ele para o bra&ccedil;o. Eu chamei. Na &eacute;poca eu tinha um pouquinho mais de for&ccedil;a, eu chamei.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Isso foi tudo no mesmo dia?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Jo&atilde;o: Tudo no mesmo dia. A&iacute; ele s&oacute; falou assim: &ldquo;Jo&atilde;o, para come&ccedil;ar, voc&ecirc; &eacute; irrespons&aacute;vel, voc&ecirc; abandonou o teu filho&rdquo;. Mas, espera a&iacute;, se eu ficar sentado do lado do meu filho, ele vai comer o qu&ecirc;? Sempre falei isso. O que um filho meu vai comer se eu n&atilde;o trabalhar? A&iacute;, gra&ccedil;as a Deus, falei com o secret&aacute;rio de seguran&ccedil;a daquela &eacute;poca, o doutor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/moacir-favetti\/\" target=\"_self\" title=\"Secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Paran&aacute; entre 1991 e 1994\" class=\"encyclopedia\">Moacir Favetti<\/a>. Na &eacute;poca, era o secret&aacute;rio. O delegado foi para Cascavel, para o lugar que ele merecia. Ali j&aacute; apanhou&hellip; Deram um sumi&ccedil;o nele, n&atilde;o sei. E eu t&ocirc; aqui. S&oacute; que a minha resposta ainda n&atilde;o veio. Eu estou aguardando a minha resposta. N&atilde;o importa o governo que assumiu o Estado, eu quero a minha resposta. S&atilde;o 25 anos. N&atilde;o s&atilde;o 25 dias. Pelo amor de Deus, isso a&iacute; &eacute; falta de vergonha na cara, promover delegados e mais delegados, e a coisa fica do mesmo jeito. Envolveram a minha situa&ccedil;&atilde;o junto com a do Ramos Caetano. Eu n&atilde;o tenho nada com aquela hist&oacute;ria. O meu filho desapareceu 53 dias antes. Eu falava e ningu&eacute;m dava bola, falava&hellip; &ldquo;N&atilde;o, depois n&oacute;s vamos ver&rdquo;. At&eacute; que no dia do sumi&ccedil;o do Evandro &eacute; que o pessoal conseguiu acordar. Suspeitaram que eu vendi o meu filho por 29 mil d&oacute;lares. Eu exigi da pol&iacute;cia, do Tigre, para ir em toda Santa Catarina, onde mora a minha fam&iacute;lia, de ponta-cabe&ccedil;a&hellip; N&atilde;o acharam nada&hellip; E eu, por falta de advogado, pedi indeniza&ccedil;&atilde;o do Estado, uma cal&uacute;nia em cima de mim e eu n&atilde;o consegui nada. E eu merecia. Eu merecia. J&aacute; sofrendo, acusado&hellip; Por que n&atilde;o me prenderam? Porque n&atilde;o tinham cacife, n&atilde;o tinham vergonha na cara, sabendo que iam prender um pai inocente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ivan tentou localizar o doutor Gilberto para que ele pudesse contar o seu lado da hist&oacute;ria, mas n&atilde;o o encontrou.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato de Paulina e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> estarem aparentemente brigados naquela &eacute;poca, sendo Leandro o motivo do conflito entre os dois, provavelmente levou o delegado Gilberto a supor o que &eacute; mais comum em situa&ccedil;&otilde;es desse tipo: um dos pais deveria ser o respons&aacute;vel pelo sumi&ccedil;o do menino. Isso, infelizmente, acontece com frequ&ecirc;ncia em casos de crian&ccedil;as desaparecidas. Os pais brigam, e um deles leva o filho consigo para outro lugar.<\/p>\n\n\n\n<p>Talvez acreditassem que Jo&atilde;o ou Paulina teriam levado Leandro escondido para algum parente em Curitiba, ou at&eacute; mesmo para outra cidade no Paran&aacute;. E essa &eacute; uma poss&iacute;vel explica&ccedil;&atilde;o para n&atilde;o terem investigado direito o caso nos primeiros dias ap&oacute;s o menino desaparecer.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Acho que tem algum relat&oacute;rio&hellip; Eu n&atilde;o vou lembrar agora exatamente qual, t&aacute;? Mas um coment&aacute;rio que &eacute; mais ou menos assim: quando o Leandro desapareceu, o seu <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> e a Paulina estavam separados e estavam meio que brigados. O Jo&atilde;o n&atilde;o estava vendo o Leandro j&aacute; fazia um ano, n&eacute;? E uma das desconfian&ccedil;as desse delegado, s&oacute; para melhorar aqui a compreens&atilde;o da &eacute;poca, era: &ldquo;ah, ele desapareceu, deve ter sido alguma briga entre os pais&rdquo;. Ent&atilde;o, por exemplo, sei l&aacute;, a Paulina est&aacute; querendo esconder o Leandro do Jo&atilde;o, sabe? Ent&atilde;o, isso n&atilde;o &eacute; uma justificativa, mas &eacute; mais uma explica&ccedil;&atilde;o do porqu&ecirc; o delegado nem correu atr&aacute;s. Fora tamb&eacute;m que era alta temporada, que n&atilde;o p&ocirc;de dar aten&ccedil;&atilde;o para isso. As hist&oacute;rias, as justificativas que d&atilde;o, que s&atilde;o injustific&aacute;veis. O fato &eacute; que n&atilde;o foi investigado e deveria ter sido. Esse &eacute; o ponto principal, n&eacute;? Tanto &eacute; que depois o Evandro desaparece tamb&eacute;m e &eacute; outra situa&ccedil;&atilde;o. Porque a fam&iacute;lia Caetano &eacute; bem conhecida na cidade, a fam&iacute;lia Bossi n&atilde;o era conhecida. Eram funcion&aacute;rios da prefeitura, ent&atilde;o tem toda uma mobiliza&ccedil;&atilde;o, e da&iacute; o Leandro come&ccedil;a a aparecer como: &ldquo;ah, antes desse Evandro teve outra crian&ccedil;a que desapareceu tamb&eacute;m. O nome dele era Leandro&rdquo;. Ent&atilde;o &eacute; assim que o Leandro aparece. N&atilde;o saiu uma notinha sobre o Leandro na &eacute;poca. Isso &eacute; outra coisa que nos deixa desesperados, assim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Pois &eacute;. Ent&atilde;o, essa rela&ccedil;&atilde;o entre o meu pai e a Paulina, isso realmente ocorreu, sempre foi muito horr&iacute;vel assim, n&eacute;? Por qu&ecirc;? Separaram&hellip; At&eacute; quem fez a separa&ccedil;&atilde;o foi a An&eacute;sia, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/anesia-edith-kowalski\/\" target=\"_self\" title=\"Ju&iacute;za da Comarca de Guaratuba respons&aacute;vel pelo caso Evandro\" class=\"encyclopedia\">An&eacute;sia Edith Kowalski<\/a> era a ju&iacute;za de Guaratuba na &eacute;poca dos casos Leandro e Evandro. Ela foi bastante mencionada na temporada do caso Evandro, pois foi uma das personagens principais dessa hist&oacute;ria.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: E a&iacute; ela n&atilde;o quis pens&atilde;o. N&atilde;o quis pens&atilde;o porque ela n&atilde;o queria mais v&iacute;nculo, n&eacute;? Ela queria ficar com o Leandro e n&atilde;o queria mais que o Leandro visse o meu pai. &Eacute; assim que o meu pai confirmou e que a minha m&atilde;e falava para mim no tempo que rolava ali o podcast, que a&iacute; eu comecei a perguntar sobre isso. &ldquo;T&aacute;, mas como assim?&rdquo;. &Eacute; que a Paulina ia trabalhar, &agrave;s vezes ela deixava ele com o Ademir. O Ademir &agrave;s vezes tamb&eacute;m n&atilde;o queria ficar junto com o guri, e simplesmente largavam o Leandro l&aacute; em casa. L&aacute; em casa com a minha m&atilde;e e &agrave;s vezes com o meu pai. E a Paulina n&atilde;o gostava desse vai e vem. Tanto que teve v&aacute;rios momentos que eles discutiam, n&eacute;? At&eacute; com a minha m&atilde;e. N&atilde;o sei bem como &eacute;, isso a&iacute; elas devem saber explicar. A&iacute; eu perguntei para o meu pai o que ele recorda do &uacute;ltimo dia quando viu o Leandro. O pai disse assim: ele estava pescando. O Leandro adorava pescar. O pai estava jogando tarrafa na frente da minha casa ali em Guaratuba. Eles estavam pescando. O pai estava com a tarrafa, com a &aacute;gua na altura do peito, que voc&ecirc; tem que entrar mais para jogar a tarrafa na praia. Ent&atilde;o, ele estava com a &aacute;gua na altura do peito, e o Leandro estava na areia com o cesto de peixe. A Paulina chega de carro com algu&eacute;m, porque ela n&atilde;o tinha carro. Ela chega de carro, chama o Leandro. O Leandro joga o cesto, entra no carro e sai. &Eacute; isso que o meu pai me relatou.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Essa foi a &uacute;ltima vez que ele viu o Leandro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: &Eacute;. Essa foi a &uacute;ltima vez. O meu pai n&atilde;o sabia me dizer quanto tempo depois o menino desapareceu. S&oacute; que a m&atilde;e diz que fazia um ano e quatro meses que ela n&atilde;o via o Leandro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Um ano e quatro meses n&atilde;o tem como ser. Porque aqui temos esse depoimento do dia 31 de janeiro de 91, que foi um ano e 15 dias antes de ele desaparecer. Ent&atilde;o, n&atilde;o foi um ano e quatro meses&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: N&atilde;o foi tudo isso.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o foi tudo isso, n&eacute;? E ele t&aacute; com o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> na delegacia. Mas n&atilde;o sei, n&eacute;? Assim, a Paulina&hellip; &Eacute; dif&iacute;cil conversar com ela, ela ainda n&atilde;o aceitou dar entrevista, tudo. Eu ouvindo assim e conhecendo como casais funcionam, a impress&atilde;o que eu tenho &eacute; que ela tinha muito ci&uacute;mes da tua m&atilde;e, ela n&atilde;o aceitava o div&oacute;rcio. N&atilde;o queria o Leandro perto da sua m&atilde;e. Ent&atilde;o ela usava o Leandro&hellip; &ldquo;N&atilde;o quero o meu filho perto desse pessoal&rdquo;. Ent&atilde;o ia l&aacute; e pegava, da&iacute; acabava&hellip; &Eacute; a famosa aliena&ccedil;&atilde;o parental, uma situa&ccedil;&atilde;o assim, de usar o filho para brigar com o ex. A Paulina mora em condi&ccedil;&otilde;es muito prec&aacute;rias, o Ademir era um adolescente tamb&eacute;m, que estava com a vida dele. E da&iacute; tem essa hist&oacute;ria, que &eacute; essa discuss&atilde;o do dia do desaparecimento. Eu tenho uma impress&atilde;o&hellip; Eu at&eacute; estava vendo uma entrevista que o Ademir deu l&aacute; para o canal Investiga&ccedil;&atilde;o Policial, se eu bem me lembro. Acho que &eacute; a &uacute;ltima entrevista que o Ademir deu sobre o caso antes de falecer. Tem uma hora que o jornalista pergunta para ele: &ldquo;o dia que voc&ecirc; encontrar o Leandro de novo&hellip;&rdquo;. Ainda n&atilde;o tinha DNA, nem nada. &ldquo;O dia que voc&ecirc; encontrar o Leandro, o que voc&ecirc; vai falar para ele?&rdquo;. Da&iacute; o Ademir come&ccedil;a a chorar e fala assim: &ldquo;eu vou pedir desculpa&rdquo;. Ele fala v&aacute;rias coisas assim&hellip; &ldquo;Eu vou pedir desculpa&rdquo;. E o jornalista n&atilde;o entendeu direito por que pedir desculpa. Mas, ouvindo a sua m&atilde;e, conhecendo melhor como era aquela &eacute;poca e tudo, d&aacute; para ver que o Ademir n&atilde;o tinha muita paci&ecirc;ncia para cuidar de uma crian&ccedil;a tamb&eacute;m, de seis, sete anos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: N&atilde;o, n&atilde;o. Ele era&hellip; N&atilde;o, n&atilde;o&hellip; Exatamente. O que eu ouvi sempre vindo da m&atilde;e&hellip; A m&atilde;e que acabava falando isso, o pai nunca falou sobre isso, que o Ademir era muito ruim para o Leandro. &Eacute; como a m&atilde;e sempre falou. Ela deve ter te dito isso dessa mesma forma, que ele era muito ruim, que batia no Leandro, enfim&hellip; Aquela coisa de irm&atilde;o mais velho, n&eacute;? Que n&atilde;o quer o mais novo incomodando, essas coisas. Ent&atilde;o, naquela &eacute;poca, eu entendi mesmo que essas desculpas estejam relacionadas a isso, n&eacute;? Aquela ruindade do irm&atilde;o mais velho, que podia ter cuidado melhor. Podiam ter sido dois irm&atilde;os mais pr&oacute;ximos assim, n&eacute;? Eu n&atilde;o sei como era essa rela&ccedil;&atilde;o para eu dizer&hellip; Nunca vivi isso&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ivan come&ccedil;ou este epis&oacute;dio falando sobre a entrevista de Ademir para o canal &ldquo;Opera&ccedil;&atilde;o Policial&rdquo;, no YouTube. Nessa conversa com Lucas, o jornalista acredita ter entendido o motivo de Ademir dizer que queria dar um abra&ccedil;o e pedir desculpas para Leandro quando o reencontrasse.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele n&atilde;o tem culpa disso. N&atilde;o foi ele que sequestrou e matou Leandro. Mas Ademir muito provavelmente se sentia culpado por n&atilde;o ter cuidado mais do irm&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Voc&ecirc; chegou a conversar com o Ademir sobre o caso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Nunca. Nunca. Nunca&hellip; Nunca, assim&hellip; E queria, queria muito. Mas n&atilde;o tive a oportunidade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o tinha muita intimidade com o Ademir tamb&eacute;m, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: De chegar e falar sobre isso, n&atilde;o. Nesses &uacute;ltimos tempos, o Ademir tamb&eacute;m estava esquisito assim, sabe? Estava muito debilitado tamb&eacute;m, de sa&uacute;de. Parece uma coisa assim, que as pessoas v&atilde;o perdendo a sensatez das palavras, n&atilde;o sabem mais formular nem frases, n&eacute;? &Eacute; complicado. A entrevista do Ademir at&eacute; fica meio confusa &agrave;s vezes, ele n&atilde;o falava nada com nada. Foi complicado. Ent&atilde;o, eu nunca pude&hellip; Mas era mais sobre isso, n&eacute;? Que ele realmente nunca teve um v&iacute;nculo muito bom ali, pelo que eu vejo. Mas ele foi o grande parceiro do pai quando o Leandro desapareceu. O Ademir, nossa, um adolescente, mas ficou ali do lado do pai ajudando em tudo. N&atilde;o sei como isso deve ter sido tamb&eacute;m traum&aacute;tico.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;, imagino. E esse &eacute; um lado que n&atilde;o aparece, n&eacute;? Ele nunca foi ouvido. O Ademir nunca deu depoimento. Mas se foi isso mesmo que voc&ecirc; me fala, atrav&eacute;s da tua m&atilde;e, que ela me falou tamb&eacute;m, desse relacionamento complicado, eu n&atilde;o consigo nem imaginar a culpa que ele sente tamb&eacute;m&hellip; De tipo &ldquo;p&ocirc;, eu podia ter cuidado melhor do Leandro&rdquo;, e tal, e acontece tudo isso. D&aacute; para ver que ele&hellip; &Eacute; foda. Porque a gente sabe como irm&atilde;o &eacute;, briga mesmo, ainda mais quando a diferen&ccedil;a de idade &eacute; t&atilde;o grande.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Fala e faz coisas que obviamente n&atilde;o falaria se soubesse que qualquer coisa pudesse acontecer&hellip; Jamais&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Exato. &Eacute; terr&iacute;vel.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>ALGU&Eacute;M VIU LEANDRO?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Retornando para 15 de fevereiro de 1992, o dia que Leandro desapareceu, o coment&aacute;rio sempre foi de que ele estaria no show do cantor Moraes Moreira, mas n&atilde;o h&aacute; nenhuma testemunha que afirme isso no inqu&eacute;rito.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia a hist&oacute;ria de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/aramis\/\" target=\"_self\" title=\"Amigo de Leandro, que teria sumido por algumas horas durante o show do Moraes Moreira\" class=\"encyclopedia\">Aramis C&acirc;ndido de Castro<\/a>, o amiguinho de Leandro que supostamente teria visto ele no show. Havia tamb&eacute;m a hist&oacute;ria de que Aramis teria desaparecido naquele dia 15 de fevereiro durante o evento, mas voltou para casa horas depois.<\/p>\n\n\n\n<p>E tamb&eacute;m tinha a hist&oacute;ria que Lucas Bossi relatou, de uma mulher que o contatou falando que conhecia outra mulher, que seria jovem na &eacute;poca que Leandro sumiu e que morava perto dele. Essa jovem teria visto Leandro no dia que ele desapareceu. Ele estaria bem arrumado. Ela, ent&atilde;o, perguntou: &ldquo;para onde voc&ecirc; vai todo arrumadinho?&rdquo;. E ele teria respondido: &ldquo;eu vou para o show&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan conversou com a mulher mencionada por Lucas. Mas, para evitar exposi&ccedil;&otilde;es, ele preferiu manter a identidade dela em segredo, pois h&aacute; uma contradi&ccedil;&atilde;o nessa hist&oacute;ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a conversa, em 2023, a mulher que entrou em contato com Lucas disse para Ivan que a tal jovem que lhe contou essa hist&oacute;ria j&aacute; havia falecido em um acidente. E ela afirmou que nunca falou nada sobre Leandro estar &ldquo;arrumadinho&rdquo; ou que ele teria respondido que iria para o show &agrave; noite.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan contou para Lucas que a mulher n&atilde;o havia confirmado a hist&oacute;ria que ele havia lhe relatado. Lucas respondeu que tinha certeza que ela falou isso, que ele n&atilde;o teria motivo para mentir.&nbsp; E n&atilde;o teria mesmo. J&aacute; essa mulher pode ter se sentido assustada ao falar com Ivan e n&atilde;o queria expor a conhecida, que teoricamente estaria morta, e por isso contou outra hist&oacute;ria para ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan n&atilde;o sabe dizer qual &eacute; a vers&atilde;o verdadeira. Mas, para ele, faz sentido que algu&eacute;m tenha visto Leandro arrumado saindo de casa. Afinal, conforme o depoimento de Paulina, ele voltou para casa para trocar de roupa.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas e o que aconteceu depois? Ningu&eacute;m sabe. Quem talvez soubesse seria o amigo dele da &eacute;poca, o Aramis, que j&aacute; &eacute; falecido. De acordo com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a>, depois daquela noite, Aramis teria passado a falar para algumas pessoas a seguinte frase: &ldquo;todo mundo se safou, s&oacute; o Leandro se fodeu&rdquo;. Ent&atilde;o, Ivan come&ccedil;ou a pesquisar o que tinha em m&atilde;os para verificar essa hist&oacute;ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/roseli-steffen\/\" target=\"_self\" title=\"Segunda esposa de Jo&atilde;o Bossi, era madrasta de Leandro\" class=\"encyclopedia\">Roseli Steffen<\/a> eram amigos do casal <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/ines-de-souza-castro\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Aramis, amigo de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">In&ecirc;s de Souza Castro<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/antonio-carlos-de-castro\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Aramis, amigo de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Carlos de Castro<\/a>, pais de Aramis. Ant&ocirc;nio era conhecido em Guaratuba como &ldquo;Vinagre&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Jo&atilde;o e Roseli, sempre que eles tentavam tocar no assunto com In&ecirc;s e Vinagre, estes desconversavam. Nunca explicaram exatamente o que teria acontecido com Aramis no show, o que ele teria visto, se ele realmente disse aquilo que Jo&atilde;o relatava.<\/p>\n\n\n\n<p>A &uacute;nica coisa que h&aacute; dessa hist&oacute;ria de Aramis &eacute; uma mat&eacute;ria publicada no extinto Jornal Hora H, de Curitiba, no final de junho de 1996. Nessa mat&eacute;ria, feita pela jornalista <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/vania-mara-welte\/\" target=\"_self\" title=\"Jornalista do Hora H, foi vencedora do Pr&ecirc;mio Esso em 1996\" class=\"encyclopedia\">V&acirc;nia Mara Welte<\/a>, est&aacute; escrito o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Cinco crian&ccedil;as desapareceram naquele dia em Guaratuba. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> conta que na mesma noite que seu filho Leandro desapareceu do show do cantor Moraes Moreira &ndash; conforme o relato de algumas pessoas &ndash; outras quatro crian&ccedil;as tamb&eacute;m sumiram. Entre elas estava o filho de um casal de amigos deles, o pequeno Aramis, tamb&eacute;m com cerca de sete anos de idade na &eacute;poca. Mas durante a madrugada, todas as crian&ccedil;as voltaram para casa. Aramis foi devolvido aos pais por policiais militares durante aquela madrugada mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Mas o que intriga a fam&iacute;lia Bossi &eacute; o que Aramis fala at&eacute; hoje &agrave;s crian&ccedil;as sobre aquela noite: &ldquo;Todos conseguiram se safar, s&oacute; Leandro se ferrou&rdquo;. Al&eacute;m disto, quando eles procuraram o menino para saber detalhes sobre o tempo em que as crian&ccedil;as ficaram desaparecidas, os pais dele disseram que o tinham mandado passar uma temporada com parentes em Ponta Grossa. &ldquo;Foi s&oacute; para ele n&atilde;o falar sobre o assunto&rdquo;, desconfiam.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Para conferir a hist&oacute;ria, o Hora H procurou localizar a fam&iacute;lia de Aramis. Encontrou-a durante a noite, sob muita chuva.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Numa casa simples de madeira, pela janela, atendeu o pai de Aramis, Ant&ocirc;nio Carlos. Ele disse que a mulher, In&ecirc;s, estava fora, em Curitiba, e Aramis estava na rua. &ldquo;Como sempre&rdquo;, desabafou, antes de negar o desaparecimento de qualquer filho. Ao ser perguntado sobre o sumi&ccedil;o passageiro de Aramis e outras tr&ecirc;s crian&ccedil;as, na mesma noite em que desapareceu <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>, o homem negou. &ldquo;Meus filhos nunca desapareceram&rdquo;, declarou, sendo imediatamente desmentido por um garotinho que enfiou a cabe&ccedil;a no canto da mesma janela. &ldquo;Desapareceu sim, foi o meu irm&atilde;o Aramis&rdquo;, afirmou, tendo a cabecinha empurrada para dentro pelas m&atilde;os do pai. &ldquo;Sai daqui, moleque&rdquo;, advertiu.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Mas o pequeno queria falar e saiu para fora, debaixo de chuva, enquanto o pai tossia, pigarreava e gaguejava, tentando se explicar. Mesmo contra a vontade do pai, o pequeno respondeu &agrave;s perguntas que lhe foram feitas. Disse ter dez anos e se chamar Tiago. Falou tamb&eacute;m sobre o desaparecimento tempor&aacute;rio de Aramis e das outras crian&ccedil;as. &ldquo;Meu irm&atilde;o sumiu sim, mas minha m&atilde;e n&atilde;o gosta que a gente fale disso&rdquo;, avisou.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/11\/Hora-H-Junho-96-Aramis.pdf\" target=\"_blank\">Mat&eacute;ria do Jornal Hora H &ndash; &ldquo;5 crian&ccedil;as desapareceram naquele dia em Guaratuba&rdquo; (junho de 1996)<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dois anos ap&oacute;s a publica&ccedil;&atilde;o dessa mat&eacute;ria, o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/harry-carlos-herbert\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado do Sicride que atuou nas investiga&ccedil;&otilde;es do caso Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Harry Carlos Herbert<\/a>,<em> <\/em>do Servi&ccedil;o de Investiga&ccedil;&atilde;o de Crian&ccedil;as Desaparecidas (Sicride), em 1998, chamou o pai de Aramis para prestar um depoimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O delegado Harry foi um dos que mais trabalhou no caso <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>, mesmo passados tantos anos ap&oacute;s o desaparecimento. Ele foi o investigador que mais tomou depoimentos nesse inqu&eacute;rito.<\/p>\n\n\n\n<p>No depoimento, o pai de Aramis, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/antonio-carlos-de-castro\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Aramis, amigo de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Carlos de Castro<\/a>, falou o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Que seu filho Aramis comentou com o declarante que na noite em que ocorreu o show do Moraes Moreira, na praia de Guaratuba, no ano de 1992, na temporada, provavelmente no m&ecirc;s de fevereiro, estava passeando com sua m&atilde;e (esposa do declarante) quando escapou da m&atilde;o de sua genitora e perdeu-se no meio da multid&atilde;o. Que desse fato houve registro por parte da sua esposa Dona In&ecirc;s junto a policiais da opera&ccedil;&atilde;o praias e corpo de bombeiros. Que Aramis comentou que procurou uma viatura da pol&iacute;cia militar para que o levassem em casa, pois ele estava perdido, e quando falou que seu pai era o &ldquo;Vinagre&rdquo;, um dos policiais militares da viatura conhecia o declarante, ent&atilde;o levou Aramis para casa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Que o declarante, no dia do desaparecimento de seu filho, largou de seu turno como condutor, no ferry boat, por volta de 1 hora da manh&atilde; e, quando chegou, seu filho Aramis j&aacute; estava em casa dormindo. Que muito tempo depois, questionado, Aramis falou que, enquanto estava perdido, viu no meio da multid&atilde;o seu colega de brincadeiras <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Que o declarante s&oacute; veio a conhecer os genitores de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> ap&oacute;s os acontecimentos que envolveram seu desaparecimento. Que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> conheceu ap&oacute;s a separa&ccedil;&atilde;o dele e da ex-esposa, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/paulina-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Paulina Bossi<\/a>, que a m&atilde;e de Leandro ele s&oacute; conheceu posteriormente, quando Aramis falou que aquela senhora era a m&atilde;e do Leandro que tinha sumido. Que conhecia pessoalmente apenas o Leandro de vista, pois ele de vez em quando brincava com o Aramis.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Que certa vez foram duas rep&oacute;rteres na casa do declarante em Guaratuba, uma morena e outra loira, fizeram v&aacute;rias perguntas sobre o desaparecimento do Aramis. Que depois viu um jornalzinho l&aacute; em Guaratuba, jornal este que era de Curitiba, que continha uma mat&eacute;ria com o que o declarante havia dito, mas n&atilde;o estava correta a mat&eacute;ria, pois tinha muita coisa distorcida.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Que o declarante, em data de hoje, antes de vir a esta delegacia, questionou a seu filho o que ele realmente sabia do Leandro no dia do show, tendo seu filho confirmado que o havia visto no meio da multid&atilde;o que assistia ao show do Moraes Moreira, n&atilde;o sabendo mais nada a respeito do desaparecimento.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O declarante s&oacute; sabe o que declarou at&eacute; agora, e acerca dos fatos n&atilde;o tem a m&iacute;nima ideia do que pode ter acontecido com o pequeno Leandro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/11\/1998-09-02-Antonio-Carlos-de-Castro-Vinagre.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Ant&ocirc;nio Carlos de Castro (1998)<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, o pai de Aramis confirmou a hist&oacute;ria de que o filho teria visto Leandro no<em> <\/em>show, e tamb&eacute;m afirmou que o filho havia sumido por algumas horas naquela noite. O<em> <\/em>que ele n&atilde;o menciona &eacute; que<em> <\/em>mais crian&ccedil;as teriam sumido.<\/p>\n\n\n\n<p>A mat&eacute;ria do Jornal Hora H fala de cinco crian&ccedil;as que sumiram:<em> <\/em>Leandro, Aramis e mais tr&ecirc;s. Ivan nunca conseguiu confirmar se esses outros tr&ecirc;s<em> <\/em>realmente existiram.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns meses depois do depoimento de Vinagre, o pr&oacute;prio Aramis prestou um depoimento. Na &eacute;poca ele tinha 14 anos, e estava acompanhado da m&atilde;e In&ecirc;s. Em seu curto depoimento, ele dizia o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>O declarante lembra-se do menino <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>, mas afirma que n&atilde;o o conhecia bem, apenas de vista, pois o declarante passava muitas vezes nas proximidades do Hotel VillaReal, onde a m&atilde;e de Leandro trabalhava. O declarante confirma que na noite em que ocorreu o show de Moraes Moreira encontrava-se passeando com sua m&atilde;e e acabou por perder-se na multid&atilde;o. Por&eacute;m, n&atilde;o pode afirmar o declarante se avistou <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> durante aquela noite. Somente que viu Leandro ao lado do Hotel VillaReal sozinho, mas n&atilde;o chegou a conversar com Leandro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/11\/1999-05-03-Aramis-Candido-de-Castro.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Depoimento de Aramis C&acirc;ndido de Castro (1999)<\/strong><\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, &eacute; uma s&eacute;rie de impasses. A hist&oacute;ria que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> ouviu era uma. A<em> <\/em>hist&oacute;ria que Vinagre contou era outra. E a hist&oacute;ria do pr&oacute;prio Aramis &eacute; uma<em> <\/em>terceira. Uma hora Aramis e Leandro s&atilde;o amigos, outra hora s&atilde;o s&oacute; conhecidos. Uma<em> <\/em>hora ele viu Leandro no show, outra hora n&atilde;o o encontrou no show, mas teria visto ele no Hotel<em> <\/em>VillaReal, que era perto do evento. Mas ele diz que n&atilde;o viu &agrave; noite, ent&atilde;o pode ser que<em> <\/em>tenha visto durante o dia.<\/p>\n\n\n\n<p>E a tal da hist&oacute;ria de que ele teria dito que &ldquo;todo mundo se deu bem, s&oacute; o Leandro se fodeu&rdquo;? Aramis n&atilde;o cita isso no depoimento. Mas no inqu&eacute;rito que a Pol&iacute;cia Federal fez do caso <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>, no ano de 2004, h&aacute; um relat&oacute;rio que diz o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Informamos que Aramis C&acirc;ndido est&aacute; preso no centro de triagem da Pol&iacute;cia Civil, e o mesmo informou que jamais falou a frase &ldquo;n&oacute;s se sa&iacute;mos bem e o Leandro se fodeu&rdquo; &ndash; nem para o Sr. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a>, nem para qualquer outra pessoa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/11\/2004-06-11-1-Informe-PF-sobre-Aramis-Ca%CC%82ndido-de-Castro.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Informe da PF sobre Aramis (2004)<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Qual &eacute; a verdade? O que aconteceu exatamente com Aramis naquela noite? Ser&aacute;<em> <\/em>que essa hist&oacute;ria tem alguma rela&ccedil;&atilde;o com o desaparecimento de Leandro?<\/p>\n\n\n\n<p>Aramis j&aacute; morreu. Ent&atilde;o, Ivan foi atr&aacute;s dos pais dele.<em> <\/em>No in&iacute;cio de 2023, ele visitou In&ecirc;s e Vinagre. Foi atendido por<em> <\/em>ela, que informou que o marido estava de cama e n&atilde;o poderia atender. Ela se recusou a dar entrevista, mas contou o que lembrava.<\/p>\n\n\n\n<p>In&ecirc;s disse que era a primeira vez que acontecia um show daquele tamanho na cidade, e que eles n&atilde;o estavam acostumados a grandes eventos. Foi a primeira vez que foram a um show de verdade. Chegaram na Praia Central por volta de 21h.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela afirmou que estava com Aramis e mais dois filhos tamb&eacute;m pequenos. Em certo momento, In&ecirc;s sentiu um pux&atilde;o. Quando notou, era Aramis que havia sumido na multid&atilde;o. Ela procurou pelo menino por um tempo, mas n&atilde;o o encontrou. Ela voltou para casa desesperada. O marido ainda estava trabalhando no ferry boat. Por volta de 23h, a pol&iacute;cia levou Aramis para casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao chegar, o garoto teria dito para ela que algumas pessoas teriam tentado levar ele dali, e por isso ele se escondeu embaixo do palco, entre madeiras, at&eacute; se sentir seguro para ir embora. Ele teria escapado sozinho.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, In&ecirc;s confirmou que Aramis e Leandro se conheciam, mas tamb&eacute;m disse que o filho nunca falou que viu Leandro naquela noite.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan tentou uma entrevista com o outro filho dela, Tiago &ndash; o menino mencionado na mat&eacute;ria do Jornal Hora H, em 1996. Ap&oacute;s meses de idas e vindas, ele tamb&eacute;m se recusou a falar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, os fatos s&atilde;o os seguintes: primeiro, ningu&eacute;m pode afirmar que viu Leandro no show. O &uacute;ltimo relato &eacute; de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/paulina-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Paulina Bossi<\/a> falando que mandou o menino voltar para casa do hotel &agrave;s 9h30 daquele s&aacute;bado, dia 15 de fevereiro. Sendo assim, &eacute; poss&iacute;vel que Leandro tenha sumido bem antes do show acontecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fato &eacute; que, aparentemente, pelo menos mais uma crian&ccedil;a desapareceu naquele dia: Aramis. Pode ser que ele tenha apenas se perdido de In&ecirc;s, o que n&atilde;o seria estranho de acontecer com uma m&atilde;e que n&atilde;o est&aacute; acostumada a ir em grandes shows e est&aacute; tentando cuidar de tr&ecirc;s filhos pequenos ao mesmo tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, In&ecirc;s contou que Aramis teria dito que tentaram lev&aacute;-lo, e que ele conseguiu fugir e se esconder. Se a mem&oacute;ria dela for boa e realmente foi isso que aconteceu, essa pode ser uma informa&ccedil;&atilde;o relevante. Em uma pequena cidade onde n&atilde;o h&aacute; hist&oacute;rico de crian&ccedil;as desaparecendo, muito menos sendo sequestradas, isso parece ser uma coincid&ecirc;ncia muito grande.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, pode ser que aqui tenha uma informa&ccedil;&atilde;o nova, que nunca foi levada a s&eacute;rio. Pode ser que o assassino de Leandro talvez buscasse mais v&iacute;timas naquele dia. Acima de tudo isso, o que Ivan acha mais esquisito &eacute; que nunca apareceu ningu&eacute;m que disse ter visto Leandro naquele dia. O mais pr&oacute;ximo disso foi a jovem misteriosa mencionada por uma mulher que contatou Lucas &ndash; e que n&atilde;o pode confirmar a hist&oacute;ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>RELA&Ccedil;&Atilde;O DE ADEMIR E LEANDRO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na conversa com Roseli, neste ano de 2023, a esposa de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> e madrasta de Leandro relatou um pouco do que sabia sobre a conviv&ecirc;ncia de Ademir com o irm&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Eu s&oacute; tenho a dizer o seguinte&hellip; N&atilde;o sei de onde eu ouvi isso, mas diziam que quem morava l&aacute; junto&hellip; Diz que era assim onde eles moravam nessa &eacute;poca, era o lugar onde moravam mais pessoas&hellip; Que o Ademir chegava e mandava o Leandro para a rua para ele poder dormir. E era bem ruim para o Ademir&hellip; Para o Leandro. E era bem ruim. Ele mandava o guri ir para a rua. E a&iacute; ele ficava para a rua, andando, brincando, pedindo, decerto&hellip; N&atilde;o sei fazendo o qu&ecirc;. A Paulina l&aacute; trabalhando, n&atilde;o podia ir com n&oacute;s&hellip; Que estava disposto a cuidar dele. Eu n&atilde;o trabalhava fora, podia muito bem cuidar dele direto. Criei os meus, custava criar ele tamb&eacute;m? Ent&atilde;o, ela deixava &agrave; toa, deixava &agrave; toa&hellip; E o Ademir era ruim para ele. Batia, surrava, tocava&hellip; S&oacute; que ele nunca falava isso para a gente. &ldquo;Pai, eu surro o Leandro&rdquo;. Mas o Jo&atilde;o sabia que o Ademir era ruim. O Ademir era bem agressivo, sempre foi bem estranho, sabe?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: O Ademir falou isso alguma vez para voc&ecirc;s?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Ele n&atilde;o falava nada. A gente sabia por&hellip; Assim, falavam que o Ademir sempre era ruim assim, n&atilde;o era bom para o Leandro&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o tinha muita paci&ecirc;ncia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: N&atilde;o. N&atilde;o, queria dormir e mandava o Leandro para a rua, s&oacute; isso. Um dia, h&aacute; muitos anos, n&atilde;o sei quem, n&atilde;o me lembro tamb&eacute;m&hellip; Falaram isso para mim, que o Ademir era muito ruim para o Leandro. Mas s&oacute; que eu n&atilde;o consigo lembrar quem foi. Eram pessoas pr&oacute;ximas l&aacute;, que moravam l&aacute; perto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas fazia todo sentido o Leandro chegar em casa, o Ademir estar em casa e mandar ele para a rua&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: Manda ir para a rua&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Manda para a rua, que eu quero dormir.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Roseli: V&aacute; embora, que eu n&atilde;o quero voc&ecirc; aqui, que eu preciso dormir.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na entrevista com Lucas Bossi, Ivan tamb&eacute;m debateu sobre a possibilidade de, no dia do desaparecimento, Ademir ter pedido para Leandro sair de casa para ele conseguir dormir. E, depois disso, o garoto nunca mais foi visto.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ent&atilde;o, o Leandro chega. Vamos imaginar a situa&ccedil;&atilde;o, o que seria uma t&iacute;pica manh&atilde; de s&aacute;bado. Era um s&aacute;bado de alta temporada, n&eacute;? Todo mundo trabalhando que nem louco, vai ter show do Moraes Moreira. Parece que ia ter show do Trem da Alegria tamb&eacute;m, que era outro conjunto famoso da &eacute;poca, infantil. Chega o Leandro, vai trocar de roupa. Eles viviam em uma meia-&aacute;gua, ent&atilde;o &eacute; uma casinha bem pequena. Come&ccedil;a a atrapalhar o Ademir, o Ademir manda o Leandro ir embora: &ldquo;sai de casa&rdquo;. E o Leandro sai. E da&iacute; a gente n&atilde;o sabe onde o Leandro passa aquele dia inteiro. Isso me chamava sempre a aten&ccedil;&atilde;o. Do tipo: t&aacute;, mas ningu&eacute;m viu ele durante o dia? Ningu&eacute;m?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: &Eacute; inacredit&aacute;vel&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sabe? Como assim ningu&eacute;m? Porque, assim, uma coisa &eacute; dizer que ningu&eacute;m viu&hellip; Depois da pris&atilde;o, todo mundo acha que &eacute; assassinado, n&atilde;o sei o qu&ecirc;. Mas ningu&eacute;m viu. Ent&atilde;o, eu tenho a forte impress&atilde;o, Lucas, que o Leandro some j&aacute; de manh&atilde;, que ele n&atilde;o est&aacute; no show do Moraes Moreira. E isso eu me baseio no seguinte: quem conta a hist&oacute;ria do Moraes Moreira no inqu&eacute;rito&hellip; N&atilde;o sei o que aconteceu de verdade, mas no inqu&eacute;rito, tem aquele momento que aparece o Vinagre falando, que era um condutor de ferry boat, que era o pai do Aramis, n&eacute;? Que o Aramis j&aacute; faleceu&hellip; Mas o Vinagre d&aacute; um depoimento dizendo assim: &ldquo;o meu filho Aramis desapareceu na noite do show do Moraes Moreira, chegou em casa de madrugada com a Pol&iacute;cia Militar, e anos depois ele disse que o Leandro estava no show tamb&eacute;m&rdquo;. E da&iacute; que vem a famosa hist&oacute;ria do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a> sempre falar que&hellip; E o Ademir tamb&eacute;m falar&hellip; Que naquela noite todo mundo se deu bem, s&oacute; o Leandro se fodeu. Isso voc&ecirc; j&aacute; deve ter ouvido tamb&eacute;m deles direto. &Eacute; uma hist&oacute;ria que eu sempre ouvi.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Exato. &Eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o ter algu&eacute;m que conhecia ele, nenhum adulto que&hellip; Eu tamb&eacute;m fico intrigado com tudo isso. E eu te pergunto, aproveito que a gente falou sobre isso e te pergunto: existe algum outro adulto que afirma ter visto o Leandro no show do Moraes Moreira?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o, ningu&eacute;m. Ningu&eacute;m.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Nenhuma outra pessoa?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: N&atilde;o. O que existe era uma hist&oacute;ria de que o Leandro teria sido visto no show e teria inclusive subido no palco para uma apresenta&ccedil;&atilde;o de palha&ccedil;os. E que da&iacute; correram atr&aacute;s desses palha&ccedil;os, n&atilde;o encontraram nada. N&atilde;o sei, acho muito estranho tamb&eacute;m porque&hellip; T&aacute;, quem viu? Quem viu ele no palco? Ah, uma crian&ccedil;a loirinha subiu no palco. T&aacute;, pode ter sido qualquer crian&ccedil;a, sabe? Ent&atilde;o, a gente n&atilde;o sabe quem viu.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: &Eacute;. E, assim, hoje&hellip; Por exemplo, eu vivi ali no Cabaraquara de 2000 a 2015, por a&iacute;. Ent&atilde;o, assim, se eu ia para uma festa no centro da cidade, uma ou outra pessoa eu conhecia. Agora imagine em 90. Qualquer adulto que estivesse curtindo o show do Moraes Moreira, sem ser turista, que fosse morador, ia reconhecer o Leandro, eu acho&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Eu acho muito improv&aacute;vel assim, sabe? E ia achar estranho o Leandro sozinho, a n&atilde;o ser que&hellip; J&aacute; devia ir direto sozinho mesmo, n&eacute;? Ai, &eacute; que assim&hellip; &Agrave;s vezes para mim &eacute; dif&iacute;cil entender&hellip; Porque ele era muito jovem para andar sozinho, ainda mais de noite. Eu n&atilde;o consigo entender isso, sabe? N&atilde;o consigo entender. Para mim &eacute; dif&iacute;cil. Eu n&atilde;o consigo digerir essa informa&ccedil;&atilde;o de que o Leandro teria essa autonomia. Vamos imaginar que isso existiu, que o Leandro esteve&hellip; Voc&ecirc; estava fazendo ali a reconstitui&ccedil;&atilde;o para mim de como foi o dia dele. T&aacute;, ele foi pra casa, se trocou, o Ademir mandou ele ir embora, sair. Onde o Leandro almo&ccedil;ou?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Gente, o show &eacute; de noite. Isso teria sido de manh&atilde;. Em nenhum outro momento a Paulina ou o Ademir veem ele o dia inteiro. &Eacute; inadmiss&iacute;vel para mim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Vamos imaginar que algum amigo ou pai pegou o Leandro para almo&ccedil;ar. &ldquo;N&atilde;o, vem comer aqui&rdquo;. Ou ele pediu comida. Algu&eacute;m estaria falando: &ldquo;n&atilde;o, aquele menino estava aqui, o Leandro. Ele comeu l&aacute; em casa&rdquo;. N&atilde;o tem nada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Ningu&eacute;m fala, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ningu&eacute;m. N&atilde;o tem nenhuma informa&ccedil;&atilde;o disso. O Leandro some e s&oacute; aparece no show. Isso para mim &eacute; muito estranho. Ent&atilde;o, de novo, voc&ecirc; foi certeiro nessa: onde ele almo&ccedil;ou? Ele n&atilde;o foi no banheiro durante o dia, n&eacute;? Nada&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: &Eacute;. Tipo assim, t&aacute;, ele morava ali, podia ser uma casa simples, mas &eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o ter uma vizinha ou um vizinho que n&atilde;o viu. Ent&atilde;o, confirmando o que voc&ecirc; falou, talvez ele nem tenha&hellip; Ele tenha sumido de manh&atilde; mesmo. Isso &eacute; uma coisa muito mal explicada, que isso para mim&hellip; N&atilde;o entra na minha cabe&ccedil;a. De manh&atilde; a Paulina mandou ele para casa, e s&oacute; de madrugada eles v&atilde;o perceber que o menino some? O menino tem sete anos, sabe? Isso me intriga a ponto de&hellip; De ser bem complicado perguntar isso&hellip; Por isso que eu nunca perguntei para o Ademir, sabe? Olha, pensando bem, devia ter perguntado mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute;, mas assim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Porque isso me intriga.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Intriga, mas ao mesmo tempo lembrar&hellip; O que eles falariam? Naquela &eacute;poca era assim mesmo, as crian&ccedil;as andavam soltas, ningu&eacute;m se preocupava. E, assim, hoje, se voc&ecirc; for para Guaratuba, voc&ecirc; vai ver crian&ccedil;a super jovem andando por a&iacute; tamb&eacute;m sozinha, t&aacute;? Ent&atilde;o, cidade pequena&hellip; At&eacute; eu falando com o delegado de l&aacute; e perguntando: &ldquo;mas tem crime contra crian&ccedil;a aqui?&rdquo;. Ele disse assim: &ldquo;olha, Ivan, alguns anos atr&aacute;s tinha muito crime de viol&ecirc;ncia sexual contra meninas, principalmente no Cubat&atilde;o, que &eacute; mais longe e tal&rdquo;. Ali tem outra cultura familiar tamb&eacute;m de tradi&ccedil;&otilde;es que s&atilde;o criminosas, n&eacute;? De tipo, o pai tirar a virgindade da filha. Ent&atilde;o, isso tinha, mas hoje em dia n&atilde;o tem mais. &ldquo;Ent&atilde;o, assim, desaparecimento, morte de crian&ccedil;a n&atilde;o tem aqui&rdquo;. Ele disse assim: &ldquo;crime em Guaratuba &eacute; briga de vizinho e tr&aacute;fico de drogas, sabe?&rdquo;. Coisa pequena&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Lucas: Agora voc&ecirc; toca em um ponto. Agora voc&ecirc; toca em um ponto, t&aacute;? Isso n&atilde;o existe mais. Esse serial killer parou ou morreu.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ou mudou de cidade. Mudou de cidade. Eu acho mais prov&aacute;vel que tenha mudado de cidade. N&atilde;o acho que esteja l&aacute; ainda. Mas acho que a gente pode tentar puxar algum rastro dele. Alguma coisa tem que ter. Algu&eacute;m sabe de alguma coisa. Isso que eu sempre falo. Algu&eacute;m sabe de alguma coisa. Talvez n&atilde;o saiba o que sabe. N&atilde;o perceba a import&acirc;ncia do que sabe.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>CASA DA PAULINA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na falta de maiores informa&ccedil;&otilde;es, Ivan come&ccedil;ou a se questionar uma coisa muito b&aacute;sica: afinal de contas, onde era a casa de Paulina em 1992?<\/p>\n\n\n\n<p>No inqu&eacute;rito de Leandro, o endere&ccedil;o que aparece l&aacute; &eacute; vago: Avenida Paran&aacute;, sem n&uacute;mero. A Avenida Paran&aacute;, que corta praticamente a cidade inteira, &eacute; uma das maiores de Guaratuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Na &eacute;poca, ela era uma estrada de terra, e muito provavelmente a maior parte das casas n&atilde;o tinha n&uacute;mero mesmo. Ivan chegou a perguntar para a pr&oacute;pria Paulina se ela lembrava onde morava, mas ela n&atilde;o soube dizer. Mesmo que a levasse para Guaratuba para tentar encontrar a casa, isso provavelmente n&atilde;o seria muito eficaz, pois Paulina mora em Curitiba h&aacute; mais de 20 anos, e Guaratuba mudou muito.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tornar a situa&ccedil;&atilde;o mais complicada, Paulina tamb&eacute;m afirmou que eles se mudavam muito, pois eram pobres e estavam sempre com dificuldades. Mas ela disse se lembrar que havia um mercadinho perto de casa, cujo dono era um japon&ecirc;s, e que ela costumava ir l&aacute;.<\/p>\n\n\n\n<p>N&atilde;o h&aacute; muitos japoneses em Guaratuba. Donos de mercadinho ent&atilde;o, muito menos. E isso deveria ser tudo ali perto da Avenida Paran&aacute;. Essas eram algumas pistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra pista um pouco mais precisa, Ivan encontrou nos autos do caso Evandro, em um dos anexos com relat&oacute;rios do Grupo Tigre, da Pol&iacute;cia Civil &ndash; a equipe respons&aacute;vel pelas investiga&ccedil;&otilde;es iniciais do desaparecimento do menino. Nesse anexo, h&aacute; um papel cheio de anota&ccedil;&otilde;es escritas &agrave; m&atilde;o. Em uma delas, aparece o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>15 de fevereiro De 1992<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>M&atilde;e: Paulina Rudy Bossi<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Pai: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/joao-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Bossi<\/a><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>8 Anos<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Loiro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Olhos Verdes<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Avenida Paran&aacute; &ndash; sem n&uacute;mero<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Perto da Associa&ccedil;&atilde;o dos Fiscais<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Col&ocirc;nia Vila Esperan&ccedil;a<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/11\/SEM-DATA-Anotac%CC%A7o%CC%83es-a-ma%CC%83o-sobre-Leandro-Bossi.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Anota&ccedil;&atilde;o do Grupo Tigre sobre endere&ccedil;o de Paulina<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Associa&ccedil;&atilde;o dos Fiscais &eacute; um local bem conhecido em Guaratuba. Ela &eacute; bem grande, e<em> <\/em>ocupa uma quadra inteira. Uma das ruas que passam por ela &eacute; a Avenida Paran&aacute;. Ent&atilde;o, em 1992, aquela era a refer&ecirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isso em m&atilde;os, Ivan e a jornalista Natalia Filippin, que o acompanhou nessas investiga&ccedil;&otilde;es, come&ccedil;aram a percorrer toda a regi&atilde;o, conversando com moradores antigos, buscando informa&ccedil;&otilde;es sobre um mercado que teria um dono japon&ecirc;s na d&eacute;cada de 1990. Isso foi em uma das idas at&eacute; Guaratuba, no in&iacute;cio de 2023.<\/p>\n\n\n\n<p>E eles encontraram o prov&aacute;vel local do mercado. O estabelecimento n&atilde;o existe mais, e o dono se mudou para outra cidade no interior do Paran&aacute;. Mas, com isso, eles j&aacute; conseguiram marcar o ponto no mapa. Nesse mesmo mapa, delimitaram uma &aacute;rea circular que ia da Col&ocirc;nia dos Fiscais at&eacute; o antigo mercado do japon&ecirc;s, e estabeleceram a seguinte hip&oacute;tese: Paulina deveria morar nesta regi&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Meses se passaram, Ivan e Natalia visitaram Guaratuba mais algumas vezes para apura&ccedil;&otilde;es. Em uma delas, conversaram com algumas pessoas na Associa&ccedil;&atilde;o dos Fiscais, que sugeriram que eles procurassem uma mulher chamada <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/antonia-borges\/\" target=\"_self\" title=\"Uma das moradoras mais antigas de Guaratuba, foi vizinha de Paulina Bossi\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nia Borges<\/a>, uma das moradoras mais antigas da regi&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles seguiram as instru&ccedil;&otilde;es e encontraram a dona Ant&ocirc;nia, ou &ldquo;Tonha&rdquo;, como &eacute; mais conhecida. Em 1992, naquele mesmo im&oacute;vel onde mora at&eacute; hoje, ela tinha um bar, o &ldquo;Bar da Tonha&rdquo;. &Eacute; um local bem conhecido na regi&atilde;o, especialmente pelas festas que ela faz com as crian&ccedil;as todo m&ecirc;s de outubro.<\/p>\n\n\n\n<p>Dona Ant&ocirc;nia &eacute; um patrim&ocirc;nio desconhecido de Guaratuba. E ela lembra bem de Leandro. Eles eram vizinhos. A casa dela, de fato, ficava bem pr&oacute;xima da &aacute;rea que Ivan e Natalia haviam delimitado no mapa de Guaratuba.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: O meu nome &eacute; Maria <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/antonia-borges\/\" target=\"_self\" title=\"Uma das moradoras mais antigas de Guaratuba, foi vizinha de Paulina Bossi\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nia Borges<\/a>. Eu tenho 75 anos e moro aqui h&aacute; 50 e poucos anos j&aacute;&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: A senhora &eacute; uma das moradoras, ent&atilde;o, mais antigas&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Mais antiga daqui &eacute; eu&hellip; Eu e essa quadra inteirinha aqui &eacute; dos antigos, n&eacute;? Que n&oacute;s viemos de l&aacute; da praia, que tiraram n&oacute;s de l&aacute; e botaram para c&aacute;, e a gente est&aacute; aqui at&eacute; hoje.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mudaram voc&ecirc;s de l&aacute; por&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: &Eacute;, l&aacute; da beira da praia. A Marinha tirou porque precisava, e da&iacute; o prefeito deu aqui o terreno para n&oacute;s, e da&iacute; n&oacute;s estamos aqui at&eacute; hoje. Teve uns que j&aacute; venderam e se mandaram, outros j&aacute; morreram, mas n&oacute;s estamos aqui ainda.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim. A senhora, em 92, morava do lado do Leandro&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: &Eacute; aqui mesmo, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute; aqui mesmo. Naquela casa ali atr&aacute;s que a senhora falou, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Isso, aham.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eu lembro que&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: &Eacute; do lado da minha, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Do lado da sua. E eles estavam h&aacute; pouco tempo morando aqui, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: &Eacute;, fazia pouco tempo sim&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Pouco tempo, t&aacute;. Que ele desapareceu em fevereiro de 92, ent&atilde;o ele deve ter se mudado para c&aacute; quando, assim? A senhora lembra?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Ah, eu acho que j&aacute; fazia um ano, um ano e pouquinho, que eles estavam aqui j&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;. E era uma fam&iacute;lia bem pobre, bem simples, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Simples, aham. Eles eram simples mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim. Como era? A senhora tinha um bar naquela &eacute;poca?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Tinha. Tinha o bar aqui. Da&iacute; as crian&ccedil;as vinham brincar junto com os meus, tudo. O Leandro brincava bastante aqui com as crian&ccedil;as. E assim a gente deixava, porque toda vida&hellip; Depois tamb&eacute;m fazia aquele sop&atilde;o, ele vinha aqui. Dia de festa tamb&eacute;m, eles comiam bolo, essas coisaradas aqui com n&oacute;s, n&eacute;? Ent&atilde;o, era uma crian&ccedil;a muito querida, que a gente sentiu muito&hellip; Com a fam&iacute;lia tamb&eacute;m, que sofreu com isso a&iacute;, n&eacute;? Porque foi um baque para todo mundo aqui em Guaratuba.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim. Mas me fala um pouquinho&hellip; Que a gente tem muita curiosidade de saber como ele era como crian&ccedil;a mesmo. Ele era divertido, era capeta?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: N&atilde;o, ele era&hellip; Ele era conversador, ele brincava, ele ria. Ele vivia toda a vida feliz, assim, alegre, brincando. Nunca estava triste, assim, toda vida. Era respeitador. Chegava aqui, brincava. A gente falava as coisas para ele, e ele s&oacute; dava risada. Era assim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Lembra de alguma hist&oacute;ria dele, assim? Alguma coisa que te lembra&hellip; Que ele fez?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Assim, n&atilde;o me lembro muito&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: O que ele gostava de fazer?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Ah, ele gostava de estar jogando bafo com as crian&ccedil;as, bola, soltar, jogar [&hellip;], essas bolinhas que jogam. Era isso que ele fazia na frente do meu bar aqui.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Brincava com os seus filhos tamb&eacute;m.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Brincava com os filhos, com os filhos de vizinhos, porque aqui era cheio, ent&atilde;o todo mundo se juntava, a crian&ccedil;ada, e ele brincava. Ele era muito querido. Os pais dele tamb&eacute;m s&atilde;o muito&hellip; As pessoas bem&hellip; Assim, n&atilde;o eram pessoas ruins, nada. O pai dele vinha sempre conversar comigo aqui, a m&atilde;e dele passava e conversava comigo&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim. &Eacute; que o pai n&atilde;o morava aqui. O pai morava em outro lugar.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: &Eacute;. Mas ele&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas ele vinha para c&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: &Eacute;. Eu n&atilde;o sei se era pai ou era tio dele. Eu sei que&hellip; Ou ele morava aqui e depois foi embora, n&atilde;o sei. N&atilde;o sei tamb&eacute;m. Assim, que a gente convivia, via ele&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Sim, sim, sim. Quem morava, que a gente sabe, era a Paulina, a m&atilde;e; o Ademir, que era o filho mais velho, tinha uns 16 anos; e o Leandro, que tinha uns oito.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: &Eacute;. O Ademir sempre vinha aqui buscar o irm&atilde;o, que estava brincando, e a m&atilde;e queria falar com ele. &ldquo;E v&aacute; l&aacute;, que tu deixou ele ficar jogado, n&atilde;o sei o qu&ecirc;&hellip;&rdquo;. E l&aacute; ia, ent&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Aham, sim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Mas ele era muito divertido.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por meio da Dona Ant&ocirc;nia, Ivan e Natalia conheceram um pouco mais da rotina de Leandro. Enquanto a m&atilde;e e o irm&atilde;o trabalhavam, Leandro passava o dia no Bar da Tonha. Brincava com os filhos dela, jogava bafo na mesa de sinuca.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os jornalistas, a melhor parte de conversar com a dona Ant&ocirc;nia foi justamente poder acessar uma imagem diferente de Leandro. De uma crian&ccedil;a que, apesar de toda a hist&oacute;ria tr&aacute;gica, se divertia, tinha suas brincadeiras, era querido pelos vizinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um dos raros momentos em que Ivan deixou de ver Leandro apenas como uma v&iacute;tima de um crime horr&iacute;vel e p&ocirc;de vislumbrar algum momento de felicidade que ele teve em vida.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: A senhora falou sobre o dia do show. O que a senhora lembra desse dia?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Ah, eu lembro, assim, que ele falou: &ldquo;hoje eu vou para praia, vou l&aacute; ver o show&rdquo;. Da&iacute; a turma que estava aqui disse: &ldquo;ah, n&oacute;s tamb&eacute;m vamos, n&oacute;s tamb&eacute;m vamos com a minha m&atilde;e, o meu pai&rdquo;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: A senhora lembra que horas foi isso, do dia?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Ah, era de tarde, mais ou menos. Eu estava aqui atendendo no bar, e eles estavam a&iacute;, brincando, da&iacute; ele falou&hellip; Acho que era umas cinco horas, mais ou menos, cinco e pouco da tarde. Porque eles estavam brincando, a&iacute; ele falou isso&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: A senhora abria o bar aos s&aacute;bados?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Abria.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: E ele ficava aqui durante o dia?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Ele brincava a&iacute; com a crian&ccedil;ada, tinha bastante crian&ccedil;a, n&eacute;? Ent&atilde;o a crian&ccedil;ada&hellip; Era o que mais brincava, era na rua, jogando v&ocirc;lei. &Agrave;s vezes eles montavam rede aqui no meio, porque n&atilde;o tinha aquela folia de carro, n&eacute;? A&iacute; montava uma rede ali, eles iam jogar v&ocirc;lei. O meu sobrinho vinha l&aacute; de Curitiba, da&iacute; jogava v&ocirc;lei com as crian&ccedil;as, ensinava a crian&ccedil;ada a jogar v&ocirc;lei. E era bonito de ver assim, sabe?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Eu pergunto isso porque, naquele s&aacute;bado de manh&atilde;, o Leandro volta para casa depois que a Paulina mandou ele voltar para trocar de roupa. Ele troca de roupa, e a gente n&atilde;o sabe o que acontece depois.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Pois &eacute;, aqui ele n&atilde;o veio tamb&eacute;m depois. Ele veio mais cedo. Ele estava brincando cedo a&iacute;. A&iacute; o irm&atilde;o&hellip; Parece que chamou ele, ele foi. Mas eu depois n&atilde;o vi&hellip; S&oacute;&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Naquele s&aacute;bado de manh&atilde;, a senhora pode ter visto ele?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Eu n&atilde;o me lembro bem, assim, se ele estava aqui&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: &Eacute; que a gente sup&otilde;e que ele chegou em casa l&aacute; por umas dez, dez e meia&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Da noite?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Da manh&atilde;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Ah, da manh&atilde;. N&atilde;o, isso eu n&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Da&iacute; ele deve ter vindo para c&aacute; depois&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Eu n&atilde;o me lembro se era s&aacute;bado. Eu sei que juntava a crian&ccedil;ada tudo a&iacute;, e eles estavam brincando. Sempre brincavam assim, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: S&aacute;bado de manh&atilde;, o seu bar j&aacute; estava aberto?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Eu sempre abria de manh&atilde;. Mas n&atilde;o me lembro se ele estava por aqui s&aacute;bado de manh&atilde;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Mas &eacute; poss&iacute;vel que ele tenha passado por aqui no s&aacute;bado? Vou perguntar para a senhora se &eacute; poss&iacute;vel. Ele sai de casa com a roupinha nova dele, chega aqui. Voc&ecirc;s perguntam o que ele vai fazer, da&iacute; ele diz: &ldquo;eu vou para o show de noite&rdquo;. Faz sentido essa hist&oacute;ria?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Isso a&iacute;&hellip; Eu n&atilde;o me lembro. Eu me lembro de ele falar&hellip; Acho que foi em uma sexta-feira que ele estava falando que ele ia na festa&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ah, pode ser no dia anterior ele falando &ldquo;eu vou no show&rdquo;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Brincando aqui na mesa de bafo, de coisarada a&iacute;&hellip; Ele falava que ele tamb&eacute;m ia no show.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: T&aacute;, t&aacute;. Faz sentido.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os jornalistas tentaram contato com os filhos da dona Ant&ocirc;nia, mas nenhum respondeu os recados. Provavelmente, eles t&ecirc;m receio de falar, visto tantas hist&oacute;rias absurdas que ouviram ao passar dos anos. Isso &eacute; algo muito comum neste caso: quem realmente sabe de algo, ou pode saber de algo, evita falar sobre isso.<\/p>\n\n\n\n<p>A esperan&ccedil;a de Ivan era que talvez algum dos filhos ou parentes da dona Ant&ocirc;nia fosse uma das pessoas que tivessem visto Leandro naquele s&aacute;bado durante o dia. De repente, uma delas &eacute; quem teria comentado que ele estava bem arrumado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, o encontro com a dona Ant&ocirc;nia foi &uacute;til. Com ela, os jornalistas conseguiram descobrir a prov&aacute;vel localiza&ccedil;&atilde;o da casa de Paulina, Ademir e Leandro naquela &eacute;poca. O que faz Ivan crer que essa informa&ccedil;&atilde;o &eacute; confi&aacute;vel s&atilde;o momentos como esse:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Natalia: E a senhora lembra como foi a como&ccedil;&atilde;o ap&oacute;s o desaparecimento do Leandro? Como foi que a Paulina agia, assim? Falava com a senhora?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Ela n&atilde;o falava muito, assim, sabe?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nat&aacute;lia: Ela &eacute; quietinha.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ant&ocirc;nia: Ela n&atilde;o era muito, assim, de falar. S&oacute; que quando ela passava aqui, a gente perguntava, n&eacute;? Que ela vivia triste, chorando. A gente perguntava se achou, se tinha aparecido. Da&iacute; ela dizia que n&atilde;o&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Essa quest&atilde;o da dona Ant&ocirc;nia lembrar que Paulina n&atilde;o falava muito faz Ivan acreditar que ela realmente a conhecia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A localiza&ccedil;&atilde;o da casa bate com a proximidade da Col&ocirc;nia dos Fiscais, da Avenida Paran&aacute; e do antigo mercadinho do japon&ecirc;s. Todos esses lugares s&atilde;o estimativas, mas &eacute; o melhor que encontraram.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SEMELHAN&Ccedil;A GEOGR&Aacute;FICA&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A antiga casa de Paulina em 1992 fica a 700 metros da Col&ocirc;nia dos Fiscais, o que d&aacute; umas duas ou tr&ecirc;s quadras. Era o ponto de refer&ecirc;ncia mais conhecido da regi&atilde;o naquela &eacute;poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Desta casa at&eacute; o Hotel VillaReal a p&eacute;, gasta-se uns 30 minutos &ndash; o que bate com a informa&ccedil;&atilde;o do tempo que Paulina levava para chegar at&eacute; o trabalho. E tudo isso &eacute; relevante porque Ivan queria montar um mapa de Guaratuba com todos os locais de eventos importantes, especialmente partindo da hip&oacute;tese de que os casos de Leandro e Evandro podem estar conectados.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os locais marcados no mapa est&atilde;o: a casa de Leandro; o Hotel VillaReal; a casa de Evandro; a escola Olga Silveira &ndash; onde a m&atilde;e de Evandro trabalhava, e tamb&eacute;m o local de onde Evandro saiu para ir para casa e nunca mais voltou; o matagal onde seus corpos foram encontrados; e por a&iacute; vai.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/11\/Mapa-Guaratuba-1985.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mapa Guaratuba 1985<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/11\/Mapa-Guaratuba-2001.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mapa Guaratuba 2001<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>*<em>Imagens de sat&eacute;lite da regi&atilde;o extra&iacute;das do Google Earth. N&atilde;o h&aacute; imagem de 1992. A mais antiga &eacute; de 1985, que est&aacute; com resolu&ccedil;&atilde;o muito baixa. A pr&oacute;xima que existe &eacute; de 2001, com melhor resolu&ccedil;&atilde;o. Disponibilizamos as duas para se ter uma ideia de como era uma regi&atilde;o pouco desenvolvida em 1992 &ndash; diferente de hoje (2023), onde podemos ver muitas casas pelas &aacute;reas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Quando Ivan olhou para todos esses lugares marcados, levou um susto. No <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/leandro-bossi\/1-o-caso-leandro-bossi-s06e01\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">epis&oacute;dio 01<\/a>, ele mencionou que o matagal onde os corpos foram encontrados ficava entre a Rua Engenheiro Beltr&atilde;o e a Rua das Arauc&aacute;rias, que &eacute; popularmente conhecida como &ldquo;Rua das Palmeiras&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse nome, &ldquo;Rua das Palmeiras&rdquo;, &eacute; sempre citado quando pessoas da regi&atilde;o s&atilde;o questionadas sobre onde o corpo de Evandro foi encontrado. No caso da ossada de Leandro, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leocadio-miranda\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que viu a ossada de Leandro no matagal e relatou &agrave; pol&iacute;cia\" class=\"encyclopedia\">Leoc&aacute;dio Miranda<\/a>, o primeiro adulto a ir para o local, disse tamb&eacute;m que chegou at&eacute; l&aacute; dirigindo pela Rua das Palmeiras e entrando na mata pelo lado do passageiro.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ent&atilde;o voc&ecirc; subiu ali a Rua das Arauc&aacute;rias. Voc&ecirc; parou, desceu do carro, do seu lado de motorista, e j&aacute; foi para o lado do passageiro? Foi assim?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Leoc&aacute;dio: &Eacute;. Era do lado do passageiro.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Do lado do passageiro. Ent&atilde;o era do lado direito.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Leoc&aacute;dio: Era do lado direito, era do lado direito. Ficava do lado direito.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ivan: Ent&atilde;o voc&ecirc; parou o carro j&aacute; na altura onde estava o corpo&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Leoc&aacute;dio: Isso. Parei na altura. Se n&atilde;o me engano, o pi&aacute; tinha a refer&ecirc;ncia de uma palmeira, se eu n&atilde;o me engano, pr&oacute;ximo&hellip; Ele tinha uma refer&ecirc;ncia j&aacute;. Se n&atilde;o me engano, tinha um coqueiro, n&eacute;? Uns falam palmeira, outros falam coqueiro&hellip;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Isso tudo foi revelador para Ivan porque, ao olhar todos os pontos no mapa, &eacute; poss&iacute;vel notar duas coisas muito importantes, que aparentemente nunca foram levadas em considera&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Primeiro, que a &aacute;rea onde Evandro foi visto pela &uacute;ltima vez, em torno da sua casa e da escola Olga Silveira, era relativamente pr&oacute;xima de onde se sabe que Leandro esteve pela &uacute;ltima vez &ndash; a sua casa. A escola Olga Silveira fica exatamente na mesma rua da Col&ocirc;nia dos Fiscais, a umas quatro quadras de dist&acirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel que o assassino de Evandro e Leandro rondasse aquela regi&atilde;o em busca de v&iacute;timas. Al&eacute;m da semelhan&ccedil;a f&iacute;sica entre os dois garotos, aparentemente existia mais uma semelhan&ccedil;a: a geogr&aacute;fica.<\/p>\n\n\n\n<p>A tal Rua das Palmeiras, uma refer&ecirc;ncia t&atilde;o importante para os dois casos, tamb&eacute;m chama a aten&ccedil;&atilde;o. Isso porque ela come&ccedil;a exatamente na Escola Olga Silveira.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Ivan, isso est&aacute; longe de ser uma coincid&ecirc;ncia, pois h&aacute; ind&iacute;cios de um modo de agir: uma &aacute;rea de ca&ccedil;a, uma rota e um ponto de desova de v&iacute;timas. E isso refor&ccedil;a uma cren&ccedil;a que muitas pessoas t&ecirc;m nesses casos: quem matou esses meninos conhecia muito bem a cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan come&ccedil;ou, ent&atilde;o, a olhar para a Escola Olga Silveira e rever as anota&ccedil;&otilde;es sobre o caso Evandro. Foi quando se lembrou de mais um fato intrigante em torno da escola.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos autos do caso Evandro, h&aacute; partes de um inqu&eacute;rito de uma den&uacute;ncia de dois irm&atilde;os, menores de idade. No documento, eles falam que, poucos dias antes de Evandro desaparecer em abril de 1992, foram perseguidos por um homem perto da Escola Olga Silveira. Um suspeito chegou a ser preso, mas nada foi levantado contra ele.<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-content\/uploads\/sites\/4\/2023\/11\/Caso-Irma%CC%83os-Franc%CC%A7a.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Den&uacute;ncia dos irm&atilde;os Fran&ccedil;a<\/a><\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, em uma mesma &aacute;rea, em uma cidade pequena, no per&iacute;odo de dois meses, houve pelo menos tr&ecirc;s ocorr&ecirc;ncias envolvendo crian&ccedil;as sumindo ou com tentativa de sequestro. Mas as coincid&ecirc;ncias n&atilde;o param a&iacute;.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 15 de fevereiro de 1992, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> desaparece. &Eacute; prov&aacute;vel que ele tenha sido sequestrado ainda de manh&atilde;, perto de sua casa, j&aacute; que n&atilde;o h&aacute; nenhuma testemunha que confirme que ele esteve no show do Moraes Moreira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m disso, seu amiguinho da &eacute;poca, Aramis, tamb&eacute;m chegou a sumir por algumas horas, isso durante o show na Praia Central, que fica mais afastada dessa &aacute;rea em torno da Escola Olga Silveira.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase dois meses depois, em data incerta, dois irm&atilde;os est&atilde;o passando pela escola e dizem terem sido perseguidos por um homem do qual tiveram que fugir.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 6 de abril de 1992, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/encyclopedia\/evandro-ramos-caetano\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida e encontrada morta em abril de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Evandro Ramos Caetano<\/a> &eacute; sequestrado. O caso foi contaminado por uma s&eacute;rie de histerias coletivas e hist&oacute;rias sem fundamento sobre seita sat&acirc;nica, sacrif&iacute;cio e bruxas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao olhar para algumas testemunhas ignoradas na &eacute;poca do caso Evandro, &eacute; poss&iacute;vel perceber o seguinte: pelo menos duas delas indicavam que Evandro teria sido sequestrado ou estado em cativeiro com outras crian&ccedil;as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, as v&iacute;timas citadas s&atilde;o: Leandro e Aramis, os dois irm&atilde;os em torno da Escola Olga Silveira, Evandro e outras crian&ccedil;as. Seria coincid&ecirc;ncia? Histeria coletiva? Ou seria outro padr&atilde;o nunca olhado com aten&ccedil;&atilde;o? &Eacute; o que Ivan abordar&aacute; no pr&oacute;ximo epis&oacute;dio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Fam\u00edlia Bossi<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":25,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/268"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=268"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=268"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/caso-leandro-bossi\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=268"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}