{"id":984,"date":"2023-02-02T00:01:00","date_gmt":"2023-02-02T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=984"},"modified":"2023-02-01T12:07:18","modified_gmt":"2023-02-01T15:07:18","slug":"extras-episodio-30","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-30\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 30"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>A TERCEIRA REVELA&Ccedil;&Atilde;O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No epis&oacute;dio anterior, o podcast prometeu trazer &agrave; tona tr&ecirc;s revela&ccedil;&otilde;es sobre a equipe da Pol&iacute;cia Federal (PF) que foi para Altamira na d&eacute;cada de 1990. Duas j&aacute; foram abordadas: o que levou os agentes at&eacute; l&aacute;, e o conte&uacute;do do relat&oacute;rio que eles produziram em 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira &eacute; referente ao marceneiro e ex-bate-pau <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/edmilson-da-silva-frazao\/\" target=\"_self\" title='Testemunha que diz ter participado de uma \"missa negra\" na ch&aacute;cara de An&iacute;sio' class=\"encyclopedia\">Edmilson da Silva Fraz&atilde;o<\/a>, uma das principais testemunhas de acusa&ccedil;&atilde;o. Em 2022, Ivan Mizanzuk conseguiu entrevist&aacute;-lo por telefone, e o que ele disse tem potencial para mudar essa hist&oacute;ria para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da conversa, o objetivo era entender a hist&oacute;ria dos depoimentos que ele deu durante o processo. Segundo Fraz&atilde;o, tudo come&ccedil;ou com a interfer&ecirc;ncia de um delegado da Pol&iacute;cia Civil de Altamira, chamado por ele apenas de &ldquo;Edir&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Na &eacute;poca, Edmilson, que era bate-pau, n&atilde;o tinha um bom relacionamento com o investigador. O motivo recorrente dos conflitos entre ambos estaria ligado aos problemas que o marceneiro tinha com a justi&ccedil;a. Naquele per&iacute;odo, v&aacute;rios clientes acusavam Fraz&atilde;o de sumir com os m&oacute;veis que tinham deixado para ele restaurar. <\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, de acordo com Edmilson, n&atilde;o era incomum que Edir o chantageasse e at&eacute; o prendesse na delegacia. Esse era o cen&aacute;rio quando a pol&iacute;cia come&ccedil;ou a receber informa&ccedil;&otilde;es sobre os ataques aos meninos em Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Eles [policiais federais] chegaram at&eacute; a minha pessoa justamente atrav&eacute;s do doutor Edir&rdquo;, explicou ele em entrevista ao podcast. &ldquo;Aconteceu um fato com uma crian&ccedil;a que escapou, e eles levaram essa crian&ccedil;a para Bel&eacute;m. Como a gente morava bem pr&oacute;ximo [do local do ataque], vimos todo aquele movimento ali. E ele [Edir] chegou e nos pressionou, entendeu?&rdquo;, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi&atilde;o, o investigador teria dito que, se n&atilde;o encontrasse os autores dos crimes, chamaria a Pol&iacute;cia Federal para auxili&aacute;-lo. E acrescentou que, se Fraz&atilde;o tivesse qualquer informa&ccedil;&atilde;o, deveria passar para os agentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan perguntou se isso aconteceu antes ou depois da &eacute;poca que o entrevistado saiu de Altamira, e ele respondeu que foi posteriormente. No in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990, o marceneiro teria fugido da cidade ap&oacute;s receber amea&ccedil;as, pois sabia de uma s&eacute;rie de crimes cometidos por policiais e bate-paus. Esses delitos, por&eacute;m, n&atilde;o estavam relacionados aos casos dos meninos emasculados. Toda a hist&oacute;ria da fuga e persegui&ccedil;&atilde;o &eacute; narrada em detalhes no primeiro depoimento que ele prestou.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-16-Edmilson-Frazao-para-delegado-Jefferson-Jose-Gualberto-Neves-1-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Primeiro depoimento de Edmilson da Silva Fraz&atilde;o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-16-Edmilson-Frazao-para-delegado-Jefferson-Jose-Gualberto-Neves-transcrito-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Transcri&ccedil;&atilde;o do primeiro depoimento de Edmilson<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de um ano depois, Fraz&atilde;o retornou ao munic&iacute;pio. Teria, ent&atilde;o, sido nessa &eacute;poca que Edir o pressionou para falar com a Pol&iacute;cia Federal sobre os crimes de emascula&ccedil;&atilde;o, o que ele acabou aceitando.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Eles [agentes da PF] disseram &lsquo;voc&ecirc; vai envolver esse povo a&iacute; e n&oacute;s vamos te dar imunidade em troca. Quem sabe, at&eacute; uma vida melhor fora daqui&rsquo;. Eu tinha 20 anos de idade, uma mulher e um filho de oito meses vivendo em um quartinho de vila. Agora, voc&ecirc; est&aacute; ali, rodeado por uns caras daqueles, todos armados. Vai fazer o qu&ecirc;? Voc&ecirc; treme na base, n&eacute;?&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Resultado: Edmilson disse sim para a proposta e passou a prestar os depoimentos, falando o que os policiais queriam ouvir. &ldquo;Eu era obrigado a falar, est&aacute; entendendo? Fui obrigado, sempre fui obrigado a falar. Agora, se tem alguma coisa relacionada &agrave; minha pessoa, se eles me deram prote&ccedil;&atilde;o ou algo assim, eu confesso que at&eacute; agora n&atilde;o recebi nada em troca. Muito pelo contr&aacute;rio. Tive problemas e criei inimizades&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-28-Edmilson-Frazao-1.pdf\" target=\"_blank\">Segundo depoimento de Edmilson<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ponto, o marceneiro foi mais claro ainda: ressaltou que os &ldquo;tais membros da seita&rdquo; s&atilde;o inocentes e que tudo n&atilde;o passou de uma narrativa inventada pela pol&iacute;cia. &ldquo;Quem praticou todos esses crimes, toda essa barbaridade, foi o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a>. Desde o princ&iacute;pio, ele cometeu esses homic&iacute;dios e, infelizmente, a pol&iacute;cia na &eacute;poca n&atilde;o fez nada para chegar at&eacute; esse homem, por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quem, afinal, apontou os suspeitos? Segundo Fraz&atilde;o, o primeiro a fazer isso foi Edir. O delegado aproveitou os desacordos comerciais que o marceneiro tinha para coagi-lo. A ideia era que o bate-pau &ldquo;criasse uma situa&ccedil;&atilde;o&rdquo; com alguns nomes citados pelo investigador. Se o obedecesse, Edmilson n&atilde;o precisaria mais se preocupar com os clientes que o denunciavam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Ele [Edir] falou &lsquo;voc&ecirc; viu esse cara, voc&ecirc; conhece esse cara&rsquo;. Quer dizer, apontou uma pessoa que at&eacute; ent&atilde;o eu nunca tinha visto. &lsquo;Esse cara &eacute; o Amailton, fulano de tal&rsquo;. E os familiares do Amadeu em Altamira tinham a reputa&ccedil;&atilde;o de serem bravos, temidos. Ele era um dos mais poderosos do lugar&rdquo;, comentou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao podcast, Edmilson afirmou que o investigador poderia ter alguma rixa com esses indiv&iacute;duos. Ap&oacute;s <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a>, ele mencionou <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-alberto-dos-santos-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Policial militar acusado no caso dos meninos\" class=\"encyclopedia\">Carlos Alberto dos Santos Lima<\/a>. &ldquo;O A. Santos, a princ&iacute;pio, parece que tinha aprontado uma com ele [Edir] na &eacute;poca que era PM. E a&iacute;, depois, [o delegado] citou o doutor An&iacute;sio, justamente pelo fato de ele querer algo l&aacute; da cl&iacute;nica gratuitamente e o m&eacute;dico n&atilde;o ceder&rdquo;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o marceneiro, o investigador tamb&eacute;m lhe passou o nome de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/cesio-flavio-caldas-brandao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico reconhecido por Agostinho como suspeito na morte de Jaenes\" class=\"encyclopedia\">C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o<\/a>. Ele n&atilde;o sabe dizer, no entanto, que motivo ou conflito Edir teria contra o m&eacute;dico. &ldquo;Foram nomes que apareceram para mim e situa&ccedil;&otilde;es que foram criadas. Justamente depois veio o pessoal da PF trazendo todo aquele aparato de press&atilde;o psicol&oacute;gica. Porque existe no processo, nos autos&hellip; Eu cito na &eacute;poca que fui coagido pelo pessoal&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa situa&ccedil;&atilde;o a que Edmilson se refere foi explicada no <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-14\/\" target=\"_blank\">epis&oacute;dio 14<\/a>. &Eacute; a ocasi&atilde;o em que ele prestou um depoimento ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico, alegando que inventou a hist&oacute;ria do culto devido &agrave; press&atilde;o de policiais federais. O documento data de 24 de mar&ccedil;o de 1995.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1995-03-24-Termo-de-Declaracao-Edmilson-Frazao-ao-MP-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Edmilson ao MP sobre a press&atilde;o da PF<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Diante do relato de Fraz&atilde;o, que &eacute; um tanto confuso e sem cronologia definida, uma d&uacute;vida surgiu na mente de Ivan: Se o marceneiro fugiu de Altamira com medo do delegado Edir, por que, ent&atilde;o, eles continuaram a ter contato depois, como se nada tivesse acontecido?<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o ex-bate-pau, na &eacute;poca do seu retorno, a equipe de policiais j&aacute; n&atilde;o era mais a mesma, e Edir havia deixado o cargo de investigador para atuar como advogado no munic&iacute;pio. &ldquo;A conversa que eu tive com ele foi, digamos, em um encontro por acaso. Eu passava pr&oacute;ximo &agrave; C&acirc;mara Municipal e n&atilde;o sabia que o escrit&oacute;rio dele era ali. Ent&atilde;o, ele me viu e me chamou&rdquo;, contou.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ele n&atilde;o era mais delegado, Edmilson achou que n&atilde;o tinha motivos para ter medo, e aceitou o convite. Aqui, j&aacute; &eacute; preciso adiantar que Ivan tentou entrar em contato com Edir para ouvir a sua vers&atilde;o, mas ele n&atilde;o retornou as mensagens.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o encontro casual, o agora advogado teria falado sobre a hist&oacute;ria do culto na ch&aacute;cara de An&iacute;sio. &ldquo;Tudo isso a&iacute; foi praticamente uma cria&ccedil;&atilde;o dele. At&eacute; porque a PF ia para cima dele de qualquer jeito, porque era o delegado da &eacute;poca [dos crimes]. Mas ele n&atilde;o tinha informa&ccedil;&otilde;es para dar e muito menos fazia nada&rdquo;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m disso, de acordo com Fraz&atilde;o, outro fator que complicou a situa&ccedil;&atilde;o do investigador seria a morte de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rotilio-francisco-do-rosario\/\" target=\"_self\" title=\"Morador de rua preso em 1992 como suspeito no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Rot&iacute;lio Francisco do Ros&aacute;rio<\/a> &ndash; o morador de rua considerado suspeito pela pol&iacute;cia em 1992. &ldquo;Ele [Edir] estava pegando pessoas que n&atilde;o tinham nada a ver, e encostando pau. Eles chegaram a matar um cidad&atilde;o l&aacute;. O cidad&atilde;o morreu de tanto apanhar e n&atilde;o tinha nada a ver com a hist&oacute;ria&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Quem comandava a delegacia de Altamira quando Rot&iacute;lio faleceu era o doutor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-augusto-mota-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado da Pol&iacute;cia Civil de Altamira em 1992\" class=\"encyclopedia\">Carlos Augusto Mota Lima<\/a> que, segundo Edmilson, seria amigo de Edir.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, por conta do medo e da press&atilde;o psicol&oacute;gica, Edmilson Fraz&atilde;o aceitou prestar depoimento para a Pol&iacute;cia Civil. Ele disse que n&atilde;o imaginava, entretanto, que Edir fosse realmente contatar os agentes federais. Teria sido por interm&eacute;dio dele que a equipe de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-carlos-de-souza-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Policial federal que chefiou as investiga&ccedil;&otilde;es em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Carlos de Souza Machado<\/a> ficou sabendo da hist&oacute;ria do marceneiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a entrada da PF, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> finalmente apareceu no caso. Isso porque, segundo o ex-bate-pau, os agentes o pressionaram para inclu&iacute;-la na narrativa ao lado de An&iacute;sio. Em troca, ele receberia prote&ccedil;&atilde;o, diante das amea&ccedil;as que havia sofrido no passado. Por isso, decidiu confirmar em ju&iacute;zo tudo o que havia dito &agrave; Pol&iacute;cia Civil. <\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1994-05-17-Depoimento-em-Juizo-Edmilson-da-Silva-Frazao-2.pdf\" target=\"_blank\">Depoimento de Edmilson em ju&iacute;zo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>At&eacute; que, certo dia, o advogado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/hercilio-pinto-de-carvalho\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado que representou Amailton, Carlos Alberto, Aldenor e Valentina\" class=\"encyclopedia\">Herc&iacute;lio Pinto de Carvalho<\/a>, que representava Amailton na &eacute;poca, procurou Edmilson e o convidou a ir at&eacute; a sua casa para uma conversa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi&atilde;o, Herc&iacute;lio se prontificou a acompanhar o marceneiro at&eacute; o Minist&eacute;rio P&uacute;blico para que ele contasse toda a verdade. &ldquo;Ele disse &lsquo;olha, esse pessoal n&atilde;o cometeu nada disso. O povo est&aacute; indo para a cadeia &agrave; toa, vai ser processado e condenado sem dever nada. A gente tem que criar uma situa&ccedil;&atilde;o e uma forma de parar com isso&rsquo;&rdquo;, contou Edmilson.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado ainda comentou com Fraz&atilde;o que ele n&atilde;o era a &uacute;nica testemunha que tinha sido pressionada para depor contra os acusados. O marceneiro, ent&atilde;o, criou coragem e foi at&eacute; o MP prestar depoimento, revelando a coa&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Como j&aacute; relatado no <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-14\/\" target=\"_blank\">epis&oacute;dio 14<\/a>, apenas quatro dias depois, Edmilson se arrependeu e voltou atr&aacute;s. Deu outro testemunho, culpando agora o advogado de Amailton pela press&atilde;o. O que aconteceu para ele mudar de ideia?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Fraz&atilde;o explicou que, na ocasi&atilde;o, j&aacute; tinha combinado uma viagem para S&atilde;o Paulo com o advogado de Valentina, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/frederick-wassef\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado que atuou na defesa de Valentina\" class=\"encyclopedia\">Frederick Wassef<\/a>, para gravar uma entrevista. Essa mesma hist&oacute;ria &eacute; narrada pelo pr&oacute;prio Wassef ao podcast, tamb&eacute;m no epis&oacute;dio 14.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse meio tempo, o marceneiro recebeu a visita de um ex-colega chamado Santana, um bate-pau da pol&iacute;cia. Ele confrontou Edmilson sobre o depoimento que desmentia tudo. Como exatamente essa informa&ccedil;&atilde;o vazou, por&eacute;m, n&atilde;o se sabe.<\/p>\n\n\n\n<p>A pedido de Edir, o recado de Santana foi direto: &ldquo;o neg&oacute;cio vai pegar para o teu lado. Voc&ecirc; voltou atr&aacute;s na hist&oacute;ria, desfez o que falou. Ou voc&ecirc; volta l&aacute; e diz que foi pressionado ou a coisa pode ficar dif&iacute;cil para o teu lado&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o bate-pau, o ex-delegado ainda deixou claro que, se Edmilson obedecesse, a situa&ccedil;&atilde;o dele melhoraria. Mas, se insistisse em contradizer a hist&oacute;ria, poderia at&eacute; ser preso.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Eu n&atilde;o sabia se, porventura, isso me prejudicaria. At&eacute; ent&atilde;o, eu n&atilde;o entendia de leis como eles. Eles falavam as coisas, e eu tinha que acreditar. Quer dizer, 28 anos atr&aacute;s, as coisas eram muito emba&ccedil;adas, n&atilde;o &eacute; como hoje&rdquo;, disse o marceneiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Com a nova amea&ccedil;a, Edmilson voltou ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1995-03-28-Termo-de-Declaracao-Edmilson-Frazao-ao-MP-2-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Edmilson ao MP sobre a press&atilde;o de advogados<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a cria&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria envolvendo os cinco acusados, o ex-bate-pau deu mais detalhes das raz&otilde;es pelas quais eles teriam sido escolhidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/anisio-ferreira-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico acusado no caso dos meninos emasculados\" class=\"encyclopedia\">An&iacute;sio Ferreira de Souza<\/a>, ele lembra de uma situa&ccedil;&atilde;o que presenciou enquanto trabalhava na cl&iacute;nica do m&eacute;dico. Na &eacute;poca, aos 17 anos, ele ajudava o irm&atilde;o, de 20, a fazer algumas obras l&aacute;. Certo dia, o delegado Edir chegou, junto com outra pessoa, e pediu para fazer um exame. Ele queria, por&eacute;m, que o atendimento fosse gratuito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Ent&atilde;o, eles tiveram uma discuss&atilde;o, um bate-boca. Como se ele [Edir], uma autoridade, tivesse alguma regalia. Onde ele chegasse seria tratado como tal, sendo que ali n&atilde;o era dessa forma&rdquo;, comentou Fraz&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para piorar, o investigador tamb&eacute;m teria rixa com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-parana\/\" target=\"_self\" title=\"Suposto contrabandista e traficante conhecido em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Paran&aacute;<\/a>, um conhecido contrabandista e traficante de Altamira &ndash; que, segundo Edmilson, seria amigo de An&iacute;sio. &ldquo;Por outro lado, o doutor Edir gostava de uma propina, e eles n&atilde;o pagavam, eles n&atilde;o queriam dar aquele&hellip; Como quem diz &lsquo;aqui a gente te protege&rsquo;. Ent&atilde;o ele criou essa situa&ccedil;&atilde;o [do culto na ch&aacute;cara]&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas e a l&iacute;der do tal ritual? Quem colocou <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> na cena? A resposta, de acordo com a testemunha, &eacute; a Pol&iacute;cia Federal. Os agentes j&aacute; teriam informa&ccedil;&otilde;es sobre ela quando conversaram com o marceneiro. &ldquo;Eles falaram &lsquo;tem uma mulher que &eacute; dona de uma seita, de nome Valentina&rsquo;, e colocaram a foto dela em cima da mesa. &lsquo;A mulher &eacute; essa aqui&rsquo;. A&iacute; me explicaram tudo direitinho&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>As informa&ccedil;&otilde;es detalhadas surpreenderam at&eacute; mesmo os defensores da acusada durante o testemunho de Edmilson em ju&iacute;zo. &ldquo;Os advogados dela ficaram at&eacute; pasmos e foram para cima do juiz. Como eu sabia o nome completo dela, que eu citei l&aacute;?&rdquo;, disse.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na &eacute;poca, ele n&atilde;o sabia nada sobre leis ou direitos, o que piorou a situa&ccedil;&atilde;o. &ldquo;N&atilde;o era do meu conhecimento que, se voc&ecirc; presta um depoimento para um delegado, em ju&iacute;zo voc&ecirc; pode mud&aacute;-lo. Porque eu ia mudar. Eu achava que tudo o que se falasse para o delegado, tinha que falar em ju&iacute;zo&rdquo;, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os elementos do culto, agora com Valentina, teriam sido ideia da Pol&iacute;cia Federal: as velas, as posi&ccedil;&otilde;es, os capuzes e os tri&acirc;ngulos. A conversa com os agentes aconteceu na cobertura do hotel onde eles estavam hospedados, de acordo com Fraz&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Eu tinha que concordar com os caras. &lsquo;Ent&atilde;o, vamos fazer assim, voc&ecirc; vai prestar depoimento l&aacute; na delegacia da Pol&iacute;cia Civil&rsquo;. A&iacute; eu pensei: se eles foram para colher o meu testemunho, n&atilde;o colheram. Se eu fui para ser ouvido [pela PF], como &eacute; que vou dar depoimento para a Civil? Por que eles fizeram isso? Para tirar o deles da reta&rdquo;, falou.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Edmilson, nessa primeira reuni&atilde;o com os agentes, o chefe da miss&atilde;o, Jos&eacute; Carlos, estava presente. Essa informa&ccedil;&atilde;o contradiz o que o policial falou no j&uacute;ri de Valentina, quando negou ter tido contato com Fraz&atilde;o e disse ter chegado &agrave; l&iacute;der do LUS atrav&eacute;s de uma informante chamada Francis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>OS J&Uacute;RIS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-23\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">epis&oacute;dio 23<\/a> cont&eacute;m mat&eacute;rias afirmando que Edmilson n&atilde;o havia sido localizado para participar dos julgamentos anteriores, mas apenas do de Valentina, ocasi&atilde;o em que estaria sob prote&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na conversa com Ivan, a testemunha explicou que estava em Salinas, uma praia no estado do Par&aacute;, enquanto aguardava o j&uacute;ri da acusada. O marceneiro afirmou que de fato havia policiais federais presentes no local, comandados pela delegada <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/daniele-gossenheimer-rodrigues\/\" target=\"_self\" title=\"Delegada da PF respons&aacute;vel por investigar Chagas em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Daniele Gossenheimer Rodrigues<\/a>. Na &eacute;poca, a investigadora tinha sido designada para acompanhar os julgamentos em Bel&eacute;m, por isso n&atilde;o chegou a ir &agrave; Salinas. Meses depois, ela seria respons&aacute;vel por apurar o envolvimento de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> nos crimes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Fraz&atilde;o, durante esse tempo, a antiga equipe da PF, liderada por Jos&eacute; Carlos, se mostrou bastante preocupada em descobrir a localiza&ccedil;&atilde;o dele. Os agentes queriam ir at&eacute; o local para conversar com a testemunha, mas foram impedidos pelos policiais que respondiam &agrave; delegada Daniele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Se eles n&atilde;o tivessem culpa no cart&oacute;rio, voc&ecirc; acha que iriam para Salinas? Sair de Bel&eacute;m, encarar 200 quil&ocirc;metros para chegar em Salinas, e conversar comigo o qu&ecirc;? Ent&atilde;o, &eacute; porque eles t&ecirc;m rabo preso. Por essa raz&atilde;o, s&oacute; depois de muitos anos eu estou revelando isso a&iacute;. Eu n&atilde;o podia voltar atr&aacute;s&rdquo;, comentou Edmilson.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser questionado sobre o motivo pelo qual n&atilde;o falou nos j&uacute;ris dos homens, Fraz&atilde;o disse que tinha medo do que poderia acontecer com ele. &ldquo;Eu temia o pessoal do Amailton, a fam&iacute;lia do Amadeu. Eles, na &eacute;poca, estavam muito agitados. Como s&atilde;o pessoas de um alto poder aquisitivo, vendo aquela trag&eacute;dia, aquela coisa toda ali&hellip; O pessoal da Valentina tamb&eacute;m, embora morasse distante, tinha contatos em Altamira. Enfim, isso a&iacute; &eacute; algo que eu temia&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>O que mudou, ent&atilde;o, para o j&uacute;ri da l&iacute;der do LUS teria sido um pedido de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosa-maria-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Jaenes da Silva Pessoa\" class=\"encyclopedia\">Rosa Maria Pessoa<\/a>, m&atilde;e do menino Jaenes, morto em outubro de 1992. Ela entrou em contato com o ex-bate-pau e insistiu que ele prestasse depoimento, a fim de ajudar no caso. Foi a&iacute; que a testemunha revelou o seu paradeiro e a PF a conduziu at&eacute; Salinas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Isso leva &agrave; outra d&uacute;vida: aconteceu alguma coisa nesse per&iacute;odo para que Edmilson adicionasse novos detalhes ao depoimento no j&uacute;ri? Afinal, o relato que o marceneiro d&aacute; no julgamento tem elementos nunca antes citados no processo. Um deles &eacute; a presen&ccedil;a de C&eacute;sio no &ldquo;culto macabro&rdquo;. Anteriormente Fraz&atilde;o negou que o m&eacute;dico tivesse participado, mas agora dizia o contr&aacute;rio.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1MrwWYpdln763qENrAt1cIc3XtpRNdysB\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Edmilson no j&uacute;ri de Valentina<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A resposta para essa pergunta est&aacute; em um bilhete que o ex-bate-pau afirma ter recebido enquanto estava em Salinas. A mensagem, supostamente escrita pelos agentes antigos da PF, trazia o que ele deveria falar no j&uacute;ri, entre informa&ccedil;&otilde;es novas e repetidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan perguntou o que Edmilson se lembrava do tal recado, mas ele n&atilde;o conseguiu ser muito espec&iacute;fico. &ldquo;Alguns detalhes sobre posi&ccedil;&otilde;es, entendeu? Como estavam as velas, a forma que eles se vestiam, aquela coisa toda. Como come&ccedil;ou, quantas pessoas tinham&hellip;&rdquo;, respondeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Fraz&atilde;o, a chegada do bilhete foi poss&iacute;vel porque os agentes da PF que o acompanhavam n&atilde;o teriam feito um bom trabalho de prote&ccedil;&atilde;o. O marceneiro estranhava, por exemplo, o fato de ser levado para tomar banho na praia com a fam&iacute;lia, o que deixava todos muito expostos. Al&eacute;m disso, comentou que podia assistir &agrave; TV livremente, apesar da regra da n&atilde;o incomunicabilidade do j&uacute;ri, e que a maioria dos policiais nem ficava na mesma casa que ele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que essas a&ccedil;&otilde;es pudessem ser suspeitas, n&atilde;o havia nenhum policial federal em Salinas que tivesse participado das investiga&ccedil;&otilde;es nos anos 90, de acordo com Edmilson.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante das revela&ccedil;&otilde;es, Ivan quis saber se o ex-bate-pau se arrependeu do que fez. &ldquo;Al&eacute;m de n&atilde;o conhecermos os nossos direitos, as pessoas abusavam do poder que tinham. Ent&atilde;o, o que acontece? Hoje eu me arrependo muito. Se eu pudesse chegar em cada pessoa, em cada fam&iacute;lia, e pedir perd&atilde;o de joelhos, eu faria isso. Mas n&atilde;o canso de falar que n&atilde;o criei essa situa&ccedil;&atilde;o. Porque um cara com 20 anos de idade, sem conhecer ch&aacute;cara, sem conhecer m&eacute;dico, isso ou aquilo, jamais criaria uma situa&ccedil;&atilde;o dessas se n&atilde;o tivesse um mentor por tr&aacute;s disso&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o marceneiro, colaborar com os policiais federais era quest&atilde;o de sobreviv&ecirc;ncia. S&oacute; assim, na vis&atilde;o dele, poderia evitar ser jogado na pris&atilde;o, devido aos desacordos comerciais que tinha, ou at&eacute; mesmo ser assassinado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Edmilson tamb&eacute;m achou importante destacar que o relato dele n&atilde;o foi o &uacute;nico a contribuir para condenar os acusados. &ldquo;Teve outras pessoas que prestaram depoimento. Ent&atilde;o, quando eles [PF] chegaram comigo, j&aacute; sabiam sobre a Valentina, o doutor An&iacute;sio, o C&eacute;sio, Carlos Alberto e Amailton.&nbsp; E, assim como eles falaram comigo, falaram com os demais. S&oacute; que alguns fugiram da cidade, foram embora. Outros foram comprados, pagaram propina para n&atilde;o falar, ou at&eacute; morreram &rdquo;, comentou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EDMILSON FALA A VERDADE?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos meses que se seguiram a essa entrevista, Ivan manteve ocasionalmente contato com Fraz&atilde;o. De tudo o que o marceneiro falou, a maior parte parece fazer sentido. Ele afirma com todas as letras: &ldquo;o verdadeiro assassino foi <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a>, e eu fui pressionado pela Pol&iacute;cia Federal a contar uma hist&oacute;ria&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o depoimento dele, parte da estrat&eacute;gia da defesa de Valentina era desmenti-lo, mostrando que a testemunha tinha v&aacute;rios problemas com a justi&ccedil;a, especialmente por estelionato.<\/p>\n\n\n\n<p>E, ao que tudo indica, Edmilson n&atilde;o parou naquela &eacute;poca. Em dezembro de 2022, muitos ouvintes marcaram Ivan em uma nova reportagem sobre o ex-bate-pau. A mat&eacute;ria foi divulgada na p&aacute;gina do Facebook da rede SBT Altamira, com o t&iacute;tulo: &ldquo;Falso pastor &eacute; preso por aplicar golpes&rdquo;. Assista no link abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/watch\/?v=487738446809428&amp;extid=NS-UNK-UNK-UNK-IOS_GK0T-GK1C&amp;mibextid=2Rb1fB&amp;ref=sharing\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria SBT &ndash; &ldquo;Falso pastor &eacute; preso por aplicar golpes em Altamira&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2022, quando concedeu entrevista ao Projeto Humanos, Edmilson estava fora da cidade. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber, no entanto, o seu exato paradeiro. Atualmente, at&eacute; onde se sabe, ele permanece preso em Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>Por causa disso, n&atilde;o d&aacute; para confirmar se tudo o que ele relatou durante a conversa de fato &eacute; verdade. Com certeza h&aacute; coisas para se duvidar. Infelizmente, Ivan n&atilde;o conseguiu entrar em contato com nenhuma das pessoas citadas pela testemunha para confirmar partes da hist&oacute;ria narrada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa, entretanto, &eacute; ineg&aacute;vel: o que Edmilson contou corresponde com o depoimento que ele prestou em mar&ccedil;o de 1995, quando tentou desmentir as acusa&ccedil;&otilde;es. O testemunho de Wassef sobre essa &eacute;poca tamb&eacute;m bate com os detalhes fornecidos pelo marceneiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m disso, a press&atilde;o da PF ainda explicaria o motivo pelo qual o ex-bate-pau incluiu C&eacute;sio na hist&oacute;ria da ch&aacute;cara durante o j&uacute;ri de Valentina. Com o passar dos anos, ele j&aacute; n&atilde;o se lembrava do que exatamente tinha dito nas declara&ccedil;&otilde;es anteriores. Por isso, misturou informa&ccedil;&otilde;es antigas com outras in&eacute;ditas.<\/p>\n\n\n\n<p>Se Edmilson estiver falando a verdade, a quest&atilde;o que fica &eacute;: ser&aacute; que o lavrador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/agostinho-jose-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha-chave que liga C&eacute;sio e Amailton ao crime contra Jaenes\" class=\"encyclopedia\">Agostinho Jos&eacute; da Costa<\/a> passou pela mesma coisa? Teria ele sido pressionado a identificar C&eacute;sio? Ou ele realmente teria confundido Chagas com o m&eacute;dico, segundo a teoria de que os dois seriam parecidos? Agostinho j&aacute; &eacute; falecido, por isso n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel responder a essas d&uacute;vidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ali&aacute;s, sobre C&eacute;sio, sempre foi dif&iacute;cil compreender a raz&atilde;o pela qual ele entrou na hist&oacute;ria. Diferente dos demais acusados, ele n&atilde;o possu&iacute;a desafetos pela cidade, pelo menos n&atilde;o publicamente. <\/p>\n\n\n\n<p>An&iacute;sio, por exemplo, tinha problemas com muitas pessoas e era visto como um m&eacute;dico estranho, al&eacute;m do preconceito que sofria pelo fato de ser esp&iacute;rita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; o ex-PM Carlos Alberto pode ter de fato narrado muita coisa estranha para a conselheira tutelar <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/sueli-de-oliveira-matos\/\" target=\"_self\" title=\"Conselheira tutelar que escreveu carta sobre o policial A. Santos\" class=\"encyclopedia\">Sueli de Oliveira Matos<\/a>, no Amap&aacute;. Ele tamb&eacute;m havia trabalhado como seguran&ccedil;a para <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/zaila-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Amailton Madeira Gomes\" class=\"encyclopedia\">Zaila Madeira Gomes<\/a>, m&atilde;e de Amailton, por um breve per&iacute;odo de tempo &ndash; uma fam&iacute;lia considerada poderosa, em um lugar onde os mais abastados mandam e desmandam. Al&eacute;m do status social, a homofobia colaborou para colocar o filho de Amadeu na mira das investiga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>Valentina, ent&atilde;o, nem se fala. Suspeita nos casos de Guaratuba, de repente descobre-se que ela tamb&eacute;m esteve em Altamira anos antes dos crimes. Isso caiu como uma luva para policiais que queriam prender adoradores do dem&ocirc;nio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&ldquo;P&Eacute; NA COVA&rdquo;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Mas e o C&eacute;sio? Como ele entra nisso tudo? Ser&aacute; que a fun&ccedil;&atilde;o que exercia como diretor do hospital passou a impress&atilde;o de ele ser poderoso? Ser&aacute; que isso, somado &agrave; cren&ccedil;a nos cortes cir&uacute;rgicos, fez o m&eacute;dico virar um alvo?<\/p>\n\n\n\n<p>N&atilde;o h&aacute; uma resposta definitiva para essas quest&otilde;es. O mais perto que Ivan chegou de uma solu&ccedil;&atilde;o tem como fonte o jornalista <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/luiz-antonio-da-cunha\/\" target=\"_self\" title=\"Jornalista que atuou ao lado das fam&iacute;lias de Altamira na &eacute;poca dos crimes\" class=\"encyclopedia\">Luiz Ant&ocirc;nio da Cunha<\/a>, mais conhecido em Altamira como &ldquo;P&eacute; na Cova&rdquo;. Famoso por denunciar crimes ambientais e contra minorias na regi&atilde;o, ele recebia muitas amea&ccedil;as dos envolvidos, o que lhe rendeu o apelido inusitado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na &eacute;poca do caso dos emasculados, ele atuou ao lado do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a>, o que significa que era muito pr&oacute;ximo das fam&iacute;lias das v&iacute;timas. Logo, Luiz Ant&ocirc;nio acredita que os cinco acusados s&atilde;o culpados. De certa forma, as suas hist&oacute;rias s&atilde;o um bom retrato das narrativas que circulam na cidade at&eacute; os dias de hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista ao Projeto Humanos, ele compartilhou a cren&ccedil;a de que o caso dos meninos tinha rela&ccedil;&atilde;o com os delitos de grilagem e desmatamento que acometiam a regi&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Quase todos os fazendeiros trabalham na ilegalidade, na explora&ccedil;&atilde;o ilegal de madeira. Ent&atilde;o, na &eacute;poca que esses crimes [dos emasculados] come&ccedil;aram a acontecer, eu fui colher informa&ccedil;&otilde;es. Havia empres&aacute;rios que tinham participa&ccedil;&atilde;o em irregularidades, e um deles era o tal do Amadeu Gomes. Eu comecei a investigar os casos, e encontrei um filho dele envolvido&rdquo;, disse.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, o pr&oacute;prio jornalista teria auxiliado as investiga&ccedil;&otilde;es e chegado &agrave; conclus&atilde;o de que Amailton poderia ser um suspeito. Ivan n&atilde;o teve como confirmar se Luiz Ant&ocirc;nio conversou com o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/brivaldo-pinto-soares-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelo inqu&eacute;rito de Jaenes em outubro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Brivaldo Pinto Soares Filho<\/a> sobre essa desconfian&ccedil;a na &eacute;poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a>, morto em outubro de 1992, a pr&oacute;xima v&iacute;tima foi <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/klebson-ferreira-caldas\/\" target=\"_self\" title=\"Menino que desapareceu em Altamira em novembro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Klebson Ferreira Caldas<\/a>, atacado no m&ecirc;s seguinte. &Eacute; aqui que surge uma poss&iacute;vel resposta para a entrada de C&eacute;sio na lista de acusados.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Luiz Ant&ocirc;nio, na ocasi&atilde;o em que o corpo de Klebson foi levado ao hospital, o diretor, C&eacute;sio, o teria impedido de fotograf&aacute;-lo. O m&eacute;dico lhe disse que isso s&oacute; poderia ser feito com a autoriza&ccedil;&atilde;o de uma ju&iacute;za, que chegaria no local &agrave;s 16h. Quando ele voltou no hor&aacute;rio combinado, por&eacute;m, o cad&aacute;ver j&aacute; havia sido retirado para o sepultamento, sem passar por exame.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao questionar um funcion&aacute;rio do hospital, Luiz ficou sabendo que C&eacute;sio, na verdade, teria encontrado a magistrada &agrave;s 14h. &ldquo;E ele marcou comigo &agrave;s 16h. Eu achei que ele n&atilde;o queria que eu tivesse contato [com o corpo]. Relatei isso &agrave; Pol&iacute;cia Federal, pois ela esteve l&aacute; e foi na casa dele. E parece que encontrou, no forro, bisturi e outros instrumentos cir&uacute;rgicos. Por que ele esconderia? Ent&atilde;o, mais um suspeito&rdquo;, relatou.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui s&oacute; para esclarecer: no auto de busca e apreens&atilde;o na casa de C&eacute;sio, n&atilde;o est&aacute; especificado que os materiais encontrados estavam escondidos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-07-09-Auto-de-Apreensao-Cesio-1.pdf\" target=\"_blank\">Auto de busca e apreens&atilde;o na casa de C&eacute;sio<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb&eacute;m &eacute; importante dizer que tanto Jaenes quanto Klebson foram examinados e tiveram laudos necrosc&oacute;picos produzidos. Apesar disso, as fam&iacute;lias sempre alegaram que os documentos estavam incompletos, e de fato poderiam ser melhores. Se Luiz Ant&ocirc;nio confundiu as v&iacute;timas, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, foi a partir desse evento que o jornalista passou tamb&eacute;m a desconfiar da ju&iacute;za <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/vera-araujo-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"Ju&iacute;za da Comarca de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Vera Ara&uacute;jo de Souza<\/a> e do marido dela, o fazendeiro Vantuil. Este &uacute;ltimo, inclusive, j&aacute; o havia amea&ccedil;ado por causa de uma mat&eacute;ria que denunciava um suposto esquema de revenda de carros roubados, do qual o casal faria parte.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Luiz Ant&ocirc;nio disse que enviou todas essas informa&ccedil;&otilde;es &agrave; Pol&iacute;cia Federal. Se isso realmente aconteceu, teria sido, ent&atilde;o, o epis&oacute;dio das fotos do corpo de Klebson que colocou C&eacute;sio no radar do rep&oacute;rter e, consequentemente, da PF.<\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; uma possibilidade. Mas as investiga&ccedil;&otilde;es do jornalista n&atilde;o pararam por a&iacute;. Um dia, ele foi at&eacute; a casa de An&iacute;sio, onde diz ter visto um exemplar do livro &ldquo;Deus, a Grande Farsa&rdquo; na estante. Isso mesmo, a obra produzida por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;A&iacute; eu fiquei curioso. &lsquo;Depois eu te empresto para ler&rsquo; [teria dito An&iacute;sio]. Eu estive na casa dele e ele disse que era um jornalista esp&iacute;rita. Ent&atilde;o, procurei me informar e tal, e eles eram ligados a essa seita do Lineamento Universal&rdquo;, completou. O rep&oacute;rter teria folheado o livro, mas n&atilde;o chegou a lev&aacute;-lo para casa. Depois, o exemplar desapareceu, segundo ele.<\/p>\n\n\n\n<p>N&atilde;o s&oacute; isso: Luiz Ant&ocirc;nio alega ter presenciado uma das reuni&otilde;es do grupo, ocorrida na resid&ecirc;ncia de um ex-vereador da cidade, no in&iacute;cio dos anos 90. Esse homem mantinha um ferro-velho no bairro Bras&iacute;lia. Na ocasi&atilde;o, o jornalista teria ido deix&aacute;-lo em casa quando se deparou com a cena. Estariam l&aacute; empres&aacute;rios da cidade, fazendeiros e at&eacute; o vice-prefeito, junto com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/duilio-nolasco-pereira\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de Valentina entre 1953 e 1973\" class=\"encyclopedia\">Du&iacute;lio Nolasco Pereira<\/a> e a pr&oacute;pria <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Eu a vi l&aacute;. Eu a vi, e depois a liguei com a mat&eacute;ria l&aacute; de Curitiba, que era o caso do prefeito, n&eacute;?&rdquo;, afirmou Luiz Ant&ocirc;nio, se referindo ao caso Evandro, de Guaratuba. &ldquo;Fui eu que liguei os fatos. A&iacute; que eu fui saber que ela era namorada do Du&iacute;lio Nolasco&rdquo;, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse reconhecimento, de acordo com ele, veio de mat&eacute;rias produzidas na &eacute;poca, sobre Valentina e o Lineamento. Reportagens como as das revistas Veja e Manchete, usadas mais tarde para Edmilson Fraz&atilde;o identificar a l&iacute;der da &ldquo;missa negra&rdquo;. E, mais uma vez, tudo isso foi repassado pelo jornalista aos agentes da Pol&iacute;cia Federal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/Revista-Veja-29-de-Julho-de-1992-numero-1245-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria da revista Veja sobre Valentina<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WIKI-Revista-Manchete-LUS-em-Guaratuba-8-Agosto-1992-numero-2105-.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria da revista Manchete sobre Valentina<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ivan Mizanzuk n&atilde;o duvida que Luiz Ant&ocirc;nio de fato tivesse comunica&ccedil;&atilde;o direta com a PF. Por estar envolvido com o Comit&ecirc;, e diante do modo de investiga&ccedil;&atilde;o adotado por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-carlos-de-souza-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Policial federal que chefiou as investiga&ccedil;&otilde;es em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Carlos de Souza Machado<\/a>, isso n&atilde;o &eacute; nada improv&aacute;vel. Ele poderia sim ter falado sobre a retirada repentina do corpo de uma das v&iacute;timas do hospital, a passagem de Valentina por Altamira, o fato de An&iacute;sio ser esp&iacute;rita e as suspeitas sobre a poderosa fam&iacute;lia Gomes.<\/p>\n\n\n\n<p>Se o jornalista compartilhou com os agentes que suspeitava de C&eacute;sio, &eacute; poss&iacute;vel que a PF tenha localizado Agostinho e o induzido a dizer que o viu saindo do mato com um fac&atilde;o. Afinal, eles procuravam algu&eacute;m que supostamente teria feito cortes cir&uacute;rgicos, que s&oacute; poderia ser um m&eacute;dico. Se isso de fato aconteceu, n&atilde;o se sabe. Talvez a resposta esteja no relat&oacute;rio produzido em 1993, que o Projeto Humanos n&atilde;o conseguiu obter.<\/p>\n\n\n\n<p>De tudo, o que Ivan n&atilde;o acredita, no entanto, &eacute; a hist&oacute;ria do livro de Valentina na estante de An&iacute;sio. Caso isso fosse verdade, seria uma bomba para a acusa&ccedil;&atilde;o, pois comprovaria um v&iacute;nculo entre essas pessoas. Mas nada foi encontrado. Na casa do m&eacute;dico, a pol&iacute;cia s&oacute; apreendeu algumas obras que considerava suspeitas, como aquelas que falavam sobre espiritismo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca foi confirmada nenhuma conex&atilde;o entre a l&iacute;der do LUS e nenhum dos outros acusados. Nada de cartas, telefonemas ou bilhetes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se Ivan tivesse que apostar, diria que Luiz Ant&ocirc;nio teria visto outro livro l&aacute; e, com o passar dos anos, passou a acreditar que era o escrito de Valentina. Mas, claro, isso &eacute; f&aacute;cil de falar, mais de 30 anos depois, analisando tudo com cuidado e distanciamento &ndash; e sabendo da exist&ecirc;ncia de Chagas. Quem viveu o p&acirc;nico em Altamira entre 1989 e 1993 pode ter um pensamento bem diferente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre isso, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/paulo-tamer\/\" target=\"_self\" title=\"Coordenador geral da Pol&iacute;cia Civil do Par&aacute; em 1993\" class=\"encyclopedia\">Paulo Tamer<\/a>, chefe da Pol&iacute;cia Civil na &eacute;poca, tem as suas conclus&otilde;es. &ldquo;Mas foi o Chagas, sem sombra de d&uacute;vidas. Os antigos da pol&iacute;cia, que sabiam investigar, se atrapalharam. A&iacute; para tentar resgatar tudo, a gente trabalhou com a Pol&iacute;cia Federal, que foi pior a emenda do que o soneto. Essa &eacute; a verdade&rdquo;, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p>O agente <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-carlos-de-souza-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Policial federal que chefiou as investiga&ccedil;&otilde;es em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Carlos de Souza Machado<\/a> n&atilde;o quis conceder entrevista ao podcast, mas conversou com Ivan por telefone. Na ocasi&atilde;o, ele afirmou ter certeza de que os acusados no Par&aacute; s&atilde;o os verdadeiros culpados. Para o policial, Chagas nunca esteve em Altamira e n&atilde;o passa de uma inven&ccedil;&atilde;o. Essa &eacute; a opini&atilde;o de uma pessoa muito respeitada pelas fam&iacute;lias das v&iacute;timas.<\/p>\n\n\n\n<p>Originalmente, esse seria o epis&oacute;dio final desta temporada. Mas, ent&atilde;o, um dia, Ivan recebeu uma liga&ccedil;&atilde;o important&iacute;ssima do advogado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rubens-pena-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado e antrop&oacute;logo\" class=\"encyclopedia\">Rubens Pena J&uacute;nior<\/a>. Ele havia descoberto algo que mudaria todo o planejamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo da pesquisa, a produ&ccedil;&atilde;o do podcast sempre acreditou que o Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Par&aacute; havia arquivado todas as investiga&ccedil;&otilde;es contra Chagas em Altamira. S&oacute; que, naquela liga&ccedil;&atilde;o, Rubens contou que havia uma exce&ccedil;&atilde;o: o caso do sobrevivente <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wandicley-oliveira-pinheiro\/\" target=\"_self\" title=\"Terceiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Wandicley Oliveira Pinheiro<\/a> resultou em uma den&uacute;ncia contra o mec&acirc;nico, e ainda estava em aberto. No pr&oacute;ximo epis&oacute;dio, que revelar&aacute; os detalhes sobre isso, a pr&oacute;pria v&iacute;tima ser&aacute; ouvida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Este epis&oacute;dio usou reportagens da Rede Globo e do SBT.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Ex-Bate-Pau<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/984"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=984"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=984"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=984"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}