{"id":881,"date":"2023-01-12T00:01:00","date_gmt":"2023-01-12T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=881"},"modified":"2023-02-13T10:39:01","modified_gmt":"2023-02-13T13:39:01","slug":"extras-episodio-27","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-27\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 27"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>MAUR&Iacute;CIO SOUZA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 27 de dezembro de 1992, em Altamira, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/mauricio-farias-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 13 anos que desapareceu em dezembro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Maur&iacute;cio Farias de Souza<\/a> saiu bem cedo de casa. O garoto, de 13 anos, trabalhava com uma senhora vendendo salgados e recebia o pagamento toda sexta-feira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela ocasi&atilde;o, por&eacute;m, a patroa pediu para que ele fosse buscar o dinheiro na casa dela no fim de semana. E assim ele fez. A m&atilde;e de Maur&iacute;cio, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-carolina-farias\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Maur&iacute;cio, que desapareceu em em Altamira em 1992\" class=\"encyclopedia\">Maria Carolina Farias<\/a>, tem gravado na mem&oacute;ria o momento em que o filho se despediu dela pela &uacute;ltima vez.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Ele levantou e disse &lsquo;mam&atilde;e, faz uma canjica para n&oacute;s&rsquo;&rdquo;, contou ela em entrevista a Ivan Mizanzuk e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rubens-pena-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado e antrop&oacute;logo\" class=\"encyclopedia\">Rubens Pena J&uacute;nior<\/a> em novembro de 2021, durante a ida deles &agrave; Altamira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ela respondeu para o filho que j&aacute; tinha alguns ingredientes em casa, mas faltava a&ccedil;&uacute;car. Ele, ent&atilde;o, se prontificou: &ldquo;Mam&atilde;e, eu vou receber o dinheiro l&aacute; na casa da dona Em&iacute;lia para comprar o a&ccedil;&uacute;car&rdquo;, e Maria Carolina assentiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois disso, o garoto lhe confidenciou que teve um pesadelo naquela noite. &ldquo;Ele sonhou com um cachorro. Disse que o bicho corria atr&aacute;s dele, e ele subia em uma &aacute;rvore. Ele falou &lsquo;mam&atilde;e, eu gritava tanto por socorro e a senhora n&atilde;o me socorria&rsquo;&rdquo;, relatou Maria Carolina, bastante emocionada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela aproveitou o momento para alertar Maur&iacute;cio a ter cuidado na rua. Muitas crian&ccedil;as j&aacute; haviam desaparecido, e as fam&iacute;lias viviam com medo. Se ele visse qualquer movimenta&ccedil;&atilde;o estranha, um carro se aproximando ou algu&eacute;m suspeito, o conselho era um s&oacute;: correr para longe.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de deixar a casa, o menino sentou na cama e ouviu a can&ccedil;&atilde;o &ldquo;Chuva no Telhado&rdquo;, gravada pela dupla Leandro e Leonardo. &ldquo;Ele ouviu aquela m&uacute;sica todinha. Quando terminou, levantou e saiu&rdquo;, lembrou a m&atilde;e.<\/p>\n\n\n\n<p>O garoto, por&eacute;m, n&atilde;o voltou mais. Desesperada, junto de amigos e parentes, Maria Carolina buscou pelo filho. Eles falaram com a dona Em&iacute;lia, que devia dinheiro a Maur&iacute;cio. Ao ser questionada, ela disse que n&atilde;o viu o menino naquele dia. Em seguida, os familiares conversaram com o seu Ant&ocirc;nio, um homem que vendia salgados na regi&atilde;o. Nada. Nenhuma pista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Passaram a noite acordados. No dia seguinte, foram &agrave; delegacia fazer o Boletim de Ocorr&ecirc;ncia. Antes de registrar o sumi&ccedil;o, os policiais sugeriram que a fam&iacute;lia procurasse Maur&iacute;cio na casa de conhecidos em cidades vizinhas. Eles acataram a ideia e viajaram para l&aacute;, mas n&atilde;o encontraram nada. Voltaram, ent&atilde;o, para finalizar o B.O.<\/p>\n\n\n\n<p>Maur&iacute;cio &eacute; um dos desaparecidos em Altamira na &eacute;poca dos crimes contra crian&ccedil;as. Apesar do registro na delegacia, a pol&iacute;cia n&atilde;o abriu inqu&eacute;rito para investigar o caso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Maria Carolina at&eacute; hoje busca respostas sobre o que aconteceu com o seu filho. Ela integrava o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a>, e foi bastante atuante nos j&uacute;ris de Bel&eacute;m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos 90, ela chegou a participar de algumas reuni&otilde;es com a Pol&iacute;cia Federal (PF). E havia um agente em espec&iacute;fico de quem ela se lembrava bem: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-carlos-de-souza-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Policial federal que chefiou as investiga&ccedil;&otilde;es em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Carlos de Souza Machado<\/a>. Em um desses encontros, ambos tiveram uma discuss&atilde;o na frente de todo mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O estopim do desentendimento foi uma pergunta do policial para Maria Carolina. &ldquo;At&eacute; quando voc&ecirc; vai ficar lutando por esse processo?&rdquo;, questionou ele.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Eu parei. Eu parei naquele momento. A&iacute; eu disse &lsquo;por que voc&ecirc; est&aacute; me fazendo essa pergunta? Voc&ecirc; tem certeza que quer a resposta?&rsquo;. Eu nunca tive medo nem vergonha de ningu&eacute;m. Eu sou feia, eu sou preta, eu sou fraca de condi&ccedil;&atilde;o, mas sou um ser humano como outro qualquer. Eu sou como um advogado, como um engenheiro. A diferen&ccedil;a &eacute; que ele tem a condi&ccedil;&atilde;o dele e eu tenho a minha&rdquo;, desabafou.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquele momento, 11 pessoas em volta da mesa de reuni&atilde;o acompanhavam a cena. &ldquo;Se eu perguntei &eacute; porque quero a resposta&rdquo;, retrucou Jos&eacute; Carlos. <\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Eu falei &lsquo;voc&ecirc; vai ter ela agora&rsquo;, e levantei o dedo. A&iacute; eu disse &lsquo;eu n&atilde;o vou retirar esse processo do F&oacute;rum enquanto n&atilde;o souber o que aconteceu com o meu filho&rdquo;, refor&ccedil;ou a m&atilde;e de Maur&iacute;cio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CHAGAS E OS CRIMES EM ALTAMIRA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O mec&acirc;nico <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> foi preso no Maranh&atilde;o em dezembro de 2003. Em mar&ccedil;o do ano seguinte, a pol&iacute;cia encontrou na casa dele corpos enterrados e objetos de algumas v&iacute;timas. A partir de ent&atilde;o, o suspeito passou a confessar os assassinatos que cometeu no estado desde 1991.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, antes mesmo de admitir os crimes, ele revelou para os investigadores que havia morado em Altamira. Esse detalhe chamou a aten&ccedil;&atilde;o das autoridades.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelo a isso, como mencionado anteriormente, o governo federal emitiu uma resolu&ccedil;&atilde;o que permitia a atua&ccedil;&atilde;o da PF em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as em todo o Brasil. A portaria, assinada pelo ent&atilde;o Secret&aacute;rio Especial dos Direitos Humanos, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/nilmario-miranda\/\" target=\"_self\" title=\"Secret&aacute;rio de Direitos Humanos do primeiro governo Lula\" class=\"encyclopedia\">Nilm&aacute;rio Miranda<\/a>, data de 24 de setembro de 2003.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/12\/2003-09-24-Resolucao-n-43-da-Secretaria-Especial-dos-Direitos-Humanos-Nilmario-Miranda.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Resolu&ccedil;&atilde;o assinada por Nilm&aacute;rio Miranda<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nessa &eacute;poca, em meio aos j&uacute;ris em Bel&eacute;m, a informa&ccedil;&atilde;o divulgada pela imprensa era de que 19 meninos teriam sido v&iacute;timas da seita, mas apenas cinco casos acabaram inclu&iacute;dos no processo. Os r&eacute;us C&eacute;sio, An&iacute;sio, Amailton, Carlos Alberto e Valentina estavam sendo julgados justamente por essas ocorr&ecirc;ncias: tr&ecirc;s mortos e dois sobreviventes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, faltava o desfecho de outros 14 crimes. Por isso, as fam&iacute;lias de Altamira pressionavam as autoridades em busca de respostas, demanda que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/nilmario-miranda\/\" target=\"_self\" title=\"Secret&aacute;rio de Direitos Humanos do primeiro governo Lula\" class=\"encyclopedia\">Nilm&aacute;rio Miranda<\/a> pretendia atender por meio da resolu&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em primeiro de abril de 2004, por meio dessa autoriza&ccedil;&atilde;o, agentes da Pol&iacute;cia Federal foram at&eacute; S&atilde;o Lu&iacute;s, no Maranh&atilde;o, para interrogar Chagas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ponto da hist&oacute;ria, a investiga&ccedil;&atilde;o dos emasculados de Altamira pela PF estava nas m&atilde;os da jovem delegada <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/daniele-gossenheimer-rodrigues\/\" target=\"_self\" title=\"Delegada da PF respons&aacute;vel por investigar Chagas em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Daniele Gossenheimer Rodrigues<\/a>. Esse detalhe &eacute; importante pois os trabalhos agora seriam conduzidos por pessoas que vinham de outra &eacute;poca da corpora&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Elas eram diferentes, por exemplo, de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-carlos-de-souza-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Policial federal que chefiou as investiga&ccedil;&otilde;es em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Carlos de Souza Machado<\/a>, chefe das opera&ccedil;&otilde;es na cidade durante a d&eacute;cada de 1990, que j&aacute; estava aposentado. Ele foi formado nos anos 70, no contexto da ditadura militar, assim como boa parte dos policiais que o acompanharam no caso de Altamira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No per&iacute;odo de redemocratiza&ccedil;&atilde;o do Brasil, havia uma disputa interna na Pol&iacute;cia Federal. Os militares queriam que a institui&ccedil;&atilde;o continuasse na m&atilde;o deles, enquanto outras pessoas preferiam que ela fosse chefiada por delegados de carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa disputa fica evidente, por exemplo, na lista de diretores gerais da PF no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990. Entre julho de 1993 e fevereiro de 1995, quem ocupou o cargo foi <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wilson-brandi-romao\/\" target=\"_self\" title=\"Militar, foi diretor geral da PF entre 1993 e 1995\" class=\"encyclopedia\">Wilson Brandi Rom&atilde;o<\/a>, um militar. Depois dele, assumiu <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/vicente-chelotti\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado de carreira, foi diretor geral da PF entre 1995 e 1999\" class=\"encyclopedia\">Vicente Chelotti<\/a>, um delegado de carreira. Desde ent&atilde;o, apenas essa categoria passou a atuar na fun&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.gov.br\/pf\/pt-br\/acesso-a-informacao\/institucional\/galeria-de-ex-diretores-gerais\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de diretores gerais da Pol&iacute;cia Federal<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;A Pol&iacute;cia Federal tal como se conhece hoje, embora tenha outra origem, se reestrutura depois de 1988&rdquo;, explicou <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/alexandre-dupeyrat\/\" target=\"_self\" title=\"Ministro da Justi&ccedil;a entre abril de 1994 e janeiro de 1995\" class=\"encyclopedia\">Alexandre Dupeyrat<\/a>, ministro da justi&ccedil;a em 1994, em entrevista ao Projeto Humanos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, foi a partir da&iacute; que a PF passou por um intenso processo de profissionaliza&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Eu acho que, com a chegada do Chelotti, houve um avan&ccedil;o na estabiliza&ccedil;&atilde;o do corpo profissional da institui&ccedil;&atilde;o&rdquo;, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2004, a delegada Daniele Gossenheimer fazia parte dessa nova leva de investigadores de carreira, n&atilde;o contaminados pela ditadura militar. Quando ela interroga Chagas pela primeira vez, o interesse &eacute; um s&oacute;: entender a hist&oacute;ria de vida dele em Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>&Agrave; ela, o mec&acirc;nico deu detalhes sobre a sua inf&acirc;ncia, cria&ccedil;&atilde;o e pessoas com quem se relacionou. A princ&iacute;pio, ele negou ter cometido os assassinatos no Par&aacute;, embora j&aacute; tenha confessado os casos no Maranh&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>No depoimento, ele disse sofrer com &ldquo;esquecimentos tempor&aacute;rios&rdquo; desde que pegou mal&aacute;ria na primeira vez que foi para o Garimpo da Ressaca, em Altamira, em 1982. Na ocasi&atilde;o, Chagas teria sido acometido por uma febre forte, que, segundo ele, deu in&iacute;cio aos epis&oacute;dios de confus&atilde;o mental.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Justamente por isso, de acordo com o suspeito, ele n&atilde;o se lembrava de ter cometido os crimes em Altamira, mas concordava em ser levado at&eacute; l&aacute; para estimular a mem&oacute;ria. <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2004-04-01-Interrogatorio-Chagas-para-PF.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Interrogat&oacute;rio de Chagas conduzido pela delegada Daniele<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essa postura de Chagas mostra como eram as suas confiss&otilde;es. Ele sempre dizia n&atilde;o se recordar de nada e, &agrave; medida que as conversas avan&ccedil;avam, passava a dar detalhes dos casos &ndash; como se o fluxo de pensamento o ajudasse a se lembrar dos eventos.<\/p>\n\n\n\n<p>O mec&acirc;nico admitiu, inicialmente, tr&ecirc;s assassinatos: o de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jonathan-vieira\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente de 15 anos que desapareceu em 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Jonnathan Silva Vieira<\/a> e dos dois meninos cujas ossadas foram encontradas na casa dele. No decorrer dos depoimentos seguintes, ele chegou ao total de 30 v&iacute;timas no Maranh&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os problemas relativos &agrave; mem&oacute;ria foram abordados em epis&oacute;dios anteriores, mas neste caso n&atilde;o &eacute; diferente. Por isso, o trabalho da Pol&iacute;cia Civil do Maranh&atilde;o n&atilde;o se baseou apenas nos interrogat&oacute;rios do suspeito. As provas materiais encontradas na resid&ecirc;ncia em que ele vivia, al&eacute;m do estudo da geografia do crime, foram fundamentais para a resolu&ccedil;&atilde;o dos casos em S&atilde;o Lu&iacute;s.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso foi retomado pelo delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/joao-carlos-amorim-diniz\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil conhecido por ligar Chagas a diversos crimes no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Carlos Amorim Diniz<\/a>, encarregado pelas investiga&ccedil;&otilde;es no estado. Ele cruzou esses dados com as descri&ccedil;&otilde;es fornecidas por Chagas sobre os locais, roupas das v&iacute;timas e conversas que tinha com elas. Com isso, o investigador conseguiu identificar cada uma das crian&ccedil;as que o mec&acirc;nico dizia ter matado.<\/p>\n\n\n\n<p>Detalhes sobre esse trabalho est&atilde;o dispon&iacute;veis no relat&oacute;rio final produzido por Diniz em novembro de 2004, que pode ser lido aqui:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1IgZn-kL25LhNLVcWCQsNiFupOAjY-GvC\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Relat&oacute;rio final produzido pelo delegado Diniz<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em mat&eacute;rias de imprensa da &eacute;poca, muitas vezes policiais afirmam que &ldquo;Chagas lembrava de tudo, dava detalhes de tudo&rdquo;. Isso &eacute; e n&atilde;o &eacute; verdade. Essas declara&ccedil;&otilde;es d&atilde;o a entender que o mec&acirc;nico tinha uma mem&oacute;ria perfeita, mas a realidade &eacute; outra: ao ler os seus relatos ou ouvir as suas grava&ccedil;&otilde;es, fica evidente que ele lembra das coisas enquanto fala, e &eacute; sempre entrecortado pelo o que chama de &ldquo;surtos de esquecimento&rdquo;. Foram necess&aacute;rios v&aacute;rios interrogat&oacute;rios para que o suspeito fornecesse todas as informa&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias &agrave; pol&iacute;cia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, por exemplo, Chagas raramente lembrava dos nomes das v&iacute;timas. Nas confiss&otilde;es, ele sempre as descreve dentro de um contexto, como &ldquo;o menino do suquinho&rdquo; ou &ldquo;o menino da bicicleta&rdquo;. Os policiais comparavam esses detalhes com os relatos de familiares das crian&ccedil;as e, a partir da an&aacute;lise geogr&aacute;fica e cronol&oacute;gica da vida do mec&acirc;nico, conseguiam identificar os garotos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, o acusado tinha um m&eacute;todo: ele sempre agia dentro de um territ&oacute;rio delimitado, que conhecia bem. Esse, inclusive, &eacute; um perfil de serial killer bastante conhecido hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em 2004, n&atilde;o havia no Brasil especialistas nessa &aacute;rea da criminologia. Por conta disso, o delegado Diniz decidiu buscar ajuda. Foi ent&atilde;o que ele entrou em contato com a escritora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ilana-casoy\/\" target=\"_self\" title=\"Crimin&oacute;loga e escritora, auxiliou a pol&iacute;cia a investigar Chagas em 2004\" class=\"encyclopedia\">Ilana Casoy<\/a>. Em 2002, ela havia acabado de lan&ccedil;ar um livro sobre o tema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Quando apareceu um suspeito, eu tive que procurar aprender mais sobre ele. Ent&atilde;o, entrei na internet e botei o termo &lsquo;serial killer&rsquo;. Apareceu uma por&ccedil;&atilde;o de coisas l&aacute;, entre elas, o nome dela [Ilana]. Eu entrei no site, peguei o telefone e liguei. Expliquei o que estava acontecendo, pedi sigilo, e solicitei que ela me orientasse no que sabia sobre o assunto&rdquo;, explicou Diniz na audi&ecirc;ncia da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos realizada em novembro de 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi&atilde;o, ele foi questionado sobre o motivo pelo qual n&atilde;o procurou o aux&iacute;lio de algu&eacute;m da pol&iacute;cia, em vez de ir atr&aacute;s de uma escritora. A resposta, segundo o delegado, era simples: ele n&atilde;o encontrou ningu&eacute;m que tivesse conhecimento sobre o tema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/AP-emasculados-camara-18_11_2004.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ata de audi&ecirc;ncia da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos em 2004<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>EXAME PSICOL&Oacute;GICO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como j&aacute; mencionado no epis&oacute;dio passado, a delegada <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/edilucia-chaves-trindade\/\" target=\"_self\" title=\"Delegada civil do Maranh&atilde;o respons&aacute;vel pela pris&atilde;o de Chagas\" class=\"encyclopedia\">Edil&uacute;cia Chaves Trindade<\/a>, respons&aacute;vel pela pris&atilde;o de Chagas, pediu que ele fosse avaliado por um psic&oacute;logo. O laudo, produzido pelo doutor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-leal\/\" target=\"_self\" title=\"Psic&oacute;logo que realizou o primeiro exame em Chagas\" class=\"encyclopedia\">Carlos Leal<\/a> em 18 de dezembro de 2003, afirma:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Devido a n&atilde;o-estrutura&ccedil;&atilde;o dos mecanismos reativos e inibit&oacute;rios, vive em constante tentativa de repress&atilde;o dos desejos prim&aacute;rios, em auto-vig&iacute;lia permanente e persecutoriedade, visando a preserva&ccedil;&atilde;o interna e externa, nega&ccedil;&atilde;o da sexualidade e n&atilde;o afirma&ccedil;&atilde;o social, que se apresenta em forma de falsa brandura, tranquilidade e pondera&ccedil;&atilde;o, utilizados como forma de distanciamento do grande mal que, em seu mundo ps&iacute;quico, &eacute; sua identidade sexual n&atilde;o aceita.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>[&hellip;]&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Outro aspecto muito relevante da sua sexualidade &eacute; a necessidade permanente de atrair o perfil infantil e submisso, j&aacute; que neste tipo de relacionamento interpessoal e sexual n&atilde;o precisa abrir m&atilde;o de recursos elaborados para conquistar, compartilhar, ceder, aprender com o outro, rever-se e manter rela&ccedil;&otilde;es est&aacute;veis, podendo ser desta forma, ap&oacute;s o envolvimento e dom&iacute;nio do atra&iacute;do, hostil e perverso, j&aacute; que a partir destes mecanismos de defesa nega e recalca o pr&oacute;prio desejo, acreditando que assim purifica-se do grande mal e volta a ser novamente honrado frente a auto-imagem realizada.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&Eacute; ainda portador de um acentuado desejo de dom&iacute;nio, presun&ccedil;&atilde;o, onipot&ecirc;ncia e superestima, com concomitante rebaixado senso de autocr&iacute;tica, autopuni&ccedil;&atilde;o e culpa; por isso o infantil, o submisso, imaturo e indefeso o atrai muito, pois n&atilde;o o amea&ccedil;a e o satisfaz nas suas perspectivas de domin&acirc;ncia, agressividade, hostilidade e homoerotismo.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O laudo conclui que Chagas possui &ldquo;personalidade psicop&aacute;tica, com homoerotismo fixado no infantil, e psicose esquizoparan&oacute;ide latente&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2003-12-18-Primeiro-Laudo-Psicologico-Chagas.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Primeiro laudo psicol&oacute;gico de Chagas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Posteriormente, o mec&acirc;nico passou por outra avalia&ccedil;&atilde;o psicol&oacute;gica. Dessa vez, o procedimento foi requisitado por Diniz, j&aacute; ap&oacute;s as confiss&otilde;es. Dois profissionais de S&atilde;o Paulo conduziram o exame: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-adelaide-de-freitas-caires\/\" target=\"_self\" title=\"Psic&oacute;loga que realizou o segundo exame em Chagas, em 2004\" class=\"encyclopedia\">Maria Adelaide de Freitas Caires<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-de-padua-serafim\/\" target=\"_self\" title=\"Psic&oacute;logo que realizou o segundo exame em Chagas, em 2004\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio de P&aacute;dua Serafim<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A roteirista do Projeto Humanos, Tain&aacute; Muhringer, que trabalhou com Ivan Mizanzuk nesta temporada, entrevistou Serafim sobre as sess&otilde;es com Chagas. O psic&oacute;logo passou por uma semana inteira de intera&ccedil;&atilde;o com o mec&acirc;nico, com conversas que duravam at&eacute; 10 horas por dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das primeiras caracter&iacute;sticas que Serafim percebeu no suspeito &eacute; a chamada obsessividade. &ldquo;O que &eacute; isso? Ele tem uma linha de pensamento que voc&ecirc; n&atilde;o consegue quebrar. Ele estabelece a sequ&ecirc;ncia, a forma de pensar, a ideia que tem sobre as coisas, e tem que ser daquele jeito. Isso a gente n&atilde;o encontra s&oacute; no Chagas, mas em v&aacute;rios indiv&iacute;duos que mataram mais de uma pessoa com uma certa ritualiza&ccedil;&atilde;o&rdquo;, disse o psic&oacute;logo.<\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; necess&aacute;rio n&atilde;o confundir esse tra&ccedil;o mais met&oacute;dico da personalidade de Chagas com o Transtorno Obsessivo Compulsivo, que &eacute; um dist&uacute;rbio psiqui&aacute;trico de ansiedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m disso, Serafim tamb&eacute;m notou como certos acontecimentos podem ter impactado o rumo que a vida do mec&acirc;nico tomou. Aos 15 ou 16 anos, Chagas foi trabalhar no garimpo como &ldquo;olheiro&rdquo;. Ele era respons&aacute;vel por dedurar aqueles que escondiam as pepitas que encontravam. Como consequ&ecirc;ncia, esses indiv&iacute;duos eram punidos com viol&ecirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Quando voc&ecirc; fica muito exposto a essas quest&otilde;es, isso se consolida como uma normalidade. Esse &eacute; um fator ambiental que pode ser muito negativo dependendo das caracter&iacute;sticas da pessoa. E o Chagas tinha essa viv&ecirc;ncia. Tinha tamb&eacute;m as hist&oacute;rias de rigidez da av&oacute; e da m&atilde;e, que usavam da viol&ecirc;ncia&rdquo;, completou o psic&oacute;logo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso se traduz em uma insensibilidade aparente por parte do suspeito. Segundo Serafim, Chagas &eacute; extremamente autocentrado e tem dificuldade em enxergar o mal que causa ao outro. Ao falar dos crimes, por exemplo, ele fazia quest&atilde;o de deixar claro que jamais pegou nenhuma crian&ccedil;a &agrave; for&ccedil;a. &Eacute; como se assumisse a autoria dos casos, mas n&atilde;o a responsabilidade por eles. &Eacute; como se a culpa n&atilde;o fosse dele. Em nenhum momento ele conseguia expressar qualquer sinal de sofrimento pelas v&iacute;timas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o motivo da emascula&ccedil;&atilde;o, o mec&acirc;nico alegou ao psic&oacute;logo que, com a retirada do p&ecirc;nis, &ldquo;o menino chegava no c&eacute;u e virava anjo, pois n&atilde;o possu&iacute;a mais sexo&rdquo;. O que ele fazia com os &oacute;rg&atilde;os depois, por&eacute;m, jamais ficou claro para a pol&iacute;cia. Esse foi um detalhe que Chagas nunca revelou. Ele disse apenas que os enterrava.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Pelo n&iacute;vel de ritualiza&ccedil;&atilde;o dos crimes, no entanto, Serafim tem uma suspeita. &ldquo;A literatura nos traz que v&aacute;rios indiv&iacute;duos com essas caracter&iacute;sticas, que chegam no n&iacute;vel de mortes como o atribu&iacute;do ao Chagas, de 42 crian&ccedil;as, desenvolvem a antropofagia. Ou seja, comem partes do corpo. A gente sempre ficou na d&uacute;vida se ele j&aacute; estava nesse est&aacute;gio. Ele disse que n&atilde;o&rdquo;, comentou. <\/p>\n\n\n\n<p>O psic&oacute;logo, por outro lado, acredita que isso pode sim ter acontecido. Principalmente porque, de acordo com os estudos, esse tipo de assassino precisa gerar sensa&ccedil;&otilde;es emocionais novas ao cometer os crimes. &Eacute; por isso que os rituais tendem a evoluir.<\/p>\n\n\n\n<p>A conclus&atilde;o do exame indicou que Chagas possu&iacute;a caracter&iacute;stica obsessiva e de insensibilidade, al&eacute;m da aus&ecirc;ncia de empatia, o que preenche os crit&eacute;rios da chamada &ldquo;personalidade antissocial com o agravo de psicopatia&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>O laudo de Ant&ocirc;nio Serafim e Maria Adelaide Caires ficou pronto em 7 de outubro de 2004, cinco meses depois das entrevistas com Chagas &ndash; realizadas entre 14 e 17 de maio. Nesse per&iacute;odo, enquanto estava preso no Maranh&atilde;o, o mec&acirc;nico j&aacute; havia come&ccedil;ado a confessar os crimes cometidos em Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/3.-2004-10-07-Segundo-Laudo-Psicologico-Chagas.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Segundo laudo psicol&oacute;gico de Chagas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>OPERA&Ccedil;&Atilde;O MONSTRO DE ALTAMIRA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Aqui vale relembrar que, quando a Pol&iacute;cia Federal foi ao Par&aacute; na d&eacute;cada de 1990, as investiga&ccedil;&otilde;es tinham o nome de &ldquo;Opera&ccedil;&atilde;o Monstro de Altamira&rdquo;. A primeira fase, chefiada pelo agente <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-carlos-de-souza-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Policial federal que chefiou as investiga&ccedil;&otilde;es em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Carlos de Souza Machado<\/a>, foi realizada em 1993.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As informa&ccedil;&otilde;es coletadas, ent&atilde;o, foram enviadas para a Pol&iacute;cia Civil. Como consequ&ecirc;ncia, o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> prendeu o ex-PM <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-alberto-dos-santos-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Policial militar acusado no caso dos meninos\" class=\"encyclopedia\">Carlos Alberto dos Santos Lima<\/a>, e os m&eacute;dicos <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/anisio-ferreira-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico acusado no caso dos meninos emasculados\" class=\"encyclopedia\">An&iacute;sio Ferreira de Souza<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/cesio-flavio-caldas-brandao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico reconhecido por Agostinho como suspeito na morte de Jaenes\" class=\"encyclopedia\">C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o<\/a>. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a> j&aacute; estava detido desde novembro de 1992, por conta dos trabalhos conduzidos pelo investigador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/brivaldo-pinto-soares-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelo inqu&eacute;rito de Jaenes em outubro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Brivaldo Pinto Soares Filho<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1994, a segunda fase da opera&ccedil;&atilde;o da PF obteve o relato de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eudilene-pereira-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente que se diz testemunha de uma s&eacute;rie de crimes contra meninos\" class=\"encyclopedia\">Eudilene Pereira da Costa<\/a>, de 13 anos. A adolescente dizia ter sido testemunha de uma s&eacute;rie de crimes contra meninos na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No ano seguinte, durante a terceira etapa, a equipe de Jos&eacute; Carlos focou no testemunho de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valdete-rodrigues-barroso\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que desapareceu ap&oacute;s passar informa&ccedil;&otilde;es para a PF\" class=\"encyclopedia\">Valdete Rodrigues Barroso<\/a>, que relatava ter visto Amailton com um garoto morto dentro de um carro no final da d&eacute;cada de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, em 2004, gra&ccedil;as &agrave; portaria de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/nilmario-miranda\/\" target=\"_self\" title=\"Secret&aacute;rio de Direitos Humanos do primeiro governo Lula\" class=\"encyclopedia\">Nilm&aacute;rio Miranda<\/a>, acontecia a quarta fase da Opera&ccedil;&atilde;o Monstro de Altamira &ndash; desta vez, sob o comando da delegada <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/daniele-gossenheimer-rodrigues\/\" target=\"_self\" title=\"Delegada da PF respons&aacute;vel por investigar Chagas em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Daniele Gossenheimer Rodrigues<\/a>. Foi ela quem iniciou, pela PF, as investiga&ccedil;&otilde;es que tinham Chagas como suspeito no caso dos meninos emasculados do Par&aacute;.<\/p>\n\n\n\n<p>Pouco tempo depois, entretanto, ela teve um problema de sa&uacute;de e foi substitu&iacute;da pela colega <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/virginia-vieira-rodrigues\/\" target=\"_self\" title=\"Delegada da PF que auxiliou as investiga&ccedil;&otilde;es sobre Chagas em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Virg&iacute;nia Vieira Rodrigues<\/a>, que tamb&eacute;m fazia parte do novo corpo de profissionais da corpora&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa etapa dos trabalhos envolveu um acordo de coopera&ccedil;&atilde;o entre v&aacute;rios &oacute;rg&atilde;os: Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Par&aacute; e do Maranh&atilde;o, Superintend&ecirc;ncias da Pol&iacute;cia Federal, e Pol&iacute;cia Civil de ambos os estados.<\/p>\n\n\n\n<p>Em princ&iacute;pio, Chagas confessou 12 assassinatos em Altamira. Alguns desses casos tamb&eacute;m foram investigados pela Pol&iacute;cia Civil, na figura do delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/neyvaldo-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado que atuou no inqu&eacute;rito da quebra de incomunicabilidade\" class=\"encyclopedia\">Neyvaldo Costa<\/a>. Ele tamb&eacute;m foi um dos respons&aacute;veis por apurar a quebra de incomunicabilidade no j&uacute;ri de Valentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Assim que o mec&acirc;nico passou a admitir os crimes no Par&aacute;, Neyvaldo come&ccedil;ou a investigar. Ele conversou com familiares de v&iacute;timas, especialmente daquelas que nunca tiveram inqu&eacute;rito aberto, e tentou identificar pessoas que conheciam Chagas na &eacute;poca que ele morou na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s os tr&acirc;mites burocr&aacute;ticos, chegava o momento mais aguardado: era necess&aacute;rio levar o suspeito para Altamira, para que ele apontasse os locais dos crimes. Isso ocorreu em 28 de junho de 2004, como divulgou o jornal Di&aacute;rio do Par&aacute; na ocasi&atilde;o:<\/p>\n\n\n\n<p><em>O mec&acirc;nico <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> Britto, r&eacute;u confesso na morte de crian&ccedil;as em Altamira no per&iacute;odo dos crimes de emascula&ccedil;&atilde;o, chega hoje ao Par&aacute;, recambiado pelas pol&iacute;cias Federal e Civil do Maranh&atilde;o. Ele seguir&aacute; para o munic&iacute;pio onde participar&aacute; das reconstitui&ccedil;&otilde;es dos crimes. Francisco est&aacute; sob a cust&oacute;dia da pol&iacute;cia maranhense, mas poder&aacute; ser preso no Par&aacute; tamb&eacute;m. O delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/neyvaldo-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado que atuou no inqu&eacute;rito da quebra de incomunicabilidade\" class=\"encyclopedia\">Neyvaldo Costa<\/a> solicitou, no dia 25 passado, a pris&atilde;o preventiva ao ju&iacute;zo da 3&ordf; Vara de Altamira.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O pedido n&atilde;o criar&aacute; conflito entre as pol&iacute;cias civis dos dois Estados. Segundo o diretor da Divis&atilde;o de Investiga&ccedil;&otilde;es e Opera&ccedil;&otilde;es Especiais, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/waldir-freire\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelo inqu&eacute;rito da quebra de incomunicabilidade\" class=\"encyclopedia\">Waldir Freire<\/a>, a vinda de Francisco ao Par&aacute; foi poss&iacute;vel porque as investiga&ccedil;&otilde;es no Maranh&atilde;o foram conclu&iacute;das. Dessa maneira, caso seja decretada a pris&atilde;o do mec&acirc;nico, ele ficar&aacute; sob a responsabilidade da justi&ccedil;a paraense.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, havia tr&ecirc;s hip&oacute;teses em torno de Chagas no Par&aacute;:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>A primeira &eacute; de que ele era o verdadeiro assassino das crian&ccedil;as. Isso significaria que Amailton, Carlos Alberto, An&iacute;sio e C&eacute;sio, que estavam presos ap&oacute;s a condena&ccedil;&atilde;o nos j&uacute;ris, seriam inocentes.<\/li><li>A segunda tese &eacute; de que o mec&acirc;nico poderia ter liga&ccedil;&atilde;o com o Lineamento Universal Superior (LUS), o grupo de Valentina. Ou seja, ele teria cometido os crimes junto com outras pessoas, provavelmente os condenados.<\/li><li>A terceira &eacute; de que o suspeito na verdade seria um laranja, que havia recebido algo para assumir os assassinatos em Altamira. As confiss&otilde;es seriam, ent&atilde;o, instru&iacute;das por poss&iacute;veis membros do LUS ou indiv&iacute;duos pagos pela &ldquo;seita&rdquo;.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>A mat&eacute;ria do Di&aacute;rio do Par&aacute; citada acima traz elementos sobre a &uacute;ltima hip&oacute;tese, pois cita um encontro entre Chagas e o advogado de Valentina, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/claudio-dalledone-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa que atuou no j&uacute;ri de Valentina de Andrade\" class=\"encyclopedia\">Cl&aacute;udio Dalledone J&uacute;nior<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Segundo o delegado Neyvaldo, a conversa que manteve com o mec&acirc;nico foi de cerca de 3 horas. Em nenhum momento o acusado mostrou-se apreensivo, portando-se normalmente diante do delegado. No di&aacute;logo n&atilde;o foi questionado o teor da conversa entre Francisco e o advogado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/claudio-dalledone-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa que atuou no j&uacute;ri de Valentina de Andrade\" class=\"encyclopedia\">Cl&aacute;udio Dalledone J&uacute;nior<\/a>, que defendeu Valentina no processo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1JoI4Fdt9MvhEaUtcjqY2whgdsX-MFw0Z\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do Jornal O Di&aacute;rio do Par&aacute; &ndash; &ldquo;Francisco das Chagas chega hoje ao Par&aacute;&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Outras reportagens da &eacute;poca tamb&eacute;m implicavam que Dalledone estaria &ldquo;combinando algo&rdquo; com o mec&acirc;nico, para que ele admitisse os crimes. Como resposta &agrave;s acusa&ccedil;&otilde;es da imprensa, o advogado enviou ao Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado do Par&aacute; uma declara&ccedil;&atilde;o dizendo que jamais se encontrou com Chagas. No documento, foi anexada a certid&atilde;o de um escriv&atilde;o da Pol&iacute;cia Civil do Maranh&atilde;o, confirmando que nem Dalledone ou nenhum outro representante da l&iacute;der do LUS teve contato com o suspeito.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1UoYLlxF9XVawWg3uBtHqwRacghxQrKSr\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Declara&ccedil;&atilde;o de Dalledone ao TJ do Par&aacute;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Contudo, na audi&ecirc;ncia da Comiss&atilde;o de Direitos Humanos, de novembro de 2004, o delegado Diniz afirmou que recebeu Dalledone na delegacia no m&ecirc;s de janeiro. &ldquo;Ele quis conhecer o Chagas, e eu o levei &agrave; carceragem. Se passamos tr&ecirc;s minutos l&aacute;, foi muito. Ele perguntou o nome do preso, onde morou e trabalhou, e se conhecia o doutor An&iacute;sio, uma das pessoas presas [no Par&aacute;]. Ele disse que n&atilde;o, que conhecia algu&eacute;m de nome. Depois, sa&iacute;mos de l&aacute;&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, o investigador diz ter presenciado um breve encontro entre Dalledone e Chagas em janeiro de 2004, quando o mec&acirc;nico ainda n&atilde;o tinha confessado nada. O suspeito s&oacute; admitiria ter cometido os crimes dali a dois meses, ap&oacute;s a pol&iacute;cia encontrar provas na casa dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Para aqueles que acreditam que Chagas &eacute; um laranja, a implica&ccedil;&atilde;o disso &eacute; a seguinte: haveria um grande compl&ocirc; entre o LUS e policiais civis, federais e membros do Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Maranh&atilde;o. Dalledone seria, portanto, um intermedi&aacute;rio no esquema.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nunca houve nenhuma prova disso. Essas s&atilde;o s&oacute; suposi&ccedil;&otilde;es e suspeitas veiculadas na imprensa da &eacute;poca. Mas elas permeiam toda a passagem de Chagas por Altamira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AN&Aacute;LISE DE LOCAIS <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 29 de junho de 2004, dia seguinte &agrave; chegada em Altamira, o mec&acirc;nico foi levado para os locais onde afirmava ter cometido os crimes. Ele estava acompanhado de 15 policiais federais, um defensor p&uacute;blico e do perito <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wilton-carlos-rego\/\" target=\"_self\" title=\"Perito que ajudou a ligar Chagas a diversos crimes no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Wilton Carlos Rego<\/a>, respons&aacute;vel pelo trabalho de localiza&ccedil;&atilde;o geogr&aacute;fica no Maranh&atilde;o. No Par&aacute;, por&eacute;m, a an&aacute;lise de georreferenciamento foi feita por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/gustavo-ota-ueno\/\" target=\"_self\" title=\"Perito que fez a an&aacute;lise geogr&aacute;fica dos crimes em Altamira em 2004\" class=\"encyclopedia\">Gustavo Ota Ueno<\/a>, que assina os laudos desta parte da investiga&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Est&atilde;o dispon&iacute;veis na enciclop&eacute;dia alguns dos documentos produzidos pela Pol&iacute;cia Federal ap&oacute;s a passagem de Chagas por Altamira. Dos 14 casos confessados por ele naquela cidade (tr&ecirc;s sobreviventes + 11 mortos), tivemos acesso a oito laudos de locais.&nbsp;Eles est&atilde;o listados na ordem cronol&oacute;gica dos ataques: <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/Jose-Sidney-Laudo-Local.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">02\/08\/1989 &ndash; Jos&eacute; Sidney<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/Ieverilton-Rocha-dos-Santos-Laudo-Local.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">03\/10\/1989 &ndash; Ieverilton Rocha dos Santos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/Tito-Mendes-Vieira-Laudo-Local.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">20\/01\/1991 &ndash; Tito Mendes Vieira<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/Ailton-Fonseca-do-Nascimento-Laudo-Local.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">05\/05\/1991 &ndash; Ailton Nascimento Fonseca<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/Jose-Chagas-da-Silva-Pinduquinha-Laudo-Local.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">05\/1991 a 07\/1992 &ndash; Jos&eacute; Chagas da Silva<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/Klebson-Ferreira-Caldas-Laudo-Local.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">13\/11\/1992 &ndash; Klebson Ferreira Caldas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/Flavio-Lopes-da-Silva-Laudo-Local.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">27\/03\/1993 &ndash; Fl&aacute;vio Lopes da Silva<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/Rosinaldo-Farias-da-Silva-Laudo-Local.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">09\/09\/1993 &ndash; Rosinaldo Farias da Silva<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m disso, tamb&eacute;m inclu&iacute;mos aqui um PDF com dois mapas produzidos com as localidades das v&iacute;timas, de acordo com os apontamentos de Chagas. O mapa da primeira p&aacute;gina foi produzido pela Pol&iacute;cia Federal. O da segunda p&aacute;gina, pela Pol&iacute;cia Civil. Quando comparados, h&aacute; algumas discrep&acirc;ncias, o que pode demonstrar diferen&ccedil;as de informa&ccedil;&otilde;es entre as pol&iacute;cias:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/14.-Mapas-Chagas-Vitimas-Altamira.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mapa &ndash; V&iacute;timas de Chagas em Altamira<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Um dia depois desse procedimento, uma mat&eacute;ria do jornal O Di&aacute;rio do Par&aacute; relatou a vinda de mais uma pessoa para presenciar as reconstitui&ccedil;&otilde;es: a promotora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosana-cordovil\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que atuou no j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Rosana Cordovil<\/a>, que atuou em 2003 nos j&uacute;ris em Bel&eacute;m. A reportagem afirma:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A opera&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal de reconhecimento de local, realizada com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a>, que estava prevista para ter a dura&ccedil;&atilde;o de tr&ecirc;s dias, foi conclu&iacute;da na &uacute;ltima ter&ccedil;a-feira. Os levantamentos deveriam ter sido acompanhados pela promotora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosana-cordovil\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que atuou no j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Rosana Cordovil<\/a>, mas devido &agrave; falta de voos, ela n&atilde;o conseguiu chegar ao munic&iacute;pio a tempo de participar das reconstitui&ccedil;&otilde;es.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Rosana disse que, por n&atilde;o estarem definidas quando ser&atilde;o realizadas as pr&oacute;ximas a&ccedil;&otilde;es da PF em Altamira, seu retorno a Bel&eacute;m deve ser r&aacute;pido.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A promotora afirmou que mesmo diante do que o mec&acirc;nico declarou &agrave; pol&iacute;cia, assumindo sozinho os crimes em Altamira, acha improv&aacute;vel que ele seja o &uacute;nico autor dos assassinatos. Segundo ela, para que os fatos se tornem contundentes, &eacute; preciso que outros elementos de prova sejam juntados ao processo.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Rosana tamb&eacute;m disse que n&atilde;o acredita na possibilidade dos quatro condenados no processo serem inocentes, por causa das provas constatadas nos autos e das per&iacute;cias feitas nos corpos das v&iacute;timas, que mostraram que os cortes eram cir&uacute;rgicos.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2004-07-01-Rosana-Cordovil-em-Altamira-Diario-do-Para.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do jornal O Di&aacute;rio do Par&aacute; &ndash; &ldquo;Opera&ccedil;&atilde;o de reconhecimento de local est&aacute; conclu&iacute;da&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTERROGAT&Oacute;RIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante a estadia em Altamira, Chagas permaneceu detido no quartel do Ex&eacute;rcito da cidade, o 51 BIS. Ele chegou em 28 de junho de 2004 e, pouco mais de uma semana depois, em 6 de julho, passou por um novo interrogat&oacute;rio. Quem conduziu o procedimento foi a delegada Virg&iacute;nia, que havia substitu&iacute;do a colega Daniele.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse depoimento &eacute; o mais completo que o mec&acirc;nico deu sobre os casos dos meninos no Par&aacute;. S&atilde;o 19 p&aacute;ginas de uma esp&eacute;cie de fluxo de pensamento, em que o suspeito fala livremente, enquanto o escriv&atilde;o registra tudo. Existem relatos de que o interrogat&oacute;rio foi gravado, mas a produ&ccedil;&atilde;o do Projeto Humanos n&atilde;o teve acesso a esse v&iacute;deo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&Agrave; doutora Virg&iacute;nia, Chagas confessa em detalhes cada um dos crimes que cometeu em Altamira. Ele cita 14 casos, n&uacute;mero que j&aacute; havia sido levantado pelo delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/neyvaldo-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado que atuou no inqu&eacute;rito da quebra de incomunicabilidade\" class=\"encyclopedia\">Neyvaldo Costa<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui voltamos ao velho problema mencionado desde o primeiro epis&oacute;dio: afinal, quantas v&iacute;timas foram atacadas no Par&aacute;?<\/p>\n\n\n\n<p>Por algum motivo, na &eacute;poca dos j&uacute;ris em Bel&eacute;m, a imprensa falava em 19 meninos. Os acusados, por&eacute;m, foram julgados apenas por cinco. Assim, sobrariam 14 que ainda precisavam ser investigados e, por isso, o secret&aacute;rio <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/nilmario-miranda\/\" target=\"_self\" title=\"Secret&aacute;rio de Direitos Humanos do primeiro governo Lula\" class=\"encyclopedia\">Nilm&aacute;rio Miranda<\/a> autorizou a Pol&iacute;cia Federal a agir.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Chagas confessou justamente 14 casos, o que parece bastante conveniente. Mas, na verdade, entre as v&iacute;timas citadas por ele est&atilde;o justamente as cinco que entraram no processo contra os outros acusados.<\/p>\n\n\n\n<p>A publica&ccedil;&atilde;o do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a>, de 1996, enumerou 16 ocorr&ecirc;ncias: tr&ecirc;s sobreviventes, oito mortos e cinco desaparecidos.&nbsp;S&atilde;o estes eventos que a Pol&iacute;cia Federal e Civil do Par&aacute; investigaram em 2004. <\/p>\n\n\n\n<p>Para cada um deles, as autoridades abriram um novo inqu&eacute;rito. Destes, Chagas confessou 14. Os dois que sobraram n&atilde;o entraram na lista e foram considerados prov&aacute;veis v&iacute;timas de outras situa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma tabela montada pelos policiais, aparecem 20 crian&ccedil;as de Altamira. Os quatro casos que n&atilde;o tiveram uma nova investiga&ccedil;&atilde;o se tratavam de tentativas de sequestro. O mec&acirc;nico nunca falou nada sobre eles e, por isso, n&atilde;o foram inclu&iacute;dos nos processos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1x51O5xD6Rb9a0Zdmjb6jOcT-Lt2slagS\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Tabela de v&iacute;timas montada pela Pol&iacute;cia Federal e Civil<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a confiss&atilde;o de Chagas para a doutora Virg&iacute;nia, &eacute; preciso fazer alguns coment&aacute;rios:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Primeiro, esse &eacute; um dos textos mais fortes que Ivan Mizanzuk j&aacute; leu. Ele n&atilde;o conseguiu fazer a leitura de uma vez s&oacute;, e as descri&ccedil;&otilde;es feitas pelo assassino lhe causaram n&aacute;useas.<\/li><li>Segundo, o mec&acirc;nico n&atilde;o cita muitos nomes ou datas. Ele menciona objetos e locais, mas detalhes que poderiam elucidar melhor os crimes s&atilde;o raros &ndash; e esse &eacute; o grande problema do depoimento.<\/li><li>Terceiro, o interrogat&oacute;rio passa a impress&atilde;o de que Chagas sequer est&aacute; confessando na ordem correta. Considerando que os policiais elogiavam a mem&oacute;ria dele, essa falta de coer&ecirc;ncia pode dar a entender que ele estava talvez inventando coisas ou sendo direcionado.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Dados os alertas, o depoimento completo est&aacute; dispon&iacute;vel aqui:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1nrqCOtZ8PrnZkqEjFClfH4ALEBO3hkhC\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Interrogat&oacute;rio de Chagas pela delegada Virg&iacute;nia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Pouco depois de ser interrogado, Chagas voltaria a S&atilde;o Lu&iacute;s do Maranh&atilde;o. Enquanto isso, as buscas nos locais apontados por ele continuavam em Altamira. O objetivo era encontrar qualquer vest&iacute;gio de crian&ccedil;as desaparecidas no munic&iacute;pio e que nunca tiveram os seus paradeiros revelados.<\/p>\n\n\n\n<p>O resultado desse trabalho saiu em uma reportagem do Di&aacute;rio do Par&aacute; em 7 de julho de 2004. De acordo com a mat&eacute;ria, os peritos teriam achado ossos e roupas em um dos pontos indicados pelo mec&acirc;nico na rodovia Transamaz&ocirc;nica. A suspeita era de que eles pertenciam ao garoto <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/mauricio-farias-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 13 anos que desapareceu em dezembro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Maur&iacute;cio Farias de Souza<\/a>, citado no in&iacute;cio deste epis&oacute;dio.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, 8 de julho, novas informa&ccedil;&otilde;es foram divulgadas pelo mesmo jornal:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A precis&atilde;o com que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> tem apontado os locais onde teria escondido os corpos das crian&ccedil;as desaparecidas, ap&oacute;s terem sido emasculadas e mortas em Altamira, possibilitou que a Pol&iacute;cia Federal encontrasse outros vest&iacute;gios ontem, 7 de Julho: peda&ccedil;os de vestimentas e ossos que somente a per&iacute;cia poder&aacute; afirmar se s&atilde;o ou n&atilde;o humanos, segundo declarou o delegado federal M&aacute;rio S&eacute;rgio, que acompanha os trabalhos.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A &aacute;rea onde foram encontrados os ossos na manh&atilde; de ontem fica a cerca de meio quil&ocirc;metro onde aconteceu a escava&ccedil;&atilde;o da &uacute;ltima segunda-feira. L&aacute;, teria sido escondido o corpo de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/tito-mendes-vieira\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 12 anos que desapareceu em Altamira em janeiro de 1991\" class=\"encyclopedia\">Tito Mendes Vieira<\/a>, um garoto que desapareceu pr&oacute;ximo de sua resid&ecirc;ncia, na rodovia Transamaz&ocirc;nica, e foi visto pela &uacute;ltima vez &agrave;s proximidades de sua casa, no igarap&eacute; Tr&ecirc;s Pontes, no dia 20 de janeiro de 1991.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1M8tkcrGKhINRW_01MdkvAWK2_3z_fLwy\/view\" target=\"_blank\">Mat&eacute;ria do Di&aacute;rio do Par&aacute; &ndash; &ldquo;Escava&ccedil;&otilde;es encontram ossos e roupas&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, a equipe da Pol&iacute;cia Federal encontrou materiais em dois locais diferentes sugeridos por Chagas, que seriam provavelmente de duas v&iacute;timas: Tito, que sumiu em janeiro de 1991, e Maur&iacute;cio, que saiu de casa em dezembro de 1992 e nunca mais foi visto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As buscas continuaram por alguns dias, mas os peritos n&atilde;o acharam mais nada. O pr&oacute;ximo passo era enviar os ossos e pe&ccedil;as de roupas encontradas para a per&iacute;cia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/19.-2004-07-10-Nao-encontram-mais-nada-em-Altamira-Diario-do-Para.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do Di&aacute;rio do Par&aacute; &ndash; &ldquo;Negada preventiva para mec&acirc;nico&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Paralelo a isso, aumentava o coro de vozes sobre Chagas ser um bode expiat&oacute;rio do Lineamento. &Eacute; o que mostra, por exemplo, a declara&ccedil;&atilde;o do deputado federal <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-geraldo-torres-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Deputado federal pelo PT em 2004, &eacute;poca da audi&ecirc;ncia sobre os emasculados\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Geraldo Torres da Silva<\/a>, o Z&eacute; Geraldo, ao Di&aacute;rio do Par&aacute; em 8 de julho de 2004:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&ldquo;Tudo foi arquitetado para evitar um novo julgamento da Valentina&rdquo;, afirma o deputado, dizendo-se convicto da culpabilidade das pessoas que est&atilde;o presas, sendo uma delas o m&eacute;dico C&eacute;sio Brand&atilde;o. &ldquo;Se n&atilde;o, como explicar os casos de pessoas que foram emasculados e depois sofreram cirurgia?&rdquo;, indaga Z&eacute; Geraldo, ressaltando que, assim como ele, a popula&ccedil;&atilde;o de Altamira n&atilde;o acredita no envolvimento do mec&acirc;nico.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1M8tkcrGKhINRW_01MdkvAWK2_3z_fLwy\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do Di&aacute;rio do Par&aacute; &ndash; &ldquo;Deputado diz que envolvimento de mec&acirc;nico &eacute; farsa&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda nesse per&iacute;odo, estava em andamento a investiga&ccedil;&atilde;o da quebra de incomunicabilidade no j&uacute;ri de Valentina, assim como as tentativas do Minist&eacute;rio P&uacute;blico de anular o julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se isso n&atilde;o fosse combust&iacute;vel suficiente para a fogueira, Amailton, C&eacute;sio e An&iacute;sio, que haviam sido condenados, buscavam agora sair da pris&atilde;o &ndash; como ocorreu com outros acusados no Maranh&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 2004, C&eacute;sio contratou um novo advogado para auxili&aacute;-lo nessa nova empreitada: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/claudio-dalledone-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa que atuou no j&uacute;ri de Valentina de Andrade\" class=\"encyclopedia\">Cl&aacute;udio Dalledone J&uacute;nior<\/a>, que na &eacute;poca j&aacute; n&atilde;o representava mais Valentina.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo m&ecirc;s, a revista Carta Capital publicou uma longa entrevista com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a>, que era inclusive mat&eacute;ria de capa. Escrita pelo jornalista <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/sergio-lirio\/\" target=\"_self\" title=\"Jornalista da Carta Capital que entrevistou Chagas em 2004\" class=\"encyclopedia\">S&eacute;rgio L&iacute;rio<\/a>, a reportagem se tornou uma pe&ccedil;a importante para todos os advogados que queriam provar a inoc&ecirc;ncia dos condenados nos j&uacute;ris.<\/p>\n\n\n\n<p>S&atilde;o seis p&aacute;ginas de conversa, em que o mec&acirc;nico tenta relatar a &ldquo;l&oacute;gica&rdquo; por tr&aacute;s dos assassinatos. Assim como nas confiss&otilde;es para a pol&iacute;cia, ele afirma n&atilde;o lembrar de muita coisa e n&atilde;o saber explicar tudo o que fez.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan Mizanzuk entrou em contato com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/sergio-lirio\/\" target=\"_self\" title=\"Jornalista da Carta Capital que entrevistou Chagas em 2004\" class=\"encyclopedia\">S&eacute;rgio L&iacute;rio<\/a> e conseguiu as grava&ccedil;&otilde;es da entrevista com Chagas. Parte das transcri&ccedil;&otilde;es est&atilde;o dispon&iacute;veis abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>L&iacute;rio:<\/strong> Eu queria come&ccedil;ar&hellip; Que voc&ecirc; me contasse um pouco quantas crian&ccedil;as voc&ecirc; matou.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Chagas:<\/strong> Aqui no Maranh&atilde;o s&atilde;o 30. E 11 em Altamira, porque tem tr&ecirc;s sobreviventes l&aacute;, n&eacute;? S&atilde;o 14.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>[&hellip;]&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Chagas: <\/strong>Eu sempre tinha, assim, uma coisa que&hellip; Falava assim na minha mem&oacute;ria, na minha cabe&ccedil;a, sei l&aacute;.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>L&iacute;rio:<\/strong> Falava o qu&ecirc;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Chagas:<\/strong> &Eacute;&hellip; Ficava&hellip; Pra fazer aquilo, ficava incentivando&hellip; Uma coisa ficava me dizendo&hellip; Que, at&eacute; mesmo depois que&hellip; Que surgiu tudo isso a&iacute;&hellip; Ele ficava perguntando pra mim por que que isso a&iacute; tinha acontecido. Coisa absurda. Inclusive eles at&eacute; me mostraram v&aacute;rias&hellip; V&aacute;rias fotos a&iacute;, uma coisa absurda mesmo.&nbsp;Depois que acontecia isso, eu ficava, assim, uma pessoa normal. E aquele neg&oacute;cio fugia da minha mem&oacute;ria tamb&eacute;m.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Como se nota, Chagas diz que uma &ldquo;voz&rdquo; lhe mandava fazer tudo. Depois que ele cometia os crimes, ela ia embora, e ele &ldquo;voltava ao normal&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>&Agrave; medida que a conversa avan&ccedil;a, ele parece se lembrar de mais detalhes.<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>L&iacute;rio:<\/strong> Por que voc&ecirc; cortava o p&ecirc;nis das crian&ccedil;as?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Chagas:<\/strong> Senhor, eu n&atilde;o sei&hellip; Eu n&atilde;o sei lhe dizer porqu&ecirc;. Eu s&oacute; sei lhe dizer&hellip; Porque&hellip; Sempre&hellip; S&oacute; aconteciam essas coisas num lugar onde tinha, assim, p&eacute; de tucum.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>L&iacute;rio: <\/strong>Tucum?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Chagas: <\/strong>Tucunzeiro. Voc&ecirc; sabe o que &eacute;, n&eacute;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>L&iacute;rio: <\/strong>N&atilde;o. O que &eacute; tucunzeiro?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Chagas: <\/strong>&Eacute;, tipo assim, uma palha que &eacute; cheia de espinho. Cheia de espinho. Sempre &eacute; mais onde tinha essas coisas. E l&aacute; mesmo ficava&hellip; Era feito e l&aacute; mesmo ficava. Era cavado um buraco&hellip; Uma vala assim&hellip; Tipo assim, uma vala cruzada&hellip; E l&aacute; mesmo era botado. E quando n&atilde;o era botado l&aacute; no p&eacute; do tucunzeiro&hellip; No meu sentido, aquilo era pra jogar na &aacute;gua.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>L&iacute;rio: <\/strong>Por qu&ecirc;?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Chagas:<\/strong> Porque&hellip; &Agrave;s vezes, no meu sentido, dava que era pra jogar na &aacute;gua&hellip; Toda vez que eu jogava na &aacute;gua, que eu chegava na beira da praia&hellip; A mar&eacute; tava vazando. Toda vez&hellip; Que eu fui, que eu chegava na beira da praia, a mar&eacute; tava vazando.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>[&hellip;]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>L&iacute;rio: <\/strong>Deixa eu s&oacute; deixar uma coisa mais uma vez clara. Desculpe repetir. Quem convidava eram as v&iacute;timas? O senhor nunca convidou?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Chagas: <\/strong>Nunca convidei. Parecia que aqueles meninos que encostavam perto de mim&hellip; Parecia que aqueles meninos ali eram&hellip; Os escolhidos. E eu tinha uma lista.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>L&iacute;rio:<\/strong> Lista? Como era essa lista?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Chagas:<\/strong> Eu tinha uma lista&hellip; Era um&hellip; Tipo assim, uma folha de papel. S&oacute; que, nessa folha de papel, existiam v&aacute;rios n&uacute;meros, v&aacute;rios nomes nessa folha. E eu n&atilde;o sabia. Eu s&oacute; sei lhe dizer que tinha v&aacute;rios nomes, voc&ecirc; t&aacute; entendendo? E &agrave;s vezes&hellip; Toda v&iacute;tima, toda pessoa que era v&iacute;tima, que eu ca&ccedil;ava, na lista tava. Agora, eu n&atilde;o tenho, assim, a lembran&ccedil;a de escrever essa lista. N&atilde;o sei se na hora daquela confus&atilde;o da minha cabe&ccedil;a&hellip; Eu s&oacute; sei dizer que tinha uma lista. E essa lista, na v&eacute;spera de acontecer tudo isso a&iacute;, essa revela&ccedil;&atilde;o, essa lista desapareceu. Ela desapareceu&hellip; Sumiu&hellip; S&oacute; que me perguntaram se eu botei em algum canto&hellip; Eu acho que essa lista foi jogada na &aacute;gua, alguma coisa. Mas tinha.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em diversas confiss&otilde;es, Chagas fala que tinha uma lista com os nomes de v&iacute;timas e as datas em que as matou, mas que ela havia sumido. A suspeita da pol&iacute;cia &eacute; de que ele tenha se livrado das provas logo ap&oacute;s ser chamado para depor no caso Jonnathan, antes de ser preso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao jornalista, o mec&acirc;nico ainda afirma que a ida para Altamira o ajudou a encontrar &ldquo;respostas&rdquo; para o que tinha feito:<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Chagas: <\/strong>Olha, no come&ccedil;o o pessoal dizia&hellip; Surgiu muitas hist&oacute;rias no come&ccedil;o. At&eacute; mesmo a imprensa daqui&hellip; Que eu demorei muito a falar com eles&hellip; S&oacute; porque eles ficavam divulgando coisas que&hellip;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>L&iacute;rio: <\/strong>O que eles divulgaram?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Chagas: Coisa que n&atilde;o era verdade. Diziam que eu comia gente, fazia churrasco de gente&hellip; Que eu era um canibal, que eu era um psicopata. Esse monte de conversa, n&eacute;? Eu n&atilde;o sei a resposta. Mas uma coisa me diz que quando essa resposta vier, vai ser totalmente diferente do que voc&ecirc;s t&atilde;o dizendo.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>L&iacute;rio: <\/strong>E quando a resposta veio?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Chagas:<\/strong> Quando essa resposta veio, eu tava em Altamira. Eu tava em Altamira porque tudo l&aacute; foi que come&ccedil;ou, n&eacute;? Ent&atilde;o, l&aacute; tamb&eacute;m abriu um pouco a minha mem&oacute;ria. L&aacute; foi que eu lembrei dessas coisas que eu t&ocirc; falando pra voc&ecirc; aqui. L&aacute; foi onde tudo come&ccedil;ou. Ent&atilde;o, eu disse que eu queria ir pra onde tudo come&ccedil;ou.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ao ouvir essa fita, &eacute; imposs&iacute;vel n&atilde;o lembrar do que o psic&oacute;logo Serafim falou sobre as sess&otilde;es com o Chagas. De como era dif&iacute;cil conversar com ele e entender o seu racioc&iacute;nio. Ele divaga diversas vezes. Come&ccedil;a a responder uma pergunta, entra em um assunto novo e s&oacute; quer saber dele. &Eacute; cansativo. A todo momento &eacute; preciso puxar o t&oacute;pico anterior.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s a dif&iacute;cil entrevista com o mec&acirc;nico, a reportagem de L&iacute;rio continua por mais quatro p&aacute;ginas, com declara&ccedil;&otilde;es de diversos envolvidos nos casos do Par&aacute; e do Maranh&atilde;o. Entre eles, estavam C&eacute;sio, o delegado Diniz e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosa-maria-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Jaenes da Silva Pessoa\" class=\"encyclopedia\">Rosa Maria Pessoa<\/a>, m&atilde;e de Jaenes, assassinado em outubro de 1992. Ela tamb&eacute;m era l&iacute;der do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Leia abaixo um trecho do que Rosa disse para o jornalista:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Para n&oacute;s, o Chagas, que n&atilde;o existia at&eacute; a condena&ccedil;&atilde;o dos acusados, &eacute; mais um deles. Eles o entregaram para que ele assuma tudo e venha dizer que os outros s&atilde;o inocentes. N&atilde;o acreditamos que o Chagas tenha feito tudo sozinho.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>N&atilde;o tem como. Os casos aqui tem ind&iacute;cios muito fortes da presen&ccedil;a de outros acusados. As investiga&ccedil;&otilde;es, as testemunhas, apontam para a participa&ccedil;&atilde;o dos que est&atilde;o presos. Ele n&atilde;o tinha carro, ele n&atilde;o &eacute; m&eacute;dico.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Tenho a impress&atilde;o de que ele era um dos que conduziam os meninos. Seduzia, levava com os outros.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>N&atilde;o queremos inocentes na cadeia, mas n&atilde;o tenho d&uacute;vidas. Somente a Deus compete julgar, mas tenho certeza de que eles tiveram participa&ccedil;&atilde;o. A pol&iacute;cia n&atilde;o ia ser t&atilde;o irrespons&aacute;vel a ponto de colocar inocentes na cadeia. As testemunhas existem, h&aacute; fatos que realmente levam a todos. Por que a Valentina foi solta? Por que aparece o Chagas? S&atilde;o v&aacute;rias perguntas que ficam. O Par&aacute; todo chorou, revoltado com a liberdade de Valentina. De repente, aparece o Chagas. Para n&oacute;s, &eacute; mais uma farsa que aparece.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1iNY6DHGhPImeHQs-xuXgodUOItFqHbQt\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria da Carta Capital &ndash; &ldquo;Fala o serial killer&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A cren&ccedil;a de que Chagas seria membro do LUS e conhecido dos demais acusados &eacute; muito forte at&eacute; hoje entre a popula&ccedil;&atilde;o de Altamira. Essa tamb&eacute;m &eacute; a opini&atilde;o da promotora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosana-cordovil\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que atuou no j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Rosana Cordovil<\/a>, por exemplo. <\/p>\n\n\n\n<p>Na entrevista &agrave; Carta Capital, o mec&acirc;nico foi questionado sobre essa suspeita:<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>L&iacute;rio:<\/strong> O senhor sabe que tem pessoas&hellip; Por exemplo, em Altamira, pessoas presas, que podem ter sido acusadas pelos mesmos crimes? O senhor conhecia essas pessoas? Conhecia a Valentina, o An&iacute;sio&hellip; O senhor fez parte de alguma seita?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>Chagas: <\/strong>Pra lhe dizer a verdade, eu vou lhe relatar aqui. At&eacute; mesmo pela cidade l&aacute; ser pequena, e eu morei l&aacute; 17 anos&hellip; Mas eu n&atilde;o conhe&ccedil;o nenhuma dessas pessoas. Nenhuma. O que eu quero lhe dizer &eacute; o seguinte: por mais que eles mexam com coisa errada, por esse lado que voc&ecirc; terminou de falar&hellip; Mas esses casos n&atilde;o t&ecirc;m nada a ver&hellip; Esses casos que aconteceram l&aacute; em Altamira e aqui n&atilde;o t&ecirc;m nada a ver com esse caso desse pessoal. Se esse pessoal t&aacute; preso l&aacute; por causa disso&hellip; Eles t&atilde;o presos em v&atilde;o. Eles t&atilde;o presos inocentes. Porque eu j&aacute; fui l&aacute;, falei, mostrei os locais, a maioria das datas de quando aconteceu&hellip; Eu fiz a minha parte, fui l&aacute; e falei. Agora s&oacute; t&aacute; dependendo deles l&aacute;, n&eacute;? Parece que at&eacute; o trabalho deles l&aacute; &eacute; diferente do daqui. N&atilde;o t&atilde;o querendo nem voltar atr&aacute;s pra soltar o pessoal n&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2004-11-18-Perguntas-a-Chagas-sobre-envolvimento-com-LUS.pdf\" target=\"_blank\">Interrogat&oacute;rio &ndash; perguntas a Chagas sobre envolvimento com o LUS<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1QsBRtyUEErbMUpGanDnQlwIBfdnKZxV9\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Interrogat&oacute;rio de Chagas para a Pol&iacute;cia Civil do Maranh&atilde;o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1fJlzGS6qeAhkgyer1UnYBLkoZECFNDLv\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Chagas &ndash; confiss&otilde;es em ju&iacute;zo 2004-2005<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A pol&iacute;cia tentou verificar se existia qualquer v&iacute;nculo entre Chagas e os acusados em Altamira, mas nada foi encontrado. A cada novo passo das investiga&ccedil;&otilde;es, tanto no Par&aacute; quanto no Maranh&atilde;o, a conclus&atilde;o parecia ser somente uma: Chagas agia sozinho, e os ataques eram derivados de algum del&iacute;rio que ele tinha. Algo apenas dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, por anos, as pessoas em Altamira ouviram o contr&aacute;rio. Para elas, os crimes s&oacute; poderiam ter sido cometidos por um grupo de pessoas. Indiv&iacute;duos que usavam carros para os sequestros, que realizavam cortes cir&uacute;rgicos nas v&iacute;timas &ndash; &eacute; importante relembrar que esse &uacute;ltimo detalhe n&atilde;o possui sustenta&ccedil;&atilde;o nas provas dos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, essa &eacute; uma verdade incontest&aacute;vel para as fam&iacute;lias das v&iacute;timas, como ficou claro na conversa que Ivan teve com a dona <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-carolina-farias\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Maur&iacute;cio, que desapareceu em em Altamira em 1992\" class=\"encyclopedia\">Maria Carolina Farias<\/a>, m&atilde;e de Maur&iacute;cio. Na ocasi&atilde;o, ela criticou o trabalho do delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/neyvaldo-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado que atuou no inqu&eacute;rito da quebra de incomunicabilidade\" class=\"encyclopedia\">Neyvaldo Costa<\/a>, que investigou o Chagas em 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>Diferente do que o policial teria relatado no inqu&eacute;rito, segundo Maria, ela jamais disse ter certeza de que o mec&acirc;nico era o assassino das crian&ccedil;as. &ldquo;Eu tenho a c&oacute;pia do depoimento que eu dei para ele. Est&aacute; bem aqui. Se precisar, um dia eu vou com o juiz, com 50 mil advogados, seja com quem for, e mostro a c&oacute;pia&rdquo;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>Na &eacute;poca, para rebater o delegado, a m&atilde;e de Maur&iacute;cio chegou a contatar a imprensa e dar uma entrevista para a TV Liberal. &ldquo;Eu n&atilde;o descarto a hip&oacute;tese de ele ter participa&ccedil;&atilde;o. Mas de ele ser&hellip; Onde j&aacute; se viu um cara que &eacute; mec&acirc;nico trabalhar com bisturi? Voc&ecirc; est&aacute; entendendo, meu amigo? N&atilde;o distorce nada do que eu falo. Porque, se distorcer, eu vou atr&aacute;s&rdquo;, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>No pr&oacute;ximo epis&oacute;dio, as d&uacute;vidas em torno de Chagas em Altamira s&oacute; aumentam. Enquanto isso, os condenados lutam para sair da pris&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Este epis&oacute;dio usou reportagens da Rede Globo e da Record.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>**Errata: <\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>No podcast, Ivan Mizanzuk disse que o psic&oacute;logo que examinou Chagas &eacute; Ant&ocirc;nio de P&aacute;dua Sefarim. O sobrenome dele, na verdade, &eacute; Serafim.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A outra errata &eacute; sobre a deputada Iriny Lopes. Ela n&atilde;o &eacute; de Minas Gerais, mas sim do Esp&iacute;rito Santo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Nova Investiga\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/881"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=881"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=881"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=881"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}