{"id":826,"date":"2023-01-05T00:01:00","date_gmt":"2023-01-05T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=826"},"modified":"2023-01-04T17:19:59","modified_gmt":"2023-01-04T20:19:59","slug":"extras-episodio-26","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-26\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 26"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>PAR&Aacute; E MARANH&Atilde;O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 6 de dezembro de 2003, o adolescente <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jonathan-vieira\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente de 15 anos que desapareceu em 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Jonnathan Silva Vieira<\/a>, de 15 anos, saiu de casa por volta das 7h30 para apanhar ju&ccedil;ara, um fruto comum nas regi&otilde;es Norte e Nordeste do Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final da tarde, como ainda n&atilde;o havia retornado, a irm&atilde; dele, Regiane, come&ccedil;ou a se preocupar. Em circunst&acirc;ncias normais, talvez pensasse que ele estivesse com algum amigo, ou que perdeu a no&ccedil;&atilde;o da hora e estava pela vizinhan&ccedil;a. Mas ela sabia que aquelas n&atilde;o eram circunst&acirc;ncias normais.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1991 e 2003, 29 garotos com o perfil de Jonnathan &ndash; menores de idade do sexo masculino &ndash; haviam sumido na regi&atilde;o. A hist&oacute;ria era sempre similar: meninos sa&iacute;am de casa em plena luz do dia para jogar bola, soltar pipa ou apanhar fruta, e nunca mais eram vistos.<\/p>\n\n\n\n<p>Desses casos, o paradeiro de seis permaneceu desconhecido, enquanto os corpos de outros 10 foram encontrados semanas ou meses depois do sumi&ccedil;o. Como j&aacute; estavam em avan&ccedil;ado estado de decomposi&ccedil;&atilde;o ou restando apenas os ossos, era dif&iacute;cil determinar o que havia acontecido com eles. Mas 11 v&iacute;timas foram achadas pouco tempo ap&oacute;s os desaparecimentos. Destas, 10, sem exce&ccedil;&atilde;o, haviam sido mortas e emasculadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ponto, voc&ecirc; pode estar confuso e se perguntando se os crimes continuaram a ocorrer em Altamira depois dos j&uacute;ris. A resposta &eacute; n&atilde;o. Pois n&atilde;o estamos falando de Altamira. Nem do Par&aacute;.&nbsp;O cen&aacute;rio agora fica a mais de mil quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia, no estado vizinho, o Maranh&atilde;o. Mais precisamente, no Jardim Tropical I, na cidade de S&atilde;o Jos&eacute; de Ribamar, arredores da capital S&atilde;o Lu&iacute;s.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 17 de setembro de 1991 e 06 de dezembro de 2003, mais de duas dezenas de meninos haviam desaparecido e\/ou sido mortos e emasculados na regi&atilde;o. Crimes com um modus operandi semelhante aos de Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas quem era o respons&aacute;vel pelos eventos no Maranh&atilde;o? E qual a conex&atilde;o com Altamira?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/regiane-silva-vieira\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; de Jonnathan, adolescente morto em dezembro de 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Regiane Silva Vieira<\/a>, irm&atilde; de Jonathan, tinha uma pista que abriria caminhos para elucidar um mist&eacute;rio de duas d&eacute;cadas, que envolvia a morte e emascula&ccedil;&atilde;o de mais de 40 jovens em dois estados.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de mergulhar nessa hist&oacute;ria, &eacute; preciso explicar o seguinte: os casos do Par&aacute; e do Maranh&atilde;o, ainda que muito similares, caminhavam ao mesmo tempo juntos e separados na cronologia e na condu&ccedil;&atilde;o das investiga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; linha do tempo, os eventos em Altamira ocorreram entre 1989 e 1993. J&aacute; no estado vizinho, os primeiros crimes foram registrados em 1991, entre os meses de setembro e novembro. Neste intervalo em espec&iacute;fico, n&atilde;o houve casos na cidade do Par&aacute;. Ou seja, as datas n&atilde;o se sobrep&otilde;em.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s novembro de 1991, as mortes no Maranh&atilde;o pararam e voltaram a acontecer em Altamira. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/judirley-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em janeiro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Judirley da Cunha Chipaia<\/a> foi assassinado em primeiro de janeiro de 1992; seguido dos casos de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/klebson-ferreira-caldas\/\" target=\"_self\" title=\"Menino que desapareceu em Altamira em novembro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Klebson Ferreira Caldas<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/mauricio-farias-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 13 anos que desapareceu em dezembro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Maur&iacute;cio Farias de Souza<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/flavio-lopes-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 10 anos morto em mar&ccedil;o de 1993 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Fl&aacute;vio Lopes da Silva<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apenas em 1994, quando os crimes cessaram no Par&aacute;, &eacute; que voltaram a ocorrer na regi&atilde;o vizinha. Isso significa que &eacute; poss&iacute;vel ligar os eventos a uma mesma pessoa. E essas conex&otilde;es foram feitas em alguns momentos ao longo do processo. Exemplo disso &eacute; a juntada de materiais realizada pelos advogados de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> na &eacute;poca do j&uacute;ri, citando v&aacute;rios casos do Maranh&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas e os familiares das v&iacute;timas nos dois estados? Eles se comunicavam? No Par&aacute;, como se sabe, os pais se organizaram em grupos para pedir por justi&ccedil;a. No Maranh&atilde;o, n&atilde;o foi diferente. Havia um contato estabelecido entre as fam&iacute;lias de ambas as regi&otilde;es, e uma conex&atilde;o direta entre centros sociais que prestavam amparo jur&iacute;dico para os casos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em terras paraenses, o apoio se dava por meio do Cedeca Ema&uacute;s, o Centro de Defesa da Crian&ccedil;a e do Adolescente, fruto do trabalho do padre <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/padre-bruno-sechi\/\" target=\"_self\" title=\"Forte lideran&ccedil;a religiosa em Bel&eacute;m do Par&aacute; na &eacute;poca dos crimes\" class=\"encyclopedia\">Bruno Sechi<\/a> e de lideran&ccedil;as locais. J&aacute; no Maranh&atilde;o, a assist&ecirc;ncia vinha do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/instituto-marcos-passerini\/\" target=\"_self\" title=\"ONG criada no Maranh&atilde;o para proteger os direitos da crian&ccedil;a e do adolescente\" class=\"encyclopedia\">Instituto Marcos Passerini<\/a>, ligado ao padre hom&ocirc;nimo, tamb&eacute;m adepto da teologia da liberta&ccedil;&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os autos do processo dos meninos de Altamira cont&ecirc;m a ata de uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica realizada pelo Cedeca em 13 de agosto de 1999. O evento marca os dez anos de impunidade dos crimes cometidos na regi&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No documento, h&aacute; uma carta de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rogenir-almeida-santos\/\" target=\"_self\" title=\"Coordenador do Instituto Marcos Passerini nos anos de 1990\" class=\"encyclopedia\">Rogenir Almeida Santos<\/a>, coordenador do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/instituto-marcos-passerini\/\" target=\"_self\" title=\"ONG criada no Maranh&atilde;o para proteger os direitos da crian&ccedil;a e do adolescente\" class=\"encyclopedia\">Instituto Marcos Passerini<\/a>, expressando apoio &agrave;s fam&iacute;lias do Par&aacute;:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Temos consci&ecirc;ncia da dor, da indigna&ccedil;&atilde;o e da revolta que tais fatos causam, sobretudo aos familiares, pais e m&atilde;es de fam&iacute;lias humildes que al&eacute;m da viol&ecirc;ncia e injusti&ccedil;as que a realidade social lhes imp&otilde;e, ainda s&atilde;o obrigados a passar por t&atilde;o grande sofrimento. A estes familiares, a nossa mais sincera e profunda solidariedade humana. De voc&ecirc;s recebemos apoio e solidariedade, inclusive com a visita de uma das m&atilde;es de Altamira, que relatou a experi&ecirc;ncia do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1TGOCNFgGbrzHO9DSJ79z6iAILdo_Pt9e\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ata de audi&ecirc;ncia p&uacute;blica do Cedeca<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que se comprove que as fam&iacute;lias de ambos os estados tenham tido contato, n&atilde;o se sabe ao certo a extens&atilde;o do relacionamento entre elas. Al&eacute;m disso, nunca houve por parte dos familiares ou das institui&ccedil;&otilde;es sociais nenhuma iniciativa no sentido de conectar os crimes.<\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; de supor, por&eacute;m, que n&atilde;o era dif&iacute;cil para os moradores dessas regi&otilde;es ligarem todos esses eventos. Assim como Altamira ganhou repercuss&atilde;o nacional, os casos do Maranh&atilde;o tamb&eacute;m foram noticiados na TV aberta, em hor&aacute;rio nobre, ao longo dos anos. Ora eles apareciam na m&iacute;dia conectados, ora separados, e &agrave;s vezes permeados pelos acontecimentos de Guaratuba, no Paran&aacute;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo reportagens em jornais, revistas e na TV, veiculadas no in&iacute;cio dos anos 90, sempre que as ocorr&ecirc;ncias eram relacionadas, era pelo vi&eacute;s da magia negra. Prova disso s&atilde;o as mat&eacute;rias j&aacute; citadas da Veja e da Manchete, que falam sobre <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> e o Lineamento Universal Superior (LUS).<\/p>\n\n\n\n<p>Nessas publica&ccedil;&otilde;es, h&aacute; o que se espera de uma cobertura sensacionalista da &eacute;poca. A l&iacute;der do LUS &eacute; chamada de &ldquo;bruxa&rdquo; e associada a &ldquo;rituais macabros&rdquo;, com acusa&ccedil;&otilde;es que passam at&eacute; mesmo por tr&aacute;fico de &oacute;rg&atilde;os humanos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os casos de crian&ccedil;as mutiladas no Maranh&atilde;o s&atilde;o associados aos de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/michel-mendes\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de quatro anos morto em Goi&acirc;nia em 1989\" class=\"encyclopedia\">Michel Mendes<\/a>, em Goi&aacute;s, e ao de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/evandro-ramos-caetano\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida e encontrada morta em abril de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Evandro Ramos Caetano<\/a>, no Paran&aacute;. Todos s&atilde;o colocados na conta do Lineamento, sem rigor cient&iacute;fico ou aprofundamento por parte da imprensa. N&atilde;o existe nenhum ind&iacute;cio nas investiga&ccedil;&otilde;es que ampare, por exemplo, a hip&oacute;tese da venda de &oacute;rg&atilde;os t&atilde;o aventada pela m&iacute;dia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/Revista-Veja-29-de-Julho-de-1992-numero-1245-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria da revista Veja sobre Valentina<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/WIKI-Revista-Manchete-LUS-em-Guaratuba-8-Agosto-1992-numero-2105-.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria da revista Manchete sobre Valentina<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Uma mat&eacute;ria do jornal paraense &ldquo;O Liberal&rdquo;, de 8 de agosto de 1993, fala sobre os casos &ldquo;insol&uacute;veis&rdquo; no estado. O texto tra&ccedil;a a similaridade nos eventos ocorridos no Maranh&atilde;o e em Altamira, e usa a nomenclatura<em> serial murderer, <\/em>que define como &ldquo;crimes id&ecirc;nticos e praticados em s&eacute;rie&rdquo;. H&aacute; algo de novo e interessante a&iacute;. Mas, na sequ&ecirc;ncia, o jornalista afirma que os delitos foram cometidos para &ldquo;rituais de magia negra&rdquo; ou &ldquo;macumba&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1Lztwn5fQEGFzSl-JHBeLOt2fw1AsRzQ2\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do jornal O Liberal &ndash; &ldquo;Hist&oacute;ria de crimes insol&uacute;veis&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A tese de um &uacute;nico respons&aacute;vel &eacute; logo descartada e a velha narrativa retorna: os assassinatos s&atilde;o colocados na conta de uma seita sat&acirc;nica, misturados no mesmo caldeir&atilde;o preconceituoso que conecta magia negra com religi&otilde;es de matriz afro-brasileira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ali&aacute;s, a pr&oacute;pria terminologia &ldquo;magia negra&rdquo; carrega em si um cunho racista, de forma que essa associa&ccedil;&atilde;o, t&atilde;o comum na &eacute;poca, possui um lastro de discrimina&ccedil;&atilde;o bem mais antigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, essa reportagem &eacute; o mais pr&oacute;ximo que a imprensa do per&iacute;odo chegou em abordar a possibilidade de um crime serial. Isso mostra que a ideia de serial killer<em>,<\/em> hoje t&atilde;o difundida por s&eacute;ries e filmes americanos, ainda n&atilde;o era bem compreendida pelo p&uacute;blico brasileiro. Naquela &eacute;poca, a cren&ccedil;a em crimes envoltos em misticismo e mist&eacute;rio ganhou os cora&ccedil;&otilde;es e mentes da popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas deixando o imagin&aacute;rio popular de lado, uma d&uacute;vida surge: e quanto &agrave; Pol&iacute;cia Federal (PF), que deveria operar com um rigor metodol&oacute;gico e livre de pr&eacute;-concep&ccedil;&otilde;es? Em algum momento, os investigadores pensaram em conectar os crimes?<\/p>\n\n\n\n<p>A verdade &eacute; que n&atilde;o d&aacute; para responder. A falta de informa&ccedil;&otilde;es sobre a atua&ccedil;&atilde;o da PF em Altamira na d&eacute;cada de 1990 impede que se analise a fundo quais eram as possibilidades aventadas. Via de regra, pistas sobre o trabalho desses agentes s&oacute; est&atilde;o dispon&iacute;veis em depoimentos de terceiros e nos autos de processo da Pol&iacute;cia Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>A evidente pressa da PF em apontar Valentina como mandante dos crimes no Par&aacute; sugere apenas um caminho: a acusada comandaria uma seita macabra respons&aacute;vel por matar crian&ccedil;as em diferentes regi&otilde;es do pa&iacute;s. Ou seja, a pr&oacute;pria pol&iacute;cia se alimentava do pensamento sensacionalista e preconceituoso da grande m&iacute;dia. Um nutria o outro.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema &eacute; que, com isso, n&atilde;o sobrou espa&ccedil;o para um olhar aprofundado e anal&iacute;tico dos eventos, que pudesse definir as particularidades e similitudes no modus operandi. O lado t&eacute;cnico cient&iacute;fico foi suplantado pela cren&ccedil;a em um mundo habitado por dem&ocirc;nios, o que impediu que se buscasse, a partir das provas materiais, pistas para a resolu&ccedil;&atilde;o dos crimes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E aqui &eacute; importante pontuar o seguinte: enquanto os casos do Par&aacute; e do Maranh&atilde;o apresentavam semelhan&ccedil;as vis&iacute;veis, o de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/evandro-ramos-caetano\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida e encontrada morta em abril de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Evandro Ramos Caetano<\/a> &eacute; completamente diferente. Tanto o modus operandi quanto a forma como o corpo dele foi encontrado n&atilde;o t&ecirc;m rela&ccedil;&atilde;o com os crimes ocorridos no Norte e Nordeste do pa&iacute;s. Al&eacute;m de n&atilde;o ter sido emasculada, a v&iacute;tima tinha outros tipos de les&otilde;es, como a aus&ecirc;ncia das m&atilde;os, de dedos dos p&eacute;s e dos &oacute;rg&atilde;os internos.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a pol&iacute;cia tivesse agido de forma t&eacute;cnica e livre de pr&eacute;-concep&ccedil;&otilde;es, talvez entendesse que o mesmo assassino poderia ser o respons&aacute;vel pelas mortes no Par&aacute; e no Maranh&atilde;o, mas n&atilde;o pela de Evandro. Uma investiga&ccedil;&atilde;o eficiente seria capaz de tra&ccedil;ar conex&otilde;es entre Altamira e S&atilde;o Lu&iacute;s, chegar a uma resposta e evitar o assassinato de dezenas de crian&ccedil;as.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a PF n&atilde;o foi a &uacute;nica a ignorar as semelhan&ccedil;as entre os crimes. O mesmo aconteceu com a Pol&iacute;cia Civil. At&eacute; onde sabemos, as inst&acirc;ncias de ambos os estados jamais se comunicaram &ndash; e isso se estende tamb&eacute;m ao poder executivo e judici&aacute;rio. N&atilde;o h&aacute;, nos 71 volumes dos autos, nenhum registro que sugira uma intera&ccedil;&atilde;o entre as institui&ccedil;&otilde;es estaduais.<\/p>\n\n\n\n<p>Como resultado, judicialmente, os casos do Maranh&atilde;o e de Altamira caminharam de forma aut&ocirc;noma. Enquanto no Par&aacute;, as investiga&ccedil;&otilde;es resultaram na acusa&ccedil;&atilde;o de Valentina e dos quatro homens, no estado vizinho os crimes tiveram seus pr&oacute;prios inqu&eacute;ritos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Desta vez, cada crian&ccedil;a teve um processo individual conduzido pela Pol&iacute;cia Civil. Isso fez com que qualquer padr&atilde;o entre as ocorr&ecirc;ncias fosse ignorado, e levou &agrave; pris&atilde;o diferentes suspeitos:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>No caso de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jailson-alves-viana\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente de 15 anos que desapareceu em 1996 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Jailson Alves Viana<\/a>, de 15 anos, desaparecido em 25 de dezembro de 1996, tr&ecirc;s homens foram detidos. Eram eles: Gen&eacute;sio, Francisco e Elrismar &ndash; seus sobrenomes foram omitidos para preserv&aacute;-los.&nbsp;<\/li><li>J&aacute; pela morte de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/julio-cesar-pereira-melo\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 11 anos morto no Maranh&atilde;o em junho de 1998\" class=\"encyclopedia\">J&uacute;lio C&eacute;sar Pereira Melo<\/a>, de 11 anos, a pol&iacute;cia prendeu Rob&eacute;rio, o padrasto da v&iacute;tima. O crime aconteceu no ano de 1998 na cidade de S&atilde;o Jos&eacute; de Ribamar. O suspeito, que foi torturado para confessar, chegou a ser condenado, mesmo sem provas. <\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>A pris&atilde;o dessas pessoas, no entanto, n&atilde;o fez com que os crimes cessassem. Por isso, os familiares das v&iacute;timas e o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/instituto-marcos-passerini\/\" target=\"_self\" title=\"ONG criada no Maranh&atilde;o para proteger os direitos da crian&ccedil;a e do adolescente\" class=\"encyclopedia\">Instituto Marcos Passerini<\/a> continuaram a pressionar as autoridades. Como consequ&ecirc;ncia, em 27 de julho de 2001, um pleito foi aberto frente &agrave; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comissao-interamericana-de-direitos-humanos\/\" target=\"_self\" title=\"&Oacute;rg&atilde;o da OEA respons&aacute;vel pela prote&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos\" class=\"encyclopedia\">Comiss&atilde;o Interamericana de Direitos Humanos<\/a> (CIDH), com o apoio de uma ONG chamada Justi&ccedil;a Global.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando uma ocorr&ecirc;ncia de viola&ccedil;&atilde;o dos direitos humanos n&atilde;o &eacute; resolvida por um dos pa&iacute;ses membros da <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/organizacao-dos-estados-americanos\/\" target=\"_self\" title=\"Entidade que funciona como um f&oacute;rum pol&iacute;tico e social entre os pa&iacute;ses americanos\" class=\"encyclopedia\">Organiza&ccedil;&atilde;o dos Estados Americanos<\/a> (OEA), como &eacute; o caso do Brasil, pode-se abrir um pleito na CIDH. Foi o que aconteceu no Maranh&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1DTLYBe9maHzZMWHZ0JVxY-PhtW0UgykW\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Relat&oacute;rio do pleito aberto frente &agrave; CIDH<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da&iacute;, a Rep&uacute;blica Federativa do Brasil virou r&eacute; nos casos de morte e emascula&ccedil;&atilde;o de crian&ccedil;as no estado. A Pol&iacute;cia Federal, ent&atilde;o, foi acionada e come&ccedil;ou a agir em terras maranhenses.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s a morte de J&uacute;lio C&eacute;sar e a pris&atilde;o de Rob&eacute;rio, outros 12 menores desapareceram. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jonathan-vieira\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente de 15 anos que desapareceu em 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Jonnathan Silva Vieira<\/a> foi o 13&ordm;. O sumi&ccedil;o dele mudaria completamente o rumo de tudo at&eacute; aqui. Isso porque, em 10 de dezembro de 2003, um mec&acirc;nico chamado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> foi preso pela pol&iacute;cia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CASO JONNATHAN<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Quem &eacute; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> e como ele aparece nessa hist&oacute;ria? Uma personagem-chave para responder a essa pergunta &eacute; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/edilucia-chaves-trindade\/\" target=\"_self\" title=\"Delegada civil do Maranh&atilde;o respons&aacute;vel pela pris&atilde;o de Chagas\" class=\"encyclopedia\">Edil&uacute;cia Chaves Trindade<\/a>, delegada da Pol&iacute;cia Civil do Maranh&atilde;o. Na &eacute;poca do caso Jonnathan, enquanto trabalhava na Delegacia de Homic&iacute;dios, ela foi a primeira a escutar as suspeitas acerca do mec&acirc;nico.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;O nome Chagas sempre apareceu, desde o come&ccedil;o. A linha de investiga&ccedil;&atilde;o n&atilde;o me dava margens outras que n&atilde;o a participa&ccedil;&atilde;o dele. Por qu&ecirc;? Porque, felizmente, Jonnathan disse para Regiane, a irm&atilde;, que sairia com o Chagas para pegar ju&ccedil;ara&rdquo;, relatou ela em entrevista ao Projeto Humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de sair, o adolescente contou para Regiane que iria at&eacute; a &ldquo;oficina do Beto&rdquo;, na rua atr&aacute;s de casa, para encontrar com um homem chamado Chagas. Juntos, eles dariam uma volta na regi&atilde;o para apanhar ju&ccedil;ara.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o depoimento da irm&atilde; da v&iacute;tima, apesar de n&atilde;o ser amigo da fam&iacute;lia, o mec&acirc;nico era conhecido na vizinhan&ccedil;a. Jonnathan tinha uma bicicleta e, quando precisava consert&aacute;-la, ia at&eacute; a oficina onde Chagas trabalhava.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Justamente por isso, de acordo com Regiane, ningu&eacute;m nunca questionou a amizade entre os dois. Antes do desaparecimento, inclusive, ela j&aacute; havia notado que a oficina era bastante frequentada por adolescentes da idade de Jonnathan.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2003-12-08-2-Depoimento-Regiane-Silva-Vieira.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Regiane<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Foi a bordo da bicicleta azul que o garoto saiu para o seu &uacute;ltimo passeio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui vale uma recorda&ccedil;&atilde;o: algumas v&iacute;timas em Altamira tamb&eacute;m estavam de bicicleta no dia em que foram atacadas. Assim, n&atilde;o parece aleat&oacute;ria a informa&ccedil;&atilde;o de que Chagas era funcion&aacute;rio de uma oficina, em mais uma conex&atilde;o entre os dois cen&aacute;rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Regiane passou a tarde toda preocupada com o irm&atilde;o, conversando com vizinhos e procurando o mec&acirc;nico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em outra declara&ccedil;&atilde;o &agrave; pol&iacute;cia, ela afirma que, por volta das 18h daquele dia, Chagas bateu &agrave; sua porta. Ele estava acompanhado de um sobrinho e de uma vizinha.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi&atilde;o, o suspeito perguntou para Regiane por que ela estava espalhando a hist&oacute;ria de que ele tinha sa&iacute;do com Jonnathan. Ela, ent&atilde;o, descreveu a conversa que teve com o irm&atilde;o pela manh&atilde; e acrescentou que chamaria a pol&iacute;cia. Chagas riu e alegou n&atilde;o conhecer o garoto.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois da visita inesperada, a jovem continuou as buscas pela regi&atilde;o &agrave; procura do garoto, com a ajuda de amigos e familiares. A m&atilde;e do menino, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rita-gomes-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Jonnathan, adolescente morto em dezembro de 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Rita Gomes da Silva<\/a>, soube do ocorrido &agrave; noite, por telefone, enquanto estava no trabalho. Na mesma hora, saiu de l&aacute; e se encontrou com o marido, Gaspar, padrasto de Jonnathan.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Todos seguiram procurando, mas ningu&eacute;m acreditava que o mec&acirc;nico realmente fosse o respons&aacute;vel. Afinal, Chagas era um homem simples, um morador da comunidade que nunca chamou muita aten&ccedil;&atilde;o. Todo o imagin&aacute;rio da &eacute;poca estava voltado para a culpa de poderosos satanistas, membros de uma seita assassina.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse cen&aacute;rio, a pol&iacute;cia recomendou que Rita esperasse 48 horas para registrar um Boletim de Ocorr&ecirc;ncia, o que ela fez. Na manh&atilde; de 8 de dezembro, a fam&iacute;lia foi at&eacute; a delegacia e relatou o caso, apontando Chagas como o principal suspeito.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2003-12-08-1-Depoimento-Rita-de-Cassia-Gomes-da-Silva.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Rita<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A delegada Edil&uacute;cia recebeu as informa&ccedil;&otilde;es e seguiu as pistas fornecidas. Ela ainda elogiou a persist&ecirc;ncia e dedica&ccedil;&atilde;o da m&atilde;e da v&iacute;tima. &ldquo;Ela foi uma mulher que realmente cobrou da pol&iacute;cia, e eu acho que isso &eacute; louv&aacute;vel numa m&atilde;e que ama o seu filho. E eu me senti, como m&atilde;e na &eacute;poca, na obriga&ccedil;&atilde;o de ir atr&aacute;s. Tanto &eacute; que voc&ecirc; pode constatar no inqu&eacute;rito que as dilig&ecirc;ncias eram di&aacute;rias&rdquo;, comentou ao podcast.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em 8 de dezembro, dois dias ap&oacute;s o desaparecimento, Chagas foi interrogado pela pol&iacute;cia. Na ocasi&atilde;o, ele negou ter sa&iacute;do com Jonnathan. Disse que nem conhecia o garoto direito e que s&oacute; o tinha visto algumas vezes na oficina onde consertava bicicletas.<\/p>\n\n\n\n<p>Como &aacute;libi, afirmou que, na manh&atilde; em que o garoto sumiu, foi at&eacute; o trabalho para se encontrar com um amigo chamado Beto. Em seguida, ambos teriam ido at&eacute; o bairro S&atilde;o Raimundo para assentar port&otilde;es de ferro.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem provas que poderiam mant&ecirc;-lo na delegacia, o suspeito logo foi liberado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2003-12-08-5-Interrogatorio-Chagas-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Primeiro depoimento de Chagas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em 10 de dezembro, duas novas testemunhas ajudariam a incriminar o mec&acirc;nico: uma mulher chamada <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-silvana-coelho\/\" target=\"_self\" title=\"Madrinha de Jonnathan, adolescente morto em 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Maria Silvana Coelho<\/a>, madrinha de Jonnathan, e o seu filho, Matheus, de apenas oito anos.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Maria, na manh&atilde; do dia 6, ela pediu para o filho comprar sab&atilde;o para limpar as janelas. Caso encontrasse Jonnathan, era para cham&aacute;-lo tamb&eacute;m, a fim de que ajudasse no servi&ccedil;o. Matheus saiu e, na volta, avistou o amigo na oficina, que ficava perto da sua casa.<\/p>\n\n\n\n<p>A crian&ccedil;a contou para a m&atilde;e onde o adolescente estava, e ela lhe disse para ir at&eacute; a oficina e chamar Jonnathan. Matheus a obedeceu imediatamente. Ao conversar com o amigo, por&eacute;m, recebeu a resposta de que ele s&oacute; visitaria a madrinha mais tarde, pois naquela manh&atilde; havia planejado &ldquo;sair com Chagas&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2003-12-17-2-Depoimento-Maria-Silvana-Coelho.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Maria Silvana Coelho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2003-12-10-3-Termo-Informacoes-Matheus.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Termo de informa&ccedil;&otilde;es de Matheus<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a delegada Edil&uacute;cia, Matheus chegou a identificar Chagas em um processo de reconhecimento realizado na delegacia.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte ao depoimento da crian&ccedil;a, a pol&iacute;cia prendeu o mec&acirc;nico. Edil&uacute;cia n&atilde;o demorou para pedir a prorroga&ccedil;&atilde;o da pris&atilde;o do suspeito, que foi concedida em 15 de dezembro. Nesta mesma data, ela solicitou tamb&eacute;m que Chagas passasse por an&aacute;lise psiqui&aacute;trica e psicol&oacute;gica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Preso, o acusado foi submetido ao que a delegada chama de &ldquo;anamnese&rdquo;, uma forma de entrevista mais solta e informal do que um t&iacute;pico interrogat&oacute;rio. Ele lhe contou que morava no Maranh&atilde;o desde 1994. Mas antes, entre 1977 e 1994, residiu em uma cidade no Par&aacute;: Altamira. Esse detalhe chamou a aten&ccedil;&atilde;o de Edil&uacute;cia.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Eu fiz toda uma t&eacute;cnica diferente de interrogat&oacute;rio. Eu tentei fazer com que ele confiasse em mim. A grande realidade foi essa. Ent&atilde;o ele disse &lsquo;eu morei l&aacute; em Altamira por tanto tempo&rsquo;. A&iacute; acendeu aquela lampadazinha&rdquo;, relatou a delegada.<\/p>\n\n\n\n<p>Por participar de congressos e acompanhar os notici&aacute;rios, ela j&aacute; conhecia o hist&oacute;rico de crimes contra crian&ccedil;as no Par&aacute;. Por isso, nessa primeira conversa com o suspeito, a investigadora conseguiu tra&ccedil;ar os locais de resid&ecirc;ncia dele, o hist&oacute;rico familiar e at&eacute; mesmo montar uma &aacute;rvore geneal&oacute;gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao longo das apura&ccedil;&otilde;es, outras testemunhas aumentariam as suspeitas sobre <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a>. Beto, amigo do mec&acirc;nico, desmentiu que o teria encontrado para assentar port&otilde;es, o que derrubou o seu &aacute;libi. O pr&oacute;prio dono da oficina, chamado Carlos Alberto, confirmou que Jonnathan visitou o local naquela manh&atilde; e foi atendido por Chagas, o que corroborou com o depoimento de Regiane. <\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; Nailson, um menino de 15 anos, contou &agrave; pol&iacute;cia que, tr&ecirc;s ou quatro dias antes do desaparecimento, o mec&acirc;nico o convidou para apanhar ju&ccedil;ara. Ao negar o passeio, Chagas teria ficado bravo e insistido.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda que a Pol&iacute;cia Civil tivesse conseguido prender o suspeito, sem encontrar o corpo de Jonnathan, seria dif&iacute;cil mant&ecirc;-lo atr&aacute;s das grades por muito tempo. Mas, em 19 de dezembro, duas semanas ap&oacute;s o desaparecimento, as investiga&ccedil;&otilde;es come&ccedil;aram a avan&ccedil;ar. Na ocasi&atilde;o, a bicicleta do adolescente foi apreendida com um menino chamado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ruan-victor\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que ajudou a incriminar Chagas no caso Jonnathan\" class=\"encyclopedia\">Ruan Victor<\/a>. Em depoimento, ele relatou t&ecirc;-la encontrado &ldquo;escondida no mato&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A m&atilde;e de Ruan, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-lucia-tavares\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Ruan Victor, testemunha que incriminou Chagas no caso Jonnathan\" class=\"encyclopedia\">Maria L&uacute;cia Tavares<\/a>, o acompanhou at&eacute; a delegacia, e deu mais detalhes sobre o que o filho teria lhe dito. De acordo com ela, o garoto afirmou que no dia 6 de dezembro viu &ldquo;um homem transando com um menino, mas o menino n&atilde;o estava mais com vida&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para que n&atilde;o contasse nada para ningu&eacute;m, o mec&acirc;nico pediu para Ruan voltar ao local mais tarde, pois lhe daria uma bicicleta de presente.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base no relato de Ruan, a pol&iacute;cia agora tinha elementos para solicitar a convers&atilde;o da pris&atilde;o tempor&aacute;ria do suspeito em preventiva. Enquanto isso, buscas pelo corpo da v&iacute;tima passaram a ser feitas nas matas da regi&atilde;o descrita pelo menino. A procura durou aproximadamente 40 dias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 16 de janeiro de 2004, uma ossada foi encontrada perto de uma pedreira, a quatro quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia da casa de Chagas. As primeiras an&aacute;lises determinaram que o corpo seria de um adolescente de cerca de 15 anos, e que a causa da morte havia sido traumatismo craniano.<\/p>\n\n\n\n<p>Dois dias depois, a pol&iacute;cia fez uma nova descoberta. A cinco metros do local da ossada, os peritos acharam uma camisa, uma bermuda e uma sand&aacute;lia havaiana dentro de um buraco. A fam&iacute;lia de Jonnathan identificou os objetos como pertencentes ao menino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, em 26 de janeiro, a pris&atilde;o de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> finalmente se transformou em preventiva. Ele foi indiciado por homic&iacute;dio e oculta&ccedil;&atilde;o de cad&aacute;ver.<\/p>\n\n\n\n<p>Laudos de an&aacute;lise do corpo apontaram para fraturas no &acirc;nus, que corroboram com a hip&oacute;tese de viol&ecirc;ncia sexual levantada pelo relato de Ruan. Al&eacute;m disso, um exame realizado no suspeito ainda em dezembro, quando ele foi preso, concluiu o seguinte:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>[&hellip;] Les&otilde;es encontradas na glande, no sulco b&aacute;lamo-prepucial e no freio do p&ecirc;nis do acusado, s&atilde;o compat&iacute;veis com trauma local, sugerindo a pr&aacute;tica de coito anal<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2004-01-19-1-Auto-de-Apreensao-ossada-e-roupas.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Auto de apreens&atilde;o da ossada de Jonnathan<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2004-01-19-2-Auto-de-reconhecimento-de-objetos.pdf\" target=\"_blank\">Auto de reconhecimento de objetos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2003-12-12-6-Laudo-IML-Chagas-lesoes-na-glande.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Laudo de exame de Chagas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>GEOGRAFIA DO CRIME<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em janeiro de 2004, antes da ossada ser encontrada, outro delegado da Pol&iacute;cia Civil assumiu o caso de Jonnathan: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/joao-carlos-amorim-diniz\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil conhecido por ligar Chagas a diversos crimes no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Carlos Amorim Diniz<\/a>. Ele coordenava, desde abril de 2003, uma equipe voltada para investigar os crimes contra meninos no Maranh&atilde;o. Por isso, foi designado para substituir Edil&uacute;cia ap&oacute;s a pris&atilde;o de Chagas.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo conduzido por Diniz fez um levantamento minucioso de todas as ocorr&ecirc;ncias registradas no estado nos &uacute;ltimos anos. Quase todos aconteceram em S&atilde;o Lu&iacute;s e regi&atilde;o metropolitana, enquanto apenas um ocorreu na cidade de Cod&oacute;, a 300 quil&ocirc;metros da capital.<\/p>\n\n\n\n<p>Paralelo a isso, o investigador tamb&eacute;m pesquisou sobre os crimes em Altamira. &ldquo;Eu sabia da semelhan&ccedil;a, mas n&atilde;o podia pedir autoriza&ccedil;&atilde;o para ningu&eacute;m. Eu tamb&eacute;m investiguei. Que tipo de investiga&ccedil;&atilde;o? Peguei os dados, quem era, quando foi, e juntei com os meus. Foi s&oacute; isso que fiz. Eu n&atilde;o tinha acesso aos autos do Par&aacute;&rdquo;, explicou Diniz durante audi&ecirc;ncia realizada na Comiss&atilde;o de Direitos Humanos em Bras&iacute;lia, em novembro de 2004.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi a partir do cruzamento de informa&ccedil;&otilde;es que a equipe montou uma tabela e verificou que as datas em ambos os estados se intercalavam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com a ajuda do perito <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wilton-carlos-rego\/\" target=\"_self\" title=\"Perito que ajudou a ligar Chagas a diversos crimes no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Wilton Carlos Rego<\/a>, a for&ccedil;a-tarefa produziu um mapa dos crimes, que mostrou algo bastante curioso: das 14 mortes registradas no Maranh&atilde;o at&eacute; abril de 2003, 13 aconteceram em S&atilde;o Lu&iacute;s. Mais especificamente em uma &aacute;rea pequena, de 4,5 por 12 quil&ocirc;metros, onde ficava a casa das v&iacute;timas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Por que s&oacute; ocorreu dentro dessa &aacute;rea? Isso quer dizer que algu&eacute;m, ou as pessoas que cometeram esses crimes, tinha aquele como o seu territ&oacute;rio. Essa foi a minha primeira constata&ccedil;&atilde;o&rdquo;, completou Diniz. A &uacute;nica exce&ccedil;&atilde;o era o evento em Cod&oacute;, que ele considerava isolado.<\/p>\n\n\n\n<p>A ata da audi&ecirc;ncia onde o delegado apresentou os detalhes da investiga&ccedil;&atilde;o, al&eacute;m das tabelas e mapas produzidos, est&aacute; dispon&iacute;vel em um livro publicado pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Maranh&atilde;o. Ele &eacute; distribu&iacute;do gratuitamente pela internet em formato PDF e pode ser acessado aqui:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1FDqRqRZ0xgvLwyV2Qg3UpRmGUA8zHUGZ\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Livro do MP sobre o caso dos meninos emasculados do Maranh&atilde;o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O espa&ccedil;o geogr&aacute;fico, por&eacute;m, n&atilde;o era o &uacute;nico fator que ligava as v&iacute;timas. As semelhan&ccedil;as na forma como os corpos eram ocultados e at&eacute; mesmo nas les&otilde;es encontradas tamb&eacute;m chamaram a aten&ccedil;&atilde;o dos investigadores. Al&eacute;m da emascula&ccedil;&atilde;o, os cad&aacute;veres possu&iacute;am outras mutila&ccedil;&otilde;es, como a retirada de mamilos, dedos ou peda&ccedil;os da orelha.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas informa&ccedil;&otilde;es foram levantadas pela equipe de Diniz antes do Chagas aparecer na hist&oacute;ria. Por isso, depois de tanto trabalho, a for&ccedil;a-tarefa se viu um pouco perdida. Como continuar? Como identificar o respons&aacute;vel ou respons&aacute;veis?<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o delegado, a orienta&ccedil;&atilde;o era evitar erros comuns nas investiga&ccedil;&otilde;es anteriores, quando a pol&iacute;cia s&oacute; passava a apurar o caso depois que o cad&aacute;ver era encontrado. Agora, se uma crian&ccedil;a ou adolescente desaparecesse, todos os detalhes precisavam ser colhidos com testemunhas o mais r&aacute;pido poss&iacute;vel. Foi exatamente o que aconteceu ap&oacute;s o sumi&ccedil;o de Jonnathan.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A equipe de Diniz entrou para o caso do adolescente no momento da procura pelo corpo. Ao encontr&aacute;-lo, o delegado p&ocirc;de comparar as caracter&iacute;sticas da cena do crime com o estudo das demais mortes.<\/p>\n\n\n\n<p>Da mesma forma, o depoimento de Chagas permitiu uma an&aacute;lise entre as datas das idas e vindas dele entre Altamira e S&atilde;o Lu&iacute;s, com as das ocorr&ecirc;ncias em ambas as cidades. E elas coincidiam.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lembre-se, em 2004 n&atilde;o existiam smartphones. A tecnologia ainda n&atilde;o era t&atilde;o avan&ccedil;ada e acess&iacute;vel. O Google Maps s&oacute; foi lan&ccedil;ado um ano depois.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A quest&atilde;o &eacute; que Wilton era formado em engenharia civil e gostava muito de aparelhos tecnol&oacute;gicos. Com dinheiro do pr&oacute;prio bolso, ele comprou na &eacute;poca um equipamento car&iacute;ssimo: um GPS. Por meio dele, passou a demarcar em um mapa todos os locais de crimes contra os meninos.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando Chagas apareceu, o perito incluiu ali as informa&ccedil;&otilde;es relativas ao suspeito &ndash; onde ele morou e trabalhou ao longo dos anos dos desaparecimentos. Wilton, ent&atilde;o, notou algumas proximidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, essa t&eacute;cnica &eacute; conhecida como &ldquo;Geografia do Crime&rdquo;, e &eacute; muito utilizada na identifica&ccedil;&atilde;o de serial killers nos Estados Unidos. Mas, em 2004, no Brasil, o m&eacute;todo n&atilde;o era nada comum. Por isso, o trabalho de Wilton pode ser considerado inovador, especialmente pelas dificuldades tecnol&oacute;gicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa &eacute;poca, mesmo preso, Chagas ainda negava todos os crimes. Esse cen&aacute;rio s&oacute; mudou em mar&ccedil;o de 2004, quando a pol&iacute;cia realizou uma busca e apreens&atilde;o na casa dele.<\/p>\n\n\n\n<p>O que motivou o procedimento, al&eacute;m das evid&ecirc;ncias j&aacute; coletadas, foi o depoimento de vizinhos que frequentavam a resid&ecirc;ncia do mec&acirc;nico. Um deles, cujo irm&atilde;o inclusive tamb&eacute;m havia desaparecido, em 2002, disse que o local exalava &ldquo;um forte odor de putrefa&ccedil;&atilde;o&rdquo;.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a busca, uma das primeiras coisas que chamaram a aten&ccedil;&atilde;o dos peritos foi uma baladeira &ndash; como o estilingue &eacute; chamado em algumas regi&otilde;es do Brasil. Posteriormente, o objeto seria ligado a um dos meninos mortos na cidade, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/sebastiao-ribeiro-borges\/\" target=\"_self\" title=\"Menino que desapareceu no Maranh&atilde;o em agosto de 2000\" class=\"encyclopedia\">Sebasti&atilde;o Ribeiro Borges<\/a>, o &ldquo;Siba&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Siba sumiu em 17 de agosto de 2000 depois de sair de casa com a baladeira, para ca&ccedil;ar passarinhos. No dia seguinte, o corpo do garoto foi achado em um matagal, a cerca de 300 metros de onde Chagas morava.<\/p>\n\n\n\n<p>Os familiares identificaram o estilingue do menino devido &agrave;s marca&ccedil;&otilde;es que ele tinha, al&eacute;m do material usado para confeccion&aacute;-lo. &ldquo;O pai da v&iacute;tima reconheceu a baladeira pelo couro. Disse que tirou de uma chuteira velha e deu ao garoto. E, realmente, na per&iacute;cia consta que o couro &eacute; de um cal&ccedil;ado&rdquo;, comentou Diniz na audi&ecirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m de analisar com cuidado os objetos da casa, os policiais tamb&eacute;m avaliaram o solo, buscando pontos em que a terra tivesse sido removida. Na ocasi&atilde;o, eles encontraram sob o ch&atilde;o batido uma cartilagem ressecada, que depois seria identificada como uma traqueia humana.<\/p>\n\n\n\n<p>As escava&ccedil;&otilde;es seguiram por dois dias e, em 26 de mar&ccedil;o, os investigadores descobriram duas ossadas enterradas no local.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A partir desse momento, a press&atilde;o em cima do suspeito aumentou. Diante das evid&ecirc;ncias incontest&aacute;veis, Chagas confessou ter cometido tr&ecirc;s crimes no Maranh&atilde;o. O relat&oacute;rio da Pol&iacute;cia Civil sobre o caso afirma:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Interrogado, no mesmo dia em que foram encontradas as ossadas humanas, CHAGAS confessou ter assassinado e enterrado no interior da sua resid&ecirc;ncia a crian&ccedil;a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/daniel-ribeiro-ferreira\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de quatro anos morto em fevereiro de 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Daniel Ribeiro Ferreira<\/a>, de 04 anos, sobrinho de Silvandira, sua ex companheira, a qual estava desaparecida desde 10 de fevereiro de 2003 e o adolescente Diego, o qual seria, segundo CHAGAS, um &ldquo;menino de rua&rdquo;.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Confessou, ainda, que estava em companhia do adolescente <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jonathan-vieira\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente de 15 anos que desapareceu em 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Jonnathan Silva Vieira<\/a> no dia 06 de dezembro de 2003, em um ju&ccedil;aral na localidade Santana, quando teria ocorrido um acidente e o referido adolescente caiu de uma ju&ccedil;areira, bateu a cabe&ccedil;a e morreu, tendo CHAGAS, com medo de que o mesmo fosse encontrado, ocultado o corpo em um matagal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1IgZn-kL25LhNLVcWCQsNiFupOAjY-GvC\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Relat&oacute;rio da Pol&iacute;cia Civil sobre Chagas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Exames de DNA feitos posteriormente pela universidade de Alagoas confirmariam as confiss&otilde;es de Chagas. As ossadas foram identificadas como pertencentes a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/daniel-ribeiro-ferreira\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de quatro anos morto em fevereiro de 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Daniel Ribeiro Ferreira<\/a>, de quatro anos, e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/emanoel-diego-de-jesus-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente de 14 anos morto em maio de 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Emanoel Diego de Jesus Silva<\/a>, de 14. O resultado da an&aacute;lise da traqueia, por&eacute;m, se mostrou inconclusivo.<\/p>\n\n\n\n<p>Daniel foi a v&iacute;tima mais jovem e mais pr&oacute;xima do acusado. Ele era sobrinho da ex-companheira de Chagas. Na ocasi&atilde;o do crime, a crian&ccedil;a estava sob os cuidados do pai, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/domingos-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Daniel, menino de quatro anos morto em 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Domingos Oliveira<\/a>, que era vizinho do mec&acirc;nico. Ele dormia na cama junto com o filho quando o garoto desapareceu no meio da madrugada. Como havia bebido muito antes de deitar, n&atilde;o percebeu o sequestro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o relat&oacute;rio da pol&iacute;cia, o suspeito frequentava a casa de Domingos &ldquo;quase que diariamente&rdquo;, onde &agrave;s vezes almo&ccedil;ava, jantava, tomava caf&eacute; e brincava com os filhos do casal. O ar de &ldquo;bom mo&ccedil;o&rdquo; seguiu at&eacute; mesmo depois do sumi&ccedil;o do menino, como relata uma mat&eacute;ria do jornal O Estado de S. Paulo, de 25 de abril de 2004:<\/p>\n\n\n\n<p><em>No desespero que se seguiu, por mais de um ano, Chagas foi de exemplar solidariedade. Deu ombro para Domingos e M&ocirc;nica, os pais de Daniel. Comandou buscas, deu entrevistas para r&aacute;dios e televis&otilde;es clamando por provid&ecirc;ncias das autoridades. T&atilde;o solid&aacute;rio foi que a pol&iacute;cia de Cutrim o convidou, nada mais, nada menos, para participar da reconstitui&ccedil;&atilde;o do crime.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1oxmFPn2_-1NjuEBoeDk_x3IDpji3BjmX\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do jornal O Estado de S. Paulo &ndash; &ldquo;A confiss&atilde;o deste homem: 32 garotos mutilados e mortos&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nas primeiras confiss&otilde;es &agrave; pol&iacute;cia, Chagas deu diferentes motivos para os crimes. Sobre Daniel, disse que resolveu peg&aacute;-lo para assustar Domingos, que n&atilde;o cuidava direito do menino. A crian&ccedil;a, por&eacute;m, teria come&ccedil;ado a chorar e, a partir da&iacute;, ele j&aacute; n&atilde;o se lembrava de mais nada. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o a Diego, afirmou que teria dado pauladas na cabe&ccedil;a do adolescente pois desconfiava que ele teria lhe roubado a quantia de 10 reais.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m das ossadas e da baladeira, havia na casa de Chagas peda&ccedil;os de camisas compat&iacute;veis com roupas utilizadas por alguns dos meninos. Isso mostra que era comum que o acusado guardasse &ldquo;trof&eacute;us&rdquo; das v&iacute;timas &ndash; ou seja, um item pertencente a elas.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir do final de mar&ccedil;o de 2004, como consequ&ecirc;ncia da busca e apreens&atilde;o, o mec&acirc;nico come&ccedil;ou a falar. No total, confessou o assassinato de 30 garotos s&oacute; no estado do Maranh&atilde;o, entre 1991 e 2003.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2004-03-26-Termo-Qualificacao-Chagas.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Termo de Qualifica&ccedil;&atilde;o de Chagas (26\/03\/2004)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2004-05-28-Termo-de-reinquiricao-Chagas.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Termo de Reinquiri&ccedil;&atilde;o de Chagas (28\/05\/2004)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/13OKgKZp-uTF_zZUUD42CZhEvHdD9p_PM\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Termo de Reinquiri&ccedil;&atilde;o de Chagas (12\/07\/2004)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1_MZmaUrc4xjd8mHigiwvkaA18_HyiAgo\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Chagas &ndash; Confiss&otilde;es em ju&iacute;zo (2004-2005)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em outubro de 2006, Rita, a m&atilde;e de Jonnathan, prestou depoimento no Tribunal do J&uacute;ri de Chagas, que acabou condenado por unanimidade. Nos anos que se seguiram, o mec&acirc;nico foi julgado e considerado culpado pela morte de diversos garotos no Maranh&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A declara&ccedil;&atilde;o de Rita no plen&aacute;rio traz a extens&atilde;o pessoal da trag&eacute;dia e nos faz lembrar que em cada menino havia uma individualidade, uma vida e sonhos:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Que sobre seu filho, a depoente e todas as pessoas que o conheciam o consideravam maravilhoso; Que ele tinha realizado um sonho que era de adquirir uma bicicleta; Que ele queria ser um jogador de futebol e tirar a depoente da vida que levava; Que ele falava em comprar uma casa e um carro para a depoente; Que a depoente dizia que n&atilde;o sabia dirigir e ele lhe respondia que arrumaria at&eacute;&ensp;um motorista; Que JONATHAN era inteligente e j&aacute; estava no primeiro ano do Segundo Grau.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/Depoimento-Rita-mae-de-Jonathan-no-juri-de-Chagas.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Rita no j&uacute;ri de Chagas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Trinta garotos. Trinta vidas. O n&uacute;mero assusta na mesma medida em que massifica. &Eacute; dif&iacute;cil dar conta da dimens&atilde;o humana e individual da trag&eacute;dia. A morte de cada um deles &eacute; um futuro tirado de uma comunidade. Um crime &eacute; uma trag&eacute;dia coletiva. Os anos que a pol&iacute;cia demorou para resolver os casos fizeram com que as fam&iacute;lias parassem no tempo e trilhassem um caminho de muito sofrimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas um crime &eacute; tamb&eacute;m uma trag&eacute;dia individual. &Eacute; imposs&iacute;vel, nesse podcast, dar conta das particularidades de cada um dos 30 casos do Maranh&atilde;o. Como, ent&atilde;o, narrar essas vidas que foram destru&iacute;das?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os autos do processo cont&ecirc;m dezenas de p&aacute;ginas das confiss&otilde;es de Chagas, descrevendo com detalhes como ele encontrou e matou cada uma das crian&ccedil;as. Se por um lado, essas informa&ccedil;&otilde;es podem ser preciosas por evidenciar as semelhan&ccedil;as com Altamira, por outro, elas escancaram uma dor imensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ora, disponibilizaremos aqui os nomes das crian&ccedil;as v&iacute;timas do Maranh&atilde;o, com um resumo produzido pela Pol&iacute;cia Federal da &eacute;poca:<\/p>\n\n\n\n<p><em><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">FRANCISCO DAS CHAGAS<\/a> confessou a autoria dos homic&iacute;dios contra os seguintes menores, ocorridos na Ilha de S&atilde;o Luis:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>1. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jondelvanes-macedo-escorcio\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 10 anos que desapareceu no Maranh&atilde;o em 1991\" class=\"encyclopedia\">Jondelvanes Macedo Esc&oacute;rcio<\/a><\/strong>, 10 anos, desaparecido no dia 07\/09\/1991, ap&oacute;s sair de casa, na Vila Cafeteira, para vender suquinhos, indo em dire&ccedil;&atilde;o a um campo de futebol localizado no Rio S&atilde;o Jo&atilde;o, passando pela localidade Merc&ecirc;s. Esta crian&ccedil;a n&atilde;o teve seu corpo encontrado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>2. Ranier Silva Cruz<\/strong>, 10 anos, desaparecido no dia 17\/09\/1991 e encontrado, morto e emasculado, no dia 22\/09\/1991, em um matagal no loteamento Paran&atilde;, pr&oacute;ximo a Estrada de Ribamar. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> o teria abordado em uma rua no Conjunto Tamba&uacute; e levado para um matagal pr&oacute;ximo a Estrada de Ribamar, onde ocorreu o crime;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>3. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-reis-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 12 anos que foi morto e emasculado no Maranh&atilde;o em 1991\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Reis Silva<\/a><\/strong>, 12 anos, desaparecido em 08\/10\/1991 e encontrado emasculado no dia 12\/10\/1991, em um matagal, na reserva florestal do Batat&atilde;, no bairro Sacav&eacute;m. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> afirmou ter abordado o menino, que vendia suquinhos,<\/em> <em>na Avenida dos Franceses, pr&oacute;ximo ao Mercado do Autom&oacute;vel e levado para um matagal, na Estrada do Batat&atilde;, depois do Mercado do Autom&oacute;vel, pr&oacute;ximo &agrave; rodovi&aacute;ria, onde ocorreu o crime;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>4. Ivanildo P&oacute;voas Ferreira<\/strong>, 11 anos, desaparecido em 07\/11\/1991 e<\/em> <em>encontrado, morto e emasculado, no dia 07\/12\/1991, nas matas do horto florestal do IBAMA, na Maiobinha. Teria sido abordado por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> quando vendia suquinhos nas proximidades da feira da Cidade Oper&aacute;ria, sendo levado para a Estrada da Maiobinha, onde foi morto em um matagal;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>5. Carlos Wagner dos Santos Sousa<\/strong>, 10 anos, desaparecido em 20\/11\/1991 e encontrado, morto e emasculado, no dia seguinte, 21\/11\/1991, em um matagal pr&oacute;ximo a Avenida 14, no Maiob&atilde;o. Este menino foi abordado quando vendia bolo do lado de fora do col&eacute;gio Unidade Integrada Jos&eacute; Maria Martins, no Maiob&atilde;o e levado pela Estrada de Ribamar at&eacute; um matagal, ap&oacute;s o posto de gasolina, onde ocorreu o crime;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>6. Bernardo Rodrigues Costa<\/strong>, 14 anos, desaparecido em 03\/03\/1992 e encontrado, morto e emasculado, no dia 06\/03\/1992, em um matagal localizado entre as invas&otilde;es Vila Cafeteira e S&atilde;o Jos&eacute;. O nacional Bernardo da Silva Dias chegou a ser pronunciado, julgado e absolvido, por duas vezes, pelo Tribunal do J&uacute;ri pelo cometimento deste delito;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>7. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> disse ter abordado um menino de cerca de 12 anos na praia do Ara&ccedil;agi, o qual estava tomando banho de mar. O menor foi levado para uma estrada na praia do Olho de Porco. Ap&oacute;s as buscas realizadas no local, n&atilde;o foi encontrado qualquer ind&iacute;cio da ocorr&ecirc;ncia deste delito, da mesma maneira que n&atilde;o existe not&iacute;cia a desaparecimentos de menores nestas circunst&acirc;ncias;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>8. Alexandre dos Santos Gon&ccedil;alves<\/strong>, 10 anos, fato ocorrido em 20\/08\/1994, o qual foi visto pela &uacute;ltima vez<\/em> <em>nas imedia&ccedil;&otilde;es de sua casa na Vila S&atilde;o Jos&eacute; II, pr&oacute;ximo a um campo de futebol. Teria sido levado para um matagal pr&oacute;ximo a um lix&atilde;o na estrada que vai&nbsp; para Pa&ccedil;o do Lumiar. O corpo desta crian&ccedil;a nunca foi encontrado;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>9. Nerivaldo dos Santos Ferreira,<\/strong> 11 anos, desaparecido em 21\/03\/1996 e encontrado, morto e emasculado, no dia 24\/03\/1996, em um matagal na localidade Merc&ecirc;s, Pa&ccedil;o do Lumiar. Este menino foi levado por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> com o engodo de irem buscar mangas;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>10. Bernardo da Silva Modesto<\/strong>, 14 anos, ocorrido no dia 25\/07\/1996, na Vila Cafeteira, quando foi visto pela &uacute;ltima vez com uma gaiola, indo em dire&ccedil;&atilde;o a um baixo onde ia pegar passarinho. N&atilde;o foi encontrado o corpo deste menor, todavia, h&aacute; noticias de que no ano de 1998, fora encontrado no local uma ossada humana, mas sem qualquer identifica&ccedil;&atilde;o pelo IML;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>11. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jailson-alves-viana\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente de 15 anos que desapareceu em 1996 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Jailson Alves Viana<\/a><\/strong>, 15 anos, desaparecido no dia 25\/12\/1996, tendo sido encontrada apenas a sua ossada no dia 05\/02\/1997, em um matagal, pr&oacute;ximo a uma ro&ccedil;a, na localidade Santana. Este menino encontrava-se apanhando mangas no momento da abordagem. Por este crime foram indiciados, denunciados e pronunciados Gen&eacute;sio, Francisco e Elrismar, os quais se encontravam presos at&eacute; o dia 12\/05\/2004, quando lhes foi concedida A liberdade provis&oacute;ria, devido &agrave;s confiss&otilde;es de CHAGAS;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>12 e 13. Eduardo Rocha da Silva e Raimundo Nonato da Concei&ccedil;&atilde;o Filho<\/strong>, 10 e 11 anos, desaparecidos no dia 07\/06\/1997 e encontrados, mortos e emasculados, no dia 09\/06\/1997, em um matagal na Estrada Nova, munic&iacute;pio de Pa&ccedil;o do Lumiar. Os meninos foram abordados na estrada que liga a Maioba a Pa&ccedil;o do Lumiar, pr&oacute;ximo a um lix&atilde;o;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>14. Evanilson Cantanhede Costa<\/strong>, 11 anos, desaparecido no dia 10\/08\/1997, quando este saiu de casa, na Vila Luiz&atilde;o com destino ao s&iacute;tio da fam&iacute;lia no ltapirac&oacute;. Foi encontrado na estrada que vai do Parque Vit&oacute;ria para o Vassoural e levado para um matagal no Itapirac&oacute;. H&aacute; registros de que no ano de 2000 fora encontrada uma ossada humana de uma crian&ccedil;a sem o cr&acirc;nio no local, todavia, sem qualquer identifica&ccedil;&atilde;o. Durante buscas realizadas no tamb&eacute;m fora encontrado parte de um cr&acirc;nio humano;<\/em>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>15. Josemar de Jesus dos Santos Batista<\/strong>, 13 anos, desaparecido em 09\/10\/19: encontrado, morto e emasculado, no dia 15\/10\/1997, em um matagal no povoado Santana. Este menino estava tomando banho no brejo do Santana, e foi levado pela estrada &agrave; esquerda do brejo at&eacute; um matagal por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a>, local onde ocorreu o crime;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>16. Rafael Carvalho Carneiro<\/strong>, 15 anos, desaparecido em 25\/10\/1997 e encontrado, morto e emasculado, no dia 29\/10\/1997, em um matagal no Alto do Tur&uacute;. Foi abordado quando ia do Parque Vit&oacute;ria para o Parque Jair, ocasi&atilde;o em que o menino estava com um machado, uma cavadeira e um fac&atilde;o, sendo levado para um matagal entre as invas&otilde;es Parque Jair e Alto do Tur&uacute;, onde ocorreu o crime;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>17. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/julio-cesar-pereira-melo\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 11 anos morto no Maranh&atilde;o em junho de 1998\" class=\"encyclopedia\">J&uacute;lio C&eacute;sar Pereira Melo<\/a>,<\/strong> 11 anos, residente na Vila J. Lima, desaparecido no dia 18\/06\/1998 e encontrado morto (somente a ossada) no dia 18\/07\/1998, em um matagal na localidade Ubatuba. Rob&eacute;rio Ribeiro Cruz havia sido condenado pelo Tribunal do J&uacute;ri como autor deste delito;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>18. Nonato Alves da Silva<\/strong>, 10 anos, residente na Vila J. Lima, desaparecido no dia 28\/06\/1998 (dez dias ap&oacute;s o desaparecimento de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/julio-cesar-pereira-melo\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 11 anos morto no Maranh&atilde;o em junho de 1998\" class=\"encyclopedia\">J&uacute;lio C&eacute;sar Pereira Melo<\/a>) e encontrado morto (somente a ossada) no dia 23\/12\/1998, em um matagal na localidade Ubatuba, a aproximadamente 300m do local onde tamb&eacute;m foi encontrado o corpo de J&uacute;lio C&eacute;sar;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>19. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> disse ter abordado um menino, de aproximadamente 10 anos de idade, no <\/em>J<em>ardim Tropical I e levado para um matagal na localidade Riod, localizada ap&oacute;s a Cidade Ol&iacute;mpica, onde ocorreu o crime, fato ocorrido no ano de 1999. Ap&oacute;s as buscas realizadas no local, n&atilde;o foi encontrado qualquer ind&iacute;cio da ocorr&ecirc;ncia deste delito, da mesma maneira que n&atilde;o existe not&iacute;cia a respeito de desaparecimentos de menores nestas circunst&acirc;ncias;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>20. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/sebastiao-ribeiro-borges\/\" target=\"_self\" title=\"Menino que desapareceu no Maranh&atilde;o em agosto de 2000\" class=\"encyclopedia\">Sebasti&atilde;o Ribeiro Borges<\/a><\/strong>, 13 anos, conhecido por Siba, desapareceu em 17\/08\/2000, depois que saiu de casa, na Cidade Ol&iacute;mpica, com uma baladeira, para ca&ccedil;ar passarinhos e foi encontrado morto em um matagal no povoado Mata a aproximadamente 300m da resid&ecirc;ncia de CHAGAS, no dia 18\/09\/2000;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>21 e 22. Herm&oacute;genes Colares dos Santos e Raimundo Lu&iacute;s Sousa Cordeiro<\/strong>, 11 e 10 anos, desaparecidos em 03\/09\/2000 e encontrados, mortos e emasculados, no dia 02\/11\/20, um matagal, no povoado Mata Grande, pr&oacute;ximo a Estrada do Santana;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>23. Diego Gomes Ara&uacute;jo<\/strong>, de 14 anos de idade, desaparecido em 05\/03\/2000, tendo sua ossada encontrada em 02\/04\/2004, enterrada na resid&ecirc;ncia de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a>. Os restos mortais de Diego apenas puderam ser identificados ap&oacute;s realiza&ccedil;&atilde;o de exame de DNA;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>24. La&eacute;rcio Silva Martins<\/strong>, 13 anos, desaparecido em 05\/05\/2001, quando foi visto pela &uacute;ltima vez, no Maiob&atilde;o, pr&oacute;ximo a sua resid&ecirc;ncia, sentado no quadro de uma bicicleta, em companhia de um homem. No momento da abordagem, La&eacute;rcio usava uma bolsa e pedia livros, tendo sido levado para a Estrada do Vassoural, pelo caminho do S&iacute;tio Grande;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>25. Welson Fraz&atilde;o Serra<\/strong>, 13 anos, desaparecido no dia 07\/10\/2001 e encontrado, morto e emasculado, no dia seguinte, 08\/10\/2001 em um s&iacute;tio situado no povoado Vassoural (local onde ocorreu a abordagem);<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>26. Edivan Pinto Lobato<\/strong>, 12 anos, desaparecido no dia 15\/02\/2002 e encontrado, morto e emasculado, no mesmo dia, por volta das 22h, no interior de uma casa em constru&ccedil;&atilde;o na beira da Estrada da Maioba;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>27. Alexandre de Lemos Pereira<\/strong>, 08 anos, filho Raimundo Nonato Santos Pereira (vizinho de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a>), desaparecido desde o m&ecirc;s de agosto de 2002 quando saiu de casa para empinar papagaio e n&atilde;o mais foi visto. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> teria sa&iacute;do da sua casa com o menino e o levou para a localidade S&atilde;o Br&aacute;s dos Macacos, em um brejo, onde ocorre o crime, fato ocorrido no ano de 2002;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>28. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/daniel-ribeiro-ferreira\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de quatro anos morto em fevereiro de 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Daniel Ribeiro Ferreira<\/a><\/strong>, 04 anos, sobrinho de Silvandira, ex-companheira do investigado, desaparecido desde 10 de fevereiro de 2003 e tendo sua ossada encontrada na resid&ecirc;ncia de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> em 16\/03\/2004. Daniel s&oacute; p&ocirc;de ser identificado ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o de exame de DNA;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>29. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/emanoel-diego-de-jesus-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente de 14 anos morto em maio de 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Emanoel Diego de Jesus Silva<\/a><\/strong>,14 anos, desaparecido em 04\/05\/03 e tendo sua ossada encontrada enterrada na resid&ecirc;ncia de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> em 16\/03\/2003. Emanoel s&oacute; p&ocirc;de ser identificado ap&oacute;s a realiza&ccedil;&atilde;o de exame de DNA;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>30. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jonathan-vieira\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente de 15 anos que desapareceu em 2003 no Maranh&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Jonnathan Silva Vieira<\/a><\/strong>, de 15 anos de idade, residente no Jardim Tropical I, munic&iacute;pio de S&atilde;o Jos&eacute; de Ribamar, desapareceu em 06\/12\/2003, ap&oacute;s sair de casa, por volta das 07h30, dizendo que ia apanhar &ldquo;ju&ccedil;ara&rdquo; com o indiv&iacute;duo chamado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">FRANCISCO DAS CHAGAS<\/a> RODRIGUES DE BRITO, conhecido por &ldquo;CHAGAS&rdquo;, o qual trabalhava em uma oficina de serralheria e conserto de bicicleta, situada na rua detr&aacute;s da sua casa. Os restos mortais do menino foram encontrados em um matagal, na localidade S&atilde;o Br&aacute;s dos Macacos, no povoado Santana, a mais de 4km de dist&acirc;ncia de sua casa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>MODUS OPERANDI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-das-chagas\/\" target=\"_self\" title=\"Mec&acirc;nico preso no Maranh&atilde;o por envolvimento em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Francisco das Chagas<\/a> sempre agia da mesma forma. Atra&iacute;a meninos pobres, moradores de comunidades onde vivia, e os convencia a fazer alguma atividade corriqueira, como apanhar frutas ou ca&ccedil;ar passarinhos. Ao chegar no local combinado, matava as crian&ccedil;as e as emasculava.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele jamais confessou ter cometido crimes de viol&ecirc;ncia sexual contra as v&iacute;timas. A an&aacute;lise do corpo de Jonnathan, no entanto, aponta o contr&aacute;rio. Mesmo assim, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel afirmar com seguran&ccedil;a se houve ou n&atilde;o abuso, ou em quantos garotos eles teriam ocorrido.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando admitiu as mortes no Maranh&atilde;o, em mar&ccedil;o de 2004, o acusado n&atilde;o chegou a falar sobre Altamira. O assunto s&oacute; veio &agrave; tona um m&ecirc;s depois, quando ele finalmente citou alguns casos j&aacute; conhecidos por aqui.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Uma pista sobre o Par&aacute; surgiu em um extrato do PIS pertencente ao suspeito, do ano de 1990, tamb&eacute;m encontrado na casa dele. No papel, havia anota&ccedil;&otilde;es de alguns nomes e datas. Entre eles, estava &ldquo;Ada&iacute;lson, 5 de maio de 1991&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>N&atilde;o h&aacute; nenhuma v&iacute;tima de nome &ldquo;Ada&iacute;lson&rdquo;, mas o garoto <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ailton-fonseca-do-nascimento\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em maio de 1991 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ailton Fonseca do Nascimento<\/a> desapareceu em Altamira exatamente em 5 de maio de 1991. A ossada dele s&oacute; foi encontrada 46 dias depois, e identificada por meio dos objetos que estavam com ela. Posteriormente, o corpo foi enviado para Bel&eacute;m e nunca mais voltou para a fam&iacute;lia, que n&atilde;o conseguiu enterrar o garoto.<\/p>\n\n\n\n<p>Um detalhe importante j&aacute; pode entrar aqui: em 1991, Chagas era vizinho de Ailton em Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Diniz, com o passar do tempo e o aumento no n&uacute;mero de v&iacute;timas, o mec&acirc;nico come&ccedil;ou a anotar as informa&ccedil;&otilde;es dos crimes por meio do que era noticiado na TV. Ele confessou, inclusive, que tinha um caderno com os nomes e datas de todos os casos, mas jogou o objeto fora assim que se tornou suspeito no desaparecimento de Jonnathan. <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/2004-06-15-Analise-Grafotecnica-Chagas-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">An&aacute;lise grafot&eacute;cnica de Chagas (extrato PIS)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer modo, as investiga&ccedil;&otilde;es conduzidas por Diniz s&atilde;o bastante completas, principalmente devido &agrave; an&aacute;lise geogr&aacute;fica realizada por Wilton.<\/p>\n\n\n\n<p>Em setembro de 2003, ainda durante os j&uacute;ris em Bel&eacute;m, a Pol&iacute;cia Federal ganhou poderes para investigar todos os casos contra crian&ccedil;as no Par&aacute; e em outros estados do Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com Chagas em vista, entrou em cena uma nova equipe da PF em Altamira, diferente daquela que apurou os crimes na d&eacute;cada de 1990. Desta vez, o m&eacute;todo de mapeamento tamb&eacute;m foi utilizado, sempre com troca de informa&ccedil;&otilde;es com a Pol&iacute;cia Civil e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Maranh&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como j&aacute; mencionado, o &uacute;nico evento que se distancia geograficamente da &aacute;rea de moradia e atua&ccedil;&atilde;o do mec&acirc;nico &eacute; o de Cod&oacute;, munic&iacute;pio que fica a 300 quil&ocirc;metros de S&atilde;o Lu&iacute;s. Alguns elementos, no entanto, s&atilde;o diferentes dos demais, como o modo de oculta&ccedil;&atilde;o do corpo e o fato de ele ter sido amarrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de j&aacute; ter visitado a cidade e possuir parentes l&aacute;, Chagas jamais confessou esse crime em espec&iacute;fico. A pol&iacute;cia levou isso em considera&ccedil;&atilde;o, assim como a falta de materialidade. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse detalhe &eacute; importante porque, quando um serial killer aparece, existe o receio de que as autoridades coloquem na conta dele v&aacute;rios casos sem solu&ccedil;&atilde;o, s&oacute; para &ldquo;esvaziar a pilha&rdquo;. Mas n&atilde;o foi o que aconteceu com essa situa&ccedil;&atilde;o em Cod&oacute;.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho da equipe de Diniz de fato foi bem feito e contou com m&eacute;todos inovadores para a &eacute;poca. &Eacute; seguro afirmar, por&eacute;m, que nada disso seria poss&iacute;vel sem a atua&ccedil;&atilde;o da delegada Edil&uacute;cia, que prendeu Chagas. Mais tarde, ela precisou se afastar da fun&ccedil;&atilde;o devido a um problema de sa&uacute;de e &agrave; perda de prazos para a entrega de relat&oacute;rios. A sa&iacute;da repentina fez com que o desempenho dela se tornasse quase invis&iacute;vel na hist&oacute;ria do caso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Meus filhos hoje dizem assim &lsquo;a m&atilde;e &eacute; famosa mas ningu&eacute;m sabe&rsquo;. Eu digo que n&atilde;o &eacute; para saber mesmo. Eu acho que todos os des&iacute;gnios divinos t&ecirc;m um motivo. Se eu fiz o bem para quem n&atilde;o morreu, s&oacute; isso me basta. Ent&atilde;o, eu n&atilde;o guardo m&aacute;goas&rdquo;, afirmou ela em entrevista ao podcast.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, o que importava era que o assassino de crian&ccedil;as estava fora das ruas. Um homem que n&atilde;o se encaixava na vis&atilde;o hollywoodiana de serial killer, aquela figura poderosa e altamente inteligente, que n&atilde;o deixa pistas e sempre escapa da justi&ccedil;a.<\/p>\n\n\n\n<p>Chagas n&atilde;o era rico. Era apenas morador de uma comunidade, como tantos outros. Uma pessoa quieta, que trabalhou em garimpos, mercados, fez bicos, e consertou bicicletas. Um vizinho prestativo, um bom cidad&atilde;o. Nunca chamava a aten&ccedil;&atilde;o, se perdia no meio da massa. Morava em uma casa perto das fam&iacute;lias que sofriam o luto de seus filhos. Ajudava nas buscas pelas crian&ccedil;as.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas ele deixava pegadas. Deixava rastros. N&atilde;o era um assassino que cometia crimes perfeitos. Sequestrava &agrave; luz do dia e n&atilde;o tentava fugir ou se esconder depois. Continuava a viver perto das v&iacute;timas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como, ent&atilde;o, a pol&iacute;cia jamais seguiu essas pistas e chegou at&eacute; ele? Talvez, as crian&ccedil;as que morreram tamb&eacute;m eram invis&iacute;veis para o Estado, vistas como apenas corpos em uma multid&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi preciso que os familiares se unissem e chegassem at&eacute; o alto escal&atilde;o da justi&ccedil;a americana para que as autoridades olhassem para eles. Finalmente os moradores do Maranh&atilde;o tiveram uma resposta e puderam descansar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas e quanto &agrave; popula&ccedil;&atilde;o de Altamira? Ap&oacute;s anos acreditando que a justi&ccedil;a tinha sido feita com a condena&ccedil;&atilde;o dos quatro acusados, seria poss&iacute;vel mudar de opini&atilde;o? E crer que Chagas, sozinho, pudesse ser o respons&aacute;vel? Quais crimes, afinal, ele confessou no Par&aacute;?<\/p>\n\n\n\n<p>O fato &eacute; que a hist&oacute;ria do mec&acirc;nico n&atilde;o correspondia com o que as fam&iacute;lias de Altamira ouviram por mais de uma d&eacute;cada de diversas autoridades, entre policiais civis e federais, promotores e ju&iacute;zes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> foi absolvida em 5 de dezembro de 2003. Jonnathan desapareceu no dia seguinte. Menos de uma semana depois, Chagas foi preso.<\/p>\n\n\n\n<p>Para muita gente no Par&aacute;, isso n&atilde;o era coincid&ecirc;ncia. Na vis&atilde;o dessas pessoas, o mec&acirc;nico seria um &ldquo;laranja&rdquo;, que assumiu os crimes para tirar da pris&atilde;o os homens condenados nos j&uacute;ris. A outra hip&oacute;tese, bastante difundida, dava conta de que Chagas era membro da seita sat&acirc;nica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para afastar essas teorias, a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos realizou em Bras&iacute;lia uma audi&ecirc;ncia sobre o caso, em novembro de 2004. Quem se mobilizou para que ela ocorresse foi parte da bancada evang&eacute;lica, que defendia a inoc&ecirc;ncia do m&eacute;dico <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/cesio-flavio-caldas-brandao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico reconhecido por Agostinho como suspeito na morte de Jaenes\" class=\"encyclopedia\">C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para quem n&atilde;o se lembra, o pastor de C&eacute;sio conhecia alguns pol&iacute;ticos influentes no Distrito Federal. Por conta disso, em 1999, o acusado conseguiu que uma carta sua fosse lida nessa mesma Comiss&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, cinco anos depois, a audi&ecirc;ncia havia sido marcada ap&oacute;s o pedido de dois deputados: Pastor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/reinaldo-santos-e-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Deputado federal da bancada evang&eacute;lica nos anos 2000\" class=\"encyclopedia\">Reinaldo Santos e Silva<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/marcus-vicente\/\" target=\"_self\" title=\"Deputado federal da bancada evang&eacute;lica nos anos 2000\" class=\"encyclopedia\">Marcus Vicente<\/a>. Este &uacute;ltimo era do Esp&iacute;rito Santo, estado onde C&eacute;sio cresceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi&atilde;o, estavam presentes Diniz e Wilton; al&eacute;m de duas promotoras e o secret&aacute;rio de seguran&ccedil;a do Maranh&atilde;o; e os advogados <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/claudio-dalledone-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa que atuou no j&uacute;ri de Valentina de Andrade\" class=\"encyclopedia\">Cl&aacute;udio Dalledone J&uacute;nior<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/janio-siqueira\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa de C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">J&acirc;nio Siqueira<\/a>, que representaram os acusados nos j&uacute;ris.<\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; do outro lado, deputados do PT faziam questionamentos pesados aos membros da bancada. Entre eles, por exemplo, estava <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-geraldo-torres-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Deputado federal pelo PT em 2004, &eacute;poca da audi&ecirc;ncia sobre os emasculados\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Geraldo Torres da Silva<\/a>, mais conhecido como Z&eacute; Geraldo. Historicamente, o partido sempre se posicionou a favor das fam&iacute;lias das v&iacute;timas de Altamira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da audi&ecirc;ncia n&atilde;o ter sido gravada em imagens, o acervo de Dalledone possui um v&iacute;deo de quatro minutos da reuni&atilde;o, sem &aacute;udio. Nele, uma pessoa em especial chama a aten&ccedil;&atilde;o. Sentada ao lado de Reinaldo, est&aacute; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/damares-alves\/\" target=\"_self\" title=\"Ministra de Bolsonaro, participou em 2004 de audi&ecirc;ncia sobre os emasculados\" class=\"encyclopedia\">Damares Alves<\/a> &ndash; que, em 2019, se tornaria ministra do governo Bolsonaro.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o pastor, a Comiss&atilde;o tamb&eacute;m enviou convites para pessoas do lado da acusa&ccedil;&atilde;o, mas nenhuma delas compareceu &agrave; audi&ecirc;ncia. Como exemplo, citou a promotora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosana-cordovil\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que atuou no j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Rosana Cordovil<\/a> e o superintendente da Pol&iacute;cia Federal do Par&aacute; na &eacute;poca, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-ferreira-sales\/\" target=\"_self\" title=\"Superintendente da Pol&iacute;cia Federal do Par&aacute; em 2004\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Ferreira Sales<\/a>; al&eacute;m de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosa-maria-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Jaenes da Silva Pessoa\" class=\"encyclopedia\">Rosa Maria Pessoa<\/a>, m&atilde;e de Jaenes, morto em outubro de 1992.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2023\/01\/AP-emasculados-camara-18_11_2004.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ata da audi&ecirc;ncia na Comiss&atilde;o de Direitos Humanos em novembro de 2004<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Mas essa reuni&atilde;o aconteceu meses depois de uma nova equipe da PF ir &agrave; Altamira para investigar o envolvimento de Chagas nos crimes. Apoiando-se na portaria de setembro de 2003, os agentes tentariam responder a uma pergunta: teria sido ele o autor dos casos no Par&aacute;, especialmente os que n&atilde;o foram solucionados?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essas investiga&ccedil;&otilde;es ser&atilde;o tema do pr&oacute;ximo epis&oacute;dio.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Este epis&oacute;dio usou reportagens da Rede Globo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Meninos do Maranh\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/826"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=826"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=826"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=826"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}