{"id":775,"date":"2022-12-22T00:01:00","date_gmt":"2022-12-22T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=775"},"modified":"2022-12-26T08:25:54","modified_gmt":"2022-12-26T11:25:54","slug":"extras-episodio-24","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-24\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 24"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>QUEBRA DE INCOMUNICABILIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A suspeita de que os jurados n&atilde;o respeitaram o isolamento durante o j&uacute;ri de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> revelava uma desconfian&ccedil;a ainda mais grave: aos olhos de muitos, essa seria a prova de que os poderosos membros do Lineamento Universal Superior (LUS) subornaram o Conselho de Senten&ccedil;a para inocentar a l&iacute;der do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>A movimenta&ccedil;&atilde;o para investigar a chamada quebra de incomunicabilidade partiu dos observadores federais que acompanhavam os j&uacute;ris. Nesse contexto, tr&ecirc;s nomes se destacavam: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-eliane-menezes\/\" target=\"_self\" title=\"Procuradora Federal dos Direitos do Cidad&atilde;o na &eacute;poca dos j&uacute;ris\" class=\"encyclopedia\">Maria Eliane Menezes<\/a>, subprocuradora geral da Rep&uacute;blica; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/douglas-martins\/\" target=\"_self\" title=\"Assessor do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a na &eacute;poca dos j&uacute;ris\" class=\"encyclopedia\">Douglas Martins<\/a>, assessor do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a; e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/pedro-montenegro\/\" target=\"_self\" title=\"Secret&aacute;rio Especial dos Direitos Humanos na &eacute;poca dos j&uacute;ris, em 2003\" class=\"encyclopedia\">Pedro Montenegro<\/a>, chefe da Ouvidoria Geral da Cidadania da Secretaria Especial dos Direitos Humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sete dias ap&oacute;s a absolvi&ccedil;&atilde;o de Valentina, em 12 de dezembro de 2003, o trio enviou uma carta &agrave; promotora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosana-cordovil\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que atuou no j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Rosana Cordovil<\/a>, respons&aacute;vel pelo caso dos emasculados de Altamira. O documento dizia o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A perplexidade tomou conta da sociedade brasileira com a absolvi&ccedil;&atilde;o da r&eacute;, ante as provas que foram oferecidas &agrave; convic&ccedil;&atilde;o dos jurados de sua culpabilidade. Disso &eacute; prova os tumultos registrados ap&oacute;s o julgamento e as reportagens jornal&iacute;sticas que h&aacute; tanto tempo apontaram para a sensa&ccedil;&atilde;o de impunidade e frustra&ccedil;&atilde;o, que ficou no sentimento de todas as classes sociais, que por dezessete dias acompanharam o mencionado julgamento.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A prop&oacute;sito do fato, surgiram fortes rumores na cidade de Bel&eacute;m de que teria havido quebra de incomunicabilidade dos jurados, ocasionando o veredicto malsinado.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Adiante na carta, os observadores federais pediam que a promotora solicitasse abertura de inqu&eacute;rito para investigar a poss&iacute;vel irregularidade. Se a suspeita fosse comprovada, o julgamento poderia ser anulado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/12\/2003-12-12-Observadores-Federais-falam-sobre-suspeita-de-quebra-de-incomunicabilidade.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Carta dos observadores federais &agrave; promotoria<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Vale relembrar: quando se inicia um j&uacute;ri, os jurados e testemunhas precisam ficar incomunic&aacute;veis. Eles n&atilde;o podem ter acesso ao telefone, &agrave; TV, jornais, ou qualquer fonte de informa&ccedil;&otilde;es externas. Os respons&aacute;veis por fiscalizar a regra s&atilde;o os oficiais de justi&ccedil;a, funcion&aacute;rios do tribunal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao desconfiar que a norma n&atilde;o havia sido seguida, os representantes do governo requisitaram uma investiga&ccedil;&atilde;o e a quebra de sigilo telef&ocirc;nico e banc&aacute;rio de todos os envolvidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 15 de dezembro, em resposta &agrave; carta, a Pol&iacute;cia Civil do Par&aacute; abriu um inqu&eacute;rito para apurar o caso. Al&eacute;m disso, agentes federais tamb&eacute;m informaram que fariam uma investiga&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria, com o mesmo objetivo.<\/p>\n\n\n\n<p>A princ&iacute;pio, a promotora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosana-cordovil\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que atuou no j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Rosana Cordovil<\/a> acreditava que os jurados foram induzidos ao erro e votaram contra as provas dos autos. S&oacute; isso, para ela, j&aacute; era motivo para pedir a anula&ccedil;&atilde;o do j&uacute;ri. Agora, a suspeita de viola&ccedil;&atilde;o do isolamento tamb&eacute;m contribu&iacute;a para a causa.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso era acompanhado de perto pela m&iacute;dia, que entrevistou os oficiais de justi&ccedil;a que atuaram no j&uacute;ri de Valentina. Nas reportagens, eles negaram que os jurados tivessem usado telefone ou assistido &agrave; TV no hotel onde estavam hospedados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;N&atilde;o houve quebra de incomunicabilidade nenhuma, uma vez que cada jurado permanecia no seu apartamento. Quem est&aacute; achando que houve quebra de incomunicabilidade que prove&rdquo;, disse o oficial de justi&ccedil;a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/almiro-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Oficial de justi&ccedil;a que atuou no j&uacute;ri de Valentina\" class=\"encyclopedia\">Almiro Oliveira<\/a>, na &eacute;poca, em entrevista ao programa &ldquo;Sem Censura&rdquo;, da TV Cultura do Par&aacute;.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ele, policiais militares posicionados na recep&ccedil;&atilde;o e em frente ao hotel, que ajudavam na seguran&ccedil;a, n&atilde;o reportaram nada de anormal na ocasi&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m de Almiro, o oficial de justi&ccedil;a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-antonio-dos-santos\/\" target=\"_self\" title=\"Oficial de justi&ccedil;a que atuou no j&uacute;ri de Valentina\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Ant&ocirc;nio dos Santos<\/a> tamb&eacute;m foi ouvido no programa. Assim como o colega, ele disse desconhecer qualquer tipo de irregularidade durante o andamento das sess&otilde;es. &ldquo;N&atilde;o tenho nada que comprometa a minha idoneidade aqui no tribunal&rdquo;, completou.<\/p>\n\n\n\n<p>&Agrave; medida que o inqu&eacute;rito avan&ccedil;ou, por&eacute;m, a hist&oacute;ria ficou ainda mais estranha. A Pol&iacute;cia Civil teve acesso aos registros do hotel no per&iacute;odo do julgamento e confirmou que os jurados de fato fizeram in&uacute;meros telefonemas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Algu&eacute;m deu a ordem para que fosse reinstalado o telefone, isso inclusive foi confirmado pelo dono do hotel&rdquo;, afirmou &agrave; imprensa na &eacute;poca o promotor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ezedequias-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor que acompanhou o caso da quebra de incomunicabilidade\" class=\"encyclopedia\">Ezedequias da Costa<\/a>. Ele conduzia o caso junto com o colega <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/pedro-paulo-crispino\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor que acompanhou o caso da quebra de incomunicabilidade\" class=\"encyclopedia\">Pedro Paulo Crispino<\/a>.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo as investiga&ccedil;&otilde;es, a determina&ccedil;&atilde;o para religar telefones e televisores nos quartos tinha vindo de um integrante da justi&ccedil;a. N&atilde;o estava claro, por&eacute;m, de quem exatamente partiu a ordem. &ldquo;Todos ligaram. N&atilde;o temos o teor das liga&ccedil;&otilde;es, mas isso por si s&oacute; constitui-se em quebra de incomunicabilidade&rdquo;, declarou o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/waldir-freire\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelo inqu&eacute;rito da quebra de incomunicabilidade\" class=\"encyclopedia\">Waldir Freire<\/a>, um dos respons&aacute;veis pelo inqu&eacute;rito, na mesma reportagem.<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado de Valentina, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/claudio-dalledone-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa que atuou no j&uacute;ri de Valentina de Andrade\" class=\"encyclopedia\">Cl&aacute;udio Dalledone J&uacute;nior<\/a>, tamb&eacute;m concedeu entrevista na ocasi&atilde;o. Ele se disse indignado com o caso e questionou a pr&oacute;pria jurisdi&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;cia para atuar em uma situa&ccedil;&atilde;o como essa. &ldquo;O delegado de pol&iacute;cia n&atilde;o tem compet&ecirc;ncia constitucional, autoriza&ccedil;&atilde;o legal, para se meter em quest&atilde;o de nulidade de julgamento. Quem diz se um j&uacute;ri vai ser anulado n&atilde;o &eacute; a pol&iacute;cia, mas as C&acirc;maras Criminais reunidas&rdquo;, alegou.<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, o caso era o seguinte: a an&aacute;lise dos registros indicou que os jurados realmente tiveram a incomunicabilidade violada enquanto estavam hospedados no Hotel Regente, em Bel&eacute;m.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m da Pol&iacute;cia Civil, agentes federais realizavam uma investiga&ccedil;&atilde;o pr&oacute;pria. Apesar de n&atilde;o haver nenhuma pe&ccedil;a produzida pela corpora&ccedil;&atilde;o nos autos, a atua&ccedil;&atilde;o da PF fica evidente em uma breve passagem na imprensa. O trecho, presente em uma mat&eacute;ria do jornal O Liberal, de 15 de dezembro de 2003, afirma:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A Pol&iacute;cia Federal j&aacute; est&aacute; trabalhando nas investiga&ccedil;&otilde;es dos sete jurados que absolveram <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>. A a&ccedil;&atilde;o da PF &eacute; firme, embora n&atilde;o oficial.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/12\/2003-12-15-PF-investiga-quebra-O-Liberal.pdf\">Trecho do jornal O Liberal sobre a atua&ccedil;&atilde;o da PF<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em depoimento &agrave; Pol&iacute;cia Civil, o gerente do hotel relatou que o respons&aacute;vel por pedir a reinstala&ccedil;&atilde;o dos aparelhos foi o chefe da Divis&atilde;o de Servi&ccedil;os Gerais do Tribunal de Justi&ccedil;a, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/gilberto-nobre-pontes\/\" target=\"_self\" title=\"Chefe da Divis&atilde;o de Servi&ccedil;os Gerais do TJPA na &eacute;poca do j&uacute;ri de Valentina\" class=\"encyclopedia\">Gilberto Nobre Pontes<\/a> &ndash; que tinha justamente a fun&ccedil;&atilde;o de garantir que a log&iacute;stica do j&uacute;ri corresse sem irregularidades.<\/p>\n\n\n\n<p>No documento, Gilberto afirma que a ordem foi dada pelo pr&oacute;prio juiz <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ronaldo-valle\/\" target=\"_self\" title=\"Juiz que presidiu o j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Ronaldo Valle<\/a>. &Agrave; imprensa, no entanto, o magistrado negou que isso tenha ocorrido e alegou que o seu nome foi usado indevidamente no parecer.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/12\/2003-11-21-Pedido-para-religar-telefones-de-jurados.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Documento que pede a religa&ccedil;&atilde;o dos aparelhos nos quartos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O funcion&aacute;rio do tribunal foi chamado para prestar depoimento, mas n&atilde;o compareceu no dia. Enquanto isso, a press&atilde;o da opini&atilde;o p&uacute;blica aumentava sobre Valle, que decidiu realizar uma coletiva de imprensa para esclarecer o caso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Em momento algum eu autorizei esse funcion&aacute;rio a fazer esse of&iacute;cio, principalmente usando o meu nome. Inclusive, eu j&aacute; solicitei &agrave; presid&ecirc;ncia do tribunal a abertura de sindic&acirc;ncia contra ele. Solicitei tamb&eacute;m que prestasse depoimento na Pol&iacute;cia Federal, para confirmar se em algum momento eu dei essa autoriza&ccedil;&atilde;o para ele&rdquo;, disse na ocasi&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Dias depois, a pol&iacute;cia ouviu o chefe da Divis&atilde;o de Servi&ccedil;os Gerais. Ele contou que tudo come&ccedil;ou em 21 de novembro de 2003, terceiro dia de j&uacute;ri, com uma liga&ccedil;&atilde;o da ger&ecirc;ncia do hotel. Nela, recebeu a informa&ccedil;&atilde;o de que o oficial de justi&ccedil;a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/almiro-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Oficial de justi&ccedil;a que atuou no j&uacute;ri de Valentina\" class=\"encyclopedia\">Almiro Oliveira<\/a> pedia a reinstala&ccedil;&atilde;o imediata dos ramais telef&ocirc;nicos dos quartos. Segundo Almiro, a ordem havia partido do juiz <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ronaldo-valle\/\" target=\"_self\" title=\"Juiz que presidiu o j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Ronaldo Valle<\/a>. O gerente, ent&atilde;o, explicou &agrave; Gilberto que n&atilde;o cumpriria a determina&ccedil;&atilde;o sem o amparo de um documento oficial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na manh&atilde; seguinte, al&eacute;m de conversar com Almiro, o chefe da Divis&atilde;o de Servi&ccedil;os Gerais teria intermediado um encontro entre o dono do hotel, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-freire\/\" target=\"_self\" title=\"Dono do hotel onde os jurados se hospedaram durante o j&uacute;ri de Valentina\" class=\"encyclopedia\">Carlos Freire<\/a>, e o pr&oacute;prio juiz Valle. Por isso, Gilberto acreditou que todos os pontos estavam acertados e emitiu o parecer que determinava a religa&ccedil;&atilde;o dos aparelhos.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;O oficial de justi&ccedil;a trouxe a ordem, n&eacute;? E mencionou o nome do juiz no momento em que ele solicitou a reinstala&ccedil;&atilde;o dos ramais. O oficial de justi&ccedil;a &eacute; um homem que tem f&eacute; p&uacute;blica. Ele representa o TJE [Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado] naquele momento no hotel&rdquo;, disse Gilberto em entrevista ao Jornal Liberal, da Rede Globo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O programa de TV promoveu um confronto ao vivo de vers&otilde;es entre o funcion&aacute;rio do tribunal e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ronaldo-valle\/\" target=\"_self\" title=\"Juiz que presidiu o j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Ronaldo Valle<\/a>. Na ocasi&atilde;o, Gilberto reiterou ao p&uacute;blico que tomou a decis&atilde;o sem qualquer ordem verbal ou escrita vinda diretamente do magistrado.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Isso, para mim, &eacute; o suficiente porque vem confirmar de uma vez por todas que em nenhum momento, de viva voz ou de qualquer outro meio, eu passei esta ordem para o senhor Gilberto&rdquo;, comentou o juiz em resposta.<\/p>\n\n\n\n<p>Do outro lado, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/almiro-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Oficial de justi&ccedil;a que atuou no j&uacute;ri de Valentina\" class=\"encyclopedia\">Almiro Oliveira<\/a> tamb&eacute;m negou as acusa&ccedil;&otilde;es contra ele e ressaltou que nunca fez nada que pudesse atrapalhar o j&uacute;ri. &ldquo;Eu tenho a minha consci&ecirc;ncia limpa. O &ocirc;nus da prova &eacute; para quem acusa. Quem acusa tem que provar. Eu quero que o inqu&eacute;rito seja conclu&iacute;do, quero tamb&eacute;m tomar as provid&ecirc;ncias cab&iacute;veis&rdquo;, argumentou.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>INVESTIGA&Ccedil;&Otilde;ES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O inqu&eacute;rito da quebra de incomunicabilidade teve in&iacute;cio em 15 de dezembro de 2003. Em janeiro, as investiga&ccedil;&otilde;es continuaram com o depoimento de mais testemunhas. Duas delas eram funcion&aacute;rias da recep&ccedil;&atilde;o do hotel, que teriam presenciado o momento em que Almiro pediu para reinstalar os aparelhos. Como a ger&ecirc;ncia se recusou, diante da falta de uma ordem escrita, houve um breve desentendimento, que resultou na liga&ccedil;&atilde;o para Gilberto Pontes.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/waldir-freire\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelo inqu&eacute;rito da quebra de incomunicabilidade\" class=\"encyclopedia\">Waldir Freire<\/a>, os sete jurados tamb&eacute;m estavam presentes na hora da confus&atilde;o. &Agrave;quela altura, alguns deles inclusive j&aacute; haviam se prontificado a falar no inqu&eacute;rito.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr&oacute;ximo passo da pol&iacute;cia seria, ent&atilde;o, promover um confronto de vers&otilde;es, a chamada acarea&ccedil;&atilde;o, entre os envolvidos. Primeiro, Gilberto e Almiro foram ouvidos juntos em 8 de janeiro de 2004; e, seis dias depois, foi a vez do relato do oficial de justi&ccedil;a ser comparado aos dos jurados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como a &uacute;nica declara&ccedil;&atilde;o contradit&oacute;ria era de Almiro, a investiga&ccedil;&atilde;o concluiu que as demais testemunhas diziam a verdade. Ou seja, o oficial de justi&ccedil;a teria decidido sozinho solicitar a religa&ccedil;&atilde;o dos aparelhos nos quartos, citando uma ordem falsa do juiz. Entrou em contato, ent&atilde;o, com a Divis&atilde;o de Servi&ccedil;os Gerais do Tribunal, que emitiu o of&iacute;cio por escrito.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os depoimentos colhidos, essa situa&ccedil;&atilde;o teria se iniciado por causa de uma jurada de nome Sueli, que queria fazer uma liga&ccedil;&atilde;o telef&ocirc;nica &ndash; o que Almiro dizia ter negado. De alguma forma, por&eacute;m, as coisas escalaram at&eacute; o ponto em que todos tiveram os telefones religados.<\/p>\n\n\n\n<p>Infelizmente, o inqu&eacute;rito da quebra de incomunicabilidade n&atilde;o est&aacute; completo nos autos de Altamira. O conte&uacute;do anexado est&aacute; dispon&iacute;vel aqui:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/12G-t3_9erS9jdoWEV59vXcK7KzMcDRK3\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Inqu&eacute;rito da PC sobre a quebra de incomunicabilidade<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>DEN&Uacute;NCIA E SENTEN&Ccedil;A<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s a conclus&atilde;o do inqu&eacute;rito, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Par&aacute; produziu uma den&uacute;ncia contra <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/almiro-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Oficial de justi&ccedil;a que atuou no j&uacute;ri de Valentina\" class=\"encyclopedia\">Almiro Oliveira<\/a> e outros dois oficiais de justi&ccedil;a que trabalharam no j&uacute;ri de Valentina. O processo, de 29 de mar&ccedil;o de 2004, teve como base a acusa&ccedil;&atilde;o de falsidade ideol&oacute;gica. Isso porque, ao t&eacute;rmino do julgamento, todos assinaram uma declara&ccedil;&atilde;o afirmando que a incomunicabilidade dos jurados n&atilde;o havia sido quebrada, o que n&atilde;o era verdade.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1cHXPDSmgSl08hHxVAmnk0lPbJ4o61bUt\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Den&uacute;ncia do MP contra Almiro e outros dois oficiais de justi&ccedil;a<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, vale um coment&aacute;rio: no in&iacute;cio do epis&oacute;dio, Dalledone afirmou que apurar uma suspeita como essa n&atilde;o seria tarefa da pol&iacute;cia. Ivan Mizanzuk levou essa d&uacute;vida para a pesquisadora e defensora p&uacute;blica Eliza Cruz, uma das consultoras jur&iacute;dicas do podcast. Ela explicou o seguinte: pol&iacute;cia investiga crime. Quebra de incomunicabilidade n&atilde;o &eacute; crime. Logo, n&atilde;o deveria ser assunto da pol&iacute;cia.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar disso, o motivo para uma investiga&ccedil;&atilde;o policial &eacute; claro. Afinal, havia a desconfian&ccedil;a de que a seita LUS poderia ter comprado os jurados, os coagido ou os amea&ccedil;ado. &Eacute; isso que est&aacute; nas entrelinhas durante todo o desdobramento p&oacute;s j&uacute;ri.<\/p>\n\n\n\n<p>A den&uacute;ncia do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, no entanto, n&atilde;o diz nada sobre os membros do Conselho de Senten&ccedil;a. Nenhum deles sofreu nenhum tipo de processo. Pelo contr&aacute;rio, todos colaboraram com o inqu&eacute;rito na elucida&ccedil;&atilde;o do caso. No fim, a pol&iacute;cia nunca encontrou nada que demonstrasse que eles tenham sido corrompidos. Al&eacute;m disso, ningu&eacute;m do LUS foi acusado durante as apura&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;cia.<\/p>\n\n\n\n<p>A senten&ccedil;a contra Almiro e os outros oficiais de justi&ccedil;a saiu apenas em 2010. Todos foram condenados, mas n&atilde;o chegaram a ser presos. A pena foi revertida em presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/12\/2010-11-10-Sentenca-Quebra-Incomunicabilidade.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Senten&ccedil;a contra Almiro e os outros dois oficiais de justi&ccedil;a<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/12\/2015-02-24-Acordao-Quebra-de-Incomunicabilidade.pdf\" target=\"_blank\">Acord&atilde;o quebra de incomunicabilidade<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre Almiro em espec&iacute;fico, Ivan Mizanzuk conseguiu confirmar que ele n&atilde;o chegou a perder o cargo. Em 2015, o funcion&aacute;rio do tribunal foi acusado de cometer crime de concuss&atilde;o com outro colega, um homem chamado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/joao-luiz-da-rocha-melo\/\" target=\"_self\" title=\"Oficial de justi&ccedil;a acusado de cometer crime de concuss&atilde;o com Almiro Oliveira\" class=\"encyclopedia\">Jo&atilde;o Luiz da Rocha Melo<\/a>. Essa categoria engloba delitos praticados por servidores p&uacute;blicos contra a administra&ccedil;&atilde;o, com a busca de vantagem indevida. Por essa acusa&ccedil;&atilde;o, Almiro foi demitido.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma mat&eacute;ria no site do Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado do Par&aacute;, de 9 de novembro de 2018, traz detalhes sobre o caso. De acordo com o texto, Almiro e Jo&atilde;o foram acusados de tentar extorquir R$ 3 mil de um casal que possu&iacute;a um carro com parcelas vencidas. Os oficiais prometeram n&atilde;o apreender o ve&iacute;culo se os donos fizessem o pagamento solicitado.<\/p>\n\n\n\n<p>O casal aceitou pagar R$ 500 na hora, enquanto o restante seria transferido posteriormente. No dia seguinte, no entanto, as v&iacute;timas denunciaram o caso para a pol&iacute;cia, que prendeu os funcion&aacute;rios do tribunal em flagrante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo a mat&eacute;ria, o processo contra Almiro estava temporariamente suspenso pois a per&iacute;cia constatou que ele sofria de &ldquo;doen&ccedil;as mentais supervenientes&rdquo;. Na senten&ccedil;a, diz o texto, o juiz determinou que ele continuasse o tratamento ambulatorial iniciado, para, mais tarde, ser submetido a um novo exame de sanidade mental. Leia a reportagem completa aqui:<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.tjpa.jus.br\/PortalExterno\/imprensa\/noticias\/Informes\/892846-condenado-a-06-anos-de-reclusao-oficial-de-justica-por-crime-de-concussao.xhtml\" target=\"_blank\">&ldquo;Condenado a 06 anos de reclus&atilde;o por crime de concuss&atilde;o&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2020, o magistrado respons&aacute;vel n&atilde;o aceitou essa alega&ccedil;&atilde;o sobre as condi&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de do r&eacute;u, e Almiro acabou condenado. Em 2021, chegou a ter um pedido de reintegra&ccedil;&atilde;o negado.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os documentos sobre o caso est&atilde;o dispon&iacute;veis abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/12\/Recurso-administrativo-1.pdf\" target=\"_blank\">Recurso administrativo 1<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/12\/Recurso-administrativo-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Recurso administrativo 2<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/12\/HC-contra-preventiva.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">HC contra preventiva<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/12\/HC-contra-demissao.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">HC contra demiss&atilde;o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/12\/10.-2020-11-20-Condenacao-Criminal.pdf\" target=\"_blank\">Condena&ccedil;&atilde;o por crime de concuss&atilde;o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/12\/2021-11-16-Pedido-de-Reintegracao-negado.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pedido de reintegra&ccedil;&atilde;o (negado)<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, o que aconteceu no j&uacute;ri de Valentina? Teria Almiro sido subornado para liberar os telefones e televisores aos jurados? Se sim, por quem? Teria ele alguma condi&ccedil;&atilde;o que afetasse a sua sa&uacute;de mental?<\/p>\n\n\n\n<p>A resposta &eacute; frustrante. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber o motivo pelo qual o oficial de justi&ccedil;a agiu dessa maneira. Ele sempre negou tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, nenhum tipo de pagamento ou coa&ccedil;&atilde;o entre os envolvidos jamais foi identificado pela pol&iacute;cia. Os jurados nunca disseram ter sido subornados ou amea&ccedil;ados.<\/p>\n\n\n\n<p>Certamente, se as investiga&ccedil;&otilde;es apontassem qualquer ind&iacute;cio de que o Lineamento havia tentado manipular o Conselho de Senten&ccedil;a, isso seria um esc&acirc;ndalo. Afinal, n&atilde;o faltava vontade das autoridades em encontrar evid&ecirc;ncias contra Valentina e os seguidores do LUS.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que existe, na verdade, s&atilde;o apenas boatos de que os jurados teriam ganhado bens ou dinheiro para absolver a acusada. Nada nos autos, por&eacute;m, comprova essa desconfian&ccedil;a.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>APELA&Ccedil;&Atilde;O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O pedido da promotoria para anular o j&uacute;ri de Valentina foi protocolado em 11 de dezembro de 2003 pela doutora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosana-cordovil\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que atuou no j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Rosana Cordovil<\/a>. Nele, n&atilde;o h&aacute; nenhuma men&ccedil;&atilde;o &agrave; suspeita da quebra de incomunicabilidade. Como j&aacute; mencionado, em entrevistas que concedeu na &eacute;poca, ela dizia preferir acreditar que os jurados tinham sido induzidos ao erro, n&atilde;o corrompidos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1L5DdahoGVHGWQrdfe54AB_sG0TZMdZHL\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Apela&ccedil;&atilde;o do MPPA para anular o j&uacute;ri<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2005, o Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado do Par&aacute; votou a favor da anula&ccedil;&atilde;o do j&uacute;ri, sob a alega&ccedil;&atilde;o de que os jurados de fato n&atilde;o permaneceram isolados. No m&ecirc;s de outubro, um novo promotor, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ricardo-albuquerque-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor que assinou documento sobre a anula&ccedil;&atilde;o do j&uacute;ri de Valentina\" class=\"encyclopedia\">Ricardo Albuquerque da Silva<\/a>, elaborou um parecer para reiterar que a decis&atilde;o do TJ deveria ser mantida. Dessa vez, ele citou a quebra de incomunicabilidade e anexou mat&eacute;rias sobre o caso, dos jornais O Liberal e O Di&aacute;rio do Par&aacute;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/15q0dqwPjN0LTQ55E9rQCHxr_JcdX3jD_\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Parecer de Ricardo Albuquerque da Silva<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s a anula&ccedil;&atilde;o, em teoria, Valentina deveria ser julgada novamente. Por uma s&eacute;rie de motivos t&eacute;cnicos e recursos utilizados, por&eacute;m, o crime acabou prescrevendo.<\/p>\n\n\n\n<p>Fato &eacute; que, apesar do isolamento ter sido violado, muitos acreditam que a vota&ccedil;&atilde;o dos jurados n&atilde;o foi necessariamente afetada. O pr&oacute;prio juiz <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ronaldo-valle\/\" target=\"_self\" title=\"Juiz que presidiu o j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Ronaldo Valle<\/a>, por exemplo, compartilha dessa opini&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista &agrave; TV Liberal na &eacute;poca, ele disse que os jurados telefonaram apenas para a fam&iacute;lia, com o intuito de receber not&iacute;cias de casa. &ldquo;Isso, ao meu ver, n&atilde;o &eacute; quebra de incomunicabilidade. A quebra de incomunicabilidade &eacute; caracterizada quando h&aacute; um coment&aacute;rio sobre o processo. Nenhum jurado, nenhum oficial de justi&ccedil;a, foi corrompido. Ningu&eacute;m recebeu dinheiro&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa entrevista est&aacute; dispon&iacute;vel no canal do YouTube do jornal O Liberal, em uma s&eacute;rie sobre crimes chamada &ldquo;Somente a Verdade&rdquo;. Em 2022, os epis&oacute;dios 3 e 4 foram dedicados ao caso dos emasculados de Altamira. Neles, por&eacute;m, h&aacute; detalhes que ainda v&atilde;o aparecer no podcast. <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=lzBb8MH_5Lg&amp;t=812s\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Jornal O Liberal &ndash; &ldquo;Somente a Verdade&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Baseado nessa declara&ccedil;&atilde;o do juiz, Ivan Mizanzuk acredita que a falta de perspectiva sobre a dura&ccedil;&atilde;o do j&uacute;ri contribuiu para a confus&atilde;o no hotel. A quebra do isolamento teria ocorrido em 21 de novembro, durante a terceira sess&atilde;o. Vale relembrar: os julgamentos anteriores tinham se encerrado em tr&ecirc;s dias &ndash; ou seja, &agrave;quela altura j&aacute; era para o de Valentina tamb&eacute;m ter acabado. S&oacute; que a defesa insistiu na leitura de pe&ccedil;as, e o fim dos trabalhos ficou cada vez mais distante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Frente &agrave; situa&ccedil;&atilde;o, talvez algu&eacute;m &ndash; Almiro ou outra pessoa &ndash; tenha se sensibilizado com o fato dos jurados terem que ficar tanto tempo sem falar com a fam&iacute;lia, e decidiu liberar os telefones.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O advogado Dalledone, por sua vez, tem outra vers&atilde;o para o que aconteceu. Ele acredita que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ronaldo-valle\/\" target=\"_self\" title=\"Juiz que presidiu o j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Ronaldo Valle<\/a> autorizou a reinstala&ccedil;&atilde;o dos aparelhos nos quartos, com o conhecimento da acusa&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;N&oacute;s n&atilde;o sab&iacute;amos que o juiz havia franqueado abertamente a situa&ccedil;&atilde;o dos jurados. Eles estavam se comunicando abertamente com tudo e com todos, estavam falando entre eles, com os familiares. Existiam reuni&otilde;es dos jurados. Isso a gente veio saber depois porque o juiz disse &lsquo;est&aacute; liberado, desde que a defesa n&atilde;o fique sabendo disso&rsquo;&rdquo;, disse Dalledone ao podcast.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo essa vis&atilde;o, o plano era claro: se Valentina fosse absolvida, o julgamento precisava ser anulado. A quebra de incomunicabilidade, ent&atilde;o, seria a justificativa perfeita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan, por outro lado, acha dif&iacute;cil acreditar nessa hip&oacute;tese. N&atilde;o h&aacute; no processo nenhuma testemunha afirmando que algo desse tipo tenha ocorrido, tampouco provas que indiquem a exist&ecirc;ncia de um compl&ocirc; no j&uacute;ri. O pr&oacute;prio juiz sempre negou as acusa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o advogado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/arnaldo-faivro-busato-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de Valentina na &eacute;poca do caso Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Arnaldo Faivro Busato Filho<\/a>, os jurados votaram pela absolvi&ccedil;&atilde;o devido &agrave; falta de provas nos autos. Assim como Dalledone, ele desconfia da atua&ccedil;&atilde;o da presid&ecirc;ncia do tribunal na quebra do isolamento.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Absolver a Valentina contra tudo e contra todos &eacute; um ato de coragem c&iacute;vica que poucas pessoas t&ecirc;m condi&ccedil;&otilde;es de avaliar. E, mesmo assim, essas juradas foram v&iacute;timas de ofensas e difama&ccedil;&otilde;es porque teriam se beneficiado de algumas mordomias durante o julgamento. Mordomias essas que a presidente do Tribunal de Justi&ccedil;a do Par&aacute; autorizou o juiz a conceder, porque todos acreditavam que elas condenariam a Valentina&rdquo;, concluiu.<\/p>\n\n\n\n<p>Logo ap&oacute;s a absolvi&ccedil;&atilde;o, o assistente de acusa&ccedil;&atilde;o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/clodomir-araujo\/\" target=\"_self\" title=\"Assistente de acusa&ccedil;&atilde;o nos j&uacute;ris em 2003\" class=\"encyclopedia\">Clodomir Ara&uacute;jo<\/a> concedeu uma longa entrevista ao programa &ldquo;Sem Censura&rdquo;, da TV Cultura do Par&aacute;. A quebra de incomunicabilidade ainda n&atilde;o havia sido investigada, e a cren&ccedil;a da promotoria era de que os jurados haviam votado contra as provas dos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi&atilde;o, Ara&uacute;jo criticou o que chamou de &ldquo;teatraliza&ccedil;&atilde;o&rdquo; de Valentina durante o julgamento, para comover os jurados. Ele afirmou que ela teria dado &ldquo;chiliques&rdquo; no momento em que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-alfredo-teruggi\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de&nbsp;Valentina de Andrade em 1992\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Alfredo Teruggi<\/a> foi citado na sess&atilde;o. &ldquo;Enquanto isso, ela apresenta nos autos uma certid&atilde;o de casamento com um jovem rapaz de 34 anos de idade, 40 anos mais novo do que ela&rdquo;, falou o assistente de acusa&ccedil;&atilde;o no programa.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse trecho &eacute; bastante revelador por uma s&eacute;rie de motivos. Teruggi era o marido argentino de Valentina na d&eacute;cada de 1990 &ndash; o mesmo que a acompanhou na viagem &agrave; Guaratuba na &eacute;poca. Ele morreu em um acidente de asa delta por volta do ano 2000. E como a l&iacute;der do LUS relatou tantas vezes em diversas ocasi&otilde;es, Teruggi teria sido o grande amor de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, em 2003, Valentina estava casada com outro argentino, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valter-munoz\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de Valentina de Andrade na &eacute;poca dos j&uacute;ris, em 2003\" class=\"encyclopedia\">Walter Mu&ntilde;oz<\/a>, que era realmente muito mais novo do que ela. Na ocasi&atilde;o, ela tinha 72 anos de idade, e ele 34, quase 40 anos de diferen&ccedil;a.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/clodomir-araujo\/\" target=\"_self\" title=\"Assistente de acusa&ccedil;&atilde;o nos j&uacute;ris em 2003\" class=\"encyclopedia\">Clodomir Ara&uacute;jo<\/a> acusava a r&eacute; de usar a mem&oacute;ria do ex-marido para fazer um teatro e comover os jurados, enquanto j&aacute; estava novamente casada. Esse argumento bastante problem&aacute;tico chama a aten&ccedil;&atilde;o porque Valentina era apontada basicamente como uma &ldquo;bruxa&rdquo; que seduzia homens mais novos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O hist&oacute;rico de casamentos dela, diante desse cen&aacute;rio, vira um alvo f&aacute;cil: Walter j&aacute; era o seu quinto marido. Antes dele veio Teruggi, que era 23 anos mais novo do que Valentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Previamente, o companheiro da l&iacute;der do LUS havia sido <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/roberto-olivera\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de Valentina entre 1970 e 1980\" class=\"encyclopedia\">Roberto Olivera<\/a>, o argentino que ela conheceu em Altamira na d&eacute;cada de 1970. Nesse per&iacute;odo, Valentina ainda era casada com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/duilio-nolasco-pereira\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de Valentina entre 1953 e 1973\" class=\"encyclopedia\">Du&iacute;lio Nolasco Pereira<\/a>, que se mudou para o Par&aacute;, enquanto ela permaneceu no sul do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>A dist&acirc;ncia fez com que o relacionamento com Du&iacute;lio acabasse, mas Olivera, o novo pretendente, estava disposto a acompanhar a nova amada at&eacute; o Paran&aacute;.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, antes de Du&iacute;lio, havia Marcos, o primeiro marido de Valentina. Ele nunca havia sido mencionado no podcast pois &eacute; irrelevante nessa hist&oacute;ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, a vida amorosa da l&iacute;der do LUS j&aacute; era alvo de julgamentos alheios. Somado a isso, havia o grupo de argentinos a chamando de &ldquo;mam&atilde;e&rdquo;, os v&iacute;deos, as ideias pol&ecirc;micas e as falas incisivas. Todos esses elementos sempre ajudaram a aumentar as lendas em torno de Valentina.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o come&ccedil;o das investiga&ccedil;&otilde;es sobre o Caso Evandro, Ivan Mizanzuk sentia que precisava entender a hist&oacute;ria de Valentina a fundo. Para isso, as informa&ccedil;&otilde;es nos autos ou na internet n&atilde;o eram suficientes. Era necess&aacute;rio falar com ela &ndash; e o resultado ser&aacute; mostrado no pr&oacute;ximo epis&oacute;dio.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Este epis&oacute;dio usou reportagens da Rede Globo e da TV Cultura.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Quebra<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/775"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=775"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=775"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=775"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}