{"id":614,"date":"2022-11-03T00:01:00","date_gmt":"2022-11-03T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=614"},"modified":"2023-01-31T09:41:27","modified_gmt":"2023-01-31T12:41:27","slug":"extras-episodio-17","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-17\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 17"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>PREPARA&Ccedil;&Atilde;O PARA O J&Uacute;RI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A fase de instru&ccedil;&atilde;o do processo do caso dos meninos de Altamira se encerrou em 1996. Os j&uacute;ris, no entanto, s&oacute; aconteceriam sete anos depois, em 2003. Por conta da passagem de tempo, o julgamento era visto pela imprensa como uma esp&eacute;cie de repara&ccedil;&atilde;o hist&oacute;rica. Era uma chance de n&atilde;o deixar crimes t&atilde;o horr&iacute;veis sa&iacute;rem impunes. Todas as complexidades, nuances, furos e problemas da investiga&ccedil;&atilde;o foram deixados de lado pela m&iacute;dia. O tom das reportagens era sempre no sentido de ressaltar que finalmente a justi&ccedil;a seria feita.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s muitas idas e vindas, o j&uacute;ri dos acusados pelos crimes em Altamira foi marcado para o m&ecirc;s de agosto de 2003, em Bel&eacute;m do Par&aacute;. A princ&iacute;pio, os cinco r&eacute;us seriam julgados juntos: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-alberto-dos-santos-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Policial militar acusado no caso dos meninos\" class=\"encyclopedia\">Carlos Alberto dos Santos Lima<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/cesio-flavio-caldas-brandao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico reconhecido por Agostinho como suspeito na morte de Jaenes\" class=\"encyclopedia\">C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/anisio-ferreira-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico acusado no caso dos meninos emasculados\" class=\"encyclopedia\">An&iacute;sio Ferreira de Souza<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os preparativos para o julgamento se intensificaram meses antes, com defesa e acusa&ccedil;&atilde;o juntando materiais ao processo, e as equipes de advogados passando por constantes rearranjos.<\/p>\n\n\n\n<p>At&eacute; a primeira metade de 2003, a defesa de Valentina era composta por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/marco-antonio-sadeck\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa de Valentina de Andrade\" class=\"encyclopedia\">Marco Ant&ocirc;nio Sadeck<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/frederick-wassef\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado que atuou na defesa de Valentina\" class=\"encyclopedia\">Frederick Wassef<\/a>, ambos de S&atilde;o Paulo. Por volta de junho, no entanto, Sadeck teve um problema de sa&uacute;de. Por isso, a r&eacute; pediu para que ele enviasse todo os documentos do caso para outro defensor: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/arnaldo-faivro-busato-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de Valentina na &eacute;poca do caso Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Arnaldo Faivro Busato Filho<\/a>, que j&aacute; a havia representado em 1992 no caso <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>. Eventualmente, tamb&eacute;m por quest&atilde;o de sa&uacute;de, o pr&oacute;prio Wassef deixaria de atuar de forma mais ativa no processo e ofereceria apenas assist&ecirc;ncias pontuais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 15 de agosto de 2003, 12 dias antes da data do j&uacute;ri, Busato informou ao juiz respons&aacute;vel, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ronaldo-valle\/\" target=\"_self\" title=\"Juiz que presidiu o j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Ronaldo Valle<\/a>, que n&atilde;o poderia comparecer no plen&aacute;rio porque j&aacute; tinha outro julgamento marcado. No of&iacute;cio, ele explicou que havia assumido o caso de Valentina h&aacute; pouco tempo e pediu para que a sess&atilde;o dela fosse adiada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/10\/2003-08-15-Busato-informa-que-estara-em-juri-no-dia-do-julgamento-em-Belem.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Of&iacute;cio de Busato ao juiz Ronaldo Valle de 15 de agosto de 2003<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O juiz respondeu tr&ecirc;s dias depois e indeferiu o pedido do advogado, alegando que a data do j&uacute;ri j&aacute; estava decidida desde maio daquele ano. Al&eacute;m disso, afirmou que decretaria a pris&atilde;o preventiva de Valentina caso ela n&atilde;o se apresentasse &agrave; justi&ccedil;a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/10\/2003-08-18-Juiz-Ronaldo-Valle-indefere-pedido-de-adiamento-de-Busato-e-informa-que-se-ela-nao-comparacer-tera-prisao-preventiva-decretada.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Resposta de Ronaldo Valle de 18 de agosto de 2003<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Diante da declara&ccedil;&atilde;o do juiz, a acusada viu-se obrigada a mudar novamente a equipe de defesa. Ela contratou, ent&atilde;o, o advogado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/americo-leal\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa de Amailton e Valentina\" class=\"encyclopedia\">Am&eacute;rico Leal<\/a>, que j&aacute; conhecia o processo por ter representado Amailton, e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/arthemio-medeiros-lins-leal\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa de Valentina\" class=\"encyclopedia\">Arthemio Medeiros Lins Leal<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; do lado da acusa&ccedil;&atilde;o, entrava em cena a doutora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosana-cordovil\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que atuou no j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Rosana Cordovil<\/a>, uma jovem e promissora promotora de Bel&eacute;m que tinha agora em m&atilde;os o maior caso da sua vida. Ela contava com o aux&iacute;lio de dois advogados de renome da regi&atilde;o, que atuariam como assistentes no j&uacute;ri: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/clodomir-araujo\/\" target=\"_self\" title=\"Assistente de acusa&ccedil;&atilde;o nos j&uacute;ris em 2003\" class=\"encyclopedia\">Clodomir Ara&uacute;jo<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/clodomir-araujo-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Atuou junto com o pai, Clodomir Ara&uacute;jo, na assist&ecirc;ncia de acusa&ccedil;&atilde;o dos j&uacute;ris\" class=\"encyclopedia\">Clodomir Ara&uacute;jo J&uacute;nior<\/a>, seu filho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A cada semana que passava, novos documentos eram anexados ao processo. As pe&ccedil;as que mais geraram impacto nessa fase estavam do lado da acusa&ccedil;&atilde;o. Em 21 de agosto, por exemplo, a promotoria juntou nos autos uma s&eacute;rie de materiais apreendidos no consult&oacute;rio do cirurgi&atilde;o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/lourival-barbalho\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico cirurgi&atilde;o que fez o tratamento de dois sobreviventes\" class=\"encyclopedia\">Lourival Barbalho<\/a>, em Bel&eacute;m. Na &eacute;poca dos crimes, ele realizou, de forma gratuita, uma s&eacute;rie de cirurgias reparat&oacute;rias em dois sobreviventes. Al&eacute;m disso, era tamb&eacute;m conhecido por ser irm&atilde;o de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jader-barbalho\/\" target=\"_self\" title=\"Governador do Par&aacute; entre 1991 e 1994\" class=\"encyclopedia\">Jader Barbalho<\/a>, ex-governador do Par&aacute; e atual senador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O m&eacute;dico nunca havia se pronunciado nos autos, e os materiais anexados pela acusa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o praticamente os &uacute;nicos registros do parecer dele sobre o caso. A inten&ccedil;&atilde;o da promotoria &eacute; bastante &oacute;bvia: reafirmar a declara&ccedil;&atilde;o de testemunhas e jornais da &eacute;poca de que as emascula&ccedil;&otilde;es tinham precis&atilde;o cir&uacute;rgica. As pr&oacute;prias fam&iacute;lias das v&iacute;timas sempre criticaram os laudos do caso justamente por n&atilde;o inclu&iacute;rem esse detalhe. Elas contestavam o m&eacute;dico legista <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/armando-aragao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico legista\" class=\"encyclopedia\">Armando Arag&atilde;o<\/a>, que examinou os corpos e atestou que os cortes eram lineares, mas concluiu que isso n&atilde;o significava necessariamente a atua&ccedil;&atilde;o de cirurgi&otilde;es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No fim, o doutor Barbalho entregou duas declara&ccedil;&otilde;es escritas &agrave; m&atilde;o em prontu&aacute;rios m&eacute;dicos. Uma delas, de 21 de agosto de 2003, dava detalhes sobre os procedimentos realizados nos dois sobreviventes. J&aacute; o segundo, de 22 de agosto, falava sobre os cortes. O ideal para a acusa&ccedil;&atilde;o seria uma afirma&ccedil;&atilde;o categ&oacute;rica de que os ferimentos s&oacute; poderiam ter sido feitos por m&eacute;dicos. O que Barbalho constatou, por&eacute;m, foi o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A les&atilde;o que provocou a emascula&ccedil;&atilde;o total me pareceu ter sido feita por pessoas com habilidade suficiente para produzir uma les&atilde;o linear e n&atilde;o contusa.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Como se nota, ele n&atilde;o fala nada espec&iacute;fico sobre corte cir&uacute;rgico. Uma les&atilde;o linear pode ser feita por qualquer pessoa que tenha alguma for&ccedil;a e um instrumento bem afiado, capaz de fazer um corte em um s&oacute; golpe.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/10\/2003-08-21-Lourival-Barbalho-Declaracao-por-escrito-sobre-cirurgias-em-sobreviventes_compressed.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Prontu&aacute;rio realizado por Barbalho de 21 de agosto de 2003<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/10\/2003-08-22-Lourival-Barbalho-Declaracao-sobre-Segundo-Sobrevivente_compressed.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Prontu&aacute;rio realizado por Barbalho de 22 de agosto de 2003<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; mencionada aqui, uma mat&eacute;ria do jornal O Liberal de 18 de novembro de 1989 narra o ataque ao <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a> da seguinte maneira:<\/p>\n\n\n\n<p><em>O homem tirou um len&ccedil;o do bolso, onde estava escondida uma navalha, com a qual ele obrigou o menino a tirar a roupa e depois lhe cortou os &oacute;rg&atilde;os genitais com um &uacute;nico golpe.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1iSClEpo84nqW3Fd27Q5Yx9MKU8e4ABmc\/view?usp=share_link\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do Jornal O Liberal &ndash; &ldquo;Garoto emasculado pelo man&iacute;aco&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a> foi atacado em 16 de novembro de 1989 e encontrado no dia seguinte, completamente emasculado. Na &eacute;poca, ele disse que um homem em uma bicicleta vermelha o convidou para colher mangas em um lugar mais afastado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem do jornal O Liberal, de dois dias depois ao ataque, &eacute; o primeiro registro sobre o crime contra o menino. Esse &eacute; um detalhe importante, j&aacute; que os outros dois depoimentos que a v&iacute;tima d&aacute; s&atilde;o bem mais distantes da data do ocorrido: o primeiro, na fase de inqu&eacute;rito, &eacute; de maio de 1991; enquanto o segundo, em ju&iacute;zo, &eacute; prestado em novembro de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>Para se ter uma ideia da decorr&ecirc;ncia do tempo, quando foi atacada, a crian&ccedil;a tinha 10 anos de idade. Ao ser ouvida pela pol&iacute;cia, ela estava prestes a completar 12 anos. Durante esse per&iacute;odo, o relato da v&iacute;tima, que sofria um trauma gigantesco, apresentou algumas mudan&ccedil;as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nas declara&ccedil;&otilde;es oficiais, o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a> tende a ser menos descritivo. Ele menciona o convite do desconhecido da bicicleta vermelha e comenta que, em determinado ponto, teve uma camiseta colocada em sua boca, o que o fez desmaiar logo em seguida. De acordo com o relato, quando acordou, horas depois, j&aacute; estava sangrando. N&atilde;o h&aacute;, no entanto, nenhuma men&ccedil;&atilde;o a um golpe &uacute;nico, como afirma a mat&eacute;ria do Jornal O Liberal.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/10\/1991-05-28-Primeiro-Depoimento-Segundo-Sobrevivente-inquerito-Segundo-Sobrevivente-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento do Segundo Sobrevivente na fase de inqu&eacute;rito<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Qual seria, ent&atilde;o, a vers&atilde;o mais precisa? Existe aqui um impasse. Por um lado, &eacute; poss&iacute;vel que a reportagem seja um registro mais detalhado e pr&oacute;ximo da realidade, por ter sido divulgada no dia seguinte ao ataque. Afinal, a pr&oacute;pria v&iacute;tima teria contado aos pais o que aconteceu logo que foi encontrado. &Eacute; poss&iacute;vel que, com o passar do tempo e a for&ccedil;a do trauma, as suas lembran&ccedil;as se modificaram ou criaram lapsos, o que n&atilde;o &eacute; incomum de acontecer em casos de viol&ecirc;ncia contra crian&ccedil;as.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, h&aacute; a possibilidade da mat&eacute;ria do jornal ter sido mal apurada, por exemplo. N&atilde;o faltam exemplos desse tipo de problema ao longo da cobertura dos crimes. Todas essas contradi&ccedil;&otilde;es s&atilde;o relevantes para se entender o julgamento dos acusados.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando aos documentos cedidos pelo m&eacute;dico <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/lourival-barbalho\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico cirurgi&atilde;o que fez o tratamento de dois sobreviventes\" class=\"encyclopedia\">Lourival Barbalho<\/a>, fica evidente que n&atilde;o h&aacute; uma men&ccedil;&atilde;o direta aos cortes cir&uacute;rgicos. Mas isso n&atilde;o impediu a promotoria de continuar a usar essa tese, principalmente atrav&eacute;s de outros materiais entregues pelo cirurgi&atilde;o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Barbalho forneceu &agrave; acusa&ccedil;&atilde;o fotos de um dos procedimentos cir&uacute;rgicos que realizou no <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a>. Al&eacute;m disso, disponibilizou um Trabalho de Conclus&atilde;o de Curso (TCC) produzido por uma de suas orientandas do curso de Medicina da Universidade do Estado do Par&aacute;. Na monografia, de 1994, a estudante relata como acompanhou a atua&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico durante o tratamento da v&iacute;tima. Ela tamb&eacute;m narra o estado psicol&oacute;gico e as condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas do garoto, que na &eacute;poca tinha 14 anos de idade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser um documento p&uacute;blico, ele n&atilde;o estar&aacute; dispon&iacute;vel aqui na enciclop&eacute;dia, por expor a v&iacute;tima. O que importa &eacute; analisar o interesse da promotoria em juntar esses materiais ao processo. No j&uacute;ri, eles foram usados com o objetivo de mostrar os cortes sofridos pelo menino, que seriam t&atilde;o lineares a ponto de que &ldquo;s&oacute; poderiam ter sido causadas por um cirurgi&atilde;o&rdquo;. Nas fotos, essa impress&atilde;o fica n&iacute;tida. O problema &eacute; que, na verdade, as imagens s&atilde;o datadas de 1993, depois de Barbalho conduzir uma s&eacute;rie de procedimentos reparat&oacute;rios no sobrevivente. Isso quer dizer que os cortes s&atilde;o, na verdade, resultado do trabalho do pr&oacute;prio m&eacute;dico.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Como a convic&ccedil;&atilde;o da promotoria de que havia a participa&ccedil;&atilde;o de cirurgi&otilde;es nos crimes era muito forte, essa linha do tempo acaba sendo ignorada. A tese da acusa&ccedil;&atilde;o fica bem clara em uma entrevista concedida por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/clodomir-araujo\/\" target=\"_self\" title=\"Assistente de acusa&ccedil;&atilde;o nos j&uacute;ris em 2003\" class=\"encyclopedia\">Clodomir Ara&uacute;jo<\/a> &agrave; RBA TV, afiliada da Bandeirantes no Par&aacute;. Na ocasi&atilde;o, pouco antes do j&uacute;ri, ele participou do programa Barra Pesada, apresentado por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ronaldo-porto\/\" target=\"_self\" title=\"Apresentador do programa Barra Pesada na &eacute;poca dos j&uacute;ris\" class=\"encyclopedia\">Ronaldo Porto<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;&Eacute; preciso que se diga que n&oacute;s temos inclusive um laudo do grande urologista <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/lourival-barbalho\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico cirurgi&atilde;o que fez o tratamento de dois sobreviventes\" class=\"encyclopedia\">Lourival Barbalho<\/a>. Ele diz que, da maneira como o corte foi feito, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel afirmar que tenha sido um m&eacute;dico, mas sim pessoas com habilidades suficientes&rdquo;, fala o assistente de acusa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, a defesa trabalhava na tese de que as les&otilde;es poderiam ser provocadas por qualquer indiv&iacute;duo que sabia manusear bem um instrumento cortante, como um a&ccedil;ougueiro ou um ca&ccedil;ador.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o podcast, Ivan Mizanzuk conversou com alguns especialistas sobre o assunto. Todos afirmaram n&atilde;o ser poss&iacute;vel determinar a profiss&atilde;o do agressor apenas pelos cortes deixados nas v&iacute;timas. Segundo eles, qualquer pessoa com alguma habilidade tem a capacidade de causar les&otilde;es lineares.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas d&uacute;vidas, por&eacute;m, n&atilde;o foram suficientes para desacreditar a profunda cren&ccedil;a da acusa&ccedil;&atilde;o no envolvimento dos m&eacute;dicos. Para a promotoria, o relato de testemunhas no j&uacute;ri facilmente corroborariam para confirmar a culpa dos acusados.<\/p>\n\n\n\n<p>No geral, a tese defendida era a seguinte:<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Havia uma seita em Altamira, liderada por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>, que emasculava e matava meninos para realizar rituais de &ldquo;magia negra&rdquo;;<\/li><li>Os m&eacute;dicos anestesiavam os meninos para, ent&atilde;o, realizar os cortes. Os relatos do segundo e do terceiro sobreviventes s&atilde;o importantes neste ponto, uma vez que ambos diziam ter tido um pano enfiado na boca e desmaiado logo em seguida;<\/li><li>Os rituais eram realizados na presen&ccedil;a de v&aacute;rias pessoas. Aqui pesou a declara&ccedil;&atilde;o de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wandicley-oliveira-pinheiro\/\" target=\"_self\" title=\"Terceiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Wandicley Oliveira Pinheiro<\/a> sobre os pares de pernas que ele teria visto por baixo da venda que tapava seus olhos;<\/li><li>Poderosos da cidade faziam parte da seita e comandavam os rituais. Amailton seria um deles. O seu pai, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a>, tamb&eacute;m estaria envolvido. Em 1995, por&eacute;m, o Tribunal de Justi&ccedil;a do Par&aacute; determinou que ele fosse retirado da lista de r&eacute;us;<\/li><li>A seita contava com a ajuda de policiais para manter a seguran&ccedil;a dos integrantes. Essa seria a fun&ccedil;&atilde;o de Carlos Alberto e Aldenor, o ex-policial militar foragido.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Essa linha de racioc&iacute;nio da acusa&ccedil;&atilde;o foi extensamente divulgada pela imprensa da &eacute;poca. Durante a entrevista de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/clodomir-araujo\/\" target=\"_self\" title=\"Assistente de acusa&ccedil;&atilde;o nos j&uacute;ris em 2003\" class=\"encyclopedia\">Clodomir Ara&uacute;jo<\/a> ao programa Barra Pesada, h&aacute; um&nbsp;momento bastante revelador sobre como o caso era tratado por boa parte dos jornalistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Na conversa com o apresentador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ronaldo-porto\/\" target=\"_self\" title=\"Apresentador do programa Barra Pesada na &eacute;poca dos j&uacute;ris\" class=\"encyclopedia\">Ronaldo Porto<\/a>, o assistente de acusa&ccedil;&atilde;o fala sobre a atua&ccedil;&atilde;o da seita sat&acirc;nica em Altamira e cita trechos do livro de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> como prova do &ldquo;conluio criminoso&rdquo;. A obra, &ldquo;Deus, a Grande Farsa&rdquo;, j&aacute; foi discutida no epis&oacute;dio 15 do podcast e est&aacute; dispon&iacute;vel para download <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-15\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<p>Para relembrar, o &uacute;nico elemento que relacionava Valentina ao processo de Altamira era o depoimento da testemunha <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/edmilson-da-silva-frazao\/\" target=\"_self\" title='Testemunha que diz ter participado de uma \"missa negra\" na ch&aacute;cara de An&iacute;sio' class=\"encyclopedia\">Edmilson da Silva Fraz&atilde;o<\/a>. Ele afirmava ter visto a l&iacute;der do Lineamento Universal Superior (LUS) participar de um culto macabro na ch&aacute;cara do m&eacute;dico An&iacute;sio &ndash; fato que ela sempre negou.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ouvir Ara&uacute;jo, Porto n&atilde;o faz nenhum contraponto e concorda com a vers&atilde;o da promotoria. &ldquo;Olha, eu n&atilde;o quero ser contra ou a favor de ningu&eacute;m, mas s&oacute; esse t&iacute;tulo aqui, &lsquo;Deus, a Grande Farsa&rsquo;, j&aacute; me d&aacute; nojo, particularmente&rdquo;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, &eacute; importante pontuar que n&atilde;o existe nos autos do processo nenhuma investiga&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica sobre o LUS no Par&aacute;. Nenhuma c&oacute;pia do livro da r&eacute; foi encontrada em Altamira. Tudo indica que o que se sabia sobre Valentina vinha da reportagem da Revista Veja de julho de 1992, j&aacute; mencionada aqui. A ideia de &ldquo;seita sat&acirc;nica&rdquo; e &ldquo;rituais de magia negra&rdquo; sugeridos pela publica&ccedil;&atilde;o acabaram por sustentar a tese da promotoria.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo dos meninos emasculados de Altamira &eacute; focado em apenas cinco v&iacute;timas: o segundo e o terceiro sobreviventes, o menino ind&iacute;gena <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/judirley-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em janeiro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Judirley da Cunha Chipaia<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/flavio-lopes-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 10 anos morto em mar&ccedil;o de 1993 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Fl&aacute;vio Lopes da Silva<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os familiares dessas crian&ccedil;as e de tantas outras que n&atilde;o entraram para o rol oficial de v&iacute;timas se mobilizaram para ir at&eacute; Bel&eacute;m e assistir ao j&uacute;ri. Uma reportagem da TV Globo da &eacute;poca mostra o momento em que muitas pessoas entram no &ocirc;nibus que far&aacute; o trajeto at&eacute; a capital do estado. Segundo os relatos, essa popula&ccedil;&atilde;o, que era pobre, contava com a ajuda de movimentos sociais e outras entidades para se manter na cidade durante os dias de julgamento. Isso inclu&iacute;a gastos com estadia e alimenta&ccedil;&atilde;o, por exemplo. Como em outras ocasi&otilde;es, quem acompanhava essas fam&iacute;lias e cuidava da seguran&ccedil;a era a Pol&iacute;cia Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per&iacute;odo antes do j&uacute;ri, todos os acusados, com exce&ccedil;&atilde;o do ex-PM Carlos Alberto, estavam em liberdade. Enquanto o povo de Altamira chorava pelos filhos e pedia por justi&ccedil;a, os r&eacute;us negavam tudo e tentavam defender a sua inoc&ecirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>O IN&Iacute;CIO DO J&Uacute;RI&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Como previsto, o julgamento come&ccedil;ou no dia 27 de Agosto de 2003. Em resumo, o Tribunal do J&uacute;ri funciona assim: para cada crime julgado, acusa&ccedil;&atilde;o e defesa podem arrolar cinco testemunhas. Naquele momento, como o processo contava com cinco r&eacute;us e cinco v&iacute;timas, cada acusado poderia chamar at&eacute; 25 pessoas para falar em plen&aacute;rio. Ou seja, se ambas as partes quisessem, mais de uma centena de convocados participariam do j&uacute;ri.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na pr&aacute;tica, contudo, a lista alcan&ccedil;ou mais de 40 testemunhas no total, juntando defesa e acusa&ccedil;&atilde;o. Nem todas elas estavam presentes no primeiro dia do julgamento. Mesmo assim, o n&uacute;mero era grande: na soma dos dois lados, 19 pessoas deveriam depor. Tudo indicava que o j&uacute;ri seria longo &ndash; o que n&atilde;o &eacute; comum no Brasil, onde os r&eacute;us geralmente s&atilde;o julgados em dois ou tr&ecirc;s dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Havia ainda outro problema: na hora das sustenta&ccedil;&otilde;es orais e debates, cada defensor teria que dividir o espa&ccedil;o de fala, o que prejudicaria as suas argumenta&ccedil;&otilde;es. Diante desse cen&aacute;rio, as defesas entraram com um pedido para que o j&uacute;ri fosse desmembrado e os acusados julgados separadamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na v&eacute;spera da sess&atilde;o, tamb&eacute;m no programa Barra Pesada, o advogado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/janio-siqueira\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa de C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">J&acirc;nio Siqueira<\/a>, que defendia o m&eacute;dico C&eacute;sio, refor&ccedil;ou essa demanda para o apresentador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ronaldo-porto\/\" target=\"_self\" title=\"Apresentador do programa Barra Pesada na &eacute;poca dos j&uacute;ris\" class=\"encyclopedia\">Ronaldo Porto<\/a>.&nbsp;&ldquo;N&oacute;s vamos correr o risco de ter 36 minutos apenas para cada advogado fazer a defesa do seu cliente. Ora, est&aacute; demonstrado &agrave;s esc&acirc;ncaras, claramente, um cerceamento de defesa. E a constitui&ccedil;&atilde;o garante a qualquer cidad&atilde;o, por mais humilde que seja e por mais grave que seja o crime, uma ampla defesa exercitada na sua plenitude&rdquo;, disse ele.<\/p>\n\n\n\n<p>A mobiliza&ccedil;&atilde;o das defesas surtiu efeito e, j&aacute; no primeiro dia de j&uacute;ri, ficou determinado que os cinco r&eacute;us n&atilde;o seriam julgados juntos. An&iacute;sio, C&eacute;sio e Valentina foram dispensados, e novas sess&otilde;es foram marcadas para a semana seguinte, a partir do in&iacute;cio de setembro. Permaneceram, ent&atilde;o, no banco dos r&eacute;us Amailton e Carlos Alberto.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim como em todas as fases de ju&iacute;zo, o ex-PM nunca teve testemunhas de defesa e precisou contar com defensores p&uacute;blicos. Desta vez, foi representado pela doutora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/marilda-cantal\/\" target=\"_self\" title=\"Defensora p&uacute;blica que representou Carlos Alberto durante o j&uacute;ri\" class=\"encyclopedia\">Marilda Cantal<\/a>. J&aacute; o filho de Amadeu tinha como advogados <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/hercilio-pinto-de-carvalho\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado que representou Amailton, Carlos Alberto, Aldenor e Valentina\" class=\"encyclopedia\">Herc&iacute;lio Pinto de Carvalho<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/janio-siqueira\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa de C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">J&acirc;nio Siqueira<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Do lado de fora do plen&aacute;rio, a imprensa expunha incansavelmente as teses da acusa&ccedil;&atilde;o e deixava os argumentos da defesa em segundo plano. Isso contribuiu para que o caso se transformasse em algo diferente do que foi apresentado em todo o processo. Valentina, que era quase uma coadjuvante nos autos, virou a grande mente por tr&aacute;s dos crimes. Todos os boatos e ind&iacute;cios absurdos contra Amailton, sobre os livros que ele possu&iacute;a e at&eacute; mesmo a sua sexualidade, de repente se tornaram fatos incontest&aacute;veis.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; neste contexto que a religi&atilde;o virou um tema central. Durante o interrogat&oacute;rio de Amailton no primeiro dia de j&uacute;ri, uma das perguntas dos jurados envolve justamente a f&eacute; praticada pelo r&eacute;u. &ldquo;Eu sou cat&oacute;lico, mas acredito que existe um ser superior, algo superior&rdquo;, respondeu o filho de Amadeu. Essa declara&ccedil;&atilde;o chegou a ser exibida no jornal noturno da TV Liberal, afiliada da Rede Globo no Par&aacute;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O questionamento do jurado &eacute; bastante revelador. Ele mostra que o que estava em jogo n&atilde;o era apenas o conte&uacute;do dos autos, mas sim toda a narrativa constru&iacute;da sobre a &ldquo;seita sat&acirc;nica&rdquo; liderada por Valentina. Dentro dessa l&oacute;gica surge a relev&acirc;ncia de se descobrir qual era a religi&atilde;o dos acusados.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONTEXTO POL&Iacute;TICO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro dia do j&uacute;ri, 27 de agosto de 2003, foi marcado pelo processo de desmembramento, pelas falas de aberturas da defesa e acusa&ccedil;&atilde;o, leituras de pe&ccedil;as e o depoimento dos dois r&eacute;us: Amailton e Carlos Alberto. Ambos negaram participa&ccedil;&atilde;o nos crimes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O julgamento, que recebia aten&ccedil;&atilde;o da grande m&iacute;dia, tamb&eacute;m teve a presen&ccedil;a de membros do governo federal. Assim, &eacute; relevante relembrar o contexto pol&iacute;tico da &eacute;poca. O ano era 2003, o primeiro de mandato do presidente Luiz In&aacute;cio Lula da Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde o in&iacute;cio dos anos 90, o Partido dos Trabalhadores (PT) no Par&aacute; havia sido um importante apoiador nas lutas das fam&iacute;lias das v&iacute;timas. Em &acirc;mbito federal, at&eacute; ent&atilde;o, todas as quest&otilde;es relacionadas aos direitos humanos eram ligadas ao Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, por meio do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/conselho-de-defesa-dos-direitos-da-pessoa-humana\/\" target=\"_self\" title=\"At&eacute; 2014, foi o &oacute;rg&atilde;o respons&aacute;vel por investigar viola&ccedil;&otilde;es de direitos humanos no Brasil\" class=\"encyclopedia\">Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana<\/a> (CDDPH).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, com o PT, havia sido criada a Secretaria de Direitos Humanos, que tinha status de Minist&eacute;rio. Essa era a primeira vez que isso acontecia no Brasil. Diante da import&acirc;ncia que a luta nessa &aacute;rea ganhou na gest&atilde;o de Lula e do hist&oacute;rico de mobiliza&ccedil;&atilde;o dos familiares dos meninos, uma equipe de Bras&iacute;lia foi designada para acompanhar o j&uacute;ri.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma mat&eacute;ria da TV Liberal sobre o primeiro dia do julgamento, dois membros dessa comiss&atilde;o falam ao p&uacute;blico: a procuradora federal, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-eliane-menezes\/\" target=\"_self\" title=\"Procuradora Federal dos Direitos do Cidad&atilde;o na &eacute;poca dos j&uacute;ris\" class=\"encyclopedia\">Maria Eliane Menezes<\/a>; e o assessor do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/douglas-martins\/\" target=\"_self\" title=\"Assessor do Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a na &eacute;poca dos j&uacute;ris\" class=\"encyclopedia\">Douglas Martins<\/a>, que tinha <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/marcio-thomaz-bastos\/\" target=\"_self\" title=\"Ministro da Justi&ccedil;a entre primeiro de janeiro de 2003 e 16 de mar&ccedil;o de 2007\" class=\"encyclopedia\">M&aacute;rcio Thomaz Bastos<\/a> como ministro. Ambos apresentam um discurso alinhado &agrave;s demandas dos familiares dos garotos, ao defenderem a inclus&atilde;o de mais v&iacute;timas no processo e reafirmarem a busca por justi&ccedil;a.<\/p>\n\n\n\n<p>A presen&ccedil;a desses representantes do governo adiciona uma nova camada para a compreens&atilde;o das tens&otilde;es e expectativas que pairavam sob o julgamento. Se, por um lado, as fam&iacute;lias de Altamira se sentiam ouvidas, por outro, os acusados e os jurados certamente percebiam a press&atilde;o causada pelos agentes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse cen&aacute;rio ganhou ainda mais peso com a presen&ccedil;a do pr&oacute;prio secret&aacute;rio de Direitos Humanos da &eacute;poca, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/nilmario-miranda\/\" target=\"_self\" title=\"Secret&aacute;rio de Direitos Humanos do primeiro governo Lula\" class=\"encyclopedia\">Nilm&aacute;rio Miranda<\/a>, que tamb&eacute;m deu entrevista ao vivo &agrave; TV Liberal durante o j&uacute;ri. &ldquo;N&atilde;o s&oacute; em Altamira, no Brasil inteiro e at&eacute; fora do pa&iacute;s, &eacute; uma grande expectativa esse julgamento. Inclusive, n&oacute;s fizemos quest&atilde;o de garantir que o deslocamento das fam&iacute;lias at&eacute; aqui tivesse a seguran&ccedil;a da Pol&iacute;cia Rodovi&aacute;ria Federal. Foi determina&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m do governo federal, para fazer com que elas participassem desse evento&rdquo;, disse Miranda &agrave; TV Liberal.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso mostrava que o governo estava empenhado na realiza&ccedil;&atilde;o dos j&uacute;ris e se esfor&ccedil;ava para garantir que todos pudessem acompanh&aacute;-los. Pelas declara&ccedil;&otilde;es desses agentes federais, uma coisa &eacute; clara: segundo as informa&ccedil;&otilde;es que eles recebiam das autoridades do Par&aacute;, ningu&eacute;m tinha d&uacute;vida da culpa dos acusados. Esse caso seria, portanto, um exemplo da luta pela defesa dos direitos humanos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TESTEMUNHAS DE DEFESA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As testemunhas come&ccedil;aram a ser ouvidas no dia seguinte, 28 de agosto de 2003. Neste primeiro j&uacute;ri, 12 pessoas prestaram depoimento &ndash; sete de acusa&ccedil;&atilde;o e cinco de defesa. Essas &uacute;ltimas eram todas de Amailton, j&aacute; que Carlos Alberto n&atilde;o arrolou ningu&eacute;m.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Os convocados pela defesa de Amailton foram os &uacute;ltimos a falar. Mas, para facilitar a compreens&atilde;o, ser&atilde;o listados aqui por primeiro:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul><li><strong><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/roberto-pereira-pinho\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor que pede a impron&uacute;ncia dos r&eacute;us em 1994, com exce&ccedil;&atilde;o de Valentina\" class=\"encyclopedia\">Roberto Pereira Pinho<\/a>:<\/strong> Promotor que recomendou a impron&uacute;ncia de todos os r&eacute;us em 1994, com exce&ccedil;&atilde;o apenas de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>, por conta das suspeitas no Paran&aacute;. No depoimento no j&uacute;ri, ele reafirmou que n&atilde;o via nenhuma prova concreta contra os acusados.<\/li><li><strong><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/terezinha-martins-cavalheri\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha de defesa de Amailton\" class=\"encyclopedia\">Terezinha Martins Cavalheri<\/a>:<\/strong> Testemunha de &aacute;libi de Amailton, ela reiterou que ele estava na ch&aacute;cara dela no dia primeiro de janeiro de 1992, justamente no hor&aacute;rio em que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/judirley-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em janeiro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Judirley da Cunha Chipaia<\/a> havia sido assassinado.&nbsp;<\/li><li><strong><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wanderley-gomes-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha de defesa de Amailton\" class=\"encyclopedia\">Wanderley Gomes Costa<\/a>:<\/strong> Sobrinho de Terezinha, tamb&eacute;m serviu como testemunha de &aacute;libi. Refor&ccedil;ou, inclusive, que o r&eacute;u havia lhe dado carona at&eacute; a ch&aacute;cara, onde ambos passaram a tarde daquele primeiro de janeiro.<\/li><li><strong><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/raimundo-brigido-silveira-neto\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha de defesa de Amailton\" class=\"encyclopedia\">Raimundo Br&iacute;gido Silveira Neto<\/a>:<\/strong> Afirmou em j&uacute;ri que presenciou Amadeu ligando para Amailton e pedindo para o filho, que estava em viagem, voltar para casa e falar com a pol&iacute;cia. A ideia era demonstrar que a fam&iacute;lia Gomes sempre esteve disposta a colaborar com as investiga&ccedil;&otilde;es.<\/li><li><strong><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-goncalves-de-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha de defesa de Amailton\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Gon&ccedil;alves de Oliveira<\/a>:<\/strong> Ex-funcion&aacute;rio de Amadeu, disse que Amailton lhe contou sobre a viagem de moto que pretendia fazer meses antes de ela acontecer. Isso mostrava que o acusado n&atilde;o teria fugido &agrave;s pressas da cidade ap&oacute;s a morte de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a>.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><strong>TESTEMUNHAS DE ACUSA&Ccedil;&Atilde;O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os autos do processo incluem algumas testemunhas que seriam fortes para a acusa&ccedil;&atilde;o. Uma delas, por exemplo, &eacute; a adolescente <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/loidenne-sabino-de-jesus\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente de 16 anos que trabalhou como dom&eacute;stica para An&iacute;sio em 1992\" class=\"encyclopedia\">Loidenne Sabino de Jesus<\/a>, que prestou depoimento apenas na fase de inqu&eacute;rito do delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>. Ela dizia ter trabalhado na ch&aacute;cara do m&eacute;dico An&iacute;sio e que os filhos dele usavam vestimentas estranhas para assust&aacute;-la.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O relato de Loidenne poderia ser relacionado com as declara&ccedil;&otilde;es de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/edmilson-da-silva-frazao\/\" target=\"_self\" title='Testemunha que diz ter participado de uma \"missa negra\" na ch&aacute;cara de An&iacute;sio' class=\"encyclopedia\">Edmilson da Silva Fraz&atilde;o<\/a>, que afirmava ter presenciado um culto macabro liderado por Valentina naquela mesma propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m de Loidenne, outra testemunha essencial para a promotoria seria <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/orlandina-silva-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que traz &agrave; tona a hist&oacute;ria de Ana Paula\" class=\"encyclopedia\">Orlandina Silva de Souza<\/a>, respons&aacute;vel por trazer &agrave; tona a hist&oacute;ria da misteriosa <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ana-paula\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-funcion&aacute;ria de An&iacute;sio que teria visto um &oacute;rg&atilde;o de menino na cl&iacute;nica dele\" class=\"encyclopedia\">Ana Paula<\/a> &ndash; suposta funcion&aacute;ria de An&iacute;sio que desapareceu ap&oacute;s ter visto um &oacute;rg&atilde;o sexual masculino infantil em um isopor no consult&oacute;rio do m&eacute;dico. De acordo com Orlandina, um tempo depois, um bra&ccedil;o decepado foi encontrado pr&oacute;ximo ao aeroporto de Altamira, e ela afirma t&ecirc;-lo reconhecido como sendo da tal amiga. A pr&oacute;pria exist&ecirc;ncia de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ana-paula\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-funcion&aacute;ria de An&iacute;sio que teria visto um &oacute;rg&atilde;o de menino na cl&iacute;nica dele\" class=\"encyclopedia\">Ana Paula<\/a>, no entanto, nunca foi comprovada nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a ata do j&uacute;ri de Amailton e Carlos Alberto, Orlandina chegou a comparecer no tribunal no primeiro dia de sess&atilde;o, mas n&atilde;o dep&ocirc;s. Isso fazia sentido, j&aacute; que seu relato incriminaria An&iacute;sio e n&atilde;o os r&eacute;us que estavam sendo julgados na ocasi&atilde;o. No segundo dia, quando come&ccedil;aram os depoimentos de testemunhas, ela j&aacute; n&atilde;o estava mais presente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/10\/2003-08-27-Orlandina-1-Lista-de-testemunhas-que-compareceram-Orlandina-consta-como-presente_compressed.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de testemunhas &ndash; Orlandina presente<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/10\/2003-08-28-Orlandina-2-Lista-de-testemunhas-que-compareceram-Orlandina-consta-como-ausente_compressed.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lista de testemunhas &ndash; Orlandina ausente<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por motivos desconhecidos, Orlandina nunca mais apareceu nos j&uacute;ris para depor, nem mesmo quando An&iacute;sio foi julgado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Outras testemunhas consideradas importantes para a acusa&ccedil;&atilde;o s&atilde;o: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valdete-rodrigues-barroso\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que desapareceu ap&oacute;s passar informa&ccedil;&otilde;es para a PF\" class=\"encyclopedia\">Valdete Rodrigues Barroso<\/a>, que relatou ter sido amea&ccedil;ada por um pistoleiro da fam&iacute;lia Gomes; e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eudilene-pereira-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente que se diz testemunha de uma s&eacute;rie de crimes contra meninos\" class=\"encyclopedia\">Eudilene Pereira da Costa<\/a>, a adolescente que alegou ter sido abusada pelo m&eacute;dico C&eacute;sio e ter presenciado a morte de meninos em uma ch&aacute;cara.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nos meses que antecederam o julgamento, contudo, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico teve s&eacute;rios problemas em localizar essas pessoas. Apesar das dificuldades, a acusa&ccedil;&atilde;o conseguiu juntar um grupo de sete indiv&iacute;duos a serem ouvidos:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><strong><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/agostinho-jose-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha-chave que liga C&eacute;sio e Amailton ao crime contra Jaenes\" class=\"encyclopedia\">Agostinho Jos&eacute; da Costa<\/a><\/strong>: Lavrador, ele relatou ter visto C&eacute;sio e Amailton pr&oacute;ximo ao local onde Jaenes foi morto em outubro de 1992.<\/li><li><strong>O <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a><\/strong>, atacado em 16 de novembro de 1989.<\/li><li><strong><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wandicley-oliveira-pinheiro\/\" target=\"_self\" title=\"Terceiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Wandicley Oliveira Pinheiro<\/a><\/strong>, o terceiro sobrevivente, agredido em 23 de setembro de 1990.<\/li><li><strong><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/juarez-gomes-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Jaenes da Silva Pessoa\" class=\"encyclopedia\">Juarez Gomes Pessoa<\/a><\/strong>: Pai de Jaenes. Em plen&aacute;rio, ele contou sobre o dia em que o filho foi assassinado e as suspeitas que possu&iacute;a em torno de An&iacute;sio.<\/li><li><strong><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/lucia-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; de Judirley da Cunha Chipaia\" class=\"encyclopedia\">L&uacute;cia da Cunha Chipaia<\/a><\/strong>: Irm&atilde; de Judirley. Afirmou que suspeitava principalmente da participa&ccedil;&atilde;o de Amailton nos crimes.<\/li><li><strong><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-edith-da-mota-chaves\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha de acusa&ccedil;&atilde;o que liga a fam&iacute;lia Gomes ao m&eacute;dico C&eacute;sio\" class=\"encyclopedia\">Maria Edith da Mota Chaves<\/a><\/strong>: Disse ter visto um encontro suspeito entre Amadeu, C&eacute;sio e uma mulher loira, que ela n&atilde;o soube identificar. O objetivo era mostrar liga&ccedil;&atilde;o entre os acusados.<\/li><li><strong><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/sueli-de-oliveira-matos\/\" target=\"_self\" title=\"Conselheira tutelar que escreveu carta sobre o policial A. Santos\" class=\"encyclopedia\">Sueli de Oliveira Matos<\/a><\/strong>, a conselheira tutelar que escreveu uma carta sobre diversos crimes narrados a ela por Carlos Alberto. Esse foi o &uacute;nico j&uacute;ri em que ela prestou depoimento, justamente por incriminar o ex-PM.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Todas essas testemunhas estavam com muito medo de falar. Sueli, por exemplo, usou um v&eacute;u e um &oacute;culos escuros no plen&aacute;rio, como forma de esconder parte do rosto. Nas imagens de reportagens da &eacute;poca, a conselheira, os dois sobreviventes e Agostinho est&atilde;o sempre acompanhados de agentes da Pol&iacute;cia Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>Os relatos dessas pessoas foram basicamente os mesmos j&aacute; prestados na fase de ju&iacute;zo. Mas, desde o in&iacute;cio do j&uacute;ri, a acusa&ccedil;&atilde;o prometia uma surpresa, e ela viria dos dois sobreviventes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>V&aacute;rias reportagens da &eacute;poca mostraram um dos momentos mais fortes de todos os j&uacute;ris, quando o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a> &eacute; questionado sobre o reconhecimento do homem que o sequestrou:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Sobrevivente: Eu tenho a plenitude certeza, a convic&ccedil;&atilde;o 100%, de que foi o Carlos Alberto<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Juiz: Qual &eacute; o Carlos Alberto?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sobrevivente: [Apontando] Este aqui.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Juiz: De camisa azul?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Sobrevivente: Isso. Com certeza.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O mesmo reconhecimento foi feito tamb&eacute;m pelo terceiro sobrevivente, Wandicley. Essa afirma&ccedil;&atilde;o pegou a defesa de surpresa: afinal, eles nunca tinham dito isso antes.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1ppMXnAOjtigQKuKA2mGFZ4CH8OvXfjC4\/view?usp=share_link\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Interrogat&oacute;rio dos r&eacute;us e depoimentos do j&uacute;ri<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevista ao SBT Bel&eacute;m, a advogada <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/marilda-cantal\/\" target=\"_self\" title=\"Defensora p&uacute;blica que representou Carlos Alberto durante o j&uacute;ri\" class=\"encyclopedia\">Marilda Cantal<\/a> chegou a dizer que esses depoimentos seriam fabricados. Apesar da acusa&ccedil;&atilde;o grave, ela tinha v&aacute;rios motivos para suspeitar disso. Afinal, Carlos Alberto j&aacute; era a terceira pessoa reconhecida pelos sobreviventes ao longo do processo. Esses relatos anteriores ser&atilde;o destrinchados no pr&oacute;ximo epis&oacute;dio.<\/p>\n\n\n\n<p><em>*Este epis&oacute;dio utilizou mat&eacute;rias do SBT, TV Record, TV Bandeirantes e Rede Globo.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Julgamento<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/614"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=614"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=614"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=614"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}