{"id":596,"date":"2022-07-21T00:01:00","date_gmt":"2022-07-21T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=596"},"modified":"2023-02-15T18:59:59","modified_gmt":"2023-02-15T21:59:59","slug":"extras-episodio-16","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-16\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 16"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>O LADO DA ACUSA&Ccedil;&Atilde;O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ano &eacute; 1996. Mesmo ap&oacute;s a decis&atilde;o do Supremo Tribunal Federal (STF) que derrubou parte do processo, as fam&iacute;lias das v&iacute;timas est&atilde;o mais organizadas do que nunca. Na luta por justi&ccedil;a, elas conseguiram ser ouvidas em Bras&iacute;lia, na Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da C&acirc;mara dos Deputados.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, a fase de instru&ccedil;&atilde;o judicial finalmente se encerrava, com o depoimento das testemunhas de defesa. Mas, ent&atilde;o, os familiares dos meninos foram surpreendidos, no que parecia ser mais um passo em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; impunidade. Em decis&atilde;o de 03 de dezembro de 1996, o juiz respons&aacute;vel pelo processo, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/paulo-roberto-ferreira-vieira\/\" target=\"_self\" title=\"Juiz de Altamira designado para o caso ap&oacute;s decis&atilde;o do STF\" class=\"encyclopedia\">Paulo Roberto Ferreira Vieira<\/a>, decidiu impronunciar todos os r&eacute;us. Ou seja, o magistrado n&atilde;o acreditava que havia ind&iacute;cios suficientes para que os acusados fossem levados a j&uacute;ri popular.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das passagens mais impactantes da pe&ccedil;a elaborada pelo juiz diz o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>As provas manifestam-se por demais fr&aacute;geis. S&atilde;o um amontoado de depoimentos sem nexo, sem liga&ccedil;&atilde;o entre si, sem um m&iacute;nimo de certeza, que leve ao julgador a seguran&ccedil;a necess&aacute;ria para pronunciar o r&eacute;u.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Diante do clima de impunidade, &eacute; claro que as fam&iacute;lias e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico n&atilde;o aceitariam a decis&atilde;o de bra&ccedil;os cruzados. As hist&oacute;rias da &eacute;poca d&atilde;o conta de que o juiz, temendo pela sua seguran&ccedil;a, fugiu de Altamira logo ap&oacute;s a impron&uacute;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Envolvidos no epis&oacute;dio tamb&eacute;m contam que parentes das v&iacute;timas e ativistas locais realizaram um enterro simb&oacute;lico do magistrado. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel verificar, por&eacute;m, a veracidade dessa hist&oacute;ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1996-12-03-Juiz-Paulo-Roberto-Ferreira-Vieira-impronuncia-todos-1.pdf\" target=\"_blank\">Decis&atilde;o do juiz Vieira<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro movimento de rea&ccedil;&atilde;o &agrave; impron&uacute;ncia partiu da promotora respons&aacute;vel pelo caso na &eacute;poca, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/elaine-de-souza-nuayed\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que participou da terceira fase de ju&iacute;zo do caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Elaine de Souza Nuayed<\/a>. O seu pedido de recurso contra a decis&atilde;o de Vieira foi feito em 20 de dezembro de 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>Indignada, ela diz que o juiz repetiu os argumentos do magistrado anterior, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-orlando-de-paula-arrifano\/\" target=\"_self\" title=\"Magistrado que ouve testemunhas durante a fase em ju&iacute;zo\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Orlando de Paula Arrifano<\/a>, que havia pronunciado os acusados:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Como pode o Juiz do feito concluir pela impron&uacute;ncia dos acusados com os mesmos argumentos que o Juiz anterior pronunciou?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1996-12-20-Recurso-MP-contra-impronuncia-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pe&ccedil;a da promotora Elaine Nuayed<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A promotora n&atilde;o est&aacute; errada. De fato, as alega&ccedil;&otilde;es de ambos s&atilde;o muita parecidas e as testemunhas citadas s&atilde;o quase as mesmas. Esse &eacute; um exemplo de como a personalidade de cada magistrado pode influenciar em um processo, o que quebra o mito de que ju&iacute;zes seriam extremamente t&eacute;cnicos ao tomar decis&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>Tanto a assist&ecirc;ncia de acusa&ccedil;&atilde;o quanto Arrifano entendiam que apenas ind&iacute;cios de autoria seriam necess&aacute;rios para levar os r&eacute;us a j&uacute;ri. Assim, a certeza ou n&atilde;o da culpa dos suspeitos s&oacute; viria depois, a partir da opini&atilde;o dos jurados.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1994-03-28-Assistencia-de-Acusacao-pede-Pronuncia-dos-Reus-1.pdf\" target=\"_blank\">Pedido de pron&uacute;ncia da assist&ecirc;ncia de acusa&ccedil;&atilde;o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1994-06-20-Decisao-de-Pronuncia-do-juiz-Arrifano-1.pdf\" target=\"_blank\">Decis&atilde;o de pron&uacute;ncia do juiz Arrifano<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essa ideia d&aacute; a impress&atilde;o de que os envolvidos no processo preferem jogar toda a responsabilidade da decis&atilde;o para pessoas leigas, que sequer poder&atilde;o refletir com profundidade sobre o turbilh&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es repassadas no Tribunal do J&uacute;ri.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma conversa particular com o pesquisador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rubens-pena-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado e antrop&oacute;logo\" class=\"encyclopedia\">Rubens Pena J&uacute;nior<\/a>, Ivan Mizanzuk mencionou esse assunto. Perguntou se isso seria algo comum no Par&aacute;, especialmente em acusa&ccedil;&otilde;es que envolvem poderosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Afinal, relevar a falta de provas poderia ser a &uacute;nica forma de responsabilizar essas pessoas, que teriam recursos para manipular o caso nos bastidores. A resposta de Rubens, por&eacute;m, foi negativa: o processo dos emasculados &eacute; at&iacute;pico justamente porque avan&ccedil;ou bastante e teve den&uacute;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas o que acontece na justi&ccedil;a brasileira &eacute; geralmente o contr&aacute;rio, principalmente em regi&otilde;es desassistidas como o interior do Par&aacute;. &Eacute; ineg&aacute;vel que existem pessoas com maior poder aquisitivo que manipulam o judici&aacute;rio a seu favor e dificilmente chegam a ser denunciadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com o pesquisador, dependendo da &oacute;tica sob a qual o caso dos meninos &eacute; analisado, os ind&iacute;cios contra os suspeitos podem ganhar for&ccedil;a. &ldquo;&Eacute; importante mencionar que, se a gente desconsiderar as falhas do processo e focar nos depoimentos que ele cont&eacute;m, a narrativa da acusa&ccedil;&atilde;o se consubstancia. Porque temos diversas pessoas falando as mesmas coisas, s&oacute; que sem conseguir provar [nada]. Isso &eacute; surreal, pois &eacute; como se o fato realmente tivesse acontecido&rdquo;, afirma Rubens.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto pesquisava sobre Altamira, Ivan tinha muita curiosidade em ouvir algu&eacute;m que estivesse do lado da acusa&ccedil;&atilde;o. Contudo, todos os promotores e assistentes contatados se negaram a conceder entrevistas. Alguns sequer retornaram as mensagens enviadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O &uacute;nico envolvido que topou falar foi o advogado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/baltazar-tavares\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado que auxiliou a assist&ecirc;ncia de acusa&ccedil;&atilde;o na d&eacute;cada de 1990\" class=\"encyclopedia\">Baltazar Tavares<\/a>, que acompanhou o caso desde o in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990, quando era estagi&aacute;rio no Centro de Defesa do Menor em Bel&eacute;m. Quem conversou com ele foi a jornalista Isabela Cabral, que faz parte da equipe do Projeto Humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tavares era ligado ao padre <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/padre-bruno-sechi\/\" target=\"_self\" title=\"Forte lideran&ccedil;a religiosa em Bel&eacute;m do Par&aacute; na &eacute;poca dos crimes\" class=\"encyclopedia\">Bruno Sechi<\/a>, forte lideran&ccedil;a religiosa no Par&aacute;, que apoiou os movimentos sociais de Altamira. Na &eacute;poca, o advogado atuava na implanta&ccedil;&atilde;o, em todo o estado, de conselhos ligados aos direitos da crian&ccedil;a e do adolescente. Por isso, viajava com frequ&ecirc;ncia e tinha contato com muita gente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a conselheira tutelar <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/sueli-de-oliveira-matos\/\" target=\"_self\" title=\"Conselheira tutelar que escreveu carta sobre o policial A. Santos\" class=\"encyclopedia\">Sueli de Oliveira Matos<\/a> escreveu a carta denunciando <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-alberto-dos-santos-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Policial militar acusado no caso dos meninos\" class=\"encyclopedia\">Carlos Alberto dos Santos Lima<\/a>, a informa&ccedil;&atilde;o logo chegou ao conhecimento do Centro de Defesa. A partir de ent&atilde;o, o caso dos meninos passou a ser acompanhado de perto pelos integrantes da institui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Para isso, o padre Bruno montou uma equipe multidisciplinar de profissionais, com advogados, psic&oacute;logos e assistentes sociais, que visitavam familiares das v&iacute;timas e prestavam todo o aux&iacute;lio necess&aacute;rio. <\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m disso, houve a cria&ccedil;&atilde;o de um conselho jur&iacute;dico formado por sete ou oito pessoas, incluindo Tavares, com o objetivo de avaliar o andamento do processo. Em reuni&otilde;es semanais, os juristas decidiam quais seriam os pr&oacute;ximos passos a serem tomados. Nesse contexto, o advogado ajudou a assist&ecirc;ncia de acusa&ccedil;&atilde;o no pedido de pron&uacute;ncia dos suspeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por estar diretamente envolvido no caso e em contato com as fam&iacute;lias dos meninos, Tavares tinha certeza da culpa dos acusados. Ele considerava os relatos das testemunhas bastante categ&oacute;ricos e acreditava que havia ind&iacute;cios suficientes para suspeitar daquelas pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Por qu&ecirc;? Por causa da narrativa. Era muita coisa pipocando no ar. Eu costumava ir &agrave; paisana para a beira da estrada, me misturar e escutar as conversas. Ent&atilde;o, as coisas vinham&hellip; Por isso, a gente tinha convic&ccedil;&atilde;o de que eles estavam envolvidos nisso at&eacute; o pesco&ccedil;o&rdquo;, afirma ele ao podcast.<\/p>\n\n\n\n<p>Curiosamente, hoje, tr&ecirc;s d&eacute;cadas depois, o advogado admite que tem uma percep&ccedil;&atilde;o diferente do caso. Ele releu algumas partes do processo fornecidas pela produ&ccedil;&atilde;o do Projeto Humanos e se surpreendeu com a falta de provas mais concretas.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Ali tem uma narrativa que &eacute; muito pr&oacute;pria da regi&atilde;o amaz&ocirc;nica, da Transamaz&ocirc;nica propriamente dita. &Eacute; assim: &lsquo;algu&eacute;m me contou, algu&eacute;m me disse, algu&eacute;m me falou&rsquo;. Mas n&atilde;o tem um que diz &lsquo;eu vi&rsquo;. Ent&atilde;o, hoje, depois de 30 anos, &eacute; uma narrativa que n&atilde;o se sustenta juridicamente&rdquo;, comenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Tavares acredita que o clima de medo e desconfian&ccedil;a na cidade contribuiu para a hist&oacute;ria de que um grupo de poderosos, inating&iacute;vel pela lei, era respons&aacute;vel pelos crimes. &ldquo;O Centro de Defesa tinha a convic&ccedil;&atilde;o de que essas pessoas estavam sendo indicadas nos depoimentos, mas a pol&iacute;cia trabalhava para que n&atilde;o se chegasse nelas&rdquo;, explica o advogado.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse cen&aacute;rio de descren&ccedil;a nas autoridades, a impron&uacute;ncia dos acusados foi um baque para as fam&iacute;lias das v&iacute;timas e os movimentos sociais de Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 20 de dezembro de 1996, duas semanas ap&oacute;s o parecer do juiz Vieira, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico entrou com recurso para decorrer da decis&atilde;o. Por precisar tramitar na segunda inst&acirc;ncia &ndash; ou seja, no Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado do Par&aacute; (TJ-PA) -, o processo andou com bastante lentid&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma nova pe&ccedil;a surge apenas em 27 de agosto de 1997. Assinado pelo procurador de justi&ccedil;a do Par&aacute; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-barbosa-de-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Procurador de justi&ccedil;a do Par&aacute; que pediu a pron&uacute;ncia dos r&eacute;us em 1997\" class=\"encyclopedia\">Francisco Barbosa de Oliveira<\/a>, o documento defendia que os acusados deveriam ir a julgamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Baseado nos depoimentos das testemunhas de acusa&ccedil;&atilde;o, Oliveira traz um apanhado de argumentos contra os suspeitos. Ele inclui, no entanto, informa&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o existem no processo e comete erros b&aacute;sicos. A seguir, est&atilde;o alguns exemplos:<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; O procurador menciona o depoimento de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eudilene-pereira-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente que se diz testemunha de uma s&eacute;rie de crimes contra meninos\" class=\"encyclopedia\">Eudilene Pereira da Costa<\/a> que, em teoria, n&atilde;o poderia ser usado, j&aacute; que ela n&atilde;o havia sido ouvida em ju&iacute;zo.<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; Ele diz, ainda, que o bra&ccedil;o de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ana-paula\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-funcion&aacute;ria de An&iacute;sio que teria visto um &oacute;rg&atilde;o de menino na cl&iacute;nica dele\" class=\"encyclopedia\">Ana Paula<\/a>, a suposta funcion&aacute;ria de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/anisio-ferreira-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico acusado no caso dos meninos emasculados\" class=\"encyclopedia\">An&iacute;sio Ferreira de Souza<\/a>, teria sido reconhecido por parentes dela. Mas isso nunca aconteceu. Na realidade, indo mais a fundo, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber nem se a pr&oacute;pria hist&oacute;ria do bra&ccedil;o &eacute; verdadeira.<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; Contra An&iacute;sio, Oliveira cita a testemunha <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jeanes-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Garoto de 13 anos que ficou internado na cl&iacute;nica de An&iacute;sio em 1992\" class=\"encyclopedia\">Jeanes da Silva<\/a>, o menino que teria ouvido do m&eacute;dico a frase: &ldquo;est&aacute; bom para ser capado&rdquo;. Erroneamente, por&eacute;m, ele fala que o garoto era irm&atilde;o de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a>, assassinado em outubro de 1992. Essa informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o procede.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m de todos esses problemas, o procurador tamb&eacute;m faz algumas pondera&ccedil;&otilde;es que explicitavam os seus preconceitos. O fato de An&iacute;sio frequentar terreiros de umbanda, por exemplo, era para ele ind&iacute;cio de que o m&eacute;dico seria praticante de &ldquo;magia negra&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre Valentina, Oliveira menciona o livro &ldquo;Deus, a Grande Farsa&rdquo;. Ele considera que a obra vai contra a personalidade de uma pessoa que, assim como a autora, alegava n&atilde;o fazer mal a ningu&eacute;m e n&atilde;o praticar viol&ecirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>De todos os trechos problem&aacute;ticos dessa pe&ccedil;a, um dos mais complicados faz refer&ecirc;ncia ao suspeito <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<p><em>O pr&oacute;prio acusado Amailton admitiu, em ju&iacute;zo, j&aacute; ter mantido rela&ccedil;&otilde;es homossexuais. Tal circunst&acirc;ncia, induvidosamente, possui car&aacute;ter relevante, pois demonstra um desvio de personalidade do r&eacute;u bastante caracter&iacute;stico das pessoas emocional e psicologicamente perturbadas, o qual, muitas vezes, contribui para o desenvolvimento de &iacute;ndole delinquencial, principalmente, se se comparar aos crimes ora analisados, que, sem sombra de d&uacute;vidas, foram cometidos por pessoas totalmente pervertidas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1997-08-27-Procurador-de-Justica-reforca-pedido-de-pronuncia-dos-reus-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pe&ccedil;a do procurador Francisco Barbosa de Oliveira<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Pouco menos de dois meses depois da manifesta&ccedil;&atilde;o do procurador, em 14 de outubro, o Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado do Par&aacute; tomou uma decis&atilde;o: os r&eacute;us deveriam ir a j&uacute;ri popular.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1gOpIPbbfvsT4sbVUd--65MYRhEEj4aKo\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Decis&atilde;o do Tribunal de Justi&ccedil;a do Par&aacute;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da&iacute;, um novo juiz, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/luiz-ernane-ribeiro-malato\/\" target=\"_self\" title=\"Quinto juiz da Comarca de Altamira a conduzir o caso dos meninos\" class=\"encyclopedia\">Luiz Ernane Ribeiro Malato<\/a>, assume o processo. Ele j&aacute; era o quinto magistrado da Comarca de Altamira a conduzir o caso dos meninos.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto os advogados de defesa entravam com recursos para reverter a pron&uacute;ncia, os acusados, que estavam soltos por habeas corpus, tentavam seguir com a vida. Como ainda n&atilde;o havia a facilidade do processo digital, a transfer&ecirc;ncia dos documentos do Par&aacute; para Bras&iacute;lia demandava muito tempo. Consequentemente, as an&aacute;lises de recursos levaram alguns anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 19 de dezembro de 2000, o juiz Malato decretou a pris&atilde;o dos acusados para que eles fossem intimidados da senten&ccedil;a de pron&uacute;ncia. Mat&eacute;rias da imprensa noticiaram o retorno dos suspeitos para a cadeia. Os ex-PMs Carlos Alberto e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/aldenor-ferreira-cardoso\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-PM reconhecido por Wandicley como o seu sequestrador\" class=\"encyclopedia\">Aldenor Ferreira Cardoso<\/a> n&atilde;o foram localizados, assim como Valentina que, posteriormente, teve a pris&atilde;o revogada.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/2000-12-19-Juiz-Luiz-Ernane-Ferreira-Ribeiro-Malato-pede-prisao-preventiva-de-todos-os-reus.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Decis&atilde;o do juiz Malato de prender os acusados<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/2001-02-01-Materia-O-Liberal-Cesio-Brandao-desembarca-em-Belem-e-vai-para-cela-especial-1.pdf\" target=\"_blank\">Mat&eacute;ria do jornal O Liberal &ndash; &ldquo;C&eacute;sio Brand&atilde;o desembarca em Bel&eacute;m e vai para cela especial&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>PREPARA&Ccedil;&Atilde;O PARA O J&Uacute;RI<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Entre as pe&ccedil;as de prepara&ccedil;&atilde;o para o j&uacute;ri, a lista de testemunhas montada pela defesa de Valentina chama a aten&ccedil;&atilde;o. Nela, h&aacute; tr&ecirc;s policiais que poderiam, na verdade, contribuir para a acusa&ccedil;&atilde;o: o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/luiz-carlos-de-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelo caso Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Luiz Carlos de Oliveira<\/a>, respons&aacute;vel pelo caso <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, que apontou Valentina como suspeita no Par&aacute;; e o agente <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-carlos-de-souza-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Policial federal que chefiou as investiga&ccedil;&otilde;es em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Carlos de Souza Machado<\/a>, que comandou as investiga&ccedil;&otilde;es da Pol&iacute;cia Federal (PF) na Opera&ccedil;&atilde;o Monstro de Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m deles, a defesa da r&eacute; chamava tamb&eacute;m como testemunha:<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; O pr&oacute;prio juiz <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/luiz-ernane-ribeiro-malato\/\" target=\"_self\" title=\"Quinto juiz da Comarca de Altamira a conduzir o caso dos meninos\" class=\"encyclopedia\">Luiz Ernane Ribeiro Malato<\/a>, que posteriormente alegou n&atilde;o ter condi&ccedil;&otilde;es de depor, por ser o magistrado em exerc&iacute;cio.<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; O jornalista <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/raul-thadeu\/\" target=\"_self\" title=\"Jornalista chamado pela defesa de Valentina para depor no j&uacute;ri\" class=\"encyclopedia\">Raul Thadeu<\/a>, do jornal O Liberal, que em 1993 escreveu algumas mat&eacute;rias questionando as investiga&ccedil;&otilde;es em Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; A professora aposentada <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/socorro-patello\/\" target=\"_self\" title='Professora que produziu uma an&aacute;lise do livro \"Deus, a Grande Farsa\"' class=\"encyclopedia\">Socorro Patello<\/a>, que havia lecionado no curso de Filosofia da Universidade Federal do Par&aacute;. Em 14 de maio de 2001, ela produziu uma extensa an&aacute;lise do livro &ldquo;Deus, a Grande Farsa&rdquo;, que foi anexada aos autos pela defesa de Valentina.<\/p>\n\n\n\n<p>No documento, ela fornece interessantes reflex&otilde;es sobre as ideias da l&iacute;der do Lineamento Universal Superior (LUS). Socorro considera que a obra tem valor liter&aacute;rio e cient&iacute;fico nulo, mas &eacute; valiosa do ponto de vista do estudo da mente humana.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela aponta, por exemplo, que as rela&ccedil;&otilde;es afetivas traum&aacute;ticas da autora &ndash; como o abandono do pai e as separa&ccedil;&otilde;es dos maridos &ndash; explicam a vis&atilde;o pessimista que ela tem sobre o mundo. Justamente por isso, Valentina teria, ent&atilde;o, se voltado para o misticismo:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Na verdade, a autora quer uma nova constru&ccedil;&atilde;o do mundo, um mundo pleno do que ela chama de &ldquo;Luz, Verdade, Consci&ecirc;ncia Positiva&rdquo; e que &ldquo;ela&rdquo; fosse a grande orientadora desse um mundo melhor.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>[&hellip;]<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O trabalho foi duro, mas entendo tamb&eacute;m que se Valentina diz tantos vitup&eacute;rios, foi porque sua vida tr&aacute;gica ofertou-a exatamente isso. Sua verborragia blasfema &eacute; apenas fruto da mis&eacute;ria moral que viveu. Mas &eacute; justamente isso que ela abomina e n&atilde;o sabe dizer de outra forma!&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Abomina a maldade, a viol&ecirc;ncia (assassinato, tortura, supl&iacute;cio, brutalidade, maltrato, opress&atilde;o, o desamor, a desumanidade, etc. e tudo o que significa padecimento, dor e infelicidade).&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Da&iacute; a se dizer que este op&uacute;sculo contenha qualquer incentivo &agrave;s ignom&iacute;nias &eacute; imputar uma perversidade onde inexiste! &Eacute; retroceder ao Tribunal da Inquisi&ccedil;&atilde;o da Idade M&eacute;dia, para condenar a autora por ter cren&ccedil;a diferente das demais, apesar de, no fundo, estar fundada na mesma &acirc;nsia de amor, solidariedade, e demais virtudes, cujo fim &eacute; a felicidade.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/16k2u5--PlvDVoCjYd5sNL3stDEN36LQh\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">An&aacute;lise do livro &ldquo;Deus, a Grande Farsa&rdquo;, por Socorro Patello<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os j&uacute;ris dos acusados s&oacute; aconteceriam em 2003 na cidade de Bel&eacute;m. Quem pediu para que os julgamentos n&atilde;o fossem realizados em Altamira foi a defesa de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>. O desaforamento &ndash; a mudan&ccedil;a de um f&oacute;rum para outro &ndash; geralmente acontece quando a repercuss&atilde;o do caso &eacute; t&atilde;o grande na comunidade local que pode influenciar a opini&atilde;o dos jurados.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/2001-05-24-Defesa-de-Valentina-pede-desaforamento-do-caso.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pedido de desaforamento do j&uacute;ri feito pela defesa de Valentina<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>CARLOS ALBERTO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>De todos os acusados, a trajet&oacute;ria de Carlos Alberto nesse per&iacute;odo de 10 anos entre a pris&atilde;o e o julgamento &eacute; uma das mais dif&iacute;ceis de verificar. N&atilde;o h&aacute; nos autos nenhum alvar&aacute; de soltura dele. Uma poss&iacute;vel pista se encontra em uma mat&eacute;ria datada de 13 de setembro de 1995. A reportagem afirma que o ex-PM teria deixado a pris&atilde;o no mesmo per&iacute;odo que C&eacute;sio, An&iacute;sio e Amailton sa&iacute;ram por habeas corpus. Isso, por&eacute;m, n&atilde;o &eacute; confirmado no processo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1995-09-13-Jornal-a-Provincia-do-Para-sobre-soltura-dos-acusados-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do jornal A Prov&iacute;ncia Do Par&aacute; &ndash; &ldquo;Acusados de emascular crian&ccedil;as s&atilde;o liberados&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na senten&ccedil;a de pron&uacute;ncia de 14 de outubro de 1997, a desembargadora respons&aacute;vel afirmou que n&atilde;o decretaria a pris&atilde;o preventiva dos r&eacute;us. Ela deixou a decis&atilde;o de emitir ou n&atilde;o novos mandados para o juiz designado para o caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Nessa &eacute;poca, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a> j&aacute; n&atilde;o estava mais na lista dos r&eacute;us. Isso significava que apenas Amailton, C&eacute;sio, An&iacute;sio, A. Santos e Valentina iriam a j&uacute;ri popular. O ex-PM Aldenor jamais foi encontrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s a decis&atilde;o do juiz Malato de prender os acusados, em dezembro de 2000, o paradeiro de Carlos Alberto permaneceu desconhecido por um tempo. Uma not&iacute;cia de jornal anexada aos autos indica que ele foi encontrado no Pres&iacute;dio do Coqueiro, em Bel&eacute;m, onde estava preso por outros crimes: latroc&iacute;nio (roubo seguido de morte) e falsidade ideol&oacute;gica. Ele teria sido detido em outubro de 2001.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/Materia-Carlos-Alberto-ja-estava-preso-por-latrocinio-e-falsidade-ideologica-nao-ha-data-nem-nome-do-jornal-nos-autos.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria &ndash; &ldquo;PM envolvido nas emascula&ccedil;&otilde;es de Altamira quase era liberado&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Diferente dos demais acusados, que aguardaram o julgamento em liberdade, A. Santos foi o &uacute;nico que continuou detido, provavelmente devido a essas outras acusa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>C&Eacute;SIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 19 de novembro de 1999, em meio aos tr&acirc;mites judiciais, o m&eacute;dico <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/cesio-flavio-caldas-brandao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico reconhecido por Agostinho como suspeito na morte de Jaenes\" class=\"encyclopedia\">C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o<\/a> conseguiu ser ouvido em Bras&iacute;lia. Isso teria sido resultado de uma combina&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os. Por pertencer &agrave; Igreja Presbiteriana do estado do Esp&iacute;rito Santo, C&eacute;sio conhecia pastores que tinham contato com deputados da bancada evang&eacute;lica.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m disso, ele mesmo passou a pedir para falar a favor da sua inoc&ecirc;ncia depois que soube da realiza&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;ncia em 1996.<\/p>\n\n\n\n<p>Tr&ecirc;s anos depois, o m&eacute;dico finalmente discursou para a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da C&acirc;mara dos Deputados. Devido a problemas t&eacute;cnicos, a sess&atilde;o n&atilde;o foi gravada, mas o texto que C&eacute;sio leu est&aacute; anexado nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s listar uma s&eacute;rie de den&uacute;ncias contra as investiga&ccedil;&otilde;es da pol&iacute;cia, ele conclui:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Querem mostrar ao mundo que resolvem crimes, mas sem dizer que para isso condenam inocentes? O pr&oacute;prio padre <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/padre-bruno-sechi\/\" target=\"_self\" title=\"Forte lideran&ccedil;a religiosa em Bel&eacute;m do Par&aacute; na &eacute;poca dos crimes\" class=\"encyclopedia\">Bruno Sechi<\/a> j&aacute; havia declarado na imprensa que o processo &eacute; falho, mas, mesmo questionado sobre tal declara&ccedil;&atilde;o, continuou pressionando para que o processo continuasse do jeito que est&aacute;. Aguardo uma revis&atilde;o processual s&eacute;ria. Quem &eacute; que gostaria de ser acusado de crime que n&atilde;o cometeu, s&oacute; para que algu&eacute;m ganhe alguma vantagem nisso?<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1WL87kqQNdXw9QjGxnbBOyCbK37DPi8rX\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Texto do C&eacute;sio para a audi&ecirc;ncia p&uacute;blica de 1999<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A entrada da bancada evang&eacute;lica em cena torna o caso ainda mais complicado, sobretudo em rela&ccedil;&atilde;o aos fatores pol&iacute;ticos. De um lado, fam&iacute;lias de v&iacute;timas, amparadas por movimentos sociais historicamente de esquerda, exigem celeridade no processo. Do outro, C&eacute;sio &eacute; apoiado pelos deputados da bancada evang&eacute;lica, conhecidos pela atua&ccedil;&atilde;o na direita.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo isso em um caso confuso e mal montado, que ningu&eacute;m consegue entender direito at&eacute; os dias de hoje. Mesmo assim, houve julgamento. E essa etapa &eacute; assunto do pr&oacute;ximo epis&oacute;dio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Decis\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/596"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=596"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=596"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=596"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}