{"id":563,"date":"2022-07-14T00:01:00","date_gmt":"2022-07-14T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=563"},"modified":"2022-07-20T04:57:18","modified_gmt":"2022-07-20T07:57:18","slug":"extras-episodio-15","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-15\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 15"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>COMISS&Atilde;O DE DIREITOS HUMANOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 1996, sete anos ap&oacute;s os primeiros ataques contra os meninos, o sentimento de impunidade era grande entre as fam&iacute;lias das v&iacute;timas. Afinal, os suspeitos apontados pela pol&iacute;cia ainda n&atilde;o haviam sido julgados. A maioria, na verdade, chegou a ser solta por meio de habeas corpus impetrado no Supremo Tribunal Federal (STF).<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse contexto, o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a> se mobilizou para tentar ser ouvido pelas autoridades em Bras&iacute;lia. A l&iacute;der do movimento era <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosa-maria-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Jaenes da Silva Pessoa\" class=\"encyclopedia\">Rosa Maria Pessoa<\/a>, m&atilde;e de Jaenes, garoto assassinado em 1992.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de muitas idas e vindas ao Congresso, os familiares finalmente tiveram a chance de colocar os pol&iacute;ticos a par do que acontecia no Par&aacute;: em 15 de outubro de 1996, o Comit&ecirc; participou de uma audi&ecirc;ncia p&uacute;blica na Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da C&acirc;mara dos Deputados.<\/p>\n\n\n\n<p>A antrop&oacute;loga <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/paula-mendes-lacerda\/\" target=\"_self\" title=\"Antrop&oacute;loga e pesquisadora do caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Paula Mendes Lacerda<\/a> entrevistou Rosa para a produ&ccedil;&atilde;o da sua tese de doutorado sobre a mobiliza&ccedil;&atilde;o das fam&iacute;lias dos garotos. A m&atilde;e de Jaenes lhe contou que, como havia uma movimenta&ccedil;&atilde;o partid&aacute;ria significativa em Altamira na d&eacute;cada de 1990, era relativamente f&aacute;cil conseguir uma carona de &ocirc;nibus at&eacute; o Distrito Federal.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Por exemplo, ia haver uma manifesta&ccedil;&atilde;o de professores. A&iacute; eles pegavam carona com o &ocirc;nibus do PT, que levaria os manifestantes para l&aacute;. Ent&atilde;o, n&atilde;o foram frequentes, mas tamb&eacute;m n&atilde;o absolutamente excepcionais, os momentos em que a dona Rosa, acompanhada de outras m&atilde;es, ia at&eacute; Bras&iacute;lia tentar fazer alguma coisa&rdquo;, explicou a pesquisadora em entrevista ao podcast.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando chegavam l&aacute;, os integrantes do Comit&ecirc; percorriam os gabinetes de pol&iacute;ticos conhecidos ou que tinham alguma base na Transamaz&ocirc;nica. A ideia era conversar com eles sobre os crimes e sensibiliz&aacute;-los. Por isso, Rosa sempre andava com um &aacute;lbum de fotografias com imagens do caso, para mostr&aacute;-las quando tinha a oportunidade. Ela mesma, no entanto, nunca via as fotos.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi com esse trabalho que o Comit&ecirc; conseguiu que a audi&ecirc;ncia p&uacute;blica fosse marcada. A transcri&ccedil;&atilde;o inteira da sess&atilde;o est&aacute; anexada aos autos do processo. Entre os participantes, al&eacute;m de Rosa, estavam o padre <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/padre-bruno-sechi\/\" target=\"_self\" title=\"Forte lideran&ccedil;a religiosa em Bel&eacute;m do Par&aacute; na &eacute;poca dos crimes\" class=\"encyclopedia\">Bruno Sechi<\/a>, a promotora do Par&aacute; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/elaine-de-souza-nuayed\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que participou da terceira fase de ju&iacute;zo do caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Elaine de Souza Nuayed<\/a>, e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wanderlino-nogueira-neto\/\" target=\"_self\" title=\"Representante da UNICEF\" class=\"encyclopedia\">Wanderlino Nogueira Neto<\/a>, representante da <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/unicef\/\" target=\"_self\" title=\"&Oacute;rg&atilde;o internacional em defesa dos direitos das crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">UNICEF<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O presidente da Comiss&atilde;o na &eacute;poca era o deputado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/helio-bicudo\/\" target=\"_self\" title=\"Deputado que presidiu a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da C&acirc;mara em 1996\" class=\"encyclopedia\">H&eacute;lio Bicudo<\/a>, do PT de S&atilde;o Paulo. Ap&oacute;s uma breve introdu&ccedil;&atilde;o realizada por ele, foi a vez de Rosa falar. Finalmente ela p&ocirc;de compartilhar a sua hist&oacute;ria e de tantas outras m&atilde;es e familiares que sofriam com a falta de justi&ccedil;a.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos trechos mais impactantes do discurso da l&iacute;der do Comit&ecirc; foi quando ela apontou as diferen&ccedil;as de tratamento que sentia no andamento do processo:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Como os senhores podem ver, temos ali o nosso painel, onde temos duas fotografias de como foram encontradas nossas crian&ccedil;as. &Eacute; muito dif&iacute;cil sobrevivermos num pa&iacute;s como o nosso, onde a omiss&atilde;o est&aacute; de parab&eacute;ns, onde o nosso Brasil &eacute; o rei da omiss&atilde;o. Isso &eacute; muito triste para n&oacute;s que vivemos neste nosso pa&iacute;s, t&atilde;o rico, t&atilde;o falado, mas t&atilde;o omisso por parte de nossas autoridades. N&atilde;o sei se &eacute; porque n&oacute;s somos fam&iacute;lias pobres. Os acusados s&atilde;o de fam&iacute;lias ricas. Por a&iacute;, j&aacute; se tira que &eacute; dif&iacute;cil a nossa caminhada, porque temos bastantes espinhos por esse caminho. J&aacute; estiveram presos e j&aacute; foram soltos. O Supremo Tribunal Federal manteve a pris&atilde;o, e foi anulada uma parte do processo. O Estado passou por cima dessa ordem &ndash; j&aacute; sabemos. N&oacute;s, como m&atilde;es, comunidade, sabemos que n&atilde;o temos dinheiro. Eles t&ecirc;m dinheiro. Ent&atilde;o, est&atilde;o em liberdade, e n&oacute;s corremos grande risco de vida, tanto n&oacute;s quanto nossos filhos.<\/em><em><\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Paula Lacerda, a audi&ecirc;ncia foi um epis&oacute;dio muito importante para a hist&oacute;ria do Comit&ecirc;. &ldquo;Foi o momento em que a luta dos familiares das v&iacute;timas conseguiu penetrar um &oacute;rg&atilde;o de poder. Apesar dessas visitas [aos pol&iacute;ticos] n&atilde;o serem nada de outro mundo para eles, tamb&eacute;m n&atilde;o era acess&iacute;vel. Ent&atilde;o, ter estado naquele lugar e falado para uma plateia de deputados foi, sem d&uacute;vida, algo marcante na trajet&oacute;ria dessas pessoas&rdquo;, completa a pesquisadora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MEN&Ccedil;&Atilde;O &Agrave; POL&Iacute;CIA FEDERAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depois de Rosa, os outros convidados tamb&eacute;m discursaram. Entre eles, membros do Minist&eacute;rio P&uacute;blico que mencionam a atua&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal (PF) no caso e o relat&oacute;rio Monstro de Altamira, que n&atilde;o est&aacute; nos autos. Esses relatos indicam que nem mesmo eles tinham informa&ccedil;&otilde;es suficientes sobre o trabalho dos agentes federais.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira passagem citando a PF vem do discurso do procurador-geral da Justi&ccedil;a do Estado do Par&aacute; na &eacute;poca, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/manoel-santino-nascimento-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Procurador-geral da Justi&ccedil;a do Par&aacute; em 1996\" class=\"encyclopedia\">Manoel Santino Nascimento J&uacute;nior<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Imaginem os senhores que um relat&oacute;rio feito pela Pol&iacute;cia Federal, relat&oacute;rio que t&iacute;nhamos conhecimento apenas por notici&aacute;rio ou quando Promotor de Justi&ccedil;a nos dava conhecimento, demorou mais de ano para ser encaminhado ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Estado.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ora, se a Pol&iacute;cia Federal estava apenas colaborando nas investiga&ccedil;&otilde;es, mas o Estado do Par&aacute; n&atilde;o vive sob interven&ccedil;&atilde;o federal, n&atilde;o poderia a Pol&iacute;cia Federal agir de modo pr&oacute;prio, carreando prova para os autos. Teria que ter um interc&acirc;mbio com o Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Estado, o &uacute;nico capaz de levar essas provas e produzi-las no curso da instru&ccedil;&atilde;o processual para buscar a puni&ccedil;&atilde;o dos culpados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m disso, Santino afirma que o relat&oacute;rio da PF s&oacute; chegou em suas m&atilde;os dois meses antes da audi&ecirc;ncia &ndash; ou seja, em agosto de 1996. Uma poss&iacute;vel justificativa &eacute; apresentada logo em seguida pelo procurador da Rep&uacute;blica do Estado do Par&aacute;, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-augusto-torres-potiguar\/\" target=\"_self\" title=\"Procurador da Rep&uacute;blica do Estado do Par&aacute; em 1996\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Augusto Torres Potiguar<\/a>. Segundo ele, o documento demorou para ser entregue porque havia sido conclu&iacute;do h&aacute; pouco tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso, por&eacute;m, n&atilde;o faz sentido. De acordo com o pr&oacute;prio Comit&ecirc;, a opera&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal que levou &agrave;s pris&otilde;es dos acusados ocorreu entre maio e junho de 1993. Em uma reportagem da &eacute;poca produzida pelo programa Domingo 10, h&aacute; uma imagem do documento com a seguinte data: 24 de setembro de 1993. Tamb&eacute;m &eacute; poss&iacute;vel ver no papel a assinatura do agente <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-carlos-de-souza-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Policial federal que chefiou as investiga&ccedil;&otilde;es em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Carlos de Souza Machado<\/a>, intitulado &ldquo;Chefe de Equipe&rdquo;. Contudo, n&atilde;o existe nenhuma men&ccedil;&atilde;o ao delegado respons&aacute;vel, o que seria imprescind&iacute;vel em relat&oacute;rios como esse.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que, ent&atilde;o, o procurador do Par&aacute; dizia que o documento foi conclu&iacute;do por volta de agosto de 1996? Apesar da falta de uma resposta concreta para isso, algumas pistas surgiram ao longo da pesquisa para o podcast.<\/p>\n\n\n\n<p>Como mencionado nos &uacute;ltimos epis&oacute;dios, ap&oacute;s 1993, a PF atuou em Altamira em pelo menos outras duas ocasi&otilde;es: em dezembro de 1994, no caso da adolescente <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eudilene-pereira-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente que se diz testemunha de uma s&eacute;rie de crimes contra meninos\" class=\"encyclopedia\">Eudilene Pereira da Costa<\/a>; e em outubro de 1995, na investiga&ccedil;&atilde;o relacionada &agrave; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valdete-rodrigues-barroso\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que desapareceu ap&oacute;s passar informa&ccedil;&otilde;es para a PF\" class=\"encyclopedia\">Valdete Rodrigues Barroso<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, &eacute; prov&aacute;vel que em 1996 os agentes estivessem redigindo uma nova vers&atilde;o do relat&oacute;rio, a partir das informa&ccedil;&otilde;es atualizadas que coletaram. Essa suposi&ccedil;&atilde;o encontra fundamento em uma mat&eacute;ria do jornal O Globo de 10 de novembro de 1998. O jornalista respons&aacute;vel, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amaury-ribeiro-jr\/\" target=\"_self\" title=\"Jornalista que escreveu mat&eacute;ria sobre o relat&oacute;rio da PF em 1998\" class=\"encyclopedia\">Amaury Ribeiro Jr.<\/a>, diz ter tido acesso ao documento da PF e, por conta disso, traz detalhes que n&atilde;o est&atilde;o presentes nos autos:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Um relat&oacute;rio confidencial da PF, ao qual o GLOBO teve acesso, traz em suas 88 p&aacute;ginas testemunhos que tentam ajudar a esclarecer por que crimes praticados contra pelo menos 26 crian&ccedil;as, de 8 a 12 anos, em Altamira, entre 89 e 93, tornaram-se s&iacute;mbolo da impunidade. A PF investigou a hip&oacute;tese de as crian&ccedil;as terem sido v&iacute;timas de uma seita de magia negra com apoio de pol&iacute;ticos, m&eacute;dicos, advogados, e uma ju&iacute;za, policiais civis e militares e soldados e oficiais do ex&eacute;rcito. Apesar de o relat&oacute;rio n&atilde;o ser conclusivo sobre a motiva&ccedil;&atilde;o, denuncia a precariedade dos laudos e da investiga&ccedil;&atilde;o feita pela Pol&iacute;cia Civil, e sugere que uma a&ccedil;&atilde;o orquestrada para abafar o caso conseguiu fazer com que os acusados at&eacute; hoje n&atilde;o tenham sido julgados. Eles estariam sob o comando de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>, acusada de magia negra em Guaratuba.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>[&hellip;]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Constam do relat&oacute;rio da PF suspeitas contra pelo menos outras 20 pessoas que teriam tentado atrapalhar as investiga&ccedil;&otilde;es.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1998-11-10-Materia-do-Globo-que-cita-relatorio-da-PF-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do jornal O Globo &ndash; &ldquo;Impunidade e mist&eacute;rio nos crimes em Altamira&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A produ&ccedil;&atilde;o do Projeto Humanos entrou em contato com o jornalista Amaury Jr. para saber se ele possu&iacute;a uma c&oacute;pia do relat&oacute;rio ao qual teve acesso. Infelizmente, ele n&atilde;o tinha.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a reportagem, o documento datava de 18 de abril de 1996, o que difere da imagem que aparece no programa Domingo 10. Essa nova data se aproxima das citadas pelos procuradores do Par&aacute; na Comiss&atilde;o de Direitos Humanos em Bras&iacute;lia.<\/p>\n\n\n\n<p>A mat&eacute;ria do Globo &eacute; o m&aacute;ximo que existe de informa&ccedil;&otilde;es sobre o conte&uacute;do do relat&oacute;rio de 88 p&aacute;ginas da Pol&iacute;cia Federal. V&aacute;rios detalhes, como a suspeita em cima do fazendeiro <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/vantuil-estevao-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"Fazendeiro de Altamira e marido da ju&iacute;za Vera Ara&uacute;jo\" class=\"encyclopedia\">Vantuil Estev&atilde;o de Souza<\/a> ou a morte de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosa-souza-coelho\/\" target=\"_self\" title=\"Mulher encontrada morta em um igarap&eacute; em outubro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Rosa Souza Coelho<\/a>, batem com as hist&oacute;rias contadas pelas fam&iacute;lias das v&iacute;timas. S&atilde;o afirma&ccedil;&otilde;es encontradas no processo sempre na boca de outras pessoas, nunca de agentes da PF.<\/p>\n\n\n\n<p>Na mesma audi&ecirc;ncia em outubro de 1996, a promotora respons&aacute;vel pelo caso na &eacute;poca, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/elaine-de-souza-nuayed\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que participou da terceira fase de ju&iacute;zo do caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Elaine de Souza Nuayed<\/a>, d&aacute; uma declara&ccedil;&atilde;o interessante sobre a leitura do relat&oacute;rio:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Depois de ler, entendi por bem que n&atilde;o deve ser apensado, porque o relat&oacute;rio da Pol&iacute;cia Federal, para mim, n&atilde;o sei se para os senhores que j&aacute; leram, tamb&eacute;m o Dr. Potiguar, &eacute; uma pe&ccedil;a que coloca mais em d&uacute;vida a autoria ou as autorias do processo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber o que a promotora quis dizer com isso. Pode ser que ela entendia que o documento era fraco, n&atilde;o tinha muito fundamento. Ou que as investiga&ccedil;&otilde;es da PF jogavam suspeitas sobre muitas pessoas e tornavam o caso complexo demais.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, tudo indica que existiram ao menos dois relat&oacute;rios da Opera&ccedil;&atilde;o Monstro de Altamira: um de 1993 e outro de 1996. Nenhum deles est&aacute; presente nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra pista sobre o misterioso trabalho da Pol&iacute;cia Federal em Altamira foi levantada pelo ouvinte Matheus Stefanello. Ele enviou um e-mail para o Projeto Humanos citando um artigo da Revista do Instituto Interamericano de Direitos Humanos, edi&ccedil;&atilde;o n&uacute;mero 38, publicada em 2004. Ela pode ser acessada <a href=\"https:\/\/www.iidh.ed.cr\/iidh\/media\/1409\/revista-iidh38.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto, da pesquisadora M&aacute;rcia Can&aacute;rio de Oliveira Gomes, chama-se &ldquo;Tortura e Seguran&ccedil;a P&uacute;blica no Brasil&rdquo;. Segundo a biografia que a revista traz, a autora era graduada em Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais e atuava como assistente de investiga&ccedil;&atilde;o e supervis&atilde;o no SOS-Tortura, do Movimento Nacional de Direitos Humanos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um trecho da publica&ccedil;&atilde;o fala sobre o caso de Altamira e inclui uma cita&ccedil;&atilde;o direta do relat&oacute;rio da PF. A passagem menciona <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rotilio-francisco-do-rosario\/\" target=\"_self\" title=\"Morador de rua preso em 1992 como suspeito no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Rot&iacute;lio Francisco do Ros&aacute;rio<\/a>, suspeito preso no in&iacute;cio de 1992, quando <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/judirley-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em janeiro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Judirley da Cunha Chipaia<\/a> foi encontrado morto:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Na realidade, Rot&iacute;lio, com a complac&ecirc;ncia do Judici&aacute;rio e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, foi torturado at&eacute; a morte. A Pol&iacute;cia tinha conhecimento de que era inocente, pois Rot&iacute;lio com certeza n&atilde;o tinha o dom da onipresen&ccedil;a, n&atilde;o poderia estar em dois lugares ao mesmo tempo. Era inocente!&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Com a interrup&ccedil;&atilde;o das investiga&ccedil;&otilde;es da morte de Judirley, importantes pistas deixaram de ser seguidas, proporcionando um tempo para os criminosos deixarem a poeira baixar e retomarem a sanha em 1&ordm; de outubro de 1992, com a morte de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a>.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esse pequeno trecho &eacute; o &uacute;nico resqu&iacute;cio, at&eacute; o momento, de uma cita&ccedil;&atilde;o direta do documento da PF. Aqui, duas coisas chamam a aten&ccedil;&atilde;o:<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; Os agentes foram bastante enf&aacute;ticos em dizer que Rot&iacute;lio havia sido v&iacute;tima de tortura, com a complac&ecirc;ncia de ju&iacute;zes e promotores de Altamira. &Eacute; uma acusa&ccedil;&atilde;o grave, que n&atilde;o aparece em lugar nenhum do processo. A causa oficial da morte do suspeito havia sido cirrose, mas essa explica&ccedil;&atilde;o nunca foi aceita por ningu&eacute;m.<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; O segundo fator interessante &eacute; como o relat&oacute;rio &eacute; creditado. A autora diz que ele data de 1995, o que sugere uma outra vers&atilde;o do documento, al&eacute;m dos j&aacute; citados.<\/p>\n\n\n\n<p>A produ&ccedil;&atilde;o procurou a pesquisadora M&aacute;rcia Can&aacute;rio, mas ela informou que n&atilde;o possui o relat&oacute;rio. Vale lembrar que o texto publicado na revista j&aacute; tem quase 20 anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por meses Ivan Mizanzuk esteve em contato com o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a e com a Superintend&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Federal do Par&aacute;. Apesar do esfor&ccedil;o, ningu&eacute;m conseguiu ajud&aacute;-lo a localizar o documento. A explica&ccedil;&atilde;o que mais ouvia era a de que muito provavelmente o relat&oacute;rio havia se perdido para sempre.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele tamb&eacute;m tentou obter respostas via Lei de Acesso &agrave; Informa&ccedil;&atilde;o. Em retorno, recebeu a seguinte mensagem: &ldquo;em decorr&ecirc;ncia do tempo passado, n&atilde;o h&aacute; nada nos arquivos&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; o Departamento da Pol&iacute;cia Federal em Bras&iacute;lia respondeu de forma mais completa:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Prezado,<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Informa-se que o atual sistema da pol&iacute;cia federal n&atilde;o possui ferramenta que permite extrair informa&ccedil;&otilde;es contidas em documentos no per&iacute;odo de 1989-1996.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Destaca-se ainda que para eventual identifica&ccedil;&atilde;o desta demanda, seria necess&aacute;ria a an&aacute;lise f&iacute;sica de milhares de documentos em diversos arquivos em diversas unidades da PF para identificar a informa&ccedil;&atilde;o nos termos solicitados, o que demandaria trabalhos adicionais de an&aacute;lise, interpreta&ccedil;&atilde;o e consolida&ccedil;&atilde;o de dados e informa&ccedil;&otilde;es.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Seria necess&aacute;rio analisar ainda a eventual exist&ecirc;ncia de arquivos f&iacute;sicos relacionados ao pedido,&nbsp;nas unidades da federa&ccedil;&atilde;o envolvidas, um a um, a fim de identificar parte da informa&ccedil;&atilde;o solicitada e fazer o seu tratamento para responder a solicita&ccedil;&atilde;o, e ainda, assim, sem o detalhamento por ele pedido; e mesmo com a ado&ccedil;&atilde;o dessa provid&ecirc;ncia, a informa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o seria fidedigna, haja vista que certamente h&aacute; documentos que n&atilde;o est&atilde;o mais na PF, n&atilde;o havendo como consult&aacute;-los.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>[&hellip;] <em>Os esfor&ccedil;os que seriam realizados para tentativa de atendimento deste pedido esbarrariam no interesse p&uacute;blico do Estado em prol da sociedade: v&aacute;rios servidores deixariam de atuar em prol da sociedade, retardando demandas de interesse coletivo e gastando recursos da administra&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica para a satisfa&ccedil;&atilde;o no interesse de document&aacute;rio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Portanto, o sistema informatizado da pol&iacute;cia federal n&atilde;o possui ferramenta que permite extrair informa&ccedil;&otilde;es contidas no citado per&iacute;odo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>O Projeto Humanos tamb&eacute;m buscou o aux&iacute;lio da Superintend&ecirc;ncia da Pol&iacute;cia Federal do Par&aacute;. Ap&oacute;s meses de procura, o retorno oficial dizia o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>A Pol&iacute;cia Federal informa que os procedimentos existentes na &eacute;poca eram todos f&iacute;sicos (em papel), juntados manualmente aos autos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>N&atilde;o havia a digitaliza&ccedil;&atilde;o de documentos, o que prejudica sobremaneira qualquer coment&aacute;rio sobre situa&ccedil;&otilde;es da &eacute;poca.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A aus&ecirc;ncia de documentos que descrevam o trabalho da PF em Altamira &eacute; angustiante. Os familiares das v&iacute;timas d&atilde;o o cr&eacute;dito da resolu&ccedil;&atilde;o do caso para os agentes federais, sob a alega&ccedil;&atilde;o de que eles foram os &uacute;nicos que os ouviram de verdade. Aparentemente, a investiga&ccedil;&atilde;o do delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> teve como objetivo apenas validar o que a Pol&iacute;cia Federal fez.<\/p>\n\n\n\n<p>H&aacute;, inclusive, atritos pol&iacute;ticos entre os envolvidos. Os movimentos sociais de Altamira que lutavam por justi&ccedil;a s&atilde;o historicamente ligados a partidos de esquerda. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, por outro lado, hoje &eacute; um not&oacute;rio pol&iacute;tico de direita, antigo apoiador do presidente Jair Bolsonaro. Nessa mesma linha, pode-se citar tamb&eacute;m <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/frederick-wassef\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado que atuou na defesa de Valentina\" class=\"encyclopedia\">Frederick Wassef<\/a>, que na &eacute;poca era advogado de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/14-W28N-3TDCxq4dmzvoh4hQ3YR7leRu1\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Transcri&ccedil;&atilde;o da audi&ecirc;ncia na Comiss&atilde;o de Direitos Humanos em 1996<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>AS IDEIAS DE VALENTINA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 22 de outubro de 1996, &uacute;ltimo dia das audi&ecirc;ncias conduzidas pelo juiz <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/paulo-roberto-ferreira-vieira\/\" target=\"_self\" title=\"Juiz de Altamira designado para o caso ap&oacute;s decis&atilde;o do STF\" class=\"encyclopedia\">Paulo Roberto Ferreira Vieira<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> aparece em Altamira para prestar depoimento. J&aacute; haviam se passado mais de tr&ecirc;s anos desde que ela tinha sido citada pela primeira vez no caso. Por isso, o momento era de grande expectativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi&atilde;o, o que se sabia sobre a l&iacute;der do Lineamento Universal Superior (LUS) era o seguinte: ela havia sido ligada aos crimes no Par&aacute; por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/edmilson-da-silva-frazao\/\" target=\"_self\" title='Testemunha que diz ter participado de uma \"missa negra\" na ch&aacute;cara de An&iacute;sio' class=\"encyclopedia\">Edmilson da Silva Fraz&atilde;o<\/a>, atrav&eacute;s do relato sobre o culto na ch&aacute;cara de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/anisio-ferreira-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico acusado no caso dos meninos emasculados\" class=\"encyclopedia\">An&iacute;sio Ferreira de Souza<\/a>. Al&eacute;m disso, era de conhecimento geral que ela chegou a ser suspeita em casos de morte e desaparecimento de crian&ccedil;as no Paran&aacute; em 1992. Essas eram as informa&ccedil;&otilde;es que os envolvidos no processo dos emasculados e a imprensa da &eacute;poca possu&iacute;am.<\/p>\n\n\n\n<p>Como explicado anteriormente, a primeira vez que a acusada aparece nas investiga&ccedil;&otilde;es de Altamira &eacute; no interrogat&oacute;rio de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/cesio-flavio-caldas-brandao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico reconhecido por Agostinho como suspeito na morte de Jaenes\" class=\"encyclopedia\">C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o<\/a> em 12 de julho de 1993. Na &eacute;poca, o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> perguntou ao m&eacute;dico se ele conhecia Valentina, ao que ele respondeu negativamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Quatro dias depois, Edmilson Fraz&atilde;o prestou depoimento para o investigador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jefferson-jose-gualberto-neves\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado que tomou o primeiro depoimento oficial de Edmilson Fraz&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Jefferson Jos&eacute; Gualberto Neves<\/a>. Em certo ponto, a testemunha trouxe &agrave; tona o tal ritual na ch&aacute;cara, que seria liderado por uma mulher de sotaque paranaense. Na &eacute;poca, a l&iacute;der do LUS morava em Londrina, considerada a segunda maior cidade do Paran&aacute;, atr&aacute;s apenas da capital, Curitiba.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 28 de julho, Edmilson repetiu o relato diante de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> e reconheceu Valentina por meio de uma reportagem da revista Veja. A mat&eacute;ria, datada de um ano antes, falava sobre os casos de Guaratuba.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-16-Edmilson-Frazao-para-delegado-Jefferson-Jose-Gualberto-Neves-1-1.pdf\" target=\"_blank\">Primeiro depoimento de Edmilson da Silva Fraz&atilde;o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-16-Edmilson-Frazao-para-delegado-Jefferson-Jose-Gualberto-Neves-transcrito-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Transcri&ccedil;&atilde;o do primeiro depoimento de Edmilson<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-28-Edmilson-Frazao-1.pdf\" target=\"_blank\">Segundo depoimento de Edmilson<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1994-05-17-Depoimento-em-Juizo-Edmilson-da-Silva-Frazao-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Terceiro depoimento de Edmilson<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Tamb&eacute;m em 28 de julho, uma pessoa importante na vida de Valentina prestou depoimento: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/duilio-nolasco-pereira\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de Valentina entre 1953 e 1973\" class=\"encyclopedia\">Du&iacute;lio Nolasco Pereira<\/a>, de 61 anos, marido da acusada entre 1953 e 1973. Ele se mudou sozinho para Altamira no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1970 e, tr&ecirc;s anos depois, o casal acabou se separando.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Du&iacute;lio, antes do fim da rela&ccedil;&atilde;o, Valentina chegou a visit&aacute;-lo na cidade em tr&ecirc;s ocasi&otilde;es. A &uacute;ltima vez que a viu, no entanto, havia sido em 1987, quando ela apareceu em Altamira com um novo marido, um argentino chamado Roberto. Eles estavam acompanhados de um grupo de pessoas que seguia Valentina e parecia vener&aacute;-la como uma l&iacute;der. Isso chamou a aten&ccedil;&atilde;o de Du&iacute;lio, que parecia n&atilde;o reconhecer mais a mulher com quem conviveu por tanto tempo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1993-07-28-Duilio-Nolasco-Pereira-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Du&iacute;lio Nolasco Pereira<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Cinco anos depois dessa visita, j&aacute; com outro companheiro, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-alfredo-teruggi\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de&nbsp;Valentina de Andrade em 1992\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Alfredo Teruggi<\/a>, Valentina foi considerada suspeita em Guaratuba. Como consequ&ecirc;ncia, acabou retratada na mat&eacute;ria da revista Veja, que &eacute; bastante explorada no epis&oacute;dio 35 do Caso Evandro. Ou&ccedil;a <a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/o-caso-evandro\/35-lus\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, a reportagem cita um v&iacute;deo caseiro em que a acusada aparece abra&ccedil;ada com Teruggi. Incorporado por uma entidade, ele fala uma frase que seria bastante repercutida pela m&iacute;dia. Segundo a interpreta&ccedil;&atilde;o da Veja, o argentino teria dito: &ldquo;mate a criancinha que eu te pedi. Ela &eacute; a riqueza energ&eacute;tica&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa, entretanto, &eacute; uma tradu&ccedil;&atilde;o equivocada. Uma transcri&ccedil;&atilde;o completa do di&aacute;logo do v&iacute;deo, com per&iacute;cia, foi conclu&iacute;da em 28 de setembro de 1992 &ndash; ou seja, dois meses ap&oacute;s a reportagem da Veja.<\/p>\n\n\n\n<p>O laudo completo tem mais de 100 p&aacute;ginas e boa parte da conversa &eacute; de dif&iacute;cil compreens&atilde;o, pois est&aacute; ligada &agrave; doutrina e ao contexto de vida de Valentina. O trecho citado na mat&eacute;ria est&aacute; na p&aacute;gina 18 da transcri&ccedil;&atilde;o completa. Segundo a tradu&ccedil;&atilde;o juramentada, a frase correta &eacute;: &ldquo;mas tem criancinhas que s&atilde;o experientes. &Eacute; a riqueza energ&eacute;tica&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/Pericia-e-transcricao-fita-VHS-LUS-caso-Bossi.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Transcri&ccedil;&atilde;o completa do v&iacute;deo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A fala real, por&eacute;m, n&atilde;o est&aacute; na reportagem da Veja. Tudo o que os policiais e promotores do Par&aacute; sabem, ent&atilde;o, &eacute; que Teruggi havia dito algo sobre matar crian&ccedil;as.<\/p>\n\n\n\n<p>A publica&ccedil;&atilde;o da revista tamb&eacute;m menciona outras informa&ccedil;&otilde;es que circulavam sobre Valentina na &eacute;poca. Uma delas &eacute; a busca e apreens&atilde;o na casa da acusada, realizada em 15 de julho de 1992:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Na casa de Valentina e Teruggi em Londrina foram encontradas centenas de cartas enviadas por supostos adeptos, dois exemplares do livro &ldquo;Deus, a Grande Farsa&rdquo;, escrito por Valentina, o di&aacute;rio dela, fitas de v&iacute;deo e uma s&eacute;rie de desenhos grotescos, com cabe&ccedil;as soltas, e s&iacute;mbolos do ocultismo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Na mat&eacute;ria, h&aacute; a foto de duas pessoas com robes pretos e vermelhos, com capuzes sem buracos para os olhos. A legenda diz:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Policiais vestem os camisol&otilde;es encontrados entre os pertences de Valentina e Teruggi. Pistas surpreendentes<\/em><em>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os desenhos considerados &ldquo;grotescos&rdquo; pela reportagem seriam, na verdade, estudos de capas para o livro &ldquo;Deus, a Grande Farsa&rdquo;, escrito por Valentina. A obra conta com uma vers&atilde;o original, que foi anexada aos autos, e outra revisada &ndash; feita anos depois, sem o trecho usado pela acusa&ccedil;&atilde;o para sustentar a hip&oacute;tese de seita que matava crian&ccedil;as.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa passagem espec&iacute;fica &eacute; citada na reportagem da Veja:<\/p>\n\n\n\n<p><em>&ldquo;Tenham cuidado com as crian&ccedil;as. Elas s&atilde;o um instrumento inconsciente da grande farsa denominada Deus, e seus nefastos colaborados&rdquo;, recita na p&aacute;gina 129 do livro &ldquo;Deus, a Grande Farsa&rdquo;, uma rocambolesca mistura dos princ&iacute;pios da seita com a autobiografia da autora.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/Revista-Veja-29-de-Julho-de-1992-numero-1245-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria da revista Veja sobre Valentina <\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ivan Mizanzuk leu as duas vers&otilde;es do livro de Valentina e chegou a comentar sobre isso no epis&oacute;dio 35 do Caso Evandro. Ele reitera que n&atilde;o h&aacute; nada no texto que incite as pessoas a cometerem crimes.<\/p>\n\n\n\n<p>As ideias de Valentina s&atilde;o dif&iacute;ceis de serem entendidas, n&atilde;o h&aacute; uma sistematiza&ccedil;&atilde;o clara dos conceitos. Ela mesma sempre afirmou que era semianalfabeta, que n&atilde;o teve educa&ccedil;&atilde;o formal e foi autodidata em tudo o que fez na vida.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro, a autora afirma que existem entidades mais evolu&iacute;das, as &ldquo;individualidades c&oacute;smicas&rdquo;, que estariam interessadas em ajudar a humanidade a se desenvolver. Valentina teria, ent&atilde;o, conseguido contatar esses seres atrav&eacute;s de m&eacute;diuns. Os intermedi&aacute;rios, que faziam as incorpora&ccedil;&otilde;es, eram justamente os seus maridos: os argentinos <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/roberto-olivera\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de Valentina entre 1970 e 1980\" class=\"encyclopedia\">Roberto Olivera<\/a> &ndash; entre as d&eacute;cadas de 1970 e 1980 &ndash; e Jos&eacute; Teruggi &ndash; entre 1980 e 1990.<\/p>\n\n\n\n<p>Os conhecimentos repassados pelas entidades eram &ldquo;As Verdades&rdquo; e, entre as individualidades, a mais poderosa e de intelig&ecirc;ncia superior chamava-se &ldquo;Zuita&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a parte que fala sobre &ldquo;tomar cuidado com as crian&ccedil;as&rdquo; est&aacute; ligada &agrave; vis&atilde;o pessimista do misticismo demonstrada pela autora. Para ela, tudo no mundo seria perigoso e, por isso, os menores estariam mais suscet&iacute;veis &agrave;s influ&ecirc;ncias de energias nefastas. Assim, n&atilde;o &eacute; que se deve tem&ecirc;-los, mas sim tomar conta deles, para que n&atilde;o se tornem um instrumento para o mal.<\/p>\n\n\n\n<p>O livro &ldquo;Deus, a Grande Farsa&rdquo; foi lan&ccedil;ado entre 1985 e 1986. Mas, antes disso, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/roberto-olivera\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de Valentina entre 1970 e 1980\" class=\"encyclopedia\">Roberto Olivera<\/a> j&aacute; havia publicado uma obra com os ensinamentos que o casal recebia das entidades, com o nome &ldquo;O Universo de Zuita&rdquo;. As ideias s&atilde;o basicamente as mesmas de Valentina, por&eacute;m bem melhor explicadas e sistematizadas. Fica evidente que Olivera tinha maior erudi&ccedil;&atilde;o e dom&iacute;nio da escrita.<\/p>\n\n\n\n<p>Em &ldquo;O Universo de Zuita&rdquo;, Valentina aparece como respons&aacute;vel pela tradu&ccedil;&atilde;o, adapta&ccedil;&atilde;o e coordena&ccedil;&atilde;o da obra. Em algumas passagens, ela &eacute; creditada por transcrever as mensagens que o marido recebia enquanto estava incorporado.<\/p>\n\n\n\n<p>A publica&ccedil;&atilde;o dos livros e o jeito com que Valentina era reverenciada pode indicar uma disputa pela autoria das ideias que o casal desenvolveu na d&eacute;cada de 1980. Ap&oacute;s a separa&ccedil;&atilde;o, a autora de &ldquo;Deus, a Grande Farsa&rdquo; casou-se com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-alfredo-teruggi\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de&nbsp;Valentina de Andrade em 1992\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Alfredo Teruggi<\/a>, que nunca escreveu um livro. Ela era vista, agora, como a &uacute;nica l&iacute;der do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas informa&ccedil;&otilde;es sobre as ideias do LUS e a vida de Valentina s&atilde;o fruto de anos de pesquisa de Ivan Mizanzuk. Portanto, &eacute; poss&iacute;vel afirmar que a Pol&iacute;cia Federal e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Par&aacute; n&atilde;o tinham conhecimento de nada disso na &eacute;poca.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo o que as autoridades sabiam era o que tinha sido retratado na revista Veja: a l&iacute;der de uma seita maluca escreveu um livro que dizia para as pessoas &ldquo;tomarem cuidado com as crian&ccedil;as&rdquo;. Al&eacute;m disso, ela tinha at&eacute; gravado um v&iacute;deo com o marido &ldquo;ordenando&rdquo; a morte de menores. A reportagem tem uma s&eacute;rie de erros, que s&atilde;o analisados extensamente no j&aacute; mencionado epis&oacute;dio 35.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MATERIAL APREENDIDO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nesses anos de pesquisa, desde o caso Evandro, Ivan Mizanzuk tentou v&aacute;rias vezes localizar os materiais apreendidos na casa de Valentina em julho de 1992. O advogado dela na &eacute;poca, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/arnaldo-faivro-busato-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de Valentina na &eacute;poca do caso Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Arnaldo Faivro Busato Filho<\/a>, lhe garantiu que nenhum desses objetos jamais retornou para a resid&ecirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, supostamente, eles deveriam estar nos autos do caso Evandro ou de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>. Com a ajuda do advogado Guilherme Lucchesi, Ivan fez buscas nas comarcas de Curitiba e Guaratuba, em delegacias e f&oacute;runs, mas sem sucesso. A resposta que recebeu era de que o material havia sido perdido.<\/p>\n\n\n\n<p>Em certo momento, por&eacute;m, uma pista apareceu nos autos: o advogado de defesa <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-figueiredo-basto\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado que representou os acusados no caso Evandro\" class=\"encyclopedia\">Antonio Figueiredo Basto<\/a> havia elaborado of&iacute;cios pedindo para analisar os objetos apreendidos em Londrina, mas nunca conseguiu v&ecirc;-los. Como ele entrou no caso em 1994, tudo indica que o sumi&ccedil;o dessas evid&ecirc;ncias aconteceu em um per&iacute;odo de dois anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo ficou ainda mais estranho quando Ivan ouviu de algumas pessoas que quem conduziu a busca e apreens&atilde;o na casa de Valentina teria sido a Pol&iacute;cia Federal. Mas isso n&atilde;o &eacute; verdade. No inqu&eacute;rito de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> h&aacute; o auto que descreve o procedimento, feito pela Pol&iacute;cia Civil. Al&eacute;m disso, at&eacute; mesmo na foto das pessoas encapuzadas publicada na Veja, &eacute; poss&iacute;vel ver nitidamente o bras&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o ao fundo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por que, ent&atilde;o, envolvidos no processo de Altamira achavam que isso tinha sido trabalho da PF? Por que o material apreendido n&atilde;o estava em Guaratuba, comarca do caso <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>?<\/p>\n\n\n\n<p>Uma poss&iacute;vel resposta aparece no caso dos emasculados. Nos autos, encontra-se um of&iacute;cio da ju&iacute;za <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/elisabete-pereira-de-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Ju&iacute;za designada para atuar em Altamira em julho de 1993\" class=\"encyclopedia\">Elisabete Pereira de Lima<\/a> datado de 16 de setembro de 1993. O documento &eacute; dirigido ao ent&atilde;o superintendente da Pol&iacute;cia Federal no Par&aacute;, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/fabio-caetano-2\/\" target=\"_self\" title=\"Superintendente da Pol&iacute;cia Federal no Par&aacute; na d&eacute;cada de 1990\" class=\"encyclopedia\">F&aacute;bio Caetano<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Considerando os autos da refer&ecirc;ncia, vimos pelo presente requisitar a esta Superintend&ecirc;ncia todos os procedimentos investigat&oacute;rios, dados, vestes etc. que por ventura se encontrem em poder dessa Pol&iacute;cia Federal, relativos aos autos acima enunciados.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A palavra que se destaca nesse of&iacute;cio &eacute; &ldquo;vestes&rdquo;, que parece se referir justamente aos robes apreendidos durante a investiga&ccedil;&atilde;o do caso <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> em 1992.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1993-09-16-Juiza-Elisabete-pede-para-PF-que-entregue-materiais-apreendidos.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Of&iacute;cio da ju&iacute;za Elisabete pedindo os materiais apreendidos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m da solicita&ccedil;&atilde;o &agrave; Superintend&ecirc;ncia da PF, a ju&iacute;za tamb&eacute;m pediu que o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> anexasse aos autos v&aacute;rios itens &ndash; entre eles, o livro &ldquo;Deus, a Grande Farsa&rdquo;. Em resposta, o investigador informou &agrave; magistrada que a obra estava, na realidade, com a PF.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1993-09-X-sem-dia-na-data-Juiza-Elisabete-pede-ao-delegado-Eder-Mauro-que-anexe-copia-do-livro-Deus-A-Grande-Farsa-aos-autos.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Of&iacute;cio da ju&iacute;za ao delegado &Eacute;der Mauro<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1993-09-21-Delegado-Eder-Mauro-informa-que-o-livro-Deus-a-Grande-Farsa-esta-com-a-PF.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Of&iacute;cio de &Eacute;der Mauro<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A partir desses pedidos da ju&iacute;za, o cen&aacute;rio que se forma &eacute; o seguinte: a Pol&iacute;cia Civil do Paran&aacute; realizou a busca e apreens&atilde;o na casa de Valentina em Londrina e enviou o material &agrave; Guaratuba.<\/p>\n\n\n\n<p>Em maio e junho de 1993, a Pol&iacute;cia Federal esteve em Altamira para investigar os crimes contra meninos e chegou ao nome de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> como suspeita. Tr&ecirc;s meses depois, h&aacute; o of&iacute;cio da ju&iacute;za que sugere que as vestes e outros objetos importantes para o caso estavam em posse da PF no Par&aacute;.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema &eacute; que n&atilde;o h&aacute; nada no inqu&eacute;rito de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> que mencione a transfer&ecirc;ncia dos materiais. Alguns dizem, por exemplo, que agentes da PF do Par&aacute; viajaram at&eacute; Guaratuba para pegar os objetos. Outros afirmam que eles entraram em contato com policiais do Paran&aacute; e pediram que os itens fossem enviados. H&aacute; ainda quem fale que o pr&oacute;prio grupo &Aacute;guia da Pol&iacute;cia Militar garantiu o deslocamento das evid&ecirc;ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas s&atilde;o especula&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o puderam ser comprovadas. Os &uacute;nicos capazes de dar uma explica&ccedil;&atilde;o s&atilde;o os agentes da PF envolvidos, mas eles se recusaram a dar entrevista.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato &eacute; que os objetos retirados da resid&ecirc;ncia de Valentina em 1992 sumiram e parte dele est&aacute; atualmente no Par&aacute;, sem nenhum registro oficial da transfer&ecirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>A L&Iacute;DER DO LUS &Eacute; OUVIDA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Toda essa explica&ccedil;&atilde;o &eacute; importante porque, no momento em que a l&iacute;der do LUS finalmente presta depoimento, tudo o que se sabe sobre ela &eacute; bastante superficial. Uma passagem da decis&atilde;o de pron&uacute;ncia do juiz Orlando Arrifano, de 20 de junho de 1994, mostra isso:<\/p>\n\n\n\n<p><em>[Valentina] foi reconhecida pela testemunha <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/edmilson-da-silva-frazao\/\" target=\"_self\" title='Testemunha que diz ter participado de uma \"missa negra\" na ch&aacute;cara de An&iacute;sio' class=\"encyclopedia\">EDMILSON DA SILVA FRAZ&Atilde;O<\/a> como uma das participantes de um culto ocorrido na ch&aacute;cara do denunciado AN&Iacute;SIO. Consta que j&aacute; esteve envolvida em processo de mesma natureza no Estado do Paran&aacute;, e at&eacute; o presente momento, embora alegado, n&atilde;o ficou definitivamente comprovado a sua exclus&atilde;o do processo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1994-06-20-Decisao-de-Pronuncia-do-juiz-Arrifano-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Decis&atilde;o de pron&uacute;ncia do juiz Arrifano<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Diante deste contexto, em 22 de outubro de 1996, aos 65 anos de idade, Valentina foi interrogada pelo juiz <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/paulo-roberto-ferreira-vieira\/\" target=\"_self\" title=\"Juiz de Altamira designado para o caso ap&oacute;s decis&atilde;o do STF\" class=\"encyclopedia\">Paulo Roberto Ferreira Vieira<\/a>. Ao magistrado, a l&iacute;der do LUS negou todas as acusa&ccedil;&otilde;es e disse n&atilde;o conhecer nenhum dos outros acusados. <\/p>\n\n\n\n<p>Sobre as idas e vindas ao Par&aacute;, ela explicou que era casada com Du&iacute;lio desde 1954 quando, na d&eacute;cada de 1970, ele decidiu se mudar para Altamira. Ela permaneceu em Londrina, onde ambos moravam, e passou a se comunicar com o esposo por cartas.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, Du&iacute;lio trabalhava na constru&ccedil;&atilde;o de um hotel e de um posto de gasolina na cidade. Por volta de 1972, quando as obras foram conclu&iacute;das, Valentina visitou o marido pela primeira vez. Na ocasi&atilde;o, ela passou alguns dias no munic&iacute;pio, hospedada no hotel. Desde ent&atilde;o, continuou a viajar para Altamira de vez em quando, at&eacute; se separar de Du&iacute;lio no final de 1973.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s o div&oacute;rcio, Valentina se relacionou com um argentino chamado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/roberto-olivera\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de Valentina entre 1970 e 1980\" class=\"encyclopedia\">Roberto Olivera<\/a>, que havia sido apresentado a ela pelo pr&oacute;prio Du&iacute;lio. De acordo com a l&iacute;der do LUS, ela decidiu retornar &agrave; cidade anos depois porque queria resolver &ldquo;algumas sequelas&rdquo; da separa&ccedil;&atilde;o. Na &eacute;poca, passou dois dias em Altamira, novamente hospedada no hotel do ex-marido. Tudo teria ocorrido bem e, na volta, Du&iacute;lio chegou a acompanh&aacute;-la at&eacute; o aeroporto.<\/p>\n\n\n\n<p>As informa&ccedil;&otilde;es repassadas por Valentina parecem confrontar o depoimento do ex-esposo. Du&iacute;lio nunca mencionou ter apresentado a ex a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/roberto-olivera\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de Valentina entre 1970 e 1980\" class=\"encyclopedia\">Roberto Olivera<\/a>, tampouco comentou que a levou para o aeroporto. Pelo contr&aacute;rio, afirmou que ela nem teria se despedido dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m da fase de inqu&eacute;rito, o ex-companheiro de Valentina tamb&eacute;m foi ouvido em ju&iacute;zo. Entre outras coisas, ele disse que a ex-esposa era cat&oacute;lica no per&iacute;odo em que foram casados e que ficou surpreso ao saber sobre o livro que ela havia escrito. Por fim, salientou que a &uacute;ltima visita dela &agrave; Altamira teria sido em 1986 ou 1987 e afirmou n&atilde;o acreditar no envolvimento de Valentina no caso dos emasculados.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1993-11-30-Depoimento-em-Juizo-Duilio-Nolasco-Pereira-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Du&iacute;lio em ju&iacute;zo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A data mencionada por Du&iacute;lio bate com o depoimento de Valentina ao juiz Vieira. Segundo ela, a &uacute;ltima viagem que fez &agrave; Altamira foi, de fato, no ano de 1986. Na &eacute;poca, a l&iacute;der do LUS estava acompanhada do marido, do filho, que ainda era uma crian&ccedil;a, e de outros amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>A acusada disse que o grupo se reunia para discutir filosofia, religi&atilde;o e quest&otilde;es sobre o universo. A vida que essas pessoas levavam tinha como mote n&atilde;o fazer mal a ningu&eacute;m e evitar comportamentos que fugissem &agrave; dignidade. Al&eacute;m disso, Valentina reiterou que n&atilde;o tinha como objetivo o ac&uacute;mulo de riquezas e negou a pr&aacute;tica de qualquer tipo de viol&ecirc;ncia por parte do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Afirmou, ainda, que as vestes encontradas na casa dela estavam intactas e jamais haviam sido utilizadas. Elas pertenciam a um grupo de teatro da Argentina, que apresentavam pe&ccedil;as sobre temas infantis e da vida como um todo, como o combate entre o bem e o mal. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Valentina salientou tamb&eacute;m que o livro &ldquo;Deus, a Grande Farsa&rdquo; n&atilde;o tratava de &ldquo;magia negra&rdquo;, mas sim de respostas para quest&otilde;es debatidas pela humanidade. Negou conhecer Edmilson Fraz&atilde;o e ter participado do culto na ch&aacute;cara descrito por ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o ao caso de Guaratuba, a interroganda disse que tudo n&atilde;o passou de uma grande farsa e que ela jamais foi acusada ou processada. Por conta dessas suspeitas, a vida dela se transformou. Foi chamada de bruxa, o seu filho ficou doente, e a sua casa chegou a ser alvo de tiros.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1996-10-22-Interrogatorio-Valentina-de-Andrade-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Valentina de Andrade<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Com o interrogat&oacute;rio de Valentina, chegava ao fim a terceira fase de ju&iacute;zo do processo. O pr&oacute;ximo passo dependia, agora, da decis&atilde;o do juiz <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/paulo-roberto-ferreira-vieira\/\" target=\"_self\" title=\"Juiz de Altamira designado para o caso ap&oacute;s decis&atilde;o do STF\" class=\"encyclopedia\">Paulo Roberto Ferreira Vieira<\/a>: os acusados deveriam ou n&atilde;o ir a julgamento no Tribunal do J&uacute;ri?<\/p>\n\n\n\n<p>Em 29 de outubro de 1996, a promotora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/elaine-de-souza-nuayed\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que participou da terceira fase de ju&iacute;zo do caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Elaine de Souza Nuayed<\/a> pediu a pron&uacute;ncia de todos os r&eacute;us &ndash; inclusive de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a>, que j&aacute; deveria estar fora do processo por decis&atilde;o do Tribunal de Justi&ccedil;a do Par&aacute;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1996-10-29-Alegacoes-Finais-MP-pede-pronuncia-dos-sete-3.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pedido de pron&uacute;ncia da promotora Elaine Nuayed<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para a fam&iacute;lia das v&iacute;timas, esse pedido j&aacute; representava um avan&ccedil;o no processo. Alguns dias depois, em 04 de novembro, a assist&ecirc;ncia de acusa&ccedil;&atilde;o seguiu os passos da promotora e tamb&eacute;m solicitou que os acusados fossem a j&uacute;ri. Desta vez, faziam parte dela tr&ecirc;s advogados de renome no Par&aacute;: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-cesar-brito-ferreira\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado que fez parte da assist&ecirc;ncia de acusa&ccedil;&atilde;o em 1996\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio C&eacute;sar Brito Ferreira<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosa-de-fatima-de-souza-correa\/\" target=\"_self\" title=\"Advogada que fez parte da assist&ecirc;ncia de acusa&ccedil;&atilde;o em 1996\" class=\"encyclopedia\">Rosa de F&aacute;tima de Souza Corr&ecirc;a<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ana-celina-bentes-hamoy\/\" target=\"_self\" title=\"Advogada da assist&ecirc;ncia de acusa&ccedil;&atilde;o e ativista dos direitos humanos\" class=\"encyclopedia\">Ana Celina Bentes Hamoy<\/a>. Esta &uacute;ltima, inclusive, &eacute; bastante conhecida pelo ativismo na &aacute;rea de direitos humanos e se envolveu profundamente na luta dos familiares dos meninos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1996-11-04-Assistentes-de-Acusacao-pedem-pronuncia-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pedido de pron&uacute;ncia da assist&ecirc;ncia de acusa&ccedil;&atilde;o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em 03 de dezembro de 1996, o juiz Vieira finalmente deu o seu parecer. Para o espanto de todos, ele decidiu pela impron&uacute;ncia dos acusados &ndash; ou seja, que eles n&atilde;o deveriam ser julgados.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/07\/1996-12-03-Juiz-Paulo-Roberto-Ferreira-Vieira-impronuncia-todos-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Decis&atilde;o do juiz Vieira<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos dessa decis&atilde;o ser&atilde;o discutidos no pr&oacute;ximo epis&oacute;dio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>LIVROS PARA DOWNLOAD<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os livros de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> e de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/roberto-olivera\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de Valentina entre 1970 e 1980\" class=\"encyclopedia\">Roberto Olivera<\/a> est&atilde;o dispon&iacute;veis nos links abaixo para download:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1h3R923Jsix5_DWSHwc8wDdnBIc14wh_9\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Deus, a Grande Farsa (versa&#771;o original 1985-86) &ndash; Valentina de Andrade <\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1n1GCl5KiZszJQ4oYl5O6IrWNVXDA_XkW\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Deus, a Grande Farsa (versa&#771;o revisada 1998) &ndash; Valentina de Andrade<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1lsbID3Ytw6c3oBBl4wDSSw-KhkRHR7iE\/view\" target=\"_blank\">&ldquo;O Universo de Zuita&rdquo; &ndash; Roberto Olivera<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Justi\u00e7a &#8211; Parte 3<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/563"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=563"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=563"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=563"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}