{"id":397,"date":"2022-06-09T00:01:00","date_gmt":"2022-06-09T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=397"},"modified":"2022-06-08T10:29:55","modified_gmt":"2022-06-08T13:29:55","slug":"extras-episodio-10","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-10\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 10"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>EDMILSON FRAZ&Atilde;O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/edmilson-da-silva-frazao\/\" target=\"_self\" title='Testemunha que diz ter participado de uma \"missa negra\" na ch&aacute;cara de An&iacute;sio' class=\"encyclopedia\">Edmilson da Silva Fraz&atilde;o<\/a> &eacute; uma das testemunhas mais importantes no processo do caso dos meninos emasculados de Altamira. &Eacute; ele quem coloca <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> de vez na hist&oacute;ria e, a partir da&iacute;, a tese de atua&ccedil;&atilde;o de uma seita sat&acirc;nica na cidade torna-se uma certeza para a acusa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro depoimento de Edmilson &eacute; datado de 16 de julho de 1993. Curiosamente, ele n&atilde;o &eacute; ouvido por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, encarregado das investiga&ccedil;&otilde;es no per&iacute;odo, mas sim por outro delegado, chamado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jefferson-jose-gualberto-neves\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado que tomou o primeiro depoimento oficial de Edmilson Fraz&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Jefferson Jos&eacute; Gualberto Neves<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A data em que o relato da testemunha &eacute; coletado era pr&oacute;xima do encerramento do per&iacute;odo das pris&otilde;es tempor&aacute;rias, que devem durar no m&aacute;ximo 10 dias. Nesta &eacute;poca, estavam detidos temporariamente os seguintes suspeitos: o ex-policial militar <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-alberto-dos-santos-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Policial militar acusado no caso dos meninos\" class=\"encyclopedia\">Carlos Alberto dos Santos Lima<\/a> e os m&eacute;dicos <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/cesio-flavio-caldas-brandao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico reconhecido por Agostinho como suspeito na morte de Jaenes\" class=\"encyclopedia\">C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/anisio-ferreira-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico acusado no caso dos meninos emasculados\" class=\"encyclopedia\">An&iacute;sio Ferreira de Souza<\/a>. J&aacute; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a> cumpria pris&atilde;o preventiva desde novembro de 1992, totalizando quatro acusados atr&aacute;s das grades.<\/p>\n\n\n\n<p>Entretanto, a partir do depoimento de Edmilson, sete pessoas haviam se tornado suspeitas. Al&eacute;m dos j&aacute; citados, estavam na mira da pol&iacute;cia o tamb&eacute;m ex-PM <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/aldenor-ferreira-cardoso\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-PM reconhecido por Wandicley como o seu sequestrador\" class=\"encyclopedia\">Aldenor Ferreira Cardoso<\/a>, que nunca foi encontrado; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a>, pai de Amailton; e, agora, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ora, j&aacute; &eacute; poss&iacute;vel adiantar que Amadeu nunca teve pris&atilde;o decretada. J&aacute; para Valentina, isso s&oacute; aconteceu em setembro de 1993. Contudo, como ela sequer estava no estado do Par&aacute; no per&iacute;odo, jamais chegou a se apresentar para ser detida.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando a julho daquele mesmo ano, no dia 17, a ju&iacute;za <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/elisabete-pereira-de-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Ju&iacute;za designada para atuar em Altamira em julho de 1993\" class=\"encyclopedia\">Elisabete Pereira de Lima<\/a>, designada especialmente para o processo, emitiu pris&otilde;es preventivas para Carlos Alberto, C&eacute;sio e An&iacute;sio. A magistrada entendia que, a partir dos testemunhos coletados por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, j&aacute; haveria ind&iacute;cios suficientes para manter todos presos de forma indefinida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/edmilson-da-silva-frazao\/\" target=\"_self\" title='Testemunha que diz ter participado de uma \"missa negra\" na ch&aacute;cara de An&iacute;sio' class=\"encyclopedia\">Edmilson da Silva Fraz&atilde;o<\/a> tinha 20 anos de idade quando falou com o delegado Jefferson Neves. Em uma narrativa longa e confusa, ele relata um evento ocorrido em novembro de 1990 envolvendo o seu pai, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/porfirio-frazao-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Edmilson da Silva Fraz&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Porf&iacute;rio Fraz&atilde;o Filho<\/a>, e o irm&atilde;o, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/josadarc-da-silva-frazao\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde;o de Edmilson da Silva Fraz&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Josadarc da Silva Fraz&atilde;o<\/a>. Segundo ele, ambos andavam por uma estrada quando viram um homem sentado, mexendo em uma faca de cerca de 40 cent&iacute;metros. Ao se deparar com aquela cena, Porf&iacute;rio decidiu perguntar ao homem o que ele estava fazendo, e recebeu uma resposta grosseira: &ldquo;n&atilde;o te interessa&rdquo;. Com medo, pai e filho resolveram se afastar. Afinal, alguns casos de emascula&ccedil;&atilde;o j&aacute; tinham acontecido na cidade e eles ficaram receosos de que o desconhecido pudesse ter algo a ver com os crimes.<\/p>\n\n\n\n<p>Edmilson ficou sabendo dessa hist&oacute;ria pelo seu pai e, dois dias depois, foi conversar com o delegado de Altamira na &eacute;poca, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/francisco-edyr-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado que teria convidado Edmilson Fraz&atilde;o para ajudar nas investiga&ccedil;&otilde;es\" class=\"encyclopedia\">Francisco Edyr Silva<\/a>, conhecido apenas como Edyr. Ao ouvir o relato, o investigador perguntou para o rapaz se ele gostaria de entrar na pol&iacute;cia para ajudar a solucionar o caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse convite pode parecer estranho nos dias de hoje. Naquele per&iacute;odo, no entanto, n&atilde;o era algo incomum. Na verdade, a testemunha n&atilde;o estava sendo chamada para ser um policial de carreira, mas sim uma figura popularmente conhecida como &ldquo;bate-pau&rdquo; &ndash; um civil que tenta coletar nas ruas quaisquer informa&ccedil;&otilde;es que possam colaborar com investiga&ccedil;&otilde;es em andamento. O caso que Edmilson auxiliaria seria a dos emasculados, que naquela altura j&aacute; contava com pelo menos tr&ecirc;s sobreviventes.<\/p>\n\n\n\n<p>A sua primeira miss&atilde;o seria tentar localizar o homem que o seu pai tinha visto na beira da estrada. A ordem do delegado Edyr teria sido a seguinte: &ldquo;se o vir, chame a pol&iacute;cia imediatamente&rdquo;. Edmilson, ent&atilde;o, decidiu ir at&eacute; a casa de um menino que ele chama de primeira v&iacute;tima. Ele n&atilde;o cita o nome da crian&ccedil;a, mas &eacute; prov&aacute;vel que tenha sido <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-sidney\/\" target=\"_self\" title=\"Primeiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Sidney<\/a> ou o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a> &ndash; j&aacute; que, na &eacute;poca, se acreditava que Sidney estava morto. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel, por&eacute;m, confirmar a identidade do garoto.<\/p>\n\n\n\n<p>O rapaz conversou com os familiares da v&iacute;tima e pegou uma descri&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica de quem a teria atacado. Seria um homem parecido com aquele visto pelo seu pai na estrada: moreno, de cerca de 1,70 m de altura, com uma barba falsa.<\/p>\n\n\n\n<p>Dias depois, Edmilson encontrou na cidade uma pessoa com essas mesmas caracter&iacute;sticas. Era um policial militar que ele conhecia, chamado A. Santos &ndash; o nome de guerra de Carlos Alberto. Na hora, o bate-pau foi at&eacute; um bar pr&oacute;ximo, pegou o telefone e chamou a pol&iacute;cia, que chegou minutos depois. Da viatura desceram quatro policiais e, entre eles, o pr&oacute;prio doutor Edyr. Contudo, a equipe n&atilde;o conseguiu localizar o homem apontado pela testemunha.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma situa&ccedil;&atilde;o semelhan&ccedil;a aconteceu dali quatro dias, quando Edmilson viu Carlos Alberto novamente. Dessa vez, ele estaria pr&oacute;ximo da minicl&iacute;nica do doutor An&iacute;sio e parecia esperar por algu&eacute;m. O bate-pau avisou os colegas policiais, mas o suspeito j&aacute; n&atilde;o estava mais l&aacute; quando eles chegaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Eis que, no dia seguinte, algo estranho aconteceu. Edmilson foi at&eacute; o posto de gasolina Serra Dourada para falar com a esposa, que trabalhava como dom&eacute;stica ali perto. Ao olhar para a beira da estrada, ele notou a presen&ccedil;a de um homem agachado com um rev&oacute;lver em m&atilde;os. Era A. Santos. O ajudante da pol&iacute;cia pegou uma bicicleta emprestada e correu at&eacute; a delegacia para avisar os colegas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele entrou em uma viatura com quatro policiais e, chegando no local, os agentes pediram para que Edmilson ficasse no carro. Apreensivo, o rapaz obedeceu a ordem e observou de longe a abordagem. Mesmo sem conseguir ouvi-los, ele notou que A. Santos n&atilde;o era questionado. Pelo contr&aacute;rio, parecia at&eacute; que eles eram todos amigos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em certo momento, um dos policiais apontou para o carro e Carlos Alberto passou a olhar para Edmilson, tentando reconhec&ecirc;-lo. A conversa teria sido longa e, ao final, os agentes voltaram para a viatura sem o suspeito.<\/p>\n\n\n\n<p>No retorno para a delegacia, Edmilson perguntou por que n&atilde;o pegaram o rapaz para interrog&aacute;-lo. Um agente respondeu que n&atilde;o prenderiam o homem porque ele era um amigo e que tamb&eacute;m n&atilde;o fariam mais nada a respeito do caso, pois n&atilde;o ganhavam o suficiente para tal.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s esse epis&oacute;dio, Edmilson foi informado pelo delegado Edyr que n&atilde;o deveria mais chamar a pol&iacute;cia se visse algo suspeito. Em vez disso, ele deveria agarrar a pessoa e lev&aacute;-la at&eacute; a delegacia.<\/p>\n\n\n\n<p>O relato do bate-pau segue com a men&ccedil;&atilde;o a um dos policiais com quem trabalhava, chamado apenas de &ldquo;Polaco&rdquo;. Segundo a testemunha, o colega teria largado a carreira para se tornar taxista, logo depois desses encontros com A. Santos. Edmilson tamb&eacute;m alegava que Polaco teria usado o seu ve&iacute;culo para cometer diversos crimes. E mais importante: ele acreditava que o ex-agente tinha recebido algum tipo de ajuda do grupo criminoso respons&aacute;vel pelas emascula&ccedil;&otilde;es e, por isso, conseguiu melhorar de vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Na vis&atilde;o da testemunha, diante do que diz ter vivenciado, os agressores dos meninos seriam t&atilde;o poderosos que tinham boa parte da pol&iacute;cia nas m&atilde;os. Edmilson acreditava que esse era o motivo pelo qual Carlos Alberto n&atilde;o havia sido preso j&aacute; no fim de 1990, quando ele o identificou como suspeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s narrar tudo isso ao delegado Jefferson, o informante d&aacute; um salto no tempo e passa a relatar acontecimentos do m&ecirc;s de novembro de 1991. Na ocasi&atilde;o, Edmilson trabalhava na marcenaria do pai em Altamira. Em certa ocasi&atilde;o, um policial civil chamado Santana, um conhecido da &eacute;poca de bate-pau, lhe visitou sob o pretexto de encomendar a confec&ccedil;&atilde;o de uma mesa e quatro cadeiras. A testemunha disse que n&atilde;o poderia aceitar o pedido porque logo se mudaria para o munic&iacute;pio de Santar&eacute;m, a cerca de 400 quil&ocirc;metros de dist&acirc;ncia. Seu objetivo era tentar entrar no ex&eacute;rcito de l&aacute; por interm&eacute;dio de um primo seu, que era sargento.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos dias que se seguiram, Edmilson notou que Santana sempre passava de viatura em frente &agrave; marcenaria, em baix&iacute;ssima velocidade, como se estivesse de vigia.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 09 de novembro de 1991, ele e a esposa finalmente pegaram o &ocirc;nibus em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Santar&eacute;m. Na rodovi&aacute;ria, teriam sido vistos pelo policial Polaco, que estava em seu t&aacute;xi. O casal seguiu viagem at&eacute; a cidade de Uruar&aacute;, onde tinha que descer e trocar de ve&iacute;culo para chegar ao destino final.<\/p>\n\n\n\n<p>O coletivo chegou em Uruar&aacute; por volta de meia-noite e meia. Por conta disso, os dois decidiram dormir nas proximidades de um posto de gasolina. Eles tinham que pegar o pr&oacute;ximo &ocirc;nibus para Santar&eacute;m no dia seguinte, mas ele sequer passou por l&aacute; quando deveria. J&aacute; passava das 19h30 quando o casal viu uma viatura policial de Altamira se aproximando. Dentro dela, estava o policial Santana e outras tr&ecirc;s pessoas. Assustados, Edmilson e a esposa deixaram os pertences no posto e sa&iacute;ram &agrave; procura de um lugar para ficar.<\/p>\n\n\n\n<p>Eles foram acolhidos por um homem que trabalhava em uma serraria. Enquanto isso, os policiais faziam buscas pela regi&atilde;o em busca do casal. Em determinado momento, Edmilson decidiu voltar ao estabelecimento onde tinha deixado as bagagens, mas percebeu que os agentes haviam revirado tudo e colocado os pertences dentro da viatura.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora sem documentos e dinheiro, os dois passaram a noite na resid&ecirc;ncia do trabalhador da serraria. Na manh&atilde; seguinte, eles perceberam a presen&ccedil;a dos policiais e resolveram fugir pelos fundos da casa, onde havia uma &aacute;rea de campo. Ambos correram e foram perseguidos pelos ex-colegas de Edmilson, que dispararam diversos tiros contra a dupla. Por fim, o casal se embrenhou no mato e conseguiu despist&aacute;-los.<\/p>\n\n\n\n<p>O relato chocante da testemunha n&atilde;o para por a&iacute;. Segundo ela, ambos ficaram escondidos nas matas de Uruar&aacute; por tr&ecirc;s dias, bebendo &aacute;gua e se alimentando de uma fruta chamada Uxi. Eis que finalmente encontraram uma estrada que levava &agrave; resid&ecirc;ncia de um casal de idosos, local onde foram bem atendidos e receberam comida.<\/p>\n\n\n\n<p>A idosa, ent&atilde;o, contou para os dois que chegou a conversar com o policial Santana. Ele teria lhe dito que, se Edmilson fosse encontrado, n&atilde;o retornaria &agrave; Altamira com vida. Diante disso, o casal resolveu seguir viagem para Santar&eacute;m por meio de caronas, o que levou aproximadamente seis dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse evento, para Edmilson, era mais uma prova de que ele sabia demais sobre o caso dos emasculados e, por isso, queriam mat&aacute;-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sequ&ecirc;ncia do depoimento, o ex-bate-pau conta que trabalhou em Santar&eacute;m por cerca de tr&ecirc;s meses como ro&ccedil;ador em fazendas. Em seguida, teria ido para Marab&aacute;, que fica do outro lado do estado do Par&aacute;, perto da divisa com Tocantins. L&aacute;, ficou por cerca de um ano, quando decidiu retornar &agrave; Altamira no in&iacute;cio de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>Por&eacute;m, no meio da viagem, a sua esposa deu &agrave; luz, o que for&ccedil;ou o casal a se estabelecer em Tucuru&iacute;, a 400 quil&ocirc;metros de Altamira, por cerca de tr&ecirc;s meses. Assim, Edmilson e a fam&iacute;lia s&oacute; voltaram ao munic&iacute;pio por volta de mar&ccedil;o ou abril de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>DEN&Uacute;NCIAS CONTRA AN&Iacute;SIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste ponto do depoimento de Edmilson a Jefferson, o assunto passa a ser o doutor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/anisio-ferreira-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico acusado no caso dos meninos emasculados\" class=\"encyclopedia\">An&iacute;sio Ferreira de Souza<\/a> &ndash; o que leva ao famoso relato da &ldquo;missa negra&rdquo;. A testemunha conta que, em 1991, em uma &uacute;nica oportunidade, foi chamado pelo m&eacute;dico para participar de um culto de espiritismo, que aconteceria naquela noite. O convite havia sido feito em um encontro ocasional entre os dois no posto Serra Dourada.<\/p>\n\n\n\n<p>Edmilson aceitou a convoca&ccedil;&atilde;o e, por volta das 19h30, chegou &agrave; ch&aacute;cara de An&iacute;sio, onde o evento ocorreria. Ao entrar na sala da resid&ecirc;ncia, ele notou que a ilumina&ccedil;&atilde;o era obtida atrav&eacute;s de tr&ecirc;s velas pretas. Uma delas estava sobre uma pequena mesa, junto com um livro fechado, que a testemunha n&atilde;o conseguiu identificar.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com ele, do culto participaram An&iacute;sio, a esposa, uma mulher paranaense e um homem chamado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-parana\/\" target=\"_self\" title=\"Suposto contrabandista e traficante conhecido em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Paran&aacute;<\/a>, al&eacute;m de outras pessoas que n&atilde;o conhecia. Todos usavam uma esp&eacute;cie de bata preta fechada, com mangas compridas, e que se estendia at&eacute; os joelhos.<\/p>\n\n\n\n<p>No in&iacute;cio da reuni&atilde;o, a paranaense, que seria a l&iacute;der do grupo, disse que tinha como objetivo fundar uma nova religi&atilde;o em Altamira e que, para isso, precisava de gente de confian&ccedil;a. Em seguida, An&iacute;sio tomou a palavra e convidou todos a orar para o &ldquo;Deus das Trevas&rdquo;. Foi neste momento que Edmilson, totalmente desconfort&aacute;vel, saiu da sala, junto com outra pessoa que n&atilde;o soube identificar.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, um amigo seu de nome Carlos lhe contou que, todas as vezes que uma crian&ccedil;a desaparecia, um culto era realizado &agrave; noite em uma resid&ecirc;ncia localizada na Avenida Jo&atilde;o Pessoa, pr&oacute;xima ao cais.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; An&iacute;sio, Edmilson relatou uma situa&ccedil;&atilde;o vivenciada pelo irm&atilde;o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ely-da-silva-frazao\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde;o de Edmilson da Silva Fraz&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Ely da Silva Fraz&atilde;o<\/a>. Em meados de 1992, o garoto sofreu uma les&atilde;o na perna e acabou sendo internado na cl&iacute;nica do m&eacute;dico. Tr&ecirc;s dias depois, o doutor teria segurado os test&iacute;culos do menino e lhe dito: &ldquo;rapaz, tu est&aacute;s bom de ser capado para engordar&rdquo;. Ao ouvir aquilo, Ely ficou assustado e tentou correr, mas An&iacute;sio o segurou e o convenceu a permanecer ali.<\/p>\n\n\n\n<p>Em dado momento, por&eacute;m, o garoto se aproveitou da desaten&ccedil;&atilde;o do m&eacute;dico e fugiu da cl&iacute;nica. Assim que chegou em casa, contou tudo para a m&atilde;e, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/raimunda-da-silva-brandao\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Edmilson da Silva Fraz&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Raimunda da Silva Brand&atilde;o<\/a>. Ela mesma tinha ouvido falar em uma hist&oacute;ria contra An&iacute;sio, de uma conhecida chamada Creuza, que desistiu de se consultar com o ginecologista. Isso porque, ao entrar na sala dele, a paciente viu um vidro transparente com test&iacute;culos dentro, em meio a um l&iacute;quido. Aterrorizada, ela saiu de l&aacute; e nunca mais voltou &agrave; cl&iacute;nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o depoimento, o delegado Jefferson tamb&eacute;m questionou Edmilson sobre <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-parana\/\" target=\"_self\" title=\"Suposto contrabandista e traficante conhecido em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Paran&aacute;<\/a>. A testemunha respondeu que se tratava de um traficante de drogas que mantinha bom relacionamento com os policiais da delegacia local. O ex-bate-pau afirma que, em uma ocasi&atilde;o, Ant&ocirc;nio chegou a denunci&aacute;-lo para Edyr, sob a alega&ccedil;&atilde;o de que ele estaria rondando a sua casa de forma suspeita. Sob esse pretexto, Edmilson teria sido preso e s&oacute; liberado horas depois, mediante pagamento de fian&ccedil;a.<\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; sobre a conex&atilde;o entre os suspeitos no caso dos emasculados, a testemunha lembrou que seu irm&atilde;o mais velho, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/damiao-da-silva-frazao\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde;o mais velho de Edmilson da Silva Fraz&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Dami&atilde;o da Silva Fraz&atilde;o<\/a>, chegou a trabalhar como pedreiro e pintor na cl&iacute;nica de An&iacute;sio. Por isso, ele sabia que havia uma grande amizade entre o m&eacute;dico e o doutor C&eacute;sio. Disse tamb&eacute;m que j&aacute; tinha visto Amailton e An&iacute;sio juntos pelas ruas de Altamira, al&eacute;m de certa vez ter encontrado o ginecologista reunido em um bar &agrave; beira do cais com alguns policiais conhecidos: Santana, Polaco, Gilberto e MacGyver.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-16-Edmilson-Frazao-para-delegado-Jefferson-Jose-Gualberto-Neves-1-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Primeiro depoimento de Edmilson da Silva Fraz&atilde;o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-16-Edmilson-Frazao-para-delegado-Jefferson-Jose-Gualberto-Neves-transcrito-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Transcri&ccedil;&atilde;o do primeiro depoimento de Edmilson<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Uma coisa importante a ser mencionada sobre o primeiro depoimento de Edmilson &eacute; que, como se v&ecirc;, ele n&atilde;o cita o nome de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>. Isso s&oacute; viria a acontecer em um segundo relato, prestado desta vez ao delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> em 28 de julho de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>Com apenas duas p&aacute;ginas e meia, este novo testemunho &eacute; consideravelmente mais curto e &eacute; focado apenas no culto realizado na ch&aacute;cara do doutor An&iacute;sio. Aqui, ele d&aacute; mais detalhes sobre a tal reuni&atilde;o e finalmente reconhece Valentina por meio de uma reportagem da revista Veja, de julho de 1992 &ndash; per&iacute;odo em que ela era suspeita no caso <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>, em Guaratuba, no litoral do Paran&aacute;. Al&eacute;m disso, Edmilson tamb&eacute;m afirma que era para Carlos Alberto, chamado por ele de A. Santos, ter participado do culto.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-28-Edmilson-Frazao-1.pdf\" target=\"_blank\">Segundo depoimento de Edmilson<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Diante de tudo isso, Edmilson aparece como a testemunha de ouro. Ele conecta a maioria dos suspeitos e alega ter presenciado um culto da seita que todos fariam parte. &Eacute; um relato perfeito para a acusa&ccedil;&atilde;o. Perfeito at&eacute; demais. Por isso, o ideal seria confront&aacute;-lo com outros testemunhos, que pudessem confirm&aacute;-lo ou contrari&aacute;-lo.<\/p>\n\n\n\n<p>O caminho l&oacute;gico para a verifica&ccedil;&atilde;o dos fatos seria ouvir <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-parana\/\" target=\"_self\" title=\"Suposto contrabandista e traficante conhecido em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Paran&aacute;<\/a>. No entanto, em julho de 1993, quando Edmilson fala com a pol&iacute;cia, o suposto traficante j&aacute; estava morto. Quem, ent&atilde;o, presta depoimento &eacute; a esposa dele, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/vanda-lucia-de-silva-melo\/\" target=\"_self\" title=\"Esposa de Ant&ocirc;nio Paran&aacute; na &eacute;poca dos crimes\" class=\"encyclopedia\">Vanda L&uacute;cia de Silva Melo<\/a>, em 28 de julho de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, ela diz que o marido conhecia o doutor An&iacute;sio, por&eacute;m nunca o viu ir na casa dele. Na verdade, o relato de Vanda &eacute; totalmente focado em hist&oacute;rias do m&eacute;dico. Afinal, ela chegou a trabalhar por um m&ecirc;s na minicl&iacute;nica e tinha p&eacute;ssimas lembran&ccedil;as: desde o fato de n&atilde;o ter sido paga at&eacute; relatos de maus-tratos e abusos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o termo de declara&ccedil;&otilde;es, tudo indica que o delegado n&atilde;o perguntou a ela sobre o culto na ch&aacute;cara ou se <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-parana\/\" target=\"_self\" title=\"Suposto contrabandista e traficante conhecido em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Paran&aacute;<\/a> tinha qualquer v&iacute;nculo com Edmilson Fraz&atilde;o; ou, ainda, se o falecido marido possu&iacute;a algum tipo de acordo com policiais corruptos.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m disso, nenhum dos agentes citados por Edmilson &ndash; Santana, Polaco, Gilberto e MacGyver &ndash; foram chamados para depor.&nbsp;N&atilde;o h&aacute; informa&ccedil;&otilde;es sobre o motivo dessa aus&ecirc;ncia no processo. <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-28-Vanda-Lucia-da-Silva-Melo-esposa-Antonio-Parana-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Vanda L&uacute;cia de Silva Melo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; o pai de Edmilson, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/porfirio-frazao-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Edmilson da Silva Fraz&atilde;o\" class=\"encyclopedia\">Porf&iacute;rio Fraz&atilde;o Filho<\/a>, prestou depoimento no mesmo dia que Vanda. Neste relato, ele confirmou a hist&oacute;ria do homem estranho que teria visto na beira da estrada, e o fato de que o filho trabalhou para o delegado Edyr em algumas investiga&ccedil;&otilde;es. Reiterou tamb&eacute;m as persegui&ccedil;&otilde;es e o atentado sofridos por ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Porf&iacute;rio n&atilde;o falou nada, por&eacute;m, sobre o rapaz auxiliar no caso dos emasculados. O que ele sabia era que Edmilson investigava a vida de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-parana\/\" target=\"_self\" title=\"Suposto contrabandista e traficante conhecido em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Paran&aacute;<\/a>. E, justamente pela pol&iacute;cia n&atilde;o ter feito nada em rela&ccedil;&atilde;o ao traficante, ele pediu para que o filho largasse aquele servi&ccedil;o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-28-Porfirio-Frazao-Filho-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Primeiro depoimento de Porf&iacute;rio Fraz&atilde;o Filho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, pelo menos de acordo com o pai, Edmilson chegou a ser perseguido e amea&ccedil;ado em esquemas que envolviam corrup&ccedil;&atilde;o policial. Mas isso talvez n&atilde;o teria nada a ver com o caso dos emasculados, mas sim com as atividades criminosas de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-parana\/\" target=\"_self\" title=\"Suposto contrabandista e traficante conhecido em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Paran&aacute;<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante desta possibilidade, n&atilde;o seria poss&iacute;vel que o ex-bate-pau inventasse uma hist&oacute;ria mirabolante contra os policiais para conseguir prote&ccedil;&atilde;o? Nesta hip&oacute;tese, o caminho que ele encontrou teria sido o de se apresentar como uma testemunha fundamental em um processo de bastante repercuss&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FASE DE JU&Iacute;ZO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na fase de ju&iacute;zo, um segundo testemunho de Porf&iacute;rio aumenta essa suspeita. Datado de 30 de novembro de 1993, o relato d&aacute; mais detalhes sobre a rela&ccedil;&atilde;o entre Edmilson e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-parana\/\" target=\"_self\" title=\"Suposto contrabandista e traficante conhecido em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Paran&aacute;<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Porf&iacute;rio, o verdadeiro motivo que levou o filho a sair de Altamira n&atilde;o foi tentar carreira no ex&eacute;rcito, mas sim o medo do traficante.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra diverg&ecirc;ncia entre os depoimentos est&aacute; na hist&oacute;ria do homem visto com uma faca na beira da estrada. O ex-bate-pau dizia que o pai estava junto do irm&atilde;o Josadarc quando isso aconteceu. No entanto, neste novo testemunho, Porf&iacute;rio afirmou que o pr&oacute;prio Edmilson lhe fazia companhia na ocasi&atilde;o. Mais tarde, inclusive, o filho lhe contou que a pessoa que avistaram era o soldado A. Santos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-11-30-Depoimento-em-Juizo-Porfirio-Frazao-Filho-1.pdf\">Depoimento de Porf&iacute;rio em ju&iacute;zo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Como Josadarc nunca prestou depoimento no processo, a situa&ccedil;&atilde;o final &eacute; a seguinte: pai e filho contam hist&oacute;rias diferentes sobre o mesmo evento. S&atilde;o detalhes e contradi&ccedil;&otilde;es que tornam Edmilson uma testemunha complicada de se acreditar totalmente.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m de Josadarc, outra pessoa citada jamais foi ouvida pela pol&iacute;cia: a mulher chamada Creuza, que teria visto um vidro com test&iacute;culos na mesa do doutor An&iacute;sio. N&atilde;o se sabe se o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> tentou localiz&aacute;-la ou at&eacute; mesmo se ela existe de fato. A m&atilde;e de Edmilson, amiga de Creuza, que poderia esclarecer essa situa&ccedil;&atilde;o, tamb&eacute;m n&atilde;o foi chamada para depor.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/edmilson-da-silva-frazao\/\" target=\"_self\" title='Testemunha que diz ter participado de uma \"missa negra\" na ch&aacute;cara de An&iacute;sio' class=\"encyclopedia\">Edmilson da Silva Fraz&atilde;o<\/a> deu um novo depoimento em 17 de maio de 1994, desta vez na fase de ju&iacute;zo. Agora, quase um ano depois do primeiro relato &agrave; pol&iacute;cia, ele modifica alguns detalhes da narrativa.<\/p>\n\n\n\n<p>Anteriormente, ele ressaltou os seguintes fatos:<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; Que havia trabalhado na investiga&ccedil;&atilde;o do caso dos meninos emasculados no fim de 1990, ap&oacute;s seu pai ter visto Carlos Alberto na beira da estrada com um fac&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; Que ficou sabendo por meio de um amigo, jamais ouvido no processo, que toda vez que um garoto sumia na cidade, um culto era realizado.<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; Que ele pr&oacute;prio havia sido convidado para o encontro da seita na ch&aacute;cara de An&iacute;sio em meados de 1991. L&aacute;, encontrou <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-parana\/\" target=\"_self\" title=\"Suposto contrabandista e traficante conhecido em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Paran&aacute;<\/a>, suspeito que ele investigava. Ou seja, pela l&oacute;gica, se os rituais aconteciam ap&oacute;s o desaparecimento de uma crian&ccedil;a, duas v&iacute;timas se encaixariam nesta data: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ailton-fonseca-do-nascimento\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em maio de 1991 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ailton Fonseca do Nascimento<\/a>, que sumiu em 05 de maio; e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-carlos-bezerra-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em agosto de 1991 e jamais encontrada\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Carlos Bezerra Gomes<\/a>, que nunca mais foi visto pela fam&iacute;lia depois de agosto do mesmo ano.<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; Por fim, Edmilson afirmou que, no fim de 1991, foi perseguido por policiais civis por conta do que ele sabia sobre Carlos Alberto.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, no terceiro depoimento, a testemunha muda algumas das datas que havia citado. Primeiro, passa a dizer que o pai tinha visto Carlos Alberto na estrada em mar&ccedil;o de 1990, n&atilde;o mais em novembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser perguntado sobre o motivo que o levou a falar com o delegado Edyr ap&oacute;s esse evento, Edmilson respondeu que dias antes havia ocorrido mais uma tentativa de homic&iacute;dio contra um garoto, que sobreviveu.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso, contudo, n&atilde;o faz nenhum sentido na hist&oacute;ria dos casos. O primeiro sobrevivente foi atacado em agosto de 1989; o segundo em novembro do mesmo ano; e o terceiro em setembro de 1990. Ou seja, nenhuma crian&ccedil;a teria sido v&iacute;tima no per&iacute;odo de tempo mencionado por Edmilson.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste novo relato, a testemunha tamb&eacute;m mudou a data do culto realizado na ch&aacute;cara de An&iacute;sio. Ele dizia agora que a reuni&atilde;o teria sido em 1989 ou 1990 &ndash; e n&atilde;o em 1991 como havia afirmado anteriormente.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante este depoimento, Edmilson foi ainda confrontado sobre a vers&atilde;o que seu pai deu da hist&oacute;ria do homem na beira da estrada. Mas ele refor&ccedil;ou que quem estava com Porf&iacute;rio na ocasi&atilde;o era sim o seu irm&atilde;o Josadarc.<\/p>\n\n\n\n<p>Pela transcri&ccedil;&atilde;o do relato, &eacute; bem claro o esfor&ccedil;o dos advogados de defesa em mostrar que a narrativa da testemunha tinha muitos furos. H&aacute; um momento, por exemplo, que eles questionam por que o rapaz n&atilde;o procurou autoridades judici&aacute;rias para contar tudo o que sabia. Afinal, ele tinha v&aacute;rias informa&ccedil;&otilde;es importantes sobre a tal seita e a morte dos meninos. Mas Edmilson responde apenas que n&atilde;o achou necess&aacute;rio e se limitou a repassar ao delegado Edyr o que tinha descoberto. Essa declara&ccedil;&atilde;o soou no m&iacute;nimo estranha para os defensores.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al&eacute;m de tudo isso, h&aacute; outra passagem no testemunho em que se descobre um fato curioso: Edmilson teve contato com os policiais federais que estiveram em Altamira entre maio e junho de 1993. Ele inclusive comenta que foram esses agentes que lhe apresentaram um xerox com a imagem de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>. Isso significa que ele j&aacute; sabia quem era a tal mulher paranaense do culto antes de falar com o delegado Jefferson ou com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os advogados, ent&atilde;o, lhe perguntaram por que ele esperou que lhe mostrassem uma foto de Valentina na revista Veja para s&oacute; ent&atilde;o identific&aacute;-la. A resposta da testemunha &eacute; confusa:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Respondeu que, perante as autoridades federais, chegou a dar caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas de dona Valentina, as mesmas aqui descritas, por&eacute;m acredita n&atilde;o terem sido consignadas. E quanto &agrave;s fotografias referidas pelo doutor advogado, da Revista Veja, o mesmo tem a esclarecer que foram mostrados xerox de v&aacute;rias pessoas, entre homens e mulheres, e a testemunha identificou apenas uma como sendo Valentina.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, se Edmilson j&aacute; tinha dado as caracter&iacute;sticas f&iacute;sicas de Valentina antes mesmo de falar com a Pol&iacute;cia Civil, por que n&atilde;o a citou no primeiro depoimento ao delegado Jefferson? Infelizmente, no momento, n&atilde;o h&aacute; respostas para essas indaga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra contradi&ccedil;&atilde;o digna de nota &eacute; quando a testemunha afirma que desconhecia qualquer rela&ccedil;&atilde;o entre os m&eacute;dicos C&eacute;sio e An&iacute;sio &ndash; diferente do que havia dito nos relatos anteriores, quando mencionou que o seu irm&atilde;o Dami&atilde;o trabalhou como pedreiro na minicl&iacute;nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre C&eacute;sio, a &uacute;nica coisa que Edmilson diz dessa vez &eacute; que ele n&atilde;o estava presente no culto na ch&aacute;cara de An&iacute;sio.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste ponto do depoimento, no entanto, surge uma informa&ccedil;&atilde;o nunca antes citada pela testemunha: a exist&ecirc;ncia de um t&uacute;nel secreto na minicl&iacute;nica do doutor An&iacute;sio, que teria sido feito pelo pr&oacute;prio Dami&atilde;o antes dos crimes contra os meninos. Edmilson diz ainda que chegou a ver a tal estrutura e que provavelmente o seu irm&atilde;o tinha fotos do local, pois tinha o h&aacute;bito de registrar as obras das quais fazia parte.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1994-05-17-Depoimento-em-Juizo-Edmilson-da-Silva-Frazao-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Edmilson em ju&iacute;zo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Esse fato chamou tanto a aten&ccedil;&atilde;o da acusa&ccedil;&atilde;o que a promotora presente, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eliete-de-almeida-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que solicitou per&iacute;cia na cl&iacute;nica do doutor An&iacute;sio\" class=\"encyclopedia\">Eliete de Almeida de Souza<\/a>, chegou a solicitar uma per&iacute;cia na cl&iacute;nica, para que o t&uacute;nel fosse encontrado. O procedimento foi realizado no dia primeiro de junho de 1994.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, antes disso, o pr&oacute;prio Dami&atilde;o foi ouvido pelo juiz <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-orlando-de-paula-arrifano\/\" target=\"_self\" title=\"Magistrado que ouve testemunhas durante a fase em ju&iacute;zo\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Orlando de Paula Arrifano<\/a>. Em depoimento, datado de 31 de maio de 1994, o jovem explicou que realmente trabalhou na reforma da cl&iacute;nica e ajudou a construir um &ldquo;t&uacute;nel&rdquo;. Segundo ele, no entanto, n&atilde;o se tratava de uma passagem secreta, mas sim de uma galeria de esgoto.<\/p>\n\n\n\n<p>A explica&ccedil;&atilde;o de Dami&atilde;o foi constatada na per&iacute;cia conduzida um dia depois de seu depoimento.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1994-06-03-Exame-de-materiais-localizados-na-galeria-abaixo-da-clinica-de-Anisio.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Laudo da per&iacute;cia na cl&iacute;nica de An&iacute;sio<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, o advogado de defesa de An&iacute;sio, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/osvaldo-serrao\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa do doutor An&iacute;sio\" class=\"encyclopedia\">Osvaldo Serr&atilde;o<\/a>, pergunta para Dami&atilde;o se Edmilson apresentava algum tipo de dist&uacute;rbio emocional. A resposta &eacute; surpreendente:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Respondeu que sim, pois inclusive foi aconselhado pelo m&eacute;dico a seu pai que evitasse bater em Edmilson, pois o mesmo apresentava dist&uacute;rbios mentais, ou seja, ele n&atilde;o &eacute; muito certo mesmo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de Edmilson nunca ter sido avaliado por nenhum psiquiatra, esse trecho do depoimento de seu irm&atilde;o passou a ser bastante usado pelas defesas dos acusados nos anos seguintes. N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber se ele condiz com a verdade. Mas o fato &eacute; que, ao comparar os tr&ecirc;s primeiros depoimentos de Edmilson, encontra-se v&aacute;rias pe&ccedil;as que parecem mudar de figura ou simplesmente n&atilde;o se encaixar de forma clara. Boa parte dessas incoer&ecirc;ncias jamais foram levadas em considera&ccedil;&atilde;o por promotores ou pelo delegado na &eacute;poca.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1994-05-31-Depoimento-em-Juizo-Damiao-da-Silva-Frazao-1-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Dami&atilde;o da Silva Fraz&atilde;o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A produ&ccedil;&atilde;o do podcast tentou contato com o agora deputado federal <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, com o promotor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/sergio-tiburcio-dos-santos-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor designado para atuar em Altamira em junho de 1993\" class=\"encyclopedia\">S&eacute;rgio Tib&uacute;rcio dos Santos Silva<\/a> e com alguns policiais federais que participaram das investiga&ccedil;&otilde;es em 1993. Ningu&eacute;m aceitou dar entrevista sobre o caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de avan&ccedil;ar, contudo, &eacute; preciso voltar um pouco no tempo, novamente para a fase de inqu&eacute;rito do delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>. &Eacute; nela que importantes testemunhas de defesa come&ccedil;am a aparecer. E este &eacute; o assunto do pr&oacute;ximo epis&oacute;dio. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Testemunha<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/397"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=397"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}