{"id":34,"date":"2022-04-07T11:30:00","date_gmt":"2022-04-07T14:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=34"},"modified":"2022-05-03T09:08:09","modified_gmt":"2022-05-03T12:08:09","slug":"extras-episodio-01","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-01\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 01"},"content":{"rendered":"\n<p>Durante todos os anos em que investigou a morte de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/evandro-ramos-caetano\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida e encontrada morta em abril de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Evandro Ramos Caetano<\/a>, Ivan Mizanzuk sempre teve esperan&ccedil;as de encontrar respostas em outro caso bastante semelhante: o desaparecimento do menino <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>, tamb&eacute;m abordado na temporada anterior do Projeto Humanos. O garoto, de sete anos, sumiu no dia 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba, no litoral do Paran&aacute;, e nunca foi encontrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante as investiga&ccedil;&otilde;es na &eacute;poca, um grupo de suspeitos surgiu. Mat&eacute;rias de imprensa apontavam <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> como a l&iacute;der de uma seita chamada Lineamento Universal Superior, a LUS, formada por ela e o marido argentino <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-alfredo-teruggi\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de&nbsp;Valentina de Andrade em 1992\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Alfredo Teruggi<\/a>. Na ocasi&atilde;o do desaparecimento de Leandro, o casal e seus seguidores argentinos se hospedaram no hotel em Guaratuba onde a m&atilde;e do garoto, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/paulina-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Paulina Bossi<\/a>, trabalhava. Valentina foi investigada como suspeita e chegou a ter um pedido de pris&atilde;o preventiva aberto contra ela, assim como Teruggi. Mas a pol&iacute;cia do Paran&aacute; n&atilde;o conseguiu provas concretas e ela nunca foi formalmente acusada de participa&ccedil;&atilde;o nos casos Evandro e Leandro.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No per&iacute;odo em que foi suspeita, no entanto, o nome de Valentina cruzou o pa&iacute;s e passou a aparecer na imprensa conectado a seitas sat&acirc;nicas que aparentemente operavam em todo o territ&oacute;rio nacional. Mat&eacute;rias descreviam mortes de crian&ccedil;as no Maranh&atilde;o, Goi&aacute;s, Mato Grosso do Sul e tamb&eacute;m no Par&aacute; &ndash; mais especificamente, na cidade de Altamira, localizada na regi&atilde;o oeste do estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Sabendo dessa suposta rela&ccedil;&atilde;o, ouvintes do Projeto Humanos mandaram in&uacute;meros e-mails para Ivan, e um deles se destacou: o do advogado e pesquisador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rubens-pena-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado e antrop&oacute;logo\" class=\"encyclopedia\">Rubens Pena J&uacute;nior<\/a>, mestrando em Antropologia sobre o caso dos meninos de Altamira. Foi ele quem ajudou o jornalista a mergulhar de vez nessa hist&oacute;ria. O trabalho dele, assim como o de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/paula-mendes-lacerda\/\" target=\"_self\" title=\"Antrop&oacute;loga e pesquisadora do caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Paula Mendes Lacerda<\/a>, foi essencial para o desenvolvimento desta temporada do podcast.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>JAENES PESSOA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos anos em que Ivan Mizanzuk se debru&ccedil;ou sobre o caso dos meninos de Altamira, uma quest&atilde;o sempre surgia: por onde come&ccedil;ar? A partir de quando? De quem?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Partindo do princ&iacute;pio de que a proposta &eacute; entender como um caso judicial &eacute; montado, a linha cronol&oacute;gica apresentada aqui segue a l&oacute;gica do processo. Desse modo, a hist&oacute;ria come&ccedil;a no dia primeiro de outubro de 1992, uma quinta-feira.<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi&atilde;o, os 70 mil habitantes de Altamira preparavam-se para as elei&ccedil;&otilde;es municipais que ocorreriam no s&aacute;bado, dia 3. Enquanto a cidade s&oacute; falava sobre a disputa entre os candidatos, o menino <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a>, de 13 anos, fazia a sua rotina de sempre. Ele estudava &agrave; tarde e, durante as manh&atilde;s, por volta das 10 horas, ajudava o pai a soltar os gados da propriedade.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/juarez-gomes-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Jaenes da Silva Pessoa\" class=\"encyclopedia\">Juarez Gomes Pessoa<\/a>, o pai de Jaenes, era natural do estado do Cear&aacute;, tinha 38 anos e havia chegado em Altamira na d&eacute;cada de 1970. Semianalfabeto, de origem muito humilde, foi para a cidade trabalhar na fazenda do primo, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a> &ndash; mais conhecido como Amadeu, que se mudou para o munic&iacute;pio anos antes e conseguiu enriquecer. Al&eacute;m de fazendeiro, ele tamb&eacute;m era dono de um posto de gasolina famoso em Altamira, o Posto Gomes.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de Juarez ter se instalado na fazenda do primo, o gado que Jaenes cuidava todas as manh&atilde;s pertencia ao seu pai. Juarez era casado com a professora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosa-maria-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Jaenes da Silva Pessoa\" class=\"encyclopedia\">Rosa Maria Pessoa<\/a>. O casal tinha quatro filhos e Jaenes era o mais velho, nascido em Altamira no dia 12 de junho de 1979.<\/p>\n\n\n\n<p>Naquela manh&atilde; de quinta-feira, o garoto saiu para ajudar com o gado, como fazia todos os dias. Uma senhora que estava ali por perto viu o menino subir na cancela e pular para dentro para tratar de seus afazeres. Na ocasi&atilde;o, Juarez foi ao centro da cidade pela parte da manh&atilde;. Chegou em casa ao meio-dia, mas seu filho ainda n&atilde;o tinha voltado. Acabou tirando um cochilo e acordou por volta das 13h30. Nesse momento, os seus outros filhos j&aacute; sa&iacute;am para procurar pelo irm&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>A not&iacute;cia do desaparecimento se espalhou r&aacute;pido e logo familiares e amigos se juntaram &agrave; busca. Enquanto isso, Amadeu Gomes, o fazendeiro primo de Juarez, foi at&eacute; a pol&iacute;cia comunicar o sumi&ccedil;o do menino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A procura por Jaenes durou o dia todo. Na sexta-feira, ela continuou, mas n&atilde;o havia sinal do garoto em lugar nenhum. Parentes, amigos, autoridades, todos estavam preocupados e com medo de que o pior poderia ter acontecido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>No primeiro depoimento que prestou &agrave; pol&iacute;cia, em 15 de outubro de 1992, Juarez conta que cerca de 200 pessoas chegaram a integrar o servi&ccedil;o de busca por Jaenes, entre elas, soldados do Ex&eacute;rcito. J&aacute; a pol&iacute;cia n&atilde;o conseguiu prestar o apoio necess&aacute;rio, pois a &uacute;nica viatura da cidade estava ocupada com a seguran&ccedil;a das urnas eleitorais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda na sexta-feira, o pai do menino conversou com um vizinho que lhe contou um detalhe intrigante: perto das 12h do dia do desaparecimento, ele ouviu tr&ecirc;s gritos de Jaenes. Na hora, por&eacute;m, isso n&atilde;o chamou a sua aten&ccedil;&atilde;o porque pensou que o garoto estivesse apenas tocando o gado.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem sucesso, as buscas foram encerradas e retomadas no dia seguinte, 3 de outubro, dia das elei&ccedil;&otilde;es. Juarez saiu bem cedo com um grupo de 10 pessoas para reiniciar a procura. Ap&oacute;s percorrer cerca de um quil&ocirc;metro, ele ouviu um tiro e gritos apontando que o corpo de Jaenes havia sido encontrado. Ele correu para o local e se deparou com o filho deitado meio curvado, com os p&eacute;s cruzados e as m&atilde;os espalmadas, um pouco levantadas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pr&oacute;pria descri&ccedil;&atilde;o de Juarez, o corpo do menino tinha um corte no pulso esquerdo, estava com o pesco&ccedil;o bastante inchado e sem o globo ocular esquerdo. Al&eacute;m disso, ele apresentava um corte na regi&atilde;o do p&ecirc;nis: o &oacute;rg&atilde;o havia sido completamente removido &ndash; ou seja, a v&iacute;tima foi emasculada.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Logo ap&oacute;s o corpo ter sido encontrado, a pr&oacute;pria fam&iacute;lia arranjou um caix&atilde;o para transport&aacute;-lo para casa por volta das 9h30. Em seguida, o cad&aacute;ver foi enviado ao Hospital da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de para ser examinado.<\/p>\n\n\n\n<p>Amadeu Gomes, o fazendeiro e dono do posto, tinha v&aacute;rios irm&atilde;os, todos tamb&eacute;m primos de Juarez. Os mais conhecidos eram <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/geraldo-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde;o de Jos&eacute; Amadeu Gomes\" class=\"encyclopedia\">Geraldo Gomes<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/perilo-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde;o de Jos&eacute; Amadeu Gomes\" class=\"encyclopedia\">Perilo Gomes<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/arakem-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde;o de Jos&eacute; Amadeu Gomes\" class=\"encyclopedia\">Araqu&eacute;m Gomes<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/arnaldo-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde;o de Jos&eacute; Amadeu Gomes\" class=\"encyclopedia\">Arnaldo Gomes<\/a>. Arnaldo era um advogado conhecido na cidade, que na &eacute;poca concorria ao cargo de vereador.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o depoimento de Juarez, foi Perilo quem levou o m&eacute;dico para examinar o corpo de Jaenes. Mais tarde naquele dia, ele tamb&eacute;m deu carona para Juarez ir votar em seu primo Arnaldo.<\/p>\n\n\n\n<p>O vel&oacute;rio de Jaenes ocorreu no mesmo dia 3 de outubro. O relato de Juarez &agrave; pol&iacute;cia traz detalhes importantes sobre o evento. Segundo ele, muitas pessoas participaram da cerim&ocirc;nia de adeus ao menino. Em um certo momento, um conhecido, que Juarez n&atilde;o se lembra exatamente quem era, se aproximou e disse: &ldquo;o assassino desta crian&ccedil;a est&aacute; aqui no meio de n&oacute;s pois o cad&aacute;ver est&aacute; sangrando&rdquo;. O pai do garoto, ent&atilde;o, olhou para o corpo e notou que havia sangue pingando no ch&atilde;o. Ele achou isso muito estranho porque quando o menino foi encontrado n&atilde;o havia sangue nenhum, nem mesmo na roupa dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda no vel&oacute;rio, Juarez foi reconfortado por in&uacute;meras pessoas, entre elas, autoridades: o ent&atilde;o prefeito da cidade, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/armindo-denardin\/\" target=\"_self\" title=\"Prefeito de Altamira entre 1989 e 1992\" class=\"encyclopedia\">Armindo Denardin<\/a>; o prefeito eleito, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/mauricio-bastazini\/\" target=\"_self\" title=\"Prefeito de Altamira entre 1993 e 1996\" class=\"encyclopedia\">Maur&iacute;cio Bastazini<\/a>; e o vice-governador do Par&aacute;, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-jose-oliveira-santos\/\" target=\"_self\" title=\"Vice-governador do Par&aacute; entre 1991 e 1994\" class=\"encyclopedia\">Carlos Jos&eacute; Oliveira Santos<\/a>. Este &uacute;ltimo assegurou ao pai da v&iacute;tima que falaria com o governador, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jader-barbalho\/\" target=\"_self\" title=\"Governador do Par&aacute; entre 1991 e 1994\" class=\"encyclopedia\">Jader Barbalho<\/a>, para que ele enviasse uma comiss&atilde;o &agrave; Altamira com o objetivo de investigar o caso e prender o respons&aacute;vel ou respons&aacute;veis pelo crime.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Por conta das elei&ccedil;&otilde;es, o vice-governador estava na cidade e, como pol&iacute;tico, havia um motivo para que ele fizesse uma declara&ccedil;&atilde;o t&atilde;o contundente a Juarez: Jaenes n&atilde;o era o primeiro garoto que havia sido morto e emasculado na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>OUTRAS V&Iacute;TIMAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos autos de processo, h&aacute; anexado um documento intitulado &ldquo;Carta Aberta &agrave; Comunidade Altamirense&rdquo;, datado de outubro de 1992. Nela, h&aacute; uma lista de crian&ccedil;as que foram atacadas na cidade:<br><\/p>\n\n\n\n<ol><li><strong><em><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-sidney\/\" target=\"_self\" title=\"Primeiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Sidney<\/a><\/em><\/strong><em>, foi encontrado morto pr&oacute;ximo ao Aeroporto Velho, em julho de 1989;<\/em><\/li><li><strong><em><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a><\/em><\/strong><em>, 8 anos de idade; no dia 11 de novembro de 1990, foi emasculado. Sobreviveu;<\/em><\/li><li><strong><em><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ailton-fonseca-do-nascimento\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em maio de 1991 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ailton Fonseca do Nascimento<\/a><\/em><\/strong><em>, 8 anos de idade; desaparecido em julho de 1991, sendo encontrada s&oacute; a ossada;<\/em><\/li><li><strong><em><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wandicley-oliveira-pinheiro\/\" target=\"_self\" title=\"Terceiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Wandicley Oliveira Pinheiro<\/a><\/em><\/strong><em>, no dia 23 de setembro de 1990, foi sequestrado por tr&ecirc;s pessoas que o amarraram a uma &aacute;rvore, o emascularam, seviciaram e estupraram. Sobreviveu. Est&aacute; fazendo tratamento m&eacute;dico;<\/em><\/li><li><strong><em><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/judirley-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em janeiro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Judirley da Cunha Chipaia<\/a><\/em><\/strong><em>, 13 anos de idade, emasculado e morto no dia primeiro de janeiro deste ano<\/em>;<\/li><li><strong><em><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a><\/em><\/strong><em>, 13 anos, desaparecido no dia primeiro de outubro de 1992 e encontrado morto dois dias depois, emasculado e seviciado.&rdquo;&nbsp;<\/em>&nbsp;<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Antes de continuar, uma informa&ccedil;&atilde;o importante: a identidade do menino n&uacute;mero 2 da lista foi protegida a pedido da pr&oacute;pria v&iacute;tima, que hoje j&aacute; &eacute; um adulto. Ele entrou em contato com a produ&ccedil;&atilde;o do podcast e solicitou que o seu nome n&atilde;o aparecesse,&nbsp;o que foi respeitado. Por isso, ele sempre ser&aacute; referenciado como &ldquo;O <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a>&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Entre 1989 e 1992, seis meninos com idade entre oito e 12 anos foram mortos e\/ou emasculados em Altamira. As v&iacute;timas s&atilde;o listadas na carta como forma de chamar a popula&ccedil;&atilde;o para uma passeata com o objetivo de repudiar a neglig&ecirc;ncia do Estado diante dos crimes e pedir por justi&ccedil;a.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esse documento foi assinado pelo <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/movimento-contra-a-violencia-e-a-favor-da-vida\/\" target=\"_self\" title=\"Movimento social de Altamira ligado &agrave; garantia dos direitos das crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Movimento Contra a Viol&ecirc;ncia e a Favor da Vida<\/a>. N&atilde;o se sabe exatamente quando o grupo foi criado. Pode ter sido logo ap&oacute;s a morte de Jaenes ou um pouco antes, depois do assassinato de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/judirley-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em janeiro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Judirley da Cunha Chipaia<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer forma, o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/movimento-contra-a-violencia-e-a-favor-da-vida\/\" target=\"_self\" title=\"Movimento social de Altamira ligado &agrave; garantia dos direitos das crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Movimento Contra a Viol&ecirc;ncia e a Favor da Vida<\/a> representava a consolida&ccedil;&atilde;o de mobiliza&ccedil;&otilde;es anteriores, que tomaram forma junto &agrave; luta social de mulheres da regi&atilde;o. Entre elas, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonia-melo\/\" target=\"_self\" title=\"Ativista fundadora de organiza&ccedil;&otilde;es sociais em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nia Melo<\/a>, que segue como uma importante lideran&ccedil;a at&eacute; hoje. Al&eacute;m disso, o movimento levaria mais tarde &agrave; cria&ccedil;&atilde;o do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a>, que viria a ser encabe&ccedil;ado por Rosa Pessoa, m&atilde;e de Jaenes, e receberia anos depois apoio de grandes &oacute;rg&atilde;os, como a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/unicef\/\" target=\"_self\" title=\"&Oacute;rg&atilde;o internacional em defesa dos direitos das crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">UNICEF<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, &eacute; bom lembrar que a Nova Constitui&ccedil;&atilde;o brasileira, de 1988, ainda engatinhava na &eacute;poca em que os meninos foram atacados. O Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente, o ECA, s&oacute; foi aprovado em 13 de julho de 1990. At&eacute; ent&atilde;o, vigorava o chamado &ldquo;C&oacute;digo de Menores&rdquo;, lei criada na ditadura militar, que afastava da sociedade menores de idade em situa&ccedil;&atilde;o de pobreza e vulnerabilidade, pois eram vistos como poss&iacute;veis infratores. Assim, o movimento pedia a prote&ccedil;&atilde;o para as crian&ccedil;as de Altamira especialmente com base na recente aprova&ccedil;&atilde;o do ECA.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o Estado falhava em cumprir o seu papel, a popula&ccedil;&atilde;o se organizava em lutas sociais. No caso do movimento que assinou a carta aberta, al&eacute;m de lideran&ccedil;as de base e familiares dos meninos, havia a presen&ccedil;a de l&iacute;deres religiosos, o que era bastante comum na &eacute;poca. Em Altamira, dois nomes da Igreja Cat&oacute;lica se destacavam: o bispo em&eacute;rito da Prelazia do Xingu, o austr&iacute;aco <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/dom-erwin-krautler\/\" target=\"_self\" title=\"Bispo em&eacute;rito da Prelazia do Xingu em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Dom Erwin Kr&auml;utler<\/a>, e o padre italiano <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/padre-savio-corinaldesi\/\" target=\"_self\" title=\"Padre e coordenador da Pastoral de Altamira em 1992\" class=\"encyclopedia\">S&aacute;vio Corinaldesi<\/a>. Ambos eram ligados a mission&aacute;rios adeptos da Teologia da Liberta&ccedil;&atilde;o &ndash; uma corrente de pensamento nascida na Am&eacute;rica Latina na d&eacute;cada de 1970 que defende o envolvimento da igreja em lutas sociais, principalmente em prol dos mais pobres. Um terceiro nome que se destacava nesse sentido era o do tamb&eacute;m italiano Padre <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/padre-bruno-sechi\/\" target=\"_self\" title=\"Forte lideran&ccedil;a religiosa em Bel&eacute;m do Par&aacute; na &eacute;poca dos crimes\" class=\"encyclopedia\">Bruno Sechi<\/a>, forte lideran&ccedil;a em Bel&eacute;m, que prestava aux&iacute;lio ao movimento, mesmo que &agrave; dist&acirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>A passeata organizada pelo movimento, no entanto, n&atilde;o foi a primeira tentativa de pedir justi&ccedil;a e prote&ccedil;&atilde;o para as crian&ccedil;as de Altamira. A cidade se movimentava e formava uma articula&ccedil;&atilde;o social em torno dos casos desde a emascula&ccedil;&atilde;o do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a> em 1989. Em janeiro de 1992, ap&oacute;s a morte de Judirley, tamb&eacute;m houve uma manifesta&ccedil;&atilde;o no munic&iacute;pio, encabe&ccedil;ada pelo grupo de mulheres. Na ocasi&atilde;o, cerca de 100 pessoas se reuniram para pedir provid&ecirc;ncias ao Estado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quinta v&iacute;tima listada na carta, morta e emasculada meses antes de Jaenes, Judirley era membro da importante etnia ind&iacute;gena Xipaya &ndash; ao ser registrado no cart&oacute;rio, recebeu o sobrenome escrito na grafia &ldquo;Chipaia&rdquo;. Segundo o pai do menino, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-marialves\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Judirley da Cunha Chipaia\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Marialves<\/a>, o crime b&aacute;rbaro contra o filho chamou a aten&ccedil;&atilde;o de &oacute;rg&atilde;os como a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/funai\/\" target=\"_self\" title=\"Institui&ccedil;&atilde;o que tem como miss&atilde;o proteger os direitos dos povos ind&iacute;genas\" class=\"encyclopedia\">FUNAI<\/a>, que ajudou a dar visibilidade &agrave; situa&ccedil;&atilde;o na imprensa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em 9 de outubro de 1992, o protesto ap&oacute;s a morte de Jaenes teve uma ades&atilde;o muito maior do que as mobiliza&ccedil;&otilde;es anteriores. Segundo a professora Paula Lacerda, o evento, que aconteceu em frente &agrave; escola onde o garoto estudava, contou com aproximadamente 10 mil pessoas. A popula&ccedil;&atilde;o, desamparada pela justi&ccedil;a oficial, expressava um grito de indigna&ccedil;&atilde;o h&aacute; muito tempo contido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A carta aberta assinada pelo <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/movimento-contra-a-violencia-e-a-favor-da-vida\/\" target=\"_self\" title=\"Movimento social de Altamira ligado &agrave; garantia dos direitos das crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Movimento Contra a Viol&ecirc;ncia e a Favor da Vida<\/a> demonstra bem o in&iacute;cio de tudo. O n&iacute;vel de neglig&ecirc;ncia e abandono das autoridades era t&atilde;o grande que sequer havia uma no&ccedil;&atilde;o do n&uacute;mero exato de v&iacute;timas at&eacute; aquele momento. Al&eacute;m disso, o documento possui alguns erros de dados: o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a> &eacute; citado como tendo sido atacado em 1990, mas na verdade foi um ano antes, em 1989. Outro exemplo &eacute; o que se fala da primeira v&iacute;tima, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-sidney\/\" target=\"_self\" title=\"Primeiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Sidney<\/a>, dada como morta pelo documento. Em mat&eacute;ria de 10 de abril de 1993, da TV Liberal, afiliada da Rede Globo no Par&aacute;, o jornalista <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/emanuel-villaca\/\" target=\"_self\" title=\"Jornalista que trabalhava para a TV Liberal na &eacute;poca dos crimes\" class=\"encyclopedia\">Emanuel Villa&ccedil;a<\/a> descobriu que o menino estava vivo. A reportagem chegou a ir ao ar no Jornal Nacional.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma publica&ccedil;&atilde;o do Comit&ecirc; de 1996 &ndash; quatro anos depois da morte de Jaenes &ndash;, o n&uacute;mero inicial de seis v&iacute;timas sobe para um total assustador de 26 crian&ccedil;as. Segundo esse registro, elas estavam divididas em quatro grupos principais:<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; nove sofreram tentativas de sequestro;<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; cinco desapareceram;<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; oito foram assassinadas &ndash; algumas emasculadas, outras tiveram seus corpos encontrados apenas como ossadas ou em estado avan&ccedil;ado de putrefa&ccedil;&atilde;o;<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; quatro sobreviveram aos ataques.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse mesmo relat&oacute;rio do Comit&ecirc;, um dos sobreviventes &eacute; sequer identificado, sendo mencionado apenas como o &ldquo;An&ocirc;nimo do Anapu&rdquo;. A exist&ecirc;ncia de uma v&iacute;tima sem nome em Anapu, munic&iacute;pio vizinho, traz &agrave; tona a dificuldade de saber quantas crian&ccedil;as foram atacadas n&atilde;o s&oacute; em Altamira, mas tamb&eacute;m nos arredores da cidade. &Eacute; poss&iacute;vel que existam v&iacute;timas mais antigas que tiveram medo ou vergonha de falar sobre os traumas pelos quais passaram.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com a pesquisa de Paula Lacerda, desses 26 casos que ocorreram entre 1989 e 1993, apenas 12 possuem registro ou abertura de inqu&eacute;rito policial. Isso significa que 14 s&atilde;o oficialmente inexistentes. Ora por descaso das autoridades, ora por falta de registro por parte das fam&iacute;lias, seja por medo, por serem analfabetas ou em situa&ccedil;&atilde;o de vulnerabilidade, ou at&eacute; mesmo por pura descren&ccedil;a na justi&ccedil;a oficial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui a pergunta que fica &eacute;: como &eacute; poss&iacute;vel que crian&ccedil;as estejam sendo atacadas, mortas de forma t&atilde;o violenta, emasculadas, e isso n&atilde;o ter virado um esc&acirc;ndalo nacional? Como a situa&ccedil;&atilde;o chegou a esse ponto?<\/p>\n\n\n\n<p>Para Paula Lacerda, a falta de estrutura e cuidado das autoridades &eacute; aparente. Mais do que isso, ela &eacute; estrat&eacute;gica. &ldquo;Eu penso que n&atilde;o existe aus&ecirc;ncia do Estado, &eacute; uma seletividade do Estado. Porque &eacute; essa seletividade que vai justamente escolher quais inqu&eacute;ritos ser&atilde;o abertos, quais ficar&atilde;o parados, quais ser&atilde;o movidos e contra quais pessoas. Ent&atilde;o, em muitos casos, inclusive casos de assassinatos de lideran&ccedil;as, voc&ecirc; v&ecirc; a pol&iacute;cia agindo n&atilde;o para investigar, mas para proteger aqueles que seriam os mandantes&rdquo;, diz ela.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, segundo a professora, &eacute; poss&iacute;vel falar na exist&ecirc;ncia de uma esp&eacute;cie de cons&oacute;rcio de poderosos estabelecidos fora da estrutura formal do Estado, mas que t&ecirc;m a capacidade de influenciar as a&ccedil;&otilde;es estatais a seu favor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A ideia trazida pela antrop&oacute;loga sobre uma falta de estrutura intencional pode parecer para alguns algo conspirat&oacute;rio, mas ela explica bem o sentimento da popula&ccedil;&atilde;o de Altamira, especialmente em rela&ccedil;&atilde;o a esses casos no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990. Isso fica evidente em uma entrevista que a dona Rosa, m&atilde;e de Jaenes, concedeu ao programa Rep&oacute;rter Record, que foi ao ar em 2004. Na reportagem, ela ressalta que 15 delegados passaram por Altamira durante a &eacute;poca dos crimes e que as ocorr&ecirc;ncias desapareciam misteriosamente da delegacia. Ela diz que, dos 26 casos, apenas cinco tiveram inqu&eacute;ritos abertos. A informa&ccedil;&atilde;o foi verificada e confirmada por Ivan Mizanzuk: somente cinco v&iacute;timas fazem parte oficialmente do processo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O que teria acontecido com as outras investiga&ccedil;&otilde;es? Seria um caso de neglig&ecirc;ncia generalizada e cont&iacute;nua da pol&iacute;cia? Falta de estrutura? O fato &eacute; que, dos 71 volumes que comp&otilde;em o caso de Altamira, em 24 est&atilde;o contidos os autos do Caso Evandro. A conex&atilde;o entre essas duas hist&oacute;rias &eacute; profunda, ao mesmo tempo que n&atilde;o &eacute; t&atilde;o evidente quanto a imprensa e as autoridades na &eacute;poca davam a entender.<\/p>\n\n\n\n<p>Por tr&aacute;s da conex&atilde;o entre os dois casos, existe a tese de que havia um grupo poderoso interessado em que esses crimes jamais fossem esclarecidos, e que essas pessoas ocupavam o cora&ccedil;&atilde;o do poder de Altamira. Para entender melhor essa rela&ccedil;&atilde;o, &eacute; necess&aacute;rio mergulhar na hist&oacute;ria da cidade e nos rumos que as investiga&ccedil;&otilde;es tomaram a partir da morte de Jaenes, quando o primeiro suspeito aparece.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MAPA DOS CRIMES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para acessar o mapa dos crimes, clique <a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/u\/0\/viewer?mid=1YVq3NwE8YBcsOBsuvBeh_BOgkeTy2z0n&amp;ll=-3.1867393954922916%2C-52.22671057139959&amp;z=12\">aqui.<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p>O mapa indica os locais onde as v&iacute;timas sobreviventes foram resgatadas (verde), onde os corpos das v&iacute;timas fatais foram encontrados (amarelo) e onde os desaparecidos foram vistos pela &uacute;ltima vez (roxo). Os locais s&atilde;o aproximados. Tamb&eacute;m s&atilde;o informadas a idade que os meninos tinham e as datas dos crimes.<\/p>\n\n\n\n<p>Como &agrave;s vezes h&aacute; diverg&ecirc;ncias em detalhes entre o que est&aacute; em documentos policiais e judiciais e o que o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a> indica, foram priorizadas as informa&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o em autos processuais. J&aacute; nos casos em que n&atilde;o existem registros oficiais, os dados do Comit&ecirc; s&atilde;o utilizados. H&aacute; ainda casos apontados pelo Comit&ecirc; cuja localiza&ccedil;&atilde;o &eacute; desconhecida, portanto, n&atilde;o s&atilde;o apresentados neste mapa.<\/p>\n\n\n\n<p>O mapa exibe a geografia atual de Altamira. Na &eacute;poca do caso dos emasculados, alguns aspectos eram diferentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Meninos de Altamira<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/34"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=34"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=34"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=34"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}