{"id":333,"date":"2022-06-02T00:01:00","date_gmt":"2022-06-02T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=333"},"modified":"2022-06-01T15:57:23","modified_gmt":"2022-06-01T18:57:23","slug":"extras-episodio-09","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-09\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 09"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>INTERROGAT&Oacute;RIO DE CARLOS ALBERTO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/cesio-flavio-caldas-brandao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico reconhecido por Agostinho como suspeito na morte de Jaenes\" class=\"encyclopedia\">C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o<\/a>, o ex-policial militar <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-alberto-dos-santos-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Policial militar acusado no caso dos meninos\" class=\"encyclopedia\">Carlos Alberto dos Santos Lima<\/a>, o A. Santos, foi o terceiro suspeito a ser interrogado. O delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> ouviu o acusado em 13 de julho de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>Como j&aacute; mencionado em epis&oacute;dios anteriores, o rapaz acabou envolvido no caso dos meninos por conta de um relato da conselheira tutelar <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/sueli-de-oliveira-matos\/\" target=\"_self\" title=\"Conselheira tutelar que escreveu carta sobre o policial A. Santos\" class=\"encyclopedia\">Sueli de Oliveira Matos<\/a>, de Macap&aacute;. Segundo ela, o pr&oacute;prio A. Santos havia lhe contado que certa vez trabalhou como seguran&ccedil;a para <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a>, que ele acreditava ser o mandante dos crimes em Altamira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi&atilde;o em que foi ouvido por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, Carlos Alberto tinha 26 anos de idade e estava sem advogado. O promotor S&eacute;rgio Tib&uacute;rcio dos Santos Lima, designado para atuar no caso, acompanhou o depoimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao delegado e ao promotor, A. Santos disse que havia servido como soldado da Pol&iacute;cia Militar em Altamira entre 1987 e 1989, ano em que saiu da cidade. Ele s&oacute; retornou para o munic&iacute;pio em outubro de 1992, onde ficou por pouco tempo, at&eacute; se mudar novamente em 25 de novembro.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi nesse curto per&iacute;odo, entre outubro e novembro de 1992, que o jovem de fato trabalhou como seguran&ccedil;a na casa da fam&iacute;lia Gomes. Apesar de Carlos Alberto citar a resid&ecirc;ncia como sendo de Amadeu, o que tecnicamente era verdade, no decorrer do processo descobre-se que o fazendeiro j&aacute; n&atilde;o morava mais l&aacute;.<\/p>\n\n\n\n<p>Antes mesmo de Amailton ser procurado pela pol&iacute;cia, o casamento de Amadeu com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/zaila-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Amailton Madeira Gomes\" class=\"encyclopedia\">Zaila Madeira Gomes<\/a> j&aacute; n&atilde;o ia muito bem. Enquanto o caso contra o filho do casal avan&ccedil;ava, a uni&atilde;o dos dois encerrava-se de vez e, no fim, quem ficou na casa foi Zaila.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo diversos depoimentos, a m&atilde;e de Amailton sentia a necessidade de contratar um seguran&ccedil;a. Rec&eacute;m-chegado &agrave; Altamira, Carlos Alberto foi apresentado &agrave; Zaila por um policial militar chamado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/a-soares\/\" target=\"_self\" title=\"PM que teria apresentado Carlos Alberto &agrave; Zaila Gomes\" class=\"encyclopedia\">A. Soares<\/a>, um conhecido dos dois. Como o ex-PM precisava de emprego, logo aceitou o trabalho na propriedade da fam&iacute;lia Gomes.<\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; dif&iacute;cil saber exatamente quanto tempo ele permaneceu na fun&ccedil;&atilde;o. H&aacute; relatos que falam em seis dias, outros em 10, outros em duas semanas.<\/p>\n\n\n\n<p>O motivo da demiss&atilde;o tamb&eacute;m diverge. Em depoimento prestado dias depois, Zaila afirmou que soube que Carlos Alberto havia pegado uma faca e cortado os cabelos da sua ent&atilde;o esposa, que era menor de idade. Por medo do temperamento do rapaz, ela teria decidido mand&aacute;-lo embora.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-21-Zaila-Madeira-Gomes1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Zaila Madeira Gomes<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; a vers&atilde;o de A. Santos, descrita em um segundo interrogat&oacute;rio, era outra. Ele comentou que teria sido demitido por ter levado uma mulher para dormir com ele enquanto trabalhava na casa.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer modo, o depoimento do ex-PM &eacute; centrado especificamente nesse curto per&iacute;odo de tempo que passou na casa de Zaila. De acordo com ele, a patroa teria dado ordem expressa para n&atilde;o deixar ningu&eacute;m entrar na propriedade. Para isso, ele fazia a guarda armado e tinha permiss&atilde;o para atirar.<\/p>\n\n\n\n<p>O ent&atilde;o seguran&ccedil;a descrevia a m&atilde;e de Amailton como uma mulher &ldquo;misteriosa&rdquo;. Uma das coisas que mais lhe chamava a aten&ccedil;&atilde;o era o fato de ela n&atilde;o permitir que passassem da cozinha para o quintal, mesmo que n&atilde;o houvesse ningu&eacute;m na casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Alberto citava tamb&eacute;m o genro de Zaila, chamado C&eacute;sar. Nos autos do processo, n&atilde;o h&aacute; informa&ccedil;&otilde;es sobre exatamente com quem esse homem seria casado. Al&eacute;m disso, ele nunca prestou nenhum depoimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas, de acordo com A. Santos, C&eacute;sar era respons&aacute;vel por cuidar de v&aacute;rios assuntos na resid&ecirc;ncia de Zaila ap&oacute;s o t&eacute;rmino da uni&atilde;o com Amadeu. O ex-PM o descrevia como algu&eacute;m que tinha &ldquo;caracter&iacute;sticas de ser umbandista&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>No geral, h&aacute; pelo menos tr&ecirc;s elementos desse depoimento que s&atilde;o bastante significativos para o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>:<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; O primeiro refere-se &agrave; fama de que a fam&iacute;lia Gomes era poderosa e perigosa. Em certo trecho, Carlos Alberto dizia que havia armamento pesado guardado no forro da casa e que ele seria controlado por C&eacute;sar. Em outra passagem, ele contava que um dos filhos de Amadeu e Zaila teria lhe feito uma proposta para matar algu&eacute;m, o que acabou recusando. Por fim, afirmava ter ouvido Zaila dizer para alguns visitantes da resid&ecirc;ncia: &ldquo;V&atilde;o tranquilos que, por mais que Amailton esteja envolvido nesses casos, a coisa n&atilde;o vai ficar assim. Ele vai sair e nada vai lhe acontecer&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; O segundo elemento &eacute; referente a suspeitas de envolvimento com o que os investigadores na &eacute;poca acreditavam ser ind&iacute;cios de pr&aacute;tica de magia negra. Al&eacute;m de citar uma esp&eacute;cie de reza &ldquo;desconhecida&rdquo; que a fam&iacute;lia fazia quando a situa&ccedil;&atilde;o estava dif&iacute;cil, Carlos Alberto tamb&eacute;m descreveu uma foto &ldquo;estranha&rdquo; que teria encontrado na casa. De acordo com ele, a imagem mostrava um grupo de pessoas vestidas de branco, encapuzadas, formando um c&iacute;rculo, de m&atilde;os dadas. No meio, havia um pano vermelho e, sobre ele, um caix&atilde;o de mais ou menos um metro e meio de comprimento. Ao lado, estava um pequeno altar, com as figuras de Buda, do Preto Velho, S&atilde;o Jorge e uma imagem de Satan&aacute;s. No ambiente ele viu tamb&eacute;m velas acesas e garrafas verdes com um l&iacute;quido escuro dentro, todas etiquetadas.<\/p>\n\n\n\n<p>Levando tamb&eacute;m em considera&ccedil;&atilde;o que se tentava estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o entre deprava&ccedil;&atilde;o moral e homossexualidade, h&aacute; outro trecho do depoimento de A. Santos que se destaca: ele afirma que Zaila seria l&eacute;sbica. Como j&aacute; mencionado anteriormente, h&aacute; v&aacute;rias declara&ccedil;&otilde;es dessa natureza no processo, mas nenhuma confirma&ccedil;&atilde;o de que isso seja verdade. Mesmo que fosse, n&atilde;o fica claro exatamente o que essa informa&ccedil;&atilde;o teria a ver com os crimes. A impress&atilde;o &eacute; de que os investigadores tentavam apenas refor&ccedil;ar a ideia de que os Gomes seriam uma fam&iacute;lia com um hist&oacute;rico do que eles entendiam como &ldquo;deprava&ccedil;&atilde;o sexual&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; Enfim, o terceiro elemento importante para as investiga&ccedil;&otilde;es &eacute; a fala de Carlos Alberto sobre a atua&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos nos crimes em Altamira. Nesse interrogat&oacute;rio, ele deixou claro o coment&aacute;rio na cidade de que o doutor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/anisio-ferreira-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico acusado no caso dos meninos emasculados\" class=\"encyclopedia\">An&iacute;sio Ferreira de Souza<\/a> seria um dos respons&aacute;veis por cortar as crian&ccedil;as. E o mais importante: ele era uma das pessoas que frequentava a casa dos Gomes, segundo A. Santos.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-13-Interrogatorio-Carlos-Alberto-dos-Santos-Lima-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Carlos Alberto dos Santos Lima<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTERROGAT&Oacute;RIO DE AN&Iacute;SIO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O interrogat&oacute;rio de An&iacute;sio aconteceu no dia 14 de julho de 1993, com a presen&ccedil;a de uma advogada. Na &eacute;poca, ele tinha 52 anos de idade &ndash; destes, 11 foram dedicados &agrave; pr&aacute;tica da medicina em Altamira, onde montou uma pequena cl&iacute;nica. A sua especialidade era a ginecologia e obstetr&iacute;cia, mas acabava fazendo de tudo um pouco.<\/p>\n\n\n\n<p>Como j&aacute; dito no epis&oacute;dio anterior, h&aacute; duas vis&otilde;es opostas sobre o doutor An&iacute;sio: enquanto alguns o viam como um m&eacute;dico bom e atencioso com pessoas pobres, outros afirmavam que ele tinha uma p&eacute;ssima &iacute;ndole e chegava a cometer crimes durante os atendimentos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos relatos que denuncia a pr&aacute;tica m&eacute;dica do suspeito encontra-se ainda na fase de inqu&eacute;rito da investiga&ccedil;&atilde;o conduzida pelo delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/brivaldo-pinto-soares-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelo inqu&eacute;rito de Jaenes em outubro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Brivaldo Pinto Soares Filho<\/a>. O testemunho &eacute; de uma mulher chamada <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/raimunda-gomes-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que presta depoimento desfavor&aacute;vel ao m&eacute;dico An&iacute;sio\" class=\"encyclopedia\">Raimunda Gomes da Silva<\/a>, na &eacute;poca com 34 anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>Em depoimento, Raimunda disse que passou por uma cirurgia sem anestesia com o doutor An&iacute;sio e que ele lhe retirou um &oacute;rg&atilde;o sem a sua permiss&atilde;o. A testemunha n&atilde;o &eacute; muito espec&iacute;fica em seu relato, mas &eacute; poss&iacute;vel entender que ela foi esterilizada sem consentimento.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1992-10-22-Depoimento-Raimunda-Gomes-da-Silva-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Raimunda Gomes da Silva<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Anexado aos autos do processo, h&aacute; um of&iacute;cio do Conselho Regional de Medicina do Par&aacute;, tamb&eacute;m datado de 14 de julho de 1993. O documento afirmava que n&atilde;o havia nenhuma den&uacute;ncia registrada contra o doutor C&eacute;sio, mas que An&iacute;sio, por outro lado, respondia por um inqu&eacute;rito &eacute;tico-profissional. A investiga&ccedil;&atilde;o tinha sido aberta em virtude de uma den&uacute;ncia feita pelo Movimento de Mulheres de Altamira. N&atilde;o h&aacute; mais detalhes, no entanto, de qual seria o teor dessa acusa&ccedil;&atilde;o. Aqui &eacute; importante lembrar que esse grupo de ativistas ajudou a formar as bases do que viria a ser o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-14-Conselho-Regional-de-Medicina-do-Para-afirma-que-Anisio-passa-por-processo-feito-pelo-movimento-de-mulheres.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Of&iacute;cio do Conselho Regional de Medicina do Par&aacute; sobre An&iacute;sio e C&eacute;sio<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os incentivos governamentais em pol&iacute;ticas de esteriliza&ccedil;&atilde;o de mulheres pobres n&atilde;o era algo completamente desconhecido, mas n&atilde;o foram encontradas pesquisas espec&iacute;ficas sobre essa quest&atilde;o em Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>Por&eacute;m, a n&iacute;vel nacional, em 1991 houve a cria&ccedil;&atilde;o de uma Comiss&atilde;o Parlamentar Mista de Inqu&eacute;rito (CPMI) sobre o tema. Presidida pela ent&atilde;o deputada federal <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/benedita-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Presidente da CPMI que investigou a esteriliza&ccedil;&atilde;o de mulheres no Brasil\" class=\"encyclopedia\">Benedita da Silva<\/a> (PT) e com o senador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-patrocinio\/\" target=\"_self\" title=\"Relator da CPMI que investigou a esteriliza&ccedil;&atilde;o de mulheres no Brasil\" class=\"encyclopedia\">Carlos Patroc&iacute;nio<\/a> (PFL) de relator, ela tinha como objetivo examinar a incid&ecirc;ncia da esteriliza&ccedil;&atilde;o em massa de mulheres no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat&oacute;rio final publicado pelo grupo em 1993 traz dados alarmantes. Segundo o documento, havia no pa&iacute;s pol&iacute;ticas de controle de natalidade financiadas por recursos de proced&ecirc;ncia internacional, que contavam com a omiss&atilde;o do governo brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre esses m&eacute;todos, estava a esteriliza&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica feminina. De acordo com dados do IBGE, em 1986, o Brasil tinha mais de 5,9 milh&otilde;es de mulheres esterilizadas, o que correspondia a 15,8% das brasileiras de 15 a 54 anos. A Comiss&atilde;o destaca que, naquela &eacute;poca, esse &iacute;ndice era pelo menos tr&ecirc;s vezes maior que o de pa&iacute;ses desenvolvidos e superior a quase todas as na&ccedil;&otilde;es em desenvolvimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitas vezes, esses procedimentos eram apresentados &agrave;s mulheres como a &uacute;nica op&ccedil;&atilde;o contraceptiva dispon&iacute;vel e elas n&atilde;o eram devidamente informadas sobre os riscos e a irreversibilidade da laqueadura tub&aacute;ria. Al&eacute;m disso, em diversas partes do pa&iacute;s, n&atilde;o era incomum o uso eleitoreiro da esteriliza&ccedil;&atilde;o, com a troca de cirurgias por votos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Altamira, relatos pessoais coletados pelo podcast d&atilde;o conta de que de fato existia uma esp&eacute;cie de diretriz nacional com a inten&ccedil;&atilde;o de esterilizar mulheres que j&aacute; eram m&atilde;es. Uma fonte que preferiu n&atilde;o se identificar contou que passou pela cirurgia logo ap&oacute;s um parto, mesmo sem nunca ter pedido tal procedimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda segundo o IBGE, novamente com dados de 1986, 68,2% das esteriliza&ccedil;&otilde;es eram realizadas em hospitais, cl&iacute;nicas ou consult&oacute;rios particulares. No entanto, 59,5% das mulheres entrevistadas declararam que pagaram pela cirurgia. Assim, a CPMI presumiu que boa parte das laqueaduras gratuitas foi indiretamente custeada pelo setor p&uacute;blico. Em alguns casos, por &ldquo;entidades controlistas e pol&iacute;ticos&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/10Dg1XIYUrsf-jAT4GDexBcSmR-Qnfz6A\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Relat&oacute;rio final da CPMI sobre a esteriliza&ccedil;&atilde;o de mulheres no Brasil<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse contexto, n&atilde;o seria improv&aacute;vel que a cl&iacute;nica do doutor An&iacute;sio fosse um dos lugares que realizavam tais procedimentos. O m&eacute;dico era obstetra, atendia mulheres gr&aacute;vidas, muitas delas pobres, e havia coment&aacute;rios de pacientes sobre supostos atos de viol&ecirc;ncia cometidos por ele durante atendimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito isto, &eacute; importante esclarecer que An&iacute;sio sempre negou fazer qualquer tipo de interven&ccedil;&atilde;o sem a permiss&atilde;o da paciente.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos autos, no entanto, h&aacute; um forte depoimento que descreve m&aacute;s pr&aacute;ticas por parte do m&eacute;dico. A paciente, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/alexandrina-silva-dos-santos\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que denuncia m&aacute;s pr&aacute;ticas m&eacute;dicas de An&iacute;sio\" class=\"encyclopedia\">Alexandrina Silva dos Santos<\/a>, foi ouvida pelo delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> em 29 de julho de 1993. Em seu testemunho, ela explicou que estava gr&aacute;vida de nove meses e, quando sentiu as dores do parto, foi at&eacute; a cl&iacute;nica do doutor An&iacute;sio. L&aacute;, ele administrou a anestesia geral e realizou uma cirurgia, mas depois disse &agrave; Alexandrina que ela n&atilde;o tinha um beb&ecirc; na barriga, e sim um cisto. Ap&oacute;s a opera&ccedil;&atilde;o, o m&eacute;dico lhe entregou um vidro com um pequeno &ldquo;caro&ccedil;o&rdquo; dentro, de cor branca, alegando que havia retirado aquilo dela.<\/p>\n\n\n\n<p>Para tornar tudo ainda mais estranho, Alexandrina declarou que An&iacute;sio abriu o seu abd&ocirc;men formando uma esp&eacute;cie de cruz, talvez para evidenciar um prov&aacute;vel ritual, e que outras seis pessoas o acompanharam durante o procedimento.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-29-Alexandrina-Silva-dos-Santos-1.pdf\" target=\"_blank\">Depoimento de Alexandrina Silva dos Santos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ao ouvir um relato t&atilde;o chocante, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> pediu para que uma per&iacute;cia fosse conduzida tanto na testemunha quanto no acompanhamento pr&eacute;-natal feito na cidade onde ela morava, Medicil&acirc;ndia. Ao analisar a ficha da paciente, o Instituto M&eacute;dico Legal concluiu que n&atilde;o era poss&iacute;vel afirmar se Alexandrina estava de fato gr&aacute;vida ao se consultar com An&iacute;sio. Isso porque, no prontu&aacute;rio todo escrito &agrave; m&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; exames de sangue, de urina ou at&eacute; mesmo uma ultrassonografia, que poderiam atestar a gesta&ccedil;&atilde;o. Existia no documento apenas a descri&ccedil;&atilde;o de testes de percep&ccedil;&atilde;o visual, que informavam o tamanho da barriga e o tempo de gravidez.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o &ldquo;caro&ccedil;o&rdquo; no vidro, nenhuma an&aacute;lise p&ocirc;de ser realizada, uma vez que a pr&oacute;pria Alexandrina jogou o conte&uacute;do fora ap&oacute;s a cirurgia.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/Prontuario-Alexandrina-Silva-dos-Santos-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Prontu&aacute;rio m&eacute;dico de Alexandrina <\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-08-02-Pedido-de-pericia-indireta-nos-exames-de-Alexandrina-Silva-dos-Santos.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pedido de per&iacute;cia nos exames de Alexandrina<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-08-05-Laudo-Pericia-Indireta-em-Alexandrina.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Laudo de per&iacute;cia nos exames de Alexandrina<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Olhando para o processo em si, um detalhe &eacute; relevante: o depoimento de Alexandrina foi prestado 15 dias ap&oacute;s An&iacute;sio ser ouvido. Isso quer dizer que, mesmo sem a presen&ccedil;a oficial da paciente nos autos, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> questionou o m&eacute;dico sobre ela. O suspeito respondeu que n&atilde;o se lembrava dessa mulher em espec&iacute;fico, pois eram in&uacute;meros os atendimentos que realizava. Mas, pelo relato, segundo ele, parecia tratar-se de um caso de pseudociese, conhecida como &ldquo;gravidez psicol&oacute;gica&rdquo;. Apesar disso, An&iacute;sio reiterou que n&atilde;o se recordava de Alexandrina e que nenhum beb&ecirc; ou crian&ccedil;a jamais desapareceu em sua cl&iacute;nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse trecho &eacute; revelador por dois motivos. Primeiro, porque mostra que o testemunho da paciente j&aacute; havia sido coletado pela Pol&iacute;cia Federal e provavelmente repassado ao delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>. E, segundo, porque surge uma suspeita ainda mais macabra em torno da figura de An&iacute;sio: de que ele seria um m&eacute;dico capaz de retirar o beb&ecirc; de uma mulher gr&aacute;vida de nove meses e depois mentir para ela. A suspeita, como j&aacute; mencionada, era de que ele e o grupo de criminosos usariam os corpos de crian&ccedil;as em rituais macabros.<\/p>\n\n\n\n<p>Provavelmente isso explica as perguntas sobre religi&atilde;o feitas para o interrogado. Neste t&oacute;pico, o suspeito afirmou ser esp&iacute;rita kardecista e admitiu que visitava o terreiro de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maezinha\/\" target=\"_self\" title=\"Conhecida m&atilde;e de santo em Altamira na d&eacute;cada de 1990\" class=\"encyclopedia\">M&atilde;ezinha<\/a>, mas que n&atilde;o era umbandista. Al&eacute;m disso, ele negou ser um m&eacute;dico que fazia cirurgias espirituais, outro boato que corria pela cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A m&aacute; fama do doutor An&iacute;sio era t&atilde;o grande em alguns c&iacute;rculos sociais que havia quem desconfiasse que ele nem era formado em medicina. Por outro lado, o ginecologista sempre dizia que esses rumores eram infundados e que ele se graduou na Universidade de Medicina do Estado do Amazonas.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre as suspeitas de envolvimento nos crimes contra os meninos em Altamira, ele tamb&eacute;m negou tudo. Entre os demais acusados, o &uacute;nico que ele afirmava conhecer era Amadeu Gomes, e apenas de vista, assim como a ex-esposa do fazendeiro, Zaila. Isso devido a uma visita a um paciente que o ent&atilde;o casal havia feito em seu consult&oacute;rio. Ele, no entanto, contrariou o depoimento de Carlos Alberto e refor&ccedil;ou que nunca tinha frequentado a casa da fam&iacute;lia Gomes.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui tamb&eacute;m &eacute; importante relembrar o seguinte: durante interrogat&oacute;rio, C&eacute;sio comentou que conhecia An&iacute;sio porque, certa vez, ele teria ido at&eacute; o Hospital da Funda&ccedil;&atilde;o pedir seu apoio na candidatura para vereador nas elei&ccedil;&otilde;es de 1992. Mas, agora, An&iacute;sio afirmava que n&atilde;o conhecia C&eacute;sio &ndash; uma contradi&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o passou despercebida por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Atr&aacute;s de mais elementos que pudessem trazer &agrave; tona informa&ccedil;&otilde;es sobre o comportamento de An&iacute;sio, o investigador ouviu o relato de um garoto de 13 anos de idade, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jeanes-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Garoto de 13 anos que ficou internado na cl&iacute;nica de An&iacute;sio em 1992\" class=\"encyclopedia\">Jeanes da Silva<\/a>. O depoimento tamb&eacute;m &eacute; datado de 29 de julho de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>&Agrave; pol&iacute;cia, o adolescente contou sobre quando precisou ser internado na minicl&iacute;nica do doutor An&iacute;sio por causa de um peda&ccedil;o de madeira que entrou seu bra&ccedil;o. O incidente havia ocorrido quase um m&ecirc;s antes, na col&ocirc;nia onde o menino morava com o pai, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Jeanes da Silva, que ficou internado na cl&iacute;nica de An&iacute;sio em 1992\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; da Silva<\/a> &ndash; que tamb&eacute;m foi ouvido pelo delegado no mesmo dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na &eacute;poca, Jos&eacute; conhecia An&iacute;sio h&aacute; quase 20 anos, ainda do tempo que ele morava no Maranh&atilde;o. Em setembro de 1992, no meio da campanha pol&iacute;tica, o m&eacute;dico passou pela col&ocirc;nia de Jos&eacute; e reconheceu o velho amigo. O pai de Jeanes, ent&atilde;o, aproveitou a oportunidade para perguntar se o doutor podia ajudar com a situa&ccedil;&atilde;o do seu filho, que estava com o bra&ccedil;o machucado. Ele respondeu prontamente que sim e levou o garoto para ser internado em sua cl&iacute;nica, onde ficou por cerca de duas semanas.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Jeanes, o m&eacute;dico s&oacute; come&ccedil;ou a trat&aacute;-lo no d&eacute;cimo dia de internamento. Parecia, para ele, que An&iacute;sio tinha retirado apenas um peda&ccedil;o da madeira dali, pois, at&eacute; aquele momento (10 meses ap&oacute;s o ocorrido), ele ainda sentia algo estranho na pele. O menino contou que at&eacute; o pr&oacute;prio pai precisou remover outros dois fragmentos do membro, que estava inflamado e apresentava secre&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m de aparentemente n&atilde;o resolver o problema, segundo o adolescente, An&iacute;sio perguntava o tempo todo se ele n&atilde;o &ldquo;queria virar mulherzinha&rdquo;, inclusive comentando que gostaria de &ldquo;cap&aacute;-lo&rdquo;. Nessas horas, o m&eacute;dico parecia falar s&eacute;rio e o garoto ficava calado, com medo.<\/p>\n\n\n\n<p>Jaenes tamb&eacute;m relatou que seu pai foi lhe visitar tr&ecirc;s vezes na cl&iacute;nica, mas que n&atilde;o teve coragem de compartilhar com ele o que realmente estava acontecendo. A &uacute;nica coisa que conseguiu lhe dizer era que n&atilde;o estava sendo medicado. Ent&atilde;o, em uma quarta visita, Jos&eacute; finalmente buscou o filho no consult&oacute;rio, depois de saber por um conhecido que An&iacute;sio era suspeito no caso dos emasculados.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-29-Jeanes-da-Silva-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Jeanes da Silva<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-29-Jose-da-Silva-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Jos&eacute; da Silva<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Assim como no caso de Alexandrina, o m&eacute;dico foi interrogado sobre Jeanes dias antes de o menino entrar oficialmente no processo. An&iacute;sio disse que se lembrava do caso e que o garoto ficou apenas alguns dias na cl&iacute;nica. Al&eacute;m disso, afirmou que, ap&oacute;s retirar o peda&ccedil;o de madeira do bra&ccedil;o do paciente, o pai dele foi busc&aacute;-lo. Negou, contudo, que tenha feito qualquer coment&aacute;rio sobre &ldquo;capar&rdquo; o adolescente.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos testemunhos de Alexandrina e Jeanes terem sido coletados pela Pol&iacute;cia Federal antes de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, nem tudo partiu dessas investiga&ccedil;&otilde;es. Na &eacute;poca dos trabalhos do delegado Brivaldo, An&iacute;sio j&aacute; aparecia como um potencial suspeito. Como mencionado no epis&oacute;dio anterior, um depoimento bastante desfavor&aacute;vel ao m&eacute;dico foi dado por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/domingos-de-morais\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que presta depoimento desfavor&aacute;vel ao m&eacute;dico An&iacute;sio\" class=\"encyclopedia\">Domingos de Morais<\/a>. A testemunha dizia conhecer o doutor j&aacute; de longa data e que sabia do envolvimento dele na Guerrilha do Araguaia, ao lado do Ex&eacute;rcito.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o relato, An&iacute;sio teria torturado &ldquo;v&aacute;rios elementos considerados subversivos&rdquo; e participado da morte de uma guerrilheira conhecida como Dina. Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es repassadas por Domingos, o m&eacute;dico negou tudo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1992-10-22-Depoimento-Domingo-de-Morais-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Domingos de Morais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda durante a investiga&ccedil;&atilde;o de Brivaldo, outro ponto se sobressaiu: as oito fotos repetidas de crian&ccedil;as em uma apresenta&ccedil;&atilde;o musical encontradas na casa de Amailton. Uma imagem id&ecirc;ntica tamb&eacute;m acabou apreendida na resid&ecirc;ncia de An&iacute;sio. Para a pol&iacute;cia e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, isso parecia muito suspeito. Ao ser questionado, o m&eacute;dico respondeu que n&atilde;o sabia explicar nada sobre a fotografia, pois esta era a primeira vez que a via.<\/p>\n\n\n\n<p>A explica&ccedil;&atilde;o para essas fotos veio em 21 de julho de 1993 por meio do interrogat&oacute;rio de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a>, pai de Amailton. Nesse per&iacute;odo, ele tamb&eacute;m era suspeito de estar envolvido nos crimes de Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o fazendeiro, as imagens foram dadas pela Igreja Metodista para diversos moradores da cidade. Por Amailton ser amigo do filho do pastor, tamb&eacute;m recebeu c&oacute;pias desses cart&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-21-Jose-Amadeu-Gomes-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Anexado aos autos, h&aacute; uma declara&ccedil;&atilde;o da igreja, assinada em cart&oacute;rio, explicando que os postais tinham como objetivo divulgar o trabalho do Instituto Metodista Educacional de Altamira (IMEA). &ldquo;Todos os alunos o receberam, bem como os seus familiares. Foram distribu&iacute;dos na cidade e fora dela, usados para correspond&ecirc;ncia e bilhete no IMEA&rdquo;, diz o documento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser interrogado por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, An&iacute;sio afirmava que todas as suspeitas contra ele vinham de um desentendimento que teve com um cabo eleitoral chamado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/zamo\/\" target=\"_self\" title=\"Cabo eleitoral de An&iacute;sio nas elei&ccedil;&otilde;es de 1992\" class=\"encyclopedia\">Zamo<\/a> &ndash; que havia sido preso no dia das elei&ccedil;&otilde;es, em outubro de 1992. O motivo da pris&atilde;o nunca foi especificado.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o m&eacute;dico, foi esse homem quem come&ccedil;ou a espalhar na cidade o boato de que ele estava envolvido nas emascula&ccedil;&otilde;es. &ldquo;O depoente tem certeza que a pessoa que soltou <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/zamo\/\" target=\"_self\" title=\"Cabo eleitoral de An&iacute;sio nas elei&ccedil;&otilde;es de 1992\" class=\"encyclopedia\">Zamo<\/a> deve saber quem matou as crian&ccedil;as, pois acredita que isso foi uma jogada pol&iacute;tica para tirar o depoente das elei&ccedil;&otilde;es&rdquo;, afirma trecho do depoimento.<\/p>\n\n\n\n<p>O cabo eleitoral, por&eacute;m, nunca falou no processo e, por isso, n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber a sua vers&atilde;o da hist&oacute;ria.<\/p>\n\n\n\n<p>No segundo depoimento que prestou, j&aacute; em fase de ju&iacute;zo, An&iacute;sio explicou que precisou ir &agrave; Manaus logo ap&oacute;s as elei&ccedil;&otilde;es para tratar de assuntos familiares. Ele s&oacute; retornou para Altamira cerca de quatro ou seis dias depois. Assim que chegou, foi informado pela esposa, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/lucimar-ferreira-lima-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"Esposa de An&iacute;sio Ferreira de Souza\" class=\"encyclopedia\">Lucimar Ferreira Lima de Souza<\/a>, dos rumores que corriam pela cidade. Os moradores diziam que An&iacute;sio tinha fugido logo ap&oacute;s a morte de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a> e levado os &oacute;rg&atilde;os sexuais do menino consigo.<\/p>\n\n\n\n<p>Assustado, An&iacute;sio teria pedido orienta&ccedil;&otilde;es de um amigo, o deputado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/domingos-juvenil\/\" target=\"_self\" title=\"Deputado e amigo de An&iacute;sio Ferreira de Souza\" class=\"encyclopedia\">Domingos Juvenil<\/a>, para saber o que fazer. Buscou autoridades, mas ningu&eacute;m conseguiu lhe dar uma solu&ccedil;&atilde;o efetiva.<\/p>\n\n\n\n<p>Neste mesmo relato, o m&eacute;dico comentou que chegou a ir na casa da fam&iacute;lia de Jaenes quando o garoto foi encontrado, mas o corpo j&aacute; havia sido retirado de l&aacute;. Esse detalhe contraria o depoimento de Juarez da Silva Pessoa, pai da v&iacute;tima, de que o cad&aacute;ver do filho havia sangrado na presen&ccedil;a do suspeito.<\/p>\n\n\n\n<p>An&iacute;sio alegou tamb&eacute;m que n&atilde;o estava em Altamira quando <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/flavio-lopes-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 10 anos morto em mar&ccedil;o de 1993 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Fl&aacute;vio Lopes da Silva<\/a> foi assassinado em mar&ccedil;o de 1993. De acordo com o interrogado, no fim de 1992, ele saiu do munic&iacute;pio para trabalhar no garimpo de Creporiz&atilde;o, pois precisava de dinheiro, j&aacute; que havia gastado todas as economias com a campanha pol&iacute;tica. Ele retornou &agrave; cidade por uma semana em janeiro ou fevereiro e, em maio, foi para Manaus. O m&eacute;dico afirmou que s&oacute; voltou em definitivo para o Par&aacute; em julho de 1993, pouco antes de ser preso.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-10-15-Depoimento-em-Juizo-Anisio-Ferreira-de-Souza-3.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de An&iacute;sio em ju&iacute;zo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Voltando ao depoimento de An&iacute;sio coletado por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, na mesma data, houve uma acarea&ccedil;&atilde;o &ndash; um confronto de vers&otilde;es &ndash; entre o m&eacute;dico e o ex-PM Carlos Alberto. Afinal, o policial afirmava que, na &eacute;poca em que foi seguran&ccedil;a na casa de Zaila, o doutor a visitava, o que An&iacute;sio sempre negou. Durante a acarea&ccedil;&atilde;o, ambos mantiveram as suas hist&oacute;rias.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-14-%E2%80%93-Acareacao-entre-Carlos-Alberto-e-Anisio-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Acarea&ccedil;&atilde;o entre Carlos Alberto e An&iacute;sio<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O primeiro ind&iacute;cio mais comprometedor contra An&iacute;sio, por&eacute;m, viria a acontecer no dia seguinte ao interrogat&oacute;rio, em 15 de julho de 1993. Foi nessa ocasi&atilde;o em que ele passou por um auto de reconhecimento de uma importante testemunha j&aacute; citada no podcast: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/agostinho-jose-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha-chave que liga C&eacute;sio e Amailton ao crime contra Jaenes\" class=\"encyclopedia\">Agostinho Jos&eacute; da Costa<\/a>, o lavrador que colocava Amailton e C&eacute;sio na cena do crime contra o menino Jaenes.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse auto de reconhecimento &eacute; essencial pelo seguinte: em 12 de julho de 1993, Agostinho passou por uma acarea&ccedil;&atilde;o com C&eacute;sio. Naquele momento, a testemunha explicou que o reconheceu, pois, a primeira vez que o viu teria sido na minicl&iacute;nica do doutor An&iacute;sio, quando precisou ir at&eacute; l&aacute; se consultar. Ou seja, o lavrador estabelecia uma rela&ccedil;&atilde;o entre os dois m&eacute;dicos, o que era importante para a acusa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na acarea&ccedil;&atilde;o com An&iacute;sio, Agostinho repetiu a mesma hist&oacute;ria. Relatou tamb&eacute;m que no fim de 1990 e in&iacute;cio de 1991 foi tratado pelo m&eacute;dico porque estava com um problema nas pernas que quase o deixou paral&iacute;tico. Foi gra&ccedil;as a An&iacute;sio que a sua situa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o piorou.<\/p>\n\n\n\n<p>O m&eacute;dico se recordava do procedimento feito em Agostinho, mas continuava afirmando que C&eacute;sio nunca havia estado em sua cl&iacute;nica.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-15-Auto-de-reconhecimento-Agostinho-reconhece-Anisio-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Auto de reconhecimento de Agostinho Jos&eacute; da Costa<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-14-%E2%80%93-Interrogatorio-Anisio-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de An&iacute;sio Ferreira de Souza a &Eacute;der Mauro<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NOVAS TESTEMUNHAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Se, por um lado, testemunhos indicavam uma liga&ccedil;&atilde;o entre os suspeitos, ainda faltavam elementos que fundamentassem a tese de que as crian&ccedil;as eram mortas em rituais macabros. &Eacute; nesse contexto que duas novas testemunhas prestam depoimento ao delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>. A primeira delas era uma mulher chamada <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/orlandina-silva-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que traz &agrave; tona a hist&oacute;ria de Ana Paula\" class=\"encyclopedia\">Orlandina Silva de Souza<\/a>, de 30 anos de idade, ouvida em 27 de julho de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os suspeitos, ela disse que sabia quem era o doutor C&eacute;sio, que considerava uma pessoa bastante antip&aacute;tica; e tamb&eacute;m Amadeu Gomes, descrito como &ldquo;o todo poderoso nesta cidade&rdquo;. O acusado mais citado por Orlandina, contudo, &eacute; An&iacute;sio, que dizia conhecer desde 1978, quando ela tinha apenas 15 anos de idade e trabalhava na cl&iacute;nica dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Em certa passagem, a testemunha detalhou pr&aacute;ticas de An&iacute;sio que sustentariam as suspeitas de que ele seria um cirurgi&atilde;o esp&iacute;rita: como entrar em um suposto quarto secreto todo vestido de branco e, ap&oacute;s a opera&ccedil;&atilde;o, sair de l&aacute; com o semblante mudado, os olhos vermelhos e a voz diferente.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas a parte mais importante do depoimento de Orlandina &eacute; quando ela menciona a hist&oacute;ria de uma mulher conhecida apenas como <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ana-paula\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-funcion&aacute;ria de An&iacute;sio que teria visto um &oacute;rg&atilde;o de menino na cl&iacute;nica dele\" class=\"encyclopedia\">Ana Paula<\/a>. Esse trecho em espec&iacute;fico foi extensivamente citado por quase todas as manifesta&ccedil;&otilde;es produzidas pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico no decorrer do processo &ndash; inclusive pela promotora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosana-cordovil\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora que atuou no j&uacute;ri dos acusados em 2003\" class=\"encyclopedia\">Rosana Cordovil<\/a>, que atuou nos j&uacute;ris em 2003.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ana-paula\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-funcion&aacute;ria de An&iacute;sio que teria visto um &oacute;rg&atilde;o de menino na cl&iacute;nica dele\" class=\"encyclopedia\">Ana Paula<\/a> seria uma mo&ccedil;a jovem, com cerca de 25 anos, morena, de cabelos cacheados e pretos. Teria aproximadamente 1,65 m de altura e olhos castanhos. De acordo com Orlandina, ela trabalhou na cl&iacute;nica do doutor An&iacute;sio por volta do m&ecirc;s de setembro de 1992. Certo dia, pr&oacute;ximo desta data, a testemunha se encontrou com a funcion&aacute;ria do m&eacute;dico, que estava bastante nervosa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela, ent&atilde;o, lhe confidenciou algo terr&iacute;vel: enquanto limpava o consult&oacute;rio, An&iacute;sio chegou com uma caixa de isopor e a colocou em cima da mesa. Por curiosidade, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ana-paula\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-funcion&aacute;ria de An&iacute;sio que teria visto um &oacute;rg&atilde;o de menino na cl&iacute;nica dele\" class=\"encyclopedia\">Ana Paula<\/a> resolveu abrir o objeto e l&aacute; dentro avistou um &oacute;rg&atilde;o sexual masculino infantil, o que a deixou apavorada &ndash; principalmente porque o m&eacute;dico percebeu o que ela havia feito. No mesmo dia, a funcion&aacute;ria pediu as contas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ouvir tudo isso, Orlandina orientou que a jovem fosse at&eacute; a delegacia e relatasse tudo. A mo&ccedil;a, por&eacute;m, disse chorando que n&atilde;o faria nada, pois tinha medo de morrer. A &uacute;ltima vez que a testemunha voltou a ver a ex-funcion&aacute;ria da cl&iacute;nica foi em outubro de 1992, na &eacute;poca das elei&ccedil;&otilde;es, j&aacute; que ambas votavam no mesmo lugar. Na ocasi&atilde;o, Orlandina questionou se <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ana-paula\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-funcion&aacute;ria de An&iacute;sio que teria visto um &oacute;rg&atilde;o de menino na cl&iacute;nica dele\" class=\"encyclopedia\">Ana Paula<\/a> tinha ido &agrave; pol&iacute;cia, mas ela disse que n&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>No fim do mesmo m&ecirc;s, um garoto andava por uma &aacute;rea de matagal quando se deparou com um bra&ccedil;o ca&iacute;do no ch&atilde;o, separado do corpo. Orlandina ficou sabendo da situa&ccedil;&atilde;o e, por curiosidade, foi at&eacute; o local. Incr&eacute;dula, ela notou que o membro pertencia a uma mulher morena, de unhas grandes e pintadas de esmalte na cor de beterraba, justamente o que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ana-paula\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-funcion&aacute;ria de An&iacute;sio que teria visto um &oacute;rg&atilde;o de menino na cl&iacute;nica dele\" class=\"encyclopedia\">Ana Paula<\/a> costumava usar. Apesar de acreditar no seu &iacute;ntimo que o bra&ccedil;o era mesmo da amiga, ela n&atilde;o relatou nada disso para a pol&iacute;cia. O resto do corpo nunca teria sido encontrado.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-27-Orlandina-Silva-de-Souza-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Orlandina Silva de Souza a &Eacute;der Mauro<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p>A hist&oacute;ria contada por Orlandina &eacute; impressionante. No entanto, n&atilde;o h&aacute;, nos autos, qualquer outro ind&iacute;cio de que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ana-paula\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-funcion&aacute;ria de An&iacute;sio que teria visto um &oacute;rg&atilde;o de menino na cl&iacute;nica dele\" class=\"encyclopedia\">Ana Paula<\/a> realmente existiu: nenhuma declara&ccedil;&atilde;o de funcion&aacute;rios da cl&iacute;nica de An&iacute;sio, de parentes, nem mesmo de algu&eacute;m da casa onde ela supostamente alugava um quarto. N&atilde;o existe ainda nenhum Boletim de Ocorr&ecirc;ncia ou inqu&eacute;rito policial que confirme o relato sobre o bra&ccedil;o encontrado. Interrogado em ju&iacute;zo, An&iacute;sio afirmou que nunca teve nenhuma funcion&aacute;ria com o nome <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ana-paula\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-funcion&aacute;ria de An&iacute;sio que teria visto um &oacute;rg&atilde;o de menino na cl&iacute;nica dele\" class=\"encyclopedia\">Ana Paula<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais adiante no processo, Orlandina chegou a dar o mesmo relato tamb&eacute;m perante &agrave; Justi&ccedil;a. Mas, depois disso, ela desapareceu. N&atilde;o prestou nenhum depoimento em j&uacute;ri, apesar de ter sido convocada &ndash; e, de acordo com os autos, de ter comparecido a pelo menos um dos julgamentos em 2003.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-11-30-Depoimento-em-Juizo-Orlandina-Silva-de-Souza-Acusacao-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Orlandina em ju&iacute;zo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A segunda testemunha de grande import&acirc;ncia na acusa&ccedil;&atilde;o contra An&iacute;sio &eacute; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/loidenne-sabino-de-jesus\/\" target=\"_self\" title=\"Adolescente de 16 anos que trabalhou como dom&eacute;stica para An&iacute;sio em 1992\" class=\"encyclopedia\">Loidenne Sabino de Jesus<\/a>, uma adolescente de 16 anos. Apesar de ser menor de idade, ela n&atilde;o estava acompanhada de representante legal, advogado ou at&eacute; mesmo de assistente social quando foi ouvida em 28 de julho de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu relato, Loidenne contou que trabalhou como dom&eacute;stica na ch&aacute;cara de An&iacute;sio de julho a dezembro de 1992. A sua principal fun&ccedil;&atilde;o era cuidar dos filhos dele e da esposa, Lucimar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, a adolescente deu detalhes sobre supostos rituais que aconteciam na ch&aacute;cara: em um compartimento completamente fechado, diversas pessoas se reuniam para participar dos atos. Entre os envolvidos, ela se recordava apenas do nome de uma m&atilde;e de santo conhecida como <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maezinha\/\" target=\"_self\" title=\"Conhecida m&atilde;e de santo em Altamira na d&eacute;cada de 1990\" class=\"encyclopedia\">M&atilde;ezinha<\/a> e de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/zamo\/\" target=\"_self\" title=\"Cabo eleitoral de An&iacute;sio nas elei&ccedil;&otilde;es de 1992\" class=\"encyclopedia\">Zamo<\/a>, que trabalhava como seguran&ccedil;a nos cultos. Certa vez, ele teria levado um tiro e chegado quase morto na minicl&iacute;nica, ocasi&atilde;o em que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maezinha\/\" target=\"_self\" title=\"Conhecida m&atilde;e de santo em Altamira na d&eacute;cada de 1990\" class=\"encyclopedia\">M&atilde;ezinha<\/a> e An&iacute;sio o curaram.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda de acordo com Loidenne, os filhos do m&eacute;dico costumavam amedront&aacute;-la usando capaz pretas grandes, com mangas compridas, e capuzes vermelhos. Al&eacute;m disso, algumas vezes, An&iacute;sio chegava na ch&aacute;cara com um isopor debaixo do bra&ccedil;o, que ela n&atilde;o sabia dizer o que continha.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fator determinante no depoimento da garota &eacute; a liga&ccedil;&atilde;o que ela faz entre C&eacute;sio e An&iacute;sio. Segundo ela, ambos se conheciam e j&aacute; haviam se encontrado na minicl&iacute;nica.<\/p>\n\n\n\n<p>E as passagens interessantes para a pol&iacute;cia n&atilde;o param por a&iacute;: em novembro de 1992, dois homens que falavam uma l&iacute;ngua estrangeira teriam ficado por um m&ecirc;s na ch&aacute;cara e na cl&iacute;nica de An&iacute;sio. A adolescente n&atilde;o entendia nada do que aquelas pessoas falavam, mas o m&eacute;dico conseguia se comunicar com elas.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, Loidenne tamb&eacute;m citou um livro que havia visto na casa. Ele tinha uma capa vermelha e estampava o t&iacute;tulo &ldquo;Magia Negra&rdquo;. Conforme o relato, para assust&aacute;-la, a filha de An&iacute;sio o segurava em m&atilde;os, vestida com as vestes pretas, e corria atr&aacute;s dela. A dom&eacute;stica ficava com muito medo e se segurava para n&atilde;o chorar.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-28-Loidenne-Sabino-de-Jesus-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Loidenne Sabino de Jesus<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em um primeiro momento, o relato de Loidenne &eacute; muito forte, ainda mais diante do contexto das investiga&ccedil;&otilde;es. Aqui, por&eacute;m, vale um coment&aacute;rio: mesmo que tudo isso fosse verdade, ainda assim, n&atilde;o seria um crime.<\/p>\n\n\n\n<p>O que mais se destaca neste depoimento, contudo, &eacute; a quantidade de nomes citados que jamais foram investigados. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maezinha\/\" target=\"_self\" title=\"Conhecida m&atilde;e de santo em Altamira na d&eacute;cada de 1990\" class=\"encyclopedia\">M&atilde;ezinha<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/zamo\/\" target=\"_self\" title=\"Cabo eleitoral de An&iacute;sio nas elei&ccedil;&otilde;es de 1992\" class=\"encyclopedia\">Zamo<\/a>, por exemplo, nunca foram ouvidos no processo. Eles s&atilde;o personagens importantes, constantemente mencionados, mas que n&atilde;o falam por si mesmos.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo referido em diversas pe&ccedil;as produzidas pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico, o testemunho de Loidenne n&atilde;o se repetiu nas demais etapas do processo. Ela sumiu ap&oacute;s ser ouvida por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, apesar de, posteriormente, ter sido convocada para a fase de ju&iacute;zo no fim de 1993. Um of&iacute;cio afirma que ela n&atilde;o foi localizada e, por isso, precisou ser substitu&iacute;da.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro fato estranho &eacute; que An&iacute;sio e a esposa, Lucimar, jamais foram questionados sobre Loidenne. Somado ao fato de que a pol&iacute;cia nunca realizou uma busca e apreens&atilde;o na ch&aacute;cara de An&iacute;sio, esse depoimento parece perder qualquer sustenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso n&atilde;o significa que a hist&oacute;ria da adolescente n&atilde;o teve import&acirc;ncia. De certa forma, ela parecia fazer eco com o depoimento de outra testemunha, que ajudaria a fechar a investiga&ccedil;&atilde;o de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao lado de Agostinho como uma das pessoas mais importantes para a acusa&ccedil;&atilde;o est&aacute; um jovem de apenas 20 anos. O seu nome era <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/edmilson-da-silva-frazao\/\" target=\"_self\" title='Testemunha que diz ter participado de uma \"missa negra\" na ch&aacute;cara de An&iacute;sio' class=\"encyclopedia\">Edmilson da Silva Fraz&atilde;o<\/a> e o seu primeiro depoimento &eacute; datado de 16 de julho de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>O trecho mais marcante do seu relato inclui um estranho convite que ele teria recebido de An&iacute;sio no ano de 1991. De acordo com Edmilson, o m&eacute;dico o chamou para participar de um culto na ch&aacute;cara onde morava. Ao chegar l&aacute;, a testemunha se deparou com uma cena nada convencional: em uma sala, um grupo de pessoas vestia capas pretas e capuzes, e eram iluminadas por algumas velas. O rapaz descreveu aquilo tudo como uma &ldquo;missa negra&rdquo; e disse que quem a comandava era uma mulher de sotaque paranaense.<\/p>\n\n\n\n<p>Edmilson n&atilde;o conhecia essa pessoa na &eacute;poca, mas em uma nova declara&ccedil;&atilde;o &agrave; pol&iacute;cia, em 28 de julho de 1993, ele conseguiu identific&aacute;-la por meio de uma edi&ccedil;&atilde;o da revista Veja publicada cerca de um ano antes: a mulher era <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>A mat&eacute;ria apresentada para a testemunha reportava os crimes contra crian&ccedil;as ocorridos em Guaratuba, no litoral do Paran&aacute;, em supostos rituais de magia negra. Isso por si s&oacute; j&aacute; era surpreendente. Seria poss&iacute;vel que Valentina realmente estivesse em Altamira?<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-16-Edmilson-Frazao-para-delegado-Jefferson-Jose-Gualberto-Neves-1-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Primeiro depoimento de Edmilson da Silva Fraz&atilde;o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-16-Edmilson-Frazao-para-delegado-Jefferson-Jose-Gualberto-Neves-transcrito-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Transcri&ccedil;&atilde;o do primeiro depoimento de Edmilson<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-28-Edmilson-Frazao-1.pdf\" target=\"_blank\">Segundo depoimento de Edmilson<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo dia, 28 de julho, um senhor de 61 anos tamb&eacute;m foi ouvido por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/duilio-nolasco-pereira\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de Valentina entre 1953 e 1973\" class=\"encyclopedia\">Du&iacute;lio Nolasco Pereira<\/a> morava em Altamira desde a d&eacute;cada de 1970 e, para a surpresa de todos, havia sido casado com Valentina entre os anos de 1953 e 1973. Segundo ele, a sua mudan&ccedil;a para o Par&aacute; teria sido o motivo da separa&ccedil;&atilde;o do casal.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo ap&oacute;s o t&eacute;rmino, a sua ex-esposa apareceu em Altamira em 1987. Mas, desta vez, ela estava diferente: acompanhada de argentinos que pareciam vener&aacute;-la como se fosse uma grande autoridade.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/06\/1993-07-28-Duilio-Nolasco-Pereira-1-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Du&iacute;lio Nolasco Pereira<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Os casos de emascula&ccedil;&atilde;o de meninos haviam come&ccedil;ado em 1989. Assim, a conclus&atilde;o da pol&iacute;cia foi r&aacute;pida e tudo parecia estar se encaixando. Os crimes teriam iniciado, ent&atilde;o, ap&oacute;s Valentina ter passado pela cidade. E, segundo Edmilson, ela esteve presente na ch&aacute;cara de An&iacute;sio para fundar uma nova religi&atilde;o, que adorava o &ldquo;Senhor das Trevas&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; An&iacute;sio teria v&iacute;nculos com C&eacute;sio, suspeito visto por Agostinho saindo do mato com um fac&atilde;o. Na mesma estrada, pouco tempo depois, Amailton tamb&eacute;m foi avistado pelo lavrador. Jos&eacute; Amadeu, seu pai, segundo as informa&ccedil;&otilde;es repassadas pelo ex-PM Carlos Alberto, seria o mandante dos crimes, praticados pelos m&eacute;dicos. Enquanto isso, A. Santos e o colega <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/aldenor-ferreira-cardoso\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-PM reconhecido por Wandicley como o seu sequestrador\" class=\"encyclopedia\">Aldenor Ferreira Cardoso<\/a> seriam os seguran&ccedil;as do grupo. Todos eles eram comandados por uma l&iacute;der espiritual, a cabe&ccedil;a de toda a organiza&ccedil;&atilde;o criminosa: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Seita<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/333"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=333"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=333"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=333"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}