{"id":311,"date":"2022-05-26T00:01:00","date_gmt":"2022-05-26T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=311"},"modified":"2022-05-25T17:59:12","modified_gmt":"2022-05-25T20:59:12","slug":"extras-episodio-08","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-08\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 08"},"content":{"rendered":"\n<p>Nos autos do processo, n&atilde;o h&aacute; registros de quando exatamente <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> foi designado para atuar em Altamira. O que se sabe &eacute; que em 30 de junho de 1993 &ndash; quatro dias ap&oacute;s a sa&iacute;da da Pol&iacute;cia Federal &ndash; ele passou a fazer algumas dilig&ecirc;ncias. Tamb&eacute;m nessa ocasi&atilde;o, um novo promotor, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/sergio-tiburcio-dos-santos-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor designado para atuar em Altamira em junho de 1993\" class=\"encyclopedia\">S&eacute;rgio Tib&uacute;rcio dos Santos Silva<\/a>, entrou no caso.<\/p>\n\n\n\n<p>Os primeiros atos de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> foram as coletas de dois relatos: o de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wandicley-oliveira-pinheiro\/\" target=\"_self\" title=\"Terceiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Wandicley Oliveira Pinheiro<\/a>, o terceiro sobrevivente, e o de seu irm&atilde;o, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/vandivaldo-oliveira-pinheiro\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde;o mais novo de Wandicley\" class=\"encyclopedia\">Vandivaldo Oliveira Pinheiro<\/a>. Eles prestaram depoimento em 30 de junho na capital Bel&eacute;m.<\/p>\n\n\n\n<p>Vandivaldo fazia companhia ao irm&atilde;o no dia do crime em 23 de setembro de 1990. Na ocasi&atilde;o em que falou &agrave; pol&iacute;cia, ele tinha nove anos de idade. Em seu testemunho, ele relatou que viu um homem de bicicleta vermelha sequestrar Wandicley.<\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; a v&iacute;tima, nesse novo relato, repetiu basicamente a mesma hist&oacute;ria que havia contado outras duas vezes anteriores. Alguns detalhes divergentes ser&atilde;o aprofundados no futuro. Por ora, o importante &eacute; que ambos, Wandicley e Vandivaldo, diziam que se vissem o sequestrador, seriam capazes de identific&aacute;-lo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-06-30-Termo-de-Informacoes-de-Wandicley-Oliveira-Pinheiro-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Wandicley Oliveira Pinheiro<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-06-30-Termo-de-Informacoes-de-Vandivaldo-Oliveira-Pinheiro-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Vandivaldo Oliveira Pinheiro<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Por isso, aos garotos foram apresentadas seis fotografias, todas de homens, aparentemente policiais militares ou soldados. N&atilde;o h&aacute; nos autos qualquer informa&ccedil;&atilde;o sobre a origem das imagens ou o motivo pelo qual elas foram escolhidas. &Eacute; poss&iacute;vel que isso tenha sido resultado de dados coletados pela Pol&iacute;cia Federal, mas n&atilde;o se sabe com certeza.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato &eacute; que, entre essas fotos, os dois meninos apontaram para o homem que teria sequestrado Wandicley: seu nome era <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/aldenor-ferreira-cardoso\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-PM reconhecido por Wandicley como o seu sequestrador\" class=\"encyclopedia\">Aldenor Ferreira Cardoso<\/a>. Ele &eacute; um verdadeiro mist&eacute;rio para o caso. O processo d&aacute; a entender que o rapaz seria um ex-policial militar, assim como <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-alberto-dos-santos-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Policial militar acusado no caso dos meninos\" class=\"encyclopedia\">Carlos Alberto dos Santos Lima<\/a>, citado no &uacute;ltimo epis&oacute;dio. No entanto, Aldenor nunca foi encontrado. At&eacute; hoje, n&atilde;o h&aacute; nenhuma informa&ccedil;&atilde;o sobre o seu paradeiro. O reconhecimento feito pelos irm&atilde;os &eacute; a &uacute;nica vez em que ele aparece no processo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-06-30-Fotos-de-Suspeitos-usadas-no-reconhecimento-de-Wandicley-e-Vandivaldo_11zon.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Fotos de suspeitos mostradas para Wandicley e Vandivaldo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-06-30-Auto-de-Reconhecimento-Wandicley-Oliveira-Pinheiro-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Auto de reconhecimento de Wandicley Oliveira Pinheiro<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-06-30-Auto-de-Reconhecimento-Vandivaldo-Oliveira-Pinheiro-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Auto de reconhecimento de Vandivaldo Oliveira Pinheiro<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; preciso ter em mente o que parecia se formar nas investiga&ccedil;&otilde;es. Primeiro, havia por parte dos policiais e do Minist&eacute;rio P&uacute;blico a certeza de que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a> era o autor de v&aacute;rios casos de mortes de garotos em Altamira. Mas ele n&atilde;o agiria sozinho &ndash; tanto que, mesmo ap&oacute;s a sua pris&atilde;o, os crimes n&atilde;o cessaram, levando a pol&iacute;cia a crer que os respons&aacute;veis queriam bagun&ccedil;ar o caso contra o rapaz.<\/p>\n\n\n\n<p>Amailton era filho do poderoso <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a> que j&aacute; estava listado, de certa forma, como um suspeito na &eacute;poca das investiga&ccedil;&otilde;es de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/brivaldo-pinto-soares-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelo inqu&eacute;rito de Jaenes em outubro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Brivaldo Pinto Soares Filho<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Como citado no epis&oacute;dio anterior, no in&iacute;cio de junho de 1993, aparece a carta da conselheira tutelar <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/sueli-de-oliveira-matos\/\" target=\"_self\" title=\"Conselheira tutelar que escreveu carta sobre o policial A. Santos\" class=\"encyclopedia\">Sueli de Oliveira Matos<\/a>, moradora de Macap&aacute;. No texto, ela relata uma conversa chocante que teve com o ex-policial militar Carlos Alberto, que lhe confessou ter trabalhado como seguran&ccedil;a para Amadeu. Segundo ele, o rico fazendeiro e empres&aacute;rio estaria por tr&aacute;s dos casos dos emasculados, que teria inclusive m&eacute;dicos da cidade envolvidos. Nesse ponto das investiga&ccedil;&otilde;es, faltava agora descobrir quem eram os profissionais de sa&uacute;de que faziam parte desse grupo criminoso. &Eacute; a&iacute; que o trabalho da Pol&iacute;cia Federal em Altamira passou a ter efeito direto no processo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>TESTEMUNHA-CHAVE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No dia primeiro de julho de 1993, um lavrador de 70 anos prestou depoimento em Bel&eacute;m ao delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, que estava acompanhado do promotor S&eacute;rgio Tib&uacute;rcio. Nesse primeiro relato, a testemunha chegou a ser identificada apenas como AJC, mas logo se revelou como <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/agostinho-jose-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha-chave que liga C&eacute;sio e Amailton ao crime contra Jaenes\" class=\"encyclopedia\">Agostinho Jos&eacute; da Costa<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Para muitos, o depoimento de Agostinho &eacute; considerado a pe&ccedil;a mais importante do processo. Morador de uma pequena ch&aacute;cara a seis quil&ocirc;metros de Altamira, ele contou um acontecimento intrigante que presenciou em uma quinta-feira do m&ecirc;s de outubro de 1992, pr&oacute;ximo das elei&ccedil;&otilde;es, justamente na ocasi&atilde;o da morte de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Era manh&atilde; e ele empurrava seu carrinho de m&atilde;o pela rodovia Transamaz&ocirc;nica com algumas frutas que revenderia na cidade. No caminho, entre 11h30 e 12h, Agostinho viu uma pessoa saindo do mato de bicicleta na beira da estrada, passando pelo arame. Ela carregava um fac&atilde;o sujo de sangue e um saco pl&aacute;stico com algo pequeno embrulhado, que n&atilde;o soube identificar. Ao ver o lavrador, o desconhecido se assustou e desviou o caminho, atravessando para o outro lado da estrada. Passou a bater com o fac&atilde;o em alguns galhos, o que causou estranheza em Agostinho, pois parecia que o rapaz queria disfar&ccedil;ar alguma coisa.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de um quil&ocirc;metro dali, o lavrador se deparou com outro homem segurando um cavalo na beira da Transamaz&ocirc;nica. Esse jovem ele reconheceu: seria Amailton, filho de Amadeu, que j&aacute; lhe era familiar. Inclusive, isso o deixou at&eacute; mais calmo caso precisasse de ajuda para alguma situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Agostinho, ent&atilde;o, seguiu viagem at&eacute; a cidade, onde vendeu as suas frutas. Entre os clientes, ouviu coment&aacute;rios de que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a>, filho de um conhecido seu, havia desaparecido naquele mesmo dia.<\/p>\n\n\n\n<p>Na sexta-feira, j&aacute; em casa, o lavrador recebeu a visita de um cabo do Ex&eacute;rcito chamado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonio-delmiro\/\" target=\"_self\" title=\"Cabo do Ex&eacute;rcito que acompanhou Agostinho nas buscas por Jaenes\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nio Delmiro<\/a> e de mais dois soldados. Eles lhe perguntaram se ele tinha visto algo diferente nas redondezas, principalmente urubus sobrevoando a &aacute;rea. Foi ent&atilde;o que o lavrador contou o que presenciou &agrave; beira da Transamaz&ocirc;nica. Em seguida, o cabo convidou Agostinho para montar em sua moto e juntos seguirem at&eacute; o lugar onde a testemunha avistou o homem com o fac&atilde;o. Ap&oacute;s r&aacute;pida averigua&ccedil;&atilde;o no local, o idoso voltou para a ch&aacute;cara onde vivia.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dia depois, na ocasi&atilde;o das elei&ccedil;&otilde;es, Agostinho finalmente ficou sabendo que o corpo de Jaenes havia sido encontrado no mesmo lugar onde ele tinha encontrado o desconhecido saindo do mato.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao ser perguntada pela pol&iacute;cia se conhecia aquela pessoa, a testemunha respondeu que n&atilde;o lembrava o nome, mas tinha certeza absoluta de que se tratava de um m&eacute;dico de Altamira. Se o visse pessoalmente ou por meio de fotografias, disse ele, certamente o reconheceria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-07-01-Termo-de-Declaracoes-Agostinho-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Agostinho Jos&eacute; da Costa<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nesse ponto, em primeiro de julho de 1993, as suspeitas de participa&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos nos crimes de Altamira s&oacute; aumentavam. Mas esse fato n&atilde;o era novo. Ele vinha sendo formado desde a morte de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/judirley-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em janeiro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Judirley da Cunha Chipaia<\/a> em janeiro de 1992 e do in&iacute;cio das investiga&ccedil;&otilde;es de Brivaldo, em outubro do mesmo ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui, uma hist&oacute;ria j&aacute; citada no podcast merece ser relembrada: o relato de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/juarez-gomes-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Jaenes da Silva Pessoa\" class=\"encyclopedia\">Juarez Gomes Pessoa<\/a>, pai de Jaenes, sobre o vel&oacute;rio do filho. No documento, datado de 15 de outubro de 1992, ele conta como o corpo do menino havia come&ccedil;ado a sangrar na presen&ccedil;a do assassino.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o testemunho, durante o funeral, um homem vestido todo de branco se aproximou e colocou a m&atilde;o sobre o ombro de Juarez. Ele lhe disse: &ldquo;&ocirc;, meu amigo, &eacute; isso mesmo. Tenha f&eacute; em Deus, que outros casos j&aacute; aconteceram com outras pessoas&rdquo;. Assim que essa pessoa foi embora, algu&eacute;m comentou que aquele era o doutor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/anisio-ferreira-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico acusado no caso dos meninos emasculados\" class=\"encyclopedia\">An&iacute;sio Ferreira de Souza<\/a>, m&eacute;dico e dono de uma pequena cl&iacute;nica em Altamira. Justamente ap&oacute;s a sa&iacute;da dele, segundo Juarez, o cad&aacute;ver do garoto parou de sangrar. <\/p>\n\n\n\n<p>Um dos irm&atilde;os de Amadeu, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/geraldo-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde;o de Jos&eacute; Amadeu Gomes\" class=\"encyclopedia\">Geraldo Gomes<\/a>, tamb&eacute;m contou esse mesmo acontecimento ao delegado Brivaldo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-10-15-Depoimento-Juarez-Gomes-Pessoa-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Juarez Gomes Pessoa<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-10-16-Depoimento-Geraldo-Gomes-1.pdf\" target=\"_blank\">Depoimento de Geraldo Gomes<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Antes mesmo de Amailton aparecer como suspeito no inqu&eacute;rito de Jaenes, An&iacute;sio j&aacute; havia sido mencionado por algumas testemunhas. Na &eacute;poca com 51 anos de idade, ele era dono de uma cl&iacute;nica na cidade e, pelos relatos coletados, fazia um pouco de tudo: partos naturais, ces&aacute;reas, cl&iacute;nica geral, ginecologia e pediatria. Considerado um profissional pol&ecirc;mico no munic&iacute;pio, seu foco era atender pessoas de baixa renda. Alguns diziam que ele era uma pessoa bastante caridosa. Outros alertavam para supostas pr&aacute;ticas negligentes &ndash; assunto que ser&aacute; abordado mais adiante.<\/p>\n\n\n\n<p>De qualquer modo, An&iacute;sio era conhecido em Altamira. Por isso, nas elei&ccedil;&otilde;es de outubro de 1992, concorreu ao cargo de vereador, mas n&atilde;o chegou a ser eleito. Ap&oacute;s perder o pleito, viajou para o Maranh&atilde;o, seu estado de origem, para lidar com assuntos familiares, e permaneceu por meses fora do Par&aacute;. Esse foi o motivo pelo qual nunca chegou a depor durante as investiga&ccedil;&otilde;es de Brivaldo.<\/p>\n\n\n\n<p>V&aacute;rias pessoas relataram coisas estranhas sobre o An&iacute;sio ao delegado. Entre elas, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/raimunda-gomes-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que presta depoimento desfavor&aacute;vel ao m&eacute;dico An&iacute;sio\" class=\"encyclopedia\">Raimunda Gomes da Silva<\/a>, que denunciou m&aacute;s pr&aacute;ticas durante atendimento com o m&eacute;dico; e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/domingos-de-morais\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que presta depoimento desfavor&aacute;vel ao m&eacute;dico An&iacute;sio\" class=\"encyclopedia\">Domingos de Morais<\/a>, que comentou sobre a &eacute;poca em que An&iacute;sio teria servido o Ex&eacute;rcito e participado da Guerrilha do Araguaia no combate a grupos subversivos. Segundo ele, o m&eacute;dico teria colaborado na tortura de guerrilheiros. Nada disso, por&eacute;m, chegou a ser comprovado.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-10-22-Depoimento-Raimunda-Gomes-da-Silva-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Raimunda Gomes da Silva<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-10-22-Depoimento-Domingo-de-Morais-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Domingos de Morais<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ainda sobre os comportamentos do suspeito, Brivaldo anexou uma foto espec&iacute;fica do m&eacute;dico ao inqu&eacute;rito de Jaenes. N&atilde;o h&aacute; informa&ccedil;&otilde;es sobre a data e local de onde ela foi tirada ou obtida. Na imagem, h&aacute; um grupo de mulheres, uma ao lado da outra, todas vestidas de branco. Na frente delas, algumas crian&ccedil;as sentadas e, no meio, um homem de camisa escura. Desenhada &agrave; caneta, uma seta indica a sua identidade: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/anisio-ferreira-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico acusado no caso dos meninos emasculados\" class=\"encyclopedia\">An&iacute;sio Ferreira de Souza<\/a>. H&aacute; tamb&eacute;m outra inscri&ccedil;&atilde;o na fotografia, com a palavra &ldquo;<a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maezinha\/\" target=\"_self\" title=\"Conhecida m&atilde;e de santo em Altamira na d&eacute;cada de 1990\" class=\"encyclopedia\">M&atilde;ezinha<\/a>&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/Foto-de-Anisio-com-Maezinha.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Foto de An&iacute;sio com a M&atilde;ezinha<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Eles relacionam a figura do An&iacute;sio a uma m&atilde;e de santo famosa em Altamira, conhecida como &lsquo;<a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maezinha\/\" target=\"_self\" title=\"Conhecida m&atilde;e de santo em Altamira na d&eacute;cada de 1990\" class=\"encyclopedia\">M&atilde;ezinha<\/a>&rsquo;&rdquo;, explica o advogado e antrop&oacute;logo <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rubens-pena-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado e antrop&oacute;logo\" class=\"encyclopedia\">Rubens Pena J&uacute;nior<\/a>. De acordo com ele, ela aparece no processo como uma amiga do m&eacute;dico que, supostamente, o ajudava com determinados rituais na ch&aacute;cara dele. Essas informa&ccedil;&otilde;es, repassadas por testemunhas &agrave; Brivaldo, nunca foram confirmadas.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr&oacute;prio m&eacute;dico negou esses fatos, j&aacute; que sempre se disse esp&iacute;rita kardecista e n&atilde;o praticante da umbanda ou do candombl&eacute;. Para o pesquisador, &eacute; muito comum que haja confus&atilde;o entre esses termos, principalmente devido ao preconceito. Muitas vezes, uma pessoa pode se declarar esp&iacute;rita, por exemplo, simplesmente por conta do contexto de opress&atilde;o, mesmo que siga religi&otilde;es de matriz africana.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dos coment&aacute;rios desfavor&aacute;veis ao doutor An&iacute;sio sobre a sua pr&aacute;tica m&eacute;dica e a suposta liga&ccedil;&atilde;o com rituais, o delegado Brivaldo nunca chegou a ir atr&aacute;s dele efetivamente. Isso por acreditar que os maiores ind&iacute;cios de culpa vinham de Amailton.<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando agora ao dia primeiro de julho de 1993, ao depoimento de Agostinho. Segundo o relato do lavrador, era poss&iacute;vel que, se o homem do fac&atilde;o de fato fosse o assassino, o &oacute;rg&atilde;o sexual da v&iacute;tima estivesse no saco pl&aacute;stico que ele carregava. E mais: a testemunha dizia que aquele rapaz era m&eacute;dico e que poderia reconhec&ecirc;-lo com facilidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante dessas informa&ccedil;&otilde;es, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> e S&eacute;rgio Tib&uacute;rcio apresentaram a Agostinho alguns v&iacute;deos gravados em fitas VHS. Esses registros haviam sido feitos pela Pol&iacute;cia Federal (PF) entre maio e junho de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>Por todo o contexto, o lavrador talvez tivesse visto An&iacute;sio saindo do mato da Transamaz&ocirc;nica. Mas, para a surpresa de todos, a pessoa que ele reconheceu foi <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/cesio-flavio-caldas-brandao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico reconhecido por Agostinho como suspeito na morte de Jaenes\" class=\"encyclopedia\">C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o<\/a>, diretor do Hospital da Funda&ccedil;&atilde;o Sesp &ndash; hoje conhecido como Hospital da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional de Sa&uacute;de (Funasa).<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pr&oacute;prio C&eacute;sio em uma conversa com o pesquisador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rubens-pena-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado e antrop&oacute;logo\" class=\"encyclopedia\">Rubens Pena J&uacute;nior<\/a>, as fitas VHS foram gravadas durante uma visita da PF ao escrit&oacute;rio em que ele trabalhava. Os agentes lhe disseram que queriam apenas checar alguns documentos, mas n&atilde;o entraram em detalhes. Justamente por isso, o m&eacute;dico aparece descontra&iacute;do, conversando, sem saber que poderia ser um suspeito.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas que est&atilde;o por tr&aacute;s das c&acirc;meras nunca aparecem totalmente. &Eacute; poss&iacute;vel ver apenas uma delas de relance: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-carlos-de-souza-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Policial federal que chefiou as investiga&ccedil;&otilde;es em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Carlos de Souza Machado<\/a>, agente da PF que comandou a opera&ccedil;&atilde;o em Altamira. Nos v&iacute;deos, &eacute; ele quem geralmente conversa com o m&eacute;dico.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-07-01-Auto-de-Reconhecimento-Agostinho.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Auto de reconhecimento de Agostinho Jos&eacute; da Costa<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Como j&aacute; mencionado, tudo o que envolve a investiga&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal em Altamira &eacute; um mist&eacute;rio. Ap&oacute;s a leitura e pesquisa nos autos, por&eacute;m, tudo indica que a grava&ccedil;&atilde;o com C&eacute;sio n&atilde;o foi acidente. Provavelmente os agentes da PF j&aacute; haviam chegado ao nome dele.<\/p>\n\n\n\n<p>Para a Pol&iacute;cia Civil, o c&iacute;rculo parecia finalmente estar se fechando e a lista de suspeitos j&aacute; estava maior: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a> e seu pai, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a>; os ex-PMs <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-alberto-dos-santos-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Policial militar acusado no caso dos meninos\" class=\"encyclopedia\">Carlos Alberto dos Santos Lima<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/aldenor-ferreira-cardoso\/\" target=\"_self\" title=\"Ex-PM reconhecido por Wandicley como o seu sequestrador\" class=\"encyclopedia\">Aldenor Ferreira Cardoso<\/a>; e agora os m&eacute;dicos <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/cesio-flavio-caldas-brandao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico reconhecido por Agostinho como suspeito na morte de Jaenes\" class=\"encyclopedia\">C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/anisio-ferreira-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico acusado no caso dos meninos emasculados\" class=\"encyclopedia\">An&iacute;sio Ferreira de Souza<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O pr&oacute;ximo passo seria pedir a pris&atilde;o dessas pessoas, o que o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> fez a partir de 05 de julho de 1993. Na mesma data, o Tribunal de Justi&ccedil;a do Estado do Par&aacute; designou uma nova ju&iacute;za para o munic&iacute;pio: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/elisabete-pereira-de-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Ju&iacute;za designada para atuar em Altamira em julho de 1993\" class=\"encyclopedia\">Elisabete Pereira de Lima<\/a>, que vinha de Tucuru&iacute;, localizada a 400 quil&ocirc;metros de Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, ap&oacute;s um m&ecirc;s de investiga&ccedil;&otilde;es da PF, em quest&atilde;o de dias, o caso dos meninos ganhou um novo delegado, um novo promotor e uma nova ju&iacute;za, todos de outras cidades. E isso n&atilde;o &eacute; nada comum. Aparentemente, frente a suspeita do envolvimento de poderosos locais nos crimes e a pr&oacute;pria desconfian&ccedil;a da popula&ccedil;&atilde;o nas autoridades, o estado do Par&aacute; achou essa mudan&ccedil;a necess&aacute;ria.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 07 de julho de 1993, a ju&iacute;za Elisabete aceitou os pedidos de pris&atilde;o solicitados pelo delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>. Eles foram cumpridos nos dias seguintes, assim como o processo de busca e apreens&atilde;o na resid&ecirc;ncia de alguns dos suspeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na casa de An&iacute;sio, os policiais encontraram algo que de cara chamou a aten&ccedil;&atilde;o: a mesma fotografia de uma apresenta&ccedil;&atilde;o musical infantil achada na casa de Amailton tempos antes. Posteriormente, a explica&ccedil;&atilde;o seria de que a foto se tratava do cart&atilde;o postal de uma escola, distribu&iacute;do para a maioria dos moradores de Altamira. <\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m disso, foram tamb&eacute;m apreendidos um livro intitulado &ldquo;O Homem Violento&rdquo;, romance do autor A. E. Van Vogt; e uma nota promiss&oacute;ria suja de sangue, que o m&eacute;dico alegou ser de algu&eacute;m que se cortou ao manipular o grampeador.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-07-13-Auto-de-Apreensao-Anisio-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Auto de busca e apreens&atilde;o na casa de An&iacute;sio<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; na resid&ecirc;ncia de C&eacute;sio, na presen&ccedil;a da esposa e da filha dele, que era apenas um beb&ecirc;, a pol&iacute;cia achou diversos materiais m&eacute;dicos. Entre eles, esp&eacute;culos vaginais; bisturis; pin&ccedil;as; agulhas de anestesia raquidiana; uma baioneta e dr&aacute;geas de um rem&eacute;dio chamado Valmane, um calmante natural.<\/p>\n\n\n\n<p>Os utens&iacute;lios mais suspeitos, na vis&atilde;o dos investigadores, eram as agulhas de anestesia raquidiana, usadas normalmente para que o paciente n&atilde;o sinta o corpo da cintura para baixo. Afinal, para o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, isso batia com alguns relatos de sobreviventes que se diziam &ldquo;anestesiados&rdquo; durante a emascula&ccedil;&atilde;o. Os demais objetos, no entanto, n&atilde;o foram t&atilde;o explorados pela acusa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-07-09-Auto-de-Apreensao-Cesio-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Auto de busca e apreens&atilde;o na casa de C&eacute;sio<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>INTERROGAT&Oacute;RIOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os suspeitos foram interrogados alguns dias ap&oacute;s a pris&atilde;o. Em 12 de julho, foi a vez de Amailton, que j&aacute; estava preso, e de C&eacute;sio serem ouvidos. Ambos foram tamb&eacute;m confrontados pelo lavrador Agostinho, que afirmava t&ecirc;-los visto &agrave; beira da Transamaz&ocirc;nica pr&oacute;ximo ao local em que o corpo de Jaenes foi encontrado. Cara a cara com os dois acusados, a testemunha reafirmou o reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu novo interrogat&oacute;rio, na presen&ccedil;a do advogado de defesa <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/americo-leal\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa de Amailton e Valentina\" class=\"encyclopedia\">Am&eacute;rico Leal<\/a> e do delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, Amailton disse que o encontro com o lavrador nunca aconteceu. Ele alegou que, naquele primeiro de outubro de 1992, estava totalmente concentrado em deixar a sua moto pronta para a viagem que faria no dia seguinte. Sobre Agostinho, o suspeito comentou: &ldquo;esta pessoa pode estar louca&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante depoimento, Amailton tamb&eacute;m negou conhecer os m&eacute;dicos An&iacute;sio e C&eacute;sio; e o ex-PM <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-alberto-dos-santos-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Policial militar acusado no caso dos meninos\" class=\"encyclopedia\">Carlos Alberto dos Santos Lima<\/a>. Por fim, informou que era cat&oacute;lico n&atilde;o praticante e nunca participou de qualquer tipo de culto ou seita. De acordo com ele, o livro relacionado &agrave; &ldquo;magia negra&rdquo; apreendido em sua casa teria sido emprestado de uma amiga apenas por curiosidade.<\/p>\n\n\n\n<p>A obra citada no relato &eacute; &ldquo;O Satanista &ndash; Uma Hist&oacute;ria de Magia Negra&rdquo; do escritor Dennis Wheatley, lan&ccedil;ado no Brasil pela editora Record. Publicado originalmente em 1960, no Reino Unido, o livro &eacute; uma fic&ccedil;&atilde;o, um romance policial misturado com terror. Apesar de ser apenas uma hist&oacute;ria fict&iacute;cia, para o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a>, o t&iacute;tulo parecia ser algo importante dentro das investiga&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-07-12-Interrogatorio-Amailton.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Interrogat&oacute;rio de Amailton Madeira Gomes<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/Materia-Diario-do-Para-3-12-1992-4.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do jornal Di&aacute;rio do Par&aacute; &ndash; &ldquo;Monstro de Altamira foi depor e negou os crimes&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Com seis p&aacute;ginas, o depoimento de C&eacute;sio &eacute; mais extenso. Na ocasi&atilde;o, ele tamb&eacute;m estava acompanhado de um advogado, o doutor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/dino-raul-cavet\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa de C&eacute;sio em 1993\" class=\"encyclopedia\">Dino Raul Cavet<\/a>. &Agrave; pol&iacute;cia, o m&eacute;dico negou participa&ccedil;&atilde;o nos casos dos meninos. Refor&ccedil;ou, inclusive, que morava no distrito de Brasil Novo quando os crimes come&ccedil;aram a ocorrer. Ele s&oacute; se mudou para Altamira, que ficava a cerca de 40 minutos de carro da sua antiga casa, em janeiro de 1990, ap&oacute;s passar em um concurso que prestou para a Funda&ccedil;&atilde;o Sesp.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o assassinato de Jaenes, C&eacute;sio confrontou diretamente o relato de Agostinho. Segundo ele, o trabalho no hospital pela manh&atilde; come&ccedil;ava &agrave;s 7h30 e seguia at&eacute; 11h30. Aquele primeiro de outubro era uma quinta-feira, dia que apanhava o seu filho na escola, o que afirmava ter feito. O expediente reiniciava, ent&atilde;o, &agrave;s 13h30 e terminava &agrave;s 17h30, quando finalmente retornava para casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de diretor do hospital, C&eacute;sio afirmou que nunca teve contato com nenhum dos corpos das v&iacute;timas, tampouco curiosidade em v&ecirc;-los. Ele disse que, mesmo sendo m&eacute;dico, n&atilde;o gostava de lidar com cad&aacute;veres.<\/p>\n\n\n\n<p>Em depoimento, contou tamb&eacute;m que era evang&eacute;lico presbiteriano, oriundo do estado do Esp&iacute;rito Santo, e que jamais participou de qualquer outro tipo de culto.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre os demais suspeitos, o m&eacute;dico comentou que conhecia <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a> porque certa vez precisou falar com ele sobre o abastecimento de viaturas da Funda&ccedil;&atilde;o Sesp &ndash; o que teria ocorrido no ano de 1991. J&aacute; Amailton s&oacute; lhe era familiar de vista, pois nunca tinha tido um contato mais pr&oacute;ximo com ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; An&iacute;sio, C&eacute;sio explicou que o encontrou uma vez em seu gabinete na Funda&ccedil;&atilde;o. Ele havia ido at&eacute; l&aacute; para lhe pedir apoio &agrave; sua candidatura a vereador. Essa reuni&atilde;o nunca foi explicada por nenhum dos dois, mas &eacute; poss&iacute;vel presumir que C&eacute;sio, como diretor da institui&ccedil;&atilde;o, seria um importante aliado para An&iacute;sio. Aparentemente, por&eacute;m, essa coopera&ccedil;&atilde;o nunca aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; sobre o ex-PM Carlos Alberto, C&eacute;sio negava conhec&ecirc;-lo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> tamb&eacute;m questionou o m&eacute;dico sobre os materiais encontrados na casa dele. De acordo com o suspeito, as agulhas raquidianas eram utilizadas para anestesiar os pacientes da cintura para baixo, enquanto que o rem&eacute;dio Valmane servia para o combate &agrave; ansiedade. Ele afirmou que os utens&iacute;lios haviam sido adquiridos anos antes &ndash; sendo as agulhas presente de uma amiga -, com o objetivo de us&aacute;-los no trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A pr&oacute;xima pergunta do investigador foi sobre a fun&ccedil;&atilde;o e os efeitos do anest&eacute;sico halotano. C&eacute;sio respondeu que a subst&acirc;ncia induz ao sono, mas que, como anestesia, teria de ser complementada com outras drogas. Segundo ele, ao ser colocada em um len&ccedil;o e levada &agrave; narina de uma pessoa, por exemplo, ela n&atilde;o causaria efeito imediato, mas sim em cerca de 10 minutos.<\/p>\n\n\n\n<p>Na resid&ecirc;ncia do suspeito n&atilde;o foi encontrado o halotano e, por isso, no depoimento, n&atilde;o fica claro o motivo pelo qual o delegado fez esse questionamento. A resposta talvez esteja em um dos v&iacute;deos gravados pela Pol&iacute;cia Federal durante a visita ao escrit&oacute;rio de C&eacute;sio. Nele, o chefe da miss&atilde;o, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-carlos-de-souza-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Policial federal que chefiou as investiga&ccedil;&otilde;es em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Carlos de Souza Machado<\/a>, menciona a subst&acirc;ncia. &Eacute; prov&aacute;vel que as investiga&ccedil;&otilde;es levaram os agentes a crer que esse teria sido o suposto anest&eacute;sico usado nas v&iacute;timas &ndash; especialmente a partir dos relatos do segundo e do terceiro sobreviventes, que diziam ter desmaiado depois que o sequestrador colocou um pano na boca deles.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse contexto, a tese mais forte era de que um grupo praticante de cultos sat&acirc;nicos era respons&aacute;vel pela morte dos garotos. E ele contava com a participa&ccedil;&atilde;o de PMs, empres&aacute;rios e m&eacute;dicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que houvesse livros de nomes chamativos nas casas de alguns suspeitos, essa hip&oacute;tese ainda parecia n&atilde;o se encaixar no perfil deles. An&iacute;sio era esp&iacute;rita e isso poderia sim resultar em preconceito &ndash; talvez similar com o que os pais de santo em Guaratuba sofreram no Caso Evandro. J&aacute; Amailton se dizia cat&oacute;lico n&atilde;o praticante, enquanto C&eacute;sio era evang&eacute;lico e frequentador da igreja. Nesse sentido, Amadeu Gomes talvez trouxesse mais suspeitas na vis&atilde;o de alguns moradores da cidade, j&aacute; que muitos sabiam que ele era ma&ccedil;om.<\/p>\n\n\n\n<p>At&eacute; a&iacute;, n&atilde;o h&aacute; nada concreto que sirva como base para a teoria da seita sat&acirc;nica. Mas eis que uma passagem no depoimento de C&eacute;sio chama bastante a aten&ccedil;&atilde;o: tr&ecirc;s nomes que nunca haviam sido citados no processo. O trecho afirma: <\/p>\n\n\n\n<p><em>QUE perguntando ao depoente se conhece a Sra. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a>, respondeu negativamente. QUE perguntado ao depoente se conhece o Sr. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-alfredo-teruggi\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de&nbsp;Valentina de Andrade em 1992\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Alfredo Teruggi<\/a>, respondeu negativamente. Que perguntado ao depoente se conhece o Sr. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/duilio-nolasco-pereira\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de Valentina entre 1953 e 1973\" class=\"encyclopedia\">Du&iacute;lio Nolasco Pereira<\/a>, respondeu negativamente.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-07-12-Interrogatorio-Cesio-1-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Interrogat&oacute;rio de C&eacute;sio Fl&aacute;vio Caldas Brand&atilde;o<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; aqui que acontece, nos autos, a primeira liga&ccedil;&atilde;o com o Caso Evandro relatado na quarta temporada do Projeto Humanos. Antes de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/evandro-ramos-caetano\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida e encontrada morta em abril de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Evandro Ramos Caetano<\/a> desaparecer em abril de 1992, outra crian&ccedil;a j&aacute; havia sumido em Guaratuba, no litoral do Paran&aacute;: um menino chamado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Em julho do mesmo ano, sete pessoas foram presas, acusadas de participar de uma seita sat&acirc;nica que teria sacrificado Evandro. Duas delas eram <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/celina-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Acusada no caso Evandro\" class=\"encyclopedia\">Celina Abagge<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/beatriz-abagge\/\" target=\"_self\" title=\"Acusada no caso Evandro\" class=\"encyclopedia\">Beatriz Abagge<\/a>, esposa e filha do prefeito do munic&iacute;pio.<\/p>\n\n\n\n<p>Parte dos acusados admitiu o crime. H&aacute; inclusive uma fita de confiss&atilde;o das mulheres, que sempre foi uma pe&ccedil;a estranha no processo. Como demonstrado na temporada passada, todos esses relatos foram feitos sob tortura e coa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato &eacute; que, nos primeiros dias em que estiveram detidos, alguns dos suspeitos afirmaram que haviam sequestrado e matado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/leandro-bossi\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em 15 de fevereiro de 1992 em Guaratuba\" class=\"encyclopedia\">Leandro Bossi<\/a> em um suposto ritual para Iemanj&aacute;. Essa foi a primeira vers&atilde;o contada por eles, que nunca chegou a ser oficialmente registrada no inqu&eacute;rito policial. Mais tarde, aos autos, os acusados falaram que Leandro teria sido na verdade raptado e vendido para uma mulher estrangeira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma dessas vers&otilde;es &eacute; verdadeira e ambas foram feitas ap&oacute;s sess&otilde;es de tortura. As fitas reveladas por Ivan Mizanzuk no epis&oacute;dio 25 do Caso Evandro s&atilde;o as provas definitivas disso. As grava&ccedil;&otilde;es s&atilde;o reveladoras e demonstram um trabalho policial desastroso.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas tudo isso foi escondido da imprensa e da popula&ccedil;&atilde;o do Paran&aacute; na &eacute;poca. O que apareceu oficialmente foi que o grupo preso teria confessado que sequestrou e vendeu Leandro para uma &ldquo;gringa, loira e gorda&rdquo;. Foi a&iacute; que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/valentina-de-andrade\/\" target=\"_self\" title=\"L&iacute;der do Lineamento Universal Superior\" class=\"encyclopedia\">Valentina de Andrade<\/a> se tornou uma suspeita. Afinal, ela estava em Guaratuba com um grupo de 40 argentinos na &eacute;poca em que os dois garotos desapareceram. Como consequ&ecirc;ncia, o seu nome passou a circular por toda a imprensa nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, al&eacute;m das confiss&otilde;es terem sido inven&ccedil;&otilde;es criadas sob tortura, havia outro problema muito mais b&aacute;sico: Valentina n&atilde;o se encaixava na descri&ccedil;&atilde;o dada pelos acusados. Apesar de estar acompanhada de argentinos, ela n&atilde;o era gringa, mas sim brasileira. Al&eacute;m disso, n&atilde;o era loira ou gorda.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s meses de mat&eacute;rias sensacionalistas, a ju&iacute;za de Guaratuba acabou derrubando o mandado de pris&atilde;o que havia autorizado contra Valentina e alguns de seus seguidores. A magistrada chegou a dizer que a situa&ccedil;&atilde;o teria sido um grande equ&iacute;voco, fruto de um question&aacute;vel trabalho policial. O pr&oacute;prio delegado da &eacute;poca, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/luiz-carlos-de-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelo caso Leandro Bossi\" class=\"encyclopedia\">Luiz Carlos de Oliveira<\/a>, mais tarde se pronunciou sobre o caso e pediu desculpas pelo engano que cometeu.<\/p>\n\n\n\n<p>Valentina nunca foi acusada formalmente de nada em Guaratuba. O mesmo ocorreu com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-alfredo-teruggi\/\" target=\"_self\" title=\"Marido de&nbsp;Valentina de Andrade em 1992\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Alfredo Teruggi<\/a>, seu marido. Mas seria no Par&aacute;, no Norte do Brasil, pouco mais de um ano depois, que o seu nome voltaria a circular em torno de novos casos de assassinatos de crian&ccedil;as.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Quando o garoto <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a> foi assassinado em outubro de 1992, Amailton estava fora de Altamira, em uma longa viagem at&eacute; o Sul do Brasil. Ele chegou a ir tamb&eacute;m a dois pa&iacute;ses vizinhos: Uruguai e Argentina. Isso n&atilde;o passou despercebido pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico.<\/p>\n\n\n\n<p>Em argumenta&ccedil;&otilde;es posteriores, os promotores do caso diziam que o suspeito n&atilde;o tinha ido &agrave; Argentina por conta de uma simples aventura de moto, mas para encontrar-se com Valentina. Contudo, nenhuma evid&ecirc;ncia comprova essa suposta liga&ccedil;&atilde;o entre os dois.<\/p>\n\n\n\n<p>Os advogados de defesa, por sua vez, anexaram aos autos declara&ccedil;&otilde;es de amigos do rapaz que viviam no pa&iacute;s vizinho. Eles afirmavam que Amailton tinha passado um tempo na casa deles. De qualquer modo, para a promotoria, esse seria um ind&iacute;cio forte que poderia conectar todos os acusados.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-11-18-Carta-de-Guillhermo-Bastos-e-Maurileda-Amarante-do-Nascimento-receberam-Amailton-em-Buenos-Aires-melhor-qualidade-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Declara&ccedil;&otilde;es de amigos de Amailton<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A tentativa de fazer essa liga&ccedil;&atilde;o continuou nos interrogat&oacute;rios de An&iacute;sio e do ex-PM Carlos Alberto, assunto do pr&oacute;ximo epis&oacute;dio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os M\u00e9dicos<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/311"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=311"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=311"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=311"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}