{"id":241,"date":"2022-05-19T00:01:00","date_gmt":"2022-05-19T03:01:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=241"},"modified":"2022-06-29T18:10:14","modified_gmt":"2022-06-29T21:10:14","slug":"extras-episodio-07","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-07\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 07"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>P&Acirc;NICO NA CIDADE<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A partir deste epis&oacute;dio, a hist&oacute;ria do caso dos meninos de Altamira mudar&aacute; radicalmente. Aqui &eacute; preciso relembrar dois eventos importantes: a pris&atilde;o de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a> no fim de 1992 e a morte do garoto <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/flavio-lopes-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 10 anos morto em mar&ccedil;o de 1993 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Fl&aacute;vio Lopes da Silva<\/a>, de 10 anos, em mar&ccedil;o do ano seguinte. Entre ambos os acontecimentos, mais duas crian&ccedil;as desapareceram na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse dado &eacute; frequentemente ignorado e n&atilde;o aparece nos autos com a devida aten&ccedil;&atilde;o que merece. O processo conta apenas com os registros das ocorr&ecirc;ncias policiais e n&atilde;o possui abertura de investiga&ccedil;&atilde;o. De acordo com a pesquisadora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/paula-mendes-lacerda\/\" target=\"_self\" title=\"Antrop&oacute;loga e pesquisadora do caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Paula Mendes Lacerda<\/a>, que usa esses documentos como fonte, &eacute; poss&iacute;vel que exista inqu&eacute;rito de apenas um desses meninos.<\/p>\n\n\n\n<p>Os autos indicam que o primeiro caso de crian&ccedil;a desaparecida ocorrido ap&oacute;s a pris&atilde;o de Amailton &eacute; de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/mauricio-farias-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 13 anos que desapareceu em dezembro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Maur&iacute;cio Farias de Souza<\/a>, de 13 anos. Ele sumiu em 27 de dezembro de 1992, 25 dias depois de o suspeito ser detido.<\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; o segundo garoto &eacute; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/renan-santos-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de oito anos que desapareceu em janeiro de 1993 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Renan Santos de Souza<\/a>, de oito anos, que desapareceu em 24 de janeiro de 1993. Esse seria o caso que possui inqu&eacute;rito aberto nos autos, mas inconclusivo. Segundo o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a>, at&eacute; hoje ambos os desaparecimentos permanecem sem respostas.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s Maur&iacute;cio e Renan, Fl&aacute;vio seria o terceiro menino a sumir em Altamira depois da pris&atilde;o de Amailton. A diferen&ccedil;a &eacute; que o seu corpo foi encontrado, o que deu in&iacute;cio &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o policial.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, mesmo com o suspeito atr&aacute;s das grades, os casos continuaram e pareciam ficar cada vez mais frequentes. E n&atilde;o s&oacute; isso: os registros oficiais sobre as duas v&iacute;timas fatais anteriores &ndash; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/klebson-ferreira-caldas\/\" target=\"_self\" title=\"Menino que desapareceu em Altamira em novembro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Klebson Ferreira Caldas<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/flavio-lopes-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 10 anos morto em mar&ccedil;o de 1993 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Fl&aacute;vio Lopes da Silva<\/a> &ndash; indicavam que as emascula&ccedil;&otilde;es seriam supostamente diferentes dos ataques anteriores.<\/p>\n\n\n\n<p>Os dados coletados pelo Comit&ecirc; mostram que a situa&ccedil;&atilde;o era bastante complicada na cidade: entre outubro de 1992 e mar&ccedil;o de 1993, h&aacute; ao menos cinco relatos de meninos que sofreram tentativas de sequestro. Sobre esses crimes, n&atilde;o h&aacute; nada nos autos produzidos por autoridades, apenas os relat&oacute;rios elaborados por familiares das v&iacute;timas.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo &eacute; um documento de 28 p&aacute;ginas, datado de 06 de outubro de 1996, que conta as hist&oacute;rias dessas crian&ccedil;as. Um trecho diz o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>No dia 22 de Novembro de 1992, pelas 4 e meia da tarde, SFS [inicial da v&iacute;tima], 13 anos, retornava da escola. Caminhava para casa sozinho, quando um Fusca Branco parou ao seu lado e um dos ocupantes apontou uma arma de fogo para ele, mandando que entrasse no carro e n&atilde;o gritasse, se n&atilde;o ele atiraria. No carro estavam 3 pessoas, todas encapuzadas. Ele ficou no banco de tr&aacute;s junto com um dos homens. Os dois que vinham na frente conversavam, mas ele n&atilde;o conseguiu escutar nada.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O carro deu muitas voltas pela cidade. Quando j&aacute; tinha anoitecido, o ve&iacute;culo enveredou pela rodovia Ernesto Acioly. Uns 200 metros ap&oacute;s a sede da AABB, logo depois da entrada do Bairro da Colina, o carro parou embaixo de uma mangueira. Os dois homens que iam na frente, o motorista e o vestido de soldado, sa&iacute;ram e distanciaram-se ficando fora do alcance visual. Transcorrido algum tempo, algu&eacute;m chamou: &ldquo;Neg&atilde;o, vem c&aacute;!&rdquo;. O homem que tinha ficado com SFS saiu do carro indo ao encontro de seus companheiros. O garoto aproveitou o momento para experimentar a ma&ccedil;aneta da porta do lado oposto do motorista. Para seu espanto, estava aberta.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Saiu do ve&iacute;culo. Do lado de fora, viu sua bicicleta encostada no carro. Pegou-a, mas esta caiu. Ele a arrastou um pouco e a seguir montou-a para fugir, descendo a rodovia Ernesto Acioly. Ainda teve tempo de ouvir um dos homens gritando &ldquo;O menino est&aacute; fugindo!&rdquo;. Algu&eacute;m tamb&eacute;m disparou um tiro em sua dire&ccedil;&atilde;o, mas ele pedalou desesperadamente, sem olhar para tr&aacute;s e nem parar em lugar algum. Entrou na rua Abel Figueiredo e foi parar na casa da companheira do pai, na rua dos Seis Metros, onde chegou arrastando a bicicleta que, na fuga, tinha furado os pneus e amassado as rodas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>L&aacute;, encontrou um Policial Militar que se prontificou a lev&aacute;-lo na Delegacia de Pol&iacute;cia.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nessa &eacute;poca estavam em Altamira, em miss&atilde;o especial relacionada com a matan&ccedil;a das crian&ccedil;as, os Delegados Brivaldo Soares e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/orion-klautau\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado da Pol&iacute;cia Civil de Altamira em 1992\" class=\"encyclopedia\">Orion Klautau<\/a>. SFS e sua m&atilde;e informaram o que ocorreu. Tr&ecirc;s policiais foram juntamente com o adolescente ao local onde ele conseguira fugir. No outro dia, o mesmo acompanhou novamente a pol&iacute;cia at&eacute; o local.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>No transcorrer do seu depoimento na Delegacia de Pol&iacute;cia, os policiais acusavam SFS e o pressionavam constantemente para que contasse a verdade. Diziam tamb&eacute;m que ele estava querendo acusar um colega, pois um dos investigadores tinha o porte f&iacute;sico muito assemelhado ao bandido que usava a escopeta, s&oacute; n&atilde;o podendo afirmar que era ele por n&atilde;o ter visto o seu rosto.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>No ano de 1994, apareceram em sua resid&ecirc;ncia dois homens brancos, bem vestidos, que se disseram policiais federais e apresentaram-lhe um documento da &ldquo;ju&iacute;za&rdquo;, que seria uma autoriza&ccedil;&atilde;o para que o menino fosse com eles at&eacute; Bel&eacute;m, a pretexto de identificar um dos seus sequestradores entre alguns presos. A m&atilde;e achou essa hist&oacute;ria estranha e n&atilde;o acreditou em tais homens. Tratou de esconder o adolescente numa col&ocirc;nia afastada da cidade.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esse &eacute; o relato de apenas um dos casos de tentativa de sequestro. A aus&ecirc;ncia deles nos autos pode soar como neglig&ecirc;ncia e, at&eacute; certo ponto, pode-se dizer que &eacute;. Mas alguns fatores precisam ser levados em considera&ccedil;&atilde;o. Segundo o levantamento que Paula Lacerda fez em sua pesquisa de doutorado, nenhuma dessas situa&ccedil;&otilde;es chegou a ter inqu&eacute;rito policial. Isso porque valia a l&oacute;gica de que &ldquo;se o garoto voltou para a casa vivo e inteiro, e a pol&iacute;cia n&atilde;o &eacute; confi&aacute;vel, melhor deixar para l&aacute;&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m disso, n&atilde;o h&aacute; como ter certeza se esses crimes tinham liga&ccedil;&atilde;o com os dos meninos emasculados. Afinal, n&atilde;o eram incomuns os relatos de que em Altamira e cidades pr&oacute;ximas crian&ccedil;as eram sequestradas para realizar trabalhos for&ccedil;ados em fazendas distantes. Por mais que esse tipo de explica&ccedil;&atilde;o seja recorrente, ela &eacute; tamb&eacute;m dif&iacute;cil de ser verificada, dada a dificuldade de se mapear os casos de trabalhadores escravizados na regi&atilde;o naquele per&iacute;odo.<\/p>\n\n\n\n<p>O jornalista <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/piero-locatelli\/\" target=\"_self\" title=\"Jornalista consultado para o podcast\" class=\"encyclopedia\">Piero Locatelli<\/a> cobriu por anos o trabalho escravo moderno no Brasil. Com a ajuda de alguns colegas, ele explicou o seguinte: o rapto de crian&ccedil;as em cidades do interior para trabalhos for&ccedil;ados provavelmente acontecia. Essa situa&ccedil;&atilde;o, no entanto, ficava dilu&iacute;da na falta de percep&ccedil;&atilde;o da &eacute;poca de que o trabalho escravo era, de fato, uma realidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso pode parecer um absurdo, mas &eacute; preciso ter consci&ecirc;ncia do pensamento predominante no per&iacute;odo. O crime de trabalho escravo como conhecemos hoje em dia s&oacute; passou a existir em 1995. Esse tipo penal foi determinado a partir de hist&oacute;rias como a de Z&eacute; Pereira, um trabalhador escravizado que conseguiu fugir da fazenda onde era mantido em 1989. Antes de Pereira e outros fugitivos trazerem &agrave; tona as suas condi&ccedil;&otilde;es de vida, muitos acreditavam que essa situa&ccedil;&atilde;o era coisa de um passado distante. H&aacute; quem ache isso at&eacute; hoje.<\/p>\n\n\n\n<p>Essas tentativas de sequestro poderiam ter rela&ccedil;&atilde;o com os casos dos emasculados? Sim. Ou havia a possibilidade de estarem ligadas ao trabalho escravo? Sim. Jamais haver&aacute; uma resposta 100% satisfat&oacute;ria.<\/p>\n\n\n\n<p>O fato &eacute; que o p&acirc;nico estava disseminado em Altamira. Entre as mortes de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a> e Fl&aacute;vio Lopes &ndash; outubro de 1992 e mar&ccedil;o de 1993 -, cinco garotos sofreram tentativas de sequestro, dois desapareceram e tr&ecirc;s foram encontrados mortos e emasculados. Isso sem contar os ataques anteriores. Como as autoridades n&atilde;o estavam agindo, as fam&iacute;lias tiveram que se reunir novamente e lutar pelos seus direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>O <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a> foi fundado em junho de 1993 pelos parentes das v&iacute;timas. Mas no fim de mar&ccedil;o do mesmo ano ele j&aacute; era bastante atuante, com um n&uacute;cleo origin&aacute;rio intitulado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/movimento-contra-a-violencia-e-a-favor-da-vida\/\" target=\"_self\" title=\"Movimento social de Altamira ligado &agrave; garantia dos direitos das crian&ccedil;as\" class=\"encyclopedia\">Movimento Contra a Viol&ecirc;ncia e a Favor da Vida<\/a>. Por conta da presen&ccedil;a de lideran&ccedil;as da Igreja Cat&oacute;lica e ativistas sociais, como <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/antonia-melo\/\" target=\"_self\" title=\"Ativista fundadora de organiza&ccedil;&otilde;es sociais em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ant&ocirc;nia Melo<\/a>, por exemplo, seus membros j&aacute; possu&iacute;am contatos com pol&iacute;ticos do Par&aacute;. Foi por meio dessa rela&ccedil;&atilde;o que os familiares dos meninos conseguiram ser atendidos em alguma medida. Na ocasi&atilde;o, a deputada estadual Ainda Maria, do Partido dos Trabalhadores (PT), tornou-se uma porta-voz dos anseios daqueles que haviam perdido os seus filhos.<\/p>\n\n\n\n<p>A publica&ccedil;&atilde;o de 1996 elaborada pelo Comit&ecirc; defende que as investiga&ccedil;&otilde;es da Pol&iacute;cia Civil sempre foram prec&aacute;rias, sem recursos que pudessem possibilitar o esclarecimento dos fatos. Al&eacute;m disso, o relat&oacute;rio afirma que at&eacute; mesmo os laudos m&eacute;dicos eram extremamente superficiais. Diante disso, a popula&ccedil;&atilde;o se convenceu de que somente a ajuda da Pol&iacute;cia Federal (PF) traria a resolu&ccedil;&atilde;o para os casos.<\/p>\n\n\n\n<p>O Comit&ecirc;, ent&atilde;o, passou a lutar por essa demanda junto ao <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/conselho-nacional-dos-direitos-da-crianca-e-do-adolescente\/\" target=\"_self\" title=\"&Oacute;rg&atilde;o que contribui para definir pol&iacute;ticas para a inf&acirc;ncia e a adolesc&ecirc;ncia\" class=\"encyclopedia\">Conselho Nacional dos Direitos da Crian&ccedil;a e do Adolescente<\/a> (Conanda), ao Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, ao Congresso Nacional e outras inst&acirc;ncias.<\/p>\n\n\n\n<p>Em abril de 1993, o governo federal enviou uma comiss&atilde;o &agrave; Altamira para verificar a situa&ccedil;&atilde;o. &ldquo;Os representantes do Minist&eacute;rio [da Justi&ccedil;a] ficaram estarrecidos ao constatar o desaparelhamento da pol&iacute;cia, a falta de vontade pol&iacute;tica para elucidar os casos, o desamparo da popula&ccedil;&atilde;o, o desespero das fam&iacute;lias, e prometeram a ajuda de Bras&iacute;lia&rdquo;, diz o documento do Comit&ecirc;.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa visita foi um marco importante para o processo. A partir dela, um relat&oacute;rio foi produzido em 12 de abril de 1993, assinado por <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/augustino-pedro-veit\/\" target=\"_self\" title=\"Conselheiro do Conanda na &eacute;poca dos crimes\" class=\"encyclopedia\">Augustino Pedro Veit<\/a>, conselheiro do Conanda e atuante no <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/movimento-nacional-de-meninos-e-meninas-de-rua\/\" target=\"_self\" title=\"Institui&ccedil;&atilde;o voltada para programas que beneficiam crian&ccedil;as de rua\" class=\"encyclopedia\">Movimento Nacional de Meninos e Meninas de Rua<\/a>. N&atilde;o h&aacute; no processo uma c&oacute;pia integral do texto, mas o Comit&ecirc; colocou alguns trechos na sua publica&ccedil;&atilde;o. Esse relat&oacute;rio constatava a falta total de assist&ecirc;ncia pela qual as fam&iacute;lias passavam e o clima de p&acirc;nico geral em torno da seguran&ccedil;a das crian&ccedil;as. Sobre as investiga&ccedil;&otilde;es, Veit dizia:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s motiva&ccedil;&otilde;es dos crimes praticados, as informa&ccedil;&otilde;es e ind&iacute;cios levam a formular duas hip&oacute;teses: Primeira, que os autores sejam portadores de anomalias ps&iacute;quicas e mentais ou psicopatas. Segunda hip&oacute;tese &eacute; a de que os criminosos tenham liga&ccedil;&otilde;es com grupos de Magia Negra ou seitas. Neste caso, &eacute; bem prov&aacute;vel que tais grupos ou seitas sejam de fora do Munic&iacute;pio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Esse trecho do relat&oacute;rio &eacute; bastante revelador sobre o que era comentado em rela&ccedil;&atilde;o aos crimes na &eacute;poca. Mas o que mais chama a aten&ccedil;&atilde;o &eacute; como j&aacute; se havia cristalizado a ideia de um grupo de pessoas respons&aacute;veis e n&atilde;o de apenas um autor. E, novamente, existe a men&ccedil;&atilde;o &agrave; &ldquo;magia negra&rdquo; ou &ldquo;seitas&rdquo;. Dessa vez, de forma nada t&iacute;mida, como era na ocasi&atilde;o em que Amailton foi preso.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/drive.google.com\/file\/d\/1UMXRiEBpuGXWbnMD2XYJ_x9-iYNzdyRJ\/view\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Relat&oacute;rio do Comit&ecirc; de 06 de outubro de 1996<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>POL&Iacute;CIA FEDERAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Os familiares das v&iacute;timas em Altamira j&aacute; n&atilde;o confiavam na pol&iacute;cia local. A passagem do delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/brivaldo-pinto-soares-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelo inqu&eacute;rito de Jaenes em outubro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Brivaldo Pinto Soares Filho<\/a> acabou por destruir de vez qualquer confian&ccedil;a que a popula&ccedil;&atilde;o tinha nas investiga&ccedil;&otilde;es. Por isso, a demanda era de que a Pol&iacute;cia Federal intervisse. A cren&ccedil;a, aparentemente, era de que esses agentes n&atilde;o estariam suscet&iacute;veis &agrave;s influ&ecirc;ncias dos poderosos da cidade, que seriam os principais suspeitos.<\/p>\n\n\n\n<p>A partir daqui, n&atilde;o h&aacute; documentos que comprovem as informa&ccedil;&otilde;es que ser&atilde;o repassadas. As fontes ser&atilde;o algumas mat&eacute;rias de imprensa e uma ou outra pista presente nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o Comit&ecirc;, o relat&oacute;rio de Veit iniciou um movimento no Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a, em Bras&iacute;lia. Na &eacute;poca, o ministro era o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/mauricio-correa\/\" target=\"_self\" title=\"Ministro da Justi&ccedil;a entre 03 de outubro de 1992 e 05 de abril de 1994\" class=\"encyclopedia\">Maur&iacute;cio Corr&ecirc;a<\/a>, que hoje j&aacute; &eacute; falecido. A publica&ccedil;&atilde;o dos familiares das v&iacute;timas afirma:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Uma primeira miss&atilde;o, sigilosa, de um agente da Pol&iacute;cia Federal, aconteceu de 17 a 21 de Abril de 1993. Na base do relat&oacute;rio desta primeira miss&atilde;o, o Ministro da Justi&ccedil;a, em data de 7 de Maio de 1993, determinou a interven&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>De 25 de Maio a 26 de Junho de 1993, uma equipe de sete agentes da Pol&iacute;cia Federal esteve em Altamira para a primeira fase da Opera&ccedil;&atilde;o: as den&uacute;ncias do Conselho Municipal dos Direitos das Crian&ccedil;as Altamirenses se revelaram t&iacute;midas. A Pol&iacute;cia Federal teve que investigar delitos praticados meses e anos antes, sem laudos periciais sobre os corpos das v&iacute;timas e os locais em que foram encontrados, com exames cadav&eacute;ricos incompletos, superficiais, omitindo dados importantes para o processo investigativo.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Mesmo assim, pela primeira vez, a comunidade altamirense soube o que &eacute; uma investiga&ccedil;&atilde;o s&eacute;ria e competente. E deu seu voto de confian&ccedil;a aos agentes que aqui vieram, dispondo-se a colaborar com uma cordialidade que nunca pol&iacute;cia alguma tinha conseguido.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, de acordo com o Comit&ecirc;, o Minist&eacute;rio da Justi&ccedil;a decidiu federalizar o caso e determinou a interven&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal. Um agente ficou na cidade por cerca de quatro dias em uma primeira fase. Em seguida, sete policiais permaneceram em Altamira entre maio e junho de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p>Os familiares das v&iacute;timas dizem que esses investigadores foram os primeiros a os acolherem e os ouvirem. Eles receberam um tratamento muito diferente daquele dos in&uacute;meros delegados que passaram pela cidade por tantos anos.<\/p>\n\n\n\n<p>As hist&oacute;rias sobre a atua&ccedil;&atilde;o dos agentes da Pol&iacute;cia Federal s&atilde;o sempre espantosas. H&aacute; relatos, por exemplo, de que eles se disfar&ccedil;aram de vendedores de picol&eacute; por toda a cidade para coletar informa&ccedil;&otilde;es de populares. Outros rumores apontam que esses policiais chegaram a realizar novos exames nos corpos das v&iacute;timas e a instalar grampos telef&ocirc;nicos pelo munic&iacute;pio &ndash; principalmente em im&oacute;veis de pessoas poderosas.<\/p>\n\n\n\n<p>N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber, no entanto, o que exatamente a Pol&iacute;cia Federal fez durante esse per&iacute;odo por um motivo bem frustrante: o relat&oacute;rio dos agentes n&atilde;o est&aacute; nos autos. &Eacute; fato que ele existe. Mat&eacute;rias de jornal da &eacute;poca, por exemplo, sempre o mencionam. Mas por algum motivo inexplic&aacute;vel, o documento sumiu do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat&oacute;rio &ldquo;Opera&ccedil;&atilde;o Monstro de Altamira&rdquo; tinha mais de 80 p&aacute;ginas e a sua vers&atilde;o mais importante &eacute; datada de 24 de setembro de 1993. Se voc&ecirc; tem alguma informa&ccedil;&atilde;o sobre o paradeiro do documento, mande mensagem para contato@projetohumanos.com.br.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dessa aus&ecirc;ncia, o podcast conseguiu apurar algumas informa&ccedil;&otilde;es sobre o documento: ele possuiu outras vers&otilde;es, uma delas do ano de 1996; as publica&ccedil;&otilde;es eram provavelmente nomeadas em fases; e tudo indica que serviram como base para o que aconteceu no caso depois da morte de Fl&aacute;vio em mar&ccedil;o de 1993. Esse relat&oacute;rio foi assinado por um agente da PF que atuava como o chefe da equipe, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-carlos-de-souza-machado\/\" target=\"_self\" title=\"Policial federal que chefiou as investiga&ccedil;&otilde;es em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Carlos de Souza Machado<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O motivo pelo qual o relat&oacute;rio n&atilde;o est&aacute; nos autos &eacute; um mist&eacute;rio. Em teoria, a PF n&atilde;o poderia atuar em crimes de homic&iacute;dio que ocorrem em apenas um estado. A lei que disciplina a atua&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o em casos dessa natureza s&oacute; surgiu em 2002 &ndash; nove anos depois de os agentes terem ido &agrave; Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso n&atilde;o significa que a Pol&iacute;cia Federal deixava de investigar crimes estaduais no per&iacute;odo. Essa conduta, por&eacute;m, poderia gerar problemas para a montagem do processo. Nesse contexto, a impress&atilde;o &eacute; que algu&eacute;m tomou a decis&atilde;o de deixar que os agentes federais fizessem um trabalho mais profundo e livre, oferecendo at&eacute; mesmo prote&ccedil;&atilde;o a testemunhas, algo que a Pol&iacute;cia Civil n&atilde;o teria condi&ccedil;&otilde;es de realizar. A ideia, ent&atilde;o, seria repassar todas as informa&ccedil;&otilde;es coletadas para o estado, que faria tudo correr oficialmente no &oacute;rg&atilde;o que de fato tinha compet&ecirc;ncia para atuar. Dado o cen&aacute;rio em Altamira, se isso aconteceu, seria quase um ato de desespero em busca de solu&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa decis&atilde;o n&atilde;o teria sido f&aacute;cil e nem mesmo r&aacute;pida. A presen&ccedil;a da PF na cidade n&atilde;o era escondida e chegou a ser divulgada pela imprensa. Uma mat&eacute;ria do jornal O Globo de 10 de junho de 1993 evidencia, por exemplo, uma s&eacute;rie de erros que teriam sido cometidos pela Pol&iacute;cia Civil e, consequentemente, a necessidade de novas investiga&ccedil;&otilde;es:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Os crimes est&atilde;o acontecendo desde 1989, mas a pol&iacute;cia de Altamira ainda n&atilde;o identificou os culpados. A deputada <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/aida-maria\/\" target=\"_self\" title=\"Deputada estadual do PT no Par&aacute; na &eacute;poca dos crimes\" class=\"encyclopedia\">Aida Maria<\/a> (do Partido dos Trabalhadores) informou que a popula&ccedil;&atilde;o teme dar qualquer informa&ccedil;&atilde;o &agrave; pol&iacute;cia desde que o vigia Luiz Arcanjo de Moraes, de 49 anos, foi torturado ap&oacute;s ter descoberto o cad&aacute;ver de um dos meninos mortos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Um dos suspeitos presos pela pol&iacute;cia, Rot&iacute;lio Ros&aacute;rio, foi torturado e morto no quartel da Pol&iacute;cia Militar, segundo a deputada, o que aumenta o terror da popula&ccedil;&atilde;o. Outro suspeito, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a>, est&aacute; preso em Bel&eacute;m. Mas, depois da pris&atilde;o, houve outros crimes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O deputado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/aldir-viana\/\" target=\"_self\" title=\"Deputado estadual do PSDB no Par&aacute; na &eacute;poca dos crimes\" class=\"encyclopedia\">Aldir Viana<\/a>, do PSDB, informou que as circunst&acirc;ncias em que os assassinatos foram cometidos levam a crer que os crimes s&atilde;o praticados por mais de uma pessoa. O n&uacute;mero de mortos tamb&eacute;m deve ser maior do que o de cad&aacute;veres j&aacute; encontrados. Aida disse que os &oacute;rg&atilde;os genitais e os olhos s&atilde;o arrancados dos corpos com bisturi, com uma t&eacute;cnica muito apurada, o que a leva a acreditar que &eacute; um trabalho profissional, executado por um m&eacute;dico ou veterin&aacute;rio.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O deputado federal <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/paulo-rocha\/\" target=\"_self\" title=\"Deputado estadual do PT no Par&aacute; na &eacute;poca dos crimes\" class=\"encyclopedia\">Paulo Rocha<\/a> (PT-PA), que acompanhou os deputados estaduais, afirmou que na pr&oacute;xima semana ter&aacute; o resultado das investiga&ccedil;&otilde;es preliminares j&aacute; feitas na &aacute;rea pela Pol&iacute;cia Federal. Eles querem agora que um grupo especial da PF siga at&eacute; a regi&atilde;o, para encerrar as investiga&ccedil;&otilde;es. Para o deputado, as pol&iacute;cias e a Justi&ccedil;a da regi&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o confi&aacute;veis.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/Jornal-O-Globo-10-06-1993.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do jornal O Globo &ndash; &ldquo;Magia negra pode ter matado meninos em sacrif&iacute;cio no Par&aacute;&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Aparentemente, esse grupo especial da PF mencionado pela reportagem nunca chegou a acontecer. De acordo com o Comit&ecirc;, os agentes j&aacute; estavam em Altamira desde 25 de maio e encerrariam seus trabalhos em 26 de junho.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>SUSPEITOS E TORTURA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Antes de avan&ccedil;ar nas investiga&ccedil;&otilde;es, &eacute; preciso fazer um coment&aacute;rio sobre os suspeitos citados na mat&eacute;ria do jornal O Globo. Como j&aacute; dito anteriormente no podcast, os detalhes do epis&oacute;dio envolvendo Luiz Arcanjo de Moraes n&atilde;o aparecem em nenhum momento no processo. Apenas reportagens de imprensa registraram as torturas que ele sofreu.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-03-30-Depoimento-Luiz-Arcanjo-de-Morais-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Luiz Arcanjo de Moraes<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O ponto importante &eacute; que o caso do vigia n&atilde;o foi o primeiro. Antes mesmo de Amailton ser preso no fim de 1992, houve dois outros suspeitos. Um deles, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/juarez-alves-araujo\/\" target=\"_self\" title=\"Vigia preso em setembro de 1992 suspeito do caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Juarez Alves Ara&uacute;jo<\/a>, de 54 anos, tamb&eacute;m era vigia. Pelos autos do processo, n&atilde;o se sabe muita coisa sobre ele. Mas h&aacute; uma mat&eacute;ria impressa do jornal O Liberal, de 24 de setembro de 1992, afirmando que o homem havia sido detido por ter estuprado uma menor de idade. Isso ocorreu cerca de uma semana antes de Jaenes ser assassinado em outubro. A pris&atilde;o de Juarez gerou enorme como&ccedil;&atilde;o em Altamira e inflou os &acirc;nimos da popula&ccedil;&atilde;o, que queria linch&aacute;-lo. Ao que tudo indica, a linha de investiga&ccedil;&atilde;o que via o vigia como um potencial suspeito no caso dos emasculados n&atilde;o avan&ccedil;ou muito e logo foi descartada.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/Jornal-O-Liberal-24-09-1992-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do jornal O Liberal &ndash; &ldquo;Vigia estupra e mata menina&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O outro suspeito anterior a Amailton era o andarilho <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rotilio-francisco-do-rosario\/\" target=\"_self\" title=\"Morador de rua preso em 1992 como suspeito no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Rot&iacute;lio Francisco do Ros&aacute;rio<\/a>, j&aacute; mencionado no epis&oacute;dio 03. Ele foi detido no dia 8 de janeiro de 1992, uma semana ap&oacute;s o desaparecimento de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/judirley-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em janeiro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Judirley da Cunha Chipaia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Rot&iacute;lio foi apontado como um poss&iacute;vel autor porque, em 07 de janeiro, havia estuprado uma garota de 19 anos pr&oacute;ximo ao local onde o corpo de Judirley foi encontrado. A v&iacute;tima o denunciou na delegacia e, no dia seguinte, ele acabou preso. Por se tratar de um delito de natureza sexual, cometido justamente naquela &aacute;rea, ele se tornou o principal suspeito no caso dos meninos emasculados. Nos depoimentos que prestou, confessou o abuso contra a garota, mas negou os demais crimes.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-01-09-Interrogatorio-Rotilio-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Interrogat&oacute;rio de Rot&iacute;lio Francisco do Ros&aacute;rio<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Para as fam&iacute;lias das v&iacute;timas, o caso de Rot&iacute;lio &eacute; considerado mais um cap&iacute;tulo de a&ccedil;&otilde;es desastrosas da Pol&iacute;cia Civil e serve tamb&eacute;m como exemplo de como a morte de Judirley &eacute; um ponto importante da hist&oacute;ria.<\/p>\n\n\n\n<p>At&eacute; ent&atilde;o, havia ao menos quatro casos que se destacavam: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-sidney\/\" target=\"_self\" title=\"Primeiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Sidney<\/a>, o primeiro a ser atacado e conseguir escapar com vida, em julho de 1989; o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a>, emasculado em novembro de 1989; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wandicley-oliveira-pinheiro\/\" target=\"_self\" title=\"Terceiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Wandicley Oliveira Pinheiro<\/a>, que tamb&eacute;m sobreviveu ap&oacute;s o ataque em setembro de 1990; e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ailton-fonseca-do-nascimento\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em maio de 1991 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ailton Fonseca do Nascimento<\/a>, que desapareceu em maio de 1991 e teve a sua ossada encontrada em junho. Devido ao estado avan&ccedil;ado de decomposi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o era poss&iacute;vel atestar se Ailton teve ou n&atilde;o os &oacute;rg&atilde;os sexuais retirados. Judirley era, ent&atilde;o, o primeiro garoto que havia sido achado morto e emasculado, o que gerou muita revolta na cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>O delegado de Altamira na &eacute;poca era <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-augusto-mota-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado da Pol&iacute;cia Civil de Altamira em 1992\" class=\"encyclopedia\">Carlos Augusto Mota Lima<\/a>. Devido &agrave; grande repercuss&atilde;o do assassinato do garoto ind&iacute;gena, o coordenador da Pol&iacute;cia Civil do Par&aacute;, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rafael-bezerra-neto\/\" target=\"_self\" title=\"Coordenador da Pol&iacute;cia Civil do Par&aacute; em 1992\" class=\"encyclopedia\">Rafael Bezerra Neto<\/a>, decidiu enviar uma equipe de Bel&eacute;m para acompanhar o caso. Em 06 de janeiro de 1992, tr&ecirc;s dias ap&oacute;s o corpo de Judirley ser achado, esses investigadores chegaram em Altamira. Um deles era o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/bertolino-neto\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil de Bel&eacute;m respons&aacute;vel pela pris&atilde;o de Rot&iacute;lio\" class=\"encyclopedia\">Bertolino Neto<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse foi o grupo respons&aacute;vel pela pris&atilde;o de Rot&iacute;lio. As mat&eacute;rias de imprensa da &eacute;poca d&atilde;o detalhes sobre o morador de rua, sempre com fortes declara&ccedil;&otilde;es de Bertolino, que dizia que o &ldquo;monstro de Altamira&rdquo; havia sido detido. As descri&ccedil;&otilde;es do suspeito feitas pela pr&oacute;pria imprensa afirmam que ele era um homem de 47 anos que vivia em condi&ccedil;&otilde;es imundas. De acordo com as reportagens, ele mancava de uma perna, n&atilde;o tinha o ded&atilde;o do p&eacute; esquerdo, estava sempre b&ecirc;bado e acompanhado de uma garrafa de cacha&ccedil;a. Tinha uma cicatriz no rosto produzida por um fac&atilde;o, se alimentava de ratos e insetos, era leproso e provavelmente comia os &oacute;rg&atilde;os genitais de suas v&iacute;timas. Ou seja, os jornais descreviam um monstro. Havia at&eacute; mesmo charges dele na &eacute;poca, bastante caricatas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 14 de janeiro de 1992, Rot&iacute;lio morreu no quartel da Pol&iacute;cia Militar do munic&iacute;pio, onde estava preso. Quem o encontrou sem vida dentro da cela foi uma enfermeira que levava rem&eacute;dios para tratar a hansen&iacute;ase que o acometia. O m&eacute;dico legista <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/armando-aragao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico legista\" class=\"encyclopedia\">Armando Arag&atilde;o<\/a>, que fez os laudos de v&aacute;rias v&iacute;timas, examinou o corpo do suspeito. No dia seguinte, lia-se nas manchetes de jornais: &ldquo;Morre o monstro de Altamira&rdquo;. A causa da morte, de acordo com a an&aacute;lise de Arag&atilde;o, seria &ldquo;edema pulmonar agudo e cirrose hep&aacute;tica&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/Materias-sobre-morte-de-Rotilio-15-01-1992-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Reportagens sobre a morte de Rot&iacute;lio<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>At&eacute; hoje, muitas pessoas que vivenciaram ou acompanharam os casos dos meninos n&atilde;o acreditam que Rot&iacute;lio tenha realmente falecido de cirrose. Esse evento acabou por criar uma nova camada de desconfian&ccedil;a no trabalho da pol&iacute;cia, mesmo que a pris&atilde;o do andarilho tenha sido feita por uma equipe de Bel&eacute;m. O fato era que um suspeito foi detido, morreu em circunst&acirc;ncias estranhas e os casos continuaram acontecendo. Por isso, a popula&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m passou a n&atilde;o confiar no m&eacute;dico legista da cidade. Afinal, se ele estivesse inventando uma hist&oacute;ria para livrar a pol&iacute;cia de abusos contra um preso, n&atilde;o seria ele tamb&eacute;m capaz de esconder detalhes sobre poderosos envolvidos nos crimes?<\/p>\n\n\n\n<p>N&atilde;o h&aacute; nos autos, no entanto, nenhuma declara&ccedil;&atilde;o apontando diretamente essa desconfian&ccedil;a no doutor Arag&atilde;o. Anos mais tarde, ele mesmo se tornaria um pol&iacute;tico conhecido na cidade. Nas elei&ccedil;&otilde;es de 2008, concorreu a vereador e venceu. Em 2012, foi reeleito e chegou a ocupar o cargo de presidente da C&acirc;mara Municipal. Por isso, n&atilde;o seria surpreendente se algu&eacute;m acreditasse que o m&eacute;dico faria laudos &ldquo;question&aacute;veis&rdquo; porque tinha interesses. Essa afirma&ccedil;&atilde;o pode at&eacute; ser compreens&iacute;vel, mas n&atilde;o existe nenhum ind&iacute;cio de que &eacute; verdadeira.<\/p>\n\n\n\n<p>O curioso &eacute; que o laudo de necropsia de Rot&iacute;lio n&atilde;o fala em cirrose, como a imprensa noticiou. No documento, realizado com o aux&iacute;lio do m&eacute;dico <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-maria-feitosa\/\" target=\"_self\" title=\"Legista que auxiliou no laudo de necropsia de Rot&iacute;lio\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Maria Feitosa<\/a>, o legista afirma que o suspeito possu&iacute;a v&aacute;rios ferimentos e detalha como alguns &oacute;rg&atilde;os estavam bastante comprometidos. O perito finaliza: &ldquo;os elementos que conseguimos coligir durante o exame foram insuficientes para esclarecer a causa da morte&rdquo;. Esse dado, bem diferente do que foi divulgado pelos jornais, n&atilde;o chegou &agrave; popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-01-14-Exame-Corpo-Delito-Relatorio-Necropsia-Rotilio-melhor-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Laudo de necropsia de Rot&iacute;lio<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>CORTES CIR&Uacute;RGICOS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s confus&otilde;es do processo, tudo indica que o caso de Judirley &eacute; o momento em que aparece pela primeira vez a narrativa de que os cortes nos meninos seriam cir&uacute;rgicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em uma reportagem do jornal A Prov&iacute;ncia do Par&aacute;, de 24 de janeiro de 1992, o pai da v&iacute;tima, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-marialves\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Judirley da Cunha Chipaia\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Marialves<\/a> Chipaia, dava uma declara&ccedil;&atilde;o sobre Rot&iacute;lio. Ele nunca acreditou que o morador de rua era o respons&aacute;vel pela morte de seu filho.<\/p>\n\n\n\n<p>Por ser ind&iacute;gena da etnia Xipaya, Marialves recorreu na &eacute;poca &agrave; ajuda da Funda&ccedil;&atilde;o Nacional do &Iacute;ndio, a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/funai\/\" target=\"_self\" title=\"Institui&ccedil;&atilde;o que tem como miss&atilde;o proteger os direitos dos povos ind&iacute;genas\" class=\"encyclopedia\">FUNAI<\/a>, para que provid&ecirc;ncias fossem tomadas. Ele foi auxiliado pelo administrador regional da institui&ccedil;&atilde;o, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/julio-cesar-de-moraes\/\" target=\"_self\" title=\"Administrador regional da FUNAI em 1992\" class=\"encyclopedia\">J&uacute;lio C&eacute;sar de Moraes<\/a>, que deu entrevista &agrave; mat&eacute;ria:<\/p>\n\n\n\n<p>&lsquo;<em>Os cortes nas genitais das crian&ccedil;as n&atilde;o s&atilde;o coisa de bandido com baixo n&iacute;vel intelectual, mas de peritos, tal a precis&atilde;o com que s&atilde;o feitos. Por isso &eacute; que a opini&atilde;o p&uacute;blica acredita que haja uma verdadeira m&aacute;fia assassinando crian&ccedil;as para, supostamente, exportar seus &oacute;rg&atilde;os geniais para laborat&oacute;rios no exterior&rsquo;, afirma o administrador regional da <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/funai\/\" target=\"_self\" title=\"Institui&ccedil;&atilde;o que tem como miss&atilde;o proteger os direitos dos povos ind&iacute;genas\" class=\"encyclopedia\">FUNAI<\/a>.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/Jornal-A-Provincia-do-Para-24-01-92-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do jornal A Prov&iacute;ncia do Par&aacute; &ndash; &ldquo;O monstro est&aacute; vivo&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Se j&aacute; havia pessoas afirmando que os cortes eram cir&uacute;rgicos j&aacute; no assassinato de Judirley, no in&iacute;cio de 1992, a base da narrativa seriam os crimes contra os sobreviventes. Os primeiros exames de sanidade f&iacute;sica realizados nos meninos, contudo, datam de 13 de janeiro daquele ano &ndash; ou seja, anos ap&oacute;s os ataques que sofreram e exatamente no per&iacute;odo em que Rot&iacute;lio estava preso. Esse &eacute; um detalhe importante porque, na ocasi&atilde;o, os sobreviventes j&aacute; haviam passado por cirurgias reparadoras. Logo, n&atilde;o h&aacute; como ter certeza, com base na documenta&ccedil;&atilde;o oficial, de como estavam os cortes quando eles foram atacados.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre isso, nos autos do processo h&aacute; uma carta escrita &agrave; m&atilde;o do doutor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/lourival-barbalho\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico cirurgi&atilde;o que fez o tratamento de dois sobreviventes\" class=\"encyclopedia\">Lourival Barbalho<\/a>, cirurgi&atilde;o que conduziu o tratamento dos garotos. Ela &eacute; datada de agosto de 2003, mais de 10 anos depois do in&iacute;cio dos atendimentos:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Declaro que o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">segundo sobrevivente<\/a> foi atendido por mim ainda todo envolvido por uma lama tipo tabatinga que o salvou da morte, pois funciona como hemost&aacute;tico.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A les&atilde;o que provocou a emascula&ccedil;&atilde;o total me pareceu ter sido feita por pessoa com habilidade suficiente para produzir uma les&atilde;o linear e n&atilde;o contusa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Essa &uacute;ltima descri&ccedil;&atilde;o n&atilde;o parece ser exatamente a mesma coisa que uma pessoa &ldquo;com habilidade cir&uacute;rgica&rdquo;. Um a&ccedil;ougueiro ou um ca&ccedil;ador, por exemplo, tamb&eacute;m teriam condi&ccedil;&otilde;es de causar esse tipo de les&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/2003-08-22-Lourival-Barbalho-Declaracao-sobre-Segundo-Sobrevivente-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Carta escrita por Lourival Barbalho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na falta de exames de corpo de delito, encontra-se nos autos relatos na imprensa. Um exemplo &eacute; uma mat&eacute;ria do Jornal O Liberal, de 18 de novembro de 1989, que narra o ataque ao <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a>. Segundo o texto, ap&oacute;s levar o garoto para o mato, o agressor tirou um len&ccedil;o do bolso, onde havia uma navalha escondida. Ele, ent&atilde;o, obrigou a v&iacute;tima a tirar a roupa e cortou os &oacute;rg&atilde;os genitais dela com um &uacute;nico golpe.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/Jornal-O-Liberal-18-11-89-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do jornal O Liberal &ndash; &ldquo;Garoto emasculado pelo man&iacute;aco&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/Jornal-Diario-do-Para-18-11-89-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do jornal Di&aacute;rio do Par&aacute; &ndash; &ldquo;Tarado ataca e mata 3 crian&ccedil;as em Altamira&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; no caso de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/judirley-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em janeiro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Judirley da Cunha Chipaia<\/a>, o exame de necropsia foi realizado em 08 de janeiro, ap&oacute;s exuma&ccedil;&atilde;o. Ele havia desaparecido no primeiro dia do ano e seu corpo foi encontrado 48 horas depois. Tudo indica que, por estar em avan&ccedil;ado estado de decomposi&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; detalhes no laudo sobre as caracter&iacute;sticas do corte. O documento apenas afirma: &ldquo;observamos a amputa&ccedil;&atilde;o completa de p&ecirc;nis e bolsa escrotal&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em rela&ccedil;&atilde;o ao menino ind&iacute;gena, os familiares sempre afirmaram que o cad&aacute;ver possu&iacute;a buracos causados por tiros. Sobre isso, o laudo assinado por Arag&atilde;o descreve que o garoto apresentava tr&ecirc;s marcas arredondadas, que n&atilde;o chegaram a penetrar a pele: na coxa, acima do superc&iacute;lio e na mand&iacute;bula. Al&eacute;m disso, havia outras duas feridas com perfura&ccedil;&atilde;o, presentes no lado esquerdo do pesco&ccedil;o e nas costas. Todas as les&otilde;es mencionadas tinham um cent&iacute;metro de di&acirc;metro. O legista dizia, no entanto, que n&atilde;o havia sido encontrado nenhum vest&iacute;gio de proj&eacute;til de arma de fogo. Ele n&atilde;o soube detalhar que tipo de instrumento poderia caus&aacute;-las. No fim, isso jamais ficou totalmente esclarecido.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-01-08-Laudo-e-Ata-de-Exumacao-Judirley-1-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ata de exuma&ccedil;&atilde;o de Judirley da Cunha Chipaia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em entrevistas que concedeu na &eacute;poca, Arag&atilde;o afirmava que os cortes n&atilde;o possu&iacute;am necessariamente qualidades cir&uacute;rgicas, mas que eram feitos com um objeto bastante afiado. &Eacute; poss&iacute;vel que isso passasse a impress&atilde;o a leigos de que os ferimentos eram precisos o suficiente a ponto de serem feitos por profissionais da sa&uacute;de. Os documentos dos inqu&eacute;ritos iniciais n&atilde;o condizem, por&eacute;m, com essa informa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>A &uacute;nica autoridade que afirmou de forma contundente que esses cortes n&atilde;o seriam de profissionais foi o pr&oacute;prio doutor Arag&atilde;o, em laudo enviado &agrave; &eacute;poca ao delegado Brivaldo. Na ocasi&atilde;o, o investigador perguntou se as les&otilde;es causadas em <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a> tinham caracter&iacute;sticas profissionais, e o legista respondeu que n&atilde;o. Mas a palavra do m&eacute;dico aparentemente j&aacute; n&atilde;o ganhava mais confian&ccedil;a entre os familiares das v&iacute;timas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-10-15-Dr-Aragao-responde-Brivaldo-sobre-corpo-Jaenes.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Laudo enviado por Arag&atilde;o &agrave; Brivaldo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NOVA PISTA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante o m&ecirc;s de fevereiro de 1993, ocorreram os depoimentos da fase de ju&iacute;zo a favor e contra <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a>. Ap&oacute;s a morte de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/flavio-lopes-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 10 anos morto em mar&ccedil;o de 1993 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Fl&aacute;vio Lopes da Silva<\/a>, em mar&ccedil;o, o processo ficou sem nada de novo por um bom tempo. A exce&ccedil;&atilde;o &eacute; o depoimento em ju&iacute;zo de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/gilberto-denis-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Uma das principais testemunhas contra Amailton Madeira Gomes\" class=\"encyclopedia\">Gilberto Denis da Costa<\/a> em 06 de maio, negando tudo o que havia dito contra Amailton.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma semana mais tarde, no dia 13, a defesa do filho de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a> anexou mais de 100 declara&ccedil;&otilde;es de moradores de Altamira dizendo que ele era uma pessoa id&ocirc;nea.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o caso contra Amailton estava parado, outras coisas aconteciam em paralelo. Essa era uma nova fase que se iniciava com a investiga&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;cia Federal. N&atilde;o demorou muito at&eacute; uma nova pista aparecer: &eacute; uma carta de 02 de junho de 1993 escrita &agrave; m&atilde;o por uma conselheira tutelar de Macap&aacute;, capital do estado do Amap&aacute;, a cerca de 400 quil&ocirc;metros ao norte de Altamira. Seu nome era <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/sueli-de-oliveira-matos\/\" target=\"_self\" title=\"Conselheira tutelar que escreveu carta sobre o policial A. Santos\" class=\"encyclopedia\">Sueli de Oliveira Matos<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>O texto est&aacute; anexado aos autos e possui sete p&aacute;ginas de escrita, acrescidas de duas de desenhos, que funcionam como um mapa mental. Ela possui conte&uacute;do expl&iacute;cito sobre temas que envolvem viol&ecirc;ncia sexual contra menores e sua leitura n&atilde;o &eacute; recomendada para pessoas sens&iacute;veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Nela, Sueli conta que atendeu o caso de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-alberto-dos-santos-lima\/\" target=\"_self\" title=\"Policial militar acusado no caso dos meninos\" class=\"encyclopedia\">Carlos Alberto dos Santos Lima<\/a>, um rapaz de 25 anos que pedia ajuda para solicitar a guarda do filho que mora em Altamira. A m&atilde;e da crian&ccedil;a, ex-esposa do jovem, tinha apenas 13 anos de idade. Na carta, ela &eacute; chamada de &ldquo;Maria&rdquo;, mas esse n&atilde;o &eacute; o seu nome verdadeiro &ndash; que foi ocultado tamb&eacute;m no podcast por se tratar de uma menor.<\/p>\n\n\n\n<p>O homem lhe disse que conheceu Maria quando ela tinha 11 anos e ele era da Pol&iacute;cia Militar. Durante uma &ldquo;batida&rdquo;, ele parou o ve&iacute;culo onde ela estava com alguns &ldquo;marginais&rdquo; e a levou para a delegacia. L&aacute;, manteve rela&ccedil;&otilde;es sexuais com a crian&ccedil;a. &ldquo;Ela n&atilde;o era mais mo&ccedil;a e, depois que transaram, ele deveria morar com ela&rdquo;, diz a carta.<\/p>\n\n\n\n<p>O policial comentou com Sueli que passou a amar a menina, mas ela &ldquo;n&atilde;o se comportava como esposa e sempre ficava dando bola para outros rapazes&rdquo;. Sempre que estava com raiva, ele trancava a garota no quarto e, em v&aacute;rias ocasi&otilde;es, chegou a agredi-la.<\/p>\n\n\n\n<p>Em Altamira, era conhecido como &ldquo;o justiceiro&rdquo; por onde passava, pois, segundo ele, colocava ordem na cidade. Em 1991, teria sido transferido para Santar&eacute;m por ter cometido um homic&iacute;dio. Gr&aacute;vida, Maria se mudou com ele e juntos moraram tamb&eacute;m em Monte Alegre antes de voltar para Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>S&oacute; retornaram tempos mais tarde, depois que o filho j&aacute; havia nascido e os &acirc;nimos no quartel da PM se acalmaram. O policial voltou a trabalhar, mas n&atilde;o tinha mais o respeito dos colegas, o que o deixava com muita raiva. Ele, no entanto, n&atilde;o servia apenas &agrave; pol&iacute;cia, mas tamb&eacute;m atuava como seguran&ccedil;a.<\/p>\n\n\n\n<p>Em certo momento, Maria desistiu de conviver com o marido, mas a sua vontade n&atilde;o foi respeitada. Ele invadia a casa dos pais dela, onde morava, e a buscava na marra. O policial dizia que todos os seus problemas eram resolvidos com o rev&oacute;lver. &ldquo;Ele &eacute; apaixonado por arma e gosta de atirar. Acha um esporte prazeroso&rdquo;, escreve Sueli na carta.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m de detalhar as atividades sexuais com Maria, ele contou &agrave; conselheira que chegou a tortur&aacute;-la ap&oacute;s um caso de ci&uacute;me. Comentou tamb&eacute;m que tinha atra&ccedil;&atilde;o pela irm&atilde; da ex-esposa, uma menina de 11 anos, com quem manteve sexo oral uma vez em que Maria n&atilde;o estava em casa. Ele disse que n&atilde;o a for&ccedil;ou a nada, apenas tinha um rev&oacute;lver na cabeceira da cama.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a carta, Carlos estava em Macap&aacute; h&aacute; cerca de seis meses, morando na casa de um sargento e trabalhando como atendente em um bar. &Agrave;s noites, se sentia depressivo. Entrava, ent&atilde;o, em um quarto e ficava no escuro, tomando uma cerveja e escutando m&uacute;sica. Ele disse ainda que a sua perspectiva de vida estava em Maria e, se ela n&atilde;o o aceitasse de volta, a mataria.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de todos os absurdos que Carlos falava, um em espec&iacute;fico merece destaque:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Carlos me disse que hoje estava preocupado com seu filho, pois disse que em Altamira ele era seguran&ccedil;a do Tadeu, dono de posto de gasolina em Altamira, propriamente numa localidade chamada Mutir&atilde;o, e que o Tadeu era o mandante de tirar os &ldquo;piu-piu&rdquo; dos meninos.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ele me perguntou se eu j&aacute; sabia dessas coisas. Eu disse que n&atilde;o. A&iacute; ele continuou e disse que em Altamira algumas pessoas achavam que o mandante era um m&eacute;dico. S&oacute; que ele disse que ningu&eacute;m desconfiava do Tadeu, pois ele apenas mandava o m&eacute;dico tirar os &ldquo;piu-piu&rdquo; dos meninos. Falou que o m&eacute;dico usava &eacute;ter e que amarrava os meninos para tirar os &oacute;rg&atilde;os.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>A&iacute; eu perguntei o porqu&ecirc; se tirava os &oacute;rg&atilde;os dos meninos. Ele disse: voc&ecirc; est&aacute; perguntando demais. A&iacute; eu me calei.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Sueli, o policial apresentava um desequil&iacute;brio grande. Ao mesmo tempo em que sorria muito, tamb&eacute;m falava s&eacute;rio com facilidade. Estava sempre preocupado com as horas e, quando mencionava o seu rev&oacute;lver, fazia o gesto e o som do tiro. Era um rapaz moreno e ainda usava o cabelo com o corte de soldado.<\/p>\n\n\n\n<p>O relato da conselheira sobre a conversa que teve com o ex-policial militar Carlos Alberto Santos Lima, o A. Santos, &eacute; chocante. <\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a esposa de Carlos, n&atilde;o h&aacute; muitas informa&ccedil;&otilde;es nos autos do processo. Existem alguns depoimentos que confirmam algumas coisas que Sueli relata na carta, mas nada muito substancial. O que aconteceu com Maria e seu filho &eacute; um mist&eacute;rio e uma ang&uacute;stia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o caso em si, o mais importante era o trecho em que Carlos Alberto citava as suas atividades em Altamira. Especificamente sobre o fato de que ele fazia bicos como seguran&ccedil;a e que teria trabalhado com um homem chamado &ldquo;Tadeu&rdquo;, dono de um posto de gasolina. Ele seria o mandante dos casos de crian&ccedil;as mortas e emasculadas na cidade. De acordo com a pol&iacute;cia e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, Tadeu era, na verdade, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a>, pai de Amailton.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-06-02-Carta-Sueli-Macapa-1-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Carta de Sueli Oliveira Matos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No decorrer do processo, Sueli prestou alguns depoimentos. Em todos, seus relatos s&atilde;o bastante consistentes com o conte&uacute;do da carta. Em um deles, ela explica o que fez com a correspond&ecirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>A conselheira tutelar era muito amiga do padre <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/padre-bruno-sechi\/\" target=\"_self\" title=\"Forte lideran&ccedil;a religiosa em Bel&eacute;m do Par&aacute; na &eacute;poca dos crimes\" class=\"encyclopedia\">Bruno Sechi<\/a>, de Bel&eacute;m do Par&aacute;, importante lideran&ccedil;a religiosa e ativista social mencionado no primeiro epis&oacute;dio. Ele foi um dos fundadores do Movimento Rep&uacute;blica de Ema&uacute;s, que atua at&eacute; hoje na causa pela garantia dos direitos dos menores.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante disso, o movimento que se percebe &eacute; o seguinte: no dia 2 de junho de 1993, Sueli conversou com Carlos Alberto e escreveu a carta. Em seguida, talvez no mesmo dia, entrou em contato com o padre Bruno e provavelmente lhe enviou o texto que escreveu. Ele, por sua vez, estava em contato com as lideran&ccedil;as em Altamira, especialmente o padre <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/padre-savio-corinaldesi\/\" target=\"_self\" title=\"Padre e coordenador da Pastoral de Altamira em 1992\" class=\"encyclopedia\">S&aacute;vio Corinaldesi<\/a>. Durante o esse per&iacute;odo, como j&aacute; citado, havia uma equipe da Pol&iacute;cia Federal no munic&iacute;pio. Essa equipe deve ter tido contato com a carta de Sueli.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso seria a explica&ccedil;&atilde;o para uma situa&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica: o primeiro depoimento oficial da conselheira ocorreu no dia 02 de julho de 1993, ou seja, um m&ecirc;s ap&oacute;s escrever a carta. Essa declara&ccedil;&atilde;o aconteceu na capital Bel&eacute;m diante do delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/fabio-caetano-2\/\" target=\"_self\" title=\"Superintendente da Pol&iacute;cia Federal no Par&aacute; na d&eacute;cada de 1990\" class=\"encyclopedia\">F&aacute;bio Caetano<\/a>, da Pol&iacute;cia Federal do Par&aacute;. Nessa &eacute;poca, ele j&aacute; era ou estava prestes a se tornar superintendente da PF no estado.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-07-02-Depoimento-Sueli-para-PF-1_11zon.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Sueli para a Pol&iacute;cia Federal<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1994-06-09-Depoimento-em-Juizo-Sueli-de-Olvieira-Matos-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Sueli em ju&iacute;zo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Essa movimenta&ccedil;&atilde;o merece destaque por dois motivos: primeiro porque, de acordo com os relatos do Comit&ecirc;, a equipe de agentes da PF j&aacute; havia sa&iacute;do de Altamira no dia 26 de junho. Ou seja, no m&ecirc;s seguinte, eles j&aacute; n&atilde;o estavam mais trabalhando. Segundo, nessa &eacute;poca, a Pol&iacute;cia Civil j&aacute; estava de volta no caso. Dessa vez, com um novo delegado.<\/p>\n\n\n\n<p>O nome dele era <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> Cardoso Barra. Hoje, &eacute; mais conhecido apenas como <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/eder-mauro\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado civil designado para o caso dos meninos em 1993\" class=\"encyclopedia\">&Eacute;der Mauro<\/a> e &eacute; deputado federal pelo estado do Par&aacute; desde 2015. Atualmente est&aacute; em seu segundo mandato.<\/p>\n\n\n\n<p>A investiga&ccedil;&atilde;o que ele conduziu &eacute; assunto para o pr&oacute;ximo epis&oacute;dio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MAPA DOS CRIMES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para acessar o mapa dos crimes atualizado, clique <a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/u\/0\/viewer?mid=1o8l-Cz1yqgl4c466KnELDZ6rmXuD4iI9&amp;ll=-3.1867393954922916%2C-52.22671057139959&amp;z=12\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<p>O mapa indica os locais onde as v&iacute;timas sobreviventes foram resgatadas (verde), onde os corpos das v&iacute;timas fatais foram encontrados (amarelo) e onde os desaparecidos foram vistos pela &uacute;ltima vez (roxo). Os locais s&atilde;o aproximados. Tamb&eacute;m s&atilde;o informadas a idade que os meninos tinham e as datas dos crimes.<\/p>\n\n\n\n<p>Como &agrave;s vezes h&aacute; diverg&ecirc;ncias em detalhes entre o que est&aacute; em documentos policiais e judiciais e o que o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a> indica, foram priorizadas as informa&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o em autos processuais. J&aacute; nos casos em que n&atilde;o existem registros oficiais, os dados do Comit&ecirc; s&atilde;o utilizados. H&aacute; ainda casos apontados pelo Comit&ecirc; cuja localiza&ccedil;&atilde;o &eacute; desconhecida, portanto, n&atilde;o s&atilde;o apresentados neste mapa.<\/p>\n\n\n\n<p>O mapa exibe a geografia atual de Altamira. Na &eacute;poca do caso dos emasculados, alguns aspectos eram diferentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Cortes<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/241"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=241"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=241"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=241"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}