{"id":211,"date":"2022-05-12T00:01:00","date_gmt":"2022-05-12T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=211"},"modified":"2022-05-18T11:54:15","modified_gmt":"2022-05-18T14:54:15","slug":"extras-episodio-06","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-06\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 06"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>LAUDO PSIQUI&Aacute;TRICO&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O exame psiqui&aacute;trico forense de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a> foi realizado no final de janeiro de 1993 pelo doutor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/guido-palomba\/\" target=\"_self\" title=\"Psiquiatra forense que examinou Amailton em 1993\" class=\"encyclopedia\">Guido Palomba<\/a>, um dos maiores nomes da &aacute;rea no Brasil. Ele &eacute; conhecido por atuar em casos de grande repercuss&atilde;o, como o do menino Pesseghini e do Man&iacute;aco do Parque. N&atilde;o raramente seu trabalho &eacute; acompanhado de pol&ecirc;micas.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1993, o m&eacute;dico j&aacute; era uma figura conhecida e, por isso, foi acionado para atuar no caso dos meninos emasculados. Em entrevista ao podcast, Palomba diz que quem solicitou o exame de Amailton foi o secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Par&aacute; na &eacute;poca. O psiquiatra, ent&atilde;o, prontamente atendeu ao pedido e a pol&iacute;cia escoltou o suspeito at&eacute; S&atilde;o Paulo, onde Palomba atuava.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-01-28-Jornal-o-Liberal-Policia-depende-de-laudo-psiquiatrico-de-Amailton-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do Jornal O Liberal &ndash; &ldquo;Pol&iacute;cia depende do laudo psiqui&aacute;trico de Amailton&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;&Eacute; sempre assim: no perfil psicol&oacute;gico, voc&ecirc; n&atilde;o afirma que o indiv&iacute;duo praticou determinado delito, mas pode perfeitamente dizer que aquela pessoa n&atilde;o faz parte daquele crime&rdquo;, explica Palomba. &ldquo;No caso do Amailton, ele n&atilde;o foi exclu&iacute;do, de forma alguma. Existia uma s&eacute;rie de elementos que n&atilde;o o isentaram da possibilidade de pr&aacute;tica do delito&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com ele, o laudo se baseou em diferentes fatores que se encaixavam uns nos outros, como um quebra-cabe&ccedil;a. Ele conta que, em um determinado momento do exame, surgiu a suspeita de que os &oacute;rg&atilde;os sexuais das v&iacute;timas poderiam ser utilizados em rituais de magia negra.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Mas por qu&ecirc;? Por uma s&eacute;rie de motivos que foram levantados na &eacute;poca. Eu lembro que fiz uma pesquisa profunda nas magias negras e descobri que, de fato, existem po&ccedil;&otilde;es em que se usa, por exemplo, olho de gata no cio. Enfim, determinados bichos t&ecirc;m atividade sexual muito forte e s&atilde;o utilizados para dar pot&ecirc;ncia nesse sentido. A minha conclus&atilde;o &eacute; que os &oacute;rg&atilde;os das crian&ccedil;as e dos adolescentes poderiam ser elementos que entravam nesses rituais&rdquo;, diz o psiquiatra.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a entrevista, ele tamb&eacute;m cita como fonte do laudo a suposta exist&ecirc;ncia de ind&iacute;genas canibais no Par&aacute;. Entre os seus ritos, eles utilizariam um peda&ccedil;o de madeira enrijecido na fogueira para golpear a pessoa capturada. &ldquo;Provavelmente por um mecanismo de reflexo neurol&oacute;gico, o &oacute;rg&atilde;o sexual do prisioneiro ficava rijo e as mulheres &iacute;ndias os retiravam e comiam&rdquo;, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para al&eacute;m dessas quest&otilde;es, o que chamava a aten&ccedil;&atilde;o de Palomba era o fato de Amailton ser arredio e n&atilde;o querer conversar muito. &ldquo;Quando o suspeito n&atilde;o cometeu o crime do qual &eacute; acusado, existe na psiquiatria forense o que chamamos de &lsquo;a garra do inocente&rsquo;. Ou seja, a pessoa n&atilde;o aceita a acusa&ccedil;&atilde;o. Aquilo causa um mal-estar interior e ela vai para cima para provar a sua inoc&ecirc;ncia, para saber quem de fato &eacute; o culpado. E ele n&atilde;o tinha isso. Ele n&atilde;o tinha a garra do inocente. Claro que s&oacute; isso n&atilde;o condena ningu&eacute;m, mas volto a insistir: o exame &eacute; como um quebra-cabe&ccedil;a em que as pe&ccedil;as v&atilde;o se encaixando&rdquo;, completa.<\/p>\n\n\n\n<p>Para elaborar o laudo, o m&eacute;dico conversou at&eacute; mesmo com os agentes que fizeram a escolta do suspeito. Segundo ele, uma das guardas lhe falou sobre a orienta&ccedil;&atilde;o sexual de Amailton e explicou que o rapaz n&atilde;o era bem visto em Altamira. &ldquo;Ele tinha uma m&aacute; fama por gostar de fela&ccedil;&atilde;o. Al&eacute;m disso, respondia a um processo ou algo nesse sentido por coagir um determinado indiv&iacute;duo com um rev&oacute;lver para praticar esse tipo de coisa&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>No entendimento de Palomba, tudo se encaixava: os &oacute;rg&atilde;os sexuais das crian&ccedil;as que n&atilde;o eram encontrados, o canibalismo da regi&atilde;o e a falta da garra do inocente. &ldquo;Depois eu tamb&eacute;m fiquei sabendo que ele tinha dois &uacute;nicos livros na casa dele: &lsquo;Perfume&rsquo;, de um mago que fazia po&ccedil;&otilde;es, e outro do Casta&ntilde;eda, aquele que usa alucin&oacute;genos. Eu achei que essas obras n&atilde;o eram discrepantes no conjunto geral dos fatos&rdquo;, declara.<\/p>\n\n\n\n<p>Como o psiquiatra respondeu &agrave;s perguntas de Ivan apenas de mem&oacute;ria, sem consultar os autos, algumas corre&ccedil;&otilde;es s&atilde;o necess&aacute;rias:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ol><li>A pol&iacute;cia n&atilde;o apreendeu apenas dois livros na casa de Amailton, mas sim nove. No auto de busca e apreens&atilde;o, o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/brivaldo-pinto-soares-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelo inqu&eacute;rito de Jaenes em outubro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Brivaldo Pinto Soares Filho<\/a> dividia as obras em dois grupos. Um era composto pelos t&iacute;tulos: &ldquo;A 3&ordf; Vis&atilde;o&rdquo;, um romance esot&eacute;rico bastante popular na &eacute;poca; &ldquo;Holocausto&rdquo;, &ldquo;A Senhora da Magia&rdquo;, da famosa s&eacute;rie &ldquo;As Brumas de Avalon&rdquo;; &ldquo;Aids &ndash; A Epidemia&rdquo;, &ldquo;A F&uacute;ria&rdquo;; &ldquo;A Erva do Diabo&rdquo;, de Carlos Casta&ntilde;eda; e os romances policiais &ldquo;Perfume &ndash; Hist&oacute;ria de um Assassino&rdquo; e &ldquo;O Satanista &ndash; Uma Hist&oacute;ria de Magia Negra&rdquo;. J&aacute; a outra categoria era chamada de &ldquo;livros pornogr&aacute;ficos&rdquo;, com as obras &ldquo;&Ecirc;xtase em Quadrinhos&rdquo; e &ldquo;Os Amantes&rdquo;.&nbsp;<\/li><li>Tamb&eacute;m foram encontradas na casa de Amailton tr&ecirc;s fitas VHS com os seguintes filmes: <em>&ldquo;Querelle&rdquo;<\/em>, <em>&ldquo;My Beautiful Laundrette&rdquo;<\/em> e <em>&ldquo;The Alchemist&rdquo;<\/em>.&nbsp;<\/li><li>Brivaldo incluiu em seu relat&oacute;rio final outros materiais de m&iacute;dia do suspeito, que n&atilde;o constavam no auto de busca e apreens&atilde;o: <em>&ldquo;Shibumi&rdquo;<\/em>, <em>&ldquo;O Oitavo Passageiro&rdquo;<\/em> e outros livros da cole&ccedil;&atilde;o &ldquo;As Brumas de Avalon&rdquo;.&nbsp;<\/li><li>N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel saber se as obras listadas eram as &uacute;nicas que Amailton possu&iacute;a, como comentado pelo doutor Guido.<\/li><li>Sobre todo esse material, Brivaldo concluiu: &ldquo;sua leitura e v&iacute;deos s&atilde;o sempre voltados para a pr&aacute;tica do mal, sexo com sadismo ou da magia negra&rdquo;.&nbsp;<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-11-18-Juntada-do-cumprimento-de-busca-e-apreensao-na-casa-de-Amailton-relatorio-de-19-11-mas-busca-foi-no-18-compressed.pdf\" target=\"_blank\">Resultado da busca e apreens&atilde;o na casa de Amailton<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-12-07-Relatorio-Brivaldo-2.pdf\" target=\"_blank\">Relat&oacute;rio final de Brivaldo Pinto Soares Filho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre a metodologia do exame, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/guido-palomba\/\" target=\"_self\" title=\"Psiquiatra forense que examinou Amailton em 1993\" class=\"encyclopedia\">Guido Palomba<\/a> afirma que toda per&iacute;cia tem hora para come&ccedil;ar, mas n&atilde;o para terminar, pois o trabalho leva o tempo que for necess&aacute;rio. No caso do filho de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a>, o exame teria durado &ldquo;certamente uma manh&atilde; toda&rdquo;. &ldquo;O m&eacute;dico n&atilde;o necessita de dias ou semanas para examinar um paciente. Se ele precisar de tudo isso, &eacute; porque n&atilde;o sabe nada. Voc&ecirc; vai em um cardiologista. Se ele n&atilde;o matar o seu diagn&oacute;stico imediatamente com boas perguntas e objetividade, n&atilde;o &eacute; um bom cardiologista&rdquo;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>N&atilde;o se sabe a data exata da elabora&ccedil;&atilde;o do laudo psiqui&aacute;trico forense de Amailton. Tudo indica que foi por volta do fim de janeiro de 1993. A pedido da defesa do suspeito, no entanto, esse documento foi posteriormente retirado dos autos. Isso porque o laudo n&atilde;o foi solicitado pela ju&iacute;za, como deveria ser, mas sim pela pr&oacute;pria Pol&iacute;cia Civil.<\/p>\n\n\n\n<p>E aqui h&aacute; diverg&ecirc;ncias de narrativas. O delegado Brivaldo dizia que a realiza&ccedil;&atilde;o do exame tinha sido ideia dele. Por outro lado, Palomba conta que o requerimento veio do secret&aacute;rio de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Par&aacute; na &eacute;poca. &Eacute; poss&iacute;vel que a verdade seja uma mistura das duas vers&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>&ldquo;MAGIA NEGRA&rdquo;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sobre as falas de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/guido-palomba\/\" target=\"_self\" title=\"Psiquiatra forense que examinou Amailton em 1993\" class=\"encyclopedia\">Guido Palomba<\/a> acerca da magia negra, Ivan Mizanzuk perguntou quais as fontes utilizadas para embasar o laudo. O psiquiatra respondeu que, devido &agrave; passagem do tempo e do tamanho significativo da sua biblioteca, n&atilde;o se lembra dos autores ou obras citadas no documento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan procurou por especialistas que poderiam confirmar o que o psiquiatra disse sobre magia negra e as pr&aacute;ticas de grupos ind&iacute;genas, mas n&atilde;o obteve sucesso. Al&eacute;m disso, boa parte dos coment&aacute;rios que recebeu sobre o assunto &eacute; que tais ideias s&atilde;o bastante problem&aacute;ticas: estariam desatualizadas ou simplesmente erradas.<\/p>\n\n\n\n<p>A teoria de &ldquo;&iacute;ndios canibais no Par&aacute; que faziam rituais&rdquo; sendo usada para fundamentar uma tese de psiquiatria ou a ideia de que Amailton seria perigoso por gostar de &ldquo;fela&ccedil;&atilde;o&rdquo; provavelmente chamou a aten&ccedil;&atilde;o dos ouvintes. Inclusive, sobre a quest&atilde;o dos ind&iacute;genas levantada pelo psiquiatra, at&eacute; onde se sabe, n&atilde;o h&aacute; registro desse tipo de pr&aacute;tica na regi&atilde;o nos &uacute;ltimos s&eacute;culos. Mesmo se ela existisse, dificilmente Amailton seria um praticante. Afinal, era natural de Fortaleza, cidade de onde veio toda a sua fam&iacute;lia, e n&atilde;o do Par&aacute;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>N&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel afirmar nada com 100% de certeza, mas a leitura desses exames mostra que a l&oacute;gica utilizada aparenta ser extremamente fr&aacute;gil. A ideia teria sido associar um rapaz suspeito de cometer emascula&ccedil;&atilde;o em menores a livros que supostamente falam sobre canibalismo no Par&aacute;, o que n&atilde;o parece fazer muito sentido.<\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; metodologia descrita por Palomba, a jornalista Isabela Cabral, da equipe do Projeto Humanos, conversou com psiquiatras forenses. De fato, os m&eacute;todos conferem: raramente esse tipo de exame dura mais do que um dia. Apenas casos muito espec&iacute;ficos e complexos levam um per&iacute;odo maior para serem conclu&iacute;dos. Al&eacute;m disso, os profissionais t&ecirc;m liberdade para utilizar como base a literatura que julgarem pertinente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na entrevista que concedeu para a tese de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/paula-mendes-lacerda\/\" target=\"_self\" title=\"Antrop&oacute;loga e pesquisadora do caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Paula Mendes Lacerda<\/a>, o delegado Brivaldo falou sobre a atua&ccedil;&atilde;o de Palomba:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Quando o laudo ficou pronto, o Dr. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/guido-palomba\/\" target=\"_self\" title=\"Psiquiatra forense que examinou Amailton em 1993\" class=\"encyclopedia\">Guido Palomba<\/a> teria lhe dito que &ldquo;n&atilde;o viu o Amailton cometer os crimes, mas que foi ele, foi!&rdquo;. Uma m&atilde;e l&eacute;sbica e uma inf&acirc;ncia solit&aacute;ria teriam sido salientadas no laudo que, depois de inclu&iacute;do nos autos, foi &ldquo;desentranhado&rdquo; por determina&ccedil;&atilde;o da ju&iacute;za que alegou n&atilde;o ter solicitado qualquer tipo de per&iacute;cia. Mesmo achando que o laudo s&oacute; contribu&iacute;a para o esclarecimento do caso, o delegado n&atilde;o se importou com sua exclus&atilde;o. Ao contr&aacute;rio, afirmou &ldquo;aquilo n&atilde;o era pra justi&ccedil;a, aquilo era pra mim. Aquilo ratificava toda a minha investiga&ccedil;&atilde;o&rdquo;.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>NOVO LAUDO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em julho de 1993, Amailton passou por uma nova per&iacute;cia psiqui&aacute;trica, por determina&ccedil;&atilde;o da ju&iacute;za <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/vera-araujo-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"Ju&iacute;za da Comarca de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Vera Ara&uacute;jo de Souza<\/a>. Desta vez, o exame foi realizado pelo Setor de Psiquiatria da Coordenadoria de Pol&iacute;cia Cient&iacute;fica da Secretaria de Seguran&ccedil;a P&uacute;blica do Par&aacute;. Esse laudo concluiu que o suspeito era portador de &ldquo;Transtorno Esquizoide de Personalidade&rdquo;. Segundo o documento, Amailton era algu&eacute;m &ldquo;capaz de entender o car&aacute;ter delituoso dos fatos, mas n&atilde;o era inteiramente capaz de se determinar de acordo com esse entendimento&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O novo exame foi assinado por dois psiquiatras: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/elizabeth-maria-pereira-ferreira\/\" target=\"_self\" title=\"Psiquiatra que assinou o segundo laudo de Amailton\" class=\"encyclopedia\">Elizabeth Maria Pereira Ferreira<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/samuel-gueiros-pessoa-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Psiquiatra que assinou o segundo laudo de Amailton\" class=\"encyclopedia\">Samuel Gueiros Pessoa J&uacute;nior<\/a>, ambos do Par&aacute;. Mais uma vez, a sexualidade de Amailton aparece diversas vezes como ponto de reflex&atilde;o. Assim como no laudo de Palomba, h&aacute; um coment&aacute;rio sobre ele ter uma suposta &ldquo;m&atilde;e l&eacute;sbica&rdquo; como elemento motivador de comportamentos inadequados. N&atilde;o h&aacute;, por&eacute;m, nenhuma confirma&ccedil;&atilde;o nos autos de que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/zaila-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Amailton Madeira Gomes\" class=\"encyclopedia\">Zaila Madeira Gomes<\/a> fosse homossexual. O que se sabe &eacute; que, na &eacute;poca em que o filho passou a ser procurado pela pol&iacute;cia, o casamento dela com Amadeu j&aacute; ia mal e toda essa situa&ccedil;&atilde;o acabou por acelerar a separa&ccedil;&atilde;o dos dois.<\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; nas argumenta&ccedil;&otilde;es legais, os especialistas apontavam, de acordo com a bibliografia cient&iacute;fica da &eacute;poca, quais seriam os &iacute;ndices de periculosidade de uma pessoa:<\/p>\n\n\n\n<p><em>O estudo do caso mostra que o periciando apresenta alguns desses indicadores, quais sejam, inadapta&ccedil;&atilde;o escolar e profissional, comportamento homossexual, envolvimento com drogas e um dist&uacute;rbio de personalidade, este &uacute;ltimo j&aacute; identificado em exames psicodiagn&oacute;sticos apensos ao Processo. Al&eacute;m disso, embora o periciando tenha aludido a que essas experi&ecirc;ncias com drogas e homossexuais sejam do passado, n&atilde;o se pode asseverar se a pr&aacute;tica continua ou n&atilde;o. As personalidades psicop&aacute;ticas e esquizoides, embora tenham as fun&ccedil;&otilde;es mentais &iacute;ntegras, n&atilde;o apresentam testemunho fidedigno, visto que possuem um c&oacute;digo moral pr&oacute;prio, diferente da comunidade onde vivem e, por ele, julgam os seus atos e os de outros. O pr&oacute;prio periciando, durante a entrevista psiqui&aacute;trica, declarou sentir-se um ser superior em rela&ccedil;&atilde;o aos demais.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, os psiquiatras concluem que o exame n&atilde;o seria o suficiente para determinar se Amailton era ou n&atilde;o o autor dos crimes. Caso fosse culpado, no entanto, a an&aacute;lise indicava que ele teria no&ccedil;&atilde;o dos delitos, mas n&atilde;o tinha condi&ccedil;&otilde;es de se autocontrolar. De acordo com o documento, Amailton apresentava &ldquo;dados biogr&aacute;ficos, exames psicodiagn&oacute;sticos e psiqui&aacute;tricos que evidenciam comportamento desviante em rela&ccedil;&atilde;o aos valores culturais e morais da sua comunidade, como o uso de drogas e o <em>&lsquo;homossexualismo&rsquo;<\/em>&rdquo;.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-07-06-Laudo-Psiquiatrico-Amailton-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Laudo psiqui&aacute;trico de Amailton Madeira Gomes<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>H&aacute; aqui uma pergunta importante acerca da orienta&ccedil;&atilde;o sexual do suspeito: ser&aacute; que elas seriam feitas por um perito hoje em dia? Segundo os especialistas consultados pela jornalista Isabela Cabral, a resposta &eacute;: dificilmente. Ao menos n&atilde;o deveriam, j&aacute; que n&atilde;o condizem com a literatura m&eacute;dica vigente e com as diretrizes da Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de.<\/p>\n\n\n\n<p>A psiquiatra forense <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/thatiane-fernandes\/\" target=\"_self\" title=\"Psiquiatra forense consultada para o podcast\" class=\"encyclopedia\">Thatiane Fernandes<\/a>, que atua em S&atilde;o Paulo, aponta, por exemplo, que os manuais de diagn&oacute;stico da &eacute;poca j&aacute; n&atilde;o previam esse tipo de associa&ccedil;&atilde;o entre sexualidades n&atilde;o heteronormativas e fatores de periculosidade. J&aacute; o doutor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/talvane-de-moraes\/\" target=\"_self\" title=\"Psiquiatra forense consultado para o podcast\" class=\"encyclopedia\">Talvane de Moraes<\/a>, do Rio de Janeiro, compreende o uso dessa quest&atilde;o para situar o suspeito como algu&eacute;m dissonante de seu contexto cultural. Ele reconhece, no entanto, que essas alega&ccedil;&otilde;es n&atilde;o t&ecirc;m fundamento.<\/p>\n\n\n\n<p>O contexto realmente era dif&iacute;cil nesse ponto. No in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990, a epidemia da Aids era um grande desafio da sa&uacute;de p&uacute;blica global e a doen&ccedil;a era muito vinculada pela sociedade aos homens gays. &Eacute; claro que o preconceito contra a comunidade LGBTQIA+ tem ra&iacute;zes mais profundas e segue ainda hoje muito presente, mas pode-se dizer que aquele era um per&iacute;odo especialmente delicado.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m disso, sobre a an&aacute;lise como um todo, o doutor Talvane comenta que sentiu falta de mais aten&ccedil;&atilde;o aos pr&oacute;prios crimes, em vez do laudo quase que se limitar a um perfil do suspeito. Quanto ao diagn&oacute;stico de transtorno esquizoide de personalidade, a m&eacute;dica Thatiane v&ecirc; com desconfian&ccedil;a, diante do comportamento de Amailton descrito por ele mesmo e por seus familiares, e observado pelos autores do documento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ela esclarece que o transtorno por si s&oacute; n&atilde;o &eacute; evid&ecirc;ncia de condutas criminosas. A estigmatiza&ccedil;&atilde;o de pessoas com diagn&oacute;sticos psiqui&aacute;tricos inclusive &eacute; algo que outra fonte ouvida pelo podcast, o psiquiatra forense <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/daniel-barros\/\" target=\"_self\" title=\"Psiquiatra forense consultado para o podcast\" class=\"encyclopedia\">Daniel Barros<\/a>, fez quest&atilde;o de destacar. &ldquo;Transtorno mental n&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de viol&ecirc;ncia e viol&ecirc;ncia n&atilde;o &eacute; sin&ocirc;nimo de transtorno mental&rdquo;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui &eacute; importante deixar claro uma coisa: boa parte dessas problem&aacute;ticas com tantas discuss&otilde;es e nuances jamais chegaram &agrave;s fam&iacute;lias das v&iacute;timas. As autoridades s&oacute; repassavam para elas algumas partes espec&iacute;ficas e de forma verbal. Por mais engajados que os familiares fossem, dada a complexidade do processo, que naquela &eacute;poca s&oacute; estava dispon&iacute;vel em papel, eles nem teriam como ter acesso a todas essas informa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo disso &eacute; uma fala de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosa-maria-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Jaenes da Silva Pessoa\" class=\"encyclopedia\">Rosa Maria Pessoa<\/a> durante a Comiss&atilde;o de Direitos Humanos da C&acirc;mara dos Deputados em Bras&iacute;lia no dia 15 de outubro de 1996 &ndash; quatro anos ap&oacute;s o assassinato de seu filho Jaenes: &ldquo;disse a m&eacute;dica que fez o laudo da cabe&ccedil;a do Amailton: &lsquo;dona Rosa, lute o quanto puder para que ele nunca seja solto porque &eacute; um psicopata, e o Brasil e o mundo correm grande perigo com ele solto&rdquo;. Esse coment&aacute;rio revela muito sobre o tipo de mensagem que era repassada &agrave;s fam&iacute;lias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Voltando a fevereiro de 1993, a fase de instru&ccedil;&atilde;o estava quase no fim. Testemunhas de defesa e acusa&ccedil;&atilde;o j&aacute; haviam sido ouvidas. Todos aguardavam agora a decis&atilde;o da ju&iacute;za para saber se Amailton seria ou n&atilde;o julgado no Tribunal do J&uacute;ri pela morte de Jaenes e talvez de outras v&iacute;timas.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as pessoas que prestaram depoimento, h&aacute; algo que chama a aten&ccedil;&atilde;o: no inqu&eacute;rito de Brivaldo, &eacute; not&oacute;rio que a convic&ccedil;&atilde;o de culpa do suspeito foi formada pelo o que ele considerava serem fortes ind&iacute;cios referentes ao caso de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/judirley-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em janeiro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Judirley da Cunha Chipaia<\/a>. Relembrando, duas testemunhas se destacavam: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/josivaldo-aranha-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha amea&ccedil;ada no dia em que Judirley foi morto\" class=\"encyclopedia\">Josivaldo Aranha da Silva<\/a>, que dizia ter sido amea&ccedil;ado por tr&ecirc;s homens em uma picape de cor vinho no dia e local em que o corpo do menino foi encontrado, no in&iacute;cio de 1992; e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/lucia-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; de Judirley da Cunha Chipaia\" class=\"encyclopedia\">L&uacute;cia da Cunha Chipaia<\/a>, irm&atilde; da v&iacute;tima, que afirmava que Amailton era um suspeito para a fam&iacute;lia h&aacute; muito tempo, justamente por causa do ve&iacute;culo que dirigia.&nbsp;Nenhum dos dois prestou depoimentos na fase de instru&ccedil;&atilde;o judicial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Josivaldo Aranha simplesmente desaparece do processo e nunca mais &eacute; ouvido. N&atilde;o se sabe que fim ele levou. Pode ser que essa aus&ecirc;ncia na fase de instru&ccedil;&atilde;o contra Amailton tenha se dado pelo fato do processo ser referente &agrave; v&iacute;tima Jaenes, e n&atilde;o a Judirley. Mas isso &eacute; apenas uma suposi&ccedil;&atilde;o. Ainda assim, duas testemunhas de acusa&ccedil;&atilde;o t&atilde;o fortes terem sumido nessa etapa do processo &eacute; algo que certamente chama a aten&ccedil;&atilde;o. Pois a impress&atilde;o que d&aacute; &eacute; que, pelos relatos que permaneceram, sobram poucos elementos contra Amailton.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>FL&Aacute;VIO LOPES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No dia 27 de mar&ccedil;o de 1993, o caso dos meninos de Altamira mudaria para sempre. Enquanto o filho de Amadeu estava preso em Bel&eacute;m, mais uma crian&ccedil;a desaparece: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/flavio-lopes-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Menino de 10 anos morto em mar&ccedil;o de 1993 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Fl&aacute;vio Lopes da Silva<\/a>, de 10 anos de idade.<\/p>\n\n\n\n<p>O inqu&eacute;rito do garoto est&aacute; anexado aos autos do processo, mas neles n&atilde;o consta o Boletim de Ocorr&ecirc;ncia do caso. Todas as informa&ccedil;&otilde;es sobre o dia que ele sumiu s&atilde;o provenientes dos depoimentos de familiares prestados tempos mais tarde. Um trecho da tese da pesquisadora Paula Lacerda traz um bom resumo sobre o ocorrido:<\/p>\n\n\n\n<p><em>De acordo com o termo de declara&ccedil;&otilde;es prestadas pelo pai da v&iacute;tima &agrave; pol&iacute;cia, com menos de um m&ecirc;s de vida, uma senhora de nome Helena entregou seu filho para que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-luiza-lopes-da-silva\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Fl&aacute;vio, menino morto em mar&ccedil;o de 1993 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Maria Luiza Lopes da Silva<\/a>, sua mulher, o criasse. Maria Luiza, ent&atilde;o com 23 anos de idade e uma filha, registrou o menino como Fl&aacute;vio, dando-lhe seu sobrenome e o de seu marido, o lavrador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/moacir-silva\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Fl&aacute;vio, menino morto em 1993 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Moacir Silva<\/a>. At&eacute; os 10 anos de idade, Fl&aacute;vio vivia com seu pai na comunidade rural conhecida como Arroz Cru, ajudando na ro&ccedil;a e estudando na Col&ocirc;nia Agr&iacute;cola. Algumas vezes, durante a semana, ia at&eacute; Altamira levar alimentos para sua m&atilde;e. Quinze dias antes de seu desaparecimento, Fl&aacute;vio tinha ido viver na cidade, longe da zona rural. Poucos dias depois de chegar, o menino come&ccedil;ou a trabalhar com uma senhora que vendia milho e espetinhos em uma barraca em frente ao ponto de t&aacute;xi do bairro da Bras&iacute;lia. A patroa tinha o mesmo nome de sua m&atilde;e e era ajudada por uma mo&ccedil;a de nome Marinalva.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Nos primeiros dias, Maria Luiza, a patroa, apanhou Fl&aacute;vio na casa de sua m&atilde;e para que ele a ajudasse a transportar os alimentos, acender o fogo, vigiar a barraca etc. No dia 27 de mar&ccedil;o de 1993, o menino, pela primeira vez, fez sozinho o trajeto entre a casa de sua m&atilde;e e a casa da patroa, onde chegou &agrave;s 7 horas da manh&atilde;. Trabalharam juntos durante a manh&atilde; e a tarde de s&aacute;bado. Por volta das 19 horas, retornou para jantar e banhar-se na casa da patroa. Marinalva foi encarregada de ir at&eacute; a casa de Fl&aacute;vio buscar uma muda de roupa para ele trocar. Entre a sa&iacute;da da banca de espetinhos e a chegada na casa da patroa, Fl&aacute;vio desapareceu. Uma senhora de nome Alice, comerciante local, teria visto o menino quando ele entrou em sua lanchonete para assistir televis&atilde;o. Conforme declara&ccedil;&atilde;o na pol&iacute;cia, Alice afirmou ter dado um peda&ccedil;o de bolo para Fl&aacute;vio e o orientou a ir para casa.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Marinalva foi at&eacute; a casa da m&atilde;e de Fl&aacute;vio, mas esta lhe disse que a outra &uacute;nica pe&ccedil;a de roupa do menino estava molhada. Ao retornar &agrave; casa da patroa, notou que Fl&aacute;vio ainda n&atilde;o havia chegado. Dirigiu-se &agrave; banca de espetinhos, onde ele tamb&eacute;m n&atilde;o estava. A patroa come&ccedil;ou a procurar o menino nas redondezas e verificou que ele n&atilde;o tinha voltado para a casa da m&atilde;e. A m&atilde;e do menino ent&atilde;o tomou conhecimento de que seu filho estava desaparecido. Come&ccedil;aram a procura que se estendeu madrugada adentro. No dia seguinte, elas foram &agrave; delegacia registrar o caso e noticiaram o desaparecimento na r&aacute;dio da cidade. Moacir, o pai do menino, escutou a not&iacute;cia na r&aacute;dio e imediatamente seguiu para a casa de sua esposa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Dois dias depois do desaparecimento, um vigia chamado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/luiz-arcanjo-de-morais\/\" target=\"_self\" title=\"Vigia que encontrou o corpo de Fl&aacute;vio em mar&ccedil;o de 1993\" class=\"encyclopedia\">Luiz Arcanjo de Morais<\/a> encontrou o corpo de Fl&aacute;vio em uma regi&atilde;o de matagal. De acordo com mat&eacute;rias de imprensa da &eacute;poca, o trabalhador chegou a ser suspeito do crime e teria inclusive sofrido agress&otilde;es de policiais. Nada disso, por&eacute;m, est&aacute; nos autos.<\/p>\n\n\n\n<p>Fl&aacute;vio estava deitado de lado, curvado e usava apenas um cal&ccedil;&atilde;o preto. O rosto apresentava les&otilde;es e possu&iacute;a algumas marcas de putrefa&ccedil;&atilde;o &ndash; mas n&atilde;o t&atilde;o avan&ccedil;adas a ponto de dificultar a sua identifica&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Um detalhe que se destaca no caso do Fl&aacute;vio &eacute; comentado at&eacute; mesmo por um rep&oacute;rter do SBT que cobriu o achado do corpo. &ldquo;Vejam que a situa&ccedil;&atilde;o realmente n&atilde;o tem nada a ver com aqueles outros crimes que vinham acontecendo em Altamira. Completamente diferente o caso do corpo que foi encontrado. N&atilde;o h&aacute; emascula&ccedil;&atilde;o nenhuma e aparentemente o garoto foi morto a paulada&rdquo;, diz o jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>As diferen&ccedil;as est&atilde;o anotadas no relat&oacute;rio de conclus&atilde;o da investiga&ccedil;&atilde;o sobre o caso de Fl&aacute;vio, assinado pelo m&eacute;dico <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/evando-guimaraes-martins\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado de Altamira na &eacute;poca do caso de Fl&aacute;vio Lopes da Silva\" class=\"encyclopedia\">Evando Guimar&atilde;es Martins<\/a>, ent&atilde;o delegado titular de Altamira. O documento &eacute; datado de 28 de abril de 1993, um m&ecirc;s ap&oacute;s a morte do menino.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em resumo, os pontos principais eram os seguintes: primeiro, a crian&ccedil;a estava vestida de shorts, diferente das v&iacute;timas anteriores, que eram sempre encontradas nuas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo, o garoto n&atilde;o havia sido emasculado. O laudo definitivo do exame de Fl&aacute;vio n&atilde;o estava finalizado na &eacute;poca da conclus&atilde;o do relat&oacute;rio, mas depois ele confirmaria algumas das informa&ccedil;&otilde;es citadas: o p&ecirc;nis tinha sido retirado, mas a bolsa escrotal permanecia. Por causa disso, tecnicamente, n&atilde;o seria um caso de emascula&ccedil;&atilde;o. Ele apresentava, no entanto, um corte no test&iacute;culo esquerdo. Al&eacute;m disso, as bordas da les&atilde;o no &oacute;rg&atilde;o sexual n&atilde;o eram regulares como nos casos anteriores, o que indicava o uso de instrumento cortante. De acordo com o documento, o ferimento possu&iacute;a bordas de apar&ecirc;ncia imprecisa em todo o seu contorno.<\/p>\n\n\n\n<p>A terceira diferen&ccedil;a seria o fato de que a crian&ccedil;a teria morrido com uma forte pancada na cabe&ccedil;a. Segundo o relat&oacute;rio, isso seria &ldquo;radicalmente diferente dos casos anteriores&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-03-30-Exame-de-Necropsia-Flavio-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Laudo de exame do corpo de Fl&aacute;vio Lopes da Silva<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A partir da an&aacute;lise de todo o processo, por&eacute;m, essa era uma constata&ccedil;&atilde;o equivocada. Tudo indica que o delegado do inqu&eacute;rito n&atilde;o teve acesso aos laudos anteriores. Nos casos que possu&iacute;am esse documento, n&atilde;o h&aacute; um modus operandi espec&iacute;fico ou repetido para a morte das v&iacute;timas. Os exames dos garotos mortos em 1992 mostram o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<ul><li><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/judirley-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em janeiro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Judirley da Cunha Chipaia<\/a>: a causa da morte &eacute; definida como &ldquo;choque hipovol&ecirc;mico devido &agrave; hemorragia aguda por les&atilde;o de vasos sangu&iacute;neos no pesco&ccedil;o&rdquo;;<\/li><li><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/klebson-ferreira-caldas\/\" target=\"_self\" title=\"Menino que desapareceu em Altamira em novembro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Klebson Ferreira Caldas<\/a>: ambos t&ecirc;m causa da morte indeterminada por conta do avan&ccedil;ado estado de decomposi&ccedil;&atilde;o em que seus corpos foram encontrados.&nbsp;<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Esses tr&ecirc;s laudos &ndash; de Judirley, Jaenes e Klebson &ndash; possuem participa&ccedil;&atilde;o do mesmo legista, o doutor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/armando-aragao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico legista\" class=\"encyclopedia\">Armando Arag&atilde;o<\/a>. J&aacute; no caso de Fl&aacute;vio, o documento &eacute; assinado pelo m&eacute;dico <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/luiz-loureiro\/\" target=\"_self\" title=\"Legista que assinou o laudo de exame do corpo de Fl&aacute;vio\" class=\"encyclopedia\">Luiz Loureiro<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-01-08-Laudo-e-Ata-de-Exumacao-Judirley-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Laudo e ata de exuma&ccedil;&atilde;o do corpo de Judirley da Cunha Chipaia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/JAENES-1992-10-15-Laudo-provisorio-de-Exumacao-Jaenes.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Laudo provis&oacute;rio de exuma&ccedil;&atilde;o do corpo de Jaenes da Silva Pessoa<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/JAENES-1992-11-25-Laudo-e-Ata-de-Exumacao-de-Jaenes-feito-em-15-11-mas-recebido-em-25-11-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Laudo e ata de exuma&ccedil;&atilde;o do corpo de Jaenes<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-11-23-Laudo-Necroscopico-provisorio-de-Klebson-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Laudo de exame do corpo de Klebson Ferreira Caldas<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Apesar dessa confus&atilde;o, o fato &eacute; que a impress&atilde;o de que esse era um crime diferente dos outros era o pensamento dominante na Pol&iacute;cia Civil de Altamira. Isso fica bem claro em alguns trechos do relat&oacute;rio:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Comparando esses aspectos com os referentes aos casos anteriores de emascula&ccedil;&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel constatar que nenhuma semelhan&ccedil;a h&aacute; no modo de agir dos autores, tanto de um como do outro. O autor dos casos de emascula&ccedil;&otilde;es sempre agiu de forma mais requintada e revestida de profissionalismo. Enquanto que no caso do menor FL&Aacute;VIO nota-se ind&iacute;cios de amadorismo, nos levando a crer que h&aacute; algu&eacute;m agindo com o intuito de desvirtuar a aten&ccedil;&atilde;o sobre <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">AMAILTON MADEIRA GOMES<\/a> que se encontra preso, com o fito de fazer-se entender que ele n&atilde;o &eacute; o respons&aacute;vel pelos casos anteriores.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>[&hellip;]<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Diante do que foi exposto acima &eacute; f&aacute;cil concluir que neste caso na realidade ocorreu o crime de homic&iacute;dio com requinte de perversidade contra um menor. E o autor deste homic&iacute;dio tentou usar o &aacute;libi de retirar o p&ecirc;nis do menor objetivando causar confus&atilde;o do racioc&iacute;nio &agrave; Pol&iacute;cia, ao Judici&aacute;rio e a sociedade em geral, por&eacute;m os ind&iacute;cios deixados eliminam qualquer d&uacute;vida em se afirmar que n&atilde;o se trata na verdade de caso de emascula&ccedil;&atilde;o.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-04-28-Relatorio-Investigacoes-sobre-morte-de-Flavio_compressed.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Relat&oacute;rio sobre o caso Fl&aacute;vio elaborado pelo delegado Evando Guimar&atilde;es<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-03-31-Jornal-O-Diario-do-Para-Morte-de-Menor-pode-ser-ligada-a-Monstro-1.pdf\" target=\"_blank\">Mat&eacute;ria do Jornal Di&aacute;rio do Par&aacute; &ndash; &ldquo;Morte de menor pode ser ligada a monstro&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A informa&ccedil;&atilde;o do relat&oacute;rio de que o autor das emascula&ccedil;&otilde;es sempre agiu &ldquo;de forma mais requintada&rdquo; n&atilde;o condiz com os laudos anteriores. Segundo o laudo do corpo de Jaenes, o m&eacute;dico legista afirmava que o corte n&atilde;o possu&iacute;a caracter&iacute;sticas de profissional. J&aacute; no caso de Klebson, em entrevista dada &agrave; televis&atilde;o, Arag&atilde;o dizia que qualquer pessoa com um instrumento cortante bem afiado poderia causar uma les&atilde;o desse tipo.<\/p>\n\n\n\n<p>O caso de Fl&aacute;vio demonstra algo que, apesar de n&atilde;o se saber exatamente quando surgiu, &eacute; muito forte no processo todo: de que os cortes teriam caracter&iacute;sticas profissionais. &Eacute; nesse momento, ent&atilde;o, que a seguinte hip&oacute;tese come&ccedil;a a circular pela cidade:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<ul><li>Amailton n&atilde;o cometia os crimes sozinhos;<\/li><li>Algu&eacute;m devia estar tentando confundir o processo contra ele, provavelmente uma pessoa de seu conv&iacute;vio social;<\/li><li>Os cortes das v&iacute;timas anteriores demonstravam precis&atilde;o. Logo, devem ter sido praticados por pessoas com habilidades cir&uacute;rgicas;<\/li><li>Esses indiv&iacute;duos v&atilde;o continuar cometendo crimes.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p>Essas suspeitas n&atilde;o eram novas, mas a morte de Fl&aacute;vio as renovou. Se Amailton era realmente culpado, como a imprensa, a pol&iacute;cia e o Minist&eacute;rio P&uacute;blico afirmavam, ent&atilde;o era necess&aacute;rio agora ir atr&aacute;s dos comparsas dele.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O ponto chave tornou-se as caracter&iacute;sticas dos cortes. Essa era a pista que a popula&ccedil;&atilde;o usava para descobrir o respons&aacute;vel ou respons&aacute;veis. E &eacute; nesse sentido que se passou a desconfiar do seguinte: se de fato os poderosos estavam agindo e os cortes tinham precis&atilde;o cir&uacute;rgica, era muito prov&aacute;vel que havia a participa&ccedil;&atilde;o de m&eacute;dicos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Antes de avan&ccedil;ar nesse ponto, &eacute; preciso voltar para o in&iacute;cio das investiga&ccedil;&otilde;es de Brivaldo no caso de Jaenes, encontrado morto no dia 3 de outubro de 1992. L&aacute; aparece uma ponta solta que voltar&aacute; a ser olhada com maior aten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;O que me chamou bastante a aten&ccedil;&atilde;o no que consta nos autos &eacute; um pedido do doutor Brivaldo para uma companhia a&eacute;rea, que na &eacute;poca era a Vasp. &Eacute; um of&iacute;cio de 15 de outubro, que quer saber todos os deslocamentos do doutor <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/anisio-ferreira-de-souza\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico acusado no caso dos meninos emasculados\" class=\"encyclopedia\">An&iacute;sio Ferreira de Souza<\/a>&rdquo;, explica o pesquisador e advogado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rubens-pena-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado e antrop&oacute;logo\" class=\"encyclopedia\">Rubens Pena J&uacute;nior<\/a>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-10-15-Brivaldo-pede-para-companhia-de-aviacao-VASP-enviar-informacoes-sobre-Anisio-Ferreira-de-Souza-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Of&iacute;cio de Brivaldo para a companhia de avia&ccedil;&atilde;o Vasp<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m desse documento, h&aacute; tamb&eacute;m em meio &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o contra Amailton outros elementos sobre o tal doutor An&iacute;sio. Um deles &eacute; uma foto em que ele est&aacute; em um terreiro, local de pr&aacute;tica de religi&otilde;es de matriz africana.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Eu fiquei curioso do porqu&ecirc; o An&iacute;sio apareceu ali. E a Paula fala na tese dela que, quando conversou com o Brivaldo, ele disse que n&atilde;o via o An&iacute;sio nos crimes, tanto que n&atilde;o o indiciou. Mas ele escutava coisas que o relacionavam aos casos&rdquo;, diz o pesquisador.<\/p>\n\n\n\n<p>A figura do doutor An&iacute;sio inaugura uma nova fase das investiga&ccedil;&otilde;es em Altamira. Essa &eacute; a etapa que transforma esse caso em algo completamente diferente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MAPA DOS CRIMES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para acessar o mapa dos crimes atualizado com o caso de Fl&aacute;vio, clique <a href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/u\/0\/viewer?mid=1FA7S9WUmA7c-jF2AlLWRcf3G7EzrCimh&amp;ll=-3.1867393954922916%2C-52.22671057139959&amp;z=12\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">aqui<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<p>O mapa indica os locais onde as v&iacute;timas sobreviventes foram resgatadas (verde), onde os corpos das v&iacute;timas fatais foram encontrados (amarelo) e onde os desaparecidos foram vistos pela &uacute;ltima vez (roxo). Os locais s&atilde;o aproximados. Tamb&eacute;m s&atilde;o informadas a idade que os meninos tinham e as datas dos crimes.<\/p>\n\n\n\n<p>Como &agrave;s vezes h&aacute; diverg&ecirc;ncias em detalhes entre o que est&aacute; em documentos policiais e judiciais e o que o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a> indica, foram priorizadas as informa&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o em autos processuais. J&aacute; nos casos em que n&atilde;o existem registros oficiais, os dados do Comit&ecirc; s&atilde;o utilizados. H&aacute; ainda casos apontados pelo Comit&ecirc; cuja localiza&ccedil;&atilde;o &eacute; desconhecida, portanto, n&atilde;o s&atilde;o apresentados neste mapa.<\/p>\n\n\n\n<p>O mapa exibe a geografia atual de Altamira. Na &eacute;poca do caso dos emasculados, alguns aspectos eram diferentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os Psiquiatras<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/211"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=211"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=211"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=211"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}