{"id":192,"date":"2022-05-05T00:01:00","date_gmt":"2022-05-05T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=192"},"modified":"2022-05-04T15:01:28","modified_gmt":"2022-05-04T18:01:28","slug":"extras-episodio-05","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-05\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 05"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>ERRATA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>No in&iacute;cio do epis&oacute;dio 02, Ivan Mizanzuk chamou o ent&atilde;o vice-governador do Par&aacute; de Carlos Santana. O nome correto &eacute; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/carlos-jose-oliveira-santos\/\">Carlos Santos<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Muitos ouvintes tamb&eacute;m mandaram mensagens alertando sobre um equ&iacute;voco no epis&oacute;dio 04: n&atilde;o &eacute; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a> que aparece em uma das fotos apreendidas no quarto dele, em que um homem segura um microfone. Trata-se, na verdade, de Peter Murphy, vocalista da banda brit&acirc;nica Bauhaus.<\/p>\n\n\n\n<p>Como n&atilde;o &eacute; um grupo muito conhecido no Brasil e nunca &eacute; mencionado nos autos, esse detalhe acabou escapando. O auto de busca e apreens&atilde;o na casa de Amailton cita que foram apreendidas 15 fotos do indiciado &ndash; entre elas, a imagem em quest&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Na edi&ccedil;&atilde;o impressa do Jornal O Liberal de 3 de dezembro de 1992, ela chegou a aparecer na primeira p&aacute;gina com a seguinte legenda: &ldquo;Uma das fotografias irreverentes de Amailton&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-12-03-Materia-Jornal-O-Liberal-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do Jornal O Liberal &ndash; &ldquo;Suspeito de crimes contra menores foi interrogado ontem<\/a>&ldquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Em momento algum, no entanto, Amailton ou os advogados de defesa explicam que n&atilde;o era ele na foto. A falta de contesta&ccedil;&atilde;o e o desconhecimento da banda resultaram no erro. A equipe do podcast agradece a todos que entraram em contato para avisar sobre o equ&iacute;voco.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>EPIS&Oacute;DIO 05<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O epis&oacute;dio come&ccedil;a com uma pergunta importante: afinal, quem era F&aacute;tima, a empregada que teria visto <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a> chegar em casa com a camisa suja de sangue?<\/p>\n\n\n\n<p>Em seu relat&oacute;rio final, o delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/brivaldo-pinto-soares-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelo inqu&eacute;rito de Jaenes em outubro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Brivaldo Pinto Soares Filho<\/a> resume o que cada testemunha havia lhe dito. Ele relembra, por exemplo, da origem da hist&oacute;ria de F&aacute;tima: Benedito Roberto Oliveira, o Ben&eacute;, disse que quem lhe contou tudo foi uma funcion&aacute;ria da sorveteria &ldquo;San Sheik&rdquo;, localizada em Altamira. Segundo ela, a empregada da fam&iacute;lia Gomes, moradora de Uruar&aacute;, notou que Amailton estava sujo de sangue no mesmo dia em que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/judirley-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em janeiro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Judirley da Cunha Chipaia<\/a> desapareceu, em primeiro de janeiro de 1992.<\/p>\n\n\n\n<p>No inqu&eacute;rito conduzido pelo delegado, Benedito j&aacute; era a segunda testemunha que relatava o caso da dom&eacute;stica. A primeira era <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-luiz-sobrinho\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que traz &agrave; tona elementos contra Amailton Madeira Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Luiz Sobrinho<\/a>, que tinha ouvido aquilo tudo do pr&oacute;prio Ben&eacute;.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat&oacute;rio de Brivaldo &eacute; datado de 7 de dezembro de 1992. O Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Par&aacute;, representado pela promotora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ociralva-de-souza-farias-tabosa\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora de justi&ccedil;a de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ociralva de Souza Farias Tabosa<\/a>, pediu a abertura de a&ccedil;&atilde;o penal contra Amailton oito dias depois. No documento, a promotora relacionava a funcion&aacute;ria da sorveteria como testemunha de acusa&ccedil;&atilde;o a ser ouvida. O seu nome era <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/irene-oliveira-pereira\/\" target=\"_self\" title=\"Funcion&aacute;ria de sorveteria que teria ouvido a hist&oacute;ria da empregada F&aacute;tima\" class=\"encyclopedia\">Irene Oliveira Pereira<\/a>. Ela prestou depoimento &agrave; ju&iacute;za de Altamira em 27 de janeiro de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-12-07-Relatorio-Brivaldo-2.pdf\" target=\"_blank\">Relat&oacute;rio final de Brivaldo Pinto Soares Filho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-12-15-Pedido-de-abertura-de-acao-penal-contra-Amailton-1.pdf\" target=\"_blank\">Pedido de abertura de a&ccedil;&atilde;o penal contra Amailton<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Na ocasi&atilde;o, ela afirmou que n&atilde;o sabia dizer nada sobre os crimes que ocorriam h&aacute; anos na cidade. A testemunha, por&eacute;m, narrou um estranho acontecimento pelo qual tinha passado: certa vez, provavelmente em 1990, ela lavava roupa em uma lagoa na companhia dos sobrinhos quando um desconhecido se aproximou. O homem era alto, magro, tinha cabelos encaracolados e dizia ser de Minas Gerais. Ele, ent&atilde;o, perguntou se ela era m&atilde;e daquelas crian&ccedil;as, ao que Irene respondeu negativamente. Nisso, ele falou que queria um dos filhos dela. Ao receber um &ldquo;n&atilde;o&rdquo;, ele pediu para levar um dos sobrinhos e avisar a m&atilde;e que o garoto tinha sumido. A mulher recusou a oferta e o rapaz foi embora. De acordo com ela, ele dirigia uma picape vermelha.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>RETRATO FALADO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Diante desse relato, a ju&iacute;za mostrou para a testemunha o retrato falado elaborado a partir do depoimento de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wandicley-oliveira-pinheiro\/\" target=\"_self\" title=\"Terceiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Wandicley Oliveira Pinheiro<\/a>, o terceiro sobrevivente. A funcion&aacute;ria da sorveteria afirmou que o homem que a abordou de fato era parecido com aquela imagem.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1991-07-17-Retrato-Falado-Wandicley.pdf\" target=\"_blank\">Retrato falado com base no relato de Wandicley<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o pai de Wandicley, o retrato lembrava <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/luiz-kapiche-neto\/\" target=\"_self\" title=\"Radialista e advogado em Altamira ligado aos Gomes\" class=\"encyclopedia\">Luiz Kapiche Neto<\/a>, que tinha fama de pistoleiro da fam&iacute;lia Gomes. Por isso, a ju&iacute;za perguntou &agrave; Irene se ela conhecia Kapiche e ela respondeu que sim, pois eram vizinhos. Ao ser questionada, contudo, se o retrato falado se parecia com ele, ela negou. Em seguida, a magistrada fez a mesma indaga&ccedil;&atilde;o, mas referente &agrave; Amailton. Dessa vez, a testemunha disse que o rosto criado a partir do relato de Wandicley era sim semelhante ao jovem suspeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Irene esclareceu ainda que conhecia o filho de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a> de vista, mas que n&atilde;o era ele o homem que se aproximou dela enquanto lavava roupa no igarap&eacute;. Para ela, os tr&ecirc;s &ndash; Amailton, o estranho que a abordou e o retrato falado &ndash; eram parecidos.<\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; natural que essas afirma&ccedil;&otilde;es de Irene causem confus&atilde;o. Quando se fala em retrato falado, muitas quest&otilde;es precisam ser consideradas. Ao conversar com policiais, para Ivan Mizanzuk uma coisa ficou clara: n&atilde;o importa o que mostram os programas de fic&ccedil;&atilde;o sobre investiga&ccedil;&otilde;es, no dia-a-dia, 99% do trabalho &eacute; feito com base em relatos de testemunhas. Isso acontece porque conversar com pessoas &eacute; muito mais r&aacute;pido e barato do que analisar DNA ou buscar impress&otilde;es digitais, por exemplo. A partir da&iacute;, cada investigador avalia o quanto de ceticismo e verifica&ccedil;&atilde;o jogar&aacute; em cima dos depoimentos que recebe.<\/p>\n\n\n\n<p>O problema apontado por Ivan &eacute; a credibilidade que se coloca em cima de retratos falados. A imagem apresentada para Irene foi realizada com base no relato de Wandicley, atacado em 23 de setembro de 1990. Mas o depoimento que serviu de base para a sua produ&ccedil;&atilde;o s&oacute; foi tomado quase 10 meses depois, em 17 de julho de 1991. Mais importante ainda: trata-se de uma crian&ccedil;a violentada aos nove anos de idade. Ao contar para a pol&iacute;cia o que aconteceu, j&aacute; um pouco mais velho, o menino lidava com um severo trauma. Al&eacute;m disso, praticamente morava no hospital desde ent&atilde;o e n&atilde;o estava acompanhado de um psic&oacute;logo ou assistente social. At&eacute; que ponto, ent&atilde;o, &eacute; poss&iacute;vel acreditar fielmente nessa imagem?<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo que existam pessoas com maior facilidade em guardar rostos, a mem&oacute;ria humana n&atilde;o &eacute; um HD em que as lembran&ccedil;as s&atilde;o acessadas como arquivos. Na verdade, ela est&aacute; sujeita a falhas que podem resultar na condena&ccedil;&atilde;o de inocentes. De acordo com um levantamento da ONG Innocence Project, 70% dos casos de condena&ccedil;&atilde;o injusta no mundo todo acontecem por erros de reconhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Um caso que ganhou bastante repercuss&atilde;o no Brasil foi a da modelo Babiy Querino em dezembro de 2017. Na &eacute;poca, ela foi presa por supostamente integrar uma quadrilha de assaltantes. Duas das v&iacute;timas, um casal de publicit&aacute;rios, a reconheceram dois meses ap&oacute;s o ocorrido. Acontece que Babiy tinha um &aacute;libi: ela estava comprovadamente em outra cidade na mesma hora do crime. Ainda assim, foi presa e demorou quase dois anos para conseguir provar a sua inoc&ecirc;ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>O casal que fez o reconhecimento &eacute; branco. Babiy &eacute; negra, de cabelos cacheados. Ela foi presa por ter sido confundida com outra mulher que teria essas caracter&iacute;sticas. O caso dela &eacute; um triste exemplo n&atilde;o apenas de racismo, mas tamb&eacute;m de como a mem&oacute;ria humana &eacute; falha e carregada de incertezas e preconceitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Portanto, voltando ao retrato falado do agressor dos meninos, &eacute; preciso estar atento: ele teve como base o depoimento de uma crian&ccedil;a traumatizada, violentada 10 meses antes, feito sem nenhum tipo de acompanhamento psicol&oacute;gico. Soma-se a isso o fato de que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel medir o grau de confian&ccedil;a das habilidades de reconhecimento de rostos das testemunhas. Diante disso, o que sobra? Apenas ru&iacute;do. Mas isso era o que a pol&iacute;cia tinha em m&atilde;os.<\/p>\n\n\n\n<p>Dando continuidade ao depoimento de Irene, por fim, a ju&iacute;za perguntou sobre a hist&oacute;ria da <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/empregada-fatima\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que teria visto Amailton com uma camisa suja de sangue\" class=\"encyclopedia\">empregada F&aacute;tima<\/a>. A testemunha explicou que, em determinada ocasi&atilde;o, estava na sorveteria onde trabalhava na companhia de uma sobrinha e outras pessoas. Entre elas, Ben&eacute;. Nesse momento, uma conversa come&ccedil;ou sobre o caso do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a>, filho do caseiro da Associa&ccedil;&atilde;o Atl&eacute;tica Banco do Brasil (AABB), atacado em 1989.<\/p>\n\n\n\n<p>Ben&eacute; perguntou se havia sido Irene quem tinha lhe falado sobre o caso da dom&eacute;stica dos Gomes. Ela respondeu que n&atilde;o. Nisso, ele afirmou que estava atr&aacute;s da pessoa que lhe repassou essa informa&ccedil;&atilde;o, pois sabia que tinha sido ali na sorveteria. Esse di&aacute;logo, segundo Irene, teria acontecido em novembro, logo depois de Benedito prestar depoimento &agrave; pol&iacute;cia.<\/p>\n\n\n\n<p>&Agrave; ju&iacute;za, ela reiterou que n&atilde;o conhecia a empregada de Amadeu e que n&atilde;o sabia dizer nada sobre essa hist&oacute;ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-01-27-Depoimento-Irene-Oliveira-Pereira-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Irene Oliveira Pereira em ju&iacute;zo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com o pesquisador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rubens-pena-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado e antrop&oacute;logo\" class=\"encyclopedia\">Rubens Pena J&uacute;nior<\/a>, j&aacute; na fase judicial, o processo conta com tentativas de localizar F&aacute;tima, mas sem resultado. Um dos documentos encontrados nesse sentido &eacute; o requerimento pela oitiva da empregada, realizado pelo Minist&eacute;rio P&uacute;blico &agrave; ju&iacute;za de Altamira:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Em vista do despacho de Vossa Excel&ecirc;ncia, onde requer a manifesta&ccedil;&atilde;o do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, o senhor oficial de Justi&ccedil;a certifica que a senhora F&aacute;tima n&atilde;o foi&nbsp;intimada por n&atilde;o residir nesta cidade e sim na Comarca de Uruar&aacute;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-05-10-Requerimento-do-MP-para-procurar-Fatima-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Requerimento do Minist&eacute;rio P&uacute;blico pela oitiva de F&aacute;tima<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;A pol&iacute;cia n&atilde;o possu&iacute;a tantos recursos quanto a gente imaginava. Para voc&ecirc; ter uma ideia, eles tinham uma viatura. O pr&oacute;prio delegado Brivaldo disse que era muito dif&iacute;cil que algu&eacute;m falasse alguma coisa. Imperava a lei do sil&ecirc;ncio como hoje impera na maioria dos lugares onde ocorrem crimes violentos&rdquo;, diz o pesquisador. Para ele, esses podem ser alguns dos motivos pelos quais F&aacute;tima nunca foi encontrada.<\/p>\n\n\n\n<p>A misteriosa empregada nunca aparece no processo. Se ela foi localizada, n&atilde;o quis prestar depoimento e n&atilde;o h&aacute; registros disso. A fam&iacute;lia Gomes, por sua vez, sempre defendeu que ela n&atilde;o existe.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem outras poss&iacute;veis explica&ccedil;&otilde;es para essa aus&ecirc;ncia da testemunha. Uma delas &eacute; de que &ldquo;F&aacute;tima&rdquo; n&atilde;o seria o seu nome verdadeiro. Segundo alguns relatos, n&atilde;o &eacute; incomum pessoas da regi&atilde;o serem conhecidas por um nome diferente do registrado em cart&oacute;rio. Al&eacute;m disso, ao considerar que Altamira era um munic&iacute;pio com um tr&acirc;nsito alt&iacute;ssimo de pessoas, a dificuldade aumenta ainda mais.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre o caso da empregada, h&aacute; um importante trecho na tese de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/paula-mendes-lacerda\/\" target=\"_self\" title=\"Antrop&oacute;loga e pesquisadora do caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Paula Mendes Lacerda<\/a>. &Eacute; uma nota de rodap&eacute;, na qual a autora relata uma conversa que teve com <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosa-maria-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Jaenes da Silva Pessoa\" class=\"encyclopedia\">Rosa Maria Pessoa<\/a>, m&atilde;e de Jaenes:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Em maio de 2010, durante a estadia na casa da Dona Rosa, ela me contou o seguinte&nbsp;epis&oacute;dio. Seu irm&atilde;o, caminhoneiro, passando por uma pequena cidade do Maranh&atilde;o,&nbsp;parou para almo&ccedil;ar em uma pens&atilde;o. Conversando com a cozinheira, ele disse morar&nbsp;em Altamira e ela respondeu que conhecia muito bem a cidade, mas trazia muitos&nbsp;traumas de l&aacute;, pois tinha trabalhado em casa de gente &ldquo;muito rica&rdquo; e &ldquo;poderosa&rdquo; e que tinha envolvimento com &ldquo;muita coisa que estava errada&rdquo;. Contou a cozinheira que trabalhava como empregada para um advogado chamado Araqu&eacute;m (tio de Amailton) e, um dia, j&aacute; de madrugada, um sobrinho teria chegado &agrave; casa com a roupa muito suja e chorando copiosamente. Ela teria ouvido quando o jovem disse ao seu tio que &ldquo;Tinha feito uma besteira, pois tinha pego um parente&rdquo;. Sabendo dos casos de viol&ecirc;ncia&nbsp;contra crian&ccedil;as que aconteciam no munic&iacute;pio e com medo de que alguma coisa ocorresse contra ela, a cozinheira logo saiu da cidade, mas jamais esqueceu a&nbsp;hist&oacute;ria. Depois de ouvir o relato de Dona Rosa, perguntei se ela j&aacute; havia contado&nbsp;este caso para algu&eacute;m, pois a &ldquo;cozinheira&rdquo; n&atilde;o aparece como uma poss&iacute;vel&nbsp;testemunha. Dona Rosa ent&atilde;o me respondeu que o resultado das &ldquo;investiga&ccedil;&otilde;es que&nbsp;ela fez, junto com outras m&atilde;es&rdquo; s&oacute; foi transmitido para os policiais federais. Como&nbsp;muito tempo havia se passado desde esta hist&oacute;ria e por causa da dificuldade de que as pessoas depusessem contra os poderosos envolvidos, n&atilde;o foi sequer cogitado&nbsp;procurar a cozinheira. Por outro lado, uma outra hist&oacute;ria narrada por Dona Rosa deixa entrever que certos elementos jamais foram contados para a pol&iacute;cia. Guardar certos elementos serve para controlar as investiga&ccedil;&otilde;es. Caso aquilo que foi ocultado&nbsp;apare&ccedil;a, as investiga&ccedil;&otilde;es s&atilde;o avaliadas como v&aacute;lidas.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Seria essa cozinheira a <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/empregada-fatima\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que teria visto Amailton com uma camisa suja de sangue\" class=\"encyclopedia\">empregada F&aacute;tima<\/a>? O problema &eacute; que relatos assim s&atilde;o quase imposs&iacute;veis de se verificar. Mesmo que essa mulher aparecesse e se revelasse como a misteriosa dom&eacute;stica da fam&iacute;lia Gomes, seria o seu relato confi&aacute;vel?<\/p>\n\n\n\n<p>Se, por um lado, comprovar essas hist&oacute;rias &eacute; algo dif&iacute;cil, por outro, s&atilde;o elas que povoam o imagin&aacute;rio da cidade sobre o caso, especialmente entre os moradores mais antigos. H&aacute; pouca ou nenhuma diferen&ccedil;a entre o que &eacute; fato e o que &eacute; falado.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>CONTRADI&Ccedil;&Otilde;ES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Inicialmente, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico do Par&aacute; pediu para que quatro testemunhas fossem ouvidas: F&aacute;tima, Ben&eacute;, Irene e, por &uacute;ltimo, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/gilberto-denis-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Uma das principais testemunhas contra Amailton Madeira Gomes\" class=\"encyclopedia\">Gilberto Denis da Costa<\/a> &ndash; amigo de inf&acirc;ncia de Amailton.<\/p>\n\n\n\n<p>Gilberto j&aacute; havia sido ouvido duas vezes pelo delegado Brivaldo: em 04 de novembro de 1992 e em 03 de dezembro do mesmo ano. Agora, era importante que fizesse seu relato na frente de uma ju&iacute;za designada, pois &eacute; nesta fase que os testemunhos t&ecirc;m maior valor processual. No entanto, ao ser chamado em ju&iacute;zo, ele n&atilde;o prestou depoimento. No lugar disso, enviou uma escritura p&uacute;blica negando tudo o que havia afirmado &agrave; pol&iacute;cia. O documento &eacute; de 02 de fevereiro de 1993:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Declaro a quem possa interessar, que o depoimento que prestei no dia 4 de&nbsp;novembro do ano de 1992, na Coordenadoria da Pol&iacute;cia Civil, em Bel&eacute;m, perante o&nbsp;delegado Brivaldo Soares, onde acusei o Sr. <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a>, residente na cidade de Altamira, de estar envolvido em mortes de menores do sexo masculino&nbsp;ocorridos naquele Munic&iacute;pio, n&atilde;o traduz verdade, pois conhe&ccedil;o Amailton desde crian&ccedil;a e tudo o que consta naquele depoimento acima referido n&atilde;o &eacute; verdade. S&oacute; disse aquelas palavras porque fui induzido pelo referido Delegado. Declaro ainda que&nbsp;o Delegado n&atilde;o deixou eu ler o que ali estava datilografado. &Eacute; o que tenho a declarar.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-02-02-Gilberto-Denis-da-Costa-escritura-publica-1.pdf\" target=\"_blank\">Escritura p&uacute;blica de Gilberto Denis da Costa<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-11-04-Depoimento-Gilberto-Denis-da-Costa-1.pdf\">Depoimento de Gilberto Denis da Costa de 04 de novembro de 1992<\/a> <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1992-12-03-Depoimento-Gilberto-Denis-Costa-segundo-para-Brivaldo-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Gilberto Denis da Costa de 03 de dezembro de 1992<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>O amigo de inf&acirc;ncia de Amailton s&oacute; falaria em ju&iacute;zo no dia 6 de maio de 1993. Na ocasi&atilde;o, disse novamente que n&atilde;o tinha nada a falar contra o suspeito.<\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-05-06-Depoimento-em-juizo-Gilberto-Denis-da-Costa-1.pdf\" target=\"_blank\">Depoimento de Gilberto Denis da Costa em ju&iacute;zo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Ele, por&eacute;m, n&atilde;o foi o &uacute;nico a mudar o depoimento nessa fase do processo. Isso tamb&eacute;m aconteceu com duas pessoas que teriam visto o filho de Amadeu em Vit&oacute;ria do Xingu no fim de outubro de 1992. Lembrando que, para Brivaldo, esses relatos significavam que Amailton n&atilde;o estava viajando para o Sul do Brasil na &eacute;poca em que <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/klebson-ferreira-caldas\/\" target=\"_self\" title=\"Menino que desapareceu em Altamira em novembro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Klebson Ferreira Caldas<\/a> foi morto, em novembro daquele ano.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma dessas testemunhas era o policial <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jeferson-cicero-dos-santos\/\" target=\"_self\" title=\"Policial de Vit&oacute;ria do Xingu, munic&iacute;pio pr&oacute;ximo &agrave; Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jeferson C&iacute;cero dos Santos<\/a>. Em declara&ccedil;&atilde;o ao delegado Brivaldo, ele teria dito que viu o suspeito na cidade em um ve&iacute;culo Voyage. No entanto, ao ser ouvido pela ju&iacute;za em 10 de fevereiro de 1993, passou a negar tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo o policial, na verdade, houve uma confus&atilde;o: quem teria sido visto na cidade era o irm&atilde;o de Amailton. O novo relato do rapaz d&aacute; conta de que o membro da fam&iacute;lia Gomes chegou at&eacute; mesmo a conversar com o delegado da cidade, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/otavio-torres-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado de Vit&oacute;ria do Xingu, cidade pr&oacute;xima &agrave; Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ot&aacute;vio Torres Filho<\/a>, o Tavico.<\/p>\n\n\n\n<p>Jeferson esclareceu ainda que n&atilde;o havia sequer lido o primeiro depoimento que estava em seu nome. Na ocasi&atilde;o, o investigador Tavico teria aparecido apressado com o documento em m&atilde;os e pedido a sua assinatura. O policial decidiu assin&aacute;-lo por pensar que estava colaborando com os trabalhos. Al&eacute;m disso, ele afirmou que n&atilde;o conhecia Brivaldo e que nunca prestou nenhum tipo de declara&ccedil;&atilde;o para ele.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-02-10-Depoimento-Jefersson-Cicero-dos-Santos-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Jeferson C&iacute;cero dos Santos em ju&iacute;zo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Outra testemunha que falou sobre a apari&ccedil;&atilde;o de Amailton em Vit&oacute;ria do Xingu foi <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-de-nazare-vieira-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Dona de restaurante em Vit&oacute;ria do Xingu, cidade pr&oacute;xima &agrave; Altamira\" class=\"encyclopedia\">Maria de Nazar&eacute; Vieira da Costa<\/a>, dona de um restaurante no munic&iacute;pio. Na &eacute;poca, ela disse que notou a presen&ccedil;a de um carro Voyage e um Bugre vermelho, dos quais teriam sa&iacute;do duas mulheres e dois homens. Dessas pessoas, ela reconheceu Amailton e a m&atilde;e, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/zaila-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Amailton Madeira Gomes\" class=\"encyclopedia\">Zaila Madeira Gomes<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Maria de Nazar&eacute; prestou novo depoimento, agora em ju&iacute;zo, no mesmo dia em que Jeferson foi ouvido. Ela ressaltou que n&atilde;o conhecia Amailton e que nunca o viu, muito menos em Vit&oacute;ria do Xingu. De acordo com a testemunha, quem apareceu no seu restaurante no fim de outubro foi a m&atilde;e do suspeito, Zaila, mais duas senhoras e um outro rapaz, que n&atilde;o soube identificar.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de 15 dias ap&oacute;s esse encontro, dois homens chegaram no seu estabelecimento perguntando sobre a fam&iacute;lia Gomes. Um se identificou como delegado Orion e o outro apenas como um policial. Ambos explicaram o que estava acontecendo em Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>Mais tarde, Maria estava na manicure quando foi procurada pelo investigador Ot&aacute;vio Torres para que ela assinasse a sua declara&ccedil;&atilde;o. Segundo ele, o documento confirmava somente a presen&ccedil;a de Zaila na cidade. A testemunha disse que o delegado n&atilde;o a deixou ler o papel antes de assin&aacute;-lo. Assim como Jeferson, a empres&aacute;ria esclareceu ainda que n&atilde;o conhecia Brivaldo e nunca tinha dado depoimento para ele.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-02-10-Depoimento-Maria-de-Nazare-Vieira-da-Costa-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Maria de Nazar&eacute; em ju&iacute;zo<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em 15 de fevereiro de 1993, o pr&oacute;prio delegado Ot&aacute;vio entregou uma nova declara&ccedil;&atilde;o, que est&aacute; anexada aos autos. Nela, ele afirma que a pessoa que viu no munic&iacute;pio foi <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/marcio-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde;o de Amailton Madeira Gomes\" class=\"encyclopedia\">M&aacute;rcio Madeira Gomes<\/a>, irm&atilde;o de Amailton. &ldquo;Quando surgiu em Vit&oacute;ria a not&iacute;cia de que o filho do Sr. Amadeu por l&aacute; estava, pensei tratar-se do Sr. Amailton&rdquo;, diz o documento.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-02-15-Declaracao-do-policial-Otavio-Torres-Filho-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Nova declara&ccedil;&atilde;o do delegado Ot&aacute;vio Torres Filho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>H&aacute; aqui duas testemunhas alegando que tiveram depoimentos manipulados por um investigador, que admite o seu erro no fim. N&atilde;o h&aacute;, por&eacute;m, nenhuma explica&ccedil;&atilde;o sobre as graves acusa&ccedil;&otilde;es que recebeu.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os autos, essa hist&oacute;ria se encerra por aqui. A partir de ent&atilde;o, passou-se a aceitar que Amailton de fato estava longe de Altamira quando Klebson foi morto.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a fase de instru&ccedil;&atilde;o, outras testemunhas de defesa e acusa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m foram ouvidas, mas sem grandes impactos no processo. H&aacute; uma declara&ccedil;&atilde;o, no entanto, que merece ser citada: a de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/juarez-gomes-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Pai de Jaenes da Silva Pessoa\" class=\"encyclopedia\">Juarez Gomes Pessoa<\/a>, pai de Jaenes e primo de Amadeu Gomes, datada de 8 de fevereiro de 1993.<\/p>\n\n\n\n<p><em>Declara a quem possa interessar que conhece desde crian&ccedil;a o jovem AMAILTON&nbsp;MADEIRA GOMES, que tem o mesmo em bom conceito e que em hip&oacute;tese alguma&nbsp;acredita ser ele o autor de crimes contra menores do sexo masculino em Altamira.&nbsp;Acredita estar a pol&iacute;cia totalmente enganada, mantendo Amailton inocentemente na&nbsp;cadeia, o que j&aacute; relatou a v&aacute;rias autoridades brasileiras.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/05\/1993-02-08-Declaracao-de-Juarez-Gomes-Pessoa-a-favor-de-Amailton-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Declara&ccedil;&atilde;o de Juarez Gomes Pessoa<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Pouco mais de 10 anos depois, durante depoimento no Tribunal do J&uacute;ri em 28 de agosto de 2003, Juarez comentou que lembrava do que havia dito. Por&eacute;m, destacou que &ldquo;hoje em dia jamais daria tal declara&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>De todos os casos de mudan&ccedil;as em relatos, o que sempre chamou a aten&ccedil;&atilde;o foi o de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/gilberto-denis-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Uma das principais testemunhas contra Amailton Madeira Gomes\" class=\"encyclopedia\">Gilberto Denis da Costa<\/a>, amigo de inf&acirc;ncia de Amailton. O Projeto Humanos conseguiu localiz&aacute;-lo para perguntar sobre isso. Ele n&atilde;o quis gravar entrevista, mas disse que, ao ser ouvido pelos delegados de Altamira, recebeu a promessa de que o seu nome n&atilde;o apareceria. Mas, logo em seguida, Amadeu Gomes passou a procurar a m&atilde;e de Gilberto, bastante conhecida na cidade. Ela disse para o filho que estava sofrendo com tudo aquilo e pediu para que ele mudasse o depoimento. Por isso, o rapaz mandou a declara&ccedil;&atilde;o negando tudo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ivan Mizanzuk tamb&eacute;m comentou com ele a impress&atilde;o de que Amadeu ou algu&eacute;m da fam&iacute;lia Gomes poderia ter tentado convencer testemunhas a mudar os depoimentos. &ldquo;Pode ser. Estaria fazendo papel de pai. N&atilde;o est&aacute; errado. Se fosse eu, faria a mesma coisa&rdquo;, afirma Gilberto.<\/p>\n\n\n\n<p>Por fim, ele foi questionado se acreditava que Amailton era o autor dos crimes. Ele respondeu que achava o amigo de inf&acirc;ncia estranho. &ldquo;Pode ter sido, pode n&atilde;o ter sido&rdquo;, diz. Na opini&atilde;o dele, o suspeito tinha um perfil &ldquo;meio psic&oacute;tico&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Gilberto n&atilde;o &eacute; a primeira pessoa a falar algo nesse sentido. Apesar de muitas testemunhas afirmarem que n&atilde;o conheciam nada que desabonasse a reputa&ccedil;&atilde;o de Amailton, outras falavam que ele era &ldquo;esquisito&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>No processo contra o filho de Amadeu e Zaila, os depoimentos da fase de instru&ccedil;&atilde;o judicial come&ccedil;aram a ser tomados no fim de janeiro de 1993. Foi tamb&eacute;m nessa &eacute;poca que o suspeito foi examinado por um psiquiatra forense. Essa an&aacute;lise era essencial para dissipar as d&uacute;vidas que pairavam sobre o perfil psicol&oacute;gico do rapaz. Entre elas, a mais importante: afinal, seria ele um psicopata capaz de cometer crimes violentos? Esse assunto ser&aacute; tratado no pr&oacute;ximo epis&oacute;dio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Empregada<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/192"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=192"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=192"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=192"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}