{"id":150,"date":"2022-04-28T00:01:00","date_gmt":"2022-04-28T03:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/?post_type=encyclopedia&#038;p=150"},"modified":"2022-04-29T04:39:49","modified_gmt":"2022-04-29T07:39:49","slug":"extras-episodio-04","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/extras\/extras-episodio-04\/","title":{"rendered":"Extras Epis\u00f3dio 04"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>KLEBSON CALDAS<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 13 de novembro de 1992, mais uma crian&ccedil;a desapareceu em Altamira: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/klebson-ferreira-caldas\/\" target=\"_self\" title=\"Menino que desapareceu em Altamira em novembro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Klebson Ferreira Caldas<\/a>, de 12 anos. O caso aconteceu enquanto <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a>, o principal suspeito do delegado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/brivaldo-pinto-soares-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado respons&aacute;vel pelo inqu&eacute;rito de Jaenes em outubro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Brivaldo Pinto Soares Filho<\/a>, estava fora da cidade.<\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo dia do sumi&ccedil;o, os familiares do menino foram &agrave; delegacia para registrar a ocorr&ecirc;ncia. Quem se destaca nesse esfor&ccedil;o &eacute; a m&atilde;e, dona <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-ferreira-caldas-sobrinho\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Klebson, morto em novembro de 1992 em Atamira\" class=\"encyclopedia\">Maria Ferreira Caldas Sobrinho<\/a>, de 50 anos. Klebson era um dos seus 10 filhos. Uma das irm&atilde;s do garoto, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-esther-ferreira-queiroz\/\" target=\"_self\" title=\"Irm&atilde; de Klebson, morto em novembro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Maria Esther Ferreira Queiroz<\/a>, tamb&eacute;m se tornou bastante ativa nas buscas pelo menor. O depoimento dela traz informa&ccedil;&otilde;es importantes sobre o dia do desaparecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Esther conta que eram cerca de 19h30 quando a sua m&atilde;e chegou em casa e avisou que Klebson havia sumido. O menino saiu &agrave;s 14h com o objetivo de encontrar alguns colegas para apanhar manga e n&atilde;o voltou mais. Preocupada com os casos de mortes de crian&ccedil;as em Altamira, ela chamou a m&atilde;e para ir at&eacute; a delegacia e relatar o desaparecimento &agrave; pol&iacute;cia. De acordo com o depoimento, as duas teriam sido imediatamente atendidas pelas autoridades, que iniciaram as buscas pelo garoto. No dia seguinte, os policiais foram at&eacute; a casa da fam&iacute;lia para saber se o menino havia aparecido. Como esse n&atilde;o era o caso, a procura continuou, com Esther guiando os agentes por locais onde havia mangueiras, j&aacute; que o irm&atilde;o tinha sa&iacute;do para pegar frutas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-11-18-Maria-Esther-Ferreira-Queiroz-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Maria Esther Ferreira Queiroz<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Tr&ecirc;s dias depois do sumi&ccedil;o, em 16 de novembro, Brivaldo recebeu um of&iacute;cio de outro investigador, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/otavio-torres-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado de Vit&oacute;ria do Xingu, cidade pr&oacute;xima &agrave; Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ot&aacute;vio Torres Filho<\/a>, da delegacia do porto de Vit&oacute;ria do Xingu &ndash; cidade localizada a 50 quil&ocirc;metros de Altamira. No documento, o delegado atesta que Amailton havia sido visto no munic&iacute;pio em um domingo, no dia 25 de outubro, acompanhado de outra pessoa n&atilde;o identificada. Ambos teriam feito uma liga&ccedil;&atilde;o telef&ocirc;nica e em seguida entrado em um carro, seguindo rumo &agrave; Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-11-16-Delegado-Otavio-Torres-Filho-informa-Brivaldo-que-Amailton-esteve-em-Vitoria-do-Xingu-em-25-10-92.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Of&iacute;cio do delegado Ot&aacute;vio Torres Filho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Se isso fosse verdade, o filho de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-amadeu-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Rico fazendeiro de Altamira, pai de Amailton Gomes\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Amadeu Gomes<\/a> n&atilde;o estaria em uma longa viagem de moto em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; Argentina naquele per&iacute;odo, como a fam&iacute;lia dele afirmava. Em teoria, os cart&otilde;es postais juntados mais tarde pelos advogados do suspeito provavam que ele esteve no Sul do Brasil. Brivaldo, no entanto, notou que o primeiro postal datava de 19 de novembro. Para o delegado, esse fato indicava duas possibilidades: a primeira de que Amailton ainda estava em Altamira, provavelmente protegido pela fam&iacute;lia &ndash; por isso, poderia ser o autor do crime contra Klebson. J&aacute; a segunda hip&oacute;tese refor&ccedil;ava a suspeita de que ele n&atilde;o agia sozinho e tinha c&uacute;mplices que tentavam confundir as investiga&ccedil;&otilde;es, matando as crian&ccedil;as junto ou a mando dele. <\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o delegado ponderava as alternativas, uma nova descoberta movimentou o caso. No dia 17 de novembro, uma equipe de jornalistas do SBT acompanhava dilig&ecirc;ncias da Pol&iacute;cia Militar perto da Transamaz&ocirc;nica quando foi surpreendida pela not&iacute;cia de que um corpo havia sido encontrado por ali. Era o cad&aacute;ver de Klebson, deixado no meio do mato, em uma &aacute;rea de dif&iacute;cil acesso, completamente emasculado. No v&iacute;deo, que est&aacute; anexado aos autos do processo, o rep&oacute;rter destaca que o local &eacute; pr&oacute;ximo do posto de gasolina da fam&iacute;lia Gomes.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Olha s&oacute; a situa&ccedil;&atilde;o. Cobriram com umas folhas e jogaram o menino dentro do matagal. Olha s&oacute; a situa&ccedil;&atilde;o em que o garoto foi encontrado, j&aacute; est&aacute; em decomposi&ccedil;&atilde;o. As moscas voando e a cabe&ccedil;a completamente raspada. Foi um ritual sat&acirc;nico. Podemos dizer que foi um ritual sat&acirc;nico, um ritual macabro&rdquo;, completa o rep&oacute;rter, enquanto aponta para o corpo do menino.<\/p>\n\n\n\n<p>O coment&aacute;rio do jornalista merece destaque. A suspeita de que os crimes envolviam ritual sat&acirc;nico era uma ideia levantada n&atilde;o exatamente por Brivaldo, mas pelo contexto da &eacute;poca. &Eacute; poss&iacute;vel entend&ecirc;-lo melhor por meio de um documento datado de 9 de junho de 1994: o relat&oacute;rio final da Comiss&atilde;o Parlamentar de Inqu&eacute;rito (CPI) destinada a investigar a explora&ccedil;&atilde;o e prostitui&ccedil;&atilde;o infanto-juvenil no pa&iacute;s. Os trabalhos tiveram in&iacute;cio em Bras&iacute;lia em maio de 1993 e, em 9 de novembro do mesmo ano, uma equipe da comiss&atilde;o foi at&eacute; Altamira para analisar os casos de viol&ecirc;ncia registrados por l&aacute;. Um trecho do documento diz o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<p><em>De in&iacute;cio, acreditaram os altamirenses estar diante de caso de serial killer, algum anormal que seria o respons&aacute;vel por todos os casos. Por&eacute;m, essa ideia foi afastada pelas evid&ecirc;ncias de participa&ccedil;&atilde;o de mais de uma pessoa nos&nbsp;crimes. A exist&ecirc;ncia de dois sobreviventes confirma essa hip&oacute;tese. A ideia&nbsp;seguinte da popula&ccedil;&atilde;o foi a de que haveria utiliza&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica dos &oacute;rg&atilde;os&nbsp;extirpados. Quando a situa&ccedil;&atilde;o foi esclarecida, de que n&atilde;o &eacute; poss&iacute;vel transplante que utilize &oacute;rg&atilde;os sexuais de crian&ccedil;as, cristalizou-se a ideia de que&nbsp;os &oacute;rg&atilde;os s&atilde;o usados em algum ritual sat&acirc;nico.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1994-06-09-Relatorio-CPI-Camara-dos-Deputados-Nacional-trechos-sobre-Altamira-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Relat&oacute;rio final da CPI de 1994<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A ideia de ritual sat&acirc;nico &eacute; sempre fundamentada na cren&ccedil;a de que os crimes eram praticados por um grupo de pessoas. Essa teoria, por sua vez, tinha como base o relato de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wandicley-oliveira-pinheiro\/\" target=\"_self\" title=\"Terceiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Wandicley Oliveira Pinheiro<\/a>, o terceiro sobrevivente, que apontava a participa&ccedil;&atilde;o de quatro homens no seu ataque.<\/p>\n\n\n\n<p>No v&iacute;deo da equipe de reportagem do SBT ainda &eacute; poss&iacute;vel ver o desespero de Esther, irm&atilde; de Klebson, ao descobrir que o corpo do irm&atilde;o havia sido encontrado. &ldquo;Eu [estava] procurando o meu irm&atilde;o e ainda teve gente que disse que ele n&atilde;o existia porque n&atilde;o tinha registro. Ai meu Deus, por qu&ecirc;, meu Deus?&rdquo;, desabafa, chorando muito.<\/p>\n\n\n\n<p>Aqui entra uma contradi&ccedil;&atilde;o ao que est&aacute; registrado no depoimento dela, tomado em 18 de novembro de 1992. Na tese de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/paula-mendes-lacerda\/\" target=\"_self\" title=\"Antrop&oacute;loga e pesquisadora do caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Paula Mendes Lacerda<\/a>, Esther nega que tenha sido atendida imediatamente pelas autoridades ao registrar a ocorr&ecirc;ncia na delegacia. Segundo ela, Brivaldo ouviu o seu relato e logo em seguida ligou para Amadeu Gomes, pai de Amailton, perguntando se ele estava com a crian&ccedil;a. O fazendeiro disse que n&atilde;o e, por isso, o investigador teria passado a achar que a fam&iacute;lia de Klebson estava mentindo.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com Esther, Brivaldo ainda lhe pediu a certid&atilde;o de nascimento do menino. Como o garoto nunca tinha sido registrado, o delegado insistiu que o desaparecimento havia sido forjado.<\/p>\n\n\n\n<p>Por outro lado, em entrevista para a tese, o investigador n&atilde;o chegou a comentar sobre essa poss&iacute;vel desconfian&ccedil;a na hist&oacute;ria de Esther. Ele confirmou, por&eacute;m, que havia de fato ligado para a fam&iacute;lia Gomes. &ldquo;Rapaz, cad&ecirc; a crian&ccedil;a que desapareceu? Rapaz, se morrer alguma crian&ccedil;a aqui em Altamira&hellip; Voc&ecirc;s est&atilde;o querendo dissimular a situa&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o vai ser pra mim n&atilde;o&rdquo;, teria dito ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 18 de novembro de 1992, al&eacute;m da irm&atilde; de Klebson, outras duas pessoas foram ouvidas por Brivaldo: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-de-nazare-vieira-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Dona de restaurante em Vit&oacute;ria do Xingu, cidade pr&oacute;xima &agrave; Altamira\" class=\"encyclopedia\">Maria de Nazar&eacute; Vieira da Costa<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jeferson-cicero-dos-santos\/\" target=\"_self\" title=\"Policial de Vit&oacute;ria do Xingu, munic&iacute;pio pr&oacute;ximo &agrave; Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jeferson C&iacute;cero dos Santos<\/a>, moradores de Vit&oacute;ria do Xingu. Essas eram as testemunhas que teriam visto Amailton no munic&iacute;pio no dia 25 de outubro, como o delegado Ot&aacute;vio Torres havia relatado. Por conhecerem a fam&iacute;lia Gomes, eles perceberam que o rapaz estava acompanhado da m&atilde;e, Zaila. Na esperan&ccedil;a de encontrar Amailton, o investigador de Altamira chegou a enviar uma equipe de policiais at&eacute; a cidade, mas n&atilde;o obteve sucesso.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-11-18-Maria-da-Nazare-Vieira-da-Costa-dona-de-restaurante-diz-q-viu-Amailton-em-Vitoria-do-Xingu-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Maria de Nazar&eacute;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-11-18-Jeferson-Cicero-dos-Santos-agente-Policia-Civil-Vitoria-do-Xingu-diz-que-viu-Amailton-1-compactado.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Jeferson C&iacute;cero dos Santos<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>BUSCA E APREENS&Atilde;O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto isso, a press&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o para que os casos fossem resolvidos s&oacute; aumentava. Assim, Brivaldo se viu obrigado a tomar outras medidas. Pediu, ent&atilde;o, &agrave; ju&iacute;za da cidade, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-filomena-buarque-camacho\/\" target=\"_self\" title=\"Ju&iacute;za da Comarca de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Maria Filomena Buarque Camacho<\/a>, que fosse realizada uma busca e apreens&atilde;o na casa de alguns membros da poderosa fam&iacute;lia: Amailton, Amadeu, e os irm&atilde;os Geraldo e Arnaldo. O promotor da &eacute;poca, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/synval-de-castro\/\" target=\"_self\" title=\"Promotor de justi&ccedil;a de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Synval de Castro<\/a>, concordou com a solicita&ccedil;&atilde;o, mas citava apenas Amailton como suspeito.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 18 de novembro de 1992, o requerimento foi aceito e as buscas foram feitas na resid&ecirc;ncia onde o jovem membro da fam&iacute;lia Gomes vivia com o pai. Fotos anexadas no processo mostram o quarto dele: h&aacute; pilhas de livros, discos de vinil e um quadro de colagem com &iacute;cones pop &ndash; nada de muito incomum para um rapaz de 22 anos de idade. Alguns t&iacute;tulos, no entanto, chamaram a aten&ccedil;&atilde;o dos policiais, como &ldquo;O Satanista&rdquo; e &ldquo;A Erva do Diabo&rdquo;, por exemplo. Essas obras serviram para alimentar o imagin&aacute;rio de que Amailton poderia fazer parte de uma seita sat&acirc;nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Brivaldo estranhou tamb&eacute;m o teto do quarto, que estava cheio de pingos de tinta, como se tivesse sido pintado h&aacute; pouco tempo, e uma mancha rosa que escorria em uma das paredes. Tais detalhes nunca foram explorados na fase de inqu&eacute;rito, mas em momentos futuros, o delegado chegou a dizer que achava o c&ocirc;modo &ldquo;sombrio&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m de livros e filmes em fitas VHS, a pol&iacute;cia apreendeu fotos pessoais do suspeito. H&aacute; imagens de Amailton tocando viol&atilde;o, falando ao telefone e sentado em frente a paisagens naturais. Outras s&atilde;o consideradas mais &ldquo;ex&oacute;ticas&rdquo;, como a que mostra ele brincando com uma cobra ou completamente nu, com o rosto pintado de branco, em meio a algumas pedras. H&aacute; tamb&eacute;m uma fotografia na qual ele parece fumar um baseado.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a busca e apreens&atilde;o, um detalhe se destacou: os agentes encontraram oito fotos iguais, que mostram v&aacute;rias crian&ccedil;as em uma esp&eacute;cie de apresenta&ccedil;&atilde;o musical. Elas aparentam ter entre oito e 12 anos de idade e n&atilde;o est&atilde;o identificadas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-11-18-Juntada-do-cumprimento-de-busca-e-apreensao-na-casa-de-Amailton-relatorio-de-19-11-mas-busca-foi-no-18-compressed.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Resultado da busca e apreens&atilde;o na casa de Amailton<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nos autos, as imagens do corpo do Klebson aparecem misturadas &agrave;quelas apreendidas no quarto do suspeito, como se o objetivo fosse causar confus&atilde;o. &ldquo;Ent&atilde;o, h&aacute; uma associa&ccedil;&atilde;o a&iacute;. Porque eu escutei inclusive de pessoas que investigaram o caso, a partir da promotoria, que era para quem pegasse o processo entender que aquelas fotos [do cad&aacute;ver] estavam no quarto do Amailton&rdquo;, explica o pesquisador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rubens-pena-junior\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado e antrop&oacute;logo\" class=\"encyclopedia\">Rubens Pena J&uacute;nior<\/a> ao podcast.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>AN&Aacute;LISE DO CORPO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>As imagens do corpo de Klebson s&atilde;o bastante chocantes. O que mais causa impacto &eacute; o estado da cabe&ccedil;a, que est&aacute; completamente sem pele. Al&eacute;m disso, segundo relatos da irm&atilde; Esther, ele n&atilde;o tinha os &oacute;rg&atilde;os genitais e os olhos, e apresentava um grande buraco na regi&atilde;o do est&ocirc;mago.<\/p>\n\n\n\n<p>Em reportagem do SBT juntada ao processo, o m&eacute;dico legista <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/armando-aragao\/\" target=\"_self\" title=\"M&eacute;dico legista\" class=\"encyclopedia\">Armando Arag&atilde;o<\/a> fala sobre a situa&ccedil;&atilde;o em que o garoto foi achado. &ldquo;O que acontece &eacute; que ap&oacute;s algum tempo decorrido de morte, acima de 72 horas, as partes moles, o couro cabeludo, os olhos, come&ccedil;am a se soltar devido &agrave; decomposi&ccedil;&atilde;o cadav&eacute;rica. Ent&atilde;o, n&atilde;o houve ali traumatismo, n&atilde;o tinha fratura na calota craniana ou sinais de corte na cabe&ccedil;a&rdquo;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p>O laudo da an&aacute;lise do cad&aacute;ver de Klebson foi conclu&iacute;do no dia 23 de novembro. Nele, Arag&atilde;o revela que, apesar de algumas semelhan&ccedil;as com os casos anteriores, dessa vez as les&otilde;es pareciam mais agressivas, como se o assassino estivesse mais violento. Ou, segundo Brivaldo, como se outra pessoa tivesse tentado emular o crime original.<\/p>\n\n\n\n<p>Se nas primeiras ocorr&ecirc;ncias a emascula&ccedil;&atilde;o era feita apenas com instrumento cortante, agora havia sido um pouco diferente. Havia o uso de um objeto como faca ou navalha, por exemplo, mas s&oacute; at&eacute; certo ponto. Ap&oacute;s o corte, a marca na pele indicava que o p&ecirc;nis e a bolsa escrotal teriam sido arrancados &agrave; for&ccedil;a, assim como o &acirc;nus da v&iacute;tima. Por fim, o laudo conclui: &ldquo;Causa mortis indeterminada, em virtude do estado de decomposi&ccedil;&atilde;o cadav&eacute;rica (3 a&nbsp;4 dias da morte)&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-11-23-Laudo-Necroscopico-provisorio-de-Klebson.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Laudo de an&aacute;lise do corpo de Klebson<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A m&atilde;e de Klebson, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-ferreira-caldas-sobrinho\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Klebson, morto em novembro de 1992 em Atamira\" class=\"encyclopedia\">Maria Ferreira Caldas Sobrinho<\/a>, prestou depoimento no dia 24 de novembro. Na ocasi&atilde;o, ela repetiu as informa&ccedil;&otilde;es repassadas pela filha Esther. De acordo com os relatos do <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a>, cerca de dois meses ap&oacute;s a morte de Klebson, dona Maria sofreu um derrame e faleceu. Ela n&atilde;o aguentou a dor da perda do pr&oacute;prio filho. O pai do menino tamb&eacute;m morreu pouco tempo depois e os irm&atilde;os acabaram se separando. Restou, ent&atilde;o, &agrave; Maria Esther assumir a luta por justi&ccedil;a. Ao lado de dona <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/rosa-maria-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"M&atilde;e de Jaenes da Silva Pessoa\" class=\"encyclopedia\">Rosa Maria Pessoa<\/a>, m&atilde;e de Jaenes, ela viria a se tornar mais um s&iacute;mbolo de for&ccedil;a para os familiares das v&iacute;timas.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-11-24-Maria-Ferreira-Caldas-Sobrinho-mae-Klebson-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Depoimento de Maria Ferreira Caldas Sobrinho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A morte de Klebson causou muita como&ccedil;&atilde;o na cidade. No mesmo v&iacute;deo em que o m&eacute;dico legista d&aacute; entrevista, h&aacute; o registro de uma multid&atilde;o reunida na entrada no necrot&eacute;rio, aguardando o corpo do menino. Durante o enterro, os moradores clamam por justi&ccedil;a. &ldquo;Dai-nos for&ccedil;a, Senhor, e ilumina as autoridades. Ilumina todas as pessoas para que elas possam sanar esses problemas que est&atilde;o trazendo muita tristeza em nossos lares&rdquo;, reza uma moradora.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>PRIS&Atilde;O<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Em 24 de novembro de 1992, mesmo dia em que a m&atilde;e de Klebson foi ouvida pela pol&iacute;cia, outro evento importante aconteceu: <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/amailton-madeira-gomes\/\" target=\"_self\" title=\"Filho de Amadeu Gomes, &eacute; um dos acusados no caso dos emasculados\" class=\"encyclopedia\">Amailton Madeira Gomes<\/a> foi preso na cidade de Mundo Novo, no Mato Grosso do Sul. Alguns dias depois, foi levado &agrave; Bel&eacute;m do Par&aacute; para finalmente ser interrogado por Brivaldo.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-11-25-Materia-do-Jornal-O-Liberal-Policia-bota-a-mao-em-Amailton-acusado-dos-crimes-em-Altamira-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mat&eacute;ria do Jornal O Liberal &ndash; &ldquo;Pol&iacute;cia bota a m&atilde;o em Amailton&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Em depoimento, Amailton negou qualquer participa&ccedil;&atilde;o nos crimes ocorridos em Altamira. Entre outras coisas, ele explicou que era acostumado a fazer muitas viagens, especialmente para Fortaleza, cidade de origem da sua fam&iacute;lia. Al&eacute;m disso, relatou que j&aacute; havia se relacionado sexualmente com homens e mulheres. Ao ser questionado se era homossexual, negou.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as perguntas do investigador, o filho de Amadeu admitiu que os livros apreendidos eram de fato seus e afirmou que n&atilde;o tinha o costume de tirar fotos nus. Sobre as imagens de uma apresenta&ccedil;&atilde;o musical infantil, ele disse que as recebeu de v&aacute;rias pessoas e que n&atilde;o se lembrava exatamente do que se tratavam. J&aacute; em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; mancha rosa na parede, comentou que teria sido o resultado de um vidro de Merthiolate quebrado.<\/p>\n\n\n\n<p>Dos fatores mais incriminadores existentes contra o suspeito, as viagens se destacavam. Amailton, no entanto, reiterou que as sa&iacute;das da cidade n&atilde;o tinham qualquer rela&ccedil;&atilde;o com os casos dos meninos. Ele relatou, por exemplo, que na &eacute;poca do desaparecimento de <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a>, seu parente distante, ningu&eacute;m imaginava que o menino teria sido v&iacute;tima de viol&ecirc;ncia. Por isso, n&atilde;o se preocupou e n&atilde;o adiou os seus planos.<\/p>\n\n\n\n<p>Brivaldo tamb&eacute;m lhe perguntou o motivo pelo qual n&atilde;o permaneceu na cidade no dia das elei&ccedil;&otilde;es para votar no seu tio, Arnaldo, candidato a vereador. Ele apenas respondeu que n&atilde;o votava em Altamira.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o interrogat&oacute;rio, um coment&aacute;rio de Amailton chama a aten&ccedil;&atilde;o. Em certo momento, ele comentou que a pol&iacute;cia sempre suspeitava de homossexuais nos crimes contra os meninos e que v&aacute;rios deles j&aacute; haviam inclusive sido presos, como Luiz Kapiche &ndash; figura conhecida em Altamira, muito pr&oacute;xima da fam&iacute;lia Gomes.<\/p>\n\n\n\n<p>Nenhuma dessas informa&ccedil;&otilde;es, por&eacute;m, podem ser verificadas nos autos do processo. Pelo menos de acordo com os documentos, Amailton foi o primeiro homem n&atilde;o-heterossexual detido. J&aacute; sobre a orienta&ccedil;&atilde;o sexual de Kapiche, ele mesmo negou ser gay no depoimento que prestou. Apesar de n&atilde;o terem confirma&ccedil;&atilde;o, essas passagens ajudam a entender como os casos eram interpretados na &eacute;poca, cercados de preconceito.<\/p>\n\n\n\n<p>O delegado Brivaldo tamb&eacute;m aproveitou o interrogat&oacute;rio para tentar colher mais informa&ccedil;&otilde;es sobre a tal <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/empregada-fatima\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que teria visto Amailton com uma camisa suja de sangue\" class=\"encyclopedia\">empregada F&aacute;tima<\/a>, que teria flagrado Amailton chegando em casa sujo de sangue. Por&eacute;m, o rapaz negou o ocorrido e disse que n&atilde;o tinha nenhuma funcion&aacute;ria com esse nome.<\/p>\n\n\n\n<p>O suspeito confirmou, no entanto, que de fato dirigia uma caminhonete Pampa cor vinho no in&iacute;cio de 1992. Esse era o mesmo ve&iacute;culo visto no local do crime contra Jurdiley da Cunha Chipaia.<\/p>\n\n\n\n<p>Questionado sobre o &aacute;libi que teria para a ocasi&atilde;o do sumi&ccedil;o de Jaenes em primeiro de outubro, Amailton respondeu que passou o dia se preparando para a longa viagem at&eacute; o Sul do pa&iacute;s. Pela manh&atilde;, hor&aacute;rio do crime, ele teria ido at&eacute; um est&uacute;dio para gravar fitas de m&uacute;sica. L&aacute;, foi atendido por um rapaz parapl&eacute;gico. Esse fato facilitaria a identifica&ccedil;&atilde;o do tal funcion&aacute;rio para confirmar o &aacute;libi de Amailton. Mas, por algum motivo, ele nunca apareceu nos autos do processo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em outra passagem do depoimento, Brivaldo pede para o suspeito tentar tra&ccedil;ar um perfil de como ele definiria o assassino das crian&ccedil;as. &ldquo;O criminoso &eacute; um animal, n&atilde;o &eacute; um ser humano, talvez de Altamira ou talvez vindo de outro lugar. Tem uma personalidade de man&iacute;aco sexual, o qual precisa matar para poder ter prazer na vida&rdquo;, afirmou.<\/p>\n\n\n\n<p>A pergunta de Brivaldo era como uma pegadinha. Afinal, ele questionou se Amailton tinha o costume de praticar &ldquo;fela&ccedil;&atilde;o&rdquo; e o suspeito disse que sim &ndash; pr&aacute;tica que o delegado considerava depravada. Logo, por mais que o filho de Amadeu n&atilde;o admitisse, para o investigador era claro que ele descrevia a si mesmo: &ldquo;um pervertido que tinha prazer em matar e abusar de garotos&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda em interrogat&oacute;rio, Amailton negou que havia estado em Vit&oacute;ria do Xingu no fim de outubro, diferente do que afirmava o investigador <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/otavio-torres-filho\/\" target=\"_self\" title=\"Delegado de Vit&oacute;ria do Xingu, cidade pr&oacute;xima &agrave; Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ot&aacute;vio Torres Filho<\/a>, mais conhecido como Tavico. Por fim, afirmou que n&atilde;o voltou para Altamira antes porque s&oacute; se preocupou ao saber que havia um mandado de pris&atilde;o contra si. Ele ainda descreveu todas as cidades pelas quais passou do Norte ao Sul do pa&iacute;s, chegando ao Uruguai e, finalmente, &agrave; capital argentina de Buenos Aires &ndash; onde permaneceu por 12 dias. Foi na viagem de retorno que acabou sendo preso em Mato Grosso do Sul.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-12-02-Interrogatorio-Amailton-Madeira-Gomes-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Interrogat&oacute;rio de Amailton Madeira Gomes<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No mesmo dia do depoimento, em 2 de dezembro de 1992, os advogados de defesa do suspeito, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/americo-leal\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa de Amailton e Valentina\" class=\"encyclopedia\">Am&eacute;rico Leal<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/luciel-caxiado\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa de Amailton\" class=\"encyclopedia\">Luciel Caxiado<\/a>, requisitaram um exame de les&otilde;es corporais. De acordo com eles, o rapaz teria sido &ldquo;exaustivamente espancado na pris&atilde;o&rdquo;. O laudo, que saiu no dia seguinte, est&aacute; quase ileg&iacute;vel nos autos do processo. Em um trecho grifado, &eacute; poss&iacute;vel ler apenas &ldquo;nas mucosas dos olhos&rdquo;. Uma imagem gravada na &eacute;poca pela TV Liberal mostra Amailton chegando em Bel&eacute;m logo ap&oacute;s a pris&atilde;o. Na cena, ele est&aacute; com o olho direito completamente vermelho. Segundo os autos do processo, contudo, a den&uacute;ncia sobre maus-tratos e espancamento n&atilde;o avan&ccedil;aram.<\/p>\n\n\n\n<p><em>ATUALIZA&Ccedil;&Atilde;O 28\/04\/2022: O ouvinte Andr&eacute; Cadete, perito criminal de S&atilde;o Jo&atilde;o del Rei-MG, entrou em contato conosco por email dizendo que conseguiu extrair as seguintes informa&ccedil;&otilde;es do laudo de Amailton:<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>&ldquo;DESCRI&Ccedil;&Atilde;O: Ao exame observa-se: Equimoses avermelhadas nas mucosas dos olhos. Feridas contusas, superficiais, em fase de cicatriza&ccedil;&atilde;o disseminadas pelas regi&otilde;es gl&uacute;teas, de tamanhos e formas vari&aacute;veis. Escoria&ccedil;&otilde;es arredondadas e lineares.&rdquo;.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-12-03-Laudo-Exame-de-Corpo-de-Delito-Lesoes-Corporais-Amailton.pdf\" target=\"_blank\">Laudo de les&atilde;o corporal de Amailton<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m de todos os elementos que despertaram a aten&ccedil;&atilde;o de Brivaldo para Amailton, h&aacute; ainda outro bastante curioso citado por uma reportagem do Jornal A Prov&iacute;ncia do Par&aacute; de 2 de dezembro de 1992: uma agenda que ele usava como di&aacute;rio de viagem. Nela, no campo onde h&aacute; informa&ccedil;&otilde;es pessoais, l&ecirc;-se: &ldquo;Tipo de sangue: HIV&rdquo;. <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/IMG_5984-768x1024.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-175\" srcset=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/IMG_5984-768x1024.jpeg 768w, http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/IMG_5984-225x300.jpeg 225w, http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/IMG_5984-1152x1536.jpeg 1152w, http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/IMG_5984-1536x2048.jpeg 1536w, http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/IMG_5984-scaled.jpeg 1920w\" sizes=\"(max-width: 768px) 100vw, 768px\"><\/figure>\n\n\n\n<p>Sobre isso, a mat&eacute;ria afirma:<\/p>\n\n\n\n<p><em>Entre os&nbsp; pertences de Amailton, foram apreendidos literaturas de cunho sat&acirc;nico, fitas&nbsp;cassetes contendo filmes er&oacute;ticos e de viol&ecirc;ncia encimados por Silvester Stallone e&nbsp;uma agenda em cujas p&aacute;ginas est&aacute; anotado: &ldquo;Passaporte falso; Cart&atilde;o de Cr&eacute;dito Vencido; Em caso de acidente, avisar o dem&ocirc;nio; Tipo de sangue: HIV&rdquo;.&nbsp;&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>O &uacute;ltimo detalhe faz com que o delegado envie Amailton, ainda hoje, a exame de&nbsp;sangue para constata&ccedil;&atilde;o se ele &eacute; portador do v&iacute;rus da Aids, resultado que ser&aacute;&nbsp;anexado ao processo. O auto de pergunta e resposta, ao seu encerramento, contou&nbsp;com a presen&ccedil;a do advogado <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/americo-leal\/\" target=\"_self\" title=\"Advogado de defesa de Amailton e Valentina\" class=\"encyclopedia\">Am&eacute;rico Leal<\/a>, defensor do Monstro de Altamira, que&nbsp;contestou o procedimento policial, subjugando que &ldquo;a Pol&iacute;cia est&aacute; fabricando um&nbsp;criminoso&rdquo;.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-12-02-Jornal-Provincia-do-Para-Monstro-de-Altamira-e-Amante-do-Demonio-1.pdf\" target=\"_blank\">Mat&eacute;ria do Jornal A Prov&iacute;ncia do Par&aacute; &ndash; &ldquo;Monstro de Altamira &eacute; amante do dem&ocirc;nio&rdquo;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Nos autos do processo, n&atilde;o h&aacute; qualquer men&ccedil;&atilde;o de que Amailton tenha passado por um exame de sangue para verificar se possu&iacute;a o v&iacute;rus HIV. Para muitos, o fato de ele ter preenchido a agenda dessa forma poderia ser visto apenas como uma brincadeira question&aacute;vel de um jovem no in&iacute;cio da d&eacute;cada de 1990. N&atilde;o foi assim que Brivaldo e parte da imprensa interpretou essa informa&ccedil;&atilde;o na &eacute;poca. De qualquer modo, &eacute; imposs&iacute;vel dissociar a pris&atilde;o do rapaz de sua sexualidade. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>RELAT&Oacute;RIO FINAL<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O relat&oacute;rio final de Brivaldo &eacute; datado de 7 de dezembro de 1992 e conta com 17 p&aacute;ginas. Apesar de ter sido enviado &agrave; Altamira para investigar somente o crime contra Jaenes, Brivaldo incluiu no documento outros meninos que teriam sido v&iacute;timas de Amailton:<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jose-sidney\/\" target=\"_self\" title=\"Primeiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jos&eacute; Sidney<\/a>, que ele acreditava ter sido morto em julho de 1989, mas que na verdade estava vivo, sendo escondido pela fam&iacute;lia;<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; O <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/segundo-sobrevivente\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a que sobreviveu ap&oacute;s ser emasculada em 1989\" class=\"encyclopedia\">Segundo Sobrevivente<\/a>, atacado em novembro de 1989;<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/wandicley-oliveira-pinheiro\/\" target=\"_self\" title=\"Terceiro sobrevivente do caso dos emasculados de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Wandicley Oliveira Pinheiro<\/a>, emasculado em setembro de 1990;<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ailton-fonseca-do-nascimento\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a desaparecida em maio de 1991 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ailton Fonseca do Nascimento<\/a>, morto em julho de 1991;<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/judirley-da-cunha-chipaia\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em janeiro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Judirley da Cunha Chipaia<\/a>, assassinado em janeiro de 1992;<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/jaenes-da-silva-pessoa\/\" target=\"_self\" title=\"Crian&ccedil;a emasculada e morta em outubro de 1992 em Altamira\" class=\"encyclopedia\">Jaenes da Silva Pessoa<\/a>, morto em outubro de 1992;<\/p>\n\n\n\n<p>&ndash; <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/klebson-ferreira-caldas\/\" target=\"_self\" title=\"Menino que desapareceu em Altamira em novembro de 1992\" class=\"encyclopedia\">Klebson Ferreira Caldas<\/a>, assassinado em novembro de 1992.<\/p>\n\n\n\n<p>Al&eacute;m de citar as crian&ccedil;as, o investigador alertou sobre a necessidade de cada um desses casos ter um inqu&eacute;rito individual. &Eacute; prov&aacute;vel que essa recomenda&ccedil;&atilde;o tenha sido feita porque algumas dessas v&iacute;timas sequer possu&iacute;am investiga&ccedil;&atilde;o aberta, enquanto outros casos eram pobres em informa&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disso, Brivaldo tinha a cren&ccedil;a de que, ao menos em&nbsp;alguns dos crimes, Amailton n&atilde;o havia agido sozinho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A recomenda&ccedil;&atilde;o de Brivaldo, por&eacute;m, nunca foi seguida. Uma das ju&iacute;zas de Altamira na &eacute;poca, <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/maria-filomena-buarque-camacho\/\" target=\"_self\" title=\"Ju&iacute;za da Comarca de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Maria Filomena Buarque Camacho<\/a>, chegou a pedir a abertura dos inqu&eacute;ritos, mas a ordem n&atilde;o parece ter sido cumprida.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre todos os casos, o mais desolador &eacute; o de Klebson. N&atilde;o h&aacute; nos autos do processo qualquer tipo de dilig&ecirc;ncia com o objetivo de buscar testemunhas e investigar a morte dele de forma mais aprofundada. Tudo o que se sabe sobre a hist&oacute;ria do garoto est&aacute; nos trabalhos feitos no inqu&eacute;rito de Jaenes.<\/p>\n\n\n\n<p>Sobre essa aus&ecirc;ncia, diversas explica&ccedil;&otilde;es s&atilde;o levantadas, mas nenhuma pass&iacute;vel de comprova&ccedil;&atilde;o. Uma delas &eacute; de que a pol&iacute;cia alegava n&atilde;o poder abrir um inqu&eacute;rito pr&oacute;prio porque o menino n&atilde;o possu&iacute;a certid&atilde;o de nascimento. Outra &eacute; de que como o principal suspeito, Amailton, j&aacute; estava preso, a investiga&ccedil;&atilde;o ocorreria na fase de instru&ccedil;&atilde;o judicial. Nenhuma justificativa &eacute; satisfat&oacute;ria. Klebson &eacute; mais um garoto pobre que morreu esquecido pelo sistema. Mesmo quando o processo avan&ccedil;ou, ele jamais foi considerado uma v&iacute;tima oficial. <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-12-07-Relatorio-Brivaldo-2.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Relat&oacute;rio final de Brivaldo Pinto Soares Filho<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><strong>IMPRESS&Otilde;ES SOBRE BRIVALDO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Ap&oacute;s encerrar o inqu&eacute;rito de Jaenes, Brivaldo retornou para Bel&eacute;m e&nbsp;nunca mais atuou no caso de Altamira. Apesar do empenho, alguns elementos na sua investiga&ccedil;&atilde;o foram considerados problem&aacute;ticos pelas fam&iacute;lias das v&iacute;timas.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Entre outras coisas, ele acreditava que a dona Rosa, m&atilde;e de Jaenes, tinha se afastado da luta por justi&ccedil;a por ter recebido dinheiro da fam&iacute;lia do Amailton. Essas concep&ccedil;&otilde;es eu posso afirmar com certeza serem equivocadas e motivadas por uma falta de compreens&atilde;o mais ampla da realidade e at&eacute; mesmo dos desdobramentos na vida da Rosa&rdquo;, comenta a pesquisadora Paula Lacerda.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com ela, outro preconceito carregado por ele tamb&eacute;m se tornou evidente: Brivaldo acreditava que o desaparecimento de crian&ccedil;as no interior era algo normal, pois as m&atilde;es n&atilde;o ficavam muito preocupadas quando os filhos andavam sozinhos pelas ruas. &ldquo;Ele me disse: &lsquo;uma m&atilde;e nessa situa&ccedil;&atilde;o de fome, de mis&eacute;ria, s&oacute; vai se dar conta do filho tr&ecirc;s dias depois que ele n&atilde;o voltar para casa&rsquo;. Isso n&atilde;o era real. At&eacute; mesmo porque eu j&aacute; conhecia as narrativas das mulheres, das m&atilde;es, de familiares, de modo mais amplo&rdquo;, diz a antrop&oacute;loga.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ela, o delegado n&atilde;o conseguiu estabelecer uma rela&ccedil;&atilde;o de parceria com as fam&iacute;lias dos meninos, mas sim de antagonismo. &ldquo;Os familiares t&ecirc;m essa mem&oacute;ria n&atilde;o s&oacute; pela quest&atilde;o do mal atendimento, mas sobretudo porque ele n&atilde;o os viu como aliados, como pessoas que tamb&eacute;m estavam interessadas na elucida&ccedil;&atilde;o do crime&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>DEN&Uacute;NCIA<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Depois da entrega do relat&oacute;rio final para o Minist&eacute;rio P&uacute;blico, a promotora <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/ociralva-de-souza-farias-tabosa\/\" target=\"_self\" title=\"Promotora de justi&ccedil;a de Altamira\" class=\"encyclopedia\">Ociralva de Souza Farias Tabosa<\/a> apresentou o pedido de abertura de a&ccedil;&atilde;o penal p&uacute;blica contra Amailton. A ju&iacute;za Maria Filomena aceitou a den&uacute;ncia naquele mesmo dia, em 15 de dezembro de 1992.<\/p>\n\n\n\n<p>Iniciava-se, assim, a chamada fase de instru&ccedil;&atilde;o, posterior &agrave; investiga&ccedil;&atilde;o policial. Ela &eacute; considerada sempre a mais relevante para o processo, pois &eacute; o momento em que o acusado vira r&eacute;u e presta depoimento em ju&iacute;zo. &Eacute; tamb&eacute;m quando entram as testemunhas de acusa&ccedil;&atilde;o e defesa.<\/p>\n\n\n\n<p>Na den&uacute;ncia do Minist&eacute;rio P&uacute;blico, a promotora dizia que gostaria de ouvir quatro testemunhas:<\/p>\n\n\n\n<ol type=\"1\"><li><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/gilberto-denis-da-costa\/\" target=\"_self\" title=\"Uma das principais testemunhas contra Amailton Madeira Gomes\" class=\"encyclopedia\">Gilberto Denis da Costa<\/a>, amigo de inf&acirc;ncia de Amailton, que o denunciou para a pol&iacute;cia como o autor dos crimes;<\/li><li><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/benedito-roberto-de-oliveira\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que revela a hist&oacute;ria da empregada F&aacute;tima\" class=\"encyclopedia\">Benedito Roberto de Oliveira<\/a>, o Ben&eacute;, que diz ter ouvido a hist&oacute;ria sobre o filho de Amadeu ter chegado em casa com a roupa suja de sangue;<\/li><li>Irene, funcion&aacute;ria de uma lanchonete\/sorveteria, que contou a hist&oacute;ria para Ben&eacute;;<\/li><li><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/personagens\/empregada-fatima\/\" target=\"_self\" title=\"Testemunha que teria visto Amailton com uma camisa suja de sangue\" class=\"encyclopedia\">Empregada F&aacute;tima<\/a>, que teria visto essa cena.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2022\/04\/1992-12-15-Pedido-de-abertura-de-acao-penal-contra-Amailton-1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pedido de abertura de a&ccedil;&atilde;o penal contra Amailton<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>No inqu&eacute;rito de investiga&ccedil;&atilde;o de Jaenes, &eacute; poss&iacute;vel notar que Brivaldo tentou localizar&nbsp;F&aacute;tima, mas nunca conseguiu um depoimento dela. Ela teria medo? Teria fugido? Agora, cabia ao Minist&eacute;rio P&uacute;blico tentar ach&aacute;-la para ouvir a sua hist&oacute;ria.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>MAPA DOS CRIMES<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para acessar o mapa dos crimes atualizado com o caso de Klebson, clique <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/www.google.com\/maps\/d\/u\/0\/viewer?mid=11zmeBXCCGg5iAKjeEjpOTeu_A-h-aLmf&amp;ll=-3.183050000000017%2C-52.18755&amp;z=12\" target=\"_blank\">aqui<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<p>O mapa indica os locais onde as v&iacute;timas sobreviventes foram resgatadas (verde), onde os corpos das v&iacute;timas fatais foram encontrados (amarelo) e onde os desaparecidos foram vistos pela &uacute;ltima vez (roxo). Os locais s&atilde;o aproximados. Tamb&eacute;m s&atilde;o informadas a idade que os meninos tinham e as datas dos crimes.<\/p>\n\n\n\n<p>Como &agrave;s vezes h&aacute; diverg&ecirc;ncias em detalhes entre o que est&aacute; em documentos policiais e judiciais e o que o <a href=\"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/instituicoes\/comite-em-defesa-das-criancas-altamirenses\/\" target=\"_self\" title=\"Grupo criado por familiares das v&iacute;timas para pedir por justi&ccedil;a\" class=\"encyclopedia\">Comit&ecirc; em Defesa da Vida das Crian&ccedil;as Altamirenses<\/a> indica, foram priorizadas as informa&ccedil;&otilde;es que est&atilde;o em autos processuais. J&aacute; nos casos em que n&atilde;o existem registros oficiais, os dados do Comit&ecirc; s&atilde;o utilizados. H&aacute; ainda casos apontados pelo Comit&ecirc; cuja localiza&ccedil;&atilde;o &eacute; desconhecida, portanto, n&atilde;o s&atilde;o apresentados neste mapa.<\/p>\n\n\n\n<p>O mapa exibe a geografia atual de Altamira. Na &eacute;poca do caso dos emasculados, alguns aspectos eram diferentes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Nova V\u00edtima<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":35,"template":"","encyclopedia-category":[6],"encyclopedia-tag":[],"_links":{"self":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/150"}],"collection":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/users\/3"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media\/35"}],"wp:attachment":[{"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=150"},{"taxonomy":"encyclopedia-tag","embeddable":true,"href":"http:\/\/www.projetohumanos.com.br\/wiki\/altamira\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-tag?post=150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}